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Paulo Orósio, presbítero bracarense, criador do estudo da geografia e da história na Idade Média

Cortesão, Armando

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AGRUPAMENTO DE ESTUDOS DE CARTOGRAFIA ANTIGA XVII SECÇÃO DE COIMBRA PAULO ORÓSIO, PRESBÍTERO BRACARENSE, CRIADOR DO ESTUDO DA GEOGRAFIA E DA HISTÓRIA NA IDADE MÉDIA po ARMANDO CORTESÃO JUNTA DE INVESTIGAÇÃO DO ULTRAMAR LISBOA • 1966 Sepa a a de MEMÓRIAS DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA-CLASSE DE CIÊNCIAS, Tomo X (1966) Paulo O ósio, p esbí e o b aca ense, c iado do es udo da geog a ia e da his ó ia na Idade Média Quando há uns meses em con e sa com o P o esso Amo im Fe - ei a lhe alei do p esbí e o b aca ense Paulo O ósio, que em p incípio do século V, a pedido de San o Agos inho, esc e eu uma his ó ia uni- e sal e geog a ia do mundo en ão conhecido, assun o que inha em es udo, o nosso Ilus e P esiden e logo me emp azou pa a sob e esse ema aze a p esen e comunicação à nossa Academia. Con ém ac escen a que, po incumbência da Jun a de In es i- gações do Ul ama , es ou a esc e e um as o abalho sob e His ó- ia da Ca og a ia Po uguesa, pa a se publicado — Deo a en e, is o é, se consegui i e ainda empo bas an e pa a o pode conclui — em dois olumes em po uguês e ou os dois numa edição pa alela em inglês. A his ó ia da ca og a ia po uguesa a é ins do século XVII já es á de ce o modo ei a nos meus dois olumes sob e Ca og a ia e Ca óg a os Po ugueses dos Séculos XV e XVI, publicados em 1935, nos seis olumes de Po ugalia e Monumen a Ca og aphica, p epa ados po mim e pelo nosso dis in o con ade Comandan e A elino Teixei a da Mo a pa a as Comemo ações do Quin o Cen ená io da Mo e do In an e D. Hen ique em 1960, no meu li inho Ca og a ia Po uguesa An iga, publicado na mesma ocasião, e num ou ou o abalho de âm- bi o mais es i o. O que impo a ago a es uda , em elação com a his- ó ia da ca og a ia, ma inha ia e descob imen os; po ugueses, é o es ado em que se encon a am os conhecimen os de cosmog a ia, geo- g a ia, na egação e ca og a ia quando Po ugal en ou em cena, o mais a da nas p imei as décadas do século XIV. Pa a al se pode le a a cabo é indispensá el, a meu e , aça um quad o ge al, ainda MEMÓRIAS DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS que a la gos aços, de como esses conhecimen os e oluí am desde os empos clássicos, em que b ilha am E a ós enes, Hipa co, Posidónio, Ma ino de Ti o e, acima de odos, P olomeu, seguidos do eclipse da Baixa Idade Média, a é o apa ecimen o súbi o da ca a po ulano no século XIH, que oi o undamen o da ca og a ia mode na, incluindo a po uguesa de qua ocen os e de quinhen os. Já p a icamen e concluí esse amplo es udo, que me em ocupado du an e alguns anos e azido su p esas. Uma delas espei a à impo ância, a é aqui insuspei ada, ou pelo menos não de idamen e salien ada, que a pa i do século V o p esbí e o b aca ense Paulo O ósio e e na cul u a medie al, sob e- udo e pelo que mais me in e essa, quan o ao es udo da geog a ia e da his ó ia. De o desde já salien a que, po conseguin e, ele ocupa um luga p oeminen e na his ó ia da ciência. Um dos amplos capí ulos —que al ez an es se de essem chama «Li os» — do meu abalho in i ula-se «Roma, a Baixa Idade Média, a Idade Média Cen al, e a Ca a Po ulano», e di ide-se em qua o pa es: «Ca og a ia Romana», «Na Baixa Idade Média», «De Ca los Magno a S. F ancisco de Assis», e «A ca a po ulano medi e ânea», que po seu u no se subdi idem em in e e duas secções, algumas delas ainda epa idas po á ias subsecções. É numa dessas secções que me ocupo, um pouco mais desen ol idamen e, de Paulo O ósio. O que ou dize é, pois, como que b e e sín ese do que nesse luga já esc e i. Na u al de B aga, Paulo O ósio oi o p imei o his o iado e geó- g a o do Ociden e c is ão e a sua in luência na geog a ia e ca og a ia medie ais oi na e dade mui o g ande — ac o a que nós po ugueses não podemos se indi e en es. B aga oi semp e um cen o impo an e de cul u a eclesiás ica onde, além de O ósio, b ilha am o eólogo A i o, Sano i A i i, p esby e i B aca ensis, que ambém de lá e a na u al, S. Ma inho de Dume, Bea us Ma inusi B aea ensis Episcopi, e mui os ou os eólogos e ilóso os c is ãos (x). Embo a nes es úl imos séculos enha ha ido mui a discussão quan o à e a na al de O ósio, sob e udo pelos que a i mam e ele C) Vide Má io Ma ins, S. J., Co en es da Filoso ia Religiosa em B aga dos séculos IV a VII. Po o 1950. 2 CLASSE DE CIÊNCIAS nascido em Ta agona, na Ca alunha, pouca dú ida pode ha e de que e a na u al de B aga. Semp e em sido essa a opinião da maio pa e dos au o es mesmo espanhóis que do assun o se êm ocupado, ais como o Ma quês de Mondèja e o seu con empo âneo Nicolau An ónio, já no século XVII, e o Pad e Hen ique Flo ez no século seguin e, o qual no Vol. XV da sua g ande ob a Espana Sag ada, in i ulado «D e Ia P o- íncia An igua de Galieia en comun y de su Me opoli, Ia Iglesia de B aga en pa icula », depois de la gamen e discu i o p oblema e ao e e i -se a «B aga, Capi al en onces de Galicia», diz em conclusão: «Es a es Ia que en e odos los Pueblos de Galicia y Lusi ânia debe deci se Pá ia de O osio, como Ia ue dei A i o que le en ego Ias Reli- quias de S. Es e an. ... Y si i ia y salió de B aga, no podemos sena- la le o a Pá ia en oda Ia cos a occiden al». De ac o San o Agos- inho esc e eu numa das suas ca as: «Occasionem quippe cujusdam sanc issimi e s udiosissimi ju enis, P esby e i Oa osij, qui ad nos ab ul ima Hispania, id es , ab Oceani li o e, solo sanc a um Sc ip u a um a do e in lama us ad eni , ami e e nolui; e c». Pa ece-me que es e «li o al oceânico da úl ima Hispania» di icilmen e se pode ia e e i à Ca alunha. Da mesma opinião oi Ba bosa Machado, assim como, mais ecen emen e, Ramón Menendez Pidal na In oduc ion ao Vol. II da sua His o ia ãe Espana, publicado em 1935. ® ambém de ci a a opinião de G. Fi ik, que num abalho ainda mais ecen e — Reche ches bibliog aphiques su Paul O ose (2) diz: «O ose né à B aga à Ia in du IV siècle, u sans con es e, l'un des his o iens p e e es du Moyen-Age e de Ia Renaissance: émoins ces quelques cinq cen s manusc i s e aussi ce jugemen de Dan e que le compa e à Ti e-Li e. ...De nos jou s seuls quelques é udi s connaissen O ose. II demeu e pou an une ês g ande igu e; son oeu e, celle d'un ês g and his o ien». Não obs an e, alguns au o es po ugueses que, em ez de es u- da em o assun o, comodamen e se cingem às in o mações de á ias enciclopédias, as quais não a o pouco mais ão além de se epe i em umas às ou as, con inua am a a i ma que Paulo O ósio nasceu em Ta agona. Eíxemplo ípico é o que se lê numa mui o olumosa enci- clopédia po uguesa, publicada há poucos anos, onde se in o ma que (2) In Re is a de A chi os, Biblio ecas y Museos, LVIU, 271-322, Mad id 1925. 3 MEMÓRIAS DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS «o p esbí e o b aca ense nasceu ce ca de 390 em Ta agona (Ca a- lunha) e mo eu depois de 431», sem aliás dize em que se baseiam an o es as como ou as a i mações con idas nas poucas linhas ao assun o dedicadas. Tem-se ge almen e acei e que O ósio nasceu en e 380 e 390, mas con o me o D . Edua do Bo ges Nunes mos a (3), ele de e e nascido c. 383. O ósio e a um jo em p esbí e o quando em 411 a Península Ibé- ica oi in adida pelos Vândalos, A-lanos e Sue os, endo-se es es em b e e es abelecido na Gallaecia, de que B aga e a en ão a cidade capi- al, e po meados do século ha iam ocupado oda a Lusi ânia. O ósio decidiu ugi aos bá ba os e di igiu-se a Hippo Régio, na ac ual Tuní- sia, a aído pela ama do g ande San o Agos inho que, com S. Je ó- nimo, e am en ão as igu as mais eminen es da Ig eja, num momen o de g ande con usão e discussão eológicas, que coincidiu com as in a- sões dos bá ba os e o declínio e queda do Impé io Romano, após o saque de Roma pelos Godos em 410. Na e dade ha ia-se desen ol ido en ão uma das maio es c ises eológicas na his ó ia da Ig eja, po causa das dou inas p oclamadas po O igenes, eólogo b ilhan e e cujos nu- me osos esc i os i e am g ande in luência, e em especial po P isci- liano ( 385), ou o eólogo, que nasceu na Gallaecia ou na Lusi ânia e eio a se Bispo de Á ila, a cuja in luência O ósio não escapou. S .0 Agos inho, que en ão já ha ia começado a esc e e a céleb e De ci i a e Dei, mui o ap eciou o jo em b aca ense mas p e eniu-o con a as «he esias» de O igenes e P isciliano, pedindo-lhe pa a esc e- e uma «his ó ia uni e sal c is ã» com o objec i o p incipal de demons a que os e os e maldade con empo âneos de modo algum e am de idos ao C is ianismo. San o Agos inho não inha empo pa a esc e e sob e al assun o his ó ico, e o li o suge ido a O ósio se ia como que um complemen o à sua p óp ia magnum apus. (3) Paulo O ósio JB aca ense (seu alo ilosó ico, eológico e li e á io). Es e impo an e abalho, a se publicado b e emen e mas que po gen ileza do seu au o eu i e o p i ilégio de le no o iginal, aliás quando o meu capí ulo já es a a esc i o, ocupa-se desen ol idamen e do p oblema da na u alidade de O ósio, das suas elações com San o Agos inho, e dos aspec os eológicos e ilosó icos da sua in e enção nas discussões sob e as dou inas de O igenes, P isciliano e Pelágio, com. ansc ição e adução dos ex os la inos ele an es, assim como abundan e bibliog a ia. 4 CLASSE DE CIÊNCIAS 5 Mas p imei amen e en iou-o à Pales ina nesse mesmo ano de 415 com ca as pa a S. Je ónimo, que O ósio oi encon a em Be lém e a cuja in luência in elec ual não oi indi e en e. A ca a de S .0 Agos i- nho em que ap esen a a O ósio a S. Je ónimo, começa a: «Eis que um jo em eligioso eio a é mim, um i mão na paz ca ólica, em idade podia se meu ilho, em hon a um p esbí e o como nós, O ósio, de espí i o i o, pala a ácil, es udioso apaixonado, que deseja se um aso ú il na casa do Senho , pa a e u a aquelas dou inas alsas e pe niciosas, com que as almas na Hispania êm so ido mais do que os seus co pos pela espada dos bá ba os. E assim desde a cos a do Oceano ele dep essa eio a é nós, a aído pela ama de que de mim pode ia ap ende udo o que desejasse sabe . E não eio em ão: p imei o, pa a não es a ão ce o da minha ama; segundo po que lhe ensinei udo o que pude, e o que não pude disse-lhe aonde i , e aconselhei-o a i e con osco. ... Quando pois obse ei bem es e jo em, não pude du ida de que e a aquele mesmo que eu pedi a ao Senho me en iasse». São es as as mais no á eis in o mações que emos sob e a pe sonalidade de O ósio. Enquan o es e e na Pales ina omou ele pa e nas calo osas dis- cussões com o eólogo Pelágio, o iundo das ilhas b i ânicas, o qual an es ha ia isi ado S .0 Agos inho. E assim oi que na sua ca a a S. Je ónimo e ig égio au o de A cidade de Deus o punha de sob ea iso con a o «pelagianismo»; como es e p ega a o li e a bí io, sem a in e enção da g aça di ina, o âmago da ques ão es a a em sabe o que é que a Ig eja en endia po g aça, e a é que pon o o homem dela dependia, e c, e c. O caso é que du an e ês ou qua o anos Pelágio inha i ido paci icamen e na Pales ina a é a chegada de O ósio, o qual o a acou iolen amen e e causou g ande e e escência en e os eólogos na Te a San a. Aí encon ou O ósio o seu con e âneo A i o, ou o yy esby e B aca ensis, que lhe con iou as elíquias do p o omá - i S .0 Es ê ão pa a as le a a Balcónio, bispo de B aga. Na ca a que a es e en ão esc e eu, A i o e e e-se a O ósio como «meu i uoso e bem-amado ilho e comp esbí e o». Le ando consigo as elíquias e á ias ca as, O ósio emba cou pa a Espanha em 416, mas ao chega a Mino ca, nas Balea es, soube que os bá ba os ha iam ocupado oda a Península e quão pe igoso se ia ol a à e a na al, pelo que deixou o seu p ecioso enca go à gua da do bispo de Mahon e não demo ou o eg esso a Hippo Régio. MEMÓRIAS DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS Aí, no amen e inspi ado e ins igado po S .0 Agos inho, começou a esc e e a sua amosa ob a His o ia um ad e sus paganos Lib i VII, que de e e p incipiado an es do im de 416 e concluído ap oximada- men e um ano depois. É is o udo o que se sabe da ida de Paulo O ó- sio; depois de 417 não há dele mais no ícia. Se o seu úmulo exis isse, nele se pode iam g a a , como epi á io, as seguin es pala as de Gams, quando do p esbí e o b aca ense se ocupa na sua Ki chengeschich e: «O jo em zeloso, ené gico, piedoso e b ilhan e, que como homem madu o e em condições a o á eis e ia alcançado a ama de um Je ónimo e de um Agos inho, sulcou o seu empo como ápido e ulgu an e me eo o. Con udo, apesa de ão ápida passagem po es e mundo, a sua memó ia icou pa a semp e abençoada». O ósio deixou á ios esc i os sob e assun os eológicos, mas o mais impo an e é sem dú ida a «His ó ia Con a os Pagãos». Em De ci i a e Dei S .0 Agos inho desen ol e uma concepção in ei amen e no a da sociedade humana e do des ino do homem, ou seja uma ilo- so ia c is ã em con as e com a an iga cul u a clássica. Po isso, A Ci- áaãe de Deus cons i ui, nas pala as de E nes Bake , «um dos g andes pon os decisi os na his ó ia do des ino humano: encon a-se nos con- ins de dois mundos, o clássico e o c is ão, e apon a o caminho pa a o c is ão. O p opósi o inal de A Cidade de Deus é a eliminação do Es ado: é a en onização da Ig eja como única sociedade inal. O p o- cesso da his ó ia é o p ocesso que conduz ao Seu Reino» (4). O ósio, que p o idenciahnen e p ocu a a S .0 Agos inho, oi assim po es e enca egado de esc e e a e e ida ob a onde, pela análise da his ó ia da humanidade, demons asse que longe de se encon a mais mise á el que an es do ad en o do C is ianismo, o mundo e a mais p óspe o e eliz, demons ação que de ce o modo se ia o undamen o, quan o à ealidade da ida, da iloso ia subjec i a exp essa em De ci i- ia e Dei. De ão impo an e e hon osa missão O ósio se desempenhou cabal e b ilhan emen e. A ob a de O ósio ab e com um elegan e P ólogo ou Dedica ó ia que começa: «Eu obedeci aos ossos p ecei os, bem-a en u ado pad e (4) In odução a The Ci y o God, na edição da E e yman's Láb a y, Vol. I, pp, iii-ix. London-New Yo k 1945. 6 CLASSE DE CIÊNCIAS 7 Agos inho, e oxalá aquilo que consegui possa co esponde às minhas boas in enções. Mas não es ou de odo ce o que o meu abalho es eja ei o p op iamen e, embo a ós já enhais julgado da minha capaci- dade. Po isso es ou sa is ei o com a minha obediência, se ao menos consegui ado ná-la com o meu es o ço e zelo». Mais adian e explica quais o am aqueles «p ecei os» (p aecep is): «Vós emp azas es-me a esponde às pala as ocas e pe e sidade dos que, es anhos à Ci- dade de Deus, chamados pagãos ou gen ios, sabem das coisas e es- es mas não se p eocupam com o u u o e, além disso, ou esquecem ou nada sabem do passado, embo a p e endam que os empos p esen es são assolados po calamidades ano mais, pela única azão de os homens c e em em C is o e ado a em Deus, ao passo que os ídolos são cada ez mais abandonados. Po isso me emp azas es a descob i em odas as his ó ias e anais de que ago a se dispõe e ap esen a nes e li o, sis emá ica e b e emen e, quaisque exemplos que e a empos pas- sados se e i ica am, ais como os so imen os da gue a, de as ações de epidemias, ho o es da ome, e í eis e amo os, espan osas inun- dações, eme osas e upções ulcânicas, o oadas e empes ades de g anizo, assim como as e í eis misé ias causadas po pa icídios e ac os e gonhosos ( agi ns). Acima de udo po não se jus o que ossa e e ência se p eocupasse com um li inho ão i ial quando es á ocupado em comple a o li o undécimo da ossa ob a con a os mesmos pagãos». Es a dedica ó ia oi esc i a na u almen e depois de O ósio e concluído o seu abalho e nela se explica o enca go que lhe ha ia sido con iado. O es o do Li o I con ém uma desc ição geog á ica do mundo en ão conhecido, e os ou os seis Li os ocupam-se da his ó ia da aça humana desde o ac o da c iação a é o empo de O ósio: «Po isso eu ala ei do pe íodo que ai da c iação do mundo a é a undação da Ci- dade [i.e. Roma] e, depois, do pe íodo que se es ende do p incipado de Césa e do nascimen o de C is o, empo desde quando o domínio do mundo icou nas mãos da Cidade, a é o dia de hoje». A g ande ob a de O ósio oi al amen e no á el, não só pela sua concepção eológica da iloso ia da his ó ia, mas ambém, e acima de udo, pelo seu esboço de geog a ia uni e sal que, embo a na maio pa e baseada em p é ios au o es, oi a p imei a compilação desse gé- ne o po um au o c is ão. Po isso as ge ações pos e io es a p e e i am Fig. 4 — Desenhos ca og á icos num códice o osiano dos séculos IX ou X S . Gallen S i sbiblio hek CLASSE DE CIÊNCIAS 15 dia» (9). Um ou o dos á ios manusc i os o osianos, e al ez o mais bem conhecido, que se encon a na biblio eca da ca ed al de S . Gall, na Suíça, con ém á ios esboços ca og á icos, alguns deles desenhados nas ma gens das olhas de pe gaminho, como que a ilus a o ex o ( ig. 4). Possi elmen e O ósio não e ia desenhado qualque ca a, e não exis e p o a documen al de que o i esse ei o; mas do que não há dú ida é que a ca og a ia medie al se inspi ou di ec a ou indi ec a- men e na sua desc ição geog á ica como p imei a on e. O p esbí e o b aca ense Paulo O ósio oi na e dade o undado da geog a ia c is ã, que se e lec e na ca og a ia medie al, o que sob e udo pa a nós po - ugueses em in e esse mui o especial. C eio e mos ado que Paulo O ósio ocupa um luga de ele o na his ó ia da cul u a eu opeia e da geog a ia, po conseguin e na his ó ia da ciência. Não e á pois sido descabida es a comunicação à nossa Classe de Ciências, an o mais e ainda po que se a a dum b aca ense cuja ob a, a an os í ulos amosa e digna de admi ação, oi ago a ap eciada sob um aspec o que suponho inédi o. ARMANDO CORTESÃO (Comunicação ap esen ada à Classe de Ciências em 2 de Junho de 1966) (*) The Dawn o Mode n Geog aphy, I, 385-6. London 1897.