A importância dos festivais de música no turismo - edições de inverno como forma de atenuar a sazonalidade do turismo em Portugal
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A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . Catarina Carvalhido Tavares A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Turismo, orientada pelo Professor Doutor Paulo Faustino Faculdade de Letras da Universidade do Porto Setembro de 2015 [Atraia a atenção do seu leitor colocando uma boa citação no documento ou utilize este espaço para enfatizar um ponto chave. Para colocar esta caixa de texto noutro local da página, arraste-a.]
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal .
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . A importância dos festivais de música no turismo – edições de inverno como forma de atenuar a sazonalidade do turismo em Portugal Catarina Carvalhido Tavares Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Turismo, orientada pelo Professor Doutor Paulo Faustino Membros do Júri Professor Doutor Luís Paulo Saldanha Martins Faculdade de Letras - Universidade do Porto Professor Doutor Jorge Pedro Sousa Universidade Fernando Pessoa Professor Doutor João Paulo de Jesus Faustino Faculdade de LetrasUniversidade do Porto Classificação obtida: 16 valores
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . Tourism helps people to develop a variety of skills. As a service sector with cross-cutting impact on agriculture, construction or handicrafts, tourism creates millions of jobs and business opportunities. Its capacity to lift people from poverty, promote gender empowerment and help protect the environment has made it a vital tool for achieving positive change in communities across the world. Ban Ki-Moon Secretary-General United Nations
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . I Agradecimentos Esta dissertação foi conseguida da mesma forma que tenho conseguido tudo na minha vida, com vontade própria, gosto pelo que faço e, nos momentos em que ambos me faltavam, com o incentivo das mesmas pessoas de sempre. Por tudo isto e muito mais, e sabendo que um obrigado nunca será suficiente, deixo um agradecimento à minha família, não por ser um cliché, mas porque somos e sempre seremos umas família no verdadeiro sentido da palavra, em especial à Gracinha e à Tia Bé. Obrigada àqueles que foram os meus amigos de faculdade, principalmente aos meus mais que tudo destes cinco anos, Isabel, João, Emanuel, Cíntia e Sarah. Obrigada às minhas amigas que sempre quiseram saber em que ponto estava esta dissertação, mas que sempre compreenderam o meu “Não quero falar sobre isso”, Patrícia, Vânia, Joana Ferreira, Joana Antunes e Sara, obrigada pela paciência. A nível académico, é imperativo agradecer ao meu orientador, professor Paulo Faustino, por apoiar a minha escolha do tema e por me ter guiado ao longo da elaboração deste projeto.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . II Resumo A cada ano que passa, o turismo e as suas estatísticas não param de surpreender aqueles que se interessam e estudam esta área. Portugal não é exceção, e também tem sentido o peso do turismo, na sua economia, evoluir de forma positiva. No entanto, Portugal, como outros países, enfrenta vários obstáculos no caminho da rentabilidade e sustentabilidade eficientes do turismo, entre eles: a sazonalidade. Uma forte concentração dos turistas, quer domésticos quer internacionais, nos meses de verão, impede o estabelecimento de postos de trabalho a longo prazo, causa um desequilíbrio nas receitas, e trava o crescimento de uma área que reúne já muitas das condições necessárias para um desenvolvimento exponencial. Não só o número de turistas aumentou, também a exigência por qualidade e diversidade tem crescido na mesma proporção, pelo que deve existir um esforço de diversificação do tipo de oferta e da sua frequência. Neste sentido, e com a crescente importância dos festivais de música em Portugal, surge, nesta dissertação, a hipótese de explorar a organização de uma edição de inverno de um desses festivais, como forma de colmatar a sazonalidade. Esta dissertação divide-se em 5 grandes capítulos, o primeiro inclui uma revisão de literatura que contextualiza aquele que será depois o tema central do projeto. Neste capítulo, aborda-se o turismo enquanto indústria, analisam-se os seus impactos, parte-se para o enquadramento teórico do turismo de eventos e, posteriormente, são analisados os festivais e o conceito de music tourism. No capítulo seguinte, é feita uma análise do mercado alvo dos festivais de música, no terceiro capítulo, é abordada a sazonalidade e, por conseguinte, é elaborada a proposta desta dissertação para combate da mesma. O quarto capítulo é dedicado aos festivais de música em Portugal e, no capítulo V, insere-se a metodologia utilizada, as entrevistas que procuram perceber o lado da procura através de um inquérito. Palavras-chave: Festivais de música, Sazonalidade, Turismo de eventos, Oferta turística
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . III Abstract With each passing year, tourism and its statistics do not cease to surprise those who, not only are interested in tourism, but those who study this specific area as well. Portugal is no exception, and the Portuguese have recognized the impact of tourism in their economy, which has had a significant and positive evolution. However, Portugal, like many countries, faces several obstacles in order to obtain an increase of profitability and efficient tourism sustainability, among them: seasonality. A high concentration of tourists, whether native or international, in the summer months, does not facilitate the establishment of long -term jobs, it causes an imbalance in the incomes, and it does not allow the growth of a certain area that already fulfills many of the necessary conditions for an exponential development. Not only has the number of tourists increased, but also the demand for quality and diversity has grown at the same rate, so there must be an effort to diversify the type of supply and its frequency. Therefore, and with the importance of music festivals in Portugal growing, there is the opportunity to explore the idea of organizing a winter edition of one of these festivals, as a way to bridge or fill the seasonality gap. This thesis is divided into five main chapters, the first includes an extensive literature review that contextualizes what will then be the main focus of the project. This chapter addresses tourism as an industry, offers an analysis of their impacts which leads up to the theoretical framework of tourism events, and lastly, the analysis of music festivals and the concept of music tourism. The next chapter presents an analysis of the target market for music festivals, and in the third chapter, seasonality is addressed, and therefore an elaboration of a proposal is made in order to combat it. The fourth chapter is dedicated to music festivals in Portugal and, in chapter five, it includes the methodology used, the interviews that seek to determine the demand side, through a survey. Key-words: Music festivals, Seasonality, Event tourism, Tourism supply
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . IV Índice de Figuras Figura 1 Chegada de turistas internacionais, 2012/13…………………………………..5 Figura 2 Receitas do turismo internacional, 2012/13…………………………………...5 Figura 3 Tipos de eventos………………………………………………………………10 Figura 4 Impactos económicos de um festival…………………………………………14 Figura 5 Evolução de uma área turística……………………………………………….17 Figura 6 Chegada de turistas por regiões de destino, 2009 – 2013…………………….24 Figura 7 Balança turística dos países da União Europeia, 2013………………………..25 Figura 8 Balança turística portuguesa, 2013…………………………………………...26 Figura 9 Repartição dos turistas por sexo, segundo o motivo de viagem, 2013……….26 Figura 10 Estrutura etária da população residente e dos indivíduos que viajaram, por principais motivos de viagem, 2013……………………………………………………27 Figura 11 Viagens, segundo os principais motivos, por mês de partida, 2013………...28 Figura 12 Capacidade de alojamento nos estabelecimentos hoteleiros, 2012………….28 Figura 13 Dormidas na hotelaria, segundo o país de residência habitual, 2013………..29 Figura 14 Estada média nos estabelecimentos hoteleiros, por NUTS II, 2013………...30 Figura 15 Empresas e volume de negócios das atividades culturais e criativas, 2012 (%) ………………………………………………………………………………………….31 Figura 16 Espetadores e receitas, por modalidades de espetáculos ao vivo, 2010 (%)...32 Figura 17 Espetadores das modalidades de espetáculo ao vivo, 2013…………………33 Figura 18 Peso de cada mês no total anual de passageiros desembarcados nos principais aeroportos nacionais, 2013……………………………………………………………..34 Figura 19 O que mais o atrai num festival de música? (%)…………………………….43 Figura 20 Particparia num festival de música que não se realizasse ao ar livre? (%)….43 Figura 21 Particparia num festival de música realizado no inverno num local fechado? (%) ……………………………………………………………………………………..44
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . V Figura 22 Gostaria de ter mais oferta a nível dos festivais de música durante todo o ano, e não exclusivamente no verão? (%)…………………………………………………...44 Figura 23 Deslocar-se-ia a outro país a fim de participar num festival de música de verão? (%)………………………………………………………………………………45 Figura 24 Deslocar-se-ia a outro país a fim de participar num festival de música de inverno? (%)……………………………………………………………………………45 Figura 25 Qual(ais) o(s) género(s) musical(ais) que o movem a participar num festival? (%)……………………………………………………………………………………...46 Figura 26 Selecione os meios (máximo 2) através dos quais obtém maior conhecimento sobre os festivais de música em Portugal (%)………………………………………….47 Figura 27 Considera que a publicidade feita aosfestivais de música em Portugal conduz informação suficiente até ao público? (%)……………………………………………..47 Figura 28 Já participou em algum festival de música? (%)…………………………….48 Figura 29 Selecione os pontos (máximo 3) que para si foram mais fortes na organização dos festivais em que já participou………………………………………………………48 Figura 30 Selecione os pontos (máximo 3) que para si foram mais fracos na organização dos festivais em que já participou………………………………………………………59
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 6 Como se pode confirmar na figura 2, apesar de a França ser a número 1 na chegada de turistas, consegue apenas o 3º lugar a nível de receitas, sendo que o líder nos últimos anos se tem mantido o mesmo, Estados Unidos da América. A nível económico, o que realmente importa no país recetor não é tanto o número de turistas, mas o quanto eles gastam durante a sua estadia. Uma conclusão que se poderá retirar é, ainda, de que os países com maior receita per capita, serão aqueles em que os preços praticados são mais elevados. Não se pode deixar de frisar que os países com menor dimensão mas com uma população com maior poder económico, como é o caso do Luxemburgo ou da Suíça, terão uma maior tendência para o turismo além-fronteiras, onde também estarão dispostos a gastar mais do que a maioria das outras nações durante a sua estadia (Holloway, 2009). Do ponto de vista económico, o fluxo de turistas afeta essencialmente, de quatro formas, as regiões recetoras e as regiões de onde partem os turistas. Estas quatro dimensões abrangem: lucro, emprego, balança de pagamentos e investimento e desenvolvimento (Holloway, 2009). No caso do turismo, um setor trabalho intensivo, o lucro é gerado, essencialmente, pelo pagamento dos salários dos empregos que servem de forma mais direta os turistas (Holloway, 1988). É importante salientar neste contexto que, se por um lado o turismo é uma grande fonte de rendimento em muitos países, por outro lado, é um setor em que os empregos são, maioritariamente, mal pagos e sazonais. Contudo, a importância do turismo enquanto gerador de emprego é inegável. O WITC alega que os empregos em turismo evoluirão de 238,3 milhões em 2008, para mais de 296 milhões em 2018 (Holloway, 2009). A balança de pagamentos de um país é um instrumento de contabilidade que regista as transações entre esse país e o resto do mundo. No que respeita o setor do turismo, a balança de pagamentos de um país reflete-se no valor total das receitas menos o valor total de pagamentos durante o ano. Por conseguinte, a balança de investimentos de turismo de um país, será tanto maior quanto mais turistas estrangeiros receba e menos residentes forem de férias para outros países.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 7 Uma vez que o turismo é considerado um setor de investimentos de grande risco, os investidores privados não tendem a apostar nele, acabando por ficar aquém das suas potencialidades e não alcançando o desenvolvimento que poderia. Desta forma, o crescimento deste setor não é proporcional ao seu desenvolvimento económico. Não é linear a análise a este tipo de impactos, uma vez que não é fácil distinguir nitidamente os gastos dos turistas na região, dos gastos da restante população. Neste contexto da contribuição económica do turismo numa região, é incontornável abordar o efeito multiplicador. O efeito multiplicador aplicado ao turismo, respeita o facto de o dinheiro gasto pelos turistas ser, posteriormente, “regasto” pelos residentes, aumentando assim o total gasto (Holloway, 2009). O dinheiro gasto pelos turistas na região é designado rendimento direto, que tomará a forma de alojamentos, refeições, entre outros. O dinheiro gasto pelos serviços turísticos, por exemplo o pagamento dos salários aos trabalhadores de um hotel, é considerado rendimento indireto. Por fim, o dinheiro gasto pelos residentes para sua subsistência, em comida num supermercado, nomeadamente, será considerado rendimento induzido, que terá sido resultado do gasto direto ou indireto dos turistas (Holloway, 2009). Desta forma, o dinheiro estará sempre em circulação, começando nos turistas, passando para a população da região que, de alguma forma, os servir, seguindo na forma de salários dos empregadores para os seus empregados, e acabando por ser gasto pela comunidade que o irá introduzir, novamente, na sua economia, e assim o ciclo continua. Todavia, nem todo o dinheiro que circula por este ciclo fica na região. Há gastos que são feitos em qualquer fase do ciclo que implicam a transferência de parte do rendimento para fora da região, por exemplo, taxas e impostos, importações, agências de viagens de outro país, entre outros. Todos estes gastos para fora da região são considerados dinheiro que a área perde, é o designado leakage, isto é, um vazamento do sistema (Holloway, 2009). Em suma, se as empresas e serviços que servem o turismo numa região pertencerem aquela população, os leakages serão minimizados e consequentemente, o efeito multiplicador será maior, pelo que o turismo contribuirá mais para a economia em questão.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 8 1.3. - Turismo de Eventos Diversos autores defendem que os eventos nasceram com os primeiros convívios e reuniões do Homem (Albuquerque, 2004), sendo que o primeiro Mega Event terá sido a celebração dos Jogos Olímpicos na Grécia, no ano de 776 a.c. Desde então que a noção de evento tem evoluído, pelo que se poderão evocar inúmeros autores para a clarificação do mesmo. Junior (2005) defende que “…um evento não mais celebra apenas produtos, marcas ou ideias, mas é, antes, a própria celebração. Sua ocorrência é sempre aliciante, sedutora e passível de ser reproduzida”, acrescentando ainda: “A dimensão coletiva da experiência de um evento requer ambiência e temporalidade únicas, especialmente definidas para influenciar, apresentar, provocar ou despertar emoções, desejos e conceções nos participantes.”. Goldblatt (2002) afirma que um evento é um encontro entre pessoas, com duração de um ou vários dias, e que celebra, ensina, vende ou honra algo. Getz (1997), em Event Management and Event Tourism, propõe duas definições, uma do ponto de vista do organizador do evento e a outra sobre a perspetiva do cliente ou convidado. A primeira descreve um evento como algo pontual, que ocorre fora da rotina ou dos programas regulares de quem organiza; a segunda aponta o evento como uma oportunidade de lazer e de escape do quotidiano. Todos os dias decorrem eventos que abrangem todas as áreas, desde a saúde e do desporto, à arte e à ciência, e muitos destes eventos têm um cariz internacional, movendo vários recursos e pessoas de cidade para cidade ou até, de país ou continente. Por conseguinte, os eventos surgem como uma oportunidade para o turismo, existindo infraestruturas como hotéis e sedes de convenções prontos para acolher este tipo de acontecimentos. Consequentemente, surge a necessidade de investir em profissionais que se dediquem em específico a esta área, para que esta ganhe alguma independência e não seja gerida como outro qualquer setor do turismo. O Turismo de Portugal alega que uma das suas prioridades se traduz na atração de eventos internacionais de grande dimensão para que a imagem do país seja projetada no exterior.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 9 No PENT (Propostas para Revisão no Horizonte 2015Versão 2.0) são assumidos onze tópicos de desenvolvimento para o país no período de 2010 a 2015, sendo que no oitavo ponto assinalado se pode ler: “EventosDinamizar um calendário anual de eventos nacionais que reforcem a notoriedade do destino e a captação de turistas internacionais, bem como um calendário de eventos regionais que incluam uma mostra de história, tradições e cultura locais e cuja autenticidade enriqueça a experiencia do turista.” O turismo de eventos é um setor já estabelecido nos planos de Turismo de todos os países, pelo seu relevo no crescimento económico e de projeção sociocultural dos países recetores. Portugal, como já foi referido, não é exceção, pelo que os eventos deverão ser explorados, de forma sustentável, enquanto produto turístico que favorece a valorização territorial e cultural, e com potencial dinamizador e propício a um aumento da quantidade e diversificação do fluxo de turistas. 1.3.1. - Classificação de Eventos É praticamente indiscutível o papel de destaque que os eventos desempenham no desenvolvimento turístico das regiões onde decorrem. “Os impactos do turismo referem-se à gama de modificações ou à sequência de eventos provocados pelo sucesso de desenvolvimento turístico nas localidades recetoras.” (Ruschamnn, 1997, p.34) Apesar de já existir uma bibliografia considerável que abranja o papel e impactos dos eventos no turismo, o “turismo de eventos” só se estabeleceu de forma sólida na indústria do turismo nas últimas décadas. Desde então, o seu crescimento tem sido exponencial. (Getz, 2005) A figura 3, (Getz, 2005) sugere os diferentes tipos de eventos, distinguidos por categorias e, ainda, enquanto públicos ou privados.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 10 Tipos de eventos Eventos Públicos Eventos privados Celebrações Culturais: Festivais, Carnaval, Eventos Religiosos, Comemorações Casamentos, Festas, Eventos Sociais Políticos/ De Estado: Reuniões, Visitas VIP, Eventos Políticos Artes/ Entretenimento: Concertos, Cerimónias de Prémios Negócios/ Comércio: Feiras, Mercados, Eventos Publicitários, Convenções Educacionais/ Científicos: Conferências, Seminários Competições Desportivas: Amador/ Profissional, Participante/ Espectador Recreativos: Desporto, Jogos de diversão Figura 3: Tipos de eventos Fonte: Tabela adaptada de Getz (2005) Os eventos poderão, também, ser distinguidos através da sua dimensão e complexidade. Neste campo, a que os autores Pedro e colaboradores (2012) se
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 11 refeririam como “Área de abrangência”, Engblom (2010) insere: Mega Events, Hallmark Events e The Community-Based Events. Mega Events: Estes são os eventos de maior escala, cujo impacto se faz sentir a nível internacional, requisitando recursos diversos e em grande número. Um exemplo eficiente será por exemplo, os Jogos Olímpicos (Engblom, 2010). Hallmark Events: Esta categoria refere-se ao tipo de eventos que possuem uma ligação íntima e crucial com o local em que se realizam, pelo que ao referirmos o evento nos lembramos imediatamente da região recetora, e viceversa. (Bowdin et al., 2001). Um dos melhores exemplos será o Carnaval do Rio de Janeiro (Engblom, 2010). The Community-based Events: São os eventos com menor target e dimensão, contudo, realizam-se com mais frequência. Estes eventos poderão ter um papel importante na dinâmica e sentido de identidade de uma comunidade (Engblom, 2010). Pedro e colaboradores (2012) distinguem, ainda, os eventos, de acordo com a sua finalidade, dividindo-os em: institucionais, aqueles cujo objetivo será exacerbarem e melhorarem a imagem de uma empresa, e promocionais, que visam a venda de um ou mais produtos. Os mesmos autores classificam, igualmente, os eventos, de acordo com a sua duração. Desta forma, estes podem ser esporádicos se não tiverem data ou frequência pré-estabelecidas, ou por outro lado periódicos se ocorrerem em datas e frequência fixas. Também em relação à zona de ação, Pedro e colaboradores criam uma classificação: internos e externos. A este nível compreendem-se os eventos internos como aqueles que decorrem dentro da própria empresa, e os externos como os que se realizam além das suas instalações.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 12 Allen e colaboradores (2002) classificam os eventos segundo quem os organiza: organizações públicas, organizações privadas e associações sem fins lucrativos. Nesta perspetiva, os autores alegam que cada tipo de organização tende a explorar determinados eventos, nomeadamente, as organizações públicas demonstram maior interesse por celebrações nacionais ou cívicas, feiras e eventos comunitários; as organizações privadas inclinam-se para os eventos desportivos, concertos, lançamento de novos produtos e patrocínios, e, por fim, as associações sem fins lucrativos mostramse mais vocacionadas para os eventos de caridade. 1.3.2. - Festivais No que respeita o objeto de estudo deste projeto, deverá ser analisado um tipo de evento em especifico, o festival. Absorvendo toda a revisão de literatura supra analisada, poderá apontar-se em primeira mão o festival, como um encontro entre pessoas, que ocorre com o intuito de uma celebração que tomará as mais diversas formas. Atendendo ao tema desta dissertação, teremos que analisar o festival de um prisma mais específico, diminuindo assim, o campo de estudo para festivais de música. Mantendo em consideração as categorias de eventos e as respetivas definições referidas anteriormente, alega-se que os festivais de música se inserem nos Eventos Públicos, mais especificamente, nas Celebrações Culturais. Contudo, os Festivais poderão ser também, inseridos na categoria de Artes e Entretenimento, Recreativos ou Desportivos (Engblom, 2010). Os festivais poderão inserir-se nos Mega Events, Hallmark Events ou The Community-based Events, dependendo na sua dimensão, frequência e região recetora. No que respeita a sua duração ou frequência, os festivais de música serão definidos como periódicos, de acordo com a definição de Pedro e colaboradores., devido à regularidade com que se realizam. Ainda sob as categorias apresentadas por Pedro e colaboradores, se assume que os festivais de música são eventos externos e promocionais, no sentido em que o organizador espera obter retorno financeiro, e não apenas criar ou melhorar a sua
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 13 imagem, o que se prende com o facto de serem, em geral, organizados por entidades privadas. Em suma, festivais de música são eventos públicos, com um caracter cultural e/ou artístico, bem como de entretenimento, que se realizam com alguma regularidade, num espaço ao ar livre, sob a organização de uma entidade privada com objetivos promocionais, e que podem assumir diversas dimensões. 1.3.3. - O impacto dos festivais Os festivais, tal como outros eventos, são oportunidades de atração de turistas para uma região que, de outra forma, talvez não a visitassem. Com o ligeiro declínio do turismo “Sol e mar”, apareceram e cresceram novas práticas do turismo nas últimas décadas, sendo que algumas delas se têm destacado. O turismo de eventos e, nomeadamente, os festivais, são uma das formas de turismo que denotaram um crescimento mais significativo e mais rápido. O desenvolvimento das tecnologias, bem como as alterações climáticas, levam a uma necessidade de diversificação de indústrias como a do turismo e a da agricultura, o que se reflete numa aposta de celebração dos festivais nas áreas rurais. Os festivais têm tido um papel de relevo na condução de turistas para áreas que normalmente estariam ao abandono e sem qualquer investimento. Os turistas, neste caso, festivaleiros, não só se deslocam até à região recetora como interagem com ela e com a sua população. Desta forma, há uma dinamização, quer social quer económica da região, em que rendimento extra é injetado numa economia que poderia estar, até ali, praticamente estagnada. Ademais, os festivais são uma eficaz forma de publicidade e projeção da região, gerando uma oportunidade de atingir novos segmentos do mercado. 1.3.3.1. - Impactos económicos Getz (1994) propõe cinco abordagens através das quais se poderão avaliar os impactos económicos de um evento como o festival de música. A Tabela 5 expõe esta
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 14 sugestão de análise elaborada por Getz, pressupondo que se detêm dados e informações que permitam a pretendida avaliação. Abordagens Objetivos Medidas mais comuns • Equilíbrio ou Lucro/Prejuízo • Avaliar a curto prazo de eficiência ou solvência financeira • Mede custos e receitas diretas dos organizadores • Determina excedentes e défices • Retorno sobre investimento (ROI) • Revelar os benefícios de bolsas de estudos e subvenções • Calcular o ROI para investidores privados • Determina a relação entre bolsas/subvenções e níveis de visita e benefícios económicos • Usa práticas comuns de contabilidade de ROI • Escala Económica • Determinar a escala económica de um ou mais eventos da perspetiva do destino • Mede o total de presenças e despesas dos consumidores mais as despesas dos organizadores • Impacto Económico • Determinar os benefícios macroeconómicos para a área de destino • Estima o rendimento direto e indireto e as vantagens de emprego • Uso tradicional de multiplicadores ou modelos econométricos • Custos e benefícios • Estimar os custos e benefícios da perspetiva da comunidade recetora e do ambiente • Determinar o valor da rede de um evento • Compara custos tangíveis e intangíveis e os benefícios a curto e longo prazo • Tem acesso aos custos de oportunidade de um investimento • Examina a distribuição dos impactos • Avalia o valor da rede e a acessibilidade do evento Figura 4: Impactos económicos de um festival Fonte: Adaptada de Getz, 1994
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 15 Esta tabela é útil, essencialmente, na avaliação dos impactos económicos de um festival a nível da região recetora. Os impactos económicos de um festival na macroeconomia de uma região são divididos em impactos primários e secundários (Janeczko e colaboradores, 2002). Os impactos primários relacionam-se com o impacto económico direto de um festival medido através de questionários a participantes e/ou aos comerciantes, ou pelas próprias vendas. Os impactos secundários respeitam a introdução de dinheiro novo na economia (referência ao efeito multiplicador anteriormente explicado). Segundo Janeczko e colaboradores (2002), estes impactos secundários e, por conseguinte, o efeito multiplicador, demonstram a interdependência que existe entre os diferentes setores duma região. Acrescentam, ainda, que os multiplicadores mais relevantes na avaliação do impacto económico são o output, o emprego, multiplicadores de rendimento e o valor acrescentado. O output mede o aumento do nível da atividade económica, resultante das despesas dos turistas. O emprego, por sua vez, calcula os postos de trabalhos criados direta ou indiretamente para servir os turistas. O valor acrescentado e o multiplicador de rendimento avaliam o rendimento total restante depois dos leakages, isto é, o lucro resultante das despesas dos turistas que fica efetivamente na região (Janeczko e colaboradores, 2002). 1.3.3.2. Impactos sociais e ambientais Apesar dos impactos económicos dos festivais serem os mais oportunos para esta tese, não podemos descuidar todos os outros domínios. Os impactos sociais têm grande importância no futuro do festival e da população da região recetora, e os danos ambientais poderão ser fatais caso não se faça uma gestão cuidada e com planos a longo prazo do festival. Ao albergar um evento, uma região deverá estar preparada, nomeadamente, a nível de infraestruturas. Como tal, por vezes dá-se a construção ou aperfeiçoamento propositados de alguns edifícios para a celebração do festival. Se por um lado isto se traduz na preservação da herança da região e modernização das suas infraestruturas, por
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 22 1.6. Music Tourism Neste contexto surge, no início do século XX, o conceito de Music Tourism. Esta categoria de turismo sugere que a motivação da viajem seja, pelo menos em parte, a música (Gibson & Connell, 2005). Contudo, este ainda não é um género de turismo universalmente aceite, nem existe uma definição oficial do mesmo fornecida pela Organização Mundial do Turismo. Trata-se de um nicho sobre o qual se torna difícil recolher informações e dados exatos e substanciais. Gibson e Connell (2005) afirmam que o Music Tourism representa um “cluster de possíveis turistas, atividades, locais, atrações, trabalhadores e eventos que utilizam recursos musicais para fins turísticos”. Em alguns locais como o Reino Unido, a música e o turismo de música começam já a ser mais valorizados, pela sua importância no desenvolvimento económico das regiões e do setor do turismo, pelo que existem já, diversos estudos que enaltecem o seu contributo. Uma destas análises, do ano de 2013, denominada Wish you were here, levada a cabo pelo grupo UK Music, oficializa alguns números relativos ao Reino Unido, que ajudam a conseguir uma melhor perceção sobre a importância deste tipo de turismo. Estimadamente, em 2012, existiram 6,5 milhões de turistas de música, 2,2 biliões de libras foram gastas direta ou indiretamente pelo turismo de música, 1,3 biliões de libras foram gastas diretamente por este género de turistas, sendo que nesse mesmo ano existiam cerca de 24251 empregos gerados pelo music tourism no Reino Unido. Neste mesmo estudo foi revelado que grupos e organizações como a Visitbritain e a UK Music estão empenhados em cooperar com o governo para atingir o objetivo de receber mais 9 milhões de turistas do que até então, até 2020 e, simultaneamente, desenhar uma estratégia que sustente o desenvolvimento do music tourism. Uma das grandes inspirações para estes grupos ingleses, é um dos grandes eventos do país e um dos maiores festivais de música do mundo, Glastonbury. Este festival realiza-se desde os anos 70, recebe festivaleiros de todo o globo e, hoje em dia, contribui com mais de 100 milhões de libras anuais para o país.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 23 Ainda neste projeto da Uk Music, Edward Vaizey, ministro inglês da cultura, comunicação e das indústrias criativas, afirma que o music tourism é um elemento de atração essencial para o turismo do Reino Unido, tendo uma contribuição muito significativa para a economia do país. O ministro defende também que a excelente sinergia existente entre as indústrias da música e do turismo é um importante motor de crescimento para a economia, e que por o governo já reconhecer esse facto, é que surgiu uma ambiciosa campanha de apoio ao desenvolvimento de ambas. A tendência crescente de participação de turistas nos festivais de música verifica-se de forma nítida no Reino Unido, tal como tem acontecido em Portugal, sendo que em 2012 a respetiva percentagem de participação foi de 41%. A proporção de music tourists em festivais é superior à de concertos, 59% e 37%, respetivamente. Este estudo revelou, ainda, que tanto os turistas domésticos como os internacionais, gastam mais em festivais do que em concertos, o que se traduz numa maior relevância dos festivais em detrimento dos concertos para a economia do país. Por conseguinte, apesar de terem existido mais concertos do que festivais em 2012 no Reino Unido, as receitas dos festivais( 685 milhões de libras), superaram as dos concertos (581 milhões de libras). Neste ensaio calcularam-se os gastos totais do music tourism, aravés dos gastos diretos no evento musical, e através dos gastos indiretos, implícitos noutras ofertas que envolvem este género de turismo. Os valores gastos diretamente no evento passam para o dobro, aquando da adição dos gastos indiretos com a participação no evento, implicando gastos nomeadamente com transportes, refeições, entre outros. Ademais, nesta pesquisa foi analisada a contribuição total do music tourism para o PIB, através da análise direta e indireta do VAB a nível regional. O VAB, forma de medição da contribuição individual de diferentes partes para o PIB, diretamente, relaciona-se com os lucros das empresas da música ao vivo e os salários dos trabalhadores individuais. O VAB indireto, prende-se com o aumento da procura criado pelos eventos de música ao vivo em relação a certos produtos ou serviços. No Reino Unido, o VAB direto e indireto das diferentes regiões foi mais ou menos homogéneo, com o VAB direto a ser ligeiramente superior em quase todos os locais. Em Londres,
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 24 por exemplo, o VAB direto, referente ao music tourism, rondava os 150 milhões de libras, e com a junção do VAB indireto chegou aos cerca de 250 milhões de libras. Da perspetiva do artista, os festivais também são um evento atrativo, uma vez que, segundo Melvin Benn, diretor da promotora britânica Festival Republic, os festivais pagam relativamente bem, os artistas não têm qualquer trabalho com os equipamentos e infraestruturas, para além de que podem interagir com outras bandas e poupar os encargos que as tours implicam. 2. Análise do Mercado Para o desenvolvimento desta tese importa sobretudo a análise do mercado turístico e dos festivais de música a nível da Europa, mais especificamente, em Portugal. Segundo a OMT, em 2013 as chegadas de turistas internacionais totalizaram 1 086,8 milhões, traduzindo uma evolução de 5,0% face a 2012, sendo que a Europa concentrou mais de metade das chegadas de turistas internacionais (51,8%), +5,4% face a 2012 (INE, Estatísticas do Turismo, 2013). Figura 6: Chegada de turistas por regiões de destino, 2009 - 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) A mesma fonte declarou que, no mesmo ano, em Portugal, com base nos dados do Banco de Portugal relativos à rubrica Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos, “…e pelo quarto ano consecutivo, as receitas aumentaram relativamente ao ano anterior (+7,5%), totalizando 9 250 milhões de euros. As despesas em Viagens e Turismo
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 25 superaram o patamar dos 3 mil milhões de euros (3 120 milhões de euros), com um acréscimo de 5,9% face a 2012. Deste modo, em 2013 o saldo desta rubrica cifrou-se em 6 130 milhões de euros, refletindo um crescimento anual de 8,3% (+9,4% em 2012).” Como se poderá verificar na figura seguinte, Portugal, em 2013, assumiu o 10º lugar nos países com maior saldo turístico na União Europeia. Figura 7: Balança turística dos países da União Europeia, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) Em 2013, apesar da diminuição do PIB e do aumento da taxa de desemprego referente ao ano anterior, a atividade turística em Portugal apresentou uma evolução positiva, com um aumento significativo da oferta e as receitas a sobreporem-se às despesas, o que se traduz num saldo favorável da balança turística do país.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 26 Figura 8: Balança turística portuguesa, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) Para efeitos de marketing e de estratégias que mantenham os turistas leais a este destino, importa perceber qual o perfil dos mesmos. Desta forma, segue um gráfico que apresenta a distribuição de géneros segundo a motivação da viagem. Figura 9: Repartição dos turistas por sexo, segundo o motivo de viagem, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013)
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 27 Como se pode verificar, a distribuição dos géneros pelos motivos de viagem é relativamente homogénea, sendo que a maior discrepância se assinala na categoria “Profissionais ou de negócios”. Uma classificação que poderá ser mais relevante para este projeto será a etária, para que se possa perceber entre que idades se compreendem os maiores consumidores de viagens de Lazer, recreio ou férias. Figura 10: Estrutura etária da população residente e dos indivíduos que viajaram, por principais motivos da viagem, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) Na categoria Lazer, recreio ou férias, o grupo etário dominante é o dos 25-44 anos, sendo que este grupo domina todas as categorias à exceção da Saúde, Religião e Outros motivos. Na Figura 11, é possível visualizar que, como seria já de esperar, há uma forte sazonalidade nas viagens de Lazer, recreio ou férias, concentrando-se, sobretudo, nos meses de Julho, Agosto e Setembro.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 28 Figura 11: Viagens, segundo os principais motivos, por mês de partida, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) No que respeita a oferta turística portuguesa, e visto que os últimos anos têm sido excecionalmente bons neste campo para o país, a oferta de alojamento tem aumentado, sendo que, em 2013 existiu uma evolução positiva de 3% em relação ao ano anterior (INE, Estatísticas do Turismo, 2013). Figura 12: Capacidade de alojamento nos estabelecimentos hoteleiros, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013)
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 29 Analisando a figura anterior é possível verificar que o Algarve é a zona com maior oferta de alojamento, com 38,4% da oferta de camas, seguido por Lisboa. Por sua vez, os estabelecimentos com maior oferta de camas foram os hotéis. Figura 13: Dormidas na hotelaria, segundo o país de residência habitual, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) O INE revela que em 2013 as dormidas de estrangeiros chegaram aos 28,1 milhões, traduzindo-se em 71,7% das dormidas totais. Na figura 13 podem verificar-se os 10 principais mercados emissores, sendo que os britânicos, representando 24,2% das dormidas, elegeram sobretudo, a zona do Algarve e a ilha da Madeira. (INE, Estatísticas do Turismo, 2013)
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 30 Figura 14: Estada média nos estabelecimentos hoteleiros, por NUTS II, 2013 Fonte: INE, Estatísticas do Turismo (2013) Em média, a estada foi de 2,95 noites, sendo que a média de permanência dos residentes foi de 2,05, e a dos não residentes 3,55. Os turistas estrangeiros com estadias mais longas foram os irlandeses (5,06), os holandeses (4,91) e os finlandeses (4,68). Uma vez mais, as regiões que mais se destacam nos valores de prolongação de estada são o Algarve e a Madeira. 2.1. Festivais Em Portugal, no contexto da cultura e das artes criativas, as atividades e artes do espetáculo destacam-se com 28,1% do volume de negócios, em dados referentes a 2012 apresentados pelo INE.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 31 Figura 15: Empresas e volume de negócios das atividades culturais e criativas, 2012 (%) Fonte: INE, Estatísticas da Cultura, 2013 Em relação aos festivais e ao mercado da música, os dados para Portugal são otimistas, com os festivais e os concertos de música ligeira a terem lugar nas notícias do país como um negócio de sucesso e prosperidade. “Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2001, 3,8 milhões de pessoas assistiram em Portugal a espetáculos ao vivo (teatro, ópera, dança, tauromaquia e concertos de música clássica e "ligeira"), gerando receitas de 17,9 milhões de euros. A expressão artística com maior peso era então o teatro, a que correspondia um quarto dos espectadores totais. A música "ligeira" tinha uma fatia de 19 por cento de espectadores, mas em 2005 destacou-se: passou a congregar 34 por cento dos espectadores e 42 por cento das receitas. Em 2001, 734 mil pessoas assistiram a concertos de música "ligeira" em Portugal; em 2008, o número de espectadores tinha aumentado para 4,4 milhões e as receitas ascenderam a 39 milhões de euros.” Dados mais recentes do INE, relativos a 2010, assinalam que os Espetáculos ao Vivo geraram 85,2 milhões de euros, representando um crescimento face ao ano anterior, quer a nível de espectadores e bilhetes vendidos, como de receita e número de sessões. O maior número de sessões pertence à categoria do teatro, contudo, foram os concertos de música ligeira que atingiram o maior número de bilhetes vendidos (3,8
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 38 As principais fraquezas desta proposta prender-se-ão, essencialmente, com a inevitável meteorologia desta estação do ano, o que limitará o espaço onde se realizaria o evento, e com o facto de parte do público, nomeadamente os estudantes, não estar, nesta altura, de férias, como aconteceria no verão. 4. Festivais de música em Portugal Apesar de geograficamente pequeno quando comparado com outros países da Europa com um forte mercado no que respeita os festivais de música, Portugal tem, nos últimos anos, investido e inovado na qualidade, quantidade e diversidade dos festivais que oferece. Os festivais mais mediáticos e que juntam mais festivaleiros acontecem, essencialmente, no sul do país. Um destes festivais não decorre todos os anos pelo facto de percorrer todo o globo e não ser um original português, falamos assim do Rock in Rio. Este festival tem um impacto de grandes proporções no país pela sua projeção internacional, em muito derivada pelo facto de acontecer noutros cantos do mundo e por receber sempre alguns dos maiores artistas pop e rock internacionais. Porém, Portugal também produz os seus próprios festivais, que acontecem anualmente, e que recebem, igualmente, grande atenção internacional e artistas de renome de todo o planeta. Um desses exemplos é o Nos Alive. Este festival prima pelos cartazes com nomes fortíssimos do mundo do rock e pop, com bilhetes a preços acessíveis quando comparados com os bilhetes para festivais com cartazes semelhantes no resto da Europa. Para além disso, o Nos Alive tem uma excelente localização na costa portuguesa. A combinação destes três fatores levou a que este festival ganhasse uma grande projeção internacional, sendo considerado pela imprensa internacional, como um dos melhores festivais de verão da Europa, pelo que, segundo a própria organização do evento, vendeu em 2014, mais de 15 mil bilhetes para festivaleiros estrangeiros. Um dos festivais mais antigos mas, ainda assim, dos mais mediáticos, é o Meo Sudoeste. Este festival que se desenrola na Zambujeira do Mar, garante uma excelente sinergia entre campismo, praia e boa música. O Meo Sudoeste inicialmente apostava nos grandes nomes nacionais e internacionais do rock e pop, porém, nos últimos anos, as
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 39 grandes apostas deste festival têm-se centrado na música eletrónica, atingindo, assim, um público mais jovem. Mais antigo ainda é o festival Super Bock Super Rock. Este festival oriundo do sul do país desde 1995, em duas das suas edições, em 2008 e 2009, decorreu também no norte, na cidade do Porto. Como o próprio nome indica, este festival destaca-se, essencialmente, pelos artistas de renome que recebe, nacionais e internacionais, do mundo do rock. Em 2915, o Super Bock Super Rock desloca-se da praia do Meco para o Parque das Nações, em Lisboa, e a promotora que o organiza, Música no Coração, já assumiu, segundo a Agência Lusa, que espera que os passes para os três dias esgotem até ao final de junho. Mais a norte encontramos o já muito conhecido do público, Vodafone Paredes de Coura. Este festival conta já com mais de vinte anos de história, e é um dos festivais favoritos dos portugueses, sendo que na edição passada obteve um sucesso de bilheteira com os últimos quatro dias esgotados. O Vodafone Paredes de Coura aposta bastante no campismo e na harmonia estética, não descurando os cartazes que oscilam, essencialmente, entre o rock, indie e eletrónica. Também no norte, mas com uma história muito recente, um festival originário de Barcelona, tem surpreendido a comunidade festivaleira portuguesa e internacional. Desde 2012 que o Nos Primavera Sound se tem apoderado da cidade do Porto para oferecer grandes nomes nacionais e internacionais do rock, indie rock, folk, entre outros. Num estudo levado a cabo pelo ISAG, é revelado o impacto económico que este festival exerce na região onde se insere. Na edição de 2014, 30% dos festivaleiros que participaram neste festival eram estrangeiros, e 91% não pertenciam à Área Metropolitana do Porto, o que resultou em despesas médias, diretas e indiretas, de cerca de 18 milhões de euros. O sucesso do festival é notório, tendo alcançado o recorde de lotação na edição de 2015, ao receber no segundo dia, segundo notícia do Jornal de Notícias, 28 mil pessoas. O fado, expressão incontornável da identidade do povo lusitano, também tem um festival só seu. Caixa Alfama é um festival que decorre num bairro lisboeta onde o fado
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 40 é rei: Alfama. O sucesso das suas duas primeiras edições onde os bilhetes esgotaram, levou a que este festival se estende-se até ao norte, tendo sido realizado pela primeira vez em 2015 na Ribeira, no Porto. O jazz, o blues e o soul também se reúnem nas noites quentes do verão português, em espaços onde a história e a natureza se cruzam, num festival cujo nome é dado pela EDP. O Edpcooljazz decorre nos Jardins do Marquês de Pombal e no Parque dos Poetas e assume-se como o “festival mais cool”. Apesar de existir desde 2004, apenas desde 2011 este festival tem o seu nome relacionado com a EDP. Desde então que a EDP se empenha em compensar as emissões de carbono, principalmente através dum projeto com uma Mini Hidroelétrica numa região das Honduras, que pretende reduzir a dependência das energias fósseis. Um dos festivais mais alternativos em Portugal decorre em Idanha-a-Nova desde 1997, com o nome Boom Festival. Este não é um festival somente dedicado à música, até pelo contrário. O Boom aglutina as diferentes culturas e artes, desde a pintura e a música, à escultura e ao graffiti. Para além de incluir algumas propostas como workshops e apresentações de temas diversos como a espiritualidade, culturas ancestrais, entre outros, este festival destaca-se pelo facto de não aceitar patrocínios comerciais, pretendendo escapar ao marketing. Este festival promove as práticas ecológicas e tem desenvolvido programas para se tornar autossustentável, pelo que já recebeu prémios internacionais no âmbito da defesa ambiental. Um outro festival que se destaca pela junção das várias artes e pela sensibilização ambiental e social é o Indie Music Fest, com lugar no Porto. Este festival que tem a duração de dois dias, junta exclusivamente artistas nacionais para a celebração artística independente da música indie. Ainda no norte do país se assinala um evento musical que se une ao sol, tendo uma piscina em frente a um dos palcos que já é imagem de marca do festival. O Milhões de Festa não tem limites nos géneros de música que recebe, e já lançou vários artistas e bandas que eram, até então, desconhecidos do grande público. Portugal também acolhe um festival para os amantes do hard rock e do metal: Vagos Open Air. Localizado na Quinta do Ega, em Vagos, e com as suas edições quase
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 41 sempre esgotadas, este festival vem confirmar a diversidade da procura e da oferta do país no campo da música ao vivo. Apesar da existência de todos estes festivais na zona norte, há um que se autointitula como o “maior festival de música do norte do país”. O Meo Marés Vivas recebe, há 13 edições, artistas nacionais e internacionais de renome, em Gaia, e conta sempre com casa cheia. No ano de 2014, a empresa que produz este festival, PEV Entertainment, revelou, numa entrevista ao jornal online Porto24, que o retorno rondaria os 5 milhões de euros. Aliado ao surf decorre, bem mais a sul, o Sumol Summer fest, numa praia na Ericeira. Este festival destaca-se pelo seu ambiente descontraído, acompanhado dos melhores artistas de reggae, surf music e eletrónica. Um festival que poderá ser um potencial concorrente do Sumol Summer Fest acontece em Carcavelos, com o nome Musa Cascais. Estes dois eventos poderão ser equiparados por oferecerem artistas dos mesmos géneros de música, contudo, o Musa Cascais prima pela sua causa. Este é um festival sem fins lucrativos e que existe segundo o slogan “Preocupas-te?”, para alertar a população para os problemas ambientais. Esta breve descrição destes quinze festivais deverá ser suficiente para que se reconheça o valor que o país tem atribuído a este tipo de eventos. São quinze festivais bastante diferentes, tanto no género de música oferecida como no tipo de público que atingem, o que traduz a diversidade que um país periférico e dimensionalmente pequeno como Portugal pode oferecer. A qualidade artística, os preços competitivos, a boa organização, entre outros fatores, têm sido suficientes para que Portugal vingue no mercado dos festivais de música, destacando-se e recebendo cada vez mais festivaleiros doutros países. Contudo, importa assinalar que existem muitos outros festivais ao longo de todo o país, estes são apenas os mais significativos a nível de mediatização, lotação e cartazes apresentados.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 42 Todavia, como já foi referido, toda esta oferta se concentra nos meses de verão, salvo algumas exceções que se celebram no final da primavera. 5. Metodologia 5.1. Inquérito A fim de testar a adesão do público a um festival de música no inverno, foi realizado um inquérito que circulou nas redes sociais. Este inquérito não teve qualquer limite etário, pois apesar de as camadas mais jovens serem quem mais participa neste tipo de eventos, dependendo sobretudo dos cartazes, os festivais atraem festivaleiros dos 8 aos 80. É oportuno utilizar o questionário como método nesta pesquisa, uma vez que se procura a opinião de um grupo de pessoas e, desta forma, se pode chegar ao maior número de pessoas possível e, posteriormente, utilizar os dados para formulação de estatísticas e de algumas conclusões. Foi utilizado um questionário de “administração direta”, uma vez que este foi preenchido pelo próprio inquirido, e com respostas propostas, de entre as quais o inquirido selecionou a que mais lhe apraz. Este inquérito foi distribuído através das redes sociais, por serem já uma via que chega a todos os grupos etários e cujo processo de distribuição e recolha dos dados é eficaz, tendo-se provado veloz e sem quaisquer contratempos. 5.2. Resultados Com um total de 107 respostas obtidas, este questionário de 12 perguntas, foi preenchido por indivíduos com idades compreendidas entre os 16 e os 52 anos, sendo que a maior parte dos inquiridos tinha entre 20 e 30 anos. Na primeira pergunta, em que se questionava qual a maior atração num festival de música, 63,3% respondeu “cartaz”.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 43 Figura 19: O que mais atrai num festival música? Fonte: Inquérito online elaboração prórpia Na questão seguinte, “Participaria num festival de música que não se realizasse ao ar livre?”, 43,9% dos inquiridos afirmou que sim, contudo, 33,6% respondeu “talvez”. Figura 20: Participaria num festival de música que não se realizasse ao ar livre? Fonte: Inquérito online de elaboração própria Perante a terceira pergunta, que averiguava o interesse dos inquiridos na participação num festival de música realizado no inverno num local fechado, mais de metade, 54,2%, afirmou que participaria. 64% 35% 0%1% O QUE MAIS O ATRAI NUM FESTIVAL DE MÚSICA? Cartaz Ambiente Atividades extra Outro 44% 22% 34% PARTICIPARIA NUM FESTIVAL DE MÚSICA QUE NÃO SE REALIZASSE AO AR LIVRE? Sim Não Talvez
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 44 . Figura 21: Participaria num festival de música realizado no inverno num local fechado? Fonte: Inquérito online de elaboração própria A quarta questão perguntava se os inquiridos gostariam de ter mais oferta a nível dos festivais de música durante todo o ano, ao que uma maioria de 76,6% defendeu que sim. Figura 22: Gostaria de ter mais oferta a nível dos festivais de música durante todo o ano, e não exclusivamente no verão? Fonte: Inquérito online de elaboração própria Diante das questões 5 e 6, que em jeito de comparação perguntavam aos inquiridos se se deslocariam a outro país a fim de participar num festival de música de verão e num festival de música de inverno, respetivamente, as respostas foram bastante 54% 13% 33% PARTICIPARIA NUM FESTIVAL DE MÚSICA REALIZADO NO INVERNO NUM LOCAL FECHADO? Sim Não Talvez 77% 9% 14% GOSTARIA DE TER MAIS OFERTA A NÍVEL DOS FESTIVAIS DE MÚSICA DURANTE TODO O ANO, E NÃO EXCLUSIVAMENTE NO VERÃO? Sim Não Talvez
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 45 diferentes, com 53,3% a responder que sim em relação à questão 5, e apenas 21,5% a assumir que sim na questão 6. Figura 23: Deslocar-se-ia a outro país a fim de participar num festival de música de verão? Fonte: Inquérito online de elaboração própria Figura 24: Deslocar-se-ia a outro país a fim de participar num festival de música de inverno? Fonte: Inquérito online de elaboração própria 53% 20% 27% DESLOCAR-SE-IA A OUTRO PAÍS A FIM DE PARTICIPAR NUM FESTIVAL DE MÚSICA DE VERÃO? Sim Não Talvez 21% 44% 35% DESLOCAR-SE-IA A OUTRO PAÍS A FIM DE PARTICIPAR NUM FESTIVAL DE MÚSICA DE INVERNO? Sim Não Talvez
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 46 A interrogação que se seguiu, avaliou os géneros musicais que levam os indivíduos a participar nos festivais, sendo que, o rock e o pop parecem ser os preferidos dos inquiridos. Figura 25: Qual(ais) o(s) género(s) musical(ais) que o movem a participar num festival? Fonte: Inquérito online de elaboração própria De seguida, houve uma tentativa de perceção de quais os meios publicitários com mais impacto nos indivíduos, relativamente aos festivais de música. As respostas destacaram, pela positiva, as redes sociais, a televisão e a publicidade online. 27% 24% 3% 7% 5% 12% 10% 12% QUAL(AIS) O(S) GÉNERO(S) MUSICAL(AIS) QUE O MOVEM A PARTICIPAR NUM FESTIVAL? Rock Pop Metal Jazz Fado Eletrónica Hip-Hop Reggae
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 47 Figura 26: Selecione os meios (máximo dois) através dos quais obtém maior conhecimento sobre os festivais de música em Portugal Fonte: Inquérito online de elaboração própria Foi ainda averiguada a opinião dos indivíduos relativamente à eficiência da informação sobre os festivais de música conduzida pelos media até à população, sendo que a maioria considera essa informação suficiente. Figura 27: Considera que a publicidade feita aos festivais de música em Portugal conduz informação suficiente até ao público Fonte: Inquérito online de elaboração própria De seguida, foi perguntado aos inquiridos se alguma vez tinham participado num festival de música, e apenas os que respondessem de forma afirmativa seguiam para as duas últimas questões. 19% 41% 7% 14% 9% 10% 0% SELECIONE OS MEIOS (MÁXIMO DOIS) ATRAVÉS DOS QUAIS OBTÉM MAIOR CONHECIMENO SOBRE OS FESTIVAIS DE MÚSICA EM PORTUGAL. Televisão Redes Sociais Outdoors Publicidade online Rádio Amigos e/ou familiares Outro 69% 31% CONSIDERA QUE A PUBLICIDADE FEITA AOS FESTIVAIS DE MÚSICA EM PORTUGAL CONDUZ INFORMAÇÃO SUFICIENTE ATÉ AO PÚBLICO? Sim Não
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 54 consolidados, em desenvolvimento e complementares. Este plano concretiza-se com apoios a nível do marketing e da acessibilidade, e contando com a articulação entre diversos setores. Estas iniciativas revelam que Portugal não tem descuidado aquelas que são as barreiras do progresso de um setor que se tem revelado cada vez mais importante para a sua economia. Não obstante, a atenção deverá ser depositada em todas as regiões, até porque, durante as outras estações que não o verão, o interesse poderá focar-se no interior do país ou nos centros das cidades, em detrimento das zonas mais costeiras e que enaltecem o turismo de sol e mar. Uma vez que também é já reconhecido o valor que os eventos têm, em especial os internacionais, para o aumento do número de chegadas, dormidas, despesas e, por conseguinte, para a dinamização e crescimento económico dos locais que os acolhem, surge a intenção de realização de um evento durante o inverno em Portugal. Da vasta diversidade existente de eventos, foram selecionados os festivais de música, pelo boom que tem existido quantitativa e qualitativamente. Os festivais de música em Portugal têm recebido cada vez mais atenção, quer por parte dos festivaleiros, nacionais e internacionais, que têm aderido de forma bastante significativa, quer da imprensa, mesmo da internacional, o que valeu, por exemplo, ao atual Nos Alive, constar numa lista selecionada pelo site de música britânico Drowne in Sound, como um dos melhores festivais de verão da Europa de 2014, ao lado de nomes como Glastonbury e Leeds. Desta forma, surge a ambição de organização de um festival de música, mas na época de inverno. O ideal seria fazer uma edição de inverno de um festival já existente, porque o facto de já ser um evento familiar para o público, dar-lhe-ia mais credibilidade e aqueles festivaleiros que costumam ser fiéis na sua participação durante o verão, talvez não o abandonassem por ser inverno. A estação mais fria do ano não possui tanta oferta turística como as outras, o que se traduz num abandono de zonas que no verão são mais dinamizadas por eventos esporádicos e pelo acolhimento de turistas, domésticos e internacionais.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 55 Numa tentativa de avaliação da perspetiva da procura em relação a esta proposta, foi elaborado um inquérito online, através do qual se podem retirar algumas conclusões. A grande maioria dos indivíduos que participaram no inquérito afirma que o mais relevante num festival de música é o cartaz, algo que pesa a favor de uma edição de inverno, uma vez que o cartaz não fica comprometido por não ser verão. Ademais, a maioria dos participantes garantiu que participaria num festival que não se realizasse ao ar livre e durante a estação do inverno. Talvez o ponto questionado mais importante, seja o facto de a grande maioria (77%) dos questionados terem afirmado que não existe oferta, respeitante aos festivais de música em Portugal, suficiente durante o inverno. Dito isto, os indivíduos parecem estar bastante abertos a ideias novas, neste caso, a uma edição de inverno de um festival de música, e uma vez que existe uma carência tão grande de oferta a este nível, durante o inverno, talvez o público não estivesse tão preocupado com caraterísticas como o clima ou o espaço em que se realiza o evento, e quisesse apenas disfrutar de um dia, ou vários, diferente (s). Com os inquéritos foi também possível averiguar que género de festival teria mais probabilidades de ser bem-sucedido com esta inovação. Uma vez que os géneros musicais preferidos, apontados pela amostra questionada, foram o pop e o rock, o ideal seria que o festival organizado no inverno reunisse estes dois estilos. Em relação às hipóteses apresentadas e, consequentemente testadas, conclui-se que os festivaleiros preferem um festival que se realize ao ar livre, contudo, mostraramse acessíveis no que respeita a aceitação de um conceito inovador como o de um festival de inverno e, sobretudo, mostraram bastante interesse em ter ao seu dispor mais oferta relativa a este tipo de eventos durante todo o ano, e não apenas no verão. No que diz respeito à sazonalidade, uma vez que a procura se revela, aparentemente, interessada, se um evento destes se realizasse, já estaria, em alguma proporção, a combater este problema. Sabemos que não seria esta a solução definitiva para a sazonalidade, mas se esta ideia fosse posta em prática e tivesse êxito, poderia motivar produtoras de outras artes e atividades a realizar também eventos de outras naturezas durante esta estação do ano. Aos poucos a sazonalidade seria combatida, certos postos de trabalho passariam de temporários a definitivos, a aposta no setor seria maior e algumas regiões do país não seriam dinamizadas apenas no verão e abandonadas no inverno.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 56 Aquelas que foram as questões impulsionadoras desta dissertação foram também, de alguma forma, respondidas: Portugal tem suficiente diversidade na oferta turística? Aparentemente, não, pelo menos durante todo o ano. Existem suficientes eventos durante o inverno para que se possa atenuar a sazonalidade? Também não. A procura parece interessada em mais quantidade e diversidade de eventos durante esta estação do ano. Serão os festivais de música eventos que consigam ter êxito fora da sua habitual época de realização? Apesar de a procura admitir preferir assistir a este tipo de eventos ao ar livre, dada a escassez de eventos durante o inverno, podemos concluir que o público aderiria, até porque, a maior parte, atribui mais importância ao cartaz dos festivais do que a toda a sua envolvência. Em suma, esta proposta deverá ser encarada com otimismo e como um evento viável, que poderá trazer alguma descontração, animação e vida a uma estação do ano tão cinzenta. Ademais, representa uma boa hipótese de atenuação da sazonalidade e faria de Portugal um destino cada vez mais versátil e, quiçá, mais procurado também pelos estrangeiros fora do verão.
A importância dos festivais de música no turismo - edições de Inverno como forma de atenuar a sazonalidade do Turismo em Portugal . 57 6. Bibliografia Albuquerque, H.C.C. . (2004). Turismo Sustentável nas Zonas Costeiras: o Caso das Praias de Mira., Universidade de Aveiro, Aveiro. Albuquerque, Soraya Sousa de. (2004). Turismo de Eventos: A importância dos eventos para o desenvolvimento do turismo. (Especialista em Gestão e Marketing do Turismo), Universidade de Brasília, Brasília. Retrieved from http://bdm.unb.br/bitstream/10483/438/1/2004_SorayaSousaAlbuquerque.pdf Almeida, Sérgio. (2012). Portugal é a nova meca de festivais. Retrieved 235-2015, from http://www.jn.pt/festivais/verao/Interior.aspx?content_id=2672101 Angelo Presenza, Simone Iocca. (2012). The weight of stakeholders on festival management. The case of music festivals in Italy. 10(2). http://www.pasosonline.org/Publicados/10212special/PS0212_04.pdf Ben Janeczko, Trevor Mules and Brent Ritchie. (2002). ESTIMATING THE ECONOMIC IMPACTS OF FESTIVALS AND EVENTS: A RESEARCH GUIDE. Australia. Butler, R. W. (1980). The concept of a tourist area cycle of evolution: Implications for management of resources. 24(1). http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1541-0064.1980.tb00970.x/abstract Cardoso, Margarida Lopes. (2013). A Importância da Organização de Eventos no Turismo. (Mestrado em Turismo), Universidade do Porto, Porto. Retrieved from http://sigarra.up.pt/flup/en/publs_pesquisa.show_publ_file?pct_gdoc_id=80812 Chris Gibson, John Connell. (2005). Music and Tourism, On the road again Retrieved from http://www.multilingualmatters.com/display.asp?K=9781873150931
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