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Vivências da família Relvas na "Grande Guerra": entre negócios, arte e a política

Noras, José Raimundo,Prates, Nuno

Abstract

Nos alvores do que viria a ser a I Guerra Mundial, José Relvas fez o voto de abandonar os cargos públicos, recolhendo-se à sua Quinta dos Patudos, em Alpiarça. A sua atitude teve uma componente política, uma vez que com o seu prestígio de ético-moral de "velho republicano", bem como de reputado gestor e abastado lavrador, pretendia criar um “vácuo” político em torno dos “democráticos”, como confessara a Ramiro Guedes, médico republicano, em Abrantes. Pouco depois da declaração de guerra alemã, em 1916, Carlos Loureiro Relvas foi denunciado por críticas ao regime republicano, depois de criticar a subserviência de Portugal a Inglaterra, num comício público. Na realidade, em 1914, seu pai, ainda como senador, defendera uma política em relação à guerra concertada com Espanha, possivelmente sem necessidade de intervenção no cenário europeu. Simultaneamente, entre Alpiarça, Viseu e Lisboa a família Relvas foi mantendo a suas atividades empresariais (agrícola, imobiliário e financeira), com interesses comerciais fortemente ligados à exportação, tanto para mercados espanhóis e ingleses, como para franceses e mesmo alemães, de entre outros. O sentimento altruísta dos Relvas foi posto à prova antes e durante as crises correlacionadas com a Grande Guerra, como evidenciam as preocupações com os salários expressas na correspondência entre pai e filho. Em simultâneo, a coleção de arte da família diversifica-se, assumindo novas dinâmicas e oportunidades. Numa abordagem breve, partindo de uma sumária apresentação biográfica, pretendemos contextualizar a posição de José Relvas face a participação de Portugal na I Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, procurámos problematizar as várias dimensões (política, negócios e arte) das vivências da família Relvas neste período.

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1 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] 5 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] NOVEMBRO DE 2019 3 Comunicações ap esen adas no Colóquio da Exposição “Um Médico na G ande Gue a. Fe nando da Sil a Co eia”, ealizado a 22 de se emb o de 2018 em Caldas da Rainha Coo denação de Joana Bea o Ribei o [PH – Pa imónio His ó ico – G upo de Es udos] 4 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] Tí ulo: ANAIS LEIRIENSES – es udos & documen os – 3 Edi o : Ca los Fe nandes Coo denado Cien í ico: Saul An ónio Gomes (P o esso Associado com Ag egação do Depa amen o de His ó ia, A queologia e A es da Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a) Conselho Consul i o: C is ina Nob e, Isabel Xa ie , J. Ped o Ta a es, João Boni ácio Se a, João Ped o Be na des, Luciano Coelho C is ino, Má io Rui Simões Rod igues, Miguel Po ela, Ped o Redol e Rica do Cha e s d’Aze edo Concepção e a anjo da capa: Gonçalo Fe nandes Colecção: ANAIS LEIRIENSES – 3 © Ho a de Le , Unipessoal Lda. U banização Vale da Cab i a Rua D . A naldo Ca doso e Cunha, 37 - /c Esq. 2410-270 LEIRIA - PORTUGAL e-mail: [email p o ec ed] Tlm: 966739440 Re isão e coo denação edi o ial: Au o es e Ho a de le Mon agem e concepção g á ica: Ho a de le Imp essão: A ipol - www.a ipol.ne 1.ª edição: No emb o 2019 Edição 1019/19 Depósi o Legal: 454238/19 ISSN: 2184-4135 Rese ados odos os di ei os de aco do com a legislação em igo . 141 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] Vi ências da amília Rel as na "G ande Gue a": en e negócios, a e e a polí ica José Raimundo No as* Nuno P a es** * Licenciado em His ó ia e Mes e em His ó ia de A e pela Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a (FLUC). In es igado in eg ado do CH-ULisboa. Es udan e de dou o amen o em His ó ia (PIUDHis ) e a ualmen e Bolsei o da FCT (SFRH/BD/132222/2017, inanciada po undos eu opeus do FSE e po undos do MCTES), com p oje o biog á ico sob e José Rel as. Colabo ado do Cen o de In es igação T ansdisciplina "Cul u a, Espaço e Memó ia" (CITCEM) e do Cen o de In es igação P o esso Dou o Joaquim Ve íssimo Se ão (CIJVS). Fo mado e p o esso nes as e nou as á eas écnico e au o de á ios li os de his ó ia local e de uma o obiog a ia sob e José Relas. E-mail: [email p o ec ed]. ** Conse ado da Casa dos Pa udos - Museu de Alpia ça, desde 2011. Licenciado em His ó ia (Va ian e de A queologia), e ambém em His ó ia, Va ian e de A queologia (Ramo de Fo mação Educacional) pela FLUC, equen ou a licencia u a em His ó ia da A e, na mesma Uni e sidade. Pós-g aduado em Museologia pela Uni e sidade de É o a e i ula do Cu so - In en á io do Pa imónio Cul u al Ima e ial pela Uni e sidade Abe a. É ainda o mado na á ea e domínio da Didá ica da His ó ia, pela Uni e sidade do Minho. Mes ando em Ges ão e Valo ização do Pa imónio Cul u al - especialidade Pa imónio A ís ico e His ó ia da A e. P o esso de His ó ia, In es igado em His ó ia Local e Regional e Museólogo. Tem colabo ado em algumas publicações, no âmbi o da sua á ea académica e p o issional. Email: nuno.p a es@cm-alpia ca/[email p o ec ed] À pa ida odos o conhecemos ou ou imos ala de José Rel as (1858- 1929) como o p oclamado da República. Po ém, no g ande público, a sua biog a ia é um pouco desconhecida, pa a além desse ac o ou desse epi enómeno, que icou c is alizado na nossa memó ia cole i a, desde os ban- cos da escola. José Rel as nasceu na Golegã no seio de uma amília de p op ie á ios ag ícolas, sendo o pai Ca los Rel as (1838-1894), hoje mais conhecido pela ligação à o og a ia, ambém, la ado , ca alei o au omáquico, in en o e jó- quei. O seu a ô pa e no, José Fa inha Rel as (1791-1865), ixou-se na Golegã, 142 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] no início do século XIX. Já po pa e da sua mãe, José Rel as es a a ligado à a is oc acia libe al da Bei a. O a ô ma e no, Je ónimo de Aze edo (1805- -1885), oi Go e nado Ci il de Viseu e ambém do Po o e ag aciado com os í ulos Visconde e de Conde de Poden es. En e Viseu e Golegã, a sua mãe, Ma ga ida de Aze edo Mendes Rel as (1837-1887), icou conhecida como benemé i a, po suas ob as de ilan opia (MENDES, 1888). O assen o de ba ismo do seu ilho, já publicado, in o ma que os seus pad inhos o am o a ô pa e no e a a ô ma e na, Ma ia Libe a a da Cos a Mendes (1823-1906), Con- dessa de Poden es (NORAS, 2009, pp. 18-19). Cons uímos um b e e ela o biog á ico, e ap esen amos alguns documen os inédi os, co elacionados com o pe íodo da G ande Gue a. São documen os que nos su p eendem e en u- siasmam, como se abo dou nas comunicações do pe íodo da manhã. José Rel as desde cedo mani es ou in e esse pelas a es, pelo colecionismo e pelas an iguidades – b ic-à-b ac, na exp essão ancesa em oga na época – como a es a uma o og a ia, do ace o da Casa dos Pa udos, do seu gabine e de abalho, ainda no século XIX. Também causou su p esa a a ibuição do í ulo hono í ico da O dem de Leopoldo, “po abalhos de apoio à a queologia”, ainda com 29 anos de idade, ac o que con i mámos o icial- men e jun o do go e no Belga e de que se gua da, no AHCP, a ca a do í ulo. T a a-se da única hono i icência de que há egis o José Rel as e acei ado. 1 – José Rel as no seu gabine e de abalho 143 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] Em nosso en ende , es e econhecimen o de e es- a associado à colabo a- ção, com o pai, no Álbum de Pho o ypias da Expo- sição Re ospec i a de A e O namen al (REL- VAS, 1882, pp. 1-6), cuja in odução oi um dos p i- mei os ex os que José Rel as publicou. Do mes- mo modo, com adian e se demons a á, já inha in- e esse nos me cados de a e e de an iguidades. Não obs an e o gos- o pela a e, la u sensu, a pa i de 1882, e José Rel- as assume-se como ges- o ag ícola, an o da “Casa Rel as” dos seus pais, como, po ezes, agindo em con ex o da a- mília ala gada dos Mendes, g andes p op ie á ios, em e enos ús icos e u - banos nas Bei as. Aliás, no âmbi o da amília ala gada, é mui o in e essan e, mas pouco abo dada, a ligação do jo em Rel as com o “Tio Chico”, F ancis- co An ónio da Sil a Mendes (1827-1898), o qual eio a ade i no inal da sua ida ao Republicanismo (a “uma República pla ónica”) endo in luência na isão do mundo do seu sob inho (PAZ, 2013, p. 106; AHCP, cx.29). José Rel as con inua á a a i idade de la ado eo ganizando a p odução ag ícola dos seus e enos do azei e e dos ce eais pa a o inho, onde ob ém sucesso e econhecimen o, no século XIX. Na sequência da ecupe ação de legislação inícola p o ecionis a pa a a egião do Dou o, pelo úl imo go e no de João F anco (1855-1929), José Rel as ade iu ao Pa ido Republicano Po uguês, em 1907. Ao mesmo em- po, mobilizou, pa a essa causa, os seus co eligioná ios do mo imen o associa i o ag á io do Riba ejo. (SERRA, 2008, p. 10, p. 65). Elei o memb o 2 – Ca a de í ulo da o dem de Leopoldo Vi ências da amília Rel as na "G ande Gue a": en e negócios, a e e a polí ica 144 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] do Di e ó io em 1909, de endeu a necessidade de implemen a a República, pela ia e olucioná ia. Nessa qualidade, o ganizou o núcleo ci il du an e a Re olução de 1910 e e -lhe-á cabido a p imazia de inicia os discu sos de p oclamação da República, a 5 de ou ub o. No go e no p o isó io, ocupou a pas a das inanças, emá ica que aqui não i emos abo da . Ainda como “conspi ado con empla i o”, azendo uso da exp essão do p o esso Boni ácio Se a, oi p o agonis a de uma missão epublicana, em F ança e na Ingla e a, cen os de decisão eu opeus, jun amen e com Magalhães Lima (1850-1928) e com Al es da Veiga (1848-1924). Po in e médio des e úl imo, exilado em F ança, e com apoio dos con ac os na Maçona ia eu opeia de Ma- galhães Lima, con ac ou os go e nos ancês e inglês sob e a possí el e ol a epublicana em Po ugal, bem como a imp ensa eu opeia e os me cados inan- cei os, no sen ido de ga an i dos comp omissos in e nacionais po pa e de um u u o go e no epublicano. (RELVAS, 1977, ol. I, p. 79-86). Ainda du an e o seu manda o, no Go e no P o isó io, oi ambém elei o depu ado à Assembleia Cons i uin e, po Viseu, e, na sequência da dissolu- ção da câma a pa lamen a , i ia a se elei o pa a o Senado. No en an o, o p esiden e do p imei o go e no cons i ucional, João Chagas (1863-1925), con- ida-o pa a assumi unções diplomá icas em Mad id, si uação que acei ou depois de a ponde a e de ob e au o ização especial do Senado, pa a o e ei o (RELVAS, 1977, ol. II, p. 36). Em Mad id, p ocu a a i ma poli icamen- e o no o egime, ga an i os comp omissos in e nacionais de Po ugal e a sua in eg idade e i o ial, ob endo comp omisso o mal do go e no espanhol ace ca do es a u o dos exilados polí icos e medidas con a as incu sões moná quicas p o agonizadas po Pai a Coucei o. P ocu ou o comp omisso pa a que o ganizassem “depósi os de emig ados polí icos” nou as zonas de Espanha, de modo a a as á-los da on ei a. Conside a ia ambém que mui os dos emig ados se iam po ezes enganados pelos seus che es, icando depois nesse país izinho numa si uação de misé ia. Des e modo, Rel as ganha am- bém ca isma, po não e ecusado qualque ipo de apoio diplomá ico com base na ideologia dos que lhe pediam auxílio, bem como, a í ulo pessoal, e p es a- do auxílio, po ezes económico, a á ios po ugueses em Espanha.1 Po ou o lado, a co espondência e os documen os diplomá icos, à gua - da do AHCP, êm egis o de uma “con a sec e a” e de “a i idades de igilân- 1 Veja-se, a í ulo de exemplo, o caso da mala de Júlio do Rego Ba e o da Fonseca Magalhães (?-?), Conde de A mil em “Ca a de José Ma ia San ’iago P ezado a José Rel as”, Lisboa – MNE – Gabine- e do Minis o, 9/01/1912, AHCP – cx. 371 – PT/AHCP/FR/JMR/C/01/371. 145 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] cia”, es ando pa a o e ei o a e o à Legação Po uguesa, um agen e sec e o, an igo polícia espanhol, José de Lapuen e Ama (?-?). Es e desen ol eu á- ios ela ó ios sob e exilados po ugueses, en e os quais memb os da amília eal, en e os quais o in an e D. A onso (1865-1920), conhecido jocosamen e como o a eda, de ida a in e jeição usada ao conduzi o seu au omó el. Lapuen e Ama ambém inspecionou as áb icas de a mas espanholas, no sen ido de denuncia e p ocu a comp o a jun o do go e no a complacência ou al a da a uação das o ças mili a es e polícias pe an e os conspi ado es. (AMAT, 1912, AHCP, cx. 317; e BASTISA, 2017, p. 43-51). Po ou o lado, ou os dois g andes es eios da a uação diplomá ica o- am a pa icipação de a is as po ugueses, a con i e o icial, na g ande Expo- sição Pin u a Espanhola de 1912 e a negociação do a ado come cial com o Go e no de Mad id, que Rel as deixou em ase adian ada de p epa ação. José Rel as man e e boas elações com o jo nalis a e polí ico espanhol Luis Mo o e (1864-1913)2 e com o indus ial e polí ico i aliano Edua do Gi e i (1864- -1940)3, os quais de ende am uma “união aduanei a” pa a o se o da co iça, nos países do sul da Eu opa, e es a am p óximos de ce os se o es polí icos e económicos, de enso es de um maio p oximidade aduanei a en e Po u- gal, Espanha e I ália, um quase “zol e ein” dos países la inos4. Em Agos o de 1914, José Rel as esc e e uma longa ca a a João Chagas: “(…) A sua ca a eio e ela -me o mais comple o desconhecimen o de odos os an eceden es da possí el ap oximação de Po ugal e Espanha, e po an o a ausência de in o mações desde a en e is a que i e em Maio (…) O momen o g a íssimo, que ameaça a Eu opa, pode ia se habilmen e ap o ei ado pela nossa diplomacia. (…) Nas suas g andes linhas, e plano de polí ica in e nacional, que me eceu comple a ap o ação do Gabine e de Lis- boa (A onso Cos a) em Maio de 1913, consis ia na en en e com Espanha, que inha de se apoiada pela Ingla e a, acompanhando a p epa ação da en en e F anco-espanhola, endo uma e ou a como esul ado inal a aliança dos países ociden ais. (…)”5 2 Ace ca de Luis Mo o e, polí ico e jo nalis a, eja-se: Juan Sisinio Pé ez Ga zón (1976). Luis Mo o e, la p oblemá ica de un epublicano (1862 -1913). Mad id: Cas alia. 3 Sob e Edoa do Gi e i, indus ial, polí ico e economis a i aliano eja-se Domenico Da Empoli, “GIRETTI, Edoa do” em Diziona io Biog a ico degli I aliani - Volume 56 (2001), disponí el em linha: h p:// www. eccani.i /enciclopedia/edoa do-gi e i_(Diziona io-Biog a ico)/ . [Consul ado em 24/08/2018]. 4 Veja-se ambém “Ca a de Edoua do Gi e i a José Rel as, B iche asio (I ália), 12/01/1911 [Sob e a publi- cação da con . A Ques ão Económica Po uguesa], AHCP, cx. cx. 370 – PT/AHCP/FR/JMR/C/01/370. 5 “Ca a de José Rel as a João Chagas”, Viseu, 2/Ago/1914 em Co espondência li e á ia e polí ica de João Chagas, 1956/57, ol. II, pp. 207-208. Vi ências da amília Rel as na "G ande Gue a": en e negócios, a e e a polí ica 146 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] A en en e en e Po ugal e Espanha, combinada com a Ingla e a, que pudes- se a ai a I ália não oi bem comp eendia po João Chagas. O en ão minis o po uguês em Pa is, en e an os ou os, semp e ez eco do “pe igo espa- nhol”, suspei ando de uma ambição de domínio polí ico do nosso país po A onso XIII (1886-1941). Enquan o José Rel as esc e eu a ca a, eclodiu a p imei a gue a mun- dial e oi pe en ó io na sua lei u a dos acon ecimen os, uma gue a en e a Sé ia, a Rússia e o Impé io Aus o-Húnga o equi ale ia a uma gue a eu opeia, conside ação bas an e acu ilan e. Tenhamos em a enção que me- ses an es, na imp ensa, Teó ilo B aga (1843-1924) ala a na impossibilidade da gue a pela o e solida iedade dos mo imen os ope á ios que a boico a i- am (RELVAS, e . al., 1987, pp. 23, 29). A posição Rel as é ansmi ida a João Chagas depois de es e deixa as unções de diploma a em Mad id, com e ei- os p á icos em janei o de 1914. De ac o, a e o ma da lei elei o al de 1913 impedia-o de ecebe o encimen o de diploma a enquan o osse senado , ecebe ia apenas o subsídio dessa unção. José Rel as conside ou a o ma da comunicação do o ício deson osa e uma g a e desconside ação pelas suas unções, não as e omando, mesmo após insis ência do no o Minis o dos Negócios Es angei os, à época in e inamen e Be na dino Machado (1851- -1944). No undo, a a a do episódio inal de um co olá io de con li os polí i- cos, en e Rel as e o “g upo Democ á ico” do Pa ido Republicano Po uguês (PD/PRP), com aízes no empo do Go e no P o isó io. Uma en e is a de Teó ilo B aga, dada em ab il de 1913 ao jo nal “O Dia”, puse a em causa a c edibilidade e a hono abilidade dos diploma as po - ugueses, no chamado “inciden e dos diploma as”. Nesse ex o, Teó ilo con- side a a Rel as “um pa o” (pa ão) e na a a que oi apenas po ambição pessoal que alcança a a pas a da Finanças, em 1913 (RELVAS, e . al., 1987, pp. 32-33). An e io men e, em "O Século", c i ica a odos os diploma as po - ugueses, dizendo que “ninguém os pode ia le a a sé io”. Rel as, Chagas e Manuel Teixei a Gomes (1860-1941) exigi am uma e a ação pública ou p o- ponham a demissão em bloco, ne as a pa a a República. No Pa lamen o, B aga desmen iu o que inha di o, sem o desmen i , dizendo que a sua opi- nião cien í ica e a pela abolição do co po diplomá ico, o a mal in e p e ada e que jo nalis a inha abusado da sua boa- é. O mal-es a pe du ou en e al- guns diploma as “ elhos epublicanos” e o go e no dos “democ á icos”. A eleição de Teó ilo B aga pa a P esiden e da República, em 1915, consolidou um o al a as amen o dos ca gos polí icos, no sen ido de c iação de um “ á- 153 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] igu a eminina es á ep esen ada de pe il, en- cos ada ao que pode á se uma pa ede, sob e a qual a luz de en e, azendo pa ece uma jane- la, se p essen e no os o da mulhe que a olha. Bem como, comp ada p ecisamen e no pe íodo em que se iu como embaixado em Espanha, a ob a de a e mais impo an e de oda es a coleção é o e a o de Domenico Sca la i (1685-1757) a ibuído a Domingo An ónio Velasco (c. 1745 – c. 1780), o qual cons i ui o único e a o do amoso músico i aliano. O “Senho dos Pa udos”, enquan o embai- xado de Po ugal em Mad id, adqui iu o e a o de Domenico Sca la i a Ma iano He nando, de Mad id, po 3250 pese as, em 19 janei o de 1913. No In en a io dos Objec os d´A e exis- en es nas Salas dos Pa udos, na p. 19, José Rel as desc e e a pin u a da se- guin e o ma: DOMINGO ANTÓNIO DE VELASCO. Quad o a óleo, e- a o de Domenico Sca la i, ce- leb e composi o . Ves ido com o aje sump uoso da época, em elludo e sêdas bo dadas, com endas nos punhos. Es e e a o oi ei o em Mad id depois de Sca la i e es ado na Cô e de Po ugal e quando o celeb e músico oi Mes e da P incesa das As u ias. Fei o no seculo XVIII, ce ca de 1730. Em conclusão, gos a íamos de sublinha que a Casa dos Pa udos e a coleção que es a en- ce a cons i uem um legado de José Rel as e da sua amília à comunidade onde i e am e ao país que ajuda am a ans o ma . 8 – Na cisos, Sousa Lopes, Óleo Sob e Tela, Inícios do século XX, CPMA 84.622 9 – Domenico Sca la i, A . Domingo An ónio Velasco, Óleo Sob e Tela, 1738/39 (XVIII), CPMA 84.413 Vi ências da amília Rel as na "G ande Gue a": en e negócios, a e e a polí ica 154 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] Fon es e e e ências bibliog á icas A qui o Dis i al de San a ém (ANTT/ADSTR) Regis o de bap ismo de José Rel as, egis o de bap ismo, ombo da Golegã 1858, PT/ADSTR/PGLG02.01.0001 A qui o His ó ico da Casa dos Pa udos (AHCP), Fundo Família Rel as, Sub undo “José Masca enhas Rel as”, PT/AHCP/FR/JMR “Co espondência ecebida po José Rel as”, cx. 01 a cx. 57; “Ca a de Edoua do Gi e i a José Rel as, B iche asio (I ália), 12/01/1911 [Sob e a publicação da con . A Ques ão Económica Po uguesa], AHCP, cx. cx. 370 – PT/AHCP/FR/JMR/C/01/370. “Ca a de José Ma ia San ’iago P ezado a José Rel as”, Lisboa – MNE – Gabine e do Minis o, 9/01/1912, AHCP – cx. 371 – PT/AHCP/FR/JMR/C-C/01/371. “Ca a de José Rel as a Rami o Guedes”, Alpia ça, 20 de julho de 1914, AHCP, cx cx. 372, PT/AHCP/FR/JMR/C/01/372. [RELVAS, José ] “No as omadas pa a o caso de Ca los se subme ido a julgamen o, em i ude da au oção ei a em Maio de 1916, em San a ém accusando-o de an i-pa io a pelo ac o de e c i icado com ace ba, mas mui o jus amen e, os ac os c iminosos do Go e no e do Pa ido Democ a ico, AHCP, cx. 400, PT/ AHCP/FR/JMR/C-D/01/400. Imp ensa pe iódica consul ada O Deba e, San a ém, 1907-1919 A Lu a, Lisboa, 1907-1911 O Mundo, Lisboa, 1907-1911 Bibliog a ia a i a de José Rel as: RELVAS, José, (1880) – O Di ei o do Senho oi uma medida iscal da p op iedade, Lisboa: Imp ensa Nacional, 1880 (BN e AHCP). 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(2008) José Rel as: o conspi ado con empla i o, Assembleia da República Ou as e e ências: GIRETTI, Edoa do, (1910) – La Ques ione Economica Po oghese secondo le idee d’un Minis o della nuo a Repubblica em Gio nale degli Economis i e Ri is a di S a is ica, Se ie e za, Vol. 41 (Anno 21), N.º 12 (DICEMBRE 1910), pp. 591-602 [AAVV], – Co espondência li e á ia e polí ica de João Chagas, (1957/58) Lisboa: Emp esa Nacional de Publicidade, 3 ols. PRATES, Nuno (2015) – Imagens de Sal a e a de Magos is as pela len e de Ca los Rel as, Re is a Magos, Re is a Cul u al do Concelho de Sal a e a de Magos, N.º 2, pp. 111 a 118. PRATES, Nuno (2016) – Cons an ino Fe nandes e o seu legado a ís ico e cul u al, Re is a Magos, Re is a Cul u al do Concelho de Sal a e a de Magos, N.º 3, pp. 255 a 262. PRATES, Nuno (2017) – A Casa dos Pa udos – Museu de Alpia ça: o inho, a inha e a a e, Enomemó ias, Museologia e Pa imónio do Vinho (Te i ó io, Sociedade e Desen ol imen o), Albe o, An ónio Madu o Gue ei o, Jo ge Cus ódio & Edua do Gonçal es (Coo ds.), Edições ISMAI/CEDTURISMAI, pp. 41 a 50. Vi ências da amília Rel as na "G ande Gue a": en e negócios, a e e a polí ica 156 Anais Lei ienses – es udos & documen os – 3 [No emb o 2019] ROCHA, Luzia; PRATES, Nuno (2015) – “A iconog a ia musical na colecção de leques da Casa dos Pa udos: análise de aspec os emá icos e o ganológicos”, em pa ce ia com Luzia Rocha, Cuade nos de Iconog a ia Musical, Uni e sidad Nacional Au ónoma de México, Vol. II, Núme o 1, pp. 9 a 38. Fon es o ais: En e is a com Nuno P a es (Conse ado da Casa dos Pa udos) conduzida po José Raimundo No as, a 12/Fe e ei o/2018. Ag adecimen os Em p imei o luga gos a ia de ag adece à o ganização des e colóquio a quem saúdo, bem como ao D . Nuno P a es. Foi ele quem p imei amen e me chamou a a enção pa a es es abalhos, possibili ando a ealização, em conjun o, des a co- municação ago a e ida em a igo. Gos a ia ambém de ag adece à Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (FCT), uma ez que oi a bolsa de es udo a ibuída me pe mi iu-m ealiza , a empo in ei o, in es igação nes e úl imo ano. Tendo-me ocado essencialmen e na co espondência ecebida, na p odução esc i a e nos docu- men os polí icos de José Rel as, consul ando e e e enciando ce ca de 14000 do- cumen os de um espólio que se es ima em ce ca de 100000, à gua da do A qui o His ó ico da Casa dos Pa udos | Museu de Alpia ça (AHCP).