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Contributos para a Sistematização do Arquivo do Parque de Serralves

Pedro José Fontes Pereira Nogueira

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Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Pedro José Fontes Pereira Nogueira Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2013 Orientador Teresa Dulce Portela Marques, Professora auxiliar da Faculdade de Ciências FCUP i Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves RESUMO O Parque de Serralves resulta de um processo de desenho da paisagem, codificado pela sobreposição de valores estéticos, sociais e culturais, a que acresce a complexidade e a riqueza dos valores naturais. De Quinta privada a Parque aberto ao público, a sua gestão pretende o reconhecimento e a compreensão dos referidos bens, assim como a salvaguarda e a valorização dos mesmos. Planear o futuro e entender as suas perspetivas impõe o conhecimento do passado, do que aconteceu, quando e por quê. Esta condição assenta e relaciona-se com a informação produzida, associada à gestão do Parque, na eficácia da sua sistematização e acesso, premissa que deverá definir o seu perfil de competência. Conceitos: Parque de Serralves, gestão, arquivo, sistematização, acesso. ABSTRACT Serralves Park results from a landscape design process, encoded by the overlap of aesthetic, social and cultural values, with the added complexity and richness of natural values. From a private estate to a Public Park, its management intends to comprehend the mentioned values as well as its protection and recognition. Planning the future and understanding its prospects requires the knowledge of the past, of what happened, when and why. This condition rests and relates to the information produced, associated with the Park management and in the effectiveness of its systematization and access: a principle which shall define its competency profile. Keywords: Serralves Park, management, archive, systematization, access FCUP ii Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Casa e capela primitivas ……………………………………………...………………………………………………….…….…..........3 Figura 2 – Jardim romântico……………………………………………………………………………………………………………….……….………3 Figura 3 – Lago……………………………………………………...……………………………………………………………………………….……………..3 Figura 4 – Carlos Alberto Cabral…………………………………………….…………………………………………………………...……….…….6 Figura 5 – A Quinta de Serralves……………………………………………………………………………………….……………...…….…………6 Figura 6 - Delfim Ferreira………………………………………………..………………………………………………………………………..………….6 Figura 7 – Abertura da Casa de Serralves…………………………………………………………………………………….………...….……7 Figura 8 – Jardim do Museu de Arte Contemporânea…………………………….…………………………………………….…….….7 Figura 9 – Fundação de Serralves (vista aérea) …………………………………………………………………..……………...…..……..7 Figura 10 – Primeiras ações de recuperação…………………………………………………………………………………..…...……….11 Figura 11 – Ações de sensibilização para o ambiente……………………………………………………………………...………….11 Figura 12 – Novas ações de recuperação………………………………………...………………………………………………………..….11 Figura 13 – Metodologia de trabalho…………………………………………………………………………………………………………….…15 Figura 14 – Arquivo CAC – correspondência………………………………………….………………………………………..……………16 Figura 15 – Arquivo CAC – planta……………………………………………………………………..…………………………………………….16 Figura 16 – Arquivo CACfotografia…………………………………………………………………………………….……………..…………..16 Figura 17 – Arquivo do Parque – desenhos…………………………………………………………..…………………………………...….17 Figura 18 - Arquivo do Parque – tabela……………………………………………………………………………..…………………..……….17 Figura 19 - Arquivo do Parque – dossiers de arquivo………………………………………………………………………..…………17 Figura 20 – Atribuição de cotas temporárias………………………………………………...……………………………………………….18 Figura 21 – Índices gerais associadas aos dossiers de arquivo……………………………………..………………………….18 Figura 22 – Ficha de Gestão do Parque…………………………………………………………..…………………………………….………19 Figura 23 – Organograma do funcionamento da Fundação de Serralves (Direção do Parque)…………...20 Figura 24 – Documento de arquivo selecionado…….…………………………………………….………………………………....……21 Figura 25 – Transcrição e atribuição de metadados………………………………………………………………………………...…..21 Figura 26 – Reorganização cronológica dos documentos selecionados………………………………………….…..…..22 Figura 27 – Seleção dos descritores associados aos eixos estruturantes da gestão do Parque…......….23 Figura 28 – Hierarquização dos descritores associados à gestão do Parque……………………………………....…29 FCUP iii Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Resumo………………………………………………………………………………………………………………………………………………..………..….i Lista de Figuras…………………………………………………………………………………………………………………………………………….ii Índice……………………………………………………………………………………………………………………………………………………….………iii 1. Introdução……………………………………………………………………………………………………………………………………………………….1 2. O Parque de Serralves - Resenha histórica e institucional………………………………………………………………………3 2.1. Dos antecedentes da Quinta de Serralves à venda da propriedade ao Estado Português………….………3 2.1.1. Antecedentes……………………………………………………………………………………………………………………………….…3 2.1.2. A Quinta de Serralves……………………………………………………………………………………………………………….……4 2.2. Da compra da propriedade pelo Estado Português à atualidade………………...………………………………...………7 2.2.1. O Parque da Fundação de Serralves……………………………………………………………………………………….……7 2.2.2. A gestão do Parque de Serralves………………………………………………………………………………..……………..… 8 3. Pressupostos teóricos e metodológicos para a sistematização do arquivo………………………………….……12 3.1. O arquivo do Parque de Serralves como “estudo de caso” .……………………………………………………….………12 3.2. Metodologia de trabalho………………………………………………………………………………………………………………….……13 4. O arquivo do Parque de Serralves - Da inventariação à sistematização………………………………………………16 4.1. Inventariação…………………………………………………………………………………………………………………………………………16 4.2. Conceptualização………………………………………………………………………………………………………………………………… 23 4.3. Sistematização…………………………………………………………………………………………………………………………………..… 30 5. Conclusões e recomendações………………………………………………………………………………………………………………...…32 5.1. Novos paradigmas: a gestão documental e a curadoria digital……………………………………………………...……32 5.2. O Parque de Serralves como observatório de paisagem………………………………………………………………….…33 6. Bibliografia…………………………………………………………………………………………………………………………………………..……… 35 Anexo I - Descritores associados à gestão do Parque de Serralves FCUP 1 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 1. Introdução O Parque de Serralves, hoje parte fundamental da estrutura ecológica da cidade do Porto, num total de 18 hectares, resulta de um processo de desenho da paisagem que sintetiza as transformações do território em que se insere, constituindo uma unidade espacial complexa, codificada pela sobreposição de valores estéticos, sociais e culturais, a que acresce a complexidade e a riqueza dos valores naturais. Partindo de um espaço de matriz rural, Serralves evoluiu ao gosto novecentista, primeiro de características românticas e depois Beaux-Arts|Modernistas, num projeto de dimensão internacional, onde o seu caráter, inicialmente de cariz privado, soube adaptar-se a espaço aberto ao público, com a compra pelo Estado Português em 1987, para aí instalar o atual Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves. Classificado como Monumento Nacional em 2012, reconhece-se assim a relevância deste património, na promoção da dialética em que se funda: Arte e Natureza. Daqui resulta um desígnio: a salvaguarda de um legado único, pela sua manutenção e requalificação continua, iniciada há mais de 25 anos, constituindo o Parque como um centro de reflexão dedicado ao estudo e divulgação da paisagem e da biodiversidade, permitindo a promoção de uma cidadania ambiental consciente! De espaço privado a espaço aberto ao público, um conjunto de medidas vão sendo desenvolvidas e asseguradas, determinando o seu perfil de gestão. Estas acções encontram-se reflectidas no registo documental das opções tomadas e dos intervenientes associados, num programa que, em continuidade, tece as relações do espaço com o seu tempo – o arquivo do Parque de Serralves. Em ambientes analógicos e digitais, os atributos de qualidade associados ao arquivo relacionam-se não apenas pela forma como o mesmo é produzido e mantido, como pelas medidas de uso e comunicação, constituindo na sua globalidade as características diferenciadoras do sistema que os gere e mantém. Desta forma, importa assegurar os parâmetros descritivos que contextualizam o acesso à informação produzida, capazes de espelhar as ações de gestão e a sua estrutura orgânica, relacionando os documentos de arquivo com as atividades a que se associam. O presente trabalho resulta dos estudos levados a cabo no âmbito de uma Bolsa de Gestão em Ciência e Tecnologia ao abrigo do protocolo assinado entre a Fundação de Serralves (FS), o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) e a Fundação para a Ciência e Tecnologia, com inicio em janeiro de 2012, e tem como objetivo a operacionalização do arquivo do FCUP 2 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Parque de Serralves no que diz respeito à sua gestão e acesso eficaz, capaz de servir tanto os interesses da entidade produtora como da comunidade com a qual se relaciona. Neste propósito é indispensável a inventariação e sistematização dos documentos associados à gestão do Parque, pela identificação dos descritores associados às atividades desenvolvidas, permitindo desta forma a leitura integral e contextualizada dos documentos de arquivo. FCUP 3 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 2. O Parque de Serralves - Resenha histórica e institucional 2.1. Dos antecedentes da Quinta de Serralves à venda da propriedade pelo Estado Português 2.1.1. Antecedentes (até 1923) Serralves tem a sua origem na propriedade de veraneio da família Cabral (Fig.1), radicada desde princípios do século XIX no centro do Porto. Diogo José Cabral, empresário têxtil com indústria no Vale do Ave, adquire a propriedade por ajuste matrimonial com Maria Emília Magalhães, iniciando-se uma série de alterações à mesma em que se salienta o papel relevante do seu filho, Diogo José Cabral Jr., 1º Conde de Vizela (1864-1923), uma referência na modernização industrial do País, com título nobiliário concedido em 1900. Inscrevendo-se num dos núcleos de expansão da cidade, já referenciado na carta topográfica de Telles Ferreira (1892), a Quinta de Lordelo posiciona-se entre bandas de construções faceando a Rua de Serralves, abrindo-se os logradouros para matas e terrenos de cultivo. Da Quinta do Lordelo perduram ainda fotos anteriores a 1925, retendo a imagem da casa burguesa e do seu jardim romântico (Fig.2). Aí se observam os canteiros de formas orgânicas com grande diversidade de espécies ornamentais, prolongados até à balaustrada sobranceira ao Lago (Fig.3), situado a meia encosta, revelando o gosto eclético e pitoresco característico do seu tempo. Figura 2 Jardim romântico Figura 3 Lago Figura 1 Casa e capela primitivas FCUP 4 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 2.1.2. A Quinta de Serralves  Carlos Alberto Cabral (De 1923 a 1953) Quando em 1923, Carlos Alberto Cabral (1895-1968) (Fig.4), 2º Conde de Vizela, herda a Quinta do Lordelo à Rua de Serralves, a propriedade teria uma dimensão consideravelmente inferior à que hoje apresenta, iniciando-se um processo de compra e permuta que levaria ao seu alargamento até aos 18 hectares atuais. Filho da restrita elite industrial que prospera após a Primeira Guerra Mundial, Carlos Alberto Cabral projeta para a sua propriedade, aspirações sociais e culturais de vanguarda, que fazem de Serralves um testemunho único das alterações associadas ao desenvolvimento industrial do Norte de Portugal, na 1ª metade do século XX. Cosmopolita e exigente, imbuído na cultura visual do seu tempo e em rutura com os valores vigentes, privilegia as correntes artísticas praticadas entre os anos 20 e 40, em particular da arquitetura e das artes decorativas francesas, para o que terá contribuído de forma determinante a sua visita a Paris, à Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes, em 1925, onde se prefigura a ideia de modernidade e onde encontra os interlocutores que mais se ajustavam ao seu pragmatismo de classe, entre eles: Charles Siclis, arquiteto cujas aguarelas de 1929 estão na origem da imagem referencial da casa de Serralves, Jacques Émile Ruhlmann, projetista de interiores e Jacques Gréber, arquiteto convidado a desenhar um novo jardim. Auxiliado pela colaboração permanente do arquiteto portuense José Marques da Silva (1869-1947), Carlos Alberto Cabral vai fazendo a síntese entre as diferentes visões e contributos, assegurando desde cedo o acompanhamento minucioso do projeto e da obra, como se constata no registo de uma planta programática, onde se encontra manifesta a vontade de preservar apenas o essencial, com a integração da estrutura dos jardins pré-existentes nos novos planos e onde já se encontram esboçadas algumas ideias que seriam consubstanciadas nos planos de Gréber. Responsável pelo projeto de vários jardins na Europa e América do Norte, as plantas de Gréber (1882-1962) para Serralves datam de 1932, revelando um ecletismo de estilo e uma apropriação do local surpreendentes, pela atualização e valorização da quinta de recreio como um todo, elevando-a a um novo patamar de dimensão internacional, precisamente pela incorporação de princípios de grande atualidade em rutura com o contexto português de então. FCUP 5 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Sustentado por conceitos europeus, a prática de Jacques Gréber ganha relevo pela conceção de parques para os descendentes da Revolução Industrial Americana, num período áureo, designado por Country Place Era, terminado com a Grande Depressão de 1929, ao qual se sucede a emergência das formas modernistas na arquitetura paisagista nos EUA. A paisagem de Serralves, num período historicamente conturbado, sem romper com a sua matriz original, integra “um modelo com raízes europeias, experimentadas e evoluídas na América” (Andresen, 1992), numa obra de grandes dimensões terminada no limiar da 2ª Guerra Mundial. Constituindo uma ponte entre o neoclassicismo e o moderno, os jardins desenhados para Serralves, datados de julho de 1932, demarcam-se pela subtileza do detalhe e pela adequação de escalas, beneficiando das condições topográficas e climatéricas capazes de promover a diversidade de espaços e habitats que aqui se verificam. Oferecendo uma monumentalidade definida pela prática intercontinental das Beaux-Arts, em palacetes dando conta do gosto luxuoso dos seus proprietários, o Parque adota e reinterpreta o mesmo modelo, oscilando entre o espaço urbano e o rural, no aro de uma cidade ainda em expansão, permitindo a materialização de um imaginário que em outros centros urbanos, por constrangimentos espaciais, começava a escassear. Nos 35 metros de desnível do grande eixo que parte da Casa, sucedem-se um conjunto de espaços de caraterísticas formais e ecológicas distintas, onde se procura harmonizar um programa sui generis, integrando o formalismo dos jardins envolventes à Casa, os bosques que rodeiam a propriedade e o Lago romântico, e os terrenos de semeadura do Mata-Sete, numa avaliação atenta do lugar, das suas potencialidades e sinergias, numa notável adequação entre as opções de projeto e a topografia do terreno (Fig. 5). Serralves, peça notável de caráter privado, situa-se porém, na linha de fronteira de um mundo em rápida transformação, cuja escala grandiosa não se coaduna com as alterações sociais e os tempos que lhe sucedem, constituindo nos anos vindouros o grande desafio da sua gestão. Em 1953, numa conjuntura de pós-guerra, vítima da inadaptação ao progresso industrial, Carlos Alberto Cabral é forçado a vender a sua propriedade, desfazendo-se do projeto no qual hoje se reconhece como principal autor, restando-nos, desse período, o registo fotográfico encomendado pelo seu ainda proprietário, daquela que será a ultima quinta de recreio a ser construída no Porto. FCUP 12 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 3. Pressupostos teóricos e metodológicos 3.1. O arquivo do Parque de Serralves como “estudo de caso” A escassez de bibliografia referente à sistematização do arquivo de um jardim histórico, obriga a uma análise qualitativa tendo como base o “estudo de caso”. Como definido por Fidel (1992), o “estudo de caso” permite compreender o objeto em estudo e ao mesmo tempo desenvolver teorias mais genéricas a respeito do mesmo. De forma sucinta e tal com foi sistematizado por Gomez, Flores & Jimenez (1996:99), o objetivo geral de um estudo de caso é: “explorar, descrever, explicar, avaliar e/ou transformar”. Esta opção, contendo em si o grau de subjetividade inerente à visão de quem avalia, permite contudo a possibilidade de generalização dos seus pressupostos teóricos e metodológicos a outros estudos congéneres. Serralves experiencia-se! Na inovadora escala territorial, sobrepondo-se ao parcelamento da estrutura fundiária portuense; na associação ao território periurbano e regional, origem e base do seu investimento; nas aspirações sociais e culturais de vanguarda, que aqui constituem um testemunho único da 1ª metade do século XX; na linha de fronteira de um mundo em rápida transformação e das alterações sociais dos tempos que lhe sucedem; na salvaguarda da integridade de um património excecional e do seu modo de habitar exclusivo; na memória do entrosamento de espaços rurais e urbanos, naquela que se poderá designar a última quinta de recreio do Porto; na constituição de um projeto cultural de âmbito europeu com a criação do Museu de Arte Contemporânea; na gestão consciente e zelosa deste espaço, desde a compra da propriedade até à atualidade, constituindo-o como espaço referencial. Pelas suas características históricas, institucionais e administrativas, únicas no contexto português, o Parque de Serralves constitui-se deste modo como um “estudo de caso” particularmente oportuno para uma abordagem metodológica da temática em dissertação, permitindo a partir da análise do seu arquivo uma melhor compreensão das componentes de gestão que o tutelam. O Parque de Serralves é um sistema vivo, definido pela sua estrutura, funcionamento e alteração dinâmica. A estrutura define-lhe os padrões espaciais a partir da organização dos seus elementos, o funcionamento revela os fluxos de matéria ao longo de toda a estrutura, e a mudança, resulta de um equilíbrio instável, afetando estrutura e funcionamento ao longo do tempo. FCUP 13 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves De forma idêntica, o arquivo poderá ser encarado em si mesmo como um sistema que resulta numa cadeia de elementos de prova, espelhando as ações promovidas, os recursos afetos, e as funções desempenhadas pela Direção do Parque e das equipas subordinadas ao longo do tempo, enquadradas dentro da missão da própria Fundação, e em comunicação com os restantes departamentos com os quais se relaciona. Neste sentido, a complementaridade entre o sistema documentado e o sistema que documenta, torna clara a necessidade do planeamento uníssono, permitindo a definição dos conceitos que deverão reger a construção de um fundo que documente de forma efetiva e controlada a mudança: distinguindo o valor efémero e permanente da informação produzida, definindo as relações de contexto estabelecidas, antecipando as necessidades que cada documento pode assegurar. Testemunho de um processo evolutivo sempre inacabado, pretende-se a salvaguarda das fontes primárias produzidas, permitindo que o seu significado possa ser conservado e transmitido de forma estruturada. A definição da sua significância temporal através do uso de novas metodologias, capazes de ajustar a descrição e a preservação documental aos novos desafios da contemporaneidade, permite preencher a lacuna entre as necessidades de informação e a produção de novos conhecimentos, antecipando a partir do passado e informando o futuro pelas ações do presente. 3.2. Metodologia de trabalho Na prossecução dos objetivos definidos, descrimina-se seguidamente a metodologia de trabalho adotada (Figura 13), desenvolvida nos capítulos seguintes: a) Recolha de informação sobre o Parque Procura-se obter um conhecimento acerca da génese e evolução da entidade produtora de informação – o Parque de Serralves - a partir da bibliografia disponível e no que respeita ao seu caráter histórico e institucional. No âmbito da bolsa anteriormente referida, este conhecimento beneficia ainda da permanência no Parque, pela avaliação do caráter diferencial dos seus espaços e da perceção das ações de gestão desenvolvidas “in loco”, permitindo posteriormente uma compreensão mais contextualizada da documentação produzida. FCUP 14 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves b) Inventariação dos documentos associados à gestão do Parque Conhecer qual a informação que se detém, permite avaliar a infraestrutura de arquivo atual e a arquitetura associada aos dados produzidos, percecionado a sua aptidão no cumprimento do seu desígnio. Desta forma, para uma sistematização do arquivo, é necessário primeiramente conhecer o sistema que se investiga, a sua estrutura e as relações causais a serem aferidas, a partir dos documentos coligidos e armazenados. c) Conceptualização dos descritores associados à gestão do Parque O sistema de gestão pode ser quebrado em componentes, daqui resultando um arranjo hierárquico ou taxonómico, à volta da qual se desenvolvem e organizam os conceitos associados à informação produzida. A este processo damos o nome de conceptualização, permitindo a criação de um mapa de conceitos, assente em relações coerentes, simples e objetivas. A conceptualização possibilita ainda a atribuição de um mesmo significado aos descritores associados à informação produzida, de forma que os mesmos possam ser avaliados e comparados com outros similares, uma vez que a informação se encontra contextualizada. d) Sistematização dos documentos de arquivo Os descritores selecionados na fase de inventariação e hierarquizados na fase de conceptualização são nesta fase associados aos documentos de arquivo, permitindo desta forma a sua gestão e disponibilização efetiva. FCUP 15 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Figura 13 Metodologia de trabalho FCUP 16 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 4. O arquivo do Parque de Serralves - Da inventariação à sistematização 4.1. Inventariação Tal como definido anteriormente, as ações associadas à cronologia descrita encontram-se subdivididas em dois momentos distintos: Serralves enquanto espaço privado (I) e Serralves enquanto espaço aberto ao público (II). Dos antecedentes da Quinta de Serralves à venda da propriedade ao Estado Português (I), perdurou alguma informação cartográfica e fotográfica do jardim romântico e ainda o acervo legado à Fundação pelos descentes do 1º proprietário da Casa de Serralves. Este acervo - Acervo Carlos Alberto Cabral - do qual fazem parte um conjunto de requerimentos, certidões, alvarás, escrituras, correspondência (Figura 14), relatórios, apontamentos, levantamentos topográficos e cadastrais, plantas (Figura 15) e registos fotográficos (Figura 16), foi sujeito a um projeto de inventariação, digitalização e informatização, constituindo-se hoje como parte do arquivo histórico, disponível para consulta a partir do site da Fundação de Serralves. Do período compreendido entre a compra da propriedade pelo Estado e a atualidade (II), resulta um arquivo que testemunha as ações associadas à sua gestão, sintetizando a identidade do espaço enquanto Parque aberto ao público. Figura 14 Arquivo CAC - correspondência Figura 15 Arquivo CAC - planta Figura 16 Arquivo CAC - fotografia FCUP 17 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves  Levantamento completo dos documentos de arquivo associados à gestão do Parque Deste arquivo fazem parte um conjunto de documentos, na sua maioria analógicos, atestando diversos contextos e temáticas, em diferentes formatos e suportes: de textos (requerimentos, ofícios, correspondência, pareceres, publicações, minutas, relatórios, atas, memorandos), a desenhos, dados cartográficos, imagens, documentos de som e vídeo, entre outros (Figura 17 e 18). Neste processo de registo, embora sendo reconhecida a importância do arquivo pelas entidades produtoras, como é notório pela forma como os documentos se encontram coligidos e armazenados, o volume de informação associado ao compasso temporal que medeia as ações, assim como a evolução tecnológica associada ao mesmo, determinou uma organização dissonante das formas de pesquisa e acesso atuais, impedindo o seu uso de forma efetiva e eficiente. Desta forma, a diversidade de temas e formas possíveis de análise (por ações, espaços, anos…) assim como o cruzamento das mesmas, é inviável no panorama de arquivo atual, impedindo abordagens de análise mais ricas e estruturadas. Esta perceção foi reforçada pelo próprio processo de inventariação, onde se constatou que a maioria da informação se encontrava armazenada em dossiers (Figura 19), dispersos por diferentes salas e sem uma ordem cronológica, impossibilitando uma perceção sequencial das atividades promovidas e da sua contextualização na globalidade das ações de gestão. Figura 17 Arquivo do Parque - desenhos Figura 18 Arquivo do Parque – tabela Figura 19 Arquivo do Parque – dossiers de arquivo FCUP 18 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves  Criação de índices gerais com listagem de assuntos e datas extremas Cada dossier inventariado passou a estar associado a uma cota temporária (Figura 20) e a um índice, descriminando a informação neles contida e as datas extremas associadas (Figura 21). Desta forma, obteve-se uma primeira perceção das temáticas associadas à gestão do Parque, permitindo ainda a organização cronológica dos documentos de arquivo, tendo em vista a sua posterior conceptualização. A datação associada aos dossiers foi compilada em tabelas, associando-se a cada ano civil as cotas dos dossiers contendo documentos referentes a esse mesmo ano. Cumulativamente, procedeu-se ao enquadramento institucional das ações associadas à gestão do Parque (referente ao ano inventariado), pela transcrição de excertos proveniente dos relatórios e planos de atividade da Fundação de Serralves. A estas tabelas, contendo em si uma primeira organização da informação em termos institucionais e cronológicos deu-se o nome de “Fichas de Gestão do Parque” (Figura 22). 245 Figura 20 Atribuição de cotas temporárias Figura 21 Índices gerais associados aos dossiers de arquivo FCUP 19 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves  Seleção dos documentos associados à gestão do Parque com transcrições dos excertos relevantes Feita a inventariação dos dossiers e a sua datação, procedeu-se seguidamente à seleção dos documentos associados à gestão do Parque, num processo que tentou ser o mais abrangente e objetivo possível. Neste processo foram apenas excluídos os documentos duplicados, as versões preliminares e redundantes dos documentos selecionados e os documentos cujas temáticas estão sob a alçada de outra coordenação e|ou serviço, de acordo com a estrutura organizacional da Fundação de Serralves (figura 23). 245 Institucional Figura 22 Ficha de Gestão do Parque FCUP 20 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves A estrutura organizacional apresentada é a que se encontra atualmente em vigor, embora tendo sofrido alterações ao longo dos anos (desde a compra da propriedade pelo Estado até à atualidade), mantendo contudo, e na globalidade, as suas características organizativas e operacionais fundamentais. Figura 23 Organograma do funcionamento da Fundação de Serralves (Direcção do Parque) FCUP 21 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Neste sentido, e no que diz respeito aos serviços sob a alçada da Direção do Parque, foram excluídos da inventariação os documentos referentes ao Serviço Educativo e ao Serviço de Manutenção, ainda que as temáticas e atividades consideradas pelos respetivos serviços estejam obrigatoriamente refletidos na documentação associada à Gestão do Parque de Serralves. Ou seja, embora a documentação que define os eixos estruturantes destes Serviços tenha sido alvo de inventariação, os documentos operativos relacionados com os mesmos não foram considerados, devendo ser alvo de novo processo de inventariação e sistematização, para o qual será contudo determinante o presente trabalho e a conceptualização proposta.  Atribuição de metadados aos documentos Aos documentos selecionados e parcialmente transcritos - de forma a assegurar a contextualização temática dos mesmos – foram atribuídos os metadados (titulo, data, autor) considerados essenciais para a sua posterior sistematização, tal como de seguida se exemplifica (Figura 24 e 25) a partir de um documento selecionado aleatoriamente (Dossier 245). CORRESPONDENCIA - RECUPERAÇÃO DE BANCOS LOCALIZADOS NA ZONA DO LAGO (TITULO) – CLAUDIA TABORDA (AUTOR) - 18 DE ABRIL 2001 (DATA) - DOSSIER 245 (…) TRANSCRIÇÃO: “A Direcção do Parque (…) informa que a reabilitação dos bancos deve ser orientada segundo princípios gerais associados à reconstrução de estruturas ornamentais e equipamentos constituintes da paisagem histórica. Para a sua boa prossecução destes trabalhos a DP e DAF deverão antecipadamente proceder ao inventário actual e rigoroso do número de azulejos danificados, inexistentes e/ou sujeitos a remoção e substituição, acrescidos do valor de 2% para o risco de potencial destruição durante a realização dos trabalhos. A reconstrução não deverá anular as diferenças que indicam a acção do tempo sobre as matérias, pelo que não se podem aceitar trabalhos que procurem simular patina dos elementos caracterizadores do banco. (…)” Figura 24 Documento de arquivo selecionado Figura 25 Transcrição e atribuição de metadados FCUP 28 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 2.4. SENSIBILIZAÇÃO> COMEMORAÇÕES As comemorações configuram-se como ações de grande visibilidade abertas à comunidade, com a inclusão de diferentes segmentos de públicos, associando ao enquadramento lúdico a sensibilização para a arte e o ambiente. Deste descritor fazem parte documentos referentes a diferentes atividades, de que são exemplo a “ Arte Efémera na Paisagem”, a “Semana da Biodiversidade”, o “Dia do Ambiente”, a “Festa de outono”, o “Serralves em Festa”, entre outros. 2.5. SENSIBILIZAÇÃO> VOLUNTARIADO O Voluntariado resulta numa plataforma colaborativa entre a comunidade e a Fundação, assegurando a integração e participação ativa do público em ações de conservação e manutenção do património. Deste descritor faz parte a documentação reguladora das atividades desenvolvidas. 2.6. SENSIBILIZAÇÃO> TURISMO CULTURAL O Turismo Cultural tem como objetivo a sensibilização para os valores associados ao património paisagístico, no contexto português e internacional, nomeadamente na temática da paisagem classificada, parques e jardins históricos. Deste descritor faz parte a documentação logística e contextual das viagens realizadas. 3. DIVULGAÇÃO A divulgação associada à gestão do Parque tem por fim a comunicação dos modos de pensar e atuar sobre a paisagem de Serralves, seu valor patrimonial, pedagógico e institucional, disponibilizando informações relativas à salvaguarda e sensibilização do espaço, junto de públicos alargados. A divulgação encontra-se sob a tutela da Direção de Marketing e Desenvolvimento, razão pela qual a sistematização dos documentos de divulgação associado à gestão do Parque deverá ser realizado em consonância com esta Direção. Este descritor associa-se a um conjunto de documentos em diversos suportes (texto, áudio, vídeo…). FCUP 29 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Figura 28 Hierarquização dos descritores associados à gestão do Parque de Serralves FCUP 30 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 4.3. Sistematização A utilidade de qualquer método de sistematização dependerá tanto do processo de inventariação considerado, como dos pressupostos gerais feitos sobre a estrutura conceptual definida, espelhando as atividades decorrentes da gestão do Parque - suas características particulares, estrutura, elementos, subcomponentes e limites. Os parâmetros descritivos anteriormente definidos, hierarquizados por diferentes níveis, deverão nesta fase ser associados aos documentos de arquivo selecionados, permitindo desta forma um acesso eficaz e contextualizado aos mesmos. A partir do documento selecionado anteriormente (Figura 24) e dos descritores conceptualizados, exemplifica-se de seguida a sistematização proposta para o mesmo documento (Figura 29). CORRESPONDENCIA – RECUPERAÇÃO (SALVAGUARDA> FUNCIONAL> REABILITAÇÃO) DE BANCOS (SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> GRUPOS > ELEMENTOS EDIFICADOS) LOCALIZADOS NA ZONA DO LAGO (SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS > BOSQUES > BOSQUE DO LAGO) – CLAUDIA TABORDA - 18 DE ABRIL 2001DOSSIER 245 (…) A Direcção do Parque (…) informa que a reabilitação dos bancos deve ser orientada segundo princípios gerais associados à reconstrução de estruturas ornamentais e equipamentos constituintes da paisagem histórica (SALVAGUARDA> PATRIMONIAL). Para a sua boa prossecução destes trabalhos a DP e DAF deverão antecipadamente proceder ao inventário actual e rigoroso do número de azulejos danificados, inexistentes e/ou sujeitos a remoção e substituição, acrescidos do valor de 2% para o risco de potencial destruição durante a realização dos trabalhos. A reconstrução não deverá anular as diferenças que indicam a acção do tempo sobre as matérias, pelo que não se podem aceitar trabalhos que procurem simular patina dos elementos caracterizadores do banco. (…) Daqui sucede uma associação temática entre os documentos e as atividades promovidas, ao mesmo tempo que se contextualiza a informação em termos cronológicos, espaciais e institucionais, Figura 29 Atribuição dos descritores concetualizados ao documento selecionado FCUP 31 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves assegurando simultaneamente os metadados essenciais para a posterior informatização da informação. Um mesmo documento poderá conter parâmetros descritivos associados a diferentes categorias ou eixos de ação, podendo ainda pertencer simultaneamente a um espaço, sistema e/ou elemento. Não quer isto dizer que a sistematização proposta se torne redundante na forma como organiza a informação, mas antes que as formas de pesquisa são múltiplas, podendo ter um caráter mais geral ou especifico de acordo com as necessidades de quem acede à informação. Exemplificando, uma pesquisa simples por “roseiral” deverá conter em si toda a informação associada a esse mesmo espaço, da qual fará parte toda a documentação de caracterização e diagnose patrimonial, todas as peças escritas e desenhadas que registaram às várias ações de recuperação, os levantamentos fotográficos e florísticos do mesmo, as ações de educação ou formação associadas a este espaço, entre tantas outras possibilidades. Por outro lado, uma pesquisa mais direcionada, permitirá fazer uma triagem de acordo com a conceptualização anteriormente definida e hierarquizada, daí resultando uma maior aproximação à informação específica associada ao mesmo espaço. Pretende-se desta forma criar uma plataforma de informação contextualizada e acessível, capaz de servir tanto a entidade produtora como a comunidade com a qual se relaciona, promovendo simultaneamente uma cidadania mais informada, assente em relações de maior transparência e abertura. Os descritores definidos poderão ainda ser alvo de alteração a longo prazo, permitindo a sua migração dentro da estrutura sempre que se justifique. Procura-se desta forma uma leitura integral das ações promovidas e dos conceitos que ao longo do tempo suportaram as mesmas, assegurando não apenas as linhas estratégicas que norteiam as ações desenvolvidas como os documentos que as registam. FCUP 32 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 5. Conclusões e recomendações 5.1. Novos paradigmas: a gestão documental e a curadoria digital Enquanto a conceptualização está diretamente relacionada com a organização dos descritores inerentes ao arquivo, a sistematização refere-se à associação dos descritores selecionados com os conteúdos arquivados, garantindo a integridade, inteligibilidade e acesso continuado à informação produzida. Porém, o crescente volume de documentos eletrónicos aumenta a preocupação sobre a gestão do arquivo, obrigando a repensar os conceitos associados à sua estrutura funcional e organizacional. Desta forma, procura-se a sua adaptação aos novos desafios lançados pela crescente complexidade tecnológica, sem por em causa as normas arquivísticas que asseguram a sua preservação. A gestão documental é assim entendida como o campo responsável por um controlo eficiente e sistemático do fundo documental ao longo de todo o seu ciclo de vida, permitindo que a informação seja classificada e contextualizada, e a relação entre documentos facilmente detetável e verificável. Pressupõe desta forma, a automatização dos fluxos de trabalho, a partir do mapeamento das funções associadas à estrutura do sistema, permitindo que os diversos intervenientes identifiquem o seu lugar no processo. As tecnologias de informação são atualmente o principal suporte para a produção, processamento e armazenamento de informação, estando as atividades organizacionais, a diferentes escalas, dependentes de sistemas intermediários compostos por softwares e hardwares. O aumento massificado dos dados digitais e da sua complexidade, a par com a crescente instituição da WEB como plataforma de aproximação à comunidade, levaram à emergência de um novo conceito de gestão dos dados digitais – a curadoria digital. A curadoria apresenta uma longa história associada às instituições culturais, determinando pelos seus critérios exclusivos narrativas de aproximação às obras, comunicando mensagens e provocando reações. De igual forma, a curadoria digital poderá informar novas medidas para a partilha de dados online, principalmente quando a questão se coloca na partilha de conteúdos, certificando a integridade dos mesmos e operacionalizando a sua continuidade semântica. Se durante muito tempo considerámos os dados digitais como efémeros, existem hoje sites crescentemente posicionados como verdadeiras instituições de partilha de conteúdos, fazendo a sua FCUP 33 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves gestão de acordo com a missão definida, oferecendo perspetivas únicas e inovadoras - coletando, preservando e comunicando informação através da curadoria digital. Pela seleção de conteúdos temporários e permanentes (conteúdos que, pelas qualidades intrínsecas, mantêm a sua relevância), a curadoria digital tem como função equilibrar de forma efetiva os fatores espaço-temporais, criando estruturas vivas em ligação permanente à comunidade. Para a sua implementação, tal como referido anteriormente, é fundamental definir a taxonomia e os descritores mais apropriados à estrutura da sua plataforma de comunicação (descritores padronizados associados aos conteúdos disponibilizados), permitindo que o conteúdo possa ser facilmente pesquisável, assim como a monitorização do tráfego dentro da plataforma. Desta forma poder-se-á alocar os recursos de investigação nas áreas mais pesquisadas, garantindo aos usuários conteúdos efetivos e coesos, tarefa para a qual será determinante a conceptualização e sistematização prévia do arquivo, tal como proposto anteriormente. A sistematização da informação deverá desta forma ser vista num cenário de articulação com os sistema da informação a implementar, permitindo a partir da informação lexical, estrutural e semântica determinada, constituir-se como uma plataforma ativa e dinâmica, fazendo da informação uma plataforma para o conhecimento, maximizando o desempenho da organização na prossecução da sua missão. 5.2. O Parque de Serralves como observatório de paisagem Na sua generalidade a sistematização proposta resulta de um “estudo de caso”, podendo a metodologia definida ser contudo aplicada a outros casos de características congéneres, não apenas referentes a jardins históricos, mas a espaços de paisagem sujeitos a uma ação continuada de gestão. A paisagem, no seu sentido lato e nas especificidades anteriormente definidas para Serralves, constitui-se como âmago do fundo documental do Parque. Porém, o reconhecimento do conceito como campo transdisciplinar, envolvendo componentes objetivas e subjetivas capazes de assegurar uma abordagem mais integrada, não se esgota no arquivo constituído e na sistematização proposta. Partindo da Convenção Europeia da Paisagem de 2001, transcrita para a normativa Portuguesa em 2005 (Decreto nº 4/2005, de 14 de fevereiro), “paisagem” é vista como produção cultural, designando “uma parte do território, tal como é apreendida pelas populações”. Porém, percecionar não significa conhecer! FCUP 34 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Define ainda a referida convenção, que a proteção, planeamento e gestão efetiva da paisagem, exige uma observação permanente, defendendo a criação de observatórios, que funcionem como plataformas que permitam a aferição de uma série de indicadores para a recolha e troca de informações sobre as práticas implementadas e o conhecimento daí resultante. Estes observatórios poderiam ser independentes ou constituir-se como parte de um sistema de observação mais amplo. A sistematização do fundo documental, a par com a curadoria digital, poderá desta forma permitir a operacionalização e a materialização desta plataforma de conhecimento, fazendo do Parque de Serralves um espaço de experimentação e transmissão de conhecimento, pela justaposição de domínios e disciplinas A constituição desta plataforma, procurará dar continuidade à linha programática definida nas linhas estratégicas da Fundação, na área do ambiente, ecologia e paisagem, sem esquecer o enquadramento do espaço em que se insere, associando-se desta forma à arte contemporânea, enquanto forma de expressão subjetiva e dinâmica. A análise da paisagem não poderá ser vista apenas do ponto de vista teórico mas igualmente experimental, não apenas nas suas valências físicas mas na sua perceção mental, não apenas nos seus conteúdos como na sua comunicação inovadora e intelectualmente estimulante. A constituição do Parque como observatório permitirá uma real e consequente operacionalização do fundo documental a partir dos conceitos e da metodologia abordada anteriormente, contribuindo de forma mais sistematizada e fundamentada para a compreensão da paisagem e dos desafios inerentes à sua gestão. FCUP 35 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 6. 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FCUP 7 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves desaparecido, constitui-se como uma pequena clareira, em que se destaca o cromatismo dos seus canteiros e a ambiência conferida pela estrutura arbórea e arbustiva envolvente. 1.3.1.1.7 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDINS DA CASA> JARDIM DAS CAMÉLIAS O Jardim das Camélias, ocupando parte do antigo jardim do século XIX, é integrado no projeto de Jacques Gréber como continuação do Arboreto contíguo, com o qual partilha alguns dos exemplares arbóreos de caráter notável. O espaço vai sendo progressivamente plantado com camélias em sebe talhada, o que acabou por definir a sua ambiência e escala e estrutura. 1.3.1.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> BOSQUES A heterogeneidade da paisagem de Serralves, feita do entrosamento de espaços geométricos e orgânicos, tem nos bosques o seu gradiente de transição, diluindo fronteiras, moderando topografias e amenizando a relação do espaço com a sua envolvente. Pelo seu caráter mais espontâneo e menos artificializado, contribuem de forma significativa para a manutenção da diversidade ecossistémica, numa progressiva adaptação do elenco florístico às condicionantes biofísicas de suporte, a que se somam outras de caráter funcional e estrutural, determinando as formas de utilização dos espaços e daí advindo as diretrizes para a sua gestão e manutenção. 1.3.1.2.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> BOSQUES> ARBORETO Resultante do gosto pelo colecionismo que se fazia sentir na cidade desde meados do século XIX, constitui-se como parte da memória remanescente do antigo jardim romântico. O projeto de Jacques Gréber integra este espaço, organizando a sua diversidade florística num bosque de caráter exótico, razão pela qual se define como arboreto. 1.3.1.2.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> BOSQUES> BOSQUE DE FAIAS Sem afirmar uma cobertura contínua, na comunicação de pequenas clareiras e espaços de arborização esparsa, o Bosque das Faias é maioritariamente formado por espécies caducifólias, destacando-se os notáveis exemplares desta espécie. FCUP 8 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 1.3.1.2.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> BOSQUES> BOSQUE DO LAGO Um dos espaços primitivos da Quinta do Lordelo integrado no plano de Jacques Gréber, o Lago e o bosque na sua envolvência, constituem-se como uma unidade de grande caráter cénico, onde a vegetação, pela associação de espécies autóctones e exóticas, permite a sua individualização na estrutura arbórea do Parque. Encaixado a meia encosta, constitui-se como uma reminiscência do período romântico, de que dão conta, o recurso às formas naturalistas que definem o desenho orgânico do próprio Lago, a ilha, central ao espaço, e o próprio grotto associado ao embarcadouro, numa prática bastante comum nos jardins Portuenses no início do século passado. 1.3.1.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE A gestão desta unidade de paisagem concentra especificidades próprias, pela conjugação de ecossistemas distintos, num mosaico único associado ao mundo rural. 1.3.1.3.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE> CAMPOS Constituindo-se como um dos últimos redutos agrícolas no espaço urbano do Porto, os campos asseguram o conhecimento associado às práticas regionais, assim como o património genético que lhe está associado, nomeadamente pela introdução de espécies protegidas de caráter autóctone. 1.3.1.3.1.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE> PRADO GRANDE Este espaço de grandes dimensões serve de pasto para os animais presente no Mata-Sete, rececionando as águas que afluem das cotas mais elevadas, constituindo-se parcialmente como lameiro. 1.3.1.3.1.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE> PRADO DAS ABELHAS O Prado das Abelhas resulta de um prado em proximidade a um conjunto de espécies melíferas, maioritariamente presentes no Jardim das Aromáticas. 1.3.1.3.1.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE> HORTAS PEDAGÓGICAS As hortas pedagógicas permitem o envolvimento da comunidade em atividades de educação ambiental, particularmente através da participação de escolas e grupos de crianças, fomentando o conhecimento através da experiência e da observação. FCUP 9 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 1.3.1.3.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> MATA-SETE> MATA A Mata promove a regeneração do coberto vegetal e em particular do carvalhal associado à mata atlântica, controlando a erosão dos taludes e potenciando as suas características termorreguladoras. 1.3.1.4 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA O Jardim do Museu de Arte Contemporânea constitui-se como um espaço de grande valor estético e ecológico, com recurso a associações florísticas típicas do norte de Portugal, em clareiras rodeadas por sebes e bosquetes naturalizados, dialogando de forma permeável com a sua envolvente. 1.3.1.4.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA> CLAREIRA DAS BÉTULAS A Clareira das Bétulas, a norte, formaliza a entrada no Museu, num amplo relvado ligando ao percurso periférico constituído por uma orla caducifólia. 1.3.1.4.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA> CLAREIRA DOS TEIXOS A Clareira dos Teixos, enquadrada por maciços arbustivos de desenho orgânico, é constituída por um relvado do qual se perspetiva todo o edifício do Museu, pontuado por teixos colunares, sugerindo a transição entre espaços de caraterísticas formais e temporais distintas. 1.3.1.4.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA> CLAREIRA DAS AZINHEIRAS Clareira das Azinheiras é definida por um prado pontuado por maciços arbóreos, enquadrado por bosquetes de bétulas e sebes densas de caráter autóctone. 1.3.1.4.4 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA> PÁTIO DO ULMEIRO FCUP 10 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves O Pátio do Ulmeiro resulta da articulação dos dois braços que definem o Museu, permitindo ainda a diluição de limites e a transição do jardim para a mata. 1.3.1.5 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ESPAÇOS> JARDIM DAS AROMÁTICAS Localizado na folha agrícola poente, o Jardim das Aromáticas apresenta um traçado orgânico resultante da própria topografia do terreno, com uma série de canteiros distribuídos radialmente a partir da estufa, onde se conjugam arbustos e herbáceas de caraterísticas aromáticas, medicinais e de uso culinário distintas, de grande valor pedagógico. 1.3.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS O reconhecimento da interdependência entre os espaços e os sistemas que os atravessam é determinante para a salvaguarda estrutural do Parque. Neste sentido, descriminam-se seguidamente os diferentes sistemas considerados, responsáveis pelo funcionamento e equilíbrio dos espaços. 1.3.2.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> RELEVO O relevo determina a altimetria, declives e exposições do espaço, impondo restrições de ordem natural que definem a complexidade espacial e a diversidade de ambiências presentes no Parque. Ao longo dos 35 metros de desnível poder-se-á considerar sucintamente três zonas distintas: a parte superior, definida pela estrutura formal associada à casa, num conjunto de patamares de declive suave com uma exposição predominante a sul; a zona de transição, de declive abrupto e exposição variável, marcada pela definição de uma bacia secundária ocupada pelo lago romântico; e a zona mais baixa da propriedade, maioritariamente exposta a nascente, apresentando um relevo pouco pronunciado. Deste descritor fazem parte um conjunto de levantamentos topográficos, estudos geotécnicos, plantas de modelação de terreno, entre outros. 1.3.2.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> ÁGUA A água constitui-se como um sistema transversal a todo o espaço do Parque, definindo atributos de ordem biológica, cénica e compositiva, na transição de diferentes espaços. FCUP 11 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves Deste sistema fazem parte estruturas de captação, armazenamento e distribuição, assim como um conjunto de elementos com função meramente lúdica, no qual se incluem os jogos de água e o lago. 1.3.2.2.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> ÁGUA> DRENAGEM O sistema é definido pelas suas características de condução e de recolha, estando dependente dos percursos definidos e do relevo associado, controlando as escorrências superficiais, os arrastamentos de solo e a estabilidade das encostas. A drenagem das águas pluviais, num sistema constituído por uma rede de valetas, sumidouros e coletores, é conduzida para o abastecimento das minas, lago, tanques, ou por escorrência e descarga na zona do lameiro (Prado Grande). Deste descritor fazem parte documentos referentes a ações de desentupimento, desassoreamento e limpeza de coletores, caixas de inspeção e sarjetas, estudos e projetos que visam a melhoria das estruturas associadas ao sistema de saneamento, entre outros. 1.3.2.2.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> ÁGUA> REGA Este tópico relaciona-se com as disponibilidades hídricas existentes no Parque, tendo em conta uma manutenção hidrologicamente sustentada. Neste processo é determinante a capacidade de captação e disponibilização de água a partir das estruturas de armazenamento existentes, sendo o Parque atualmente regado a partir de uma rede primária, alimentada por um conjunto de minas, poços e um tanque de armazenamento. Deste descritor fazem parte um conjunto de pareceres, estudos e projetos, referentes à rede primária e secundária, consumos diários, ampliações de rede, setores de rega e origens da água, medição de caudais, entre outros. 1.3.2.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> PERCURSOS A rede de percursos assegura e hierarquiza o acesso às diferentes zonas do Parque, estando intimamente associada aos espaços que atravessa, determinando o tipo de pavimentação, de acordo com a capacidade de carga e a manutenção prevista. Este descritor associa-se às peças escritas e desenhadas relativos às obras de pavimentação e acessibilidades. FCUP 12 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 1.3.2.4 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> SISTEMAS> VEGETAÇÃO Reconhecido pela diversidade do seu património arbóreo e arbustivo, o Parque de Serralves é composto por um notável património florístico do qual fazem parte espécies autóctones raras e emblemáticas da flora portuguesa, assim como exemplares de flora exótica ornamental de dimensões e portes excecionais. Para além destes, fazem ainda parte outros grupos não menos relevante em termos ecológicos, caso dos musgos, fetos, herbáceas, e ainda importantes comunidades de líquenes e cogumelos. Na salvaguarda deste sistema estrutural são determinantes as ações de manutenção implementadas, num conjunto de tarefas calendarizadas de acordo com as características formais dos espaços. Destaque para o serviço de arboricultura, responsável pelo equilíbrio estético, fisiológico e sanitário da estrutura arbórea do Parque. Este descritor associa-se às ações de recuperação e introdução de novas espécies, diagnósticos fitossanitários, ações de arboricultura, levantamentos de vegetação, planos de plantação de árvores, arbustos e revestimentos de solo, identificação de espécies botânicas, entre outros. 1.3.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ELEMENTOS Deste tópico fazem parte um conjunto de elementos edificados e construídos dispersos pelos diferentes espaços. 1.3.3.1 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ELEMENTOS> ELEMENTOS EDIFICADOS Estes elementos de caráter permanente pontuam diferentes espaços e sistemas, podendo ter cariz patrimonial, constituindo-se como reminiscências do antigo jardim romântico da Quinta do Lordelo, ou parte do projeto de Jacques Gréber. Deste descritor fazem parte os documentos referentes às pérgulas, muros, arcos, treliças, portões, minas, fontes, tanques, lago, casa de chá, ancoradouro, casa de fresco, estufas, entre outros. 1.3.3.2 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ELEMENTOS> MOBILIARIO E EQUIPAMENTO O mobiliário e equipamento do Parque posicionam-se de acordo com as funções e programas estabelecidos para os diferentes espaços do Parque, podendo ter caráter permanente ou temporário. Deste descritor fazem parte os documentos referentes aos bancos, bebedouros, sinalética, entre outros. FCUP 13 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves 1.3.3.3 SALVAGUARDA> ESTRUTURAL> ELEMENTOS> OBRAS DE ARTE Expostas de forma efémera ou permanente, encontramos um conjunto de esculturas dispersas por todo o Parque, reforçando o paradigma em que se alicerça a Fundação: arte e natureza. Deste descritor fazem parte os documentos referentes às instalações efémeras e permanentes dispostas por todo o espaço do Parque. 1.4 SALVAGUARDA> URBANÍSTICA A salvaguarda urbanística está relacionada com os aspetos referentes à envolvente imediata do espaço do Parque, definindo perímetros de proteção paisagística e arquitetónica que estiveram na origem da classificação da propriedade como Imóvel de Interesse Público, em 1996, e da sua reclassificação como Monumento Nacional, em 2012. Deste descritor fazem parte um conjunto de estudos, planos, zonamentos e pareceres, analisando a absorção e sensibilidade visual do espaço, os níveis de proteção paisagística, as servidões administrativas e as disposições gerais sobre a edificação urbana na envolvente do Parque. 1.5 SALVAGUARDA> AMBIENTAL Esta categoria resulta da implementação de um sistema de gestão ambiental que cumpre os requisitos do Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria, de forma a melhorar o desempenho da Fundação nesta área, aumentando a eficiência na utilização dos recursos, de prevenção da poluição e controlo dos impactes ambientais decorrentes da sua atividade. A salvaguarda ambiental encontra-se atualmente sob a tutela da Direção de Recursos e Projetos Especiais, motivo pelo qual a sistematização do seu arquivo deverá ser considerada em parceria com esta Direção. Deste descritor fazem parte um conjunto de protocolos, notas técnicas, pareceres, entre outros documentos, incidindo sobre as diversas componentes ambientais. 1.6 SALVAGUARDA> ECOSSISTÉMICA A inventariação dos valores naturais permite a salvaguarda dos mesmos, clarificando a sua relevância no equilíbrio biológico do ecossistema onde se inserem, dentro e fora dos limites do Parque, aprofundando o conhecimento acerca das comunidades presentes e detetando flutuações tanto ao nível espacial como temporal. Esta informação permite estabelecer paralelismos com outras FCUP 14 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves populações estudadas, possibilitando comparações entre ambientes urbanos, rurais e naturais, tanto ao nível fenológico como relativamente aos fatores ambientais intervenientes. Este descritor está associado a um conjunto de estudos e dissertações, desenvolvidos no âmbito de licenciatura e mestrado, e ainda de projetos de investigação resultantes da colaboração da Fundação com diversas entidades dedicadas ao estudo da paisagem e da biodiversidade. 2. SENSIBILIZAÇÃO A sensibilização resulta da articulação da gestão do Parque com o Serviço Educativo, e tem por fim a consciencialização da comunidade para o património notável que constitui o Parque de Serralves, espaço de aprendizagens e de experimentação, investigação e reflexão, na complementaridade da dicotomia em que se funda: Arte e Natureza. 2.7. SENSIBILIZAÇÃO> EDUCAÇAO A educação, enquanto eixo estruturante do eixo “Sensibilização” é assegurada pelo Serviço Educativo da Fundação de Serralves, devendo por este motivo ser sistematizada em articulação com o mesmo, transcrevendo-se de seguida um excerto que procura enquadrar a sua ação dentro da gestão do Parque de Serralves: "O Serviço Educativo da Fundação de Serralves apresenta uma programação dirigida a toda a comunidade no âmbito da Arte, da Arquitetura e do Ambiente. São frequentes e relevantes os projetos realizados em parceria com escolas, desde o ensino pré-escolar ao secundário, bem como as colaborações com universidades, associações e outras instituições nacionais e internacionais para a criação de novas formas de participação cultural. Informar, inovar, surpreender, provocar, criar e partilhar são objetivos presentes nas atividades promovidas na programação apresentada. Serralves enquanto espaço aberto à imaginação, à reflexão e ao debate privilegia o pensamento crítico e criativo na aproximação à cultura contemporânea na perspetiva de uma cidadania consciente e plena" (Alves, 2012). Deste descritor fazem parte um conjunto de documentos referentes às ações desenvolvidas (visitas, oficinas, projetos com escolas, entre outros), sua planificação e operacionalização. 2.8. SENSIBILIZAÇÃO> FORMAÇÃO A formação constitui-se como um meio de qualificação da comunidade, em temáticas transversais associadas às práticas artísticas, paisagísticas e ambientais, promovendo uma cidadania de FCUP 15 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves participação baseada no conhecimento. Este descritor encontra-se subdivido em duas categorias: cursos e estágios, reunindo a informação produzida no âmbito das ações desenvolvidas. 2.9. SENSIBILIZAÇÃO> REFLEXÃO CRÍTICA A reflexão crítica é um dos eixos estruturantes da sensibilização, e incide sob as várias temáticas associadas à gestão do Parque. Deste eixo fazem parte as conversas, debates, conferências, colóquios, seminários e exposições promovidas, particularmente as relacionadas com o ambiente, ecologia e paisagem. Deste descritor fazem parte um conjunto de documentos em diversos suportes, resultantes de conversas, debates, conferências, colóquios, seminários e exposições. 2.10. SENSIBILIZAÇÃO> COMEMORAÇÕES As comemorações configuram-se como ações de grande visibilidade abertas à comunidade, com a inclusão de diferentes segmentos de públicos, associando ao enquadramento lúdico a sensibilização para a arte e o ambiente. Deste descritor fazem parte documentos referentes a diferentes atividades, de que são exemplo a “ Arte Efémera na Paisagem”, a “Semana da Biodiversidade”, o “Dia do Ambiente”, a “Festa de outono”, o “Serralves em Festa”, entre outros. 2.11. SENSIBILIZAÇÃO> VOLUNTARIADO O Voluntariado resulta numa plataforma colaborativa entre a comunidade e a Fundação, assegurando a integração e participação ativa do público em ações de conservação e manutenção do património. Deste descritor faz parte a documentação reguladora das atividades desenvolvidas. 2.12. SENSIBILIZAÇÃO> TURISMO CULTURAL O Turismo Cultural tem como objetivo a sensibilização para os valores associados ao património paisagístico, no contexto português e internacional, nomeadamente na temática da paisagem classificada, parques e jardins históricos. Deste descritor faz parte a documentação logística e contextual das viagens realizadas. 3. DIVULGAÇÃO FCUP 16 Contributos para a sistematização do arquivo do Parque de Serralves A divulgação associada à gestão do Parque tem por fim a comunicação dos modos de pensar e atuar sobre a paisagem de Serralves, seu valor patrimonial, pedagógico e institucional, disponibilizando informações relativas à salvaguarda e sensibilização do espaço, junto de públicos alargados. A divulgação encontra-se sob a tutela da Direção de Marketing e Desenvolvimento, razão pela qual a sistematização dos documentos de divulgação associado à gestão do Parque deverá ser realizado em consonância com esta Direção. Este descritor associa-se a um conjunto de doumentos em diversos suportes (texto, áudio, vídeo…).