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Pequenas e Médias Empresas: comportamentos voluntários em rumo da sustentabilidade.

Inês Monteiro Gonçalves

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Pequenas e Médias Empresas: comportamentos voluntários em rumo da sustentabilidade por Inês Monteiro Gonçalves Dissertação de Mestrado em Economia e Gestão do Ambiente Orientada por Professora Doutora Maria Cristina Chaves 2013 Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente ii Nota biográfica Inês Monteiro Gonçalves é natural de Mafamude, Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. Nasceu a 10 de Fevereiro de 1990 e frequentou o ensino básico na Escola do Marco, Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. A sua formação académica inicia-se na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com a licenciatura em Ciências e Tecnologia do Ambiente entre 2008/2011. Em março 2011, iniciou um estágio curricular na empresa InnovModel Sustainability, dedicada à avaliação ambiental e sustentabilidade. Seguiu os seus estudos, com o mestrado em Economia e Gestão do Ambiente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em setembro 2011. Em janeiro 2013, realizou um estágio curricular na empresa Smartwatt, destinada, entre outros, à eficiência energética. O presente trabalho de dissertação pretende concluir o nível académico anteriormente referido. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente iii Agradecimentos Gostaria de agradecer à minha orientadora, a Professora Maria Cristina Chaves por todo o apoio dado e por todos os ensinamentos transmitidos na realização deste trabalho. Ao conjunto de professores e alunos que constituem o MEGA, pelo trabalho de grupo desenvolvido e o convívio académico proporcionado em dois anos. Ao João Pedro, por todo o incentivo, paciência e apoio incondicional. Aos amigos que estiveram sempre presentes, principalmente às nabiças Catarina, Sara e Rita. Aos meus pais, o maior dos agradecimentos por tudo que sou e o que tenho. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente iv Resumo Este trabalho pretende analisar o tipo de relação existente entre a adoção de comportamentos voluntários como instrumento de política ambiental e os níveis de desempenho ambiental. O nosso objetivo último consistiu em observar os intervenientes e o contexto da implementação de um sistema de gestão ambiental (EMS) e ISO 14001 na pequena e média empresa. Com o processo de mudança em mente, as pequenas e médias empresas devem procurar diminuir os seus impactos através de uma atitude pró-ativa, em termos sociais e ambientais. De forma a tomar o melhor partido das qualidades do sistema, a empresa deve estudar o caso da certificação ambiental como aplicação do uso voluntário de boas práticas ambientais. A motivação passa pelos elementos financeiros e de mercado, reputação da empresa e, finalmente, desempenho ambiental. Procura-se uma melhoria, com maiores níveis de integração ao contexto da pequena e média empresa. Conceitos como a responsabilidade social ou a flexibilidade dos instrumentos são capazes de alterações na estratégia para a eficiência de recursos e sustentabilidade. Procura-se uma mudança no panorama geral, com inicio hoje, mas considerando o amanhã. A nova estrutura para as empresas e negócios deve reduzir impactos negativos e estimular o setor, aumentando os desafios, a modernização e por último, a procura da sustentabilidade social. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente v Abstract This paper discusses the type of relationship between the adoption of voluntary behaviors as a tool for environmental policy and environmental performance levels. Our ultimate goal was to observe the participants and the context of the implementation of an environmental management system (EMS) and ISO 14001 in the small and medium enterprise. With the change process in mind, small and medium enterprises should seek to mitigate their impacts through a pro-active attitude in social and environmental terms. In order to take advantage of the best qualities of the system, the company must study the case of environmental certification and application of voluntary use of best environmental practices. The motivation goes through several elements as financial market, company reputation, and ultimately environmental performance. Into the context of small and medium enterprises, an improvement with higher levels of integration is wanted. Concepts such as social responsibility and the flexibility of the instruments are able to change the strategy for resource efficiency and sustainability. Is wanted a change in the big picture, starting today, but considering tomorrow. The new structure for companies and businesses should reduce negative impacts and stimulate the sector, increasing challenges, the modernization and lastly, the demand for social sustainability. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente vi Índice Nota biográfica ....................................................................................................................... ii Agradecimentos .................................................................................................................... iii Resumo .....................................................................................................................................iv Abstract ...................................................................................................................................... v Índice .........................................................................................................................................vi Índice Gráfico ....................................................................................................................... viii Índice Tabelas...................................................................................................................... viii Introdução ................................................................................................................................ 1 1. Enquadramento de Política Ambiental e Respetivos Instrumentos ................ 3 1.1 Instrumentos de Política Ambiental .................................................................................. 3 1.2 Instrumentos de abordagem voluntária .......................................................................... 8 1.2.1 Combinação dos instrumentos de política ambiental .................................................... 12 2. As pequenas e médias empresas - Reações e realidade .................................... 13 2.1 Caraterização de pequena e média empresa ............................................................... 13 2.2. A representação das pequenas e médias empresas no sector empresarial .... 15 2.3. As principais diferenças entre pequenas e grandes empresas ............................ 16 2.4. Comportamentos de pró-atividade das pequenas e médias empresas ............. 18 2.5. Motivação para a ação voluntária ................................................................................... 20 2.5.1. Incentivos para a sustentabilidade empresarial ............................................................. 20 2.5.2. Entraves à sustentabilidade empresarial ........................................................................... 24 2.5.3. Factores relevantes para a viabilidade e desempenho dos comportamentos voluntários .................................................................................................................................................. 27 2.5.4. Influências externas e o papel da informação como incentivo de mercado ........ 29 2.6. Comportamentos voluntários como influência na regulação política............... 31 3. Gestão ambiental através da ISO nas pequenas e médias empresas ............ 33 3.1 ISO 14001 e Sistemas de Gestão Ambiental ................................................................. 33 3.1.1 Motivações e limites..................................................................................................................... 37 Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente vii 3.1.2 Implicações económicas e benefícios observados .......................................................... 40 3.2 Gestão ambiental da pequena e média empresa – estudo de casos .................... 43 3.2.1. Apresentação de estudos .......................................................................................................... 43 3.2.2. Comparação de estudos............................................................................................................. 49 4. Conclusão ........................................................................................................................... 51 5. Bibliografia ....................................................................................................................... 54 Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente viii Índice Gráfico Índice Tabelas Gráfico 1 – Estrutura do tecido empresarial português, 2008 17 Tabela 2 – Geração de benefícios e caracterização do impacto com sistema de gestão certificado 46 Tabela 3 - Exigências da ISO 14001 - PME's 47 Tabela 4 - Valores críticos de crescimento na análise de grupo de ISO 14001. 49 Tabela 5 – Comparação de dois grupos de empresas e processos ambientais 49 Tabela 6 - Resumo de Resultados - Motivações, benefícios e entraves 50 Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 1 Introdução “The relation between environmental conditions, individual welfare and social outcomes is indeed straightforward: it is mediated by health issues and more generally by the impact of environmental conditions and policies on the well-being of individuals” (Laurent, 2011, pág. 1847) As questões ambientais têm surgido como uma preocupação a nível das iniciativas globais. As preocupações com o ambiente têm vindo a crescer e são manifestadas por todo o mundo. Seja a preocupação com a qualidade do ar e da água ou panoramas quanto ao atual desafio climático, a expressão de preocupação ambiental é complexa e multifacetada na sociedade. Entendendo que uma das maiores ameaças ambientais está longe de ser resolvida, as comunidades internacionais têm demonstrado maior intervenção e vontade para a proteção do ambiente. E as alusões ao desenvolvimento sustentável, fazem valer uma nova influência de peso na construção de politicas ambientais. As empresas devem preocupar-se com o seu desempenho e na influência dos seus comportamentos em mercado. A evolução da política ambiental e seus instrumentos parece estar a evoluir no sentido de estabelecimento de parcerias e gestão sustentável. Dentro do leque de instrumentos, neste trabalho destacamos os comportamentos voluntários como estratégia de pró-atividade ambiental. Os planos de ação voluntários são diversificados e, geralmente possuem grande flexibilidade. A implementação de um sistema de gestão ambiental e a adopção da ISO 14001 são os elementos estratégicos de política voluntária com mais destaque neste trabalho. Nesta dissertação, analisamos na primeira parte, o enquadramento da política ambiental, instrumentos e suas características. Numa fase inicial será introduzida a temática, enumerando e traçando o perfil dos vários instrumentos. Estes serão divididos segundo a sua natureza voluntária e obrigatória. Na segunda parte, focamos a nossa atenção nas pequenas e médias empresas e incluímos a sua relação com as estratégias de comportamento voluntário. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 8 1.2 Instrumentos de abordagem voluntária A seguinte categoria de instrumentos de política ambiental carateriza-se pelo seu carácter voluntário. O instrumento cooperativo utiliza mecanismos de negociação com o objetivo de estabelecer parcerias e criar medidas ambientais voluntárias. A intenção da negociação pode ocorrer entre o estado e entidades públicas e/ou entre o estado e entidades privadas, sendo que nos dois casos, pretende-se instituir um contrato voluntário entre as partes (Böcher, 2012). Os comportamentos voluntários podem ser referidos como a base de ação deste instrumento e são geralmente usados no âmbito do setor público, que torna possível uma avaliação temporal mais eficiente na evolução da política ambiental (Zaccai, 2012). O ponto-chave desta categoria voluntária passa pela oportunidade dada ao ator (ou vários atores) de resolver e decidir sobre um problema, de forma sustentável. Desta forma, o comportamento voluntário resulta no compromisso entre as partes ou um compromisso individual de um bom desempenho ambiental, indo além da legislação existente e agindo de forma consciente e sustentável (Santos et al,. 2006). “Trust-based, cooperative styles of regulation have contributed to the development and diffusion of new technologies and techniques, thereby improving environmental performance” (Gouldson, 2004 in Lange e Gouldson, 2010, pág. 5236). Uma vez que pretendemos aumentar o nosso conhecimento sobre os comportamentos voluntários e suas características, devemos ter em conta que estes assumem um compromisso, que pode ser individual ou coletivo, e aloja vários intervenientes. Não existem acordos legislativos vinculados à política governamental mas sim, um avanço metodológico na análise de um problema, o que leva ao entendimento de várias partes interessadas para o objetivo comum (Zaccai, 2012). Este tipo de abordagem foca o comportamento dos vários atores, onde as tarefas estão divididas em diferentes papéis e estratégias de forma a conseguir um panorama inovador e adaptado ao contexto em que a problemática se insere. Borkey e Lévêque (1998) referem que “voluntary approaches cover a large variety of different arrangements. This is reflected by a rich terminology. Selfregulation, voluntary initiatives, voluntary codes, environmental charters, voluntary accords, voluntary agreements, co-regulation, covenants, negotiated environmental agreements, accords de branche, programmi coorperativi e volontari are just a few of Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 9 the terms used to refer to voluntary approaches” (Borkey e Lévêque, 1998, pág.4 in Valente, 2003, pág. 38). Zaccai (2012) afirma que “Voluntary instruments foster individual commitments (by private or public entity, consumer or citizen) and sector engagements (e.g. branch agreements)” (Zaccai, 2012, pág. 83). Gusmerotti et al. (2012) refere que a difusão deste instrumento foi possível graças ao uso de variadíssimas fórmulas e estratégias, acrescentando os exemplos de contratos políticos ambientais, contratos de redução da poluição, contratos de limites ambientais ou ecocontratos (Gusmerotti et al., 2012). Resumidamente, o comportamento voluntário é dos tipos de comportamentos mais flexíveis e/ou adaptáveis, fator que permite um uso muito extenso nas empresas, de forma isolada ou mesmo servindo de complemento aos restantes instrumentos e dado como referência para o desenvolvimento sustentável. Uma vez que a responsabilidade partilhada é um factor comum nas tipologias existentes de comportamento voluntário, podemos agrupar as várias abordagens, pelo seu grau de intervenção pública. Desta forma, podemos distingui-los como iniciativas unilaterais, acordos negociados e esquemas públicos (Borque e Lévêque, 1998; Lyon e Maxwell, 1999; Segerson e Li, 1996, in Valente, 2003, pág. 38) sendo possível fazer uma outra agregação das abordagens, segundo o objectivo que se pretende estudar. Caso a intenção fosse analisar a externalidade negativa entre o produtor-poluidor e o recetor (trabalhadores, comunidade local, associações de ambiente) as tipologias do comportamento voluntário, iriam ser agregadas em diferentes grupos de interesse, como a negociação direta ou indireta (Valente, 2003). Nas várias abordagens, temos que “as iniciativas unilaterais, como a própria designação indica, derivam apenas de um compromisso assumido pelas empresas” (Valente, 2003, pág. 38). O objetivo passa pela intervenção dos vários atores presentes na companhia, de forma a traçar um percurso ambiental mais responsável que deve incluir a construção de um plano e a procura eficiente dos meios para o tornar realidade. Deve existir um acordo entre todas as partes interessadas e constituintes da empresa, que se entende como o total de trabalhadores, corpo diretivo, parceiros diretos/indiretos como possíveis fornecedores e governo. O acordo deve ser construído em valores concordantes e de objetivos, metas e estratégias definidas. “These agreements can assume several specifications that do not substantially change their nature: it is possible Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 10 to include in this category both non-legally binding unilateral commitments to protect the environment and real contracts between industry and national or local public institutions to negotiate and set for environmental objectives and/or procedures for their implementation.” (Gusmerotti et al., 2012, pág. 39). Os acordos unilaterais seguem assim a máxima de definição de regras de acordo com o desempenho da empresa no ambiente, na segurança e na economia. Dependendo dessas mesmas preocupações e qual o seu grau de influência na representação da empresa, os acordos unilaterais podem ser mais ou menos ambiciosos e dependentes de fiscalização, também mais ou menos exigente. Isto porque os objetivos adjacentes a este tipo de acordo, são do tipo qualitativo e não quantitativo, uma vez que a empresa pode ter como visão uma campanha que foca o melhoramento da sua reputação como empresa ou mesmo uma simples resposta às pressões das suas partes interessadas, clientes e/ou stakeholders. É importante referir, que este tipo de acordos não contam, na sua maioria, com a participação de entidades públicas como o governo. O que pode significar, uma menor credibilidade na ação do mesmo (Valente, 2003). No que diz respeito aos acordos negociados, estes decorrem de uma parceria entre o governo e as empresas. “Environmental agreements are defined as covering only those commitments undertaken by firms and sector association, which are the result of motivation with public authorities and/ or explicitly recognised by authorities” (European Environment Agency, 1997a, pág. 11, in Valente, 2003). Também este tipo de comportamento, pode ser usado como elemento principal de política ambiental ou como complemento de outros instrumentos. Podemos apontar quatro tipos de acordos: acordos com base em objetivos; acordos com base no desempenho (enunciação de metas); acordos de cooperação; e acordos com base no controlo e divulgação de informação. Como é incluída a participação de entidades públicas, servem para este comportamento, dois modelos de responsabilização no caso de incumprimento. No primeiro caso, temos a entidade industrial/empresarial como um todo, num modelo de responsabilização coletiva. Todos os intervenientes são sancionados de forma conjunta e não por empresa. Já no caso da responsabilização individual, as falhas encontradas no tipo de acordo negociado, serão monitorizadas de empresa em empresa, resultando numa sanção individual (Valente, 2003). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 11 Por último, temos os esquemas públicos voluntários que dizem respeito a um conjunto de normas e condições de participação, criadas por uma entidade pública com o intuito de levar empresas individuais a participar, no âmbito da melhoria ambiental. Quando existe a participação empresarial, existe também um compromisso no cumprimento das ditas normas/regras definidas anteriormente no esquema, para o desempenho económico, social e ambiental. Os esquemas públicos voluntários tendem a disponibilizar meios de ajuda como recursos tecnológicos e modos de gestão recomendadas. A eficiência da estratégia pública pode ser reconhecida, pela entidade pública, através de rótulos, certificados, apoio financeiro à manutenção e inovação, quando existe um quadro de resultados positivos no desempenho ambiental (Valente, 2003). O instrumento cooperativo, representativo do conjunto de ações voluntárias, desempenha um papel importante na mobilização da sociedade, fazendo a diferença. A criação de bons exemplos sem necessidades regulatórias na cooperação, cria um ambiente sem intervenção externa. Ao mesmo tempo, o isolamento estratégico pode criar uma maior dependência de parceiros e/ou clientes (Metz, 2009). No caso dos acordos voluntários, onde o governo desempenha o papel de parceiro, a atividade é voluntária e como tal, nem todas as empresas se comprometem. Os objetivos detêm mais flexibilidade que no modelo tradicional, ainda que ligeiramente rígidos. Sendo que o acordo pode ser feito em justiça para com as duas partes, não é esperada nenhuma forma de penalização para o não cumprimento (Metz, 2009). Os acordos voluntários devem ser evitados em sociedades onde a estrutura regulatória seja insuficiente (Rivera e deLeon, 2008). Assim como o instrumento informativo, a regulação pode ser usada em combinação, reforçando o desempenho ambiental das politicas. “Applied to the public policy framework, it implies that if governments could affect relative input prices, or otherwise change the opportunity costs associated with the use of environmental resources, firms’ incentives to seek improvements in production technology would be increased (Johnstone et al., 2012, pág. 2158). A evolução no quadro da norma pública, deve passar pela sua formulação baseada num conjunto de políticas abrangendo instrumentos económicos e uso de política descentralizada, como complemento para os regulamentos existentes (Santos et al., 2006). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 12 1.2.1 Combinação dos instrumentos de política ambiental “Instrument choices are anything but epiphenomenal; they are often an important and enduring outcome of intense political struggles to govern society, and an important generator of new forms of politics and policy at many different levels of governance” (Pierson 1993 in Jordan et al., 2013, pág. 166). O desenvolvimento de políticas ambientais e seus instrumentos é um desafio da atualidade. Os governos devem combinar informação científica e social, tendo em consideração a imprevisibilidade da natureza (Santos et al., 2006). A combinação de diferentes elementos é um potencial fortalecimento das estratégias de política ambiental, uma vez que desta forma, as falhas de um instrumento podem ser combatidas e/ou disfarçadas. “Instead, most instruments appear and disappear over short periods, failing to form a combined and integrated strategy that consistently carries the existing dwellings towards targets” (Murphy et al., 2012, pág. 467). Böcher (2012) defende que a falha estrutural existente nos instrumentos de política ambiental, no contexto geral, provém de duas fontes: (1) o problema da estrutura material da política; (2) a distribuição custo/benefício esperada para os diferentes grupos sociais. Este também sugere que os instrumentos sejam desenhados para o longo prazo e, preferencialmente, para o uso combinado sendo que muitas vezes o uso isolado do instrumento é desadequado. A flexibilidade dada ao instrumento é uma característica indispensável para que a combinação seja bem sucedida (Böcher, 2012). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 13 2. As pequenas e médias empresas - Reações e realidade 2.1 Caraterização de pequena e média empresa Uma pequena e média empresa (PME) pode ser definida como um grupo ou organismo de tamanho heterogéneo e estruturas organizacionais (Murillo e Lozano, 2006), de constituição aproximada e não superior a 250 trabalhadores, e com rendimento não superior a 50 milhões de euros (European Commission, 2003 in Moss et al., 2008). A definição engloba as empresas micro, pequenas e médias, sendo que a micro empresa emprega entre 1-10 sujeitos, a pequena entre 11-50 e a média empresa emprega até 250 (Cragg et al., 2011). A Organização dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO 1) acrescenta à definição a importância dos indicadores de gestão e administração (qualitativos), a existência da relação com o cliente, a distribuição de serviço pelos operários e registo de produção, com pesquisa orientada para a inovação (Sparrow, 2011). Frequentemente, as pequenas e médias empresas têm de desenvolver múltiplas competências estratégicas para lidar com a indisponibilidade de recursos (Cragg et al., 2011). Perceber e tomar partido do dia a dia de uma pequena e média empresa é a base necessária para o crescimento potencial de negócio. Aspetos como a cultura2 ou os relacionamentos internos na companhia são essenciais, dado que permitem um melhor funcionamento social e económico e permitem à empresa um melhor posicionamento estratégico, através da divulgação pública. Os vários setores de negócio apresentam culturas próprias, mas ainda assim relacionam pontos comuns. “Furthermore, organization theory indicates that SMEs have a flatter/simpler structure and thus, internal co-ordination is less of an issue as there is close proximity between all staff, including owners and employees.” (Cragg et al., 2011, pág. 354). O ambiente interno depende dos relacionamentos pessoais existentes, que aumentam o nível de comunicação e beneficiam a resolução dos problemas quotidianos. O papel de proprietário da pequena e média empresa pode ser fundido com a função de gestor da empresa e o mesmo pode ocorrer em diferentes posições de 1 United Nation of American Organization for Industrial Development 2 “A corporate culture consistent with the ideas and principles of the improvement philosophy must be in place” (Dale et al., 1997; Venkateswarlu and Nilakant, 2005 in Done et al., 2010, pág. 501) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 14 trabalho, sendo possível um só elemento realizar várias tarefas em sistema de multitask. As relações externas não são esquecidas, sendo que as pequenas e médias empresas surgem em várias parcerias sociais ao nível comercial local, muitas vezes como fornecedoras de grandes empresas (Murillo e Lozano, 2006). Para Sparrow (2011), a gestão planeada de uma PME é um factor fundamental para o avanço económico. Estas devem possuir um sistema de gestão capaz de aumentar os seus rendimentos, valorizando as suas particularidades e com a procura de uma melhoria social e ambiental. O sistema implantado deve estar apto a resolver problemas internos, facilitar a comunicação através da transmissão rápida e clara da informação e melhorar a qualificação dos trabalhadores e dos equipamentos (Sparrow, 2011). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 15 2.2. A representação das pequenas e médias empresas no sector empresarial As pequenas e médias empresas exercem um papel subtil, mas poderoso na economia de vários agentes internacionais. No Reino Unido, por exemplo, as PME’s representam 99% do negócio nacional, empregam mais de 43% no sector públicoprivado e podem representar 20% do total de emissões carbónicas no país (Williams e Schaefer, 2013). “In Europe, USA, Japan, Korea & Taiwan, which account for nearly 75% of world’s economic output, SME´s contribute between 50-75% of the countries GDP.” (Sparrow, 2011, pág. 671). De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as pequenas e médias empresas têm um papel distinto na economia portuguesa e são a principal fonte de criação de emprego. Em estudos de 2008, Portugal dava conta de 349 756 pequenas e médias empresas, valor que representava 99,7% das sociedades não financeiras (INE, 2010). O tecido empresarial, maioritariamente constituído por empresas com menos de 10 trabalhadores, representava uma predominância das PME’s em diversos setores económicos com 97% das unidades empresariais (Gráfico 1). Ainda assim, o volume de negócio per capita das grandes empresas foi largamente superior ao valor alcançado pelas PME’s, em 2008 (INE, 2010). Segundo Matias e Coelho (2006) no ano de 2006, as pequenas e médias empresas representavam 99% do valor total de empresas, empregavam aproximadamente 75% da população e constituíam 50% do volume de negócios. Gráfico 1 - Estrutura do tecido empresarial português, 2008 (INE, 2010) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 16 2.3. As principais diferenças entre pequenas e grandes empresas Muitas das estratégias e ferramentas de gestão de empresas provêm de estudos e recolha de informação na realidade de uma grande empresa, ainda que sejam reconhecidas diferenças entre as empresas grandes e pequenas (Cragg et al., 2011). Sparrow (2011) afirma que a dimensão da organização afeta diretamente os fluxos de informação (Sparrow, 2011). No presente trabalho comparativo entre as empresas, trata-se em primeiro lugar das diferenças na dimensão. Quantos mais recursos humanos atuarem na empresa, mais difícil será a partilha de informação. Isto pode resultar no enfraquecimento da estrutura formal da empresa, diminuição das relações pessoais e menor confiança nos valores da empresa, assim como menor eficiência na conetividade das atividades em rede (Sparrow, 2011). As empresas de larga escala, considerando o elevado número de trabalhadores, podem optar por uma estratégia de comunicação mais alargada, mas não tão pessoal. A informação pode ser mais fiável e facilmente aceite pelos trabalhadores, quando existe uma relação humana entre estes e o condutor da ordem/mensagem. As PME’s relacionam-se mais facilmente com o conceito de proximidade entre os trabalhadores, como estratégia interna (Cragg et all., 2011). A dimensão da empresa afeta diretamente as finanças da empresa considerando os gastos estruturais e humanos. “Em 2008, os custos com o pessoal afecto às PME situaram-se próximo dos 31 678 milhões de euros, 64,2% do total suportado pelas sociedades.” (INE, 2010). Ainda assim as pequenas e médias empresas apresentam valores salariais mais baixos, comparativamente às grandes empresas. A relação entre o crescimento salarial per capita e o aumento da dimensão da empresa, representa a forte influência destas variáveis na gestão empresarial (INE, 2010). Também se pode dizer que estes dois tipos de empresas, diferem no seu envolvimento em ações sociais e ambientais. Os negócios de menor dimensão têm tendência a ser de estrutura mais simples, sem políticas complexas e menor tendência para ocultar dados empresariais. Por outro lado, as PME’s demonstram maior dependência dos seus clientes, que são comparativamente em menor número, e podem sofrer maior dano em caso de crise financeira ou má gestão de recursos inovadores (Williams e Schaefer, 2013). As empresas de menor dimensão podem ter posições mais frágeis de mercado em comparação a uma grande empresa. A dificuldade em construir Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 17 relações externas deve ser combatida pela empresa, com aquisição de diferentes competências eficazes e adaptadas (Cragg et al., 2011). É devido a esta dependência de parcerias e relações externas, que as PME’s permanecem mais dispostas a um maior investimento no capital social (Murillo e Lozano, 2006). Quando a gestão está associada a um só individuo, existe uma maior facilidade no comportamento ambiental preocupado e ativo nas pequenas e médias empresas (Sparrow, 2011). Tal fator, potencia a responsabilidade social individual e oferece uma motivação para avançar na direção estratégica de negócio responsável. O valor da responsabilidade social nas empresas e seus impactos não deixam os gestores e/ou stakeholders indiferentes, mas medir os seus custos pode ser difícil (Uecker-Mercado e Walker, 2012). Ainda que, por deter um acesso mais fácil aos recursos e maior capital, as grandes empresas têm maior facilidade financeira em implementar uma estratégia de pró-atividade ambiental. No entanto, as empresas de maior dimensão apresentam uma menor flexibilidade na gestão, face as de menor dimensão. Este fator pode explicar a não implementação de sistemas de pró-atividade ambiental e social nas grandes empresas (Aragón-Correa et al., 2008). Os governos e as organizações de empresas podem desempenhar um papel de auxílio nas pequenas e medias empresas como estimuladores/conselheiros de inovação em troca de partilha de informação útil (Cragg et al., 2011). “As a result of the many differences between SMEs and large firms, many authors have argued that techniques and models from large firms do not apply to SMEs.” (Cragg et al., 2011, pág. 353). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 24 2.5.2. Entraves à sustentabilidade empresarial Quando se fala em evolução, devem ser levados em conta os desafios que existem na aplicação prática e no desenvolvimento de estratégias novas no longo prazo. Para que as pequenas e médias empresas implementem sistemas estruturais baseados na próatividade e sustentabilidade ambiental, necessitam ultrapassar algumas barreiras. Estas podem ser divididas em categorias: (i) económicas e (ii) humanas. No que se refere à primeira categoria de entraves, as barreiras económicas, as pequenas e médias empresas podem não estar verdadeiramente preparadas para dispor do investimento financeiro que é essencial à mudança. Para que esta aconteça, são necessários largos investimentos em recursos técnicos e humanos. As falhas que devem ser compensadas, dizem respeito à carência de trabalhadores especializados ou com conhecimento técnico adequado ao serviço. A implementação e monitorização das estratégias pró-ativas pode ser executada por um individuo responsável no conjunto dos trabalhadores. Nesse caso, o tempo e conhecimento consumidos pelo trabalhador, deve ser recompensado, representando um investimento financeiro extra. Saber a quem delegar as várias responsabilidade para a mudança é um fator importante para a implementação, uma vez que a empresa pode funcionar em sistema de multitarefas. Isto significa que os empregados podem ter mais do que uma responsabilidade direta ou funções em vários postos. Ainda assim, aumentar em demasia as responsabilidades do trabalhador ou o trabalhador ser pouco instruído tecnicamente para a tarefa, pode significar uma redução dos rendimentos laborais. De uma forma geral, parece existir um grande entrave à sustentabilidade nas pequenas e médias empresas que passa pela falta de procedimentos eleitos como perfeitos ou apenas, falta de informação. Há ainda um baixo conhecimento na matéria da sustentabilidade que se traduz na fraca disponibilidade de instrumentos adequados, sendo que os existentes não fornecem informação detalhada e confiável. “Therefore a tool needs to be developed which simplifies the process for SMEs whilst still providing accurate information, and encourages positive action by the outcome.” (Moss et al., 2008, pág. 140). Enquanto não existir um instrumento capaz, podem ser usados consultores externos para aconselhar a empresa na melhor estratégia. Estes podem ser entidades governamentais ou privadas, mas ainda assim temos um acréscimo financeiro Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 25 que nem todas as pequenas e médias empresas podem suportar. É importante referir que ainda existe pouca experiência neste tipo de aconselhamento e podem ser feitas múltiplas leituras de um mesmo sistema. A ausência de conceitos, rede de apoio e instrumentos específicos do setor, intensificam a informação pouco qualificada e a orientação conflituosa (Hillary, 2004). Assim, a fase de implementação pode ser notada como um grande entrave. Podem acontecer falhas ou interrupções durante o processo (como entraves jurídicos) e pode não ser reconhecido valor a todas as etapas da implementação e a eficiência do procedimento no seu total. A gestão mais instável destes fatores significativos ou a mudança constante de objetivos na empresa, pode comprometer o crescimento no longo prazo e a manutenção da mesma. Um dos outros entraves financeiros apontados, diz respeito ao networking das pequenas e médias empresas. As parcerias que tornam possíveis as trocas comerciais devem ser um foco de poder no mercado. Estas devem ser alcançadas através da lealdade, confiança, profissionalismo e credibilidade comercial. Estas características devem ser utilizadas para estabelecer associações qualitativas, que podem resultar em cooperação financeira, aumentando as possibilidades de sustentabilidade da companhia no longo prazo (Murillo e Lozano, 2006). É então importante, que as PMEs sejam capazes de reportar a sua atividade nos mesmos termos que outra empresa qualquer. As grandes companhias têm uma maior margem de manobra, no que diz respeito à libertação da sua informação e perceção de mercado. Para que as oportunidades sejam semelhantes, deve existir uma competição justa no mercado entre as diversas empresas, “Therefore, standards should be defined based upon a desire for uniformity in reporting.” (Moss et al., 2008). Outro dos aspetos que têm predomínio no contexto financeiro, diz respeito aos custos associados à certificação. O preço para obter qualquer tipo de qualificação documental não é proporcional às possibilidades económicas de uma PME’s, concedendo vantagem competitiva as grandes empresas. Denominado de Standard, no idioma internacional, o certificado “is a document that provides requirements, specifications, guidelines or characteristics that can be used consistently to ensure that materials, products, processes and services are fit for their purpose.” (International Organization for Standardization 3). Mas o reconhecimento dado à 3 Site (http://www.iso.org/iso/home.html) , consultado em 28 Maio de 2013 Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 26 qualidade e sustentabilidade ecológica no mercado para este tipo de certificado, pode não atingir as expetativas da empresa. Com o aumento da popularidade de certificados de qualidade/ambiente, aumenta também a inconsistência na credibilidade por parte do mercado neste métodos de qualificação. Estas situações de greenwhasing4, podem ser um entrave pois diminuem o valor das qualificações certificadas e de valor comercial assegurado por entidades autorizadas. A percepção do mercado relativamente à próatividade pode representar outro entrave. Isto acontece quando não existe um verdadeiro reconhecimento comercial do valor associado à certificação, na crença dos benefícios provenientes de comportamentos voluntários, sem descuido pela legislação e ainda a incerteza da recompensa nos resultados (Hillary, 2004). Os entraves humanos são desafios inseridos no contexto interno da empresa e dizem respeito as suas atitudes e ambiente na companhia, assim como a sustentabilidade da própria empresa. As barreiras podem ser referentes a uma gestão instável como mudanças frequentes na administração e/ou política interna, assim como uma gestão muito rígida que não permita desvios ao padrão idealizado pelo líder da empresa, resistente à mudança. Caso a empresa já tenha experienciado uma situação negativa, relativamente à implantação de um sistema de melhoria qualitativa, é menos provável que a sua administração seja motivada a tentar novamente. Neste sentido, a promoção das atitudes pode desempenhar um papel fundamental no ambiente interno da empresa, uma vez que as boas ações dependem da compreensão e do esforço conjunto. A proximidade e relações interpessoais amigáveis no meio profissional, pode conter um entrave ao nível da comunicação interna da pequena e média empresa. O excesso de proximidade entre profissionais pode tornar mais difícil a transmissão da mensagem com clareza, objetividade e imparcialidade, ou por outro lado a fuga de informação confidencial da empresa. As relações de intimidade parciais no local de trabalho, podem conduzir a uma falta de motivação no trabalhador, insatisfeito com a gestão da empresa e um consequente desinteresse pelos valores da mesma (Aragón-Correa et al., 2008). Em suma, os entraves à aplicação de estratégias de sustentabilidade são desafios pela incerteza no seu valor real no mercado, pelos poucos incentivos e lucros 4 Greenwash “Used to describe the act of misleading consumers regarding the environmental practices of a company or the environmental benefits of a product or service.” (Greenpeace – Stop Greenwash, 14 Julho de 2013 http://www.stopgreenwash.org/) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 27 observáveis e pela instabilidade da situação empresarial, sendo esta a prioridade da empresa (Hillary, 2004). 2.5.3. Factores relevantes para a viabilidade e desempenho dos comportamentos voluntários Quando falamos na viabilidade da alteração de comportamentos é fundamental a noção de desempenho e optar pela estratégia preventiva. “However, it seems that programmes undertaken due to poor environmental conditions is a reactive approach; only implemented when there is occurrence of disaster.” (Khalil et al., 2011, pág. 459). Situações sociais problemáticas devem ser resolvidas em concordância com soluções ambientais.5 O baixo conhecimento leva muitas vezes a ações reativas, principalmente nos casos onde não existe uma verdadeira preocupação com a sustentabilidade. É importante que o conhecimento siga determinados processos que tornam a sua expansão e melhoramento, num ciclo: recolha, organize, divulgue, torne acessível, utilize. O conhecimento é recolhido e seguidamente classificado, e sustentado. É importante fazer chegar a informação ao público-alvo e torná-la um bem acessível através de usuários e sistemas de extração de informação. Devido à utilidade, novos conhecimentos são adquiridos o que proporciona o ciclo positivo de conhecimento (Wang, 2010). Os factores fundamentais do progresso devem assentar na pressão da sociedade, a procura da sustentabilidade, a responsabilidade ética e em formas mais sustentáveis de fazer negócio. “However, the speed of the process, the technical and scientific complexity of the variables involved, and the variety of interest groups advocating their own environmental concerns have often generated misunderstandings about trying to delimit and implement proactive environmental strategies.” (Aragón-Correa e RubioLópez, 2007, pág. 375). Focando a nossa atenção nas pequenas e médias empresas e na sua relevância para o progresso é de realçar pontos de conhecimento próprios que podem ser descritos e explorados com mais atenção e pormenor, comparativamente às grandes empresas. Para aquelas empresas o ciclo que impulsiona o conhecimento e 5 O crescimento não planeado de uma cidade ou a baixa participação pública podem ser exemplos de situações sociais que atrasam o desenvolvimento sustentável da sociedade. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 28 simultaneamente fatores relevantes de viabilidade são: Exigência dos consumidores para que as suas necessidades sejam atendidas; Eficiência dos processos; Criação de novos produtos e tecnologias; Restruturação empresarial das PME’s como preparação do seu crescimento humano e de capital; Participar ativamente no meio social envolvente e não temer o risco; Sucessão de poder planeada, como ação preventiva de preservação da cultura e ideias da empresa (Wang, 2010). De uma forma geral, os fatores relevantes para a viabilidade e sucesso de novos comportamentos voluntários dependem da divulgação de ideias que incentivem o pensamento, a procura de conhecimento e a intenção de sucesso económico e social. De uma forma mais simples, são pensamentos conscientes para refletir: 1. cuidado na linguagem usada e formas de divulgação apropriadas à mensagem; 2. investimento na sensibilização e proporcionar ambiente interno de trabalho seguro e justo; 3. divulgação clara das vantagens obtidas através da melhoria nas práticas sociais e ambientais (Murillo e Lozano, 2006, pág. 238). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 29 2.5.4. Influências externas e o papel da informação como incentivo de mercado Depois de explorar uma visão na perspetiva interna e de possível motivação para atuar segundo diretivas próprias de melhoramento ambiental, social e financeiro, neste capítulo realçamos as pressões externas que podem servir como motor de mudança e inovação empresarial. Na atual sociedade, as empresas enfrentam vários desafios, consequência das crescentes pressões que são originadas pelos múltiplos parceiros, consumidores ou apenas por competição de mercado. A necessidade de criar na empresa uma imagem com comportamentos verdes, expetativas elevadas, padrões e formas de negócio inovadoras são um elemento comum às varias influências dos agentes externos. Para Hillary (2004) os benefícios que motivam a mudança para um panorama ambientalmente evoluído, podem ser divididos em 3 categorias: comerciais; ambientais; comunicação. O ponto comum a todas as categorias prende-se pela quantidade/qualidade de informação libertada sobre o desempenho ambiental empresarial. Essa informação divulgada vai possibilitar a criação de avaliações e opiniões que alteram, por influência direta, a reputação da empresa no mercado (Hillary, 2004). Sabemos que “os consumidores favorecem ou rejeitam bens com base em notícias veiculadas na comunicação social ou em rótulos ecológicos” (Valente, 2003, pág. 50). O exemplo é mundano, mas o número de stakeholders que pode ser uma influência é muito vasto e incluiu uma grande variedade de elementos: comunidade e grupos de pressão/ambientais, colaboradores, media, clientes e parceiros comerciais, investidores e banca, seguradoras. E todas as partes interessadas estarão atentas aos procedimentos como fiscalização, exigência na informação, processos de licenciamento ou até autorizações para instalação de unidades físicas. Uma empresa com um bom registo ambiental conseguirá atingir com maior simplicidade os objetivos que se encontrarem dependentes de uma decisão comunitária, do que uma empresa rotulada com má performance (Cairncross, 1995 in Valente, 2003). Na categoria comercial, a empresa vai ser alvo das influências dos seus clientes quer sejam diretos ou indiretos no mercado. Quer seja esta negativa ou positiva, a empresa deve aproveitar a oportunidade, para maximizar as suas opções, elaborar Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 30 estratégia de longo prazo, competindo para maiores receitas. A empresa deve assegurar a sua proteção ambiental e avançar no rumo da inovação, alcançando assim a oportunidade de exibir um produto final com características ambientais superiores ou/e distintas, favorecendo a competição. Sem deixar de sublinhar aqui uma enorme oportunidade para negócio, existe porém uma preocupação com o consumo “verde”6 uma vez que a sua ação é ainda incerta, devido à contradição dos comportamentos sociais das empresas: a realidade entre o que dizem e o que fazem (Howes et al, 1997 in Valente, 2003). Ainda assim, sabemos que o conceito de consumir com menos dano ao ambiente é um nicho com muito potencial social e que deve ser impulsionado para que este seja visível no longo prazo. De forma a incentivar a mudança para que as preocupações ambientais se transformem em hábitos de consumo. Nos casos em que os clientes são outras empresas devemos explorar os níveis de influência de toda a cadeia de abastecimento e as várias redes de contactos. O caso das parcerias deve ser visto como uma enorme oportunidade de servir um cliente com impacto no mercado (uma grande empresa, por exemplo) mas cumprindo as bases das boas práticas para que exista uma relação sustentável entre ambas. Ainda assim, a grande empresa (seguindo o exemplo) escolhe as suas parcerias segundo qualificações e/ou referências dos potenciais parceiros. São necessários certos requisitos como a situação legal da PME, a existência de certificados e a manutenção de equipamentos e conserto de falhas na companhia. Finalmente, uma imagem/atitude positiva para o meio financeiro, social e ambiental. A empresa aumenta as suas possibilidades de negócio estando disponível para responder aos critérios ambientais exigidos (por exemplo a ação voluntária) e a diminuição do dano. Uma estratégia semelhante pode considerar apenas a difusão de uma boa imagem potenciando novas e mais parcerias, seguindo o mesmo modelo de negócio mais sustentável e dependente da rede de contactos. 6 Considera-se neste trabalho “consumo verde”, os comportamentos ativos de um conjunto de pessoas genuinamente consciente da vantagem existente em escolhas comerciais mais sustentáveis ou amigas do ambiente. Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 31 2.6. Comportamentos voluntários como influência na regulação política “There are many types of legislation now affecting every sector of business; research shows that despite this growth, SMEs are still unaware of their impacts.” (Moss et al., 2008, pág. 134). Ainda assim, com as crescentes preocupações sobre a sustentabilidade global, estas são inevitáveis na construção de uma nova rede de ação política e pública. Os comportamentos voluntários por parte das pequenas e médias empresas, apresentam-se como um incentivo à legislação futura, pois tratam-se de estratégias internas que se antecipam e dão o exemplo às entidades reguladores. Este modelo de influência pública torna-se mais evidente aquando da demonstração positiva de resultados, internos e externos. Os processos que levam à criação de nova legislação adequada e/ou retificação de regulamentos ambientais é, normalmente, um procedimento longo e será benéfico se nele incluir experiências práticas de empresas (sejam estas de menor ou maior dimensão) que poderão compensar falhas futuras. Uma vez que as ditas empresas de bom comportamento ambiental voluntário poderão ter a experiência de casos próprios, podem também fornecer a solução aconselhada na resolução da problemática. Neste ponto é fácil perceber a importância do papel da experiência prática e humana na aprendizagem com o quotidiano. As pequenas e médias empresas podem assumir papéis pioneiros no mercado e também, servir de consultor à entidade reguladora na forma de aconselhamento. A liderança neste processo é fundamentalmente a realização das melhorias ambientais, tecnológicas e sociais na empresa, antes da decisão da autoridade governamental. Isto com a vantagem de não existirem custos obrigatórios de transação, como acontece no cumprimento obrigatório da lei, podendo as empresas fazer a sua própria gestão das melhorias (Valente, 2003). Isto coloca as empresas de ação voluntária em níveis superiores de desempenho e é assumido que a consequente pressão legislativa pode representar avanços políticos nas práticas ambientais. Pretende-se com esta influência na regulação, a inclusão e transformação do maior numero possível de empresas, de forma a otimizar os bons comportamentos ambientais e sociais, mesmo que estes aconteçam a partir do cumprimento da legislação incitada (Aragón-Correa et al., 2008). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 32 A legislação tem um grande potencial de crescimento se for construída de forma responsável e com base na confiança pública. A mesma responsabilidade social demonstrada na procura de bom desempenho ambiental, pode ser necessária de forma a construir uma legislação mais responsável e cooperativa. “In broad terms, we define trust-based environmental regulation as a specific regulatory style that involves openness and cooperation in interaction between regulated, regulators and third-party stakeholders in order to achieve environmental protection objectives.” (Lange e Gouldson, 2010, pág. 5236). Os níveis de confiança entre as partes vão ser decisivos na influência política e legislativa. Esta forma de regular vai permitir uma nova atitude de gestão em trabalho de grupo, reunindo governos, empresários e stakeholders e dependendo menos da aplicação tradicional da hierarquia. É sugerido como benéfico para o regulador, que este observe as atitudes ambientais da sociedade e seja compreensivo na conformidade com a moral e os valores de justiça social, de forma a inspirar confiança e autoridade (Lange e Gouldson, 2010). Em suma, para que este incentivo ocorra na legislação futura é essencial que a informação relativa aos bons desempenhos ambientais, (e as vantagens em adoptar uma estratégia de ações voluntárias dirigidas para o ambiente, a eficiência e a inovação) seja disponibilizada publicamente por parte da empresas, nos seus canais preferenciais de comunicação externa. “Public policy makers can also use our results in deliberations on whether to pursue regulating additional disclosure types and where this information should be disclosed.” (Villiers e Staden, 2011, pág. 522). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 33 3. Gestão ambiental através da ISO nas pequenas e médias empresas O uso apropriado dos recursos naturais permitiria às gerações futuras testemunhar padrões de vida sustentável e crescimento económico (Amaral et al., 2011). Uma empresa comprometida com atividade no longo prazo, deve considerar a sustentabilidade económica, social e ambiental como caminho futuro. Um bom negócio é aquele que usa de forma eficiente os seus recursos (Amaral et al., 2011). Neste segmento do trabalho, iremos observar com mais pormenor a problemática dos comportamentos voluntários nas pequenas e médias empresas, através da certificação ambiental. Iremos tentar perceber a realidade da ISO 14001 e o sistema de gestão ambiental7 (EMS) associado, aplicado as empresas de pequena dimensão. 3.1 ISO 14001 e Sistemas de Gestão Ambiental Para normalizar as ações voluntárias das empresas preocupadas com o desempenho ambiental, foram criadas regras conjuntas para padronizar as organizações (Amaral et al., 2011). A ISO, International Organization for Standardization refere-se a uma organização focada na melhoria sistemática através da aplicação de standards (Bansal e Bogner, 2002). Tendo sido fundada em 1947, a organização internacional já emitiu mais de 12 mil certificações técnicas (Potoski e Prakash, 2005). Em 1996, é emitida a primeira certificação da série 14000, a ISO 14001 (Bansal e Bogner, 2002). “ISO 14000 provides norms, procedures and standards that help organisations eliminate the harmful effects on the natural environment caused by their activities.” (ISO, 1999 in Xia et al., 2008, pág. 7). Esta família de standards é formada pelas seguintes ISO’s: 14001, diz respeito à gestão ambiental; 14020 e 14021, trata da gestão da rotulagem ambiental; 14031, de avaliações de performance ambiental; 14040-43 e 14048-49, trata da gestão do ciclo de vida (Potoski e Prakash, 2005). “The ISO 14001 standard is designed to provide an internationally recognized framework for environmental management, measurement, evaluation and auditing.” (Oliveira et al., 2010, pág. 1798). O sistema fornece às empresas, ferramentas que 7 Tradução de Environmental Management Systems (EMS) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 40 3.1.2 Implicações económicas e benefícios observados A certificação da ISO 14001 tem vindo a crescer nos últimos anos, com pelo menos 188,815 certificados emitidos em 2008, com distribuição em 155 países (Marimon et al., 2011). Mas nem todas as empresas possuem uma conjuntura financeira capaz de permitir a implementação do certificado. “Estimates of the financial cost of certification vary widely based on the size of the facility, the amount of preparation needed to implement an EMS, and whether the firm had previously adopted the sister standard, ISO 9000.” (Bansal e Bogner, 2002, pág. 274). Os valores referentes à certificação, podem estar compreendido entre $10,000-$128,000 para a implementação e valores entre $5,000-$10,000 para a monitorização anual, mas estes valores já foram excedidos (Freeman, 1997 in Bansal e Hunter, 2003). Na prática, a empresa investe financeiramente em mais do que a implementação e monitorização. Todos os gastos associados à melhoria devem ser considerados, como as despesas com auditorias (Potoski e Prakash, 2005). Os custos investidos numa fase inicial podem representar uma investida visível no valor da empresa no mercado. “With each effort, learning and certification costs diminish.” (Lally, 1998 in Bansal e Bogner, 2002, pág. 274). Ainda assim, são esperadas vantagens resultantes da implementação das ferramentas do EMS e/ou ISO 14001 pela capacidade de funcionamento no nível micro e macro da empresa, em simultâneo (Zorpas, 2010). Os benefícios associados à certificação dão conta de uma grande variedade de elementos, mas sendo estes dependentes da experiência real da empresa. Diferentes empresas podem verificar diferentes melhoramentos. Biondi et al. (2000) aponta a gestão e organização da empresa eficiente, a monitorização contínua e o aperfeiçoamento da imagem da empresa como os principais benefícios para as pequenas e médias empresas (Biondi et al., 2000). Zorpas, (2010) agrupa os ganhos efetivos em quatro categorias de destaque: 1. finanças, 2. mercado, 3. legislação, 4. comunicação e relação com os trabalhadores (Zorpas, 2010). As categorias pretendem agrupar vantagens que se influenciam entre si. Um bom sistema de gestão ambiental é capaz de ganhos robustos, com reduções contínuas. Um projeto eficaz exibe o verdadeiro impacto da empresa, mesmo que este seja maior que o previsto. Mas a análise desta informação é fundamental para a identificação de novas áreas onde o impacto não foi mitigado, e aumentar Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 41 consideravelmente a categoria de melhoramentos associados. Este método e informação, podem representar uma ferramenta de alerta para os gestores passivos (Bansal e Bogner, 2002). No caso financeiro, o beneficio é observado através da redução de desperdício que consequentemente gera poupança económica. São propostos novos métodos e controlo de processos à empresa, que permitem uma diminuição do risco e identificam o potencial de crescimento na eficácia organizacional. A utilização de recursos deve ser planeada de acordo com as necessidades da empresa. O elemento essencial nas vantagens económicas obtidas pela PME na redução de encargos financeiros, deve-se as estratégias preventivas do sistema. A empresa desenha uma salvaguarda de penalizações, remediações ou violação penal, evitando os custos associados (Zorpas, 2010). Os benefícios de mercado incluem aspetos como a competição e a imagem da empresa, observáveis pela sociedade. O mercado tem vindo a tornar-se mais exigente mas com as inovações contínuas e os investimentos técnicos, a pequena e media empresa pode tornar-se mais competitiva (Biondi et al., 2000). As tecnologias amigas do ambiente, para a produção, tratamento ou monitorização, permitem relatórios mais detalhados e transparência no desempenho ambiental. Os incentivos aos processos de produção mais eficientes têm vindo a crescer. Surgem também novas oportunidades de negócio que podem ser tomadas pelas pequenas e médias empresas com boa performance no mercado. Assim, a questão da imagem é um beneficio associado muito importante pela vantagem de mercado que proporciona, e crescimento das relações com grupos de interesse (Zorpas, 2010). A participação da empresa em sistemas de certificação traduz uma oportunidade para a empresa construir uma relação saudável com as entidades reguladoras, e entidades governamentais (Biondi et al., 2000). O principal ganho passa pelo cumprimento da lei e precaução com as penalizações. Com a presença da ISO 14001, cresce a consciência legislativa e são construídos planos de objetivos. A relação de ajuda desenvolvida por um EMS permite à pequena e média empresas uma verificação/confirmação externa da legislação ambiental, juntos dos reguladores/auditores. A maneira como a legislação é percebida pela empresa, depois da ISO 14001 adiciona credibilidade as autoridades públicas reguladoras (Zorpas, 2010). Em moldes futuros, estas mudanças positivas no panorama empresarial podem simplificar o processo burocrático para autorizações e/ou documentação em geral (Biondi et al., 2000). Por último, é conseguida pela PME Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 42 certificada uma melhoria na relação com a comunidade envolvente e trabalhadores da empresa. O desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores é possível através de seminários ou formação técnica, assim como o incentivo empresarial para a consciência ambiental (Zorpas, 2010). Depois da ISO 14001, espera-se que o local de trabalho seja apto à tarefa, o trabalho em grupo seja desenvolvido com ferramentas de motivação e incentivo para o trabalho em equipa e o trabalhador mais motivado e atento as informações recebidas (Biondi et al., 2000). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 43 3.2 Gestão ambiental da pequena e média empresa – estudo de casos Por todo o mundo, existem cada vez mais estudos a serem conduzidos sobre a influência de diversos elementos sociais, económicos e ambientais nas práticas e comportamentos ambientais das pequenas e médias empresas (Lawrence et al., 2006). No presente segmento do trabalho, será feita uma análise a quatro estudos que relacionam a aplicação de certificação ambiental com a realidade das PME’s. O objetivo passa por perceber se as conclusões destes estudos são coerentes com a informação na literatura, ainda que, existam poucas referências associadas à metodologia de implementação do sistema para as pequenas e médias empresas (Seiffert, 2008). Seguidamente apresentamos os estudos sobre forma numerada: • Estudo 1: Santos et al. (2011) • Estudo 2: Campos (2012) • Estudo 3: Agan et al. (2013) • Estudo 4: Carrolls et al. (2011) 3.2.1. Apresentação de estudos No primeiro caso, temos um estudo de Santos et al. (2011) para as pequenas e médias empresas em Portugal com o objetivo de perceber as dificuldades associadas ao processo de certificação, realçar os benefícios, e avaliar o nível de desempenho. Neste estudo foram inquiridas por email, 300 pequenas e médias empresas que já possuíam, pelo menos, um sistema de certificação. O questionário englobava divisões secionais para resposta: sistema geral de qualidade na empresa; sistema ambiental; sistema de segurança e saúde; sistema de gestão. Feito o inquérito, foram alcançadas 46 respostas válidas e representativas do território português. Os resultados do estudo (tabela 1) dão conta que 26,1% das pequenas e médias empresas inquiridas possuía o sistema de gestão ambiental certificado (EMS). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 44 Tabela 7 – Geração de benefícios e caracterização do impacto com sistema de gestão certificado - (Santos et al., 2011, pág. 1970) Os motivos com maior relevância para certificação EMS referidos neste estudo dão conta de preocupações com a proteção ambiental, a melhoria da imagem e o desenvolvimento da estratégia de marketing da empresa. No que diz respeito aos benefícios, o estudo faz o levantamento de áreas onde se notou um grande impacto. Avaliando a diminuição de dinheiro gasto com a eliminação de resíduos observa-se um beneficio ambiental consequente do sistema. O mesmo acontece com a diminuição de custos com a matéria prima, resultado da aplicação de técnicas de reciclagem. O estudo refere ainda benefícios nas relações com a comunidade, uso apropriado dos recursos naturais e o cumprimento da lei. As empresas que não se encontravam certificadas por qualquer sistema, no estudo, justificavam a sua decisão com o investimento inicial muito dispendioso em relação aos possíveis benefícios efetivos ou/e setor de atividade baixo em risco ambiental. Os autores concluem que os sistemas para a eficiência, devem ser aplicados de forma moderada e com atenção aos padrões de compatibilidade entre eles (Santos et al., 2011). Campos (2012) é a autora do segundo estudo, que foca a relação da ISO 14001 com o sistema integrado de gestão ambiental (EMS) nas pequenas e médias empresas em Santa Catarina, Brasil. O estudo foi feito através de uma página na internet, sendo que o link foi enviado para o correio electrónico de 870 PME’s. Das respostas obtidas, 208 empresas não mostraram motivação para participar no estudo, mencionando a falta de tempo, o baixo conhecimento e/ou interesse em sistemas de gestão ambiental. Foram Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 45 respondidos 127 questionários, sendo que destes, 83 questionários eram válidos para análise. Os resultados do estudo para os requisitos necessários a ISO 14001 foram agrupados pela ordem de importância observada (tabela 2): 1. Requisitos políticos, 2. Aspetos ambientais, 3. Requisitos legais, avaliação de conformidade, estrutura e responsabilidade, 4. Consciência, competências e desenvolvimento, 5. Documentos EMS, 6. Controlo operacional, medição e monitorização. Apesar de menos extensivo e detalhado, este estudo reforça a possibilidade de um sistema de gestão ambiental eficiente. Os resultados mostram um grupo de, pelo menos, 10 requisitos considerados importantes no EMS e aplicáveis ao contexto da pequena e média empresa. É necessário realçar que a amostra usada neste estudo é considerada pela autora como reduzida, face ao número de organizações de pequena dimensão no estado de Santa Catarina. Ainda assim, o estudo comprova que na ausência de certificação, os guias e as estratégias propostas na ISO 14001 e EMS são uma ferramenta de assistência que podem ser usadas por qualquer empresa. No presente estudo, a certificação total da ISO e EMS pode não ser o mais conveniente para as pequenas e médias empresas, mas estas podem ainda tirar o melhor partido das ferramentas disponíveis dos sistemas (Campos, 2012). Tabela 8 - Exigências da ISO 14001 - PME's (Campos, 2012, pág. 145) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 46 O terceiro estudo tem como objetivo principal a determinação de qual a motivação mais eficaz no processo ambiental. Agan et al. (2013) levantou várias perguntas relativas à estrutura de implementação, com destaque para a hipótese do estudo que propõe a relação positiva entre um EMS e a performance empresarial. Algumas estratégias podem não parecer proveitosas no curto prazo, mas os seus ganhos a longo prazo pretendem dirigir a empresa para um desempenho superior. Esta informação foi recolhida para investigação, em inquéritos realizados a pequenas e médias empresas, sediadas na Turquia. As 500 respostas recebidas e utilizadas no estudo, provinham de donos de empresas, diretores, gestores, engenheiros e outros trabalhadores de posições superiores na escala da empresa. Os resultados positivos do estudo parecem ser esperados pelos autores, ainda que estes notam uma robustez não esperada nos benefícios da relação entre um EMS e a performance empresarial. Do total de empresas analisadas, 152 possuíam certificação ambiental com a ISO 14001, 336 empresas não. Ainda assim, 59% das empresas que não possuía ISO 14001, pretende aplicá-la no espaço de três anos. O estudo comparou os processos ambientais dos dois grupos de empresas, em testes ANOVA. E as empresas que possuem a certificação da ISO 14001 têm valores superiores de desempenho, do que as empresas sem certificação (tabela 3). Os resultados mostram que a existência de certificação ou não na empresa, vai influenciar os fatores motivadores para a mudança (tabela 4). Enquanto que empresas certificadas são motivadas pelo conjunto de benefícios efetivos, as demais parecem impulsionadas pelos clientes. As pequenas e médias empresas participantes ambicionam a vantagem competitiva, através da implementação da ISO 14001. As conclusões do estudo, apontam para uma relação entre o tamanho, desempenho e certificação onde PME’s certificadas registam uma performance superior, com melhores desempenhos ambientais (Agan et al., 2013). Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 47 Tabela 9 – Comparação de dois grupos de empresas e processos ambientais (Agane t al., 2013, pág. 31) Tabela 10 - Valores críticos de crescimento na análise de grupo de ISO 14001. (Agane t al., 2013, pág. 31) O último estudo, levado a cabo por Carrolls et al. (2011) tem como objetivo fazer um levantamento das dificuldades sentidas pelas empresas certificadas com ISO 14001, na fase que seguiu a implementação do sistema. À semelhança de outros estudos, foi feito um inquérito para recolher os dados junto das pequenas e médias empresas. Foram reunidas 25 respostas de PME’s. O questionário privilegiava quatro categorias de avaliação: motivação para a ISO, fatores de sucesso na implementação da ISO, benefícios e barreiras da ISO. Os resultados do estudo quanto à motivação das PME’s apontam para a melhoria da performance ambiental da empresa e crescimento interno de gestão. O estudo mostra que a racionalização dos recursos naturais e o consumo de eletricidade são também motivações válidas, das pequenas e médias empresas. A maior motivação, resultante deste estudo, é o desenvolvimento da imagem pública esperando alcançar as exigências sociais esperadas na sociedade, e comportamentos associados. Esta é seguida da motivação de mercado, apresentada neste estudo como a segunda motivação mais importante para a PME. A empresa procura uma vantagem competitiva nas trocas comerciais, tanto local como internacional, e diminuição dos entraves à entrada do negócio. No que diz respeito aos benefícios e entraves, as pequenas e médias empresas Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 48 do estudo elegeram a melhoria da performance ambiental como maior benefício e a exigência na preparação e manutenção da componente documental da ISO, como os maiores entraves à implementação. É feito um resumo dos principais resultados do estudo, incluindo as motivações, benefícios e entraves (tabela 5). Em última instância, o que se pretende é uma generalização de bons desempenhos ambientais. Os resultados referentes a um EMS permitem às pequenas e médias empresas liberdade de decisão, ainda que não devam ser criadas expetativas irreais na empresa sobre o incentivo ou melhorias da responsabilidade ambiental (Carrolls et al., 2011). Motivações para as PME’s e adoção da ISO 14001 • Para melhorar o desempenho ambiental da organização e melhorar os processos internos de negócios, incluindo a redução de custos (reciclagem, redução do consumo de água, energia e matéria-prima; • Para melhorar a imagem pública da organização ou superar as expectativas da sociedade em relação ao desempenho ambiental; • • Para cumprir as normas e reduzir o risco (na organização ou nos seus funcionários) de incidentes ambientais; • • Em resposta à pressão dos acionistas e/ou clientes; • • Para obter uma vantagem competitiva no mercado ou superar os entraves à entrada no mercado (local ou internacional); Benefícios da ISO 14001 para as PME’s • Melhor desempenho ambiental; • Diminuição de resíduos; • Energia e conservação da água; • Imagem corporativa reforçada; • Redução de riscos ambientais e incidentes; • Cumprimento da legislação; Entraves à implementação da ISO 14001 para as PME’s • Preparação e manutenção da documentação • Âmbito legislativo no envolvimento de Gerenciamento de Requisitos • Custos associados a recursos externos (auditores/consultores) • Monitorização e avaliação de custos do processo. Tabela 11 - Resumo de Resultados - Motivações, benefícios e entraves (Cassells et al., 2011) Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 49 3.2.2. Comparação de estudos Os casos apresentados foram selecionados pela semelhança na temática e objetivo de estudo. Foi ainda tomado em consideração, a necessidade de representar as pequenas e médias empresas, uma vez que o EMS não está totalmente enquadrado à realidade das mesmas. Ainda assim, é notório a expansão da certificação em empresas de pequena dimensão como oportunidade de crescimento empresarial. As principais diferenças iniciam-se entre os estudos pelo local de origem, sendo que o país onde a amostra foi recolhida, pode influenciar divergência de resultados. Pela ordem anteriormente referida, os estudos foram levados a cabo em Portugal, Brasil, Turquia e Nova Zelândia, respetivamente. Nenhum dos estudos empregava o mesmo objetivo específico mas todos se relacionam e representam diferentes fases do processo. Os estudos 2 e 3 pretendem examinar as motivações que desencadeiam a mudança na empresa, em torno da certificação ambiental. Já o estudo 4 reflete sobre uma fase posterior, sendo este o objetivo mais focado dos quatro. O estudo 1 consegue ser o mais abrangente, realçando todas as fases do processo. Todos os estudos aqui comparados foram realizados junto do público alvo, as pequenas e médias empresas, sobre a forma de questionários. Podemos realçar que apenas o estudo 1 e 4 organizaram o questionário em categorias de avaliação. No que diz respeito à comparação de resultados práticos, todos os estudos apresentaram relações positivas nas suas questões com resultados significativos. Em termos estatísticos, 26,1% das empresas no estudo 1 e 30,4% do estudo 3 apresenta certificação ISO 14001. E como nota de encorajamento futuro, 59% das empresas não certificadas no estudo 3, pretendem fazê-lo em 3 anos. Os restantes resultados teóricos dão conta das motivações, benefícios e aspetos chave do sistema para as pequenas e médias empresas. No que o estudo 2 refere, as suas conclusões podem ser associadas aos motivos referidos pelo estudo 1. A importância dada pelas empresas aos requisitos políticos, ambientais e legais, assim como as avaliações periódicas e desenvolvimento de competências (estudo 2) podem ser significativas como elementos motivadores. Os motivos enumerados no estudo 1 apresentam o ambiente, a imagem e o marketing como elementos relevantes para implementação do sistemas. Já a principal motivação do estudo 3, dá conta da vantagem Pequenas e Médias Empresas: Comportamentos Voluntários em Rumo da Sustentabilidade | 2013 Mestrado de Economia e Gestão do Ambiente 56 Ebert, Udo; Welsch, Heinz (2011) Optimal environmental taxes and standards: Implications of the materials balance, Ecological Economics, 70, 2454–2460 Franzen, Axel; Vogl, Dominikus (2013) Two decades of measuring environmental attitudes: A comparative analysis of 33 countries, Global Environmental Change, (http://dx.doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2013.03.009) Galle, Brian (2012) The Tragedy of the Carrots: Economics & Politics in the Choice of Price Instruments, Boston College Law School Legal Studies Research, 240 Gusmerotti, N.M.; Testa, F.; Amirante, D.; Frey, D. 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