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Avaliação do efeito de diferentes medidas de acompanhamento do Regime de Fruta Escolar no consumo de fruta por alunos do 3.º e 4.º ano de duas escolas do Concelho de Matosinhos

Cruz, Fátima Cristina Monteiro da

Abstract

Trabalho complementar (Trabalho de Investigação) realizado no âmbito da Unidade Curricular Estágio da Licenciatura em Ciências da Nutrição da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, sob orientação de Prof.ª Doutora Cláudia Isabel Pontes Neves Afonso ( Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto) e coorientação de Dr.ª Joana Raquel Pereira dos Santos Aguiar (Câmara Municipal de Matosinhos)

Full text

Avaliação do efeito de diferentes medidas de acompanhamento do Regime de Fruta Escolar no consumo de fruta por alunos do 3.º e 4.º ano de duas escolas do Concelho de Matosinhos Evaluation of the different operating programs effects of the school fruit scheme in fruit consumption of the thirdand fourth-graders students of two primary schools in the city of Matosinhos Fátima Cristina Monteiro da Cruz Orientado por: Cláudia Isabel Pontes Neves Afonso Coorientado por: Joana Raquel Pereira dos Santos Aguiar Trabalho de Investigação 1.º Ciclo em Ciências da Nutrição Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Porto, 2012 i Lista de Abreviaturas CMM – Câmara Municipal de Matosinhos EBJIB – Escola Básica integrada com Jardim de Infância da Barranha EBJIQSG – Escola Básica 1/Jardim de Infância da Quinta de S. Gens EE – Encarregados de Educação F&H – Fruta e hortícolas F&V – Fruit and vegetables n.a. – não se verificam as condições de aplicabilidade do teste do Qui-quadrado OMS – Organização Mundial de Saúde RFE – Regime de Fruta Escolar SFS – School Fruit Scheme SPSS - Statistical Package for the Social Sciences ii Resumo O Regime de Fruta Escolar (RFE) foi criado para promover o consumo de fruta e hortícolas (F&H) nas crianças. Este programa é direcionado a todas as escolas primárias públicas e foi desenvolvido para distribuir 1 peça de F&H frescos pronta a comer 2 vezes por semana. Incluído neste regime encontra-se a obrigatoriedade dos municípios elaborarem medidas de acompanhamento, de forma a envolver toda a comunidade escolar na promoção do conhecimento, atitudes e consumo de fruta. Objetivo: Avaliar o efeito de diferentes medidas de acompanhamento do RFE no consumo, atitudes, preferências, comportamentos e influência dos Encarregados de Educação (EE) relativamente à fruta, por crianças do 3.º e 4.ºano de duas escolas distintas do município de Matosinhos. Método: Um estudo transversal foi realizado entre os alunos destas duas escolas: Escola Básica integrada com Jardim de Infância da Barranha (EBJIB) e a Escola Básica 1/Jardim de Infância da Quinta de S. Gens (EBJIQSG), sujeitas a medidas de acompanhamento distintas. A primeira escola tinha uma medida elaborada para o efeito pelo município, acrescida de uma participação no projeto “Heróis da Fruta”, e a segunda escola tinha apenas a medida elaborada pelo município. A EBJIB era o grupo de intervenção e a EBJIQSG era o grupo controlo. A informação foi colhida através de um questionário de autopreenchimento não validado. A análise estatística foi realizada pelo programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0. Resultados: Não se encontraram diferenças em nenhum dos parâmetros avaliados. Conclusão: Em conclusão, verificou-se que as diferentes medidas de acompanhamento, do RFE, não se traduziram em diferenças no consumo, comportamento, gostos, conhecimentos e atitudes dos iii alunos relativamente à fruta, no entanto traduziram-se num melhor conhecimento para o município de Matosinhos, acerca da implementação deste projeto. Palavras-chave: Regime de Fruta Escolar, medidas de acompanhamento, consumo de fruta, crianças e determinantes iv Abstract The School Fruit Scheme (SFS) was created to promote the fruit and vegetables (F&V) consumption by children. This program is directed at all public primary schools and is designed to distribute a piece of fresh F&V ready to eat two times a week. Included in this program is the obligation of the municipals to draw up operating programs, in order to involve the whole school community in promoting knowledge, attitudes and fruit consumption. Objective: To evaluate the effect of different operating programs on consumption, attitudes, preferences, behaviors and parental influence on the fruit, among students of the thirdand fourth-graders of two distinct schools in the city of Matosinhos. Method: A cross-sectional study was conducted among students of two schools: “Escola Básica integrada com Jardim de Infância da Barranha” (EBJIB) and “Escola Básica 1/Jardim de Infância da Quinta de S. Gens” (EBJIQSG), targeted to different operating programs. The first school included a operate program designed for this purpose by the municipal services, plus a participation in the project “Heróis da Fruta”, and the second school included only just issued by municipal services. The EBJIB was the intervention group and the EBJIQSG was the control group. Information was collected through a self-report questionnaire without further validation. Statistical analysis was made using Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), version 20.0. Results: There were no significant differences in any of the parameters evaluated. Conclusion: In conclusion, we found that the different operating programs, SFS, did not translate into differences in consumption, behaviors, preferences, knowledge and attitudes of students on the fruit, however translated into a better knowledge for the city of Matosinhos about the implementation of this project. v Keywords: School Fruit Scheme, operating programs, consumption of fruit, children and determinants vi Índice Lista de Abreviaturas ........................................................................................... i Resumo e palavras-chave ................................................................................. ii Abstract and keywords ...................................................................................... iv 1. Introdução ....................................................................................................... 1 2. Objetivos ......................................................................................................... 4 3. População e Métodos .................................................................................... 4 4. Resultados ...................................................................................................... 8 5. Discussão e Conclusões .............................................................................. 13 Agradecimentos ................................................................................................ 16 Referências Bibliográficas ................................................................................ 17 Anexos.............................................................................................................. 20 Índice de Anexos .............................................................................................. 20 1 1. Introdução É consensual nas recomendações nacionais e internacionais para a prática de uma alimentação saudável incluir um consumo adequado e regular de frutas e hortícolas (F&H). A F&H são extremamente importantes para a nutrição humana, uma vez que são importantes fontes de nutrientes, dos quais fazem parte vitaminas e minerais, fibra alimentar e fitoquímicos(1, 2). Os fitoquímicos são definidos como compostos biologicamente ativos presentes nas plantas, mas que no entanto não são considerados nutrientes, encontrando-se presentes na fruta, nos hortícolas, nos cereais integrais e noutros alimentos de origem vegetal que têm sido associados à diminuição do risco de surgimento de diversas patologias crónicas.(3) Nas plantas estes compostos têm diversas funções e contribuem para a sua cor, cheiro, sabor e textura(4). Nos humanos protegem contra doenças crónicas como cancro, nomeadamente, o da boca, faringe, esófago, estômago, colon retal, laringe, pulmão e bexiga (3, 5-7), doenças cardiovasculares e atuam no sistema nervoso, quando consumidos regularmente, podendo reduzir o risco de doenças neuro degenerativas, como a doença de Alzheimer e de Parkinson(2-4). Esta proteção deve-se ao facto dos extratos fitoquímicos, presentes nas F&H, possuírem uma atividade fortemente antioxidante e anti proliferativa, que inibe a proliferação de células tumorais(3). Os efeitos sinérgico e aditivo dos fitoquímicos presentes nas F&H são responsáveis por esta atividade, desta forma o efeito dos fitoquímicos não é conseguido com suplementos alimentares(3), é necessário uma alimentação rica nestes alimentos para obter de uma forma natural uma mistura complexa de fitoquímicos responsável por esta ação(3). Os nutrientes constituintes da F&H, durante a infância, têm uma importância acrescida pois são essenciais para suprimir parte das necessidades 8 3.3 Análise Estatística O tratamento estatístico foi efetuado com recurso ao programa SPSS© versão 20.0 para Windows. A análise estatística descritiva consistiu no cálculo de médias e desvios-padrão, de medianas e percentis e de frequências absolutas e relativas. Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para avaliar a normalidade das distribuições de variáveis cardinais. O teste t de student e o teste de MannWhitney foram utilizados, respetivamente, para comparar médias e ordens médias de pares de amostras independentes. Utilizou-se o teste do Qui-quadrado (com correção de continuidade, quando aplicável) para avaliar a dependência entre pares de variáveis. As diferenças eram consideradas estatisticamente significantes quando o þ era inferior a 0,05. A variável relativa aos conhecimentos e atitudes facilitadoras relativamente à fruta assim como a variável conhecimentos foram analisadas através do teste MannWhitney, uma vez que se tratavam de variáveis não normais. Por outro lado, a variável relativa aos conhecimentos e comportamentos dos EE relativamente à fruta foi analisada através do teste t de student para amostras independentes pois era uma variável normal. 4. Resultados Quanto à frequência do consumo de fruta apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas, verifica-se que na EBJIB há um maior frequência de consumo de 3 ou mais peças de fruta por dia do que na escola da EBJIQSG. A percentagem de alunos que refere consumir fruta pelo menos 1 vez por dia é de aproximadamente 73% (tabela 2). 9 Tabela 2 – Frequência do consumo de fruta pelos alunos da Escola da Barranha e da Quinta de S. Gens Consumo EB Barranha (n=87) n (%) EB S. Gens (n=84) n (%) þ 1-3 vezes por mês 0 (0%) 3 (3,6%) 0,230 1-2 por semana 9 (10,3%) 6 (7,1%) 3-4 por semana 10 (11,5%) 11 (13,1%) 5 ou mais por semana 3 (3,4%) 4 (4,8%) 1 por dia 18 (20,7%) 19 (22,6%) 2 por dia 21 (24,1%) 26 (31,0%) 3 ou mais por dia 26 (29,9%) 15 (17,9%) O consumo de fruta pelos alunos das duas escolas nas diferentes refeições é apresentado na tabela 3. Nesta verifica-se a ausência de diferenças significativas entre as duas escolas na proporção de consumo de fruta a cada refeição. Há uma tendência para um maior consumo de fruta no lanche da tarde na EBJIB e no almoço na EBJIQSG. Tabela 3 - Consumo de fruta pelos alunos nas diferentes refeições Refeição EB Barranha (n=87) n (%) EB S. Gens (n=84) n (%) þ Pequeno-almoço 11 (12,6%) 8 (9,5%) 0,685 Lanche da manhã 26 (29,9%) 19 (22,6%) 0,365 Almoço 60 (69%) 69 (82,1%) 0,068 Lanche da Tarde 32 (36,8%) 21 (25%) 0,134 Jantar 60 (69%) 67 (73,8%) 0,595 Ceia 3 (3,4%) 3 (3,6%) n.a. (Os valores de p foram obtidos através do teste do Qui-quadrado com correção de continuidade. No entanto na ceia não se verificaram as condições de aplicabilidade do teste do Qui-quadrado (n.a.)) Relativamente ao local e à altura do consumo de fruta não se verificam diferenças estatisticamente significativas entre os alunos da EBJIB e os alunos da EBJIQSG, porém existe uma tendência para uma maior proporção de consumo de fruta em casa pelos alunos da EBJIB (tabela 4). Tabela 4 - Consumo de fruta pelos alunos das duas escolas por local e por altura Consumo de fruta: local Consumo de fruta: altura Escola n (%) Casa n (%) Igual n (%) þ Semana n (%) Fim Semana n (%) Igual n (%) þ EB Barranha 17 (19,5%) 65 (74,7%) 5 (5,8%) 0,160 41 (46,5%) 10 (11,6%) 36 (41,9%) 0,933 10 EB S. Gens 20 (23,8%) 53 (63,1%) 11 (13,1%) 40 (46,9%) 8 (9,9%) 36 (43,2%) Após análise estatística conducente à criação de um score com o propósito de sistematizar informação da tabela 5, verificou-se que o score mediano da EBJIB era 9 e o da EBJIQSG era 8, ou seja, apesar da diferença unitária, melhores atitudes e comportamentos relativamente ao consumo de fruta foram encontrados na EBJIB. Na tabela 5 verifica-se uma maior frequência na EBJIB relativamente aos alunos que referem trazer fruta para a escola assim como na frequência dos colegas que também o fazem. Tabela 5 - Frequência de atitudes e comportamentos relativamente ao consumo de fruta Atitudes e comportamentos EB Barranha (n=87) n (%) Sim EB S. Gens (n=84) n (%) Sim 1.Gostas de fruta? 87 (100%) 83 (98,8%) 2.O sabor da fruta é bom? 87 (100%) 83 (98,8%) 3.Achas que se comeres fruta todos os dias tens mais energia? 87 (100%) 83 (98,8%) 4.Comer fruta todos os dias faz-te sentir bem? 85 (97,7%) 82 (97,6%) 5.Trazes fruta para a escola? 54 (62,1%) 46 (54,8%) 6.Os teus colegas comem fruta na escola? 83 (95,4%) 81 (96,4%) 7.Eles trazem fruta para a escola? 75 (86,2%) 66 (78,6%) 8.Gostas de trazer um lanche igual ao dos teus colegas? 26 (29,9%) 27 (32,1%) 9.Os teus pais comem fruta todos os dias? 70 (80,5%) 67 (79,8%) 10.Os teus pais dizem-te para comeres fruta todos os dias? 82 (94,3%) 78 (92,9%) Destacam-se como frutas preferidas a banana, na EBJIB e em simultâneo a maçã e a pera na EBJIQSG. Em ambas as escolas verifica-se que há uma grande proporção de alunos que referem nunca ter provado clementina (tabela 6). Tabela 6 - Gostos das crianças relativamente às frutas do RFE Fruto EB Barranha EB S. Gens Gosto n (%) Não Gosto n (%) Nunca provei n (%) Gosto n (%) Não gosto n (%) Nunca provei n (%) Maçã 83 (95,4%) 4 (4,6%) 0 (0%) 82 (97,6%) 2 (2,4%) 0 (0%) Pera 80 (92%) 7 (8%) 0 (0%) 82 (97,6%) 2 (2,4%) 0 (0%) Banana 85 (97,7%) 2 (2,3%) 0 (0%) 79 (94%) 4 (4,8%) 1 (1,2%) Clementina 47 (54%) 13 (14,9%) 27 (31%) 50 (59,5%) 7 (8,3%) 27 (32,2%) 11 Tangerina 79 (90,8%) 6 (6,9%) 2 (2,3%) 76 (90,5%) 5 (6%) 3 (3,5%) Uvas 73 (83,9%) 11 (12,6%) 3 (3,4%) 79 (94%) 4 (4,8%) 1 (1,2%) Cerejas 77 (88,5%) 7 (8,1%) 3 (3,4%) 75 (89,3%) 6 (7,1%) 3 (3,6%) Ameixa 56 (64,4%) 12 (13,8%) 19 (21,8%) 59 (70,2%) 11 (13,1%) 14 (16,7%) De forma a facilitar a apresentação das frequências acerca dos conhecimentos os dados representados na tabela 7 referem-se a todas as respostas afirmativas. Não se verificam diferenças estatisticamente significativas ao nível dos conhecimentos entre as escolas. Ambas as escolas obtiveram score mediano máximo tendo sido este de 8 pontos. Na tabela 7 podemos ver que não existem grandes diferenças ao nível dos conhecimentos dos alunos de ambas as escolas. Tabela 7 - Frequência dos conhecimentos acerca da fruta Conhecimentos EB Barranha (n=87) n (%) Sim EB S. Gens (n=84) n (%) Sim 1.A fruta faz parte da Roda dos Alimentos? 85 (97,7%) 84 (100%) 2.A fruta protege-te de doenças? 85 (97,7%) 81 (96,4%) 3.A fruta faz com que o teu intestino funcione melhor? 84 (96,6%) 83 (98,8%) 4.A fruta é um grupo grande da Roda dos Alimentos? 81 (93,1%) 74 (88,1%) 5.A fruta é rica em vitaminas e minerais? 85 (97,7%) 84 (100%) 6.Devemos preferir a fruta própria de cada estação? 78 (89,7%) 78 (92,9%) 7.A fruta nasce no supermercado? 0 (0%) 1 (1,2%) 8.A casca deve ser sempre retirada? 27 (31%) 23 (27,4%) Através dos dados apresentados na tabela 8 verificámos que apenas cerca de 2/3 dos alunos bebem o leite escolar e que cerca de 1/3 não o faz habitualmente. No entanto, dos alunos que bebem o leite escolar apenas metade refere fazê-lo num intervalo diferente ao do consumo da fruta quando esta é distribuída. Além disto, nos dias em que a fruta é distribuída 10% dos alunos reportaram que nesse dia não bebem o leite da escola e 15% referiram que o levam para casa (tabela 9). Tabela 8 - Consumo do leite escolar Bebes o leite da escola? n (%) Sim n (%) Não Total EB Barranha (n=86) 60 (69,8%) 26 (30,2%) 86 (100%) EB S. Gens (n=76) 49 (64,5%) 27 (35,5%) 76 (100%) Total 109 (67,3%) 53 (32,7%) 162 (100%) 12 Tabela 9 - Comportamento relativamente ao leite nos dias em que a fruta do RFE é distribuída A tabela 10 ilustra as diferenças entre os conhecimentos e comportamentos relativamente ao RFE por parte dos EE. Não existem diferenças significativas em nenhum dos aspetos considerados. No entanto há uma tendência de uma maior proporção no que se refere aos conhecimentos acerca do RFE nos EE da EBJIB. Tabela 10 - Conhecimentos e comportamentos dos EE por escola relativamente ao RFE Avaliando-se os conhecimentos e comportamentos dos EE segundo o score, obteve-se um score de 5,52±1,18 para os EE da EBJIB e 5,72±1,11 para os EE da EBJIQSG, não se verificando diferenças estatisticamente significantes dos Quando comes a fruta oferecida pela escola, bebes o leite escolar EB Barranha (n=60) n (%) Sim EB S. Gens (n=49) n (%) Sim Total 1.No mesmo intervalo 17 (28,3%) 14 (28,6%) 31 (28,4%) 2.Noutro intervalo 27 (45%) 25 (51,0%) 52 (47,7%) 3.Nesse dia não bebo o leite 3 (5%) 7 (14,3%) 10 (9,2%) 4.Levo-o para casa 13 (21,7%) 3 (6,1%) 16 (14,7%) Total 60 (100%) 49 (100%) 109 (100%) Conhecimentos e comportamentos dos EE relativamente ao RFE EB Barranha (n=64) n (%) Sim EB S. Gens (n=68) n (%)Sim þ 1.Tem conhecimento do RFE? 64 (100%) 66 (97,1%) n.a. 2.A escola já lhe transmitiu informação acerca deste programa? 57 (89,1%) 48 (70,6%) 0,16 3.Sabe em que dias é feita a distribuição na escola do seu educando? 40 (62,5%) 37 (54,4%) 0,444 4.Sabe em que refeição do dia é feita a distribuição? 47 (73,4%) 46 (67,6%) 0,591 5.O leite escolar é substituído pela fruta? 15 (23,4%) 18 (26,5%) 0,841 6.O seu educando gosta de comer fruta? 64 (100%) 62 (91,2%) n.a. 7.O seu educando consome fruta todos os dias? 50 (78,1%) 56 (82,4%) 0,695 8.Quando é dada fruta na escola também dá em casa? 58 (90,6%) 63 (92,6%) n.a. 9.Pediu à escola/professor do seu educando para não obrigar o seu educando a comer fruta? 2 (3,1%) 0 (0%) n.a. 10.Costuma colocar fruta no lanche do seu educando? 37 (57,8%) 39 (57,4%) 0,957 11.O seu educando pede-lhe para levar fruta para a escola? 32 (50%) 30 (44,1%) 0,615 12.Em casa tem sempre fruta à disposição? 62 (96,9%) 68 (100%) n.a. 13.É hábito dos pais/família próxima, o consumo de fruta nas merendas? 54 (84,4%) 56 (82,4%) 0,938 14.Acha que o RFE se deveria manter no próximo ano? 64 (100%) 68 (100%) n.c. 13 conhecimentos e comportamentos dos EE dos alunos das duas escolas. A tabela 11 apresenta a frequência de respostas “Concordo Totalmente” (CT) dos EE. Há uma tendência para uma maior proporção da opção “CT” para as afirmações: 3, 5 e 7 para os EE da EBJIQSG. Tabela 11 - Conhecimentos e comportamentos dos EE relativamente à RFE 5. Discussão e Conclusões Neste trabalho o efeito das diferentes medidas de acompanhamento do RFE, da EBJIB e da EBJIQSG no consumo de fruta dos seus alunos do 3.º e 4.ºano foram avaliadas. Ao contrário do reportado noutros estudos(23-27), em nenhum dos parâmetros avaliados se verificaram diferenças estatisticamente significativas. É possível que esta falta de diferenças possa ser explicada pelo baixo número de participantes e pelo baixo período de tempo disponível para que ocorra mudança de comportamentos, bem como a inexistência de avaliação destes parâmetros antes da implementação do RFE. Em 2005 Yngve e colaboradores(28) através do estudo Pro Children reportaram a proporção da frequência do consumo diário de fruta das crianças portuguesas, comparando com o presente trabalho verificou-se que a tendência da proporção de todos os alunos que referiram consumir fruta uma vez por dia é ligeiramente abaixo do estudo referido, mas a tendência da proporção de consumo duas e mais do que duas vezes por dia é respetivamente de 27,5% e 24%, superior ao Conhecimentos e comportamentos dos EE relativamente à fruta EB Barranha (n=60) n (%) CT EB S. Gens (n=65) n (%) CT 1.A fruta é rica em vitaminas e minerais 51 (85%) 54 (83,1%) 2.A fruta ajuda a regular o trânsito intestinal 44 (73,3%) 47 (72,3%) 3.É recomendado um consumo diário de 3 a 5 porções 25 (41,7%) 34 (52,3%) 4.Em minha casa tenho sempre fruta disponível 51 (85%) 58 (89,2%) 5.Normalmente a minha sobremesa é fruta 27 (45%) 34 (52,3%) 6.Habitualmente como fruta nas minhas merendas 20 (33,3%) 23 (35,4%) 7.Acho essencial o consumo diário de fruta 52 (86,7%) 62 (95,4%) 14 encontrado no Pro Children(17). No âmbito do projeto Pro greens cerca de 11% das crianças portuguesas não consumiam fruta nem hortícolas, apesar do presente estudo só reportar fruta, o não consumo é aparentemente muito inferior. Ao que parece, a disponibilidade de fruta proporcionada pelo RFE é determinante do seu consumo tal como comprovam outros estudos (22, 29-34). A literatura revista tem identificado que mudanças no “ambiente alimentar escolar” são fundamentais para o sucesso de programas de educação alimentar(35, 36). Em 2012, Prelip e colaboradores reportaram que uma intervenção similar à presente, medidas adicionais não se revelaram em diferenças estatisticamente significativas relativamente ao consumo de F&H(27), suportando os resultados aqui apresentados. No entanto estes mesmos autores reportaram diferenças significativas no que refere aos conhecimentos sobre estes alimentos(27) o que não se verificou neste trabalho. No entanto, muitos trabalhos indicam que o conhecimento é um fator determinante do consumo de F&H(8, 32, 33). A falta de significado estatístico pode ser explicada pela inclusão desta temática no programa curricular de ensino, o que faz com que o nível de conhecimento seja semelhante. À semelhança do estudo de Prelip e colaboradores não se registaram diferenças significativas da influência dos pais sobre as atitudes das crianças face ao consumo de fruta(27). No entanto, Franchini e colaboradores em 2010 reportam que um elevado consumo de F&H pelas mães está associado a um consumo mais elevado pelos filhos(32). Uma vez que neste estudo os EE dos alunos de ambas as escolas reportam um baixo consumo de fruta tanto nas merendas como nas refeições principais futuramente será oportuno desenvolver programas que tenham uma intervenção mais direcionada para os EE, sendo estes tidos como as 15 referências por parte dos filhos (8, 37-40), além de serem os decisores do que incluir nas merendas dos seus educandos. Ao contrário do que seria de esperar há uma maior proporção de crianças da EBQSG que referem gostar de maçã, pera, clementina, uvas e ameixa enquanto na EBJIB a proporção só é maior na banana, Morgan reporta que as preferências estão associadas à exposição(41). As principais limitações deste estudo foram que os dados recolhidos foram auto reportados o que pode originar viés pois podem ser influenciados pela desejabilidade social. A pequena amostra de escolas também pode ter impossibilitado a deteção de diferenças significativas. Além disto, este estudo foi conduzido em duas escolas urbanizadas do concelho o que pode não ser generalizado para outras escolas. Outra das fraquezas da presente investigação deve-se à inexistência de diagnóstico de situação referente a atitudes, conhecimentos e consumos em relação à fruta, prévio à implementação do RFE, ou seja, torna-se difícil aferir reais modificações de consumos. Em conclusão, verificou-se que as diferentes medidas de acompanhamento, do RFE, não se traduziram em diferenças no consumo, comportamento, gostos, conhecimentos e atitudes dos alunos. No entanto, este trabalho possibilitou uma reflexão sobre esta temática e proporcionou auscultar/monitorizar sobre a implementação deste projeto. Aparentemente, tanto o Frutinhas como o Heróis da Fruta foram medidas importantes, pois traduziram-se favoravelmente na promoção do consumo de frutas, por vezes as medidas mais longas e trabalhosas poderão não se refletir em melhores resultados finais. 16 Agradecimentos  Câmara Municipal de Matosinhos.  Escola Básica Integrada com Jardim de Infância da Barranha.  Escola Básica 1/Jardim de Infância Quinta de S. Gens.  A todas as crianças que participaram neste trabalho de investigação e respetivos Encarregados de Educação que autorizaram a sua participação e que também colaboraram no estudo.  À Prof.ª Doutora Cláudia Afonso pelo apoio incondicional, disponibilidade e sinceridade demonstrado durante todo o trabalho.  Ao Mestre Rui Poínhos pela assistência e ajuda no tratamento estatístico de todos os dados.  À Prof.ª Doutora Bela Franchini por todos os esclarecimentos no âmbito do Regime de Fruta Escolar.  E em especial, à minha família pelo constante apoio que me deram durante esta fase. 17 Referências Bibliográficas 1. Boeing H, Bechthold A, Bub A, Ellinger S, Haller D, Kroke A, et al. Critical review: vegetables and fruit in the prevention of chronic diseases. European journal of nutrition. 2012 2. Lampe JW. Health effects of vegetables and fruit: assessing mechanisms of action in human experimental studies [Research Support, U.S. Gov't, P.H.S. Review]. 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WHO European Childhood Obesity Surveillance Initiative - Portugal. www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt; 2010. 24 A Câmara Municipal de Matosinhos pretende avaliar o efeito do Regime de Fruta Escolar, projeto levado a cabo por este município desde 2009, na aquisição de hábitos alimentares mais saudáveis por parte do seu educando. O intuito desta investigação é melhorar cada vez mais os serviços prestados e, para isso, é necessária a sua colaboração. Este questionário é anónimo e confidencial e todas as suas respostas serão usadas apenas para o este estudo. Colabore connosco! N.º Questionário:  Data: ___/___/_____ Responda às seguintes questões colocando X na coluna que se adequa à sua resposta. SIM (1) NÃO (0) 1. Tem conhecimento do Regime de Fruta Escolar? 2. A escola já lhe transmitiu informação acerca deste programa? 3. Sabe em que dias é feita a distribuição de fruta na escola do seu educando? 4. Sabe em que refeição do dia é feita esta distribuição? 5. Sabe se o leite escolar, nos dias distribuição de fruta, é substituído por esta? 6. O seu educando gosta de comer fruta? 7. O seu educando consome fruta todos os dias? 8. Quando é dada fruta na escola, também dá em casa? 9. Pediu à escola/(professor do seu educando) para que não obrigasse o seu educando a comer a fruta? 10. Costuma colocar nos lanches do seu educando fruta? 11. O seu educando pede-lhe para levar fruta para a escola? 12. Em casa, tem sempre fruta à disposição? 13. É hábito dos pais e/ou família próxima o consumo diário de fruta nas merendas? 14. Acha que o Regime de Fruta Escolar se deveria manter no próximo ano? 25 15. Relativamente a cada afirmação, assinale o número que melhor se adequa à sua resposta, tendo em conta o seguinte: 1. Discordo totalmente 2. Discordo 3. Concordo 4. Concordo Totalmente 15.1 A fruta é rica em vitaminas, minerais e água. 1 2 3 4 Não sei 15.2 A fruta ajuda a regular o trânsito intestinal. 1 2 3 4 Não sei 15.3 É recomendado um consumo entre 3 a 5 peças. 1 2 3 4 Não sei 15.4 Em minha casa tenho sempre fruta disponível. 1 2 3 4 Não sei 15.5 Normalmente, a minha sobremesa é fruta. 1 2 3 4 Não sei 15.6 Habitualmente como fruta nas minhas merendas. 1 2 3 4 Não sei 15.7 Acho essencial o consumo diário de fruta. 1 2 3 4 Não sei 16. Relativamente, aos hábitos alimentares do seu educando assinale a frequência de consumo dos seguintes frutos (preencha de acordo com a frequência de consumo do seu educando, por exemplo, se consome 1 maçã todos os dias na coluna que diz n.º de peças por dia coloca na linha correspondente à maçã um 1, caso coma 3 bananas por semana coloca na linha da banana um 3 na coluna que diz n.º de peças por semana, caso não coma por exemplo ameixa coloca na coluna não consome, um x. Assinale a coluna sazonal quando o consumo se verifica apenas nas alturas do ano em que o referido fruto está disponível): Consumo: Diário Semanal Não consome Sazonal Fruto: N.º Peças por dia N.º Peças por semana Maçã Pera Banana Clementina Tangerina Uvas Cereja Ameixa 26 16.1 O seu educando consome outras frutas? Sim Não 16.1.1 Se sim, qual ou quais?__________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 17. O que costuma colocar no lanche do seu educando? (assinala com um X aquilo que lhe põe para lanchar) Sim (1) Não (0) 16.1 Leite simples 16.2 Leite achocolatado ou sabor a morango ou baunilha 16.3 Iogurte 16.4 Refrigerantes (coca-cola, bongo, ice tea, 7up, sumol, fanta,…) 16.5 Néctares ou sumos de fruta (compal, santal, sumos 100% fruta,…) 16.6 Pão branco 16.7 Pão de forma 16.8 Pão escuro (mistura, centeio ou água) 16.9 Pão-de-leite 16.10 Queijo ou fiambre 16.11 Marmelada ou Compota ou Doce 16.12 Manteiga ou Margarina 16.13 Chocolate para barrar “Tuli-creme” 16.14 Água 16.15 Bolos caseiros ou Croissants ou pastéis 16.16 Batatas fritas 16.17 Fruta 16.18 Chocolates 16.19 Barras de cereais ou Cereais 16.20 Bolachas recheadas ou biscoitos 16.21 Bolachas Tipo Maria ou Torrada ou Água e sal 16.22 Outros 16.22.1 Quais? DADOS PESSOAIS 17. Qual é a sua idade? ___ anos 18. De que sexo é? (0) Feminino (1) Masculino 27 19. Qual o seu estado civil? ( ) (1) Solteiro(a) ( ) (2) Casado(a) / União de facto ( ) (3) Divorciado(a) / Separado(a) ( ) (4) Viúvo(a) 20. Quais são as suas habilitações literárias? ( ) (1) Não sabe ler nem escrever ( ) (2) 4.º Ano ( ) (3) 2.º Ciclo do Ensino Básico ( ) (4) 3.º Ciclo do Ensino Básico ( ) (5) Ensino secundário ( ) (6) Ensino superior 21. Qual a sua ocupação atual? ( ) (1) Empregado(a). Qual a sua profissão?___________________ ( ) (2) Desempregado(a) ( ) (3) Reformado(a) ( ) (4) Outra. Qual? ___________________ 22. Contando consigo, quantas pessoas vivem na sua casa?___________________ Muito Obrigada pela sua colaboração! 28 Anexo C – Livro “O Frutinhas” 29 30 31 32 33 40 41 Anexo E – Questionário realizado às crianças 42 43 44 45 46 ANEXO F – Pedido de autorização para realização de Trabalho de Investigação ao Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora n.º 2 47 48 ANEXO G – Pedido de autorização para realização de Trabalho de Investigação ao Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora 49