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A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research

Joana Margarida Vicente Pinheiro

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Faculdade de Letras Universidade do Porto Joana Margarida Vicente Pinheiro 2º Ciclo de Estudos em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 2013 Orientador: Professora Doutora Teresa Sá Marques Co-Orientador: Professora Doutora Fátima Matos «Este trabalho foi realizado no âmbito do projeto de investigação “Factores Determinantes da Procura da Habitação em Portugal” DONUT (PTDC/AUR-URB/100592/2008) da Fundação de Ciência e Tecnologia, com o apoio do Programa Operacional Temático Fatores de Competitividade (COMPETE) do Quadro Comunitário de Apoio (QCA IV - Comissão Europeia) e do Fundo Comunitário Europeu (FEDER).» Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/ Projeto/IPP: Versão Definitiva A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research Agradecimentos À Professora Dr.ª Teresa Sá Marques, pela sua orientação, ideias, sugestões e persistência que me ajudaram a mantar sempre o rumo. À Professora Dr.ª Fátima Matos, pelo apoio, sugestões e orientação. Ao António Costa, pela sua disponibilidade e ajuda sempre que precisei. Ao Diogo, pela motivação, ajuda, interesse e preocupação que sempre demostrou para comigo. À Ana, companheira de estudo com quem partilhei alegrias e desesperos. Ao Ricardo, pela paciência e motivação. Sempre soube dizer, nos momentos certos, o que precisava de ouvir. A todos os meus colegas e amigos deste percurso. Um especial agradecimento à minha família – pais e irmão – pelo apoio incondicional, mas principalmente pelo esforço que fizeram para que tudo isto fosse possível. Cada um, à sua maneira, marcou este percurso. O meu muito obrigado a todos! A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research iv A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research v Resumo A presente investigação tem como objetivo principal analisar as grandes linhas de investigação que dominam na Europa em matéria de habitação. Como fonte de informação foi selecionada uma das principais redes de investigação europeia na área da habitação – European Network for Housing Research. Pretende-se então responder às seguintes questões em matéria de investigação em habitação: Que posição assumem os diferentes continentes no sistema de investigação internacional? Qual ou quais são as instituições centralizadoras da investigação? As instituições centralizadoras são ou não europeias? Quais os temas que dominam na investigação europeia? Que autores dominam na rede europeia analisada? Os autores dominantes são europeus? Para dar resposta a todas estas questões foram compiladas, numa base de dados, todas as comunicações da ENHR relativas aos anos acima referidos. Esta base de dados contém todas comunicações organizadas em torno dos seguintes atributos: ano, título, tema, autor(es), instituição do(s) autor(es) e país(es) do(s) autor(es). Em termos de atributos relacionais, o facto de cada comunicação em cada conferência anual estar classificada em diferentes grupos temáticos, permite uma análise focada nas filiações temática. Neste sentido, em termos de redes de conhecimento em matéria de investigação no domínio da habitação nas Conferências da European Network for Housing Research analisamos: As centralidades e as proximidades geográficas através da identificação dos países e dos continentes centrais e periféricos na investigação; As centralidades e as proximidades organizacionais através da identificação das instituições centrais e periféricas; As centralidades e as proximidades cognitivas através da identificação dos autores integrados nos subtemas das Conferências ENHR, avaliando os autores fortemente especializados e os autores que ligam diferentes temáticas de investigação. A análise de redes foi suportada no programa NodeXL, ferramenta de apoio ao estudo de redes sociais. Palavras-Chave: Habitação, redes de conhecimento, Europa A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research vi A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research vii Abstract This research aims at analyzing the broad lines of inquiry that dominate in Europe in the field of housing. The information source was selected one of the major research networks I ropaia in housing - European Network for Housing Research. The aim is then to answer the following questions for research in housing : What position assume the different continents in the system of international research? In which institutions are centralizing research? Institutions are centralized are or not European? What are the themes that dominate in European research? Authors who dominate the European network analyzed? The authors are dominant Europeans? To answer all these questions were compiled in a database, all communications relating to the ENHR years above referred. This database contains all communications organized around the following attributes year, title, subject, author (s), institution (s) of author (s) and country (ies) of the author (s). In terms of relational attributes, the fact that each communication in each annual conference to be classified into different thematic groups, allows an analysis focused on thematic affiliations. In this sense, in terms of knowledge networks for research in the field of housing in Conferences of the European Network for Housing Research analyzed: The centers and the geographic proximity by identifying the countries and continents of the central and peripheral research; The centers and the nearby organization by identifying the central and peripheral institutions; The centrality and cognitive nearby by identifying the authors integrated into subthemes of ENHR Conference, evaluating the authors strongly specialized and authors that connect different research topics. Network analysis was supported in NodeXL program, a support tool to the study of social networks. Keywords: Housing, knowledge networks, Europe A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research viii A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research ix Índice Agradecimentos ............................................................................................................... iii Abstract ........................................................................................................................... vii Índice de Figuras .............................................................................................................. x Índice de Quadros ............................................................................................................. x Índice de Gráficos ........................................................................................................... xii Capítulo I .......................................................................................................................... 1 1. Introdução .............................................................................................................. 1 1.1. Objetivos da investigação .................................................................................. 3 1.2. Metodologia ....................................................................................................... 4 1.2.1 Níveis de análise ......................................................................................... 5 1.2.2 Eixos de análise .......................................................................................... 7 1.3 Estrutura da Dissertação .................................................................................... 8 Capítulo II - Redes: Conceitos, Análise e Medidas .......................................................... 9 2. Redes ..................................................................................................................... 9 2.1 Redes Sociais: Conceitos e Análise ................................................................. 12 2.2 Medidas Estatísticas ......................................................................................... 13 2.2.1 Medidas ao nível dos nós ......................................................................... 13 2.2.2 Medidas ao nível da rede .......................................................................... 16 Capítulo III - Análise da rede European Network for Housing Research ...................... 19 3.1 Análise Estatística ............................................................................................ 19 3.2 O conhecimento e a produção do conhecimento na ENHR ............................. 25 3.2.1 O conhecimento ........................................................................................ 26 3.2.2 Dimensões do conhecimento .................................................................... 27 3.2.3 A produção e disseminação de conhecimento na ENHR .......................... 28 3.3 Análise dos resultados (Grafos representativos das redes realizadas) ............. 31 Capítulo IV ..................................................................................................................... 69 4. Conclusões .............................................................................................................. 69 5. Bibliografia.............................................................................................................. 73 6. Anexos ........................................................................................................................ 77 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 4 Em termos de atributos relacionais, o facto de cada comunicação em cada conferência anual estar classificada em diferentes grupos temáticos, permite uma análise focada nas filiações temática. Neste sentido, em termos de redes de conhecimento em matéria de investigação no domínio da habitação nas Conferências da European Network for Housing Research analisamos:  As centralidades e as proximidades geográficas através da identificação dos países e dos continentes centrais e periféricos na investigação;  As centralidades e as proximidades organizacionais através da identificação das instituições centrais e periféricas;  As centralidades e as proximidades cognitivas através da identificação dos autores integrados nos subtemas das Conferências da ENHR, avaliando os autores fortemente especializados e os autores que ligam diferentes temáticas de investigação. 1.2. Metodologia Para responder às questões de investigação a que nos propusemos responder compilamos numa base de dados todas as comunicações das Conferências da ENHR para os anos de 2007, 2009, 2011 e 2012. A base de dados contém todas as comunicações organizadas em torno dos seguintes atributos: título, tema, autores, instituição do(s) autor(es) e país(es) do(s) autor(es). Esta base de dados contabiliza um total de 1212 comunicações, com 1386 autores/investigadores, inseridos em 718 instituições que se localizam em 64 países. As comunicações foram produzidas individualmente ou em parceria, pelo que representam o conhecimento produzido por um único autor ou em parceria de autores. Então, sempre que o conhecimento é produzido em parceria estabelecem-se ligações entre autores/investigadores. Como também é feita uma correnpondência entre os autores e a instituição a que estes pertencem podemos elaborar ligações entre instituições. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 5 Por sua vez, as comunicações também se encontram divididas por 21 working groups temáticos que constituem a ENHR. Estes working groups temáticos surgem praticamente em quase todas as conferências analisadas. Contudo, em alguns anos, existem working groups que não coicidem com os da rede. O que fizemos, nestes casos, foi integra-los num dos 21 working groups da ENHR cuja temática fosse semelhante ou mais próxima. No entanto, houve dois working groups cujas temáticas não conseguimos agrupar em nenhum dos 21 working groups da ENHR e sugem na representação gráfica designados como outros temas. Estes working groups são o “Gender and Housing” (nas Conferências de 2009 e de 2011) e o “Tools to facilitate housing and urban process” (na Conferência de 2007). 1.2.1 Níveis de análise Em primeiro lugar vamos fazer uma caraterização global do universo em análise. Interessa-nos perceber que autores mais produziram para a ENHR nos anos em análise assim como constatar as instituições e os países mais fortes na produção de conhecimento na área da habitação. Tendo em consideração os 21 working groups temáticos que constituem a ENHR, vamos identificar os mais fortes (com mais comunicações) nos últimos anos. Trata-se de uma análise estatística meramente descritiva. Em segundo lugar vamos analisar os 21 working groups temáticos em rede. Cada uma das comunicações está inserida num dos 21 working groups pelo que, os autores e as instituições a que estas pertencem vão ligar-se a diferentes working groups, em função das comunicações que apresentaram nas conferências da ENHR dos últimos anos. Assim o facto de cada comunicação em cada conferência anual ser classificada num dos diferentes temas, permite-nos uma análise focada na filiação temática, ou seja uma sistematização das redes cognitivas em matéria de investigação na habitação, por working group. Dado que cada working group constitui um núcleo de interação em termos de investigação na habitação, seguindo objetivos e interesses assumidos pelo grupo, partimos do pressuposto que se desenvolvem ligações e interações mais fortes dentro destes grupos, ao longo dos anos. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 6 Dado o grande número de working groups existentes, em cada um dos grafos, optamos por representá-los por cores diferentes em função de seis temas (quadro 2) por nós definidos. Os seis temas são então: - Housing Economics, Finance and Markets; - Social Housing and Policy; - Planning, Housing Regeneration, Urban Change; - Housing, Urban Sustainability and Health; - Housing in Developing Countries and East European; - Outros (Others). Existem vários programas de suporte para a análise de redes sociais: UCINet, NodeXL, KXEN Social Network, entre outros. Para a análise de redes realizada nesta investigação o software escolhido foi o NodeXL (Network Overview Discovery Exploration for Excel). Este software foi desenvolvido por Smith com o objetivo de ser "uma ferramenta que evita o uso de linguagem de programação para as formas mais simples de manipulação de dados e visualização, para abrir a análise de rede para uma população mais ampla de usuários." (Quinn et all, 2012) Quadro 2: Agrupamento dos 21 working groups da ENHR em seis temas Housing Economics, Finance and Markets1 Housing Economics Housing Finance Private Rented Markets Land Markets and Housing Policy Home Ownership and Globalisation Social Housing: Institutions, Organisations and Governance Residential Environments and People Welfare Policy, Homelessness, and Social Exclusion Social Housing and Policy2 Poverty Neighbourhoods Migration, Residential Mobility, and Housing Policy Minority Ethnic Groups and Housing Housing and Living Conditions of Ageing Populations 1 Representado nos grafos com a cor verde 2 Representado nos grafos com a cor azul A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 7 Housing Regeneration and Maintenance Planning, Housing Legal Aspects of Housing, Land and Planning Regeneration, Urban Change3 Metropolitan Dynamics: Urban Change, Markets and Governance Residential Buildings and Architectural Design Housing, Urban Sustainability and Health4 Housing and Urban Sustainability Residential Context of Health Housing in Developing Countries and East European5 Housing in Developing Countries East European Housing & Urban Policy Others6 Gender and Housing Tools to facilitate housing and urban processes 1.2.2 Eixos de análise Em termos de análise de redes e tendo em conta os objetivos desta investigação, esta proposta metodológica vai privilegiar alguns eixos analíticos: - Como se relacionam os 21 working groups com os continentes; - Como se relacionam os 21 working groups com os autores; - Como se relacionam os 21 working groups com as instituições; - Como se relacionam as instituições com os autores; - Como se relacionam os autores com outros autores. Como exemplo podemos descrever a metodologia adotada para a realização do grafo em que relacionamos os 21 working groups temáticos com os continentes. Na rede global vamos identificar os 21 working groups temáticos com diferentes cores assim como os continentes, e olhando unicamente para a rede tirar logo algumas conclusões, nomeadamente: se é muito ou pouco densa, quem ocupa uma posição central na rede, quem ocupa uma posição periférica. Depois, passaremos então a analisar medidas estatísticas ao nível da rede, e aí analisamos a densidade e a centralização da rede. E posteriormente analisamos as 3 Representado nos grafos com a cor preta 4 Representado nos grafos com a cor amarela 5 Representado nos grafos com a cor vermelho 6 Representado nos grafos com a cor rosa A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 8 medidas ao nível dos nós. E aqui analisamos medidas como o grau de um nó (degree) que pode ser de entrada (indegree) ou de saída (outdegree), o grau de intermediação (Betweenness Centrality), o grau de proximidade (Closeness Centrality) e a centralidade eigenvector. Mas esta análise é feita mediante o in degree e o out degree. Ou seja, se analisarmos os indicadores para os working groups temáticos relativamente ao continente de origem dos autores ou os indicadores para o continente de origem dos autores relativamente aos working groups temáticos. Nesta análise interessa então perceber que continentes ocupam uma posição central na rede que, por sua vez, serão também os continentes que têm mais working groups associados e que serão os mais influentes na produção de conhecimento. Interessa também perceber quem é que possui um elevado grau de intermediação, um elevado grau de proximidade e uma centralidade eigenvector mais elevada. 1.3 Estrutura da Dissertação Esta dissertação encontra-se subdividida em três capítulos. No capítulo I apresentamos uma pequena introdução ao tema que se vai tratar. Fala-se um pouco da ENHR, rede escolhida para estudar. Descrevem-se os objectivos que se pretendem atingir com a investigação e por fim descreve-se a metodologia utilizada. No capítulo II discute-se o quadro teórico e conceptual sobre redes sociais e sua análise. Começamos por apresentar alguns conceitos essenciais à compreensão das redes sociais e da sua análise. São apresentados, em primeiro lugar, os elementos básicos que compõem uma rede e depois várias medidas estatísticas utilizadas na análise de redes sociais. Estas medidas estatísticas podem ser ao nível dos nós ou ao nível da própria rede. O capítulo III contém a análise e discussão dos resultados. Uma primeira análise feita é meramente estatística e seguidamente faz-se uma análise das redes construídas. Por fim, apresentamos as conclusões do trabalho. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 9 Capítulo II - Redes: Conceitos, Análise e Medidas Neste capítulo procura-se apresentar alguns conceitos essenciais à compreensão do conceito de redes e de redes sociais bem como da sua análise. 2. Redes O estudo de redes tem ganho cada vez mais adeptos na sociedade atual. Vivemos num mundo cada vez mais dominado pela globalização e pelas tecnologias de informação e comunicação. Basta pensarmos nos midia para percebermos que a palavra rede está cada vez mais presente no nosso quotidiano. Ou se referem a redes de negócios, redes digitais, redes de cientistas ou até redes de terrorismo. A generalização da utilização de redes sociais como por exemplo, o Facebook ou Tweeter tem também dado uma crescente relevância ao termo redes e mais especificamente ao de redes sociais. Isto comprova que estamos perante uma sociedade em rede mesmo que, sem nos apercebermos, ela domina. Mas então, o que é uma rede? Segundo Castells (1999), uma rede “ é um sistema de nós interligados”. Sendo que são também “estruturas abertas que evoluem acrescentando ou removendo nós”. No entanto, o termo rede é bastante antigo. Uma das primeiras referências a este termo remete-nos para uma das experiências realizada no século XVIII, que contribuiu e muito para a teoria de redes. Esta experiência foi realizada por Euler 7 e consistia em resolver o problema das sete pontes de Königsberg. O problema baseava-se em passear pelas ruas da cidade 7 Leonhard Paul Euler (Basileia, 15 de abril de 1707 — São Petersburgo, 18 de setembro de 1783) foi um grande matemático e físico suíço de língua alemã que passou a maior parte de sua vida na Rússia e na Alemanha. Euler fez importantes descobertas em campos variados, como por exemplo, nos cálculos e teoria dos grafos. (Ioan James (2002), Remarkable Mathematicians: From Euler to Von Neumann. Cambridge University Press) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 10 prussiana de Königsberg (a atual cidade russa de Kaliningrado) passando cada ponte uma e uma só vez de maneira a terminar no ponto de partida. Euler provou que o problema não tem solução e passou a ser considerado o criador da teoria dos grafos. Figura 1 - Exemplo de rede criada por Euler Fonte: Guerreiro, 2012, p.4 Segundo a teoria dos grafos, um grafo é composto por um conjunto de objetos ligados entre si. Os objetos são denominados de vértices enquanto que as ligações, caracterizando uma relação entre os objetos, são denominadas de arestas. Para além das denominações vértice-aresta usadas na caracterização do sistema também é possível encontrar as designações equivalentes nó-ligação. (Guerreiro, 2012 cit. Albert & Barabási, 2002 e Easley & Kleinberg, 2010) Tendo em conta que uma rede é um conjunto de pontos ou nós unidos por elos (Souza & Quandt, 2008), é importante esclarecer os conceitos dos elementos básicos que constituem uma rede. No quadro que se segue, estão esclarecidos os conceitos dos elementos básicos de uma rede segundo a bibliografia consultada. Quadro 3: Conceitos dos elementos básicos de uma rede “São pessoas ou grupos de pessoas que se agrupam com um objetivo comum.” (Manual Introdutório à Análise de Redes Sociais, 2005) “Podem ser pessoas, organizações, meio ambiente onde haja algum tipo de troca entre eles, sendo tangíveis (bens, materiais) ou intangíveis (ideias, valores).” A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 11 Nós/Atores (Teoria de Redes: Uma abordagem Social, 2010) “Indivíduos ou grupos de indivíduos, corporações, comunidades, departamentos, etc.” (Metodologia de Analise de Redes Sociais, 2008) “Entidade social que participa de determinada rede e é capaz de agir e formar ligações com outros atores. Pode ser um individuo, uma corporação ou um coletivo social.” (UNISUL Analise de Redes Sociais) Vínculos/Elos (direcionais ou não direcionais) “Laços que existem entre dois ou mais nós. Os vínculos ou relações representam-se com linhas. “ (Manual Introdutório à Análise de Redes Sociais, 2005) “Uma conexão entre dois atores de uma rede social é chamada de ligação. É definida por algum tipo de relação entre esses atores, conforme o tipo de sociedade.” (UNISUL Analise de Redes Sociais) “Tipo de relação que estabelece uma conexão ou troca de fluxos entre dois atores. Se forem não direcionais são representados por linhas retas ou curvas. Se forem direcionais são representadas por linhas retas ou curvas finalizadas por setas.” (Metodologia de Analise de Redes Sociais, 2008) Díade “É uma ligação direta entre dois atores.” (Teoria de Redes: Uma abordagem Social, 2010) “Par de autores e o possível elo entre estes.” (Metodologia de Analise de Redes Sociais, 2008) “É a rede mais simples que existe, formada por apenas dois atores e as possíveis ligações entre si. Os atores podem estar conectados ou não, e a sua ligação é uma propriedade do par.” (UNISUL Analise de Redes Sociais) Tríade “É uma ligação direta ou indireta entre três atores.” (Teoria de Redes: Uma abordagem Social, 2010) “Subgrupo de três atores e os possíveis elos entre eles. “(Metodologia de Analise de Redes Sociais, 2008) “É a rede formada por três atores e as possíveis ligações entre si.” (UNISUL Analise de Redes Sociais) Grupo “Um grupo pode ser definido como o conjunto de todos os atores e suas ligações.” (UNISUL Analise de Redes Sociais) “As redes compostas de nós que se interligam de formas variadas, havendo conjuntos de nós que se conectam de formas diretas ou indiretas mantendo uma interação e formando os chamados “cliques” ou agrupamentos específicos. Esses subgrupos além de se interligarem A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 12 Subgrupo entre si direta e indiretamente têm ainda a possibilidade de estarem ligados a um nó central ou a outros subgrupos.” (Teoria de Redes: Uma abordagem Social, 2010) “Qualquer subgrupo de atores, de qualquer tamanho, e os elos entre estes.” (Metodologia de Analise de Redes Sociais, 2008) “Pequenos conjuntos de atores, dentro de um grupo, como sendo um subgrupo.” (UNISUL Analise de Redes Sociais, ano) 2.1 Redes Sociais: Conceitos e Análise O conceito de rede social surgiu nos anos 30 e 40, no campo da sociologia e da antropologia social. A propagação do termo pela comunidade científica fica atribuída a Bott, uma vez que aplica o conceito à análise de relações familiares, em 1957. (Sousa, 2008) Uma rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações (os nós ou atores da rede) que estabelecem relações entre si (os elos) e que possuem objetivos em comum. A análise de redes sociais é uma ferramenta metodológica de origem multidisciplinar (psicologia, sociologia, antropologia, matemática, estatística) cuja principal vantagem é a possibilidade de formalização gráfica e quantitativa de conceitos abstraídos a partir de propriedades e processos característicos da realidade social. Existem basicamente três fundamentos teóricos na análise de redes sociais (Souza & Quandt, 2008): - A teoria dos grafos; - A teoria estatística/probabilística; - Os modelos algébricos. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 13 A teoria dos grafos tem sido muito utilizada devido à sua capacidade representacional e simplicidade. Já os outros dois métodos são utilizados para testar hipóteses e analisar redes multirelacionais. Em suma, isto permite formalizar conceitos teóricos, avaliar modelos e analisar estatisticamente redes. (Souza & Quandt, 2008) Segundo Hanneman, (2000), a grande distinção da análise de redes sociais é centrar-se nas relações entre os atores e não nos atores individuais e nos seus atributos. Isto significa que o mais importante, quando se estudam redes sociais, é a ligação entre os atores. Os seus atributos são secundários. 2.2 Medidas Estatísticas A análise que é feita a uma rede tem como principal objetivo perceber o comportamento da mesma. Esta análise é realizada recorrendo a vários índices estatísticos visto serem bastante úteis para a compreensão de diversas informações sobre a rede. Os índices estatísticos podem ser agrupados de acordo com o tipo de análise que se pretende fazer, isto é, a análise pode ser feita ao nível de um único nó em particular para perceber a sua relevância na rede. Ou então esta análise pode ser realizada ao nível da rede em geral para perceber a sua estrutura. (Guerreiro, 2012 cit. Gama & Oliveira, 2010) 2.2.1 Medidas ao nível dos nós As medidas ao nível dos nós têm como objetivo fulcral identificar a importância de um nó específico dentro de uma rede. Assim é possível percecionar qual ou quais os elementos com mais destaque e que exercem maior influência dentro de uma rede. Aqui, então, o objetivo principal da análise ao nível dos nós numa determinada rede é verificar a centralidade de um nó. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 20 Assim, e visto que é notória a discrepância existente entre os working groups, a sua organização deveria ser repensada, por exemplo, agrupando working groups com temáticas próximas. Refira-se, ainda, que os grupos mais fortes, estão relacionados com dois aspetos centrais da investigação em habitação – a questão económica e a social. Gráfico 1: Número de comunicações por grupo temático 020 40 60 80 100 120 140 160 180 Housing Economics Social Housing: Institutions, Organisations and Governance Housing and Urban Sustainability Residential Environments and People Welfare Policy, Homelessness, and Social Exclusion… Poverty Neighbourhoods Migration, Residential Mobility, and Housing Policy Housing Finance Housing Regeneration and Maintenance Minority Ethnic Groups and Housing Legal Aspects of Housing, Land and Planning Housing in Developing Countries Metropolitan Dynamics: Urban Change, Markets and… Housing and Living Conditions of Ageing Populations Residential Context of Health East European Housing & Urban Policy Private Rented Markets Residential Buildings and Architectural Design Gender and Housing Land Markets and Housing Policy Tools to facilitate housing and urban processes Home Ownership and Globalisation Comparative Housing Policy A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 21 Ao analisarmos a posição que os países ocupam na ENHR, podemos verificar que a Holanda é, sem dúvida, o país mais representativo, com 237 comunicações apresentadas. Logo a seguir aparece o Reino Unido com 194 comunicações e depois a Turquia com 75 comunicações. A Austrália e a Suécia também aparecem bem posicionadas com 71 comunicações cada. Provavelmente, esta disposição das comunicações, prende-se com o facto de em 2007 a conferência da ENHR se ter realizado em Roterdão (cidade holandesa) e ser neste país que ela teve origem. (Quadro 6) Quadro 6: Número de comunicações por País País Nº Comunicações País Nº Comunicações País Nº Comunicações País Nº Comunicações Holanda 237 Irlanda 18 Roménia 4 Dubai 1 Reino unido 194 Japão 18 Brasil 3 Grécia 1 Turquia 75 Finlândia 17 Indonésia 5 Quénia 1 Austrália 71 Portugal 14 Islândia 3 Letónia 1 Suécia 71 Hungria 13 Nepal 3 Lituânia 1 Noruega 57 Suíça 13 Nova Zelândia 3 Luxemburgo 1 Dinamarca 48 Chipre 12 Sérvia 3 Marrocos 1 França 43 Eslovénia 12 África do sul 2 Maurícia 1 Espanha 38 Coreia 10 Argélia 2 México 1 EUA 33 Polónia 10 Índia 2 Peru 1 Alemanha 32 Taiwan 10 Macedónia 2 Síria 1 República Checa 30 Irão 7 Malásia 4 Tanzânia 1 Áustria 26 Chile 6 Nigéria 2 Zimbabwe 1 China 24 Estónia 5 Zâmbia 2 Canadá 22 Israel 5 Albânia 1 Itália 21 Rússia 5 Bósnia 1 Bélgica 20 Croácia 4 Colômbia 1 TOTAL 1275 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 22 Relativamente à representatividade de cada continente na produção divulgada na ENHR (Gráfico 2), a Europa é naturalmente predominante (81% das comunicações apresentadas). A ENHR teve origem neste continente, foi criada como uma plataforma europeia organizadora de instituições e investigadores, e reúne maioritariamente autores/investigadores europeus. Além disso, todas as conferências foram realizadas neste continente. O continente que ocupa o segundo lugar nesta rede de investigação é a Ásia (com 7% das comunicações). Refira-se a este propósito que, a Ásia possui uma rede irmã, da ENHR, fundada com o apoio desta a Asian Pacific Network for Housing Research (APNHR), com o propósito de interligar investigadores, estudantes e académicos desse continente com os da Europa. 8 Por sua vez, o continente africano e a América do Sul são os que ocupam um lugar mais periférico nesta rede com 1% cada. Gráfico 2: Percentagem de comunicações apresentadas na ENHR por continente 8 http://www.enhr.net/ 81% 6% 4% 1% 7% 1% Percentagem de comunicações apresentadas na ENHR por continente Europa Oceânia América do Norte América do Sul Ásia África A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 23 É de referir também que na América Latina existe outra rede irmã da ENHR, a Latin American Network for Housing and Urban Research (LANHUR). 9 Relativamente aos autores que mais produzem comunicações para a ENHR podemos destacar dois nomes: Ade Kearns 10 e Reinout Kleinhans 11 , com 11 e 10 comunicações respetivamente. Segue-se um grupo de investigadores com 9 comunicações cada: Christine Whitehead 12 , Marja Elsinga 13 e Sasha Tsenkova 14 . Isto significa que são os autores que mais produzem conhecimento nos quatros anos estudados. Em contrapartida, verificamos que há muitos autores que apenas produziram quatro comunicações, como por exemplo Wenda Doff, Willem K. Korthals Altes ou Yoko Matsuoka. 9 http://www.enhr.net/ 10 Ade Kearns é professor de estudos urbanos na Universidade de Glasgow (Reino Unido) e membro da ENHR e dos working groups temáticos Poverty Neighbourhoods e Residence & Health. Investiga para as seguintes temáticas: Social Cohesion & Residential Neighbourhoods, Urban Governance, Health and Residence, Sustainable Communities, Ethnic Minority Housing. 11 Reinout Kleinhans é investigador sénior do OTB, da Delft University of Technology e possui interesses nas areas: Urban Renewal, Social Capital, Social Impact of Renewal Measures and Renewal-related Residential Mobility. 12 Christine Whitehead é professora das temáticas da habitação, é economista na London School of Economics and Political Science, autora de vários artigos e capítulos de livro sobre polítca habitacional e sobre o finaciamento à habitação. Possui diversos interesses: Housing Finance, Housing Policy, Housing Models, Private Rental Housing, Owner Occupation, Housing Finance and Taxation Policy, Housing Allowances and other Individual Housing Subsidies, Rent Control and Price Studies, Housing Production and Productivity. (http://www.lse.ac.uk/researchandexpertise/experts/[email protected]) 13 É professora e investigadora no OTB, da Delft University of Technology. Tem várias publicações sobre o mercado habitacional e a política habitacional. Tem como interesses: Owner Occupation, Tenure Policy and Tenure Conversions. 14 Sasha Tsenkova é professora de planeamento e desenvolvimento com formação de base em arquitectura. Possui um doutoramento em arquitetura e outro em Planeamento e Geografia na Faculdade de Ambiente e Design da Universidade de Calgary no Canadá. É também autora de vários artigos e livros sobre habitação e possui interesses nas seguintes áreas: Housing Market, East European Housing Policy, Home Ownership, Social Rented Housing e Housing Renewal. (http://www.ucalgary.ca/tsenkova/) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 24 Quadro 7: Nº de comunicações para os autores mais participativos das 4 Conferencias em análise. Autores Frequência Autores Frequência Ade Kearns 11 Darinka Czischke 4 Reinout Kleinhans 10 David Manley 4 Christine Whitehead 9 Eva Bosch 4 Marja Elsinga 9 George de Kam 4 Sasha Tsenkova 9 Gulcin Pulat Gokmen 4 Gerard van Bortel 8 Guy Johnson 4 David Mullins 7 Hal Pawson 4 Joris Hoekstra 7 Hans Skifter Andersen 4 Marietta Haffner 7 Heidrun Feigelfeld 4 Mark Stephens 7 Hélène Bélanger 4 Nico Nieboer 7 Henryk Adamczuk 4 Sarah Monk 7 Hugo Priemus 4 Eli Støa 6 Inga Britt Werner 4 Glen Bramley 6 Iván Tosics 4 Gwilym Pryce 6 Jardar Sorvoll 4 Henny Coolen 6 Jie Chen 4 Jens Lunde 6 Jos Smeets 4 Sake Zijlstra 6 Kathleen Scanlon 4 Sandra Marques Pereira 6 Kees Dol 4 Vincent Gruis 6 Kristof Heylen 4 Andre Ouwehand 5 Lena Magnusson Turner 4 André Thomsen 5 Margrit Hugentobler 4 Arne van Overmeeren 5 Morten Skak 4 Eva Andersson 5 Nadia Charalambous 4 Gemma Burgess 5 Nessa Winston 4 George Galster 5 Pascal De Decker 4 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 25 Gideon Bolt 5 Phil Mason 4 Maarten Van Ham 5 Richard Sendi 4 Mark Livingston 5 Roland Goetgeluk 4 Michael Oxley 5 Ronald van Kempen 4 Montserrat ParejaEastaway 5 Sako Musterd 4 Rebecca L. H. Chiu 5 Susanne Søholt 4 Andre Mulder 4 Tomislav Šimecek 4 Angela Spinney 4 Tony Gilmour 4 Anke Van Hal 4 Wenda Doff 4 Berit Nordahl 4 Willem K. Korthals Altes 4 Caroline Newton 4 Yoko Matsuoka 4 Clarine van Oel 4 3.2 O conhecimento e a produção do conhecimento na ENHR As redes de conhecimento podem ser definidas como espaços onde ocorrem trocas de conhecimento entre profissionais de diversas áreas. (Teixeira, 2011) O que quer dizer que a European Network for Housing Research (ENHR) é uma rede de conhecimento uma vez que vários profissionais, da área da habitação, produzem e disseminam conhecimento. Isto significa que nesta rede há uma transferência do conhecimento, podendo ser feita pelas conversas entre investigadores, por reuniões ou por apresentações de artigos escritos, que possibilitam a divulgação do conhecimento pela ENHR. Isto é visível em três dimensões distintas: 1Ao escrever um artigo com outros autores, os investigadores da ENHR produzem e trocam conhecimentos. 2O facto dos investigadores da ENHR pertencerem a um centro de investigação, significa que beneficiam de um ambiente específico de produção e troca de conhecimentos. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 26 3As conferências da ENHR são momentos de disseminação e troca de conhecimentos e possivelmente de criação de novas redes. Face a este enquadramento, devemos passar a esclarecer conceptualmente certos conceitos. 3.2.1 O conhecimento Várias são as definições que podem ser dadas ao conceito de conhecimento. O conhecimento pode ser caraterizado como uma “crença qualificada, designadamente como crença verdadeira e justificada” (Santos, 2009 cit. Barata, 2006). Isto significa que para existir conhecimento é necessário que este seja uma crença, seja verdadeiro e seja justificado. O conceito de conhecimento pode ainda ser definido como um “processo humano dinâmico de justificação da crença pessoal dirigida à verdade” (Santos,2009 cit. Nonaka e Takeuchi, 2008). É possível ainda defini-lo como “o conhecimento é a capacidade para a ação efetiva” (Capasso cit. Senge, 1990). Por outro lado, todo o conhecimento é pessoal e público (Santos, 2009 cit, Polanyi), O conhecimento é construído através de experiências vivenciadas socialmente, sendo acrescentado ao conhecimento já adquirido aquele que se vai herdando por processos de interação social. (Santos, 2009) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 27 3.2.2 Dimensões do conhecimento Figura 2 - Alegoria do iceberg: a dimensão tácita e explícita do conhecimento (Santos, 2009) O conhecimento explícito é normalmente designado de objetivo. É mais simples de ser codificado e pode ser partilhado mais facilmente. Seguindo Hélder Santos (2009) “o conhecimento explícito é estruturado, pode ser expresso recorrendo a códigos universais (palavras, símbolos, sons, números, …) e pode ser partilhado facilmente (através de manuais, artigos, regras, procedimentos, bases de dados…) sem se recorrer à experiência direta”. Mas, este conhecimento explícito é apenas a pequena parte visível do iceberg do conhecimento, “representa apenas uma pequena parte do universo do conhecimento do indivíduo, permanecendo o restante sob a forma tácita.” (Santos, 2009). A enorme massa do iceberg submersa corresponde ao conhecimento tácito. O conhecimento tácito é mais pessoal e difícil de ser codificado. Resulta de uma longa experiencia e a sua transmissão é complexa. Segundo Santos (2009) “É uma dimensão pessoal e subjectiva do conhecimento, própria do contexto, difícil de formalizar e de codificar e, como tal, de transmitir. Este conhecimento tácito transmite-se tendencialmente de forma direta.” A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 28 Estas duas dimensões do conhecimento, apesar de serem diferentes e de as conseguirmos separar teoricamente, elas completam-se e não se substituem uma à outra e sobretudo interagem entre si. 3.2.3 A produção e disseminação de conhecimento na ENHR Quando os investigadores da ENHR escrevem um artigo, estão a construir um conhecimento explícito, ou seja, é um conhecimento que é apresentado oralmente e é escrito em forma de publicação. Logo, há um processo de explicitação do conhecimento, de forma a ser trocado e disseminado com mais facilidade. No entanto, o conhecimento tácito também está presente neste processo uma vez que a dimensão pessoal e subjetiva do conhecimento está presente, pois a comunicação oral ou escrita exigiram um processo de criação de conhecimento, realizado por um investigador ou vários. Assim, o processo de construção de um artigo envolve tanto conhecimento explícitos quanto conhecimentos tácitos, num processo em que o conhecimento existente pode reconfigurar-se, transcender-se, podendo gerar um novo conhecimento. A produção de conhecimento é executada por indivíduos ou grupos de indivíduos, ou ainda por redes interativas de indivíduos, inseridos em organizações. A interação entre os indivíduos procura estabelecer relações entre o conhecimento tácito e explicito para que, reconfigurando o conhecimento já existente, surjam novos conhecimentos e novas aplicações. O facto dos problemas que surgem na temática da habitação serem cada vez mais complexos e mais diversificados, faz com que os indivíduos sejam mais pressionados a reforçar os processos interativos de produção de conhecimento, assente em redes (intra e inter-organizacionais). As redes ajustam-se melhor às características multidimensionais das dinâmicas de produção de conhecimento. A produção de conhecimento está a sofrer uma transformação no sentido de reforçar uma maior ligação entre a investigação e a aplicação. Se analisarmos as temáticas da rede da ENHR podemos verificar que esse cruzamento é claro e que se tem vindo a acentuar-se. As temáticas da produção e da procura da habitação cruzam-se com diferentes configurações, desde os temas mais económico-financeiros, passando pelos mercados da habitação até às problemáticas sociais. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 29 A produção de conhecimento na área da habitação, mostra que se tem vindo a diversificar a produção, assim como também se tem vindo a alargar a diversidade de atores envolvidos. Os artigos apresentados na ENHR são escritos por autores pertencentes a diversos tipos de organismos. Divergem entre centros de investigação ou/e a organismos do Estado, empresas de construção, imobiliárias, empresas de capital de risco, organismos de apoio social, etc. Assim, o conhecimento é produzido em diversos contextos, em função dos problemas e evoluindo em função das necessidades. A produção do conhecimento pode então surgir em contextos muito especializados (centros de investigação muito especializados, centrados numa área científica) ou em ambientes cientificamente híbridos (envolvendo arquitetos, economistas, sociólogos, geógrafos, etc.) ou envolvendo diferentes tipos de interesses (exemplo, políticos).  Países e continentes mais fortes na produção de conhecimento Analisando, pormenorizadamente, a rede da ENHR, constatamos que são os países europeus que mais produzem conhecimento para esta rede. Vejamos, a Holanda produziu 237 comunicações, o Reino Unido produziu 194 e a Turquia 75. É de destacar também a Austrália e a Suécia com 71 comunicações cada. Consequentemente é o continente europeu que assume o papel central na produção de conhecimento na área da habitação, com 81% das comunicações da ENHR. O continente asiático ocupa o segundo lugar, com 7% das comunicações.  Centros mais fortes na produção de conhecimento Os centros mais fortes na produção de conhecimento são também europeus e, olhando para os números relativos à participação de cada centro de investigação na produção de conhecimento dos 21 working groups temáticos, podemos afirmar que os centros que assumem um papel central na rede apresentam também uma produção muito diversificada. O OTB Research Institute, centro de investgação holandês, tem uma participação em 16 working groups temáticos. O Delft University of Technology, também um centro de investigação holandês, participa em 16 dos 21 working groups. Já o Istanbul Technical University, centro de investigação turco, vê a sua participação em 10 working groups. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 36 Os que apresentam um valor mais baixo são então o working group East European Housing & Urban Policy e o working group Land Markets and Housing Policy pois a sua ligação aos working groups mais centrais da rede é fraca. Quadro 10: Indicadores relativos ao out-degree, betweenness centrality, closeness centrality e eigenvector centrality para o continente de origem dos autores relativamente aos working groups temáticos. Vértices: Continentes OutDegree Betweenness Centrality Closeness Centrality Eigenvector Centrality Europa 22 212,883 0,031 0,047 Asia 19 133,758 0,026 0,043 América do Norte 17 95,825 0,024 0,040 Oceânia 16 72,548 0,023 0,039 América do Sul 9 15,810 0,017 0,024 Africa 8 13,177 0,017 0,021 Relativamente aos indicadores relativos aos continentes em relação aos working groups temáticos, verificamos que a Europa tem representação em todos os working groups temáticos (out-degree). Isto significa que os investigadores europeus estão representados em todos os 21 working groups e produzem conhecimento para os mesmos 21 working groups da ENHR Conferences. A Europa é seguida pela Ásia que tem representatividade em 19 working groups temáticos, segue-se depois a América do Norte com presença em 17 working groups. A América do Sul e a África possuem a menor representatividade nos working groups temáticos com 9 e 8 presenças respetivamente. Analisando agora os indicadores do grau de intermediação, grau de proximidade e eigenvector centrality constatamos que a Europa possui os valores mais elevados. Isto significa que é a Europa que possui uma maior capacidade para intermediar informação e possui um papel crucial nas ligações dentro desta rede. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 37 É a Europa que também apresenta a maior capacidade de se ligar aos restantes nós da rede bem como assume o papel central estando também ligada a alguns continentes que também assumem um papel central. Em contrapartida é o continente africano que apresenta os valores mais baixos nestes mesmos indicadores. Demostra então que o continente africano não é crucial nas ligações dentro da rede, possui uma fraca capacidade para se ligar aos demais e assume um papel periférico pois tem poucas ligações com os atores que possuem um papel central. Figura 4 – Grafo da rede das ligações entre os working groups temáticos e os autores (anexo2) Nota 2 - o grafo representa a rede das ligações entre os working groups temáticos (representados por círculos com uma dimensão proporcional ao in-degree e com cores em função dos 6 temas do quadro 2) e os autores (representados por círculos a cinza). A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 38 É de salientar que, esta rede é direcional. Ou seja, as suas ligações possuem sempre uma direção e é possivel analisar o grau de saída ou o grau de entrada de um nó. Olhando para o grafo podemos logo tirar algumas conclusões. Existem working groups que são claramente mais centrais e que outros são mais periféricos, tal como autores. Há working groups com mais autores associados e outros com menos. Isto é visível através da proporção dos cículos que representam os working groups. Podemos também verificar que existe uma aproximação de determinados cículos e um afastamento em relação a outros, o que significa que os que se encontram mais próximos partilham informação entre si. Mas analisando os quadros 11, 12 e 13 com os diversos indicadores conseguimos tirar diversas conclusões. Quadro 11: Propriedades da rede relativa à relação existente entre os 21 working groups temáticos com os autores. Graph Type Directed Vertices 1439 Total Edges 2045 Graph Density 0,000822 Assim, pelos dados apresentados no quadro 11, verificamos que esta rede é uma rede direcional, possui 1439 vértices e um total de 2045 ligações. Quanto à densidade, verificamos que assume o valor de 0,000822. Quadro 12: Indicadores relativos ao in-degree, betweenness centrality e eigenvector centrality para os grupos temáticos relativamente aos autores. Vértices: Grupos Temáticos InDegree Betweenness Centrality Eigenvector Centrality Housing Economics 213 607426,118 0,004 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 39 Housing and Urban Sustainability 192 521026,304 0,001 Social Housing: Institutions, Organisations and Governance 153 405673,080 0,001 Residential Environments and People 115 296103,385 0,001 Migration, Residential Mobility, and Housing Policy 93 221397,275 0,000 Poverty Neighbourhoods 92 228529,253 0,000 Welfare Policy, Homelessness, and Social Exclusion 88 208773,890 0,000 Housing Finance 85 218069,794 0,001 Housing in Developing Countries 83 210859,054 0,000 Housing Regeneration and Maintenance 79 185412,637 0,000 Minority Ethnic Groups and Housing 67 147494,465 0,000 Metropolitan Dynamics: Urban Change, Markets and Governance 66 159828,551 0,000 Housing & Living Conditions of Ageing Populations 66 156809,770 0,000 Legal Aspects of Housing, Land and Planning 64 154096,803 0,000 The Residential Context of Health 59 137369,372 0,000 East European Housing & Urban Policy 44 105468,261 0,000 Residential Buildings and Architectural Design 36 82960,257 0,000 Private Rented Markets 33 68293,368 0,000 Gender and Housing 26 62311,014 0,000 Tools to facilitate housing and urban processes 23 57926,422 0,000 Land Markets and Housing Policy 15 22203,203 0,000 Home Ownership and Globalisation 9 11343,722 0,000 Olhando para os indicadores dos working groups relativamente aos autores, em particular o in-degree, verificamos que os working groups com mais autores a produzirem conhecimento para esses mesmos working groups são: Housing Economics com 213 autores; Housing and Urban Sustainability com 192 e Social Housing: Institutions, Organisations and Governance com 153 autores (quadro 12). Já os working groups que possuem menos autores a produzirem conhecimento são: - Tools to facilitate housing and urban processes com 23 autores; Land Markets and Housing Policy com 15 autores e Home Ownership and Globalisation com apenas 9. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 40 No que diz respeito ao indicador do grau de intermediação (Betweenness Centrality) verificamos que os working groups que possuem o in-degree mais elevado são também os que possuem o maior grau de intermediação. Significa então que estes três working groups assumem um papel importante na passagem de informação entre os restantes nós. São essenciais nas ligações estabelecidas nesta rede. Da mesma forma, os três working groups que possuem um grau de intermediação com o valor mais baixo no são também os que possuem o in-degree menos elevado (Tools to facilitate housing and urban processes; Land Markets and Housing Policy; Home Ownership and Globalisation). Ou seja, não assumem um pepel crucial na transmissão de informação com os outros nós. Se tivermos em conta o indicador Eigenvector Centrality averiguamos que apenas cinco working groups possuem valor no quadro 12 (Housing Economics; Housing and Urban Sustainability; Social Housing: Institutions, Organisations and Governance; Residential Environments and People e Housing Finance) os restantes apresentam o valor zero. Significa que estes working groups são os mais centrais e também estabelecem relações com outros working groups centrais. Verificamos que quatro dos cinco working groups também apresentam os valores mais elevados de in-degree (Housing Economics; Housing and Urban Sustainability; Social Housing: Institutions, Organisations and Governance; Residential Environments and People) mas o working group Housing Finance não possui um in-degree elevado como os restantes. Portanto, ele apresenta valor de Eigenvector Centrality uma vez que, apesar de não ser central, está ligado a outros que exercem uma grande influência nesta rede. Quadro 13: Indicadores relativos ao out-degree, betweenness centrality e eigenvector centrality para os autores relativamente aos working groups. Vértices: Autores OutDegree Betweenness Centrality Eigenvector Centrality Marja Elsinga 5 68536,769 0,004 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 41 Ade Kearns 5 70554,619 0,002 Sarah Monk 5 58842,864 0,004 Montserrat Pareja-Eastaway 5 84030,102 0,004 Reinout Kleinhans 4 13205,276 0,001 Sasha Tsenkova 4 30372,750 0,001 Joris Hoekstra 4 13730,204 0,003 Marietta Haffner 4 22933,360 0,004 Michael Oxley 4 22933,360 0,004 Sandra Marques Pereira 4 57390,860 0,003 Gemma Burgess 4 45313,703 0,003 Henryk Adamczuk 4 51296,683 0,003 Ronald van Kempen 4 13205,276 0,001 Hugo Priemus 4 41190,438 0,004 Caroline Newton 4 38949,881 0,001 Nadia Charalambous 4 42997,557 0,001 Christine Whitehead 3 7494,429 0,003 Mark Stephens 3 14114,412 0,003 Mark Livingston 3 12575,775 0,001 Gideon Bolt 3 6325,291 0,000 Glen Bramley 3 13720,848 0,003 Kristof Heylen 3 21343,539 0,001 Olhando agora para os indicadores sobre os autores, relativamente aos working groups concluímos que, há quatro autores que escrevem para cinco working groups temáticos: Marja Elsinga, Ade Kearns, Sarah Monk e Montserrat Pareja-Eastaway. Com comunicações para quatro working groups temáticos há doze autores, nomeadamente: Reinout Kleinhans, Sasha Tsenkova, Joris Hoekstra, Marietta Haffner, Michael Oxley, Sandra Marques Pereira, entre outros. Significa que estes autores diversificam mais na produção de conhecimento pois escrevem para temas variados. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 42 O índice de intermediação indica-nos que os autores que produzem conhecimento para cinco working groups são também os que possuem os valores mais elevados neste mesmo índice. São estes autores os mais intermediários da rede e assumem também um papel importante nas ligações estabelecidas na rede de conhecimento. Já o índice Eigenvector Centrality é liderado por seis autores Marja Elsinga, Sarah Monk e Montserrat Pareja-Eastaway, Marietta Haffner, Michael Oxley e Hugo Priemus. Portanto, estes seis autores são os mais centrais e estabelecem relações com outros que ocupam uma posição igualmente central. Verificamos no entanto que, três dos seis autores, também apresentam os valores mais elevados de in-degree (Marja Elsinga, Sarah Monk e Montserrat Pareja-Eastaway). Já os outros três autores (Marietta Haffner, Michael Oxley e Hugo Priemus) não possuem um in-degree tão elevado. Significa então que apesar de não serem centrais, estão conectados a outros que exercem uma grande influência nesta rede. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 43 Figura 5 – Grafo da rede das ligações entre os working groups temáticos e as instituições (anexo 3) Nota 3 - O grafo representaa rede das ligações entre os working groups temáticos (representados por círculos com uma dimensão proporcional ao out-degree e com cores em função dos 6 temas do quadro 2) e as instituições (representadas por círculos a cinza). É de salientar que, esta rede é direcional. Ou seja, as suas ligações possuem sempre uma direção e é possivel analisar o grau de saída ou o grau de entrada de um nó. Fazendo uma primeira análise do grafo (figura 5) que representa a relação entre os working groups temáticos e as instituições verificamos que há working groups claramente centrais e outros periféricos na rede, tal como também existem instituições mais centrais e outras mais periféricas. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 44 Há working groups que têm mais instituições associadas e outros que possuem menos. Isto é visivél através da proporção dos cículos. Cículos maiores signica que possuem um maior número de instituições associadas. Podemos também verificar que há uma maior aproximação entre alguns grupos temáticos e um afastamento em relação a outros. Quer dizer então que esta aproximação se deve a uma maior partilha de instituições entre os working groups. Mas para uma análise mais pormenorizada vamos analisar os quadros que se seguem com diferentes indicadores. Quadro 14: Propriedades da rede relativa à relação entre os working groups temáticos e as instituições. Graph Type Directed Vertices 727 Total Edges 2025 Graph Density 0,002015907 Através do quadro acima, verificamos que esta rede é uma rede direcional, possui 727 vértices e um total de 2025 ligações. Quanto à densidade, verificamos que assume o valor de 0,002015907. Quadro 15: Indicadores relativos ao out-degree, betweenness centrality, closeness centrality e eigenvector centrality para os working groups temáticos relativamente às instituições. Vértices: Grupos Temáticos OutDegree Betweenness Centrality Closeness Centrality Eigenvector Centrality Housing Economics 134 132872,733 0,001 0,006 Housing and Urban Sustainability 99 92699,873 0,000 0,004 Social Housing: Institutions, Organisations and Governance 96 96785,771 0,001 0,004 Residential Environments and People 67 54758,821 0,000 0,003 Welfare Policy, Homelessness, and Social Exclusion 66 57841,946 0,000 0,002 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 45 Migration, Residential Mobility and Housing Policy 61 51625,816 0,000 0,002 Housing Finance 58 58481,486 0,000 0,002 Housing & Living Conditions of Ageing Populations 52 46207,904 0,000 0,001 Poverty Neighbourhoods 50 40698,409 0,000 0,002 Housing in Developing Countries 48 48741,906 0,000 0,001 Minority Ethnic Groups and Housing 47 41867,158 0,000 0,001 Metropolitan Dynamics: Urban Change, Market and Governance 46 40848,522 0,000 0,001 The Residential Context of Health 43 37914,317 0,000 0,001 Housing Regeneration and Maintenance 42 39042,897 0,000 0,001 Legal Aspects of Housing, Land and Planning 39 37807,916 0,000 0,001 East European Housing & Urban Policy 29 32406,591 0,000 0,000 Residential Buildings and Architectural Design 24 25533,553 0,000 0,000 Private Rented Markets 22 16934,662 0,000 0,001 Gender and Housing 15 10813,103 0,000 0,000 Land Markets and Housing Policy 13 6315,399 0,000 0,001 Tools to facilitate housing and urban processes 7 4670,762 0,000 0,000 Home Ownership and Globalisation 6 626,455 0,000 0,000 Olhando para o quadro 15 dos indicadores sobre os working groups relativamente às instituições podemos dizer que são três os working groups temáticos que possuem um out-degree mais elevado. Significa isto que são os working groups com o maior número de instituições associadas. O working group Housing Economics com 134 instituições, o Housing and Urban Sustainability com 99 e o Social Housing: Institutions, Organisations and Governance com 96. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 52 Tools to facilitate housing and urban processes 7 4670,762 0,000 0,000 Home Ownership and Globalisation 6 626,455 0,000 0,000 Analisando o quadro 18 dos indicadores para os working groups relativamente às instituições podemos dizer que são três os working groups temáticos que possuem um out-degree mais elevado, o Housing Economics com 134 instituições, o Housing and Urban Sustainability com 99 e o Social Housing: Institutions, Organisations and Governance com 96, o quer dizer que são os working groups com o maior número de instituições associadas. Já os working groups com menos instituições associadas são o Tools to facilitate housing and urban processes com 7 instituições e o Home Ownership and Globalisation com 6. Relativamente ao indicador do grau de intermediação (Betweenness Centrality) constatamos que os três working groups que possuem o out-degree mais elevado são também os que possuem o maior grau de intermediação.Significa então que, para além de terem mais instituições associadas, possuem também uma elevada capacidade de intermediar informação entre os restantes vértices e um papel importante nas ligações estabelecidas na rede. Já os working groups que possuem um grau de intermediação mais baixo são também os que possuem um out-degree mais baixo (Tools to facilitate housing and urban processes e Home Ownership and Globalisation). Portanto, são estes working groups que possuem uma menor capacidade na intermediação de informação e um papel pouco significativo nas ligações estabelecidas na rede. Quanto ao indicador do grau de proximidade (Closeness Centrality) verificamos que apenas dois working groups possuem valor no quadro 18 (Housing Economics e Social Housing: Institutions, Organisations and Governance), o que indica que são estes os únicos working groups que possuem a capacidade de se ligarem a outros nesta rede. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 53 Já no indice Eigenvector Centrality os working groups que apresentam um valor mais elevado são o Housing Economics, o Housing and Urban Sustainability e o Social Housing: Institutions, Organisations and Governance. São então estes os working groups que possuem uma maior ligação com os outros que também ocupam uma posição central na rede. Há working groups que possuem um valor de Eigenvector Centrality mais baixo (Housing & Living Conditions of Ageing Populations, Housing in Developing Countries, Land Markets and Housing Policy, por exemplo) pois as ligações com os que ocupam uma posição central são mais baixas. Quadro 19: Indicadores relativos ao in-degree, betweenness centrality, closeness centrality e eigenvector centrality para as instituições relativamente aos working groups temáticos. Vértices: Instituições InDegree Betweenness Centrality Closeness Centrality Eigenvector Centrality OTB Research Institute | Delft University of Technology | The Netherlands 16 48074,889 0,001 0,011 Delft University of Technology | The Netherlands 16 70537,741 0,001 0,012 Istanbul Technical University | Turkey 10 22272,936 0,000 0,007 Institute for Housing and Urban Research | Uppsala university | Sweden 9 20115,241 0,001 0,008 Danish Building Research Institute | Aalborg University | Denmark 8 13861,160 0,001 0,009 Institute of Sociology | Academy of Sciences of the Czech Republic | Czech Republic 8 27024,379 0,000 0,005 University of Cambridge | United Kingdom 7 8695,876 0,000 0,004 University of Glasgow | United Kingdom 6 7975,142 0,000 0,007 University of Barcelona | Spain 6 8557,135 0,000 0,007 University of New South Wales, AUSTRALIA 6 10660,208 0,000 0,007 London School of Economics | United Kingdom 6 6554,067 0,000 0,006 Heriot-Watt University | United Kingdom 6 8248,788 0,000 0,007 University of Amsterdam | The Netherlands 6 7201,566 0,000 0,006 University of St Andrews, UNITED KINGDOM 5 4410,134 0,000 0,005 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 54 Uppsala University | Sweden 5 4216,205 0,000 0,006 Royal Institute of Technology, Stockholm, SWEDEN 5 4840,985 0,000 0,007 Swinburne University | Australia 5 4454,849 0,000 0,005 Sheffield Hallam University | United Kingdom 5 4602,059 0,000 0,005 Norwegian Institute for Urban and Regional Research | Norway 5 5899,372 0,000 0,006 RMIT University | Melbourne | Australia 5 4319,792 0,000 0,005 Urban Planning Institute of the Republic of Slovenia | Slovenia 5 6237,710 0,000 0,004 City Futures Research Centre, University of New South Wales, AUSTRALIA 5 8124,732 0,000 0,006 Examinando os indicadores relativos às instituições relativamente aos working groups temáticos (quadro 19) percebemos que são três as instituições que se ligam a um número mais elevado de working groups. O OTB Research Institute com ligação a 16 working groups, o Delft University of Technology com ligação a também 16 working groups e o Istanbul Technical University com ligação a 10. Esta situação demonstra que, estas instituições diversificam mais nos temas do conhecimento que produzem pois têm uma maior ligação aos working groups. Já as instituições com uma menor ligação aos working groups são, por exemplo, o Urban Planning Institute of the Republic of Slovenia com ligação a 5 working groups e o City Futures Research Centre, University of New South Wales também com 5 ligações. Significa então que estas instituições diversificam menos nos temas do conhecimento por elas produzido. Relativamente ao grau de intermediação verificamos que, as instituições que possuem um valor mais elevado são o Delft University of Technology, o OTB Research Institute, a Academy of Sciences of the Czech Republic e o Istanbul Technical University. Quer isto dizer que, estas instituições assumem um pepel importante na intermediação do conhecimento na rede, bem como, um papel significativo nas ligações estabelecidas. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 55 Enquanto que as instituições Uppsala University, RMIT University e University of St Andrews possuem os valores mais baixos relativos ao grau de intermediação. Portanto não têm um papel significativo na intermediação do conhecimento nem são cruciais nas ligações estabelecidas na rede. Em relação ao grau de proximidade, apenas quatro instituições possuem valores no quadro 19: o OTB Research Institute, o Delft University of Technology, o Institute for Housing and Urban Research e o Danish Building Research Institute. Portanto, são estas instituições que estão mais próximas das outras. No que diz respeito ao Eigenvector Centrality, verificamos que o OTB Research Institute, o Delft University of Technology, o Istanbul Technical University, o Institute for Housing and Urban Research e o Danish Building Research Institute são as instituições que possuem um valor mais elevado. Significa que são estas as instituições mais centrais na medida em que também estabelecem relações com as que possuem um papel central na rede.A University of Cambridge e o Urban Planning Institute of the Republic of Slovenia são as instituições que apresentam um índice de Eigenvector Centrality mais baixo. Significa isto que, não são instituições centrais nem possuem ligações relevantes com outras que o são. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 56 Figura 7 – Grafo da rede do relacionamento entre as Instituições e os Autores (anexo 5) Nota 5 – O grafo representaa rede do relacionamento entre as Instituições e os Autores. As Instituições estão representadas por círculos proporcionais ao in-degree e com cores representativas do continente onde se localizam (azul para a Europa; amarelo para a Oceânia; verde para a Ásia; castanho para a África; laranja para a América do Norte e um laranja mais claro para a América do Sul). Os autores estão representados por quadrados cinzentos. É de salientar que, esta rede é direcional. Ou seja, as suas ligações possuem sempre uma direção e é possivel analisar o grau de saída ou o grau de entrada de um nó. Fazendo uma primeira análise ao grafo acima representado podemos, de imediato, tirar algumas conclusões. Em primeiro lugar podemos logo afirmar que existem instituições mais centrais que outras e é de destacar logo três delas: o OTB Research Institute, o Delft University of A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 57 Technology e o Istanbul Technical University. E há também autores que são mais centrais que outros. Os círculos que representam as instituições indicam-nos que, quanto maior o círculo, maior o número de autores associados. E quanto maior for a proximidade entre as instituições maior será também os autores que partilham entre si. Outra coisa a salientar, mais uma vez, é a mancha azul que se vê no grafo. Isto significa que a maioria das instituições é europeia. Mas para uma melhor análise do grafo vamos recorrer aos quadros abaixo relativos aos diversos indicadores. Quadro 20: Propriedades da rede relativa ao relacionamento entre as Instituições e os Autores. Graph Type Directed Vertices 1211 Total Edges 1484 Graph Density 0,000783452 Através do quadro acima, verificamos que esta rede é uma rede direcional, possui 1211 vértices e um total de 1484 ligações. Quanto à densidade, verificamos que assume o valor de 0,000783452. Quadro 21: Indicadores relativos ao in-degree, betweenness centrality, closeness centrality e eigenvector centrality para as instituições relativamente aos autores. Vértices: Instituições InDegree Betweenness Centrality Closeness Centrality Eigenvector Centrality OTB Research Institute | Delft University of Technology | The Netherlands 79 60027,000 0,001 0,011 Delft University of Technology | The Netherlands 68 31217,579 0,001 0,007 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 58 Istanbul Technical University | Turkey 34 2378,000 0,012 0,000 University of Glasgow | United Kingdom 18 1772,667 0,003 0,000 University of St Andrews, Scotland, United Kingdom 15 10436,000 0,001 0,000 Sheffield Hallam University, Sheffield, UNITED KINGDOM 15 210,000 0,067 0,000 City Futures Research Centre University of New South Wales, AUSTRALIA 15 16401,000 0,001 0,000 Institute for Housing and Urban Research | Uppsala University | Sweden 14 2515,000 0,003 0,000 RMIT University | Melbourne | Australia 14 552,333 0,021 0,000 Heriot Watt University, UNITED KINGDOM 13 7396,000 0,000 0,000 KTH - Royal Institute of Technology | Sweden 13 307,000 0,036 0,000 Utrecht University | The Netherlands 12 8918,000 0,000 0,000 Eastern Mediterranean University | Turkey 12 289,000 0,031 0,000 Danish Building Research Institute, University of Aalborg, DENMARK 12 490,000 0,023 0,000 NOVA - Norwegian Social Research | Norway 11 565,000 0,014 0,000 University of York | United Kingdom 10 1388,000 0,003 0,000 University of Cambridge | United Kingdom 10 489,000 0,014 0,000 Uppsala University | Sweden 10 3179,000 0,004 0,000 Norwegian Institute for Urban and Regional Research | Norway 10 148,000 0,063 0,000 University of Barcelona | Spain 9 200,000 0,034 0,000 London School of Economics | United Kingdom 9 550,000 0,015 0,000 No que diz respeito aos indicadores para as instituições relatiamente aos autores verificamos que há três instituições que apresentam o in-degree mais elevado (quadro 21). Quer dizer que são estas instituições que têm mais autores associados. O OTB Research Institute possui 79 autores associados, o Delft University of Technology possui 68 e o Istanbul Technical University possui 34. Já as instituições que possuem um in-degree mais baixo, ou seja, que têm menos autores associados, são a University of Barcelona e a London School of Economics com 9 autores cada uma. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 59 Em relação ao grau de intermediação verificamos que são também três as instituições com o grau mais elevado: o OTB Research Institute, o Delft University of Technology e o City Futures Research Centre University of New South Wales. Estas instituições são as que possuem uma maior capacidade para intermediar o conhecimento e assumem um papel importante nas ligações estabelecidas na rede. Em contrapartida, as que apresentam um grau de intermediação mais baixo, ou seja, aquelas que possuem uma menor capacidade de intermediação do conhecimento e que não assumem um papel tão relevante nas ligações desta rede são a University of Barcelona e a Sheffield Hallam University. Analisando agora o grau de proximidade verificamos que as instituições que possuem um valor mais elevado são a Sheffield Hallam University e o Norwegian Institute for Urban and Regional Research. Já as que possuem um valor mais baixo são o OTB Research Institute, o Delft University of Technology e a University of St Andrews. O indicador de Eigenvector Centrality mostra que apenas duas instituições possuem valor no quadro (o OTB Research Institute e o Delft University of Technology). Significa que são estas as duas instituições mais centrais e que possuem ligações relevantes entre si. Quadro 22: Indicadores relativos ao out-degree, betweenness centrality, closeness centrality e eigenvector centrality para os autores relativamente às instituições. Vértices: Autores OutDegree Betweenness Centrality Closeness Centrality Eigenvector Centrality Eli Støa 5 46,000 0,071 0,000 David Mullins 5 7860,000 0,001 0,008 Kristof Heylen 4 24,000 0,111 0,000 Mark Stephens 4 1757,244 0,003 0,000 Angela Spinney 4 153,000 0,032 0,000 Vincent Gruis 4 1197,949 0,001 0,006 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 60 Rebecca L. H. Chiu 4 66,000 0,048 0,000 Eva Andersson 4 846,000 0,002 0,000 Darinka Czischke 4 1185,114 0,001 0,006 Jie Chen 3 2884,000 0,004 0,000 Inga Britt Werner 3 148,000 0,028 0,000 Ronald van Kempen 3 9149,000 0,001 0,000 Elizabeth Taylor 3 98,000 0,015 0,000 Gideon Bolt 3 12355,000 0,001 0,000 Sanne Boschman 3 2410,000 0,001 0,008 Jordi Bayona-i-Carrasco 3 118,000 0,029 0,000 Glen Bramley 3 811,000 0,000 0,000 Guy Johnson 3 200,333 0,017 0,000 Jane Ball 3 24,000 0,111 0,000 Caroline Newton 3 7,000 0,200 0,000 Montse Simó 3 43,000 0,025 0,000 Ao analisarmos os indicadores relativos aos autores relativamente às instituições (quadro 22) percebemos que, em relação ao in-degree, existem dois autores em destaque pois são aqueles que apresentam um maior valor, Eli Støa e David Mullins. Estes autores estão associados a cinco instituições cada um. Aqueles que apresentam um in-degree mais baixo, ou seja, que estão associados a um menor número de instituições são, por exemplo Jane Ball, Caroline Newton e Montse Simó com três instituições associadas. Relativamente ao grau de intermediação percebemos que Gideon Bolt, Ronald van Kempen e David Mullins são os autores que apresentam os valores mais elevados. São, portanto, estes os autores com a maior capacidade para a intermediação do conhecimento. Possuem também um papel relevante nas ligações da rede. Já Caroline Newton, Kristof Heylen e Montse Simó são os autores que apresentam os valores mais baixos no grau de intermediação. Estes autores não assumem um papel A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 61 importante na intermediação do conhecimento nem nas ligações que estabelecem na rede. Em relação ao grau de proximidade destacamos três autores que possuem os valores mais elevados Kristof Heylen, Jane Ball e Caroline Newton. Os que apresentam os valores mais baixos são David Mullins, Vincent Gruis, Darinka Czischke, Gideon Bolt e Sanne Boschman. No indicador de Eigenvector Centrality apenas quatro autores possuem valor no quadro David Mullins, Vincent Gruis, Darinka Czischke e Sanne Boschman. David Mullins também possui um in-degree elevado mas os restantes não. Isto signifiva que este autor é central e embora os outros não sejam tão centrais possuem ligações com aqueles que possuem um papel central na rede. Figura 8 – Grafo da rede do relacionamento dos autores com outros autores da ENHR (anexo 6) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 68 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 69 Capítulo IV 4. Conclusões Olhando para os objetivos a que nos propusemos no início desta investigação vamos organizar as conclusões tendo em conta alguns aspetos.  A influência geográfica da rede ENHR Apesar de a ENHR ser uma rede europeia e um importante centro de produção de conhecimento europeu na área da habitação, tem vindo a ganhar, cada vez mais, interesse internacional. Isto é bem visível através da importância que as comunicações apresentadas nas conferências anuais da rede oriundas de países europeus assumem. Cerca de 20% das comunicações são oriundas de fora da Europa, e aqui o continente asiático destaca-se em relação aos restantes continentes. Não só pelo número de comunicações mas também pela diversidade temática que apresenta. Se falarmos agora em países e na sua representatividade na rede destacamos, sem sombra de dúvidas, a Holanda. Mas o Reino Unido também se destaca, surgindo depois a Turquia, a Austrália e a Suécia. Ainda com um número significativo de comunicações produzidas salientamos também a Noruega, a Dinamarca, a França, a Espanha, os EUA, a Alemanha, a República Checa e a Áustria. Se tivermos em conta os working groups temáticos, percebemos que as instituições europeias produzem conhecimento para todos eles e com um número elevado de comunicações. O continente asiático, a América do Norte e a Oceânia, apesar de também terem um papel importante na ENHR, são ligeiramente menos abrangentes pois estão presentes, não em todos, mas em 19, 17 e 16 working groups temáticos respetivamente. A América do Sul e a África são claramente periféricos nesta rede de conhecimento tendo um número reduzido de comunicações produzidas. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 70  A produção temática da rede ENHR Em termos globais os working groups temáticos Housing Economics, Housing and Urban Sustainability, Social Housing: Institutions, Organisations and Governance e Residential Environments and People possuem mais ligações diretas com os autores, apresentando também uma maior centralidade na rede. Isto significa que possuem vantagem para estabelecer ligações favoráveis para a produção de conhecimento em matéria de habitação, uma vez que possuem uma posição central na rede. O working group Housing Economics tem 213 autores a produzir para si. O Housing and Urban Sustainability possui 192 autores, para o Social Housing: Institutions, Organisations and Governance produzem 153 autores e para o working group Residential Environments and People produzem conhecimento 115 autores. No entanto, há temáticas que não têm grande expressividade na rede e são obviamente periféricas. O working group Home Ownership and Globalisation e o Land Markets and Housing Policy são exemplos disso mesmo, com um fraco número de comunicações produzidas e um número de autores envolvidos igualmente fraco. O número reduzido de autores associados a estes working groups temáticos (menos de 20 autores) não estabelece condições necessárias para a partilha, divulgação e absorção de conhecimento.  A força das instituições na rede ENHR No que diz respeito às instituições, o OTB Research Institute (Holanda) e a Delft University of Technology (Holanda) possuem um papel importante nesta rede de conhecimento evidenciado pela clara centralidade que assumem. Estas duas instituições estão presentes em 16 working groups temáticos, o que significa uma posição privilegiada na divulgação do conhecimento na área da habitação. Mas existem outras instituições com uma forte centralidade nesta rede do conhecimento, por exemplo: o Istanbul Technical University (Turquia), o Institute for Housing and Urban Research - Uppsala University (Suécia), o Danish Building Research Institute - Aalborg University (Dinamarca), o Institute of Sociology - Academy of Sciences of the Czech Republic (Républica Checa), a University of Cambridge (Reino Unido), a University of Glasgow A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 71 (Reino Unido), a University of Barcelona (Espanha), a University of New South Wales (Austrália), o London School of Economics (Reino Unido), a Heriot-Watt University (Reino Unido) e a University of Amsterdam (Holanda).  Os autores/investigadores na rede ENHR Em relação aos autores/investigadores que fazem parte da ENHR podemos dizer que o seu perfil é muito diversificado. Há autores que produzem muito para um único working group temático, mas há também autores que produzem para vários working groups sendo então muito mais diversificados na sua produção. Cerca de 16 investigadores produzem comunicações para 4 ou 5 working groups temáticos. São estes tipos de autores, com uma produção mais diversificada, que podem ter um papel importante na troca de conhecimento entre os vários working groups temáticos.  As co-autorias na ENHR Num total de 1212 comunicações, temos 548 em co-autoria. Sempre que os autores/investigadores pertencem a diferentes instituições construímos as redes institucionais, sustentadas nas comunicações produzidas em parceria inter-institucional. Percebemos também que há 1043 autores a escrever em co-autoria na ENHR. Isto é um importante meio de disseminação do conhecimento e é também uma forma dos diversos autores partilharem o seu conhecimento com outros. Em termos conclusivos, o que é de salientar é a diversidade de áreas científicas (arquitetos, urbanistas, sociólogos, economistas, engenheiros, etc) presentes na investigação na área da habitação. A evolução da produção de conhecimento na área da habitação evoluiu para fora da matriz disciplinar da arquitetura e da engenharia. Hoje a produção de conhecimento procura resolver problemas concretos diversificados, é uma produção científica com o objetivo da aplicação. A grande maioria da produção de conhecimento surge das universidades/centros de investigação, no entanto aparecem também vários organismos governamentais e A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 72 empresas. A interação entre diferentes locus favorece a constituição de redes. A produção do conhecimento cada vez mais envolve investigadores pertencentes a diferentes instituições e a diferentes países. Assim, cada vez mais o processo de produção de conhecimento promove a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Além disso, há um forte cruzamento entre a investigação fundamental e a aplicada, entre os produtos e os processos, entre os produtos e os utilizadores de conhecimento. Estes processos híbridos e cruzados são impulsionadores de fertilização cruzada de conhecimento. Concluindo, esta investigação em torno da rede ENHR confirma as dinâmicas no sentido do reforço da interdisciplinaridade, da transdisciplinaridade e da diversidade de locus de produção na área da Habitação. Há também uma forte expansão das redes internacionais, reforçando a centralidade de alguns atores (investigadores e centros de investigação/universidades) na liderança dessas redes. Trabalhos futuros Futuramente pretende-se focar esta investigação nos working groups temáticos mais fortes e nas instituições mais centrais da rede de conhecimento da ENHR. Interessa analisar os autores/investigadores centrais nessas temáticas e o rumo que a investigação está a ter analisando as palavras-chave das diferentes comunicações. Uma análise às referências bibliográficas das comunicações apresentadas pode dar também importantes contributos na análise das redes de conhecimento na habitação. Outra aposta será dar continuidade à base de dados feita com a informação recolhida de diversas revistas científicas e fazer o mesmo procedimento. Será, sem dúvida, interessante comparar a informação obtida com esta análise realizada às conferências da ENHR e a obtida com algumas revistas cuja temática é a habitação. A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 73 5. Bibliografia  ALEJANDRO, Velázquez, NORMAN, Aguilar - Manual Introdutório à Análise de Redes Sociais. Junho 2005  Capasso, Filipe – O que entendemos exatamente por Conhecimento Tácito e Conhecimento Explícito. (www.sgbc.org.br)  CASTELLS, Manuel - A Sociedade em Rede. Volume I, 2º edição, Editora Paz e Terra, 1999  FERREIRA, Toniel, FILHO, Valdir - Teoria de Redes: Uma abordagem social. Revista Conteúdo, Capivari, v.1, n.3, jan./jul. 2010  GUERREIRO, Américo - Análise de Redes Sociais: Aplicação a uma rede de clientes. Tese de Mestrado em Análise de Dados e Sistemas de Apoio à Decisão, Faculdade cde Economia da Universidade do Porto, 2012  HANNEMAN, Robert - Introducción a los métodos del análisis de redes sociales, Universidad de California Riverside. 2000 (http://wizard.ucr.edu/~rhannema/networks/text/textindex.html)  HANSEN, Derek, SHNEIDERMAN, Ben, SMITH, Marc - Analyzing Social Media Networks with NodeXL. Elsevier 2011. Publications, 2000. ISBN 07615-6338-3  JAMES, Ioan – Remarkable Mathematicians from Euler to von Neumann. Cambridge University Press, 2002.  MARQUES, Teresa, MATOS, Fátima, PINHEIRO, Joana - Research and knowledge networks in the European Network for Housing Research. (2013) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 74  QUINN, Andrew, WOEHLE, Ralph, TIEMANN, Kathleen - Social Network Analysis for Analysing Groups as Complex Systems, Journal of Social Service Research, 38:5, 605-618. (2012)  SALAVISA, Isabel, FONTES, Margarida. Social Networks, Innovation and Knowledge Economy. Routledges Studies in Global Competition. 2012  SANTOS, Hélder - Em busca do território perdido: conhecimento, aprendizagem e inovação. Cadernos do Curso de Doutoramento em geografia. FLUP 2009  Scott, JohnSocial Network Analysis: A Handbook. Second Edition. SAGE  Social Network Analysis. Theory and Applications. 2011  SOUSA, Cristina - Redes Sociais e Empreendedorismo. Dinâmica – Centro de estudos sobre a mudança socioeconomica. 2008. (http://repositorioiul.iscte.pt/bitstream/10071/3213/1/DINAMIA_WP_200868.pdf)  SOUZA, Queila, QUANDT, Carlosc - Metodologia de Análise de Redes Sociais. In: Duarte, Quandt, Souza. O Tempo das Redes. São Paulo: Perspectiva, 2008, p. 31-63.  TEIXEIRA, Maria - Redes de conhecimento em ciências e o compartilhamento do conhecimento. Porto Alegre 2011. Tese de Doutoramento apresentada ao programa de pós-graduação em educação em ciências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  UNISUL Análise de Redes Sociais http://labspace.open.ac.uk/course/view.php?id=4951  VALE, Mário - Conhecimento, Inovação e Território. Edições Colibri, 2012 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 75  WASSERMAN, Stanley, FAUST, Katherine - Social Network Analysis: Methods and Applications. Cambridge University Press, 1994 Sites consultados:  www.enhr.net  http://www.lse.ac.uk/researchandexpertise/experts/[email protected]  http://www.ucalgary.ca/tsenkova/)  http://revista-redes.rediris.es/ A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 76 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 77 6. Anexos A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 84 Anexo 7 - Grafo da rede do relacionamento dos autores com outros autores nas conferências em análise (Clusters) A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 85 A investigação e as redes de conhecimento na European Network for Housing Research 86