Relatório de Estágio no Porto Canal. A orientação editorial antes e depois do Futebol Clube do Porto - análise do principal bloco noticioso
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FACULDADE DE LET R A S UNIVE RSIDADE DO PO RTO Cristiana Raquel Almeida Domingues 2º Ciclo de Estudos em Ciências da Comunicação Relatório de estágio no Porto Canal A orientação editorial antes e depois do Futebol Clube do Porto – análise do principal bloco noticioso. 2013 Orientadora: Prof.ª Doutora Helena Lima Classificação: 16 valores Ciclo de estudos: 2º Ciclo Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
2 Ao meu irmão, Pedro Domingues.
3 AGRADECIMENTOS “Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte." Gabriel García Marquez O verbo agradecer, apesar de toda a grandeza que lhe é inerente, parece-me pouco para valorizar o apoio incondicional que recebi ao longo da realização deste relatório de estágio. Começo por dedicar as primeiras palavras à minha orientadora, Professora Doutora Helena Lima, pelos conselhos e conhecimentos tão sábios e preciosos. Um obrigado especial à Vanda Balieiro, chefe de redação no Porto Canal, que me acolheu e me deu a oportunidade de, durante 3 meses, me sentir uma verdadeira Jornalista. Obrigada pela paciência, pelo apoio, pelos conselhos e por me fazer “sentir em casa”. Um obrigado sentido a toda a produção do Porto Canal, em particular à Fátima Ribeiro de Almeida, por acreditar no meu trabalho e por me encorajar a fazer sempre mais e melhor. Um obrigado a toda a equipa de redação, especialmente às jornalistas Vânia Correia, Mariana D’Orey, Eduarda Pires, Cátia Neves, Bárbara Silva, Alexandra Martins, Ana Rita Bastos, Carla Ascensão, Cláudia Fonseca, Sónia Balieiro e aos jornalistas Humberto Ferreira, Pedro Carvalho da Silva e José Luís Bessa, pelos conselhos, pelos ensinamentos, pela paciência e pela boa disposição. Um obrigado a todos os colegas de mestrado que me proporcionaram belos momentos que guardarei para a vida, em especial à Bruna Silva, à Ana Mário Praça, à Liliana Viana e ao Zé Carlos. Um obrigado aos amigos de outros tempos, que ainda hoje marcam presença na minha vida. A vocês, Carla Ascensão e Tânia Pacheco, agradeço os lanches e as
4 gargalhadas que me animaram e fizeram acreditar que era possível. A ti, Raquel Pandeirada, por seres como és e por me transmitires aquela motivação que te é tão característica. A ti, Joana Rico, pela paciência e pelo apoio. Um obrigado a toda a minha família, em especial aos meus pais e avós, à Nininha e à Adriana, por se interessarem pelo meu trabalho e por valorizarem e compreenderem todo o meu esforço e dedicação. Um obrigado a ti, Pedro, irmão inesperado, pelas perguntas e pelo carinho com que me mimaste nos momentos mais difíceis. Um obrigado a ti, Fábio, pelas palavras de encorajamento, pelas críticas e pelo suporte emocional que nunca me negaste. Um obrigado àqueles que aqui não referi, mas que sabem que estão no meu coração. Cristiana Domingues
5 RESUMO Nos meios de comunicação social de menor dimensão assiste-se a um estreitamento das relações de proximidade entre o jornalista e a sua audiência. É no jornalismo regional e local que o público encontra informações que, de outro modo, dificilmente conseguiriam obter, devido à falta de cobertura jornalística – em algumas localidades – por parte dos meios de maior dimensão. As pressões oriundas de diversas instituições locais ou regionais podem influenciar a atividade jornalística, mas cabe ao jornalista garantir a credibilidade do seu trabalho, fazendo um esforço redobrado por seguir os cânones da profissão. Com a realização do estágio no Porto Canal, foi possível reforçar a prática de um jornalismo de proximidade e assim compreender as relações que se estabelecem nestes meios de comunicação de menor dimensão. O início da gestão do Futebol Clube do Porto, um dos clubes com maior influência a nível nacional, foi motivo de análise neste relatório, que pretende aferir o impacto que esta situação causou na informação do Porto Canal, nomeadamente no seu principal bloco informativo. Palavras-Chave: Jornalismo, Proximidade, Televisão, Informação, FC Porto, Meios de Comunicação Social Locais e Regionais
6 ABSTRACT In the smaller media a narrowing of the proximity relation between the journalist and the audience can be observed. It’s in the regional and local journalism that the public relies on to find information that would otherwise be difficult to obtain, given the lack of journalistic coverage, in certain locations, by the bigger media. The pressures derived from the diverse local or regional institutions can bias the journalistic activity, but it is the journalist’s task to guarantee the credibility of his work by doubling his efforts to follow the canons of his profession. With the completion of the internship at Porto Canal, it was possible to reinforce the practice of proximity based journalism and therefore understand the relations that are established through the smaller media. The beginning of Futebol Clube do Porto’s, one of the teams with a larger influence on the country, management was cause for analysis in this report, which intends to monitor the impact that this situation had on Porto Canal’s information, namely its main news show. Keywords: Journalism, Proximity, Television, Information, FC Porto, Local and Regional Media
7 ÍNDICE INTRODUÇÃO 8 1. JORNALISMO DE PROXIMIDADE 10 1.1. A Proximidade no Jornalismo Local e Regional 10 1.2. As Relações de Proximidade: o Papel do Jornalista 18 2. JORNALISMO TELEVISIVO 26 2.1. A Proximidade no Jornalismo Televisivo 26 2.2. Televisão Regional e Especialização 31 2.3. O Desporto no Jornalismo Televisivo 33 3. ESTUDO DE CASO 37 3.1. Metodologia 38 3.2. Discussão de Resultados 41 4. O ESTÁGIO 49 4.1. A Empresa 50 4.2. A Influência do Futebol Clube do Porto 54 4.3. Finalidade e Processo de Realização do Relatório de Estágio 56 4.4. Atividades Desenvolvidas ao Pormenor 57 CONCLUSÃO 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 68 APÊNDICES 74 ANEXOS 77
8 INTRODUÇÃO “Precisamos de notícias para vivermos, para nos protegermos, para criarmos laços, para identificarmos amigos e inimigos. O jornalismo é, simplesmente, o sistema concebido pelas sociedades para fornecer estas notícias. É por isso que nos preocupamos com o tipo de notícias e o jornalismo que temos: estes elementos influenciam a qualidade das nossas vidas, os nossos pensamentos e cultura”. (Kovach & Rosenstiel, 2004: 6) De facto, o jornalismo é uma presença constante na sociedade atual e cada vez mais se sente a necessidade de saber o que se passa no mundo, no país, na região ou na própria rua. “Estar a par de acontecimentos que não podemos testemunhar pessoalmente confere-nos uma sensação de segurança, controlo e confiança” (Kovach & Rosenstiel, 2004: 6) e cabe aos jornalistas e aos meios de comunicação social transmitir essas informações ao público. Contudo, esta sede de informação deve ser correspondida com um jornalismo sério, que procure transmitir as notícias com rigor. Kovach e Rosenstiel (2004: 10) enumeram nove princípios – consensuais entre os jornalistas – que, na sua opinião, constituem os elementos do jornalismo: 1. “A primeira obrigação do jornalismo é para com a verdade; 2. O jornalismo deve manter-se leal, acima de tudo, aos cidadãos; 3. A sua essência assenta numa disciplina de verificação; 4. Aqueles que o exercem devem manter a independência em relação às pessoas que cobrem; 5. Deve servir como um controlo independente do poder; 6. Deve servir de fórum para a crítica e compromisso públicos; 7. Deve lutar para tornar interessante e relevante aquilo que é significativo; 8. Deve garantir notícias abrangentes e proporcionadas; 9. Aqueles que o exercem devem ser livres de seguir a sua própria consciência”. Seguindo estes nove elementos, o jornalista conseguirá cumprir a finalidade do jornalismo, ou seja, fornecer ao público a informação de que este precisa para ser livre e se autogovernar. São, então, “princípios que se esbateram ou diluíram ao longo dos
9 tempos, mas que estiveram sempre presentes, de uma forma ou de outra” (Kovach & Rosenstiel, 2004: 9). Meryl Aldridge diz na sua obra, Understanding the local media, que “Life is global; living is local” (Aldridge, 2007: 3), realçando a importância dos media locais face ao momento de globalização vivido atualmente. Na realidade, apesar de assistirmos a uma globalização potenciada pelos meios de comunicação de massa, os assuntos relativos ao meio local e regional ganham cada vez mais destaque. Esta questão assume uma importância fulcral no jornalismo local e regional, onde o jornalista acaba por estar muito próximo do seu público-alvo, bem como dos acontecimentos que são notícia. Muitas vezes, descredibiliza-se este tipo de jornalismo por se pensar que o jornalista não consegue ser independente face a fatores externos que podem comprometer a veracidade dos factos. O presente relatório tem como objetivo principal analisar até que ponto a ligação do Porto Canal a um dos principais clubes de futebol a nível nacional (o Futebol Clube do Porto) pode alterar a linha editorial e assim interferir no alinhamento do principal bloco informativo do canal. Pretende-se, portanto, perceber se o facto de o FC Porto estar estritamente ligado ao Porto Canal pode fazer com que o clube seja um assunto prioritário, relativamente ao restante panorama informativo. Passará o Porto Canal a ser um canal desportivo ou irá manter a sua ligação ao Norte? Jaime Dias (2012: 77), na sua tese de mestrado, concluiu que, para o Porto Canal, “mais do que estar no local e do que cobrir toda a região geograficamente, importa que os assuntos que são motivo de reportagem tenham uma abordagem regional ou local”. Apesar de tal acontecer menos vezes que o esperado, Dias (2012) considerou que o factor proximidade se revelava presente. O crescente número de delegações espalhadas um pouco por toda a região norte é também uma evidência dessa proximidade. Deste modo, seguimos para este estudo partindo da ideia proposta por Dias (2012), que afirma que o Porto Canal dá prioridade ao Norte, desenvolvendo um jornalismo de proximidade. Esta questão será então uma referência no decorrer da análise de conteúdo, que será desenvolvida num outro momento do presente relatório.
16 O segundo problema diz respeito à dificuldade do nascimento, desenvolvimento e consolidação dos meios de comunicação estritamente locais, meios que configuram a opinião pública em cada município. São cinco as causas principais desta dificuldade em relação aos meios de informação locais: 1. “A falta de verdadeiras estruturas organizativas ou empresariais no campo da informação local (…); 2. A falta de profissionalização das pessoas dedicadas a esta classe de informação (…); 3. A falta de especialização informativa no campo local; 4. A falsa ideia de que a informação local é mais fácil na sua realização do que a de nível nacional ou internacional (…); 5. A imediatez do tratamento e conhecimento dos sujeitos relacionados com esta classe de informação.” (Lopes, 2004: 39) A estas cinco dificuldades acrescenta-se a relação de dependência essencialmente publicitária que os media regionais têm com as instituições, que se prende, maioritariamente, à ausência de uma base económica forte. Apesar destas dificuldades, os meios de comunicação regional têm conquistado um lugar de destaque junto do público que, cada vez mais, confia nas informações que lhe são transmitidas. A perspetiva de que, nos meios de comunicação regionais, a prática jornalística se executa mais facilmente é, como afirma Lopes (2004: 39), “um erro crasso”, pelo facto de, o público, na comunidade local, ser mais crítico com a mensagem, uma vez que se identifica mais com ela (Moreno, 1999). O público possui assim mais elementos de juízo para analisar os conteúdos publicados, logo o jornalista deve estar a par de tudo o que acontece em cada localidade. Esta questão será ainda objeto de abordagem mais pormenorizada, num outro momento deste relatório. Mathien, citado por Camponez (2002), descreve um conjunto de funções da imprensa regional que nos remetem para a prática de um jornalismo de proximidade: servir de elo da comunidade a que se dirige, constituir-se como complemento à experiência quotidiana dos seus leitores (o público em geral), esclarecer o leitor sobre o ambiente que o rodeia, alargar o conhecimento da sua audiência nos mais diversificados assuntos, servir como importante banco de dados da região onde atua e desempenhar uma função de recreio e de psicoterapia social. É importante salientar que, quando o autor menciona a função de complemento à experiência do quotidiano refere-se não só
17 ao que se passa por perto como a uma realidade mais distante. Complementar a informação mais próxima com conhecimentos mais distantes é crucial, no entanto exige alguns cuidados. Os meios de comunicação locais e regionais não devem cair no erro de imitar os meios de comunicação nacionais pois, além de não possuírem os mesmos meios, não é esse o seu objetivo. Contudo, é importante ir mais além, pois se a proximidade não se mede em metros, o público também valoriza as informações que se estendem a outros lugares mais distantes da sua localidade. Como referem Kovach e Rosenstiel (2004: 5), “as pessoas sentem uma necessidade intrínseca – um instinto – de saber o que se passa para além da sua experiência direta”. A proximidade é uma das caraterísticas presentes não só nos media regionais como nos media locais. Embora o jornalismo de proximidade não seja exclusivo destes meios, é neles que assume proporções mais significativas (Dias, 2012: 13). Para Camponez (2002),por muito que os limites do que é ou de até onde vai a proximidade não sejam totalmente definíveis, a existência de uma limitação territorial tem de ser um dos pressupostos base. Seja um jornalismo local ou regional, o importante é informar o público de forma isenta e clara e, dadas as características destes meios, reforçar a relação de proximidade entre o público e o jornalista. Cabe ao jornalista selecionar a informação de forma cuidada e corresponder às expetativas da população, que espera dele uma atitude de proximidade sensata.
18 1.2. As Relações de Proximidade: o Papel do Jornalista “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.” Gabriel García Márquez Como já foi referido anteriormente, é usual pensar que os meios de comunicação social regionais e locais publicam, muitas vezes, informações de carácter sensacionalista ou duvidoso. Dadas as fortes ligações que estes meios possuem com as instituições locais e com as próprias populações, a sua credibilidade é por vezes questionada. No entanto, o jornalista assume um papel importante nesta questão. Um jornalista que trabalha na área da proximidade pode (e deve) querer agradar à sua audiência, contudo, essa não é, regra geral, a sua maior inquietação. As suas preocupações centram-se nas várias influências de que é alvo nas suas escolhas, dada a dimensão do meio. Mas afinal para quem trabalham os jornalistas? Kovach e Rosenstiel (2004) consideram que um dos elementos do jornalismo é que este se deve manter leal, acima de tudo aos cidadãos. Constatam também que as organizações jornalísticas “têm de servir e ter em consideração instituições comunitárias, grupos de interesse locais, empresas-mãe, acionistas, anunciantes e muitos outros interesses” (Kovach e Rosenstiel, 2004: 52), mas que em primeiro lugar deve estar sempre o público, recetor da informação transmitida. Contudo, “os cidadãos não são clientes” (Kovach e Rosenstiel, 2004: 63-64). A palavra cliente é limitadora e imprecisa, na medida em que o jornalismo é um serviço fornecido, na maioria das vezes, gratuitamente: basta consultarmos algumas páginas de internet para percebermos a facilidade de acesso à informação e a velocidade a que ela se propaga. Por outro lado, também há os conteúdos pagos – presentes na maioria dos jornais e revistas – que podem ser adquiridos pelo público mediante o pagamento de um preço estipulado. “Em vez de venderem conteúdos aos clientes, os profissionais do jornalismo estão a criar uma relação com o público baseada nos seus valores, na sua capacidade crítica, autoridade, coragem, profissionalismo e empenho para com a comunidade” (Kovach e Rosenstiel, 2004: 64). Os jornalistas trabalham assim, em primeiro lugar, para a sua audiência. Todavia, a atividade jornalística, principalmente nos meios de comunicação de menor dimensão, é muitas vezes alvo de pressões internas e externas que, de algum modo, podem influenciar a produção noticiosa.
19 É com base nesta relação entre o jornalista e o público que os meios de comunicação social chegam aos anunciantes e publicitários, interessados em tirar o melhor partido dela. Nos meios de comunicação social locais e regionais esta relação de confiança é potenciada pela proximidade. Para que o cidadão/público esteja sempre em primeiro lugar nos meios de comunicação social, quer sejam de âmbito nacional ou regional, e para que a veracidade dos factos e o trabalho do jornalista não seja posto em causa, Kovach e Rosenstiel (2004: 66-71) consideram que “o proprietário/empresa deve assumir, em primeiro lugar, um compromisso com os cidadãos”; deve-se “contratar gestores que também coloquem os cidadãos em primeiro lugar”; deve-se “definir e comunicar padrões claros” e os jornalistas devem “ter a última palavra no que diz respeito às notícias”. No entanto, a confiança que o público deposita nos jornalistas já viu melhores dias. Com a industrialização do jornalismo, nomeadamente com o crescimento da comunicação de massas, o público assistiu a um aumento do sensacionalismo, da exploração e sente que o jornalista criou novas prioridades em proveito da fama pessoal e da vontade de ganhar dinheiro. Para conquistar de novo a confiança do público “o jornalismo deve restabelecer a fidelidade para com os cidadãos que a indústria da informação erradamente ajudou a subverter” (Kovach e Rosenstiel, 2004: 71). Não podemos generalizar este facto a todos os profissionais do jornalismo, uma vez que ainda há quem considere a ética jornalística inviolável e não se desvie dos padrões jornalísticos. Contudo, esta é uma realidade bem presente em todos os meios de comunicação social. Deste modo, jornalistas, proprietários, editores e chefes devem contornar as pressões a que o meio de comunicação está sujeito, de forma a não comprometerem a qualidade e o rigor das informações transmitidas. As fontes de poder são umas das pressões a que estes meios de comunicação de menor dimensão estão sujeitos diariamente. É importante conquistar um espaço firme junto da audiência e influenciá-la de uma forma estruturada, tendo em vista a construção de uma opinião pública bem fundamentada (Lima, 2008: 18). Esta capacidade foi sendo adquirida com o passar do tempo e a partir desta noção é claro que o jornalista tem que desenvolver um conjunto de mecanismos que lhe permitam manter a sua sobriedade profissional. Como referem Kovach e Rosenstiel (2004: 114), “os jornalistas devem funcionar como um controlo independente do poder”, exercendo um papel de vigilância. No entanto, “mais do que tornar transparente a gestão e a aplicação do poder, a grande
20 finalidade do papel de vigilância é dar a conhecer e ajudar a entender os efeitos desse poder” (Kovach e Rosenstiel, 2004: 117). Além de estabelecerem uma relação forte com a audiência, os meios de comunicação locais e regionais vão criando outras relações com os mais variados órgãos. Labella (2010) considera a existência de quatro tipos distintos de relações: institucionais, não institucionais, comerciais e pessoais. As informações que chegam através da via não institucional são importantes, uma vez que podem ser notícias em primeira mão, já que ainda não foram difundidas pela via institucional. É nestes casos, por exemplo, que os meios de comunicação ganham os exclusivos. No entanto, a verificação dos factos deve ser sempre considerada. Já as relações pessoais podem prejudicar o trabalho jornalístico, sejam elas de cordialidade ou de inimizade (Labella, 2010). Por norma, a maior parte das informações que chegam às redacções dos meios locais é fornecida pelas instituições das mais variadas formas: através de comunicados oficiais, conferências de imprensa, declarações sem perguntas, entrevistas e pedidos de declarações ou esclarecimentos através do gabinete de imprensa. As relações comerciais, principalmente no caso de dependência publicitária, podem originar alguns entraves na hora de informar ou até levar à publicação de informações sem valor-notícia. Para que o jornalista informe o seu público com rigor, as fontes assumem um papel fulcral. No atual panorama jornalístico, as agências de comunicação simplificam a vida aos jornalistas, facilitando o agendamento noticioso. Contudo, também acaba por exercer uma forte influência sobre o que é ou não considerado notícia (Dias, 2012: 20). Josep María Casasús (1989, cit. por Dias, 2012: 21) considera que os métodos através dos quais o jornalista obtém informações se podem englobar em três grandes grupos: recursos pessoais e fontes próprias dos jornalistas; fontes genéricas e convencionais de informação; fontes específicas e eventuais de informação. O primeiro grupo divide-se ainda em três grupos distintos: recursos passivos, activos e pessoais. Nos recursos passivos o jornalista, através de uma observação direta, toma conhecimento porque presencia a situação. Já os recursos activos envolvem investigação e documentação com entrevistas técnicas para que o jornalista obtenha a notícia. Os recursos pessoais dizem respeito à formação adquirida pelo jornalista através da experiência e/ou através de formações mais específicas (Casasús, 1989 cit. por Dias, 2012: 21).
21 Os serviços de agenda e os comunicados, assim como a atenção constante aos restantes meios de comunicação, enquadram-se no grupo das fontes genéricas e convencionais de informação. O último grupo, referente às fontes específicas e eventuais de informação, diz respeito aos próprios agentes protagonistas ou que presenciaram os acontecimentos, podendo assim dar o seu testemunho. (Casasús, 1989 cit. por Dias, 2012: 21). São vários os autores que se dedicam ao estudo das fontes, identificando diferentes tipologias de fontes. Segundo Héctor Borrat (1989, cit. por Dias, 2012: 21), as fontes podem ser resistentes, abertas, espontâneas, ávidas e compulsivas. Estas categorias variam consoante a atitude existente na relação entre os jornalistas e os seus informadores. As fontes resistentes colocam fortes obstáculos ao jornalista na busca de detalhes sobre determinado assunto, ao passo que, as fontes abertas não os colocam, porém apenas fornecem informação quando solicitadas para tal. As fontes espontâneas, como o próprio nome indica, fornecem as informações voluntariamente. Já as fontes ávidas encontram-se a um nível de voluntariedade superior, na medida em que informam mais urgentemente e com maior intensidade, acionando todos os recursos possíveis. Por vezes, pretendem quase que obrigar os meios de comunicação social a publicar a informação transmitida. García (2004) define ainda outra tipologia de fontes, baseada no grau de contacto que o jornalista teve com o acontecimento em causa: fontes de primeira-mão, fontes de segunda-mão e fontes de terceira-mão. No que diz respeito às notícias de primeira-mão, o jornalista assiste ao acontecimento presencialmente. Relativamente às de segundamão, o jornalista toma conhecimento do acontecimento no local mas através de testemunhas. Já no que se refere às notícias de terceira-mão, o jornalista toma conhecimento do acontecimento por outra fonte. A par com esta tipologia, García (2004) considera ainda a existência de fontes públicas e/ou privadas. A identificação das fontes é também uma questão importante no jornalismo. García (2004) reparte a atribuição de fontes em quatro tipologias: atribuição direta, atribuição com reservas, atribuição de reserva obrigada e atribuição de reserva total. A atribuição direta ocorre quando a informação prestada pela fonte é divulgada, identificada e citada. Já a atribuição com reservas observa-se quando a fonte é citada mas não é identificada explicitamente. Contudo, essa identificação deve ser rigorosa, evitando apresentações genéricas. Quando o jornalista assume a informação como sendo da sua autoria, sem citar fontes, estamos perante a atribuição de reserva obrigada. Por sua vez, a atribuição
22 de reserva total ocorre quando a informação é prestada em off de record, em que há um acordo entre o jornalista e a fonte, para que a informação prestada não seja divulgada nem atribuída à fonte. Neste caso, a informação prestada é utilizada pelo jornalista apenas para melhorar a sua compreensão acerca dos acontecimentos. O contacto entre jornalistas e fontes deve ter sempre em conta os interesses envolvidos na informação prestada. Publicar uma informação errada pode colocar em causa a proximidade característica dos meios de comunicação locais, daí a questão da confiança assumir também um papel fundamental. A relação entre o jornalista e as suas fontes deve basear-se numa postura profissional. Mesmo nos meios marcados pela proximidade, o importante é que a procura da informação se baseie numa actuação de rigor e honestidade. Para não ser influenciado pelas várias pressões associadas a estes meios, o jornalista deve sempre escutar, mas também questionar e analisar as diferentes situações, isto porque, na vida local, “há muitos olhos que tentam controlar e saber tudo o que se passa” (Dias, 2012: 22). É de realçar também a evolução das novas tecnologias, que veio facilitar o acesso dos jornalistas (e até do próprio público) à informação. No caso concreto do Porto Canal, a internet desempenha um papel fulcral na comunicação e transmissão de conteúdos entre a sede e as delegações, assim como, no aprofundamento de informações de âmbito nacional e internacional. Regra geral, privilegia-se o contato direto entre o jornalista e a informação no local onde esta ocorreu. Todavia, esse contato nem sempre é possível, principalmente em assuntos de âmbito nacional e internacional, devido ao distanciamento geográfico do canal dessas realidades. É neste contexto que as novas tecnologias, nomeadamente a internet, se assumem uma mais-valia. Voltando à questão do poder, este é um dos factores que pode pôr em causa a independência jornalística, esteja ele interior ou exteriormente ligado ao meio de comunicação social em causa. Deste modo, toda a envolvência da empresa, nomeadamente os níveis que compõem a sua escala de organização, pode influenciar a autonomia do jornalista e o trabalho final por ele desenvolvido (Kucinski, 2004 cit. por Dias, 2012). A publicidade é, indubitavelmente, a principal fonte de financiamento dos jornais. Como seria de esperar, nenhum patrocinador pretende que a publicação que patrocina publique informações de conteúdo indesejável para a sua empresa. Esta tentativa de controlo e de censura dos meios de comunicação social leva a que os publicitários
23 acabem, muitas vezes, por precisar mais do meio de comunicação do que o inverso. Deste facto decorre uma nova pressão que não permite que os jornalistas ou as empresas de media publiquem o que desejam ou o que devem. A solução apontada para este problema, aparentemente contraditório, reside na adoção de uma estratégia de negócio, orientada para a maximização do lucro, tendo por base o aumento das receitas publicitárias e a redução dos custos de produção (Franklin, 2006: 7 cit. por Dias, 2012: 23). Contudo, se esta estratégia passar pela redução do número de jornalistas, no caso dos meios de comunicação social locais, não só os meios locais perdem expressão como mais facilmente podem ceder a fazer reportagens que de outro modo não fariam. Dado o processo de convergência, esta questão assume novos contornos, na medida em que muitas publicações de pequena dimensão estão agora ligadas a empresas maiores. Como consequência deste processo, as relações que os jornalistas e as empresas devem ter em conta na produção de conteúdos saem exponenciadas. (Dias, 2012: 23) Ao pertencerem a meios de maior dimensão, os meios regionais e locais criam novos elos de ligação e de dependência. Se dependerem de instituições locais, a independência pode estar ameaçada. Deste modo, manter uma postura baseada num certo distanciamento assume-se como uma postura sensata e muitas vezes necessária (Dias, 2012: 23) Susanne e Stephan (2008, cit. por Dias, 2012) apresentam o jornalista como um agente racional, ou seja, que “procura maximizar o seu bem-estar, promovendo o seu próprio interesse, estando assim receptivo a incentivos e recompensas” (Dias, 2012: 24). Esta postura faz com que o jornalista se encontre em pé de igualdade com o meio de comunicação, sendo levado em conta nos riscos e benefícios que podem advir da publicação de determinada informação. Conquanto, há um risco evidente: uma vez perdida a confiança, perde-se a proximidade a ela intrínseca. O jornalismo deve assim encontrar um ponto de equilíbrio entre afetividade e racionalidade, evitando a ligação da emocionalidade à comercialidade (Brandão, 2010). A promoção de iniciativas locais, ligadas a associações, coletividades, universidades e outros órgãos, são várias vezes abordadas nos meios de comunicação locais. Esta colaboração com o espaço público é já um hábito destes meios de menor dimensão, porém deve evitar-se que este facto se traduza numa forma de dependência institucional (Correia, 1998: 163).
24 A relação forte existente entre os meios regionais e as elites políticas, culturais e associativas já não é nova, o que não significa que se misturem obrigatoriamente numa “teia de quezílias paroquiais” (Correia, 1998: 162). Noticiar os acontecimentos da região é também dar voz aos movimentos da região. Contudo, não significa que a autonomia e a independência jornalísticas sejam postas em causa. Segundo Correia (1998: 165), o equilíbrio baseia-se na conjugação de diversos elementos que se complementam entre si. São eles “a qualidade dos projectos editoriais, a formação profissional, o apoio do Estado segundo critérios objetivos que impeçam a demissão de uma atitude empresarial empenhada, a formação de um produto jornalístico que atraia a publicidade comercial e impeça a dependência da publicidade institucional” (Correia 1998: 165). A cooperação entre as instituições e os jornalistas não coloca necessariamente em causa a independência dos meios de comunicação locais. Harrison (2006) constatou isso mesmo, relativamente aos meios locais no Reino Unido. Na sua opinião, as autoridades locais no Reino Unido têm cada vez mais uma visão estratégica, focada e profissional, no que concerne ao desenvolvimento das suas relações com os media. Desta forma consegue-se uma cooperação que, além de facilitar o acesso dos jornalistas à informação, também possibilita que as autoridades locais controlem melhor a informação que pretendem transmitir. O jornalista deve sempre jogar com a proximidade a seu favor. Sempre que lhe for possível deve estar presente no local do acontecimento e tirar o melhor partido de uma informação privilegiada pela proximidade. É também importante que o jornalista concilie o seu trabalho com a pressão de conclusão das peças, de forma a gerir melhor o seu próprio tempo. No entanto, não se trata de uma tarefa fácil e não favorece a investigação e análise dos acontecimentos com mais pormenor. Durante o estágio realizado no Porto Canal foi possível verificar esta dificuldade. Por várias vezes foi necessário alterar, de última hora, o alinhamento dos vários blocos noticiosos do canal ou mesmo eliminar algumas, devido à falta de tempo para o jornalista terminar as peças. Brandão (2010, cit. por Dias, 2012: 26) considera que os jornalistas devem ser encarados como agentes ativos que observam e reconstroem a realidade no desempenho das suas tarefas diárias de recolha, seleção, organização e produção de notícias. Face às várias pressões de que os jornalistas são alvo no exercício da sua profissão, é fundamental preservar a ética jornalística, de modo a permitir uma informação livre e plural. É, portanto, necessária uma autorregulação do próprio grupo de profissionais, ou
25 seja, “o cumprimento (da ética jornalística) deve ser vigiado e garantido, em regra, pelos próprios pares” (Fidalgo, 2006: 277). É necessária uma vigilância entre os próprios jornalistas para que a ética da profissão não seja desvalorizada. Também os atores políticos, sociais e económicos devem dar o seu contributo para preservar a qualidade da informação. Devem garantir que os meios de comunicação regionais e locais se afirmem como a voz das regiões e das localidades a que se dedicam. Como afirma Dias (2012: 26), “só por esta via os jornalistas no campo da proximidade estarão juntos da audiência”.
32 O verdadeiro problema é a ligação destes limites territoriais com os vetores de proximidade, desenvolvidos na relação entre o meio de comunicação e o público. No entanto, mais importante que a questão geográfica é a criação de um sentimento de identidade. Com as novas tecnologias cresce uma nova oportunidade para os meios de comunicação locais e regionais, isto é, uma oportunidade para o desenvolvimento do jornalismo de proximidade. Quando falamos de jornalismo especializado reportamos o nosso pensamento para um conjunto de conhecimentos específicos em determinada área. Já quando falamos de jornalismo local e regional, constatamos que o seu exercício está a cargo de profissionais de informação generalista. A situação ideal seria que os jornalistas destes meios de comunicação se organizassem de forma a dividirem tarefas, no sentido de uma especialização de conteúdos. A ideia seria, por exemplo, numa redação, existirem jornalistas dedicados a negócios e grandes acontecimentos empresariais na região; outros dedicados a assuntos políticos, como a nível das câmaras municipais ou do próprio estado, sempre com uma perspectiva local; outros empenhados nos assuntos da população local, entre outros (Kaniss, 1991). Seguindo esta divisão, e de acordo com a visão proposta por Camponez (2002), estaríamos perante um corte vertical e horizontal em simultâneo. Todavia, esta questão prende-se com outros fatores, nomeadamente a questão da falta de recursos e de meios para levar a cabo esta divisão. O jornalista deve fazer a cobertura de vários assuntos de forma a estar minimamente preparado para todas as ocasiões. Nos meios de comunicação locais e regionais, o jornalista acaba por se envolver mais com os temas da localidade, daí ser natural pensarmos em especialização nestes meios. No entanto, como pudemos constatar anteriormente, uma especialização envolve mais do que um simples interesse pelos assuntos locais. Quando falamos de televisão local e/ou regional, todas estas particularidades saem exponenciadas pelas características próprias do meio televisivo: a imagem aliada ao som, o imediatismo e a instantaneidade, entre outras.
33 2.3. O Desporto no Jornalismo Televisivo “Não há jornalista que não tenha clube, transportar essa tendência para o trabalho é que é inconcebível.” Alexandre Afonso, Jornalista Antena 1 Já aqui falámos em especialização e na naturalidade com que se encara o jornalismo local e regional como uma especialidade do jornalismo. Relativamente à estação televisiva em análise neste relatório – o Porto Canal – coloca-se uma questão pertinente: o início da gestão do FC Porto transformou o Porto Canal num canal especializado em desporto? À primeira vista podemos achar que sim, dada a grandeza do clube e as pressões associadas a esta ligação tão restrita, anteriormente abordadas neste relatório. Mas o que implica uma especialização do Porto Canal na temática do desporto? A implementação do jornalismo desportivo no Mundo, com refere Martins (2008: 26) “aconteceu de uma forma irregular e já tardia”. As razões para essa dificuldade de implementação residem não só no facto de os conteúdos desportivos terem conquistado um lugar de destaque na sociedade apenas em finais do século XIX, como na dificuldade, aquando da sua implementação, de cativar e assegurar um público fiel às publicações que iam surgindo (Martins, 2008: 27). Entre o final do século XIX e o fim da Segunda Guerra Mundial o desporto tornou-se um “fenómeno cultural de grande transcendência na intercomunicação das pessoas e dos povos” (Ramirez, 1995 cit. por Martins, 2008: 27). As primeiras notícias desportivas surgiram, numa primeira fase, em publicações generalistas e mais tarde em suplementos específicos dessas mesmas publicações, no caso da imprensa escrita. Contudo, o crescente interesse no mundo desportivo levou à criação de publicações periódicas especializadas na área um pouco por todo o mundo. Com o aparecimento da televisão e com a criação de vários canais televisivos, o desporto passou também a fazer parte das programações de diversos canais. Esta evolução do papel para o ecrã de televisão começou, à semelhança dos meios impressos, pela introdução gradual do desporto nas emissões generalistas e, atualmente, existem já canais especializados na área. De notar que para este facto muito contribuiu, no caso português, a crescente importância atribuída a uma modalidade desportiva em específico: o futebol. De salientar ainda que, em termos televisivos, o desporto marca
34 agora um lugar de destaque não só nos blocos informativos como em programas específicos e na transmissão em direto de algumas competições desportivas. Atualmente, o desporto é um setor da atividade económica que move audiências em televisão. Em pouco mais de 20 anos assistiu-se a uma mudança drástica na importância socioeconómica do desporto em Portugal. Até aos anos 80, no século XX, esta era uma atividade predominantemente localizada e de voluntariado. Como refere Lopes (2006: 89), “apesar da atenção social ser já considerável, a importância económica só se veio a instalar, mais tarde, com a profissionalização do sector”. Desde então o consumo do desporto nos meios de comunicação social tem registado um aumento fulminante. Contudo, esse aumento apresenta-se de certa forma parcelado, havendo modalidades que claramente se destacam. Na Europa, o futebol é, de longe, a modalidade com mais destaque nos meios de comunicação social e esse facto constata-se desde logo nas receitas dos clubes. Atualmente são várias as empresas que se associam ao desporto, em particular ao futebol, como forma de aumentar a sua notoriedade e a dos seus produtos. Os meios de comunicação social são a plataforma ideal para essa divulgação, dada a sua proximidade aos atores desportivos (Lopes, 2006: 90-91). Apesar de, no caso português, o futebol ser o desporto rei, não se devem menosprezar as restantes modalidades desportivas. Existem nichos que não devem ser desvalorizados. Devem pois ser identificados e desenvolvidos uma vez que possuem “uma efetividade exponencial consoante os recetores visados, as tecnologias visadas e o desempenho do jornalista e/ou comentador” (Lopes, 2006: 91). O ano de 2004, por exemplo, foi muito positivo para Portugal a nível desportivo, nomeadamente no que diz respeito ao futebol. O país recebeu o campeonato europeu de futebol – o terceiro maior evento desportivo do mundo – o que se traduziu num aumento do número de páginas de jornal dedicadas ao desporto e também num aumento do número de notícias dedicadas ao desporto na rádio e na televisão (Fernandes, 2011: 36). Como refere Novais (2011, cit. por Fernandes, 2011: 36): “os eventos desportivos são, atualmente, um dos movimentos sociais mais mediatizados, seja por uma lógica de mercado ou por questões simbólicas, pois o desporto tem um papel fundamental na construção das identidades e subjetividades. Na verdade, eventos mediatizados como os Campeonatos do Mundo de Futebol tendem a extravasar a esfera meramente desportiva. Mais do que a mera competição, um jogo de futebol a esse nível assume o estatuto de uma manifestação
35 cultural, da qual fazem parte diversos intervenientes: os atletas, treinadores, dirigentes, público e os media. Em parte tal deve-se à crescente mediatização do desporto e à natureza da cobertura noticiosa do mesmo”. Apesar de parecer um assunto simples de retratar jornalisticamente, o desporto é uma área que exige um conhecimento especializado por parte do jornalista. O vocabulário caraterístico, as várias modalidades e as regras a elas associadas são aspetos que não podem escapar ao jornalista. Contudo, se o jornalista apostar numa especialização numa só modalidade corre o risco de não estar preparado para, se necessário, abordar as restantes modalidades. A especialização do jornalista de desporto numa modalidade é benéfica, mas este também deve possuir um conhecimento geral acerca das restantes áreas desportivas (Silveira, 2009: 54). O jornalista de desporto está também sujeito a várias pressões, além das que caraterizam o exercício da sua profissão. Como refere Alexandre Afonso, jornalista da Antena 1 (cit. por Santos, 2012: 26) “não há jornalista que não tenha clube, transportar essa tendência para o trabalho é que é inconcebível”. Além desta pressão interior, o jornalista depara-se ainda com a pressão dos adeptos, com a paixão desenfreada que alguns nutrem por determinado clube. O futebol é a modalidade em que esta paixão é mais flagrante. No entanto, “não se faz jornalismo sem se fazer vítimas, ou melhor, sem provocar algum reflexo social. Se não provocar, não é jornalismo” (Barbeiro e Rangel, 2006: 116 cit. por Silveira, 2009: 61). Outra das grandes pressões observadas no jornalismo desportivo é a pressão dos próprios clubes e/ou dos seus dirigentes. Muitas vezes, por detrás de certas informações transmitidas estão outros interesses como o interesse político. Cabe ao jornalista resistir a esta pressão mantendo-se fiel à conduta jornalística (Silveira, 2009: 61). Aliadas a estas pressões mais específicas, continuam a verificar-se os constrangimentos relacionados com o tempo e com o público-alvo. Se analisarmos o caso do Porto Canal (Anexo 1), constatamos que a ligação ao FC Porto se traduziu logo num aumento de programas dedicados exclusivamente ao clube, que até então eram quase inexistentes. Essa alteração na programação concretizou-se essencialmente no futebol, porém outras modalidades também mereceram destaque. O hóquei em patins foi uma delas, sobretudo devido ao prestígio e aos bons resultados associados ao clube nessa modalidade. No que ao futebol diz respeito, além dos programas ligados ao clube, passaram a ser transmitidos em direto os jogos da Equipa B
36 do FC Porto. Os comentários desportivos passaram também a fazer parte do principal bloco noticioso do canal sempre que se justificava. Atualmente existem cerca de 10 canais especializados em desporto em Portugal, todos eles com acesso pago. Os mais flagrantes são A Bola TV, Benfica TV, os cinco canais Sport TV e os três canais Eurosport. De todos eles, A Bola TV e Benfica TV são os que mais destaque dão ao futebol nas suas grelhas de programação, sendo este último ligado ao SL Benfica, um dos principais clubes da primeira liga portuguesa. Estes canais estão disponíveis por cabo, à semelhança do Porto Canal.
37 3. ESTUDO DE CASO Depois desta reflexão surge a necessidade de perceber até que ponto a marca FC Porto influenciou a linha editorial dos blocos informativos do Porto Canal, nomeadamente do Jornal Diário às 20h. Com este estudo pretende-se confirmar se, de facto, desde o início da gestão do FC Porto, a informação no Porto Canal viu as suas prioridades alteradas, passando o clube a ser um assunto de maior destaque; ou se, por outro lado, a informação do Porto Canal manteve a sua autonomia, não descurando a sua ligação estrita ao norte do país e dando destaque aos acontecimentos regionais de maior importância.
38 3.1. Metodologia Para constatar o impacto que o início da gestão do FCP causou no alinhamento informativo do Porto Canal, foi realizada uma análise de conteúdo ao Jornal Diário (20h), uma vez que se trata do principal bloco informativo do canal. Trata-se de uma técnica aplicável a todos os meios de comunicação e tipos de conteúdo; uma técnica de pesquisa sistemática e quantitativa dos padrões comunicativos manifestos que aposta no rigor do método como forma de não se perder na heterogeneidade do seu objeto (Dias, 2012). De acordo com esta análise, a neutralidade do método é sinónimo da garantia de resultados mais precisos. Com a utilização desta técnica, na seguinte análise, pretendese ultrapassar a incerteza e enriquecer a leitura, objetivos ambicionados pela análise de conteúdo. Para iniciar o estudo é necessário definir um modelo de análise, esclarecendo a priori o que se pretende aferir com a análise. Neste caso, pretende-se perceber se a chegada do FC Porto ao Porto Canal trouxe consigo alterações profundas no alinhamento do principal bloco noticioso do canal, o Jornal Diário, ou seja, se os conteúdos desportivos ligados ao FC Porto ganharam um maior destaque no Jornal Diário com o início da gestão do clube. A amostra em estudo é constituída por trinta emissões do Jornal Diário: quinze alinhamentos referentes ao mês de julho de 2011 e outros quinze alinhamentos referentes ao mesmo período do ano seguinte. Em análise está o intervalo de 1 a 15 de julho de 2011 e o mesmo período do ano seguinte. Escolheu-se o mês de julho por ser uma época em que o Futebol tem menos destaque, uma vez que a maioria dos clubes se encontra na fase de preparação e a ultimar os jogadores que formarão o plantel da nova temporada. As datas escolhidas, julho de 2011e julho de 2012, devem-se ao facto de no primeiro ano ainda não existir qualquer ligação com o Futebol Clube do Porto. Essa ligação surgiu em agosto de 2011, com o início da gestão do clube no Porto Canal. No entanto, optou-se por estudar o mesmo mês em dois anos diferentes para evitar o enviesamento das conclusões obtidas. Os alinhamentos utilizados na análise foram gentilmente cedidos pelo Porto Canal. Trata-se de documentos que fazem parte da dinâmica da redação de informação do canal e são, por isso, fidedignos. Contudo, dada a instantaneidade caraterística do meio televisivo, há a possibilidade de surgirem alterações de última hora que modificam a ordem das notícias inicialmente proposta. Regra geral, o alinhamento inicial só é
39 alterado se houver um assunto de última hora que o justifique ou no caso de algum problema técnico, quer na redação, quer na régie. Se ocorrerem alterações de última hora, o alinhamento inicial não é corrigido. No entanto, se alguma peça cair, o mais provável é que conste no alinhamento do bloco informativo seguinte, se se justificar. A amostra em estudo é assim composta pelos alinhamentos do Jornal Diário, correspondentes aos primeiros quinze dias dos meses de julho de 2011 e 2012. Esta amostra pretende ser representativa da ação do Porto canal, em termos de organização da informação cedida ao espectador, face ao início da gestão FC Porto em agosto de 2011. Para compreender e organizar os temas destacados em cada emissão, foram utilizadas as seguintes editorias numa grelha de análise: Política, Sociedade, Justiça/Tribunais/Polícia, Economia, Nacional, Internacional, Saúde, Local, Cultura, Religião, Desporto, Educação, Futebol Clube do Porto e Outros. Estas editorias foram retiradas do estudo “TVI and SIC news websites: public participation and editorial criteria”, da autoria de Helena Dias Lima e Ana Isabel Reis. Foi acrescentada uma nova editoria, FC Porto, para destacar as notícias relacionadas com o clube em particular, uma vez que o estudo pretende perceber a influência do clube na orientação editorial da informação no Porto Canal. Na categoria Local foram aglomeradas todas as notícias que se referissem a assuntos relacionados com o Norte, quer seja um assunto que diga apenas respeito à região ou de âmbito nacional com implicância direta na região norte. Deste modo, as notícias que se referem a outras categorias, como saúde ou cultura, quando estão diretamente ligadas à região norte, são incluídas na categoria Local. Já na categoria Nacional estão apenas referidos os assuntos de âmbito geral sem implicância direta na região norte, mas com implicância de âmbito nacional. Na categoria Internacional foi apenas contabilizada uma notícia em cada emissão do Jornal Diário, uma vez que este tema é abordado em síntese individual composta por três assuntos distintos. Seguidamente aplicou-se esta grelha de análise aos dois períodos em estudo. Com base nos resultados obtidos aplicou-se a mesma grelha de análise às notícias de abertura para tentar aferir as temáticas que ocupam lugar de destaque no Jornal Diário. Analisou-se ainda, em particular, os resultados obtidos na categoria FC Porto, no período considerado. Foi também desenvolvida uma análise pormenorizada à categoria Desporto numa tentativa de contextualizar os resultados obtidos na categoria FC Porto.
40 Antes de apresentar os resultados obtidos é necessário referir as alterações mais significativas no alinhamento do Jornal Diário, verificadas durante o período em estudo. Em julho de 2011 o Jornal Diário, na altura Jornal do Norte, tinha em média 14 notícias por edição, divididas por separadores simples e estratégicos. A emissão era conduzida por um jornalista, que se limitava a transmitir ao público as peças elaboradas na redação e que, por vezes, fazia uso dos chamados OFF2. Já em julho de 2012, o Jornal Diário ganhou uma nova dinâmica. O número médio de notícias subiu para 17 e o início da emissão passou a contar com uma síntese de abertura, onde eram apresentados os principais destaques informativos do dia. Ao longo do jornal criaram-se pequenos espaços dedicados ao debate, onde comentadores convidados davam a sua opinião ou até esclarecimentos sobre os assuntos mais mediáticos ou de maior importância da atualidade. Foi também criada uma síntese internacional, composta por três notícias relativas a três acontecimentos de âmbito internacional, transmitida no final da emissão, imediatamente antes da meteorologia. Os resultados seguintes pretendem comprovar se o principal bloco informativo do Porto Canal recebeu ou não grande influência do FC Porto, a partir do momento em que o clube iniciou a sua gestão neste canal televisivo.
41 3.2. Discussão de Resultados Os resultados obtidos revelam que, durante o período considerado, o FC Porto deixou de ser um assunto abordado no Jornal Diário, o principal bloco informativo do Porto Canal. Embora pareça contraditório, face às alterações que o início da gestão FC Porto trouxe para o Porto Canal, a explicação para este facto é simples. Contudo, será abordada num outro momento deste relatório. Primeiro importa perceber os números obtidos a partir desta análise. Gráfico 1 – Resultados gerais de julho de 2011 e julho de 2012 Se observarmos o gráfico 1, que nos apresenta os resultados gerais obtidos no período em estudo, logo percebemos que os assuntos ligados ao Norte continuam em destaque, nomeadamente através dos valores registados na categoria Local. Esta foi uma das categorias que apresentou um maior crescimento, facto explicado, em grande parte, pela estrita ligação ao norte do país que o Porto Canal pretende explorar cada vez mais. Em termos numéricos, em julho de 2011 registaram-se 89 notícias direcionadas para a região norte, um número que em julho de 2012 subiu para um total de 107 notícias. Em termos percentuais, em julho de 2011, 41% do alinhamento do Jornal Diário era composto por notícias de âmbito local. Já no mesmo período de 2012 esse valor subiu para 42%, uma subida ligeira, justificada pelo aumento do número de notícias por cada 0 20 40 60 80 100 120 Resultados julho 2011 e julho 2012 Jul-11 Jul-12
48 região norte do país e não um canal de índole meramente desportiva. Foca-se no desporto sim, sobretudo no FC Porto, uma vez que goza de alguns privilégios em relação ao clube, mas continua a apostar fortemente numa informação regional.
49 4. O ESTÁGIO A análise de conteúdo desenvolvida no capítulo anterior e o tema central deste relatório estão diretamente relacionados com a experiência de estágio vivida no Porto Canal, de 15 de Novembro de 2012 a 15 de Fevereiro de 2013. O estágio curricular em causa enquadra-se no plano de estudos do Mestrado em Ciências da Comunicação (MECC) que resulta de uma parceria entre as faculdades de Belas Artes, Economia, Engenharia e Letras. O MECC tem a duração de quatro semestres, sendo os dois primeiros de componente letiva e os dois últimos de preparação da dissertação ou de especialização profissional, com posterior relatório e defesa do mesmo. O MECC estrutura-se em três ramos distintos (Comunicação Política; Cultura, Património e Ciência e Estudos dos Media e do Jornalismo) sendo que, neste caso, se optou pela variante de Cultura, Património e Ciência. Uma escolha que visou, essencialmente, aprofundar o conhecimento jornalístico nesta área em concreto. Em cada ramo do MECC é dada a possibilidade ao estudante de escolher a via de investigação ou a via de especialização profissional. Depois de escolhida a via de especialização profissional, como foi o caso, é feita uma seleção do local de estágio através de uma lista, proposta pela FLUP, na qual constam as diversas parcerias realizadas entre a universidade e várias empresas ligadas ao ramo da comunicação. Em alternativa, o aluno poderá apresentar a sua autoproposta que será previamente analisada pela comissão científica do mestrado em questão. Depois de ultrapassadas algumas dificuldades, o Porto Canal aceitou ser a entidade anfitriã do estágio profissionalizante em causa. Foi então realizada uma reunião prévia com a Chefe de Redação e orientadora de estágio, Dr.ª Vanda Balieiro, no sentido de planificar o estágio e definir um compromisso horário entre a estagiária e a instituição de acolhimento. Chegou-se assim a um horário de trabalho de oito horas diárias, em que coube inicialmente à estagiária definir a hora de entrada e de saída. Com o passar do tempo, foi fixado um horário pela estagiária, das 9h às 17h, que foi sendo ajustado consoante as necessidades do Porto Canal.
50 4.1. A Empresa A Lei n.º 27/2007 de 30 de Julho, que aprova a Lei da Televisão, que regula o acesso à atividade de televisão e o seu exercício, estabelece uma tipologia de serviços de programas televisivos, dos quais constam os serviços temáticos. Segundo a mesma Lei, “são temáticos os serviços de programas televisivos que apresentem um modelo de programação predominantemente centrado em matérias ou géneros audiovisuais específicos, ou dirigido preferencialmente a determinados segmentos de público”. É nesta tipologia que se insere o Porto Canal, sendo que se dirige a um público específico, nomeadamente, ao público da região norte de Portugal. O Porto Canal é assim uma televisão de incidência regional, que visa dar a conhecer a região norte e as notícias que marcam a sua actualidade, sem descurar o que se passa no país e no mundo. Esta estrita ligação ao norte do país foi uma das premissas que orientou o estudo de caso desenvolvido anteriormente. Contudo, em algumas operadoras, nomeadamente a MEO, o Porto Canal faz parte de um conjunto de canais desportivos, devido à sua mais recente ligação ao Futebol Clube do Porto. Todavia, como já pudemos observar na análise de conteúdo aqui desenvolvida, o facto de o Porto Canal estar estritamente ligado ao FC Porto não se traduz numa mudança drástica nas opções editoriais do canal. Ou seja, apesar da exclusividade detida pelo Porto Canal em relação ao FC Porto, os conteúdos desportivos não ocupam mais de metade da programação, uma das características essenciais nos meios especializados em determinada área. O Porto Canal é, assim, um canal de televisão por cabo, sediado na Senhora da Hora, Porto, da propriedade de Avenida dos Aliados Sociedade de Comunicação SA. Atualmente é dirigido por Júlio Magalhães, Domingos de Andrade e Rui Cerqueira, juntamente com uma equipa de jornalistas, coordenadores e editores empenhados em conduzir o canal ao sucesso. Desde o seu início, a 29 de setembro de 2006, que o Porto Canal tem vindo a apostar numa programação de proximidade. Inicialmente era focada, sobretudo, na região do Grande Porto, mas, mais tarde, foi direcionada para toda a região norte com a abertura de várias delegações estratégicas. Esta expansão foi um passo importante para que o Porto Canal vincasse o caráter de proximidade da sua informação e entretenimento. O principal objetivo era (e continua a ser) dar voz a regiões menos mediáticas, promover o conhecimento do país e discutir os
51 problemas que habitualmente não têm cobertura informativa (Domingos de Andrade, director de informação e programação). Lentamente, esse objetivo tem sido concretizado e o Porto Canal tem chegado a um número cada vez maior de espectadores. Ao longo da história, factos como a chegada do canal ao MEO, em 2010, a entrada de Júlio Magalhães como diretor geral (também em 2010) e o início da gestão FC Porto, em agosto de 2011, têm contribuído para esse crescimento. No seu arranque, o Porto Canal contava apenas com 3 jornalistas, 1 produtora e 1 repórter de imagem que, além de outros programas, asseguravam dois blocos noticiosos diários. Um ano depois, o número de jornalistas subiu para 6, passando a contar com 2 produtores e 3 repórteres de imagem. Em 2010, o Porto Canal contava já com 10 jornalistas na sede e 6 nas 3 delegações, 2 produtores, 4 repórteres de imagem na sede e 3 nas delegações. São números que derivam do alargamento do canal no norte, com a abertura das três primeiras delegações nesse ano: Tâmega e Sousa, Trás-os-Montes e Alto Douro. A partir deste ano o principal bloco noticioso do Canal, Telediário (atual Jornal Diário), passou a ser exibido diariamente, incluindo fins-de-semana. (Dias, 2012) Ainda em 2010, o Porto Canal torna-se pioneiro na utilização do sistema LiveU, uma tecnologia inovadora que permitia a transmissão de sinal de vídeo e áudio através da rede móvel. Evitava-se, assim, a necessidade de uma ligação via satélite, permitindo que a transmissão seja feita de qualquer lugar através da rede móvel. Uma das grandes vantagens desta nova tecnologia é o facto de todo o equipamento necessário caber numa mochila. A utilização deste equipamento possibilita uma maior mobilidade às equipas de reportagem, garantindo também uma significativa redução de custos. (Jornal de Notícias, 22 de abril de 2010). A expansão do Canal foi prosseguindo e no início de 2011 foram abertas novas delegações (em Guimarães e no Douro). O objetivo da expansão era claro ao ponto de, nessa altura, se ponderar alterar o nome do canal. 2001 foi um ano de mudanças importantes no Porto Canal. Foi nesse ano que o FC Porto adquiriu a parte detida pela Media Luso (97%), pertencente ao grupo espanhol Media Pro, o principal acionista do canal no momento. Com esta mudança, O Porto Canal passou a organizar-se da seguinte forma: Domingos de Andrade assumiu o cargo de Director de Informação e Programas, Rui Cerqueira o de Director de Conteúdos
52 Desportivos, Fernando Tavares o de Assessor de Direcção, Vanda Balieiro o de Chefe de Redação e Sara Barbosa o de Chefe da produção de informação. Como seria de esperar, verificaram-se algumas alterações na programação do canal com a chegada do FC Porto. Os conteúdos desportivos ganharam autonomia, uma vez que passaram a ser determinados pelo clube e a ocupar espaços próprios na programação. A restante panóplia de informação manteve também a sua autonomia, continuando a abordar os mais variados temas. A 30 de janeiro de 2012, assistiu-se a uma renovação da grelha de programação do canal. O espaço informativo – O dia em análise – que além de notícias contemplava um espaço dedicado ao debate, foi substituído pelo Último Jornal, onde já não havia lugar para o debate. Foram também alargadas as sínteses informativas ao longo do dia, surgindo um novo bloco às 18h. O Jornal do Norte, antigo Telediário, vê o seu cenário e grafismos refrescados e surge o programa Territórios, dirigido apenas para a região norte, emitido antes do Jornal do Norte. A 1 de fevereiro do mesmo ano, Júlio Magalhães assume o cargo de Diretor Geral do canal. Ainda em 2012, abriram mais duas delegações: Braga e Lisboa. Esta última deve-se a um protocolo celebrado com a Agência Lusa e tinha como principal objectivo “ouvir a opinião de protagonistas nortenhos que estabeleceram a sua actividade profissional na capital” e “dar voz aos assuntos que ocorrendo em Lisboa têm relevância para o Norte do país” (Dias, 2012). Com a chegada de Júlio Magalhães foi criado um novo bloco noticioso, Jornal das 13h, e o Jornal do Norte passou a designar-se Jornal Diário e a ser emitido às 20h. Em 2013, destacam-se 5 noticiários na grelha de programação diária: o Jornal das 13h, as Notícias às 17h e às 18h, o Jornal Diário às 20h e o Último Jornal às 24h. Semanalmente, às 20 horas, todas as sextas-feiras, Júlio Magalhães apresenta o Jornal da Semana, um espaço onde se analisa a informação da semana, com reportagens, comentários em estúdio e dois comentadores fixos que analisam os temas “quentes” da semana. Aos sábados, pelas 13 horas, é transmitida a Revista da Semana que apresenta uma compilação das principais notícias da semana. Para além destes blocos informativos de caráter mais geral, onde se analisa a região norte, o país e o mundo, destaca-se o programa Territórios, dedicado sobretudo às notícias mais específicas da região norte. A conduzir a informação estão, os jornalistas Carla Ascenção, Ana Rita Basto, Pedro Carvalho da Silva e Cláudia Fonseca. Em 2013 a aposta na informação de qualidade e em exclusivo ganhou força com a criação de novos espaços informativos, a saber Especial Informação e Grande
53 Entrevista. O primeiro, de terça a sexta às 23h, com intervenções alargadas de temas que marcam a atualidade, conduzido por Bernardino Barros no desporto; Júlio Magalhães em sociedade e entrevistas e Rogério Gomes em Economia. Por último, a Grande Entrevista, conduzida, todas as quintas-feiras às 20h30, pelo diretor de Informação, Domingos de Andrade. No que diz respeito ao Futebol Clube do Porto, a grelha de programação tem sofrido alterações desde a chegada do clube ao canal. Inicialmente, com a atualização da programação efectuada, foi dado grande destaque ao FC Porto, quer na criação de novos programas inteiramente dedicados ao clube (como Invictos, Somos Porto, Portistas do Mundo e A Cadeira de Sonho – programas de reportagem), quer nos espaços noticiosos já existentes. Com o passar do tempo esse destaque foi sendo moderado e atualmente o FC Porto possui três programas específicos no canal: Azul e Branco, Flash Porto e 45 Minutos à Porto. Contudo, sempre que se justifica este é um tema abordado nos blocos informativos. O Porto Canal transmite ainda os encontros de várias modalidades do clube, entre elas o andebol, hóquei em patins e a equipa B de Futebol. Em termos técnicos, o Porto Canal aposta na diferença ao utilizar o efeito Chroma Key, ou seja, o cenário é composto por uma tela verde que virtualmente representa o fundo correspondente a cada programa. Programas como Territórios e Flash Porto utilizam esta tecnologia para recriar os seus cenários. Anteriormente, as sínteses informativas eram gravadas utilizando este efeito inovador, contudo, com a renovação das instalações, em finais de 2012, a informação viu a sua imagem refrescada. O espaço dedicado aos blocos informativos do canal passou a ter como fundo a própria redação. O azul e o laranja dominam o restante cenário, com uma zona específica perpendicular à redação. Nas sínteses informativas é utilizada essa zona do estúdio, que serve de cenário aos convidados dos blocos informativos do canal. O Porto Canal conta também com um cenário principal, composto por painéis de fundo que vão sendo substituídos e adequados a cada programa. Aqui já não se verifica a existência de qualquer cenário virtual. Os programas dedicados ao FC Porto possuem também um cenário fixo, mas em alguns programas é utilizado o efeito Chroma Key. Durante o período de estágio no Porto Canal foi possível assistir a algumas mudanças aqui relatadas e assim participar ativamente na adaptação às novas práticas. Essa ambientação será descrita ao pormenor num outro ponto deste relatório.
54 4.2. A influência do Futebol Clube do Porto Apesar de, no seu início, o Porto Canal ter surgido enquanto uma estação de televisão dedicada à região do grande Porto, cedo se percebeu que o projeto poderia ir mais além. O porto Canal prometia, então, seguir, exclusivamente, “uma lógica de proximidade e não de entretenimento ou informação” (Jornal de Notícias, 29 de setembro de 2006). A seu tempo, a informação e a programação dedicadas ao grande Porto foram-se estendendo a toda a região norte. Um dos grandes passos para a concretização deste alargamento foi, sem dúvida, a abertura de delegações, situadas em pontos estratégicos da região. Em junho de 2010 foram inauguradas delegações em Penafiel (Tâmega e Sousa), Mirandela (Trás-os-Montes) e Arcos de Valdevez (Alto Minho). Juan Figueiroa, que em 2009 assumiu o lugar de Bruno de Carvalho na direcção geral do Porto Canal, considerou este “o primeiro passo para a abertura de uma rede de delegações regionais, com as quais o Porto Canal espera dar maior visibilidade às principais comunidades urbanas nortenhas” numa tentativa de reforçar “o carácter de proximidade da sua informação e entretenimento” nas regiões de menor visibilidade nos media televisivos. (Dias, 2012) Com este novo passo seria mais fácil criar uma relação de proximidade forte com o público do norte. Dado o crescimento evidente do Porto Canal, enquanto meio de comunicação social de cariz regional, novos desafios foram sendo lançados, entre eles o interesse do FC Porto em associar o canal ao clube. Esta união acabaria por acontecer a 1 de agosto de 2011 e causou impacto, não só na programação da estação, como na orientação editorial do canal. Ao nível da programação, a nova temporada do Porto Canal iniciou-se com a estreia de novos programas dedicados exclusivamente ao clube. Invictos, Somos Porto, Cadeira de Sonho e Portistas do Mundo foram os primeiros programas de reportagem relativos ao FC Porto. Mais tarde, surge o 45 minutos à Porto, um programa de atualidade da marca FC Porto, com entrevistas, debates e grandes reportagens. Além de fazer uma cobertura da actualidade do FC Porto, o programa abordava também assuntos menos mediáticos, apresentando reportagens mais extensas acerca de assuntos de caráter informal acerca do clube. Atualmente, o programa 45 Minutos à Porto é transmitido de segunda a quinta, às 21h15, logo após o Jornal Diário, tem a duração de 45 minutos e é apresentado pelos jornalistas Paulo Miguel Castro e Tiago Girão. Já o programa Cadeira de Sonho procura
55 histórias de gente comum que tem paixão pelo FC Porto. É emitido à terça-feira a partir das 21h15 e, presentemente, está integrado no 45 minutos à Porto. Também agregado ao programa 45 minutos à Porto surge Azul e Branco, um programa de reportagem, com transmissão às quintas-feiras, conduzido pelo jornalista Ricardo Amorim, dedicado ao universo menos conhecido do FC Porto. O Porto Canal possui ainda um programa de sínteses desportivas denominado Flash Porto, que se debruça sobre a atualidade do clube. Na informação, o Jornal Diário, viu aumentar a sua duração para 40 minutos.
56 4.3. Finalidade e processo de realização do relatório de Estágio A realização deste relatório é peremptória para a obtenção do grau de mestre em Ciências da Comunicação, mas mais do que isso é essencial para consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do estágio. É, por isso, o resultado final de três meses de trabalho no Porto Canal e tem como principal objetivo retratar as atividades realizadas e refletir sobre o desenrolar e as repercussões das mesmas. Relativamente à componente prática, o estágio centrou-se, sobretudo, na produção noticiosa para os blocos informativos do canal: a saber Jornal das 13h, Jornal Diário e Último Jornal. Esporadicamente foram produzidos conteúdos para outros programas mais específicos, tais como Culture Club e Territórios. Inicialmente foi feito um acompanhamento do trabalho dos jornalistas ao pormenor. Desde as saídas em reportagem até à chegada à redação, onde o jornalista editava a informação recolhida, produzindo inteiramente a sua reportagem. Foram assim adquiridas competências na área de edição de informação, nomeadamente com a utilização do programa Final Cut Pro, assim como técnicas de escrita televisiva e de voz. Durante o estágio assistiu-se a uma modernização das instalações da redação e dos componentes técnicos inerentes à produção de blocos de informação televisivos, nomeadamente a adoção de um sistema informático que veio substituir os discos de armazenamento externo e as cassetes que dificultavam a arquivação e o envio de peças para a Régie. Ao nível da produção, o acompanhamento não foi tão intenso, todavia foram desempenhadas tarefas básicas relacionadas com esta temática, tais como a elaboração de “push ups” (informações que passam em rodapé durante o jornal) e de rondas. Foram registadas diariamente todas as atividades desenvolvidas no Porto Canal, num “Diário de Bordo”, como forma de organizar e estruturar todas as informações relativas à componente prática. De salientar o acompanhamento, que nunca me foi negado por toda a equipa, quer no esclarecimento de dúvidas, quer em sugestões concretas para melhorar o meu desempenho.
57 4.4. Atividades desenvolvidas ao pormenor Durante a primeira semana de estágio acompanhei os trabalhos da redação para compreender o mecanismo de funcionamento da mesma. Assisti também às reportagens no terreno, acompanhando as equipas que ao longo do dia se deslocavam para os locais de reportagem para cobrir os mais variados acontecimentos. Desde logo consegui perceber o ritmo frenético a que as informações iam chegando à redação e a necessidade de agir rapidamente para que tudo estivesse pronto a tempo do jornal. As dificuldades eram várias, mas notou-se sempre um empenhamento de todos os jornalistas para que não houvesse atrasos. Contudo, nem sempre tudo corria como planeado e era determinante agir com brevidade para compensar o atraso. Por vezes, algumas peças precisavam de ser enriquecidas com pareceres de especialistas na área, pelo que a produção entrava de imediato em contato com alguém que pudesse marcar presença no jornal para esclarecer melhor cada assunto. Quando se adotou esta prática, em 2011, existia um painel fixo de comentadores de forma a criar uma rotina e estreitar a ligação com os espectadores. Com o passar do tempo, esse hábito perdeu a força, dando lugar a uma maior aposta em variados especialistas, valorizando diferentes opiniões. A primeira saída em reportagem aconteceu no dia vinte de novembro, com a jornalista Mónica Silva e o operador de câmara Jorge Matos. O motivo de reportagem foi uma reunião do candidato a presidente da Câmara Municipal do Porto, pelo Partido Socialista, às autárquicas 2013, Manuel Pizarro. No final da reunião o candidato prestou declarações à imprensa, explicando as conclusões obtidas na reunião em causa. Na altura discutia-se um novo planeamento para um melhor aproveitamento do mercado do Bolhão, uma questão que faria parte das medidas propostas na sua campanha política. Com esta entrevista, relembrei algumas técnicas para manter um diálogo coerente com o entrevistado e conseguir tirar o melhor partido das suas declarações. Foi também o primeiro contacto com o trabalho do jornalista e do operador de câmara no terreno, que precisam de estar em sintonia para produzir melhores resultados (desde a posição do entrevistado face à câmara, até à posição do próprio jornalista ou às questões relacionadas com o som). Tudo isto são pormenores que devem ser levados em conta no trabalho no terreno, para que, ao chegar à redação, a informação recolhida pelo jornalista e pelo operador de câmara seja de qualidade.
64 terminar na semana seguinte. De seguida fiz um pequeno Vox Pop sobre a taxa de natalidade em Portugal para o programa de entretenimento “ Porto Alive”. Pretendia-se saber se os portugueses tinham conhecimento de que Portugal é um dos países da Europa com uma mais baixa taxa de natalidade e se sabiam os riscos que isso poderia trazer para a economia portuguesa. Os grandes cuidados a ter neste tipo de trabalho, além de cativar e tranquilizar as pessoas para responderem às nossas questões, são a posição do microfone (para evitar que no momento em que fazemos as perguntas a nossa mão apareça em destaque na imagem), fazer sempre as mesmas questões independentemente das respostas obtidas e identificar sempre os entrevistados, ainda que, mais tarde, essa identificação possa não ser utilizada. No dia 25 de janeiro fiquei novamente a colaborar na redação, realizando uma peça sobre a reestruturação da RTP, recorrendo aos jornais e a imagens de arquivo. Na semana de 28 de janeiro a 1 de fevereiro a maioria das peças realizadas abordou assuntos ligados à economia, designadamente às estratégias de pagamento de propinas no ensino privado, ao crescente número de penhoras e aos custos da justiça cada vez maiores. Na semana seguinte foi-me delegada, pela primeira vez, a função de redatora. Enquanto redatora era eu que elaborava as peças do dia que dispensavam uma saída em reportagem. Dada a época festiva, no final da semana realizei várias peças alusivas ao Carnaval. Além de acompanhar o desfile das escolas do concelho de Matosinhos, fiz também um levantamento do número de autarquias do país que iriam conceder tolerância de ponto na terça-feira de carnaval, ainda que o estado não tenha considerado feriado nesse dia. Realizei também uma pequena comparação dos gastos inerentes aos principais desfiles de Carnaval do Norte, concluindo qual o Carnaval com custos mais e menos elevados do ano. Na semana de 11 a 15 de fevereiro, a última semana de estágio, realizei três peças, que considerei serem das melhores de todo o estágio. A primeira estava relacionada com uma pequena manifestação em frente às instalações do banco BPI, no centro do Porto, em plena Avenida dos Aliados (tratava-se de manifestação contra as declarações de Ulrich, proferidas cerca de um mês antes do protesto). Foi uma experiência inesquecível, pois para conseguir elaborar a peça foi preciso esmiuçar muito bem os cinco minutos de protesto audível em frente ao referido banco. Já na redação, o trabalho de edição foi crucial para conseguir passar a mensagem de indignação que aquele pequeno grupo de anónimos pretendiam transmitir.
65 A segunda, e penúltima, reportagem foi sobre os vinte anos do telemóvel. Na reportagem abordei alguns aspetos históricos relativos a este meio de comunicação, recorrendo aos primeiros anúncios publicitários do telemóvel. Realizei também um pequeno vox pop, junto da população, para perceber se ainda se lembrava de como eram os primeiros telemóveis e se, atualmente, conseguiam sair de casa sem levar o telemóvel. Aliando as declarações, ao texto/off e às imagens recolhidas no terreno e online, consegui, de forma criativa, descrever a evolução deste aparelho inovador e a crescente importância que foi adquirindo no quotidiano dos portugueses. A última reportagem teve como mote o dia dos namorados. Nesta peça fui tentar perceber como era o amor em tempos de guerra. Para tal entrevistei Abel Fortuna, um excombatente da guerra do ultramar, que apesar de ter regressado da guerra sem mãos e cego foi recebido com muito amor pela sua esposa. As cartas trocadas com a sua carametade, em tempos de guerra, foram todas guardadas e após o trágico acidente de que Abel Fortuna foi vítima a sua esposa nunca o abandonou. Uma história de amor e de coragem que me marcou bastante. Foi, sem dúvida, a melhor conversa de todo o estágio. Uma entrevista tocante que me inspirou a fazer uma reportagem ligada às emoções. Todas as experiências vividas durante estes três meses revelaram-se proveitosas e gratificantes, tanto a nível pessoal como profissional. Foi possível compreender, e sentir na pele, as dificuldades que todos os dias põem o jornalista à prova. Talvez por se tratar de um meio de comunicação de pequena dimensão, foi possível vivenciar uma integração plena na dinâmica da redação de informação do Porto Canal. A proximidade é sentida não só na relação entre jornalistas e público, mas também na relação entre os vários elementos que constituem a equipa do Porto Canal.
66 CONCLUSÃO Ao longo de todo o processo de realização do estágio foi possível compreender a dinâmica de uma redação televisiva, facto que muito contribuiu para o entendimento do papel do jornalista no jornalismo televisivo de índole regional. Como já foi referido anteriormente, desempenhar funções num meio de comunicação social de menor dimensão, ao contrário do que possa parecer, não é tarefa fácil. Dada a falta de recursos, muitas vezes associada aos meios de comunicação social locais e regionais, o jornalista vê-se obrigado a desempenhar um conjunto de funções que, numa situação ideal, seriam repartidas por vários profissionais. Deste modo, todo o trabalho realizado serviu para apurar várias técnicas de escrita, de voz e de edição e montagem de reportagens televisivas. A experiência revelou-se muito produtiva e despertou o interesse para o tema do estudo desenvolvido neste relatório. As fragilidades do jornalismo regional, neste caso, parecem não comprometer a informação produzida, embora o trabalho do jornalista não esteja de todo facilitado. Após se constatar que a informação do Porto Canal privilegiava as notícias relativas à região norte, tornou-se fulcral compreender se o início da gestão do FC Porto, em agosto de 2011, poderia comprometer estes critérios de seleção. Os resultados foram claros e apontaram para números algo previsíveis, dada a conjuntura vivida, na altura, no Porto Canal. De facto, o FC Porto não mereceu um maior destaque no Jornal Diário, o principal bloco informativo do canal. Pelo contrário, a importância dada ao FC Porto decresceu neste bloco informativo. No entanto, o clube passou a ser um assunto destacado em programas próprios, como o 45 Minutos à Porto, emitido logo a seguir ao Jornal Diário. O Porto Canal não passou a ser um canal desportivo (como aliás é considerado nas grelhas de programação de algumas operadoras, como a MEO), passou sim a ser o detentor de notícias exclusivas relativas ao FC Porto, como a apresentação de novos jogadores ou a transmissão de alguns jogos das várias modalidades do clube. Além disso, a sua programação foi alterada, de forma a destacar o clube em programas específicos, para não comprometer os critérios de seleção jornalísticos. Foram vários os programas dedicados exclusivamente ao clube, na sua maioria relativos ao futebol, modalidade com mais destaque. A proximidade continua a marcar presença na informação do Porto Canal. A criação de novas delegações, espalhadas um pouco por toda a região norte, é um
67 exemplo claro da vontade do Porto Canal em estar cada vez mais próximo do seu público-alvo. Embora a questão da proximidade geográfica, por si só, não lhe confira um estatuto de televisão de proximidade, torna-se essencial para permitir uma cobertura jornalística descentralizada da sede do Porto Canal. Podemos assim concluir que o Porto Canal continua a apostar numa informação de proximidade, potenciada pelo alargamento do seu campus de cobertura in loco. Além desse alargamento, na redação cultiva-se uma informação clara e precisa, dando privilégio aos assuntos locais e regionais, mas sem nunca descurar os acontecimentos de outras áreas temáticas. Apesar de ter um vínculo forte de exclusividade com o FC Porto, o Porto Canal mantém a sua orientação editorial voltada para uma informação de proximidade. Contudo, esta exclusividade é explorada a outros níveis em programas especificamente criados para o efeito. Desta forma, o Porto Canal tem vindo a tirar um proveito cada vez melhor, não só das relações de proximidade estabelecidas com a comunidade regional e local, como da mais recente ligação exclusiva ao FC Porto.
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80 Grelha ERC
81 Grelhas de programação janeiro 2012 Grelha Porto Canal
82 Grelha de divulgação à comunicação social
83 Grelha ERC
84 Grelhas de programação novembro 2012 Grelha Porto Canal
85 Grelha de divulgação à comunicação social
86 Grelha ERC
87 Anexo 2 Grelhas de Agendamento Porto Canal Dado o elevado volume de documentos referentes ao agendamento do Porto Canal, estes foram agrupados no cd de anexos que acompanha este relatório. As grelhas de agendamento encontram-se no formato original (Excel). De salientar ainda que apenas são disponibilizadas as agendas nas quais constam a atribuição de funções à estagiária.
88 Anexo 3 Alinhamentos Jornal Diário – julho de 2011 e 2012 Dado o volume elevado de documentos correspondentes aos alinhamentos utilizados no estudo de caso desenvolvido neste relatório, os mesmos foram compilados no cd de anexos que acompanha o relatório.