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Sindrome de Burnout: A realidade entre diferentes especialidades Médico- Cirúrgicas em Hospitais do Norte do Pais

Cátia Sofia Vilas Boas Leitão

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DEDICATÓRIA Em memória ao meu avô, com quem não tive o prazer de partilhar estes anos académicos mas que desde cedo acreditou em mim e na minha possível carreira médica. Obrigada pelo amor, dedicação e todas as gargalhadas. RESUMO Introdução: O aumento das necessidades de cuidados médicos a nível mundial e a rápida mudança global da economia, levou a uma amplificação alarmante do stress ocupacional e consequentemente o burnout, os quais têm vindo a afetar a comunidade médica. Objetivos: Avaliar a incidência do Síndrome de Burnout e da Vulnerabilidade ao Stress, bem como a identificação dos principais fatores causadores de stress em médicos de diferentes especialidades Médico-Cirúrgicas, em Hospitais do Porto. Material e Métodos: Estudo observacional analítico transversal cujo método consistiu na aplicação, em 2013, de quatro instrumentos de avaliação - Questionário SócioDemográfico, o Questionário de Vulnerabilidade ao Stress; o Inventário de Burnout de Maslach e uma questão acerca dos possíveis fatores causadores de stress na classe médica – a médicos do Hospital Geral Santo António, Centro Hospitalar do Porto nos seguintes serviços: Cirurgia Geral, Anestesiologia, Neurocirurgia, Ortopedia, Cuidados Intensivos e Medicina; e do Hospital São João – Porto nos serviços de Cirurgia Geral, Anestesiologia, Neurocirurgia e Cirurgia Cardiotorácica. Resultados: Foram distribuídos 265 inquéritos, tendo sido recebidos 134 (68 mulheres, idades entre 25 e 68 anos, taxa de resposta de 50,6%). 21% dos médicos obtiveram um nível alto de Exaustão Emocional, 8% nível alto de Despersonalização e 19% nível baixo de Realização Pessoal. Numa análise multivariada, ser homem, interno de especialidade, ter vínculo laboral precário, a ausência de filhos e de passatempos, ter menos de 6 anos de profissão e pertencer as especialidades de Medicina Interna, Intensivista e Ortopedia, são caraterísticas sóciodemográficas que tendem a estar associadas a níveis mais elevados dos componentes do burnout. O ambiente de trabalho e relações profissionais; excesso de trabalho e envolvimento profissional bem como a carreira e remuneração são os principais fatores de stress referidos. A prevalência de burnout encontrada foi de 22% e de 8% para a vulnerabilidade ao stress. Conclusões: O Síndrome de Burnout demonstra uma prevalência importante entre os médicos do norte de Portugal, independentemente de apresentar valores díspares entre especialidades do que a literatura demonstra, sendo Medicina Interna, Intensivista e Ortopedia as mais afetadas. Algumas caraterísticas pessoais e profissionais estão significativamente relacionados com o burnout. É importante a realização deste tipo de investigação entre as diversas especialidades médicas, com uma amostra válida, de modo que se possa avaliar com maior rigor a incidência desta problemática, sendo imprescindível o desenvolvimento de estratégias preventivas. Palavras-chave: stress ocupacional, síndrome de burnout, burnout nos médicos, burnout nas especialidades médico-cirúrgicas. ABSTRACT Introduction: The increase of medical care necessity worldwide and the rapid global economic change, has lead to an alarming amplification of occupational stress with consequent burnout, which have become to affect the medical community. Objectives: To evaluate the incidence of burnout syndrome and the vulnerability to stress, as well as the identification of the major factors that cause stress in physicians of various medical and surgical specialities in Oporto hospitals. Results: Two hundred and sixtyfive questionnaires were distributed, having only received one hundred and thirty-four (sixty-eight of which were women between the ages of twenty-five and sixty-eight; with a response rate of 50,6 percent). Twenty-one percent of physicians obtained a high level of Emotional Exhaustion, eight percent obtained a high level of Depersonalization and nineteen percent obtained a low level of Personal Accomplishment. In a multi-diverse analysis, being a male specialty intern, having a precarious employment relationship, and the absence of children and of hobbies, having less than six years of profession and belonging to the specialties of Internal Medicine, Intensive Care and Orthopedics, are personal characteristics that tend to be associated to elevated levels of the components of burnout. Work environment and professional relationships; overworking and professional involvement, as well as career and remuneration are major factors of the stress referred. The prevalence of burnout was found to be twenty-two percent and eight percent for the vulnerability to stress. Conclusion: Burnout syndrome demonstrates a significant prevalence amongst physicians in northern Portugal, regardless of presenting different values amongst specialties than those demonstrated in the literature, being Internal Medicine, Intensive Care and Orthopedics the most affected. Some personal and professional features are significantly related to burnout. The execution of this type of investigation between the different medical specialties is important, with a valid sample, so that it is possible to evaluate with accuracy the incidence of this problematic, being the development of preventive strategies a necessity. Key-words: occupational stress, burnout syndrome, physician burnout, medicalsurgical specialty burnout. Lista de abreviaturas CA: Conselho de Administração CC: Cirurgia Cardiotorácica CE: Comissão de Ética CG: Cirurgia Geral CHP: Centro Hospitalar do Porto EE: Exaustão Emocional DP: Despersonalização HGSA: Hospital Geral de Santo António HSJ: Hospital São João MBI – HSS: Inventário de Burnout de Maslach– Prestadores de Serviços Humanos RP: realização pessoal MI: Medicina Interna 23 QVS: Questionário de Vulnerabilidade ao Stress; VS – Vulnerabilidade ao Stress SU – Serviço de Urgência UCI – Unidade de Cuidados Intensivos Lista de Tabelas e Gráficos Gráfico1: Distribuição das especialidades pelos Hospitais Quadro 1: Classificação das dimensões do Burnout segundo C. Manita (2003) a partir de Maslach, Jackson e Leiter (1981,1996) Tabela I - Caraterísticas Pessoais por Especialidade Médico-Cirúrgica Tabela II: Análises Descritivas das Medidas Quantitativas e Qualitativas utilizadas Tabela III: Análises Descritivas das Medidas Qualitativas utilizadas Tabela IV: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelas variáveis qualitativas (M ± DP) Tabela V: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelas Especialidades Tabela VI: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelos Hospitais Tabela VII: Relação entre Burnout e Especialidade Tabela VIII: Comparação entre os Fatores de Vulnerabilidade ao Stress Tabela IX: Regressão Logística Multivariada (Burnout ~Especialidade + QSV1) Tabela X – Análises descritivas dos fatores causadores de stress Tabela XI: Estudos Nacionais e Internacionais de Burnout em várias especialidades médicas (uso do MBI) ÍNDICE Dedicatória Resumo Abstract Lista de abreviaturas Lista de tabelas e Gráficos Introdução ………………………………………………………………………………….1 Materiais e métodos ………………………………………………………………….......4 Participantes ………………………………………………………………………..4 Material e Instrumentos de Avaliação ……………………………………………4 Procedimento de recolha de dados ……………………………………………...7 Análise Estatística ………………………………………………………………….7 Resultados ………………………………………………………………………………...9 Discussão ………………………………………………………………………………...17 Conclusão …………………………………………………………………………………22 Agradecimentos ……………………………………………………………………….....24 Referências bibliográficas ……………………………………………………………....25 Anexos ………………………………………………………………………………….....29 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 1 INTRODUÇÃO O domínio do stress tem vindo a receber muita relevância, não apenas junto do público em geral mas também dentro da comunidade científica1, tornando-se numa das principais áreas de preocupação nestes últimos anos2. Na literatura, o conceito de stress foi desenvolvido no século XVII, por Robert Hooke no campo da física3, mas foi Selye, na década de 50, quem deu mais notoriedade e um novo significado ao conceito de stress4. Atualmente, a perspetiva melhor aceite para a definição do stress reflete um processo de interação, que surge como consequência da relação entre o ambiente e a pessoa2,3,5, que ocorre quando o indivíduo avalia as exigências como excedendo as suas capacidades e recursos para lidar com elas2. Muito embora este fenómeno possa surgir a partir de situações vulgares do quotidiano, o stress tende a tornar-se mais significativo quando associado ao trabalho1, designando-se “stress ocupacional”. Este é definido como uma consequência do desequilíbrio entre as exigências do trabalho e as capacidades do trabalhador5, acarretando desgaste excessivo do organismo e interferindo com a sua produtividade3. De acordo com Serra (2000), a vulnerabilidade ao stress está relacionada com fatores biológicos, psicológicos, de personalidade e sociais, cujos indivíduos vulneráveis apresentam um perfil de reduzida capacidade autoafirmativa, fraca tolerância à frustração, dificuldade em confrontar e resolver os problemas, preocupação excessiva pelos acontecimentos diários e uma marcada emocionalidade6. A complexidade que envolve o fenómeno do stress ocupacional, quando associado a situação de cronicidade pode desencadear o síndrome de burnout, o qual tem vindo a preocupar a sociedade3. Esse síndrome surgiu em artigos publicados por Freudenberger e Maslach, durante os anos de 702,7 mas foi Cristina Maslach que aprofundou o conceito, definindo o burnout como um processo que leva a uma resposta inadequada perante um fator de stress laboral crónico com implicações emocionais e interpessoais, o qual é conceptualizado como um síndrome caraterizado por três componentes/dimensões3,8,9,10,11: a Exaustão Emocional (qualidade central do burnout e a manifestação mais óbvia deste síndrome complexo9; indivíduo revelase emocional e fisicamente sobrecarregado10); a Despersonalização (defesa Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 8 Foi realizada uma análise descritiva das medidas utilizadas, com cálculo de Médias e Desvios padrão para as variáveis quantitativas e frequências absolutas e relativas para as variáveis qualitativas. A significância estatística foi verificada com recurso à estatística de Qui-Quadrado com uso do Teste de Associação. Efetuaram-se análises Univariadas cujo objetivo foi determinar quais as variáveis com impacto estatisticamente significativo nas Medidas de MBI e 23 QVS. O pressuposto de normalidade das variáveis foi medido com o teste Shapiro-Wilks tendo-se verificado na maioria dos casos o incumprimento do mesmo (p<0,05). Assim, foram conduzidos Testes Não-Paramétricos para verificar a existência de diferenças estatisticamente significativas. Para a comparação das Medidas de MBI e 23 QVS pelas variáveis categóricas com dois níveis foi utilizado o Teste Man-Whintey. Com as variáveis categóricas com três ou mais níveis foi utilizado o Teste Kruskall-Wallis. Foi conduzida uma regressão logística multivariada na tentativa de encontrar os preditores para a existência de Burnout. Na regressão logística foi utilizado o método algorítmico de seleção de variáveis Backward Wald, cujo objetivo é retirar de forma sequencial as covariáveis cujo p-valor é superior em cada etapa, obtendo assim um modelo parcimonioso. Neste caso, foram efetuados 12 etapas, o que implicou a retirada de 11 covariáveis ao longo do processo. O ajustamento dos dados ao modelo binomial foi considerado aceitável (Hosmer-Lemeshow, p>0,05). A consistência interna de cada questionário foi avaliada pelo α-Cronbach. O nível de significância estatístico adotado foi de 5% (p<0,05). Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 9 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 HGSA HSJ Cirurgia Geral Cirurgia Cardiotorácica Anestesiologia Medicina Interna Neurocirurgia Ortopedia Intensivista RESULTADOS O gráfico 1 mostra a distribuição dos participantes dos dois hospitais pela especialidade médica que exercem atualmente. A amostra de médicos, relativa ao número de participantes, continha 55,2% (n=74) do HGSA e 44,8% (n=60) do HSJ. Quanto às especialidades médicas em exercício, os participantes distribuíram-se da seguinte forma: 38,1% (n=51) de Anestesiologia, 16,4% de Neurocirurgia (n=22), 14,9% de Cirurgia Geral (n=20), 9,7% de Ortopedia (n=13), 9,0% de Medicina Interna (n=12), 6% (n=8) tanto para Medicina Intensiva como para Cirurgia Cardiotorácica. Gráfico1: Distribuição das especialidades pelos Hospitais Na Tabela I (ver anexo 6) é possível observar a distribuição de frequências de cada nível das variáveis sociodemográficas na amostra global e ao longo do tipo de Especialidade. Na amostra do estudo, 68 participantes eram do sexo feminino e 66 do sexo masculino, com uma média de idades de 38,71 anos (DP=11,286). Analisando a Tabela I é possível ver que MI e Anestesiologia foram as especialidades com maior contributo feminino, estando as restantes associadas ao sexo masculino, exceto CC com uma amostra equitativa a nível de género. Quanto aos passatempos, 76% dos participantes respondeu afirmativamente a esta questão, sendo o desporto, a leitura e outras atividades (por ex.: gastronomia, jardinagem, fotografia) os mais referidos, não tendo sido encontradas diferenças estatisticamente significativas dos passatempos pelas especialidades. No entanto, tendo em conta os vários passatempos referidos, foi possível ver diferenças significativas quando relacionamos a leitura com outras Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 10 caraterísticas sociodemográficas demonstrando que ser especialista, idade superior a 50 anos, existência de 2 filhos, vínculo laboral definitivo, mais de 15 anos de profissão, menos horas de trabalho semanais e ausência de trabalho noturno, está associado a maior leitura. Já o desporto e música são vistos mais entre os internos e nos médicos mais jovens e o cinema mais observado nos médicos do HSJ. Todos os outros passatempos não mostraram diferenças significativas. Cerca de 58% dos médicos assume não trabalhar no regime privado, mais em CC e MI, sendo Ortopedia a especialidade mais associada ao regime privado. Relativamente às horas semanais, a maioria dos médicos (63%) trabalha mais de 40 horas. Sendo a carga horária um fator muito referido na literatura como contribuinte de stress laboral, comparou-se essa variável com as caraterísticas sociodemográficas que revelaram que as 35 horas semanais são mais observadas em médicos com 2 ou mais filhos, vínculo definitivo, especialista, mais de 15 anos de profissão, regime privado, passatempo da leitura e nos cirurgiões gerais; 40 horas semanais estão associadas a internos, menos de 6 anos de profissão, vínculo precário, sem filhos e Intensivista; mais de 40 horas semanais tiveram relação com a ausência de filhos, trabalho noturno e especialidades de Neurocirurgia e Ortopedia. As restantes características pessoais não demonstraram diferenças significativas. Quanto ao trabalho noturno, apenas 16,4% relatou não o fazer, estando a maioria associada a trabalho de SU (Ortopedia, CG, CC, Neurocirurgia com maiores percentagens), 2% noutra atividade como Conselhos de Administração ou Gestão, e 10% com várias atividades sendo Anestesiologia e Ortopedia os com maior percentagem nesta categoria. Ao nível de trabalho de chefia, a esmagadora maioria revelou não ter algum cargo superior, salientando Ortopedia com 100% dos médicos nesta situação, seguidos de CC, Anestesiologia e Intensivista com 88%. MI apresenta 17% dos participantes como Diretores de Serviço e 17% com outra atividade (um elemento como Presidente de Comissão Hospitalar e outra como Gestora da CHP). As variáveis idade, estado civil, número de filhos, passatempos, vínculo laboral, categoria profissional e anos de profissão não revelaram diferenças significativas dentro das várias especialidades. Na tabela II, ao compararmos os nossos resultados com as caraterísticas estabelecidas teoricamente por Maslach, Jackson e Leiter (1996), pela média conseguida no estudo verificamos uma exaustão emocional de nível médio, uma Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 11 despersonalização de nível baixo e uma realização pessoal de nível alto. Já na VS,o valor de 31,29 representa uma não vulnerabilidade. Tabela II: Análises Descritivas das Medidas Quantitativas e Qualitativas utilizadas Questionários Dimensões M DP Mínimo (Mín.Teórico) Máximo (Máx. Teórico) MBI Exaustão Emocional 17,45 10,186 0 (0) 41 (54) Despersonalização 4,83 4,783 0 (0) 22 (30) Realização Pessoal 38,31 6,252 22 (15) 48 (48) 23 QVS Vulnerabilidade ao Stress 31,29 9,097 8 (0) 61 (92) Tabela III: Análises Descritivas das Medidas Qualitativas utilizadas Questionários Dimensões Baixo Médio Alto MBI Exaustão Emocional 72 (54%) 34 (25%) 28 (21%) Despersonalização 97 (72%) 27 (20%) 10 (8%) Realização Pessoal 26 (19%) 33 (25%) 75 (56%) Burnout¥ 30 (22%) Vulnerável Não Vulnerável 23 QVS Vulnerabilidade ao Stress 11 (8%) 123 (92%) *Frequências relativas ajustadas para o total de casos válidos ¥ Consideramos um individuo em burnout quando apresenta níveis elevados de exaustão emocional e/ou despersonalização A Tabela III mostra que 21% dos participantes obtiveram um nível Alto de Exaustão Emocional, 8% nível Alto de Despersonalização e 19% nível Baixo de Realização Pessoal. No que diz respeito ao número de médicos com Burnout foram encontrados 22% de médicos com condição positiva nesta variável. Quanto à Vulnerabilidade ao Stress, encontrou-se que 8% dos participantes estavam vulneráveis. Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 12 Tabela IV: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelas variáveis qualitativas (M ± DP) EE p* DP p* RP p* VS p* Sexo Feminino 16,75±9,28 ns 3,71±3,49 p<0,05 39,00±6,26 ns 30,88±9,08) ns Masculino 18,17±11,06 5,98±5,62 37,61±6,21 31,71±9,17 Idade 25-30 19,52±9,90 p<0,01 5,54±4,55 p<0,001 38,02±5,66 ns 31,88±7,37 ns 31-40 16,77±8,86 5,30±4,84 39,00±4,90 28,83±10,16 41-50 20,00±10,68 5,54±5,97 37,04±6,90 33,32±9,83 > 50 11,50±9,61 2,15±2,46 39,46±7,88 30,81±9,84 Estado civil Solteiro 17,67±9,97 ns 5,74±4,90 ns 38,00±6,63 ns 30,80±8,85 ns Casado/ União de fato 17,37±10,39 4,25±4,71 38,51±6,14 31,54±9,48 Divorciado/ Viúvo 16,78±11,01 3,89±4,20 38,67±5,24 32,33±8,19 Nª Filhos 0 18,00±9,93 ns 5,70±4,96 p<0,05 37,83±6,13 ns 30,87±8,40 ns 1 17,06±7,81 3,78±4,77 37,44±5,69 34,50±8,60 2 17,18±11,69 3,75±4,22 39,18±7,04 31,32±11,19 ≥ 3 14,91±12,17 3,18±4,05 40,91±5,72 28,91±8,58 Passatempos Não 20,03±10,07 ns 6,22±5,36 p<0,05 35,78±5,72 p<0,01 34,06±9,48 ns Sim 16,64±10,14 4,39±4,53 39,11±6,23 30,42±8,84 Vínculo Laboral Precário 20,12±9,41 p<0,01 5,98±4,96 p<0,01 37,72±5,27 ns 32,04±7,60 ns Definitivo 15,47±10,34 3,97±4,50 38,75±6,89 30,74±10,08 Categoria Profissional Interno 19,77±9,82 p<0,01 5,91±5,00 p<0,01 37,56±5,38 ns 31,75±7,61 ns Especialista 15,73±10,17 4,03±4,48 38,87±6,81 30,95±10,09 Anos de Profissão < 6 anos 19,64±9,37 p<0,01 6,09±5,03 p<0,01 38,29±5,54 ns 31,62±7,18 ns 6-15 anos 17,77±10,74 4,33±4,43 38,67±5,33 29,97±11,16 > 15 anos 14,48±10,29 3,57±4,38 38,11±7,63 31,74±9,88 Regime Privado Não 17,86±9,93 ns 4,44±4,71 ns 38,23±6,51 ns 31,97±8,47 ns Sim 16,89±10,59 5,35±4,88 38,42±5,94 30,37±9,88 Horas Semanais 35 19,60±12,68 5,70±5,79 35,00±7,96 32,50±6,67 40 20,36±9,03 p<0,001 5,74±5,11 p<0,01 38,95±5,21 ns 32,79±9,55 ns > 40 15,86±10,16 4,31±4,48 38,41±6,43 30,46±9,12 Trabalho Noturno Não 14,14±9,66 ns 4,59±5,22 ns 39,00±6,68 ns 29,64±9,23 ns SU 18,60±10,51 5,10±4,88 38,00±6,20 32,12±9,34 Outro serviço 16,50±0,71 5,00±5,66 30,50±12,02 32,50±6,36 Residência 26,00 10,00 37,00 38,00 Outra 7,00±0,00 0,50±0,71 44,50±2,12 29,00±15,56 Vários 15,85±8,56 3,54±3,33 39,77±4,92 27,77±6,35 Chefia Não 17,35±9,73 ns 5,23±4,82 ns 37,98±6,01 ns 31,46±9,34 ns DS 10,33±7,63 1,78±3,19 42,22±6,74 28,33±6,75 CE 31,00 3,00 38,00 26,00 RU 22,75±16,11 2,50±1,73 35,75±9,88 29,75±10,72 Outra 24,00±13,74 3,83±6,55 39,50±7,56 35,00±8,02 Vários 19,00 4,00 44,00 28,00 ns – Não significativo A Tabela IV apresenta os resultados relativos às Medidas Quantitativas de MBI e 23 QSV comparadas por cada uma das variáveis sócio demográficas. Relativamente ao Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 13 MBI foram encontradas diferenças significativas na Exaustão Emocional, sendo que os médicos mais jovens e aqueles entre 41 e 50 anos, internos de especialidade, o vínculo laboral precário, menos de seis anos de profissão e 40 horas semanais estão associados a níveis mais elevados desta dimensão. Na Despersonalização, o fato de ser homem, a ausência de filhos e de passatempos, o vínculo laboral precário, ser interno de especialidade e com menos de 6 anos de profissão, surgem como as caraterísticas pessoais com níveis mais elevados nesta dimensão. Já aqueles que apresentam idade superior a 50 anos, mais de 15 anos de profissão e mais de 40 horas de trabalho semanais apresentam níveis baixos tanto na EE como na DP. Na Realização Pessoal, a variável passatempos é a única com relação significativa, estando a existência de passatempos associada a valores superiores de RP. Não se verificaram diferenças significativas no que diz respeito a estado civil, trabalho privado, trabalho noturno e cargos de chefia. Relativamente à VS, não foram encontradas diferenças significativas. Tabela V: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelas Especialidades Especialidade EE DP RP VS Cirurgia Geral 17,90±8,85 4,25±3,88 36,45±5,88 32,00±4,84 Cirurgia Cardiotorácica 17,00±11,43 4,75±5,52 37,88±6,79 35,38±13,77 Anestesiologia 13,27±7,63 3,14±2,94 39,14±6,05 29,24±9,52 Medicina Interna 28,92±8,60 6,33±5,28 38,83±7,13 35,58±7,45 Neurocirurgia 17,73±10,62 4,36±4,05 39,68±5,91 31,00±10,02 Ortopedia 17,15±11,01 7,54±6,62 39,15±5,68 28,69±7,16 Intensivista 25,88±10,72 11,75±6,23 32,25±6,04 37,13±7,75 K-W p<0,001 p<0,01 ns ns A Tabela V mostra que foram encontradas diferenças significativas na comparação das medidas MBI de Exaustão Emocional e Despersonalização por tipo de especialidade. Os Testes de comparações múltiplas Tukey (p<0,05) mostraram que na Exaustão Emocional as diferenças se situaram na comparação de Medicina Interna com Cirurgia Geral, Anestesiologia, Neurocirurgia e Ortopedia com valores consecutivamente mais elevados em Medicina Interna; e Anestesiologia com Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 14 Intensivista com valores mais elevados em Intensivista. Na Despersonalização foram encontradas diferenças significativas na comparação da especialidade Intensivista com Cirurgia Geral, Cirurgia Cardiotorácica, Anestesiologia e Neurocirurgia tendo valores consecutivamente mais elevados nos Intensivistas; e na especialidade Anestesiologia com Ortopedia, com valores mais elevados em Ortopedia. Tabela VI: Comparação das medidas usadas (MBI e 23 QVS) pelos Hospitais Hospital EE DP RP VS HGSA 19,23±10,34 5,97±5,36 37,70±6,36 32,30±7,48 HSJ 15,25±9,55 3,42±3,52 39,07±6,09 30,05±10,70 M-W p<0,05 p<0,01 ns ns No que diz respeito à comparação por Hospital (Tabela VI) foram encontrados resultados significativos em Exaustão Emocional e Despersonalização, com valores mais altos no HGSA. Quanto à relação entre os pontos de corte das dimensões MBI e VS não foram encontrados resultados significativos em qualquer dimensão. Tabela VII: Relação entre Burnout e Especialidade Burnout¥ Especialidade Não Sim χ2 (gl= 6) Cirurgia Geral 15 (75%) 5 (25%) p<0,01 Cirurgia Cardiotorácica 6 (75%) 2 (25%) Anestesiologia 48 (94%) 3 (6%) Medicina Interna 6 (50%) 6 (50%) Neurocirurgia 17 (77%) 5 (23%) Ortopedia 9 (69%) 4 (31%) Intensivista 3 (38%) 5 (63%) Nota. Não cumprido pressuposto do máximo de 20% de células com frequência esperada < 5 ¥ Consideramos um individuo em burnout quando apresenta níveis elevados de exaustão emocional e/ou despersonalização Relativamente à relação entre Burnout e Especialidade (Tabela VII), as especialidades Intensivista, Medicina Interna e Ortopedia foram as que mais se relacionaram com Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 15 Burnout. Não obstante é necessário ter em conta o facto o não cumprimento do pressuposto do máximo de 20% de células com frequência esperada < 5, o que reduz algum poder na análise. Na relação entre VS e Especialidade, não se observou a existência de diferenças significativas, o que pode ser explicado pela reduzida frequência de participantes com vulnerabilidade ao stress (8%). Quanto à relação de Burnout e Vulnerabilidade ao Stress com o Hospital não foram encontradas diferenças significativas em ambos os casos. Tabela VIII: Comparação entre os Fatores de Vulnerabilidade ao Stress 23 QVS M DP K-W Fator 1 – Perfecionismo e intolerância à frustração 1,92 0,55 p<0,001 Fator 2 - Inibição e dependência funcional 1,01 0,50 Fator 3 - Carência de apoio social 0,93 0,70 Fator 4 - Condições de vida adversas 0,81 0,76 Fator 5 - Dramatização da existência 1,68 0,66 Fator 6 - Subjugação 1,57 0,64 Fator 7 - Deprivação de afeto e rejeição 1,12 0,64 Pode afirmar-se que o fator que contribui mais para a VS foi o fator 1 (perfecionismo e intolerância à frustração); e o que menos contribuiu foi o fator 4 (condições de vida adversas) Tabela IX: Regressão Logística Multivariada (Burnout ~Especialidade + QSV1) OR IC 95% p-valor Especialidade Anestesiologia Referência - - Neurocirurgia 4,71 (0,88 - 25,27) p<0,05 Cirurgia Geral 3,69 (0,71 - 19,09) ns Cirurgia Cardiotorácica 2,34 (0,24 - 23,02) ns Ortopedia 11,62 (1,79 - 75,56) p<0,01 Medicina Interna 13,95 (2,42 - 80,31) p<0,001 Intensivista 47,28 (6,06 – 368,67) p<0,001 QSV1 QSV1 11,19 p<0,001 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 16 Foi conduzida uma regressão logística multivariada na tentativa de encontrar preditores de burnout tendo demonstrado que, comparativamente com Anestesiologia (especialidade com menor percentagem), apenas CG e CC é que não têm risco acrescido de burnout. Verificou-se também que na pergunta 1 do QVS23, há um risco acrescido 11,19 vezes maior por cada ponto a mais na referida pergunta. Tabela X – Análises descritivas dos fatores causadores de stress Por último, relativamente aos fatores de stress (Tabela X) é possível observarmos que os participantes assinalaram o ambiente de trabalho e relações profissionais; excesso de trabalho e envolvimento profissional bem como a carreira e remuneração, como sendo os principais na sua profissão. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as especialidades mais afetadas pelo burnout com os fatores de stress. No entanto, avaliando outras caraterísticas pessoais, verificou-se que os médicos de vínculo precário, trabalho noturno e das especialidades de MI, CG, Ortopedia e Neurocirurgia se queixavam mais do ambiente de trabalho e relações profissionais. Já a carreira e remuneração é mais referida entre os internos, vínculo precário e naqueles com 40 horas de trabalho semanais. Médicos com menos anos de profissão referem as ações de formação e elaboração de relatórios técnicos. Os problemas familiares ficam mais restritos aos médicos mais velhos e de vínculo definitivo. Os outros fatores de stress, essencialmente a organização hierárquica e a sobrecarga hospitalar, apenas têm relação com o trabalho noturno. Fator de Stress n (%) Lidar com os doentes 11 (8%) Ambiente de trabalho e relações profissionais 81 (60%) Excesso de trabalho e envolvimento profissional 90 (70,4%) Carreira e remuneração Ações de formação e elaboração de relatórios técnicos Problemas familiares Outros Organização hierárquica Exigências/sobrecarga burocráticas Condicionamentos da gestão hospitalar Chefias Problemas de saúde Precaridade situação laboral Responsabilidade pelo doente 69 (51,1%) 29 (21,5%) 17 (12,6%) 13 (9,6%) 3 (23,1%) 3 (23,1%) 2 (15,4%) 2 (15,4%) 1 (7,7%) 1 (7,7%) 1 (7,7%) Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 17 DISCUSSÃO É conhecido por todos que o ser Médico exige longos dias de trabalho, lidar com situações stressantes, bem como relacionar-se com as emoções dos seus doentes. O clima na Medicina tem vindo a mudar: cada vez há menos tempo para a relação médico-doente, aumento do trabalho administrativo, diminuição dos recursos económicos e aumento da taxa de matrículas na faculdade de Medicina11. É neste clima que procuramos fornecer algumas informações acerca da prevalência do burnout nesta amostra de médicos e estabelecer algumas relações que possam estar associadas a experiências de stress no trabalho. Em relação ao burnout, os médicos da nossa amostra demonstram níveis moderados de EE, níveis baixos de DP e níveis altos de RP, o que vai de encontro à teoria que diz que os médicos tendem a experienciar níveis elevados de RP30. Neste estudo, pudemos verificar que 22% dos médicos estavam em burnout, valendo a pena mencionar os níveis acentuados de EE (21%) evidenciados pelos médicos, sendo esta a problemática mais evidente da experiência do burnout; 8% com níveis altos de Despersonalização e 19% com baixos níveis de Realização Pessoal. Tal como na maioria dos outros estudos mencionados na tabela XI, os níveis a dimensão de EE foi a mais elevada. Tabela XI: Estudos Nacionais e Internacionais de Burnout em várias especialidades médicas (uso do MBI) Amostra Nível elevado de EE % Nível elevado de DP % Cuidados Intensivos (América) 31 253 29 20 Cuidados Intensivos (França)32 978 19 37 Medicina Interna (Grécia)33 103 17 9 Medicina Geral e Familiar (Europa)34 1393 43 35 Medicina Geral e Familiar (Portugal)17 153 25 16,2 Anestesiologia (Austrália e Nova Zelândia)35 422 20 20 Anestesiologia (Portugal)36 263 57,5 90,9 Cirurgia Cardiotorácica e Anestesiologia (Lituânia)37 59 19,3 25,9 Cirurgia (America)38 . 7905 32 26 Cirurgia (Inglaterra)39 161 27 19 Neurocirurgia 20 85 14 27 Nosso estudo 134 21 8 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 24 AGRADECIMENTOS Porque quando estamos sozinhos, nada faz sentido… Dedico este espaço a todos aqueles que fazem com que todos os momentos sejam memoráveis e que sempre me acompanharam, alguns sempre, outros em alguma fase da minha vida, contribuindo com um bocadinho de si para que esta investigação fosse exequível. Ao Dr. Carlos Magalhães, meu Orientador da Tese, por me incentivar na realização deste “estudo quebra-cabeças” e por não me deixar simplificar este projeto. Gostaria de lhe agradecer por todo o seu apoio e rigor, pela ajuda na distribuição dos inquéritos, bem como a disponibilidade, sugestões e correções que possibilitaram a concretização deste trabalho. À minha amiga e colega de curso Adriana Vasconcelos, um especial agradecimento por se ter lembrado de mim como parceria de tema de tese e me ter possibilitado avançar com ele individualmente. Ao Dr. Ernesto Carvalho pela ajuda e disponibilidade prestadas. Ao Dr. Ricardo Aido e Dr.ª Andreia Costa, gostaria de agradecer pelo inestimável apoio na distribuição dos inquéritos. A todos os Médicos participantes, o meu agradecimento sincero pelo tempo despendido e por terem tornado este estudo possível. Aos Responsáveis dos Conselhos de Administração, Comissões de Ética e a todos os Diretores de Serviço envolvidos, pela autorização na realização deste estudo. Aos meus pais e irmão por todo o carinho, apoio incondicional, confiança e paciência, não só neste período final de percurso académico, mas ao longo de toda a minha vida. À minha avó por toda a confiança depositada em mim e por todo o amparo e companheirismo ao longo de todos estes anos. À minha amiga Manuela Azevedo, por estar sempre presente e me conhecer melhor que ninguém. Ao Hugo Martins, que me tem acompanhado nestes últimos meses e contribuiu com um pouco de si neste trabalho. Obrigada pela ajuda, paciência e sinceridade. Aos meus amigos e colegas de curso gostaria de agradecer por terem estado sempre presentes ao longo desta caminhada académica. A todos, o meu muito obrigada! Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 – Gonçalo H, et al. (2010) Stress ocupacional em forças de segurança: Um estudo comparativo. Análise Psicológica 1 (XXXVIII): 165-178 2 – Cruz JF, Gomes AR. (2001) A experiência de stress e “burnout” em psicólogos portugueses: um estudo sobre a diferença de géneros. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática, 2001, 2, 193-212 3 – Sousa IF, et al. (2009) Estresse ocupacional, coping e burnout. Estudos, Goiânia, v.36, n. ½, p. 57-74 4 – Frasquilho MA. (2005) Medicina, Médicos e Pessoas. Compreender o stress para prevenir o burnout. Acta Médica Portuguesa 18: 433-444. 5 – Sacadura-Leite E, Uva AS. Stress relacionado com o trabalho. Sociedade Portuguesa de Medicina no Trabalho. pp 25-38. 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Anaesthesist; 60(1):31-8. Abstract 49 – Pereira M, Cavaleiro C, Sá S, Frada R, Aragão I (2010) A study among anaesthesiologists of a Portuguese Hospital. Department of Anaesthesiology and Intensive Care, Centro Hospitalar do Porto, Portugal 48 - Morais A et al. (2006) Stress and burnout among Portuguese Anaesthesiologists. Eur J Anaesthesiol. 2006 May; 23 (5):4339. Abstract 49 – Pereira M, Cavaleiro C, Sá S, Frada R, Aragão I (2010) A study among anaesthesiologists of a Portuguese Hospital. Department of Anaesthesiology and Intensive Care, Centro Hospitalar do Porto, Portugal Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 29 ANEXOS Anexo 1 - Fatores causadores de Burnout5,8,9,11,13 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 30 Anexo 2 - Sintomatologia e implicações do Burnout implicações8,9,12,28 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 31 Anexo 3: Informação ao participante e instrumentos de avaliação Informação ao Participante Temos em curso um trabalho de final de mestrado integrado em medicina, subordinado ao tema Título: “Síndrome de Burnout: a realidade entre diferentes especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal”. Pretendemos avaliar o Síndrome de Burnout na Comunidade Médica através da aplicação de quatro instrumentos de avaliação: o Questionário Sócio-Demográfico, o Questionário de Vulnerabilidade ao Stress (23QVS); o Inventário de Burnout de Maslach (MBI-HSS) e uma questão acerca dos possíveis fatores causadores de stress na classe médica. Estes instrumentos serão aplicados à classe médica pertencente as seguintes especialidades médico-cirúrgicas - Cirurgia Geral, Cirurgia Cardiotorácica, Anestesiologia, Medicina Interna, Neurocirurgia, Ortopedia e Intensivista -; dentro de cinco hospitais do Norte de Portugal: dois na cidade do Porto (Hospital Geral de Santo António e Hospital de São João), um em Vila Nova de Gaia (Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia), um em Braga (Hospital de São Marcos, Braga) e um em Guimarães (Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães). O estudo visa contribuir para uma melhor análise e compreensão desta problemática. Espera-se que os resultados do estudo sejam um alicerce na delineação de estratégias preventivas do Burnout, o que poderá permitir melhoria da qualidade de vida dos profissionais, melhoria dos cuidados prestados aos utentes e, consequência última, melhor funcionamento dos serviços. Para que a concretização deste estudo se torne possível, será necessária a colaboração dos médicos dos serviços escolhidos dos respetivos hospitais. Neste sentido, é solicitada a sua cooperação no preenchimento dos vários instrumentos de avaliação. As suas respostas serão tratadas de forma confidencial, respeitando assim os padrões de ética na investigação, assegurados pela Comissão de Ética em Saúde. Desde já muito grata pela sua atenção e disponibilidade. Aluna: Cátia Sofia Vilas Boas Leitão Aluna n.º 200606480 Orientador: Dr. Carlos Magalhães (Assistente Hospitalar Cirurgia Geral do HGSA, CHP) Eu, abaixo-assinado, declaro que tomei conhecimento de tudo aquilo que foi dito anteriormente e que concordo em participar no presente estudo. ___________________________________________________________ (Assinatura do Participante) Porto, ___ / ___ / 201_ Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 32 Questionário Sócio-Demográfico Assinale com uma cruz (x) a resposta que for adequada ou complete-a se for o caso. Toda informação é de carácter confidencial. Dados Pessoais 1 – Sexo: Feminino____ Masculino____ 2 – Idade: _____ Anos (Especifique) 3 – Estado Civil: Solteiro (a) ____ Casado (a) / União de Facto ____ Divorciado (a)/Separado (a) ____ Viúvo (a) ____ 4 – Filhos: Não ____ Sim, número: 1____, 2____, 3 ou Mais ____ 5 – Passatempos: Não ____ Sim ____ Se Sim, Especifique:___________________ 6 – Vínculo laboral: Precário ____ Definitivo ____ 7 – Categoria Profissional: Interno de especialidade ____ Médico especialista ____ 8 – Especialidade: Cirurgia Geral ____ Cirurgia Cardiotorácica ____ Anestesiologia ____ Medicina Interna ____ Neurocirurgia ____ Ortopedia ____ Intensivista ____ 9 – Hospital onde trabalha: Hospital Geral de Santo António, Centro Hospitalar do Porto ___ Hospital de São João, Centro Hospitalar de São João, EPE ____ Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia ____ Hospital de São Marcos, Braga ____ Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães ____ 10 – Anos de Exercício de Profissão:____ (Anos Completos) 9 – Trabalho em Regime Privado: Não ____ Sim ____ 10 – Horas de Trabalho Semanais: 35/semana ____ 40/semana ____> 40/semana ____ 11 – Período de trabalho noturno: Não ____ Sim _____ se sim: Serviço de Urgência _____ Atividade noutro Serviço ____ Residência no Hospital ____ Outra _________________ 12 – Posição de chefia: Não ____ Sim _____ se Sim, Especifique________________________ Após Preencher o Inventário Veja se Respondeu a Todas as Questões. Não Deixe Nenhuma Por Responder! Obrigado pela colaboração! Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 33 Inventário de Burnout Versão para investigação construída por C. Manita (2003) a partir de Maslach, Jackson e Leiter (1981, 1996) Assinale para cada questão a frequência com que vive ou sente cada uma das situações a seguir descritas. Assinale com uma cruz apenas um valor por questão e para a sua resposta tome como referência os últimos 3 meses da sua actividade profissional. Nunca Algumas vezes por ano Uma vez por mês Algumas vezes por mês Uma vez por semana Algumas vezes por semana Todos os dias 1. O meu trabalho esgota-me emocionalmente 2. Sinto-me exausto no fim de um dia de trabalho 3. Sinto-me cansado quando me levanto de manhã e tenho de enfrentar um novo dia de trabalho 4. Compreendo facilmente o que sentem os meus doentes 5. Sinto que trato alguns dos meus doentes como se fossem objectos 6. Trabalhar com pessoas todos os dias é para mim uma grande fonte de stress 7. Lido eficazmente com os problemas dos doentes 8. O meu trabalho deixa-me exausto 9. Sinto que através do meu trabalho influencio positivamente as vidas das outras pessoas 10. Tornei-me mais indiferente nas relações com as pessoas desde que tenho este trabalho 11. Preocupa-me que este trabalho me esteja a tornar emocionalmente mais duro 12. Sinto-me muito energético 13. Sinto-me frustrado no trabalho 14. Sinto que estou a trabalhar demasiado 15. Não quero saber o que vai acontecer a alguns dos meus doentes 16. Trabalhar diretamente com pessoas causa-me demasiado stress 17. Consigo criar facilmente um ambiente descontraído com os meus doentes 18. Sinto-me muito feliz de estar com os meus doentes Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 40 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 41 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 42 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 43 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 44 Síndrome de Burnout - A realidade entre diferentes Especialidades Médico Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Anexo 6: Tabela I - Caraterísticas Pessoais por Especialidade Médico-Cirúrgica Caraterística Pessoal Total n=134 CG n=20 CC n=8 Anest. n=51 MI n=12 NeuroC n=22 Ort. n=13 Int. n=8 Qui-Quadrado p-valor* Sexo Feminino 68 (51%) 11(55%) 1 (13%) 36 (71%) 9 (75%) 6 (27%) 1 (15%) 3 (38%) p<0,001*; gl=6 Masculino 66 (49%) 9 (45%) 7 (88%) 15 (29%) 3 (25%) 16 (73%) 11 (85%) 5 (63%) Idade 25-30 50 (37%) 8 (40%) 2 (25%) 16 (31%) 9 (75%) 7 (32%) 5 (39%) 3 (38%) p>0,05; gl= 18 31-40 30 (22%) 4 (20%) 1 (13%) 11 (22%) 0 7 (32%) 6 (46%) 1 (13%) 41-50 28 (21%) 5 (25%) 1 (13%) 9 (18%) 2 (17%) 6 (27%) 2 (15%) 3 (38) > 50 26 (19%) 3 (15%) 4 (50%) 15 (29%) 1 (8%) 2 (9%) 0 1 (13) Estado civil Solteiro 54 (40%) 7 (35%) 2 (25%) 15 (29%) 9 (75%) 11 (50%) 7 (54%) 3 (38%) p>0,05; gl= 12 Casado/ União de fato 71 (53%) 12 (60%) 5 (63%) 31 (61%) 3 (25%) 11 (50%) 6 (46%) 3 (38%) Divorciado/ Viúvo 9 (7%) 1 (5%) 1 (13%) 5 (10%) 0 0 0 2 (25%) Nª Filhos 0 77 (58%) 12 (60%) 3 (38%) 25 (49%) 10 (83%) 13 (59%) 9 (69%) 5 (63%) p>0,05; gl= 18 1 18 (13%) 2 (10%) 4 (50%) 9 (18%) 0 4 (18%) 3 (23%) 0 2 28 (21%) 3 (15%) 1 (13%) 13 (26%) 2 (17%) 4 (18%) 0 2 (25%) ≥ 3 11 (8%) 3 (15%) 0 4 (8%) 0 1 (5%) 1 (8%) 1 (13%) Passatempos Não 32 (24%) 5 (25%) 4 (50%) 7 (14%) 2 (17%) 5 (23%) 5 (39%) 4 (50%) p>0,05; gl= 6 Sim 102 (76%) 15 75%) 4 (50%) 44 (86%) 10 (83%) 17 (77%) 8 (62%) 4 (50%) Desporto Música Leitura Cinema Viagens Outros 52(39%) 17 (13%) 27(20%) 18 (13%) 10 (7%) 40 (30%) 5(25%) 3(15%) 3(15%) 3(15%) 1(5%) 5 (25%) 2(25%) 0 1(12,5%) 1(12,5%) 0 3 (37,5%) 22(43%) 5 (10%) 15 (10%) 9 (18%) 5(10%) 18 (35%) 4(33%) 2(17%) 2(17%) 1(8%) 0 4 (33%) 11(50%) 5 (23%) 5 (23%) 2 (9%) 1 (4,5%) 7 (32%) 6(46%) 1 (7,7%) 1 (23%) 2 (15%) 2 (15%) 2 (15%) 2(25%) 1 (43%) 0 0 1(12,5%) 1 (12,5%) Vínculo Laboral Precário 57 (43%) 9 (45%) 3 (38%) 15 (29%) 9 (75%) 11 (50%) 7 (54%) 3 (38%) p>0,05; gl= 6 Definitivo 77 (58%) 11 5 (63%) 36 (71%) 3 (25%) 11 (50%) 6 (46%) 5 (63%) 45 Cátia Leitão Síndrome de Burnout A realidade entre diferentes especialidades Médico-Cirúrgicas em Hospitais do Norte de Portugal Cátia Leitão 46 Caraterística Pessoal Total n=134 CG n=20 CC n=8 Anest. n=51 MI n=12 NeuroC n=22 Ort. n=13 Int. n=8 Qui-Quadrado p-valor* (55%) Categoria Profissional Interno 57 (43%) 9 (45%) 3 (38%) 14 (28%) 8 (67%) 11 (50%) 9 (69%) 3 (38%) p>0,05; gl= 6 Especialista 77 (58%) 11 (55%) 5 (63%) 37 (73%) 4 (33%) 11 (50%) 4 (31%) 5 (63%) Anos de Profissão < 6 anos 58 (43%) 9 (45%) 3 (38%) 17 (33%) 9 (75%) 8 (36%) 9 (69%) 3 (38%) p>0,05; gl= 12 6-15 anos 30 (22%) 5 (25%) 5 (63%) 12 (24%) 1 (8%) 6 (27%) 4 (31%) 2 (25%) > 15 anos 46 (34%) 6 (30%) 0 22 (43%) 2 (17%) 8 (36%) 0 3 (38%) Regime Privado Não 77 (58%) 9 (45%) 7 (88%) 32 (63%) 10 (83%) 11 (50%) 3 (23%) 5 (63%) p<0,05*; gl= 6 Sim 57 (42%) 11 55%) 1 (13%) 19 (37%) 2 (17%) 11 (50%) 10 (77%) 3 (38%) Horas Semanais 35 10 (8%) 4 (20%) 1 (13%) 4 (8%) 0 0 0 1 13%) p<0,05*; gl= 12 40 39 (29%) 3 (15%) 1 (13%) 18 (35%) 6 (50%) 3 (14%) 3 (23%) 5 (63%) > 40 85 (63%) 13(65%) 6 (75%) 29 (57%) 6 (50%) 19 (86%) 10 (77%) 2 (25%) Trabalho Noturno Não 22 (16%) 2 (10%) 0 15 (29%) 0 2 (9%) 0 3 (38%) p<0,05*; gl= 30 SU 94 (70%) 17 (85%) 7 (88%) 27 (53%) 10 (83%) 17 (77%) 11 (85%) 5 (63%) Outro serviço 2 (2%) 0 0 1 (2%) 0 1 (5%) 0 0 Residência 1 (1%) 0 0 0 1 (8%) 0 0 0 Outra 2 (2%) 0 1 (13%) 0 1 (8%) 1 (5%) 0 0 Vários 13 (10%) 1 (5%) 0 8 (16%) 0 1 (5%) 2 (15%) 0 Chefia Não 113 (84%) 16(80%) 7 (88%) 45(88%) 8 (67%) 17 (77%) 13(100%) 7 (88%) p<0,05; gl= 30 DS 9 (7%) 1 (5%) 1 (13%) 3 (6%) 2 (17%) 2 (9%) 0 0 CE 1 (1%) 1 (5%) 0 0 (2%) 0 0 0 0 RU 4 (3%) 2 (10%) 0 1 (2%) 0 1(5%) 0 0 Outra 6 (5%) 0 0 1 (2%) 2 (17%) 2 (9%) 0 1 (13%) Vários 1 (1%) 0 0 1 (2%) 0 0 0 0 *p-valor estatisticamente significativo. % arredondada para número inteiro. Anest., Anestesiologia; NeuroC, Neurocirurgia; Ort., Ortopedia; Int., Intensivista; DS, Diretor de Serviço; CE, Chefe de Equipa; RU, Responsável da Unidade