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A Baixa do Porto enquanto "nova" Torre de Babel : a perspetiva dos empreendedores e consumidores

Ferreira, Célia,Marques, Teresa Sá,Guerra, Paula

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Atas X Congresso da Geografia Portuguesa OS VALORES DA GEOGRAFIA Maria José Roxo Rui Pedro Julião Margarida Pereira Daniel Gil Ficha Técnica Titulo: Valores da Geografia. Atas do X Congresso da Geografia Portuguesa Coordenador: Maria José Roxo Co-coordenadores: Rui Pedro Julião, Margarida Pereira e Daniel Gil Editores: Associação Portuguesa de Geógrafos ISBN: 978-989-99244-1-3 Ano de Edição: 2015 X CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA Os Valores da Geografia Lisboa, 9 a 12 de setembro de 2015 104 A Baixa do Porto enquanto “nova” Torre de Babel: a perspetiva dos empreendedores e consumidores C. M. F. Ferreira(a), T. S. Marques(b), P. Guerra(c) (a) CEGOT / Faculdade de Letras da Universidade do Porto, [email protected] (b) CEGOT / Faculdade de Letras da Universidade do Porto, [email protected] (c) CEGOT / Faculdade de Letras da Universidade do Porto; IS –UP / Institute of Sociology / Universidade do Porto; Griffith Centre for Cultural Research / Griffith University / Australia, mariadeg[email protected]m Resumo Na atualidade, a estrutura das atividades económicas das áreas urbanas é modelada pelos processos de globalização. No entanto, cada cidade tem uma conjuntura histórica, política, cultural e institucional específica. A sua atividade económica deve ser compreendida num contexto de processos económicos que ocorrem em diferentes escalas de análise, mas também perspetivada enquanto parte de um território com especificidades próprias. As dinâmicas económicas são condicionadas pelos agentes envolvidos – empresas, fornecedores, consumidores e outras organizações – e pela forma como atuam e interagem entre si, através de processos de ajustamento recíproco. Constitui nosso objetivo analisar a atividade económica da Baixa do Porto do ponto de vista dos empreendedores e consumidores. O seu perfil, necessidades, expectativas e perceção influenciam as dinâmicas da economia local, gerando desafios ao nível das esferas de intervenção do setor privado e da decisão pública. Esta pesquisa pretende ser um contributo para a delineação das estratégias e políticas destes agentes. Palavras chave: Baixa do Porto, Atividade Económica, Empreendedores, Consumidores, Políticas Públicas. 1. Introdução Nas modernas economias do conhecimento, as cidades e os negócios são desafiados a implementar formas de governança e estratégias criativas a fim de responderem aos desafios de competitividade de um mundo globalizado (Nijkamp and Kourtit, 2013). A cidade é um sistema denso e polarizado de fenómenos sociais e económicos que interagem, alimentado por uma miríade de ações e decisões individuais e é o lugar maior de iniciativas políticas e da coordenação coletiva. Neste conceito de urbano, uma densa malha de fenómenos socioeconómicos diversos encontra-se organizada em torno de um centro de gravidade espacial comum (Scott, 2008). As áreas urbanas fornecem condições propícias à criatividade e ao empreendedorismo e são caracterizadas pela elevada concentração de atividades económicas e de pessoas e pela forte interação em rede de agentes diversos. Neste sentido, constitui objetivo deste trabalho analisar a atividade económica da Baixa do Porto do ponto de vista de dois agentes: os empreendedores e os consumidores/utilizadores. Em termos de estrutura, o documento inicia-se com o enquadramento teórico do tema. Segue-se a explanação de alguns dados sobre a 105 atividade económica do Porto e da sua Baixa, a apresentação de resultados quanto à nossa pesquisa principal e, por fim, a sistematização das principais conclusões. 2. Dinâmicas económicas nas cidades da atualidade: oportunidades e desafios As cidades são caracterizadas pela diversidade e pela densidade de organizações, empresas e pessoas. A concentração elevada de atividades económicas e população atraem, por seu turno, novas atividades económicas necessárias para responder às necessidades e expectativas originadas por essa concentração de pessoas e negócios (Nijkamp and Kourtit, 2013). A estrutura e a organização da economia resultam das ações individuais e dos comportamentos de numerosos agentes económicos. No âmbito da geografia económica evolucionista, os empreendedores e os consumidores são considerados unidades básicas de análise ao nível micro. Ao nível meso, as cidades são, entre outros, focos centrais de investigação (Boschma and Martin, 2010). Os fenómenos económicos e sociais estão fortemente relacionados e é consensual na literatura científica que devem ser analisados de forma complementar (Bathelt and Glückler, 2003). Desde os anos 90 do século XX que planeadores urbanos, geógrafos económicos e decisores públicos reconhecem que os fatores subjacentes ao crescimento económico das cidades são crescentemente intangíveis (como as instituições e a cultura) e com crescente mobilidade (como o capital financeiro, o conhecimento codificado e, em parte, o capital humano). Também existe o reconhecimento de que a inovação não é um processo linear, mas antes um processo cíclico e de interação de diferentes atores em redes (Nijkamp and Kourtit, 2013). Durante as últimas duas décadas, houve um reforço da investigação em empreendedorismo, dando-se atenção à dimensão espacial das atividades empreendedoras e das suas causas e efeitos. Ainda há um longo caminho a percorrer até chegar a uma teoria ou, pelo menos, quadro teórico, para explicar os processos, as causas e os efeitos do empreendedorismo nas áreas urbanas (Bosma and Sternberg, 2014). A literatura científica explica-o como o produto do contexto territorial e das características dos indivíduos. Os territórios são dotados de forma diferente de infraestruturas de conhecimento, instituições e recursos. Os indivíduos são heterogéneos no que diz respeito aos conhecimentos, às competências, aos valores ou preferências que norteiam as suas motivações e comportamentos. Assim, o processo de empreendedorismo depende das oportunidades oferecidas pelos territórios e da capacidade e motivação dos indivíduos para identificar, avaliar e explorar essas oportunidades (Bosma and Sternberg, 2014, Boschma and Martin, 2010). As áreas urbanas são particularmente privilegiadas quanto à existência de condições favoráveis para este processo. Caracterizadas por uma elevada densidade populacional e um forte fluxo de pessoas (residentes, trabalhadores, visitantes), são facilitadoras do aumento e da diversificação da procura e do acesso aos inputs necessários para a produção de bens e serviços (capital financeiro, mão de obra, fornecedores, entre outros). Providenciam contextos que facilitam a identificação e o acesso a oportunidades de negócio e a colaborações profícuas pelo contacto com pessoas com informação, conhecimento, competências e experiência de negócios e permitem o contacto com os indivíduos mais 106 capacitados nos mesmos ou relacionados domínios do conhecimento. A possibilidade de aprendizagem com estas pessoas estimula a acumulação de capital humano nos ambientes urbanos e pode conduzir à criação e reconhecimento de oportunidades de negócio. A elevada concentração de universidades e instituições de investigação que produzem novo conhecimento científico e tecnológico é reconhecida como uma importante fonte de oportunidades de empreendedorismo (Boschma and Martin, 2010). São distinguidos dois tipos fundamentais de empreendedorismo segundo a motivação: empreendedorismo de oportunidade e empreendedorismo de necessidade. Os empreendedores de necessidade são definidos como pessoas impelidas a iniciar um negócio porque não têm outras oportunidades de trabalho e precisam de uma fonte de rendimento. É o caso das pessoas que estão em vias de perder os seus empregos ou o caso dos desempregados. Áreas urbanas com taxas de desemprego elevadas podem ter maiores ocorrências de empreendedorismo por necessidade (Bosma and Sternberg, 2014). Num estudo sobre a análise do empreendedorismo em cidades europeias, Bosma and Sternberg (2014) concluíram que as áreas urbanas caracterizadas por crescimento económico e diversidade de atividades económicas (mais do que especialização) têm mais empreendedores motivados pelas oportunidades. É importante referir que o empreendedorismo decorre de uma estratégia de desenvolvimento identitária assente no empowerment, na capacitação dos atores face aos seus recursos e possibilidades de intervenção em prol da melhoria das suas condições de vida. Também é importante assinalar a importância do ethos do-ityourself subjacente a muitas das iniciativas, assente na possibilidade de fazer por parte dos atores sociais, tomando nas próprias mãos o destino das suas vidas. Por exemplo, muitos dos hostels nascem deste princípio, mas também muitos bares/salas de concerto e galerias de arte ou mercados urbanos de proximidade. As questões do conhecimento, informação e aprendizagem são fundamentais nestes processos de empoderamento. 3. A cidade do Porto e a sua Baixa: dinâmicas da atividade económica e perceção dos agentes A cidade do Porto tem vindo a ganhar maior visibilidade a nível nacional e internacional. A riqueza paisagística, o património arquitetónico e cultural, os equipamentos emblemáticos (como a Casa da Música ou a Fundação de Serralves) e os eventos lúdico-culturais, bem como a animação noturna, sobretudo da área central, são fatores de atração de visitantes e turistas. O crescimento da atividade turística a par do conjunto de residentes, trabalhadores, estudantes e demais utilizadores que recorrem à cidade no seu dia-a-dia contribuem para o grande fluxo de pessoas que geram vivências diversificadas da cidade, em geral, e da sua Baixa, em particular, em diferentes momentos do dia. A análise dos estabelecimentos existentes na cidade, entre 2008 e 2012, por atividade económica (Tabela I) permitenos desde logo verificar que houve uma diminuição contínua do número total de estabelecimentos (- 13,1%), o que se deve certamente aos efeitos da crise económico-financeira que se fizeram sentir sobretudo a partir de 2008. Quanto à estrutura da atividade económica, destacam-se, por ordem de 107 representatividade, em todos os anos analisados, o “Comércio por grosso e a retalho e a reparação de veículos automóveis e motociclos”, as “Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares”, as “Atividades administrativas e dos serviços de apoio” e as “Atividades de saúde humana e apoio social”. Em termos evolutivos, está evidenciada a perda de importância, quer em valores absolutos quer percentuais, do “Comércio por grosso e a retalho e a reparação de veículos automóveis e motociclos” e das “Atividades administrativas e dos serviços de apoio”. Simultaneamente, ocorre um ganho de representatividade em peso percentual das “Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares” e das “Atividades de saúde humana e apoio social”. Tabela I – Estabelecimentos localizados no concelho do Porto por Atividade económica Fonte: INE, Infoline (janeiro de 2015). A Baixa sempre desempenhou um importante papel na história da cidade. Para além de um importante polo económico, é na atualidade o centro de decisão política e institucional do concelho. Em 2000, a sua economia era fortemente centrada no comércio, de diversos formatos, desde o comércio tradicional de rua, passando pelas feiras e venda ambulante até aos centros e galerias comerciais (Quaternaire, 2000). Os anos recentes são marcados por novas dinâmicas ao nível do reforço e diversificação da hotelaria, da valorização da restauração, da qualificação e diversificação de estabelecimentos comerciais, pela dinamização de mercados urbanos e feiras de artesanato. 3.1 Perceção dos empreendedores e consumidores da Baixa: análise de resultados São aqui analisados dois tipos de agentes: os empreendedores, que consistem em donos ou gerentes de estabelecimentos de atividade económica, e os consumidores, aqui entendidos em sentido lato, isto é, todos os utilizadores (e, por isso, potenciais consumidores) da Baixa do Porto por motivações variadas (residência, trabalho, estudo, recurso a serviços, turismo). Para a análise da perceção dos empreendedores foram realizadas 170 entrevistas semi-estruturadas, realizadas em finais de 2013 e inícios de 2014, a estabelecimentos de atividade económica da Baixa. A análise da opinião dos consumidores será feita através de um inquérito concebido para o efeito. O inquérito encontra-se em fase de implementação, pelo que serão aqui apresentadas as questões a que se pretende responder com Nº %Nº %Nº %Nº %Nº % Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca 296 0,7 283 0,7 274 0,7 314 0,8 308 0,8 Indústrias extrativas 60,0 70,0 70,0 70,0 60,0 Indústrias transformadoras 1.655 3,8 1.542 3,7 1.415 3,5 1.367 3,5 1.287 3,4 Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 56 0,1 75 0,2 61 0,2 60 0,2 60 0,2 Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos e despoluição 24 0,1 22 0,1 22 0,1 24 0,1 28 0,1 Construção 1.422 3,3 1.351 3,2 1.190 3,0 1.129 2,9 1.063 2,8 Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 10.486 24,2 10.028 23,8 9.317 23,3 8.971 23,0 8.571 22,7 Transportes e armazenagem 629 1,5 598 1,4 569 1,4 564 1,4 553 1,5 Alojamento, restauração e similares 2.833 6,5 2.782 6,6 2.725 6,8 2.738 7,0 2.723 7,2 Atividades de informação e de comunicação 818 1,9 800 1,9 785 2,0 794 2,0 816 2,2 Atividades imobiliárias 1.639 3,8 1.607 3,8 1.577 3,9 1.567 4,0 1.613 4,3 Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares 6.923 16,0 6.824 16,2 6.562 16,4 6.429 16,5 6.304 16,7 Atividades administrativas e dos serviços de apoio 6.149 14,2 5.791 13,8 5.380 13,5 5.015 12,9 4.760 12,6 Educação 2.342 5,4 2.380 5,7 2.407 6,0 2.301 5,9 2.124 5,6 Atividades de saúde humana e apoio social 4.796 11,1 4.878 11,6 4.832 12,1 4.821 12,4 4.711 12,5 Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas 1.323 3,1 1.278 3,0 1.196 3,0 1.281 3,3 1.224 3,2 Outras atividades de serviços 1.961 4,5 1.831 4,4 1.677 4,2 1.606 4,1 1.530 4,1 Total 43.358 100,0 42.077 100,0 39.996 100,0 38.988 100,0 37.681 100,0 2012 Período temporal Atividade económica (CAE Rev. 3) 2008 2009 2010 2011 108 o mesmo. Quanto à perceção dos empreendedores foram inquiridos estabelecimentos comerciais de atividades diversas (hotelaria e turismo, comércio tradicional, comércio emergente, restauração, estabelecimentos de diversão e atividades culturais e criativas). Muitos dos negócios, sobretudo dos mais antigos, são de família, sendo que a gerência passou de geração em geração. Nos estabelecimentos mais recentes, foram aproveitadas oportunidades consideradas promissoras em anos recentes, como os hostels, as lojas especializadas em produtos tradicionais ou o comércio de produtos originais. Muitas vezes, a abertura de negócios está associada a situações de desemprego. Estes empreendedores arriscam, por gosto ou oportunidade mas sobretudo por necessidade, em negócios emergentes e inovadores. Grande parte dos entrevistados refere não ter sentido dificuldades na concretização do seu negócio. Os que as referem apontam a excessiva burocracia e a demora no licenciamento dos estabelecimentos ou na obtenção de financiamento bancário, a falta de capacidade de investimento e a falta de apoio institucional. As principais dificuldades apontadas, na atualidade, prendem-se com a diminuição do poder de compra dos consumidores devido à crise económico-financeira do momento e à elevada carga fiscal a que estão sujeitos. A atratividade da Baixa é grande e propícia a um maior número de potenciais clientes, no entanto, os preços das rendas são significativamente superiores aos de outras áreas mais periféricas. Os entrevistados referem que a restauração e os cafés são os negócios que consideram mais rentáveis no momento. Consideram igualmente que os negócios relacionados com a animação noturna e a hotelaria apresentam bastante solidez na Baixa. É consensual que a prosperidade destes negócios se deve em muito à dinâmica turística positiva. Quanto às mudanças que gostariam que acontecessem na Baixa num futuro próximo, os entrevistados referem sobretudo a requalificação do espaço público, a reabilitação do edificado devoluto ou em graves condições de degradação, aspetos importantes para dar uma imagem melhorada ao centro da cidade e torná-la mais atrativa. A promoção de uma maior e mais diversificada oferta de locais e eventos de natureza cultural e lúdica, em geral, e, em particular, a promoção da animação de rua também são referidas como formas de dinamizar o centro. Os entrevistados gostariam também que houvesse menos burocracia no licenciamento dos negócios e maior apoio institucional, nomeadamente por parte da autarquia. Relativamente à opinião dos consumidores, pretende-se saber, com o inquérito a implementar, os seguintes aspetos: qual o seu perfil sociodemográfico (idade, sexo, nível de escolaridade, condição perante o trabalho, situação na profissão, nível de remuneração e área de residência); quais as dinâmicas de frequência, os motivos e as atividades realizadas na Baixa; qual a representação, o seu grau de satisfação e concordância com um conjunto de aspetos relacionados com a atividade económica da área. 4. Conclusões O empreendedorismo é considerado, na atualidade, um motor fundamental da evolução económica. As cidades são caracterizadas pela elevada concentração de atividades económica e de grandes fluxos de pessoas. São consensualmente consideradas como propícias ao desenvolvimento de atividades 109 empreendedoras. A cidade do Porto tem verificado nos últimos anos uma maior projeção a nível nacional e internacional, muito devido à dinâmica do turismo. A centralidade que é reconhecida à Baixa e o facto de ser considerado um local de referência da cidade, em todos os sentidos, e particularmente do ponto de vista comercial, aumenta a afluência de residentes, trabalhadores, estudantes, turistas e, portanto, de potenciais clientes. Este trabalho pretendeu mostrar resultados quanto à análise da perceção dos empreendedores e consumidores da Baixa. A importância deste conhecimento reside no contributo que esta informação pode dar na delineação de estratégias direcionadas para os interesses dos potenciais clientes dos estabelecimentos de atividade económica e na definição de políticas e estratégias públicas para a dinamização da economia local que vão ao encontro das necessidades e expectativas dos consumidores e empreendedores da Baixa do Porto. 5. Bibliografia Bathelt, H. & Gluckler, J. 2003. Toward a relational economic geography. Journal of Economic Geography, 3, 117-144. Boschma, R. & Martin, R. 2010. The Handbook of Evolutionary Economic Geography, Edward Elgar. Bosma, N. & Sternberg, R. 2014. Entrepreneurship as an urban event? Empirical evidence from European cities. Regional Studies, 48, 1016-1033. Nijkamp, P. & Kourtit, K. 2013. The "New Urban Europe": Global Challenges and Local Responses in the Urban Century. European Planning Studies, 21, 291-315. Quaternaire 2000. Programa de Revitalização do Comércio e Serviços na Baixa Portuense: Estudo Global. Quaternaire Portugal ed. Porto: Quaternaire Portugal. Scott, A. J. 2008. Inside the city: On urbanisation, public policy and planning. Urban Studies, 45, 755-772.