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[Recensão a] Cláudia Teixeira, Estrutura da viagem na Épica de Virgílio e no Romance Latino

Pimentel, Maria Cristina, 1954-

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Na medida em que odas as ob as da UC Digi alis se encon am p o egidas pelo Código do Di ei o de Au o e Di ei os Conexos e demais legislação aplicá el, oda a cópia, pa cial ou o al, des e documen o, nos casos em que é legalmen e admi ida, de e á con e ou aze -se acompanha po es e a iso. [Recensão a] Teixei a, Cláudia A. - Es u u a da iagem na Épica de Vi gílio e no Romance La ino Au o (es): Pimen el, Ma ia C is ina de Cas o-Maia de Sousa Publicado po : Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa URL pe sis en e: URI:h p://hdl.handle.ne /10316.2/23973 Accessed : 14-Ap -2018 02:26:43 digi alis.uc.p impac um.uc.p RECENSÕES CLÁUDIA TEIXEIRA, Es u u a da Viagem na Épica de Vi gílio e no Romance La ino. Lisboa, Fundação Calous e Gulbenkian - Fundação pa a a Ciência e Tecnologia, 2007, 547 pp., ISBN 978-972-31-1199-6 É p econcei o comum, en e os classicis as, conside a que há ce os au o es sob e os quais udo quan o é pe inen e oi já di o e discu ido e que, po isso, não é p o ei oso nem sensa o escolhê-los pa a objec o de in es igação, dada a impossibilidade de, sob e eles, aze pesquisa o iginal e chega a esul ados ino ado es sem sai dos pa âme os de igo e se iedade que se exige em abalho cien í ico. En e os au o es assim pos e gados, con am-se, na p imei a linha, aqueles que ca i a am mais ge ações de lei o es pela a e sublime com que c ia am as suas ob as ou pela o ma como consegui am o na -se in empo ais e, po isso mesmo, mais p óximos de cada se humano que, qualque que seja a época, po eles se deixa seduzi . Ve gilio, Pe onio e Apuleio pe encem a esse núme o: o lei o da Eneida, do Sa i icon e de O Bu o de Ou o não pode senão ica ascinado pela mes ia com que ais ob as-p imas o am compos as; mas o es udioso que as abo da só pode ambém sen i -se esmagado pela imensidade da bibliog a ia sob e eles p oduzida, a um i mo que não cessa e, bem pelo con á io, pa ece mul iplica -se em cada ano que passa, bibliog a ia que aduz uma di e sidade de pe spec i as e uma a iedade de modos de abo dagem, eó icos e p á icos, que, nem que seja po esc úpulo cien í ico, não se de e nem se pode igno a . Saúde-se, pois, a escolha de Cláudia Teixei a pela co agem de oma como ema da sua in es igação esses ês g andes nomes da li e a u a la ina dos séculos I a. C., I d. C. e II d. C., assumindo o isco de ilha caminhos a um empo ped egosos pela di iculdade da análise e ba idos pela imensidade dos es udos que os esmiúçam nos mais ín imos aspec os. Sublinhe-se a segu ança com que usa de uma bibli- og a ia imensa, egis ando o que lhe o ien a a in es igação e unda- men a as conclusões sem jamais se deixa en a pela in elizmen e ão comum exibição de e udição, quase semp e desp oposi ada e inú il. Lou e-se, acima de udo, a in ulga capacidade de análise de que deu mos as e a sabedo ia com que encon ou e seguiu uma linha de lei- u a o iginal e es imulan e, apoiada em sólidos pa âme os das mode - nas eo ias li e á ias que aplica à he menêu ica dos ex os clássicos. Cláudia Teixei a oma a iagem como «es u u a que, simul anea- men e, o ganiza e e lec e o desen ol imen o dos emas, das ma é ias e dos p oblemas subjacen es a cada uma das ob as» (p. XI) de que 323 RECENSÕES se ocupa, e pa a isso de ine, com ac ibia, alguns p essupos os: em p imei o luga , e uma ez que o es udo incide sob e um poema épico, a Eneida, e dois omances, o Sa y icon e o Asinus au eus, ha e á que e i ica se a ma e ialização conc e a do ema da mobilidade p essupõe um desen ol imen o semelhan e nas di e en es na a i as, ou se, pelo con á io - há a iações esul an es dessa di e sidade genológica, que ao ní el da modelização dos sis emas ( alo es colec- i os s. alo es indi iduais), que ao ní el dos mundos (ele ado s. deg adado) e dos he óis (conscien es do seu des ino s. soli á ios e p oblemá icos, desp o idos de p o ecção di ina) que ep esen am. Nes a linha de análise, Cláudia Teixei a in en a e se a mobilidade é «uma es u u a de de inição ex agené ica» e, po isso, «concep ual- men e uni e sal e abs ac a», ou se, ao in és, se a a de uma «es u- u a especí ica cuja de inição depende es i amen e da elação que man ém com o géne o especí ico em que se desen ol e» (p. 1). De i- nidas as ca ac e ís icas uni e sais da es u u a da iagem pela p es- suposição de um e mo a quo e um e mo ad quem, «coo denadas de pa ida e de chegada, en e as quais deco e um conjun o de episó- dios» (p. 1), den o dessas balizas imp escindí eis impo a igualmen e e em que medida a iagem não é ão-só mobilidade no espaço e no empo, mas ambém deslocação na o dem social e cul u al, anali- sando de que o ma ela é supo e ou p e ex o «pa a a o mulação e desen ol imen o de elações á ias - as que se es abelecem en e pe sonagens, en e empo da his ó ia e empo his ó ico e cul u al, en e pe cu so ísico e pe cu so simbólico-ideológico» (p. 2). O a, uma ez que essas elações são possí eis que no caso da iagem, que no caso da e ância, dis ingue es e es udo, de o ma cla a e igo osa, ambos os modelos conside ados den o do quad o da mobilidade, pa a pode depois e i ica que, amiúde, as on ei as en e ambas não são a inal ão de inidas e es anques como à p i- mei a is a pode ão pa ece : de ac o, a e ância não p essupõe ne- cessa iamen e que dela es ejam ausen es objec i os, al como nem semp e, pelo ac o de a não guia uma o ien ação de inida, dela anda a edado 0 sen ido, explíci o ou implíci o, de busca, ainda que es a se á ealizando numa caminhada ci cula , sem um eal ou imedia a- men e isí el e mo ad quem, e ma cada pelo e o. Chega-se assim à e i icação de que exis e um modelo mis o, aquele que «inco - po a aços de e ância, mani es os no desenho ísico da caminhada, e de iagem, exp essos na dimensão simbólica e ideológica que lhe assis e» (p. 3). 324 RECENSÕES Assume-se, pois, como objec i o o ien ado des e es udo «a e i- gua se a inexis ência de on ei as no ocan e às ca ac e ís icas mais uni e sais da mobilidade ende a sub e e -se no plano da sua ma e ialização conc e a e da dialéc ica que se o mula en e o condi- cionamen o in agené ico e as ca ac e ís icas indi iduais de cada na - a i a» (p. 4). Pa a o aze , Cláudia Teixei a oma os ex os de Ve gilio, Pe ónio e Apuleio e, em pe spicaz análise desen ol ida com limpidez e elegância, semp e documen ada com passos das ob as, que aduz p imo osamen e, delimi a «as on ei as e aços pe inen es de cada modelo, a o ma como se in e - elacionam com a ma é ia na a i a, bem como os sen idos que de ais acções êm a deco e » (p. 4). Pa a ilus a a « elação en e o plano abs ac o das con enções do géne o (...) e a ma e ialização e desen ol imen o dessas con enções no plano conc e o da essi u a na a i a, em que a libe dade c ia i a lhes dá o ma e con eúdo» (p. 500), o es udo o ganiza-se em ês blocos: em cada um deles amos acompanhando os di e en es mo- men os da iagem e 0 que eles implicam. Na Eneida, o pe cu so de T óia a Ca ago, a es ada em Ca ago em que se mani es a no he ói o «con li o en e a indi idualidade e o de e » (p. 499), a iagem do No e de Á ica a é à Sicília e a chegada à I ália; aí, o momen o ui- c al do poema, a ca ábase do Li o VI; po im, a gue a emp eendida pa a conc e iza a missão a ibuída ao he ói, a de unda e se es abe- lece numa no a pá ia, a Hespé ia que o a um manda que Eneias busque, mas que é e minus ad quem ambém de uma ou a iagem, aquela que o conhecimen o e o exe cício da libe dade ajus ada à on- ade dos deuses lhe pe mi iu alcança , iagem que se ma e ializa não apenas no ca ác e eu ó ico dos seis p imei os can os do poema, mas ambém no om dis ó ico das umb as que o echam, com a mo e de Tu no, e as da mo e dos jo ens he óis que ombam, como que em sac i ício exigido pela i ó ia, num cená io em que eme gem, ine i á- eis, a i a e o u o . No Sa y icon, e pese embo a oda a di iculdade que ad ém de se a a de um ex o mu ilado, conside am-se os mo- men os conce nen es à es ada na u bs G aeca, onde, po p ocesso li e á io de encaixe, se inse e o episódio da Cena T imalchionis, em seguida a a essia na nau de Licas e, po im, a es ada em C o ona. No Asinus au eus, obse am-se o ciclo an e io à me amo ose de Lúcio em bu o, as duas e apas do ciclo me amó ico, com a enção pa icula a alguns dos episódios ulc ais da na a i a, como o con o de Amo e Psique ou aquele que é conside ado «o quad o mais op es- si o do omance» (p. 452), o da es ada na quin a do molei o, encami 325 RECENSÕES nhando-se a análise pa a a denominada « ase p é-ascensional», aquela que culmina á na sal ação conseguida no Li o XI - a ecupe ação da o ma humana e a iniciação no cul o de ísis - e que, como Cláudia Teixei a bem demons a, não cons i ui, como mui os pensam, «uma en- a i a de esga e da i olidade do omance», an es se encon a ampla- men e jus i icada «no plano da coe ência in e na da na a i a» (p. 479). Em ambos os omances, o de Pe ónio e o de Apuleio, ica bem p o ado que exis e um «débi o o mal e ideológico em elação às condicionan es do géne o, com consequências na de inição no plano da mobilidade» (p. 502). De ac o, o sis ema indi idual de alo es que 0 omance p essupõe e que ocupa o cen o da na a i a az com que «a p ocu a, em ez de um im global e de e minado, se agmen e em á ias p ocu as, endencialmen e imedia as e ma e iais» (pp. 502-503). Mas essa mul iplicidade de p ocu as, opos a à unicidade da épica, encon a ambém ela a unidade que lhe ad ém de se possí el inco - po a cada expe iência (cada e o...) «em um sen ido global, is o é, no sen ido uni e sal do omance» (p. 503). Fica ambém p o ado que o edimensionamen o do he ói do omance ela i amen e ao he ói épico, bem como do mundo omanesco, deg adado e p oblemá ico, po opo- sição ao mundo o ganizado da épica, aca e a necessa iamen e « á ias implicações na o mulação da mobilidade» (p. 503), 0 que se aduz no ac o de que as caminhadas das pe sonagens do omance se con- igu am mais como e ância do que p op iamen e como iagem, mais dominados os an i-he óis pelo desno e que pela o ien ação, mais em busca de ealizações imedia as e ma e iais do que guiados pelo sen- ido da ealização de uma missão (c . p. 504). Mas, uma ez que a e ância não é em ge al uma ca ego ia pe manen e, «a inco po ação da mul iplicidade das p ocu as e das expe iências (nega i as e/ou posi i- as) no sen ido global do omance acaba, no malmen e, po lhes con- e i a unidade de que se não e es em ao longo da na a i a» (p. 505): o a, se al é plenamen e e i icá el na ob a de Apuleio, como es e es udo la gamen e p o a, no Sa y icon só nos é possí el conjec u a que o inal do omance lhe con e i ia um signi icado, esga ando-o da sua es u u a e á ica, à semelhança do que acon ece em Apuleio, o que nos le a ia a in eg a a pa e que a é nós chegou como uma e apa in e média do pe cu so dos an i-he óis. Sem que e en a no domínio da especulação, Cláudia Teixei a não deixa, oda ia, de aze no a aspec os que, no omance de Pe ónio, podem au o iza a supo- sição e ou os que, ao in és, pa ecem negá-la, sublinhando o modo como o sen ido da ida, cen o em o no do qual o omance se cons ói, 326 RECENSÕES ganha exp essão na mobilidade dos an i-he óis, deambulação cons- an e que só pode « aduzi a p ocu a de espos as pa a odas as pe gun as que ecoam ao longo da na a i a» (p. 506). Sob esse as- pec o, são ainda de no a as di e enças en e a «odisseia pa ódica» do Sa y ícon e a longa odisseia de Lúcio, a caminhada em que, embo a sujei o a pe igos e come endo e os de cujos ensinamen os ele não consegue da -se con a senão a pos e io i, embo a mo imen ando-se num mundo de alo es deg adados em que impe a o indi idualismo e de que es á o almen e ausen e qualque p opósi o colec i o ou mis- são (c . p. 507), embo a, ainda, o êxi o das suas p ocu as se aduza no imedia o da sua sob e i ência no mundo pa a que a sua me amo - ose o a as ou, ele é conduzido pelo a um a é ao seu des ino. Em ambos os omances, Cláudia Teixei a sabiamen e desco ina o que os ap oxima e o que os a as a da épica, numa dimensão em que, embo a pa ilhem um mesmo pa imónio na a ológico, modelizam sis emas conc e os dis in os. T a a-se, em suma, de um es udo à al u a dos ês génios da li e- a u a ociden al que o mo i am, an o mais que, em língua po uguesa, não abunda a bibliog a ia que os discu a pa a melho os da a conhe- ce . Cons i uindo um exe cício de in eligência e um modelo de igo cien í ico, a análise de Cláudia Teixei a ab e-nos um conjun o de pe s- pec i as de in e p e ação que nos pe mi em ui mais densamen e das ob as-p imas de Ve gilio, Pe ónio e Apuleio. Que es e ensaio seja a cha e que ab a a po a do conhecimen o dos seus ex os, que a lei u a deles enha a pos ula uma e lexão mais p o unda como a que aqui se ap esen a, em ambos os casos cump i emos um pe cu so que é, a inal, indagação e espos a pa a o que de mais sublime e de mais chãmen e humano exis e em cada um de nós. Ma ia C is ina de Cas o-Maia de Sousa Pimen el VASCO DE MAGALHÃES-VILHENA, Es udos inédi os de iloso ia an- iga. Edição c í ica, adução e p e ácio de He nâni Resende, Lisboa, Fundação C. Gulbenkian, 2005, LVII + 387 pp., ISBN 972-31-1118-7 O Se iço de Educação e Bolsas da Fundação C. Gulbenkian não em esquecido a ob a des e au o . É de jus iça salien a o papel de iniciado que a esse espei o desempenhou o P o . José V. de Pina Ma ins, nos anos em que es e e à en e daquele Se iço. 327