Relatórios de Estágio realizado na Farmácia São Martinho e na Farmácia Juan Trilleros Jiménez
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!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! I! Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia São Martinho Abril de 2014 a Julho de 2014 Carolina de Magalhães Queiroz Nunes Orientador : Dra. Paula Fernandes _________________________________________ Tutor FFUP: Professora Susana Casal _________________________________________
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! II! DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE RELATÓRIO DE ESTÁGIO ! Eu, _______________________________________________, abaixo assinado, nº __________, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! III! RESUMO O presente relatório resulta dos três meses de estágio efetuados na Farmácia São Martinho. Está dividido em duas partes: a parte I, corresponde à descrição dos três meses de estágio efetuados na farmácia, onde foi abordado tudo o que foi realizado e os conhecimentos adquiridos; e a Parte II corresponde à descrição de dois temas desenvolvidos e que foram dados a conhecer aos utentes da farmácia no período de estágio: a Dermatite Atópica e a Higiene Íntima.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! IV! ABREVIATURAS CG – Cash Guard DL – Decreto-Lei DT – Diretora Técnica FIFO – First In First Out FSM – Farmácia São Martinho INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I. P. MICF – Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas PVP – Preço de Venda ao Público RAM – Região Autónoma da Madeira
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! V! ÍNDICE PARTE I 1.1 – INTRODUÇÃO................................................................................... 1 1.2 – FARMÁCIA SÃO MARTINHO: ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO E FUNCIONAL DA FARMÁCIA.............................. 1 1.2.1Localização e inserção sociocultural...................................... 1 1.2.2 - Horário de funcionamento…………………………..……….... 1 1.2.3 - Recursos Humanos…………………………………...……….. 2 1.2.4 - Espaço exterior.................................................................... 3 1.2.5 - Espaço interior..................................................................... 3 1.3 – BIBLIOGRAFIA E FONTES DE INFORMAÇÃO............................... 6 1.4 – GESTÃO DA FARMÁCIA.................................................................. 7 1.4.1 - Sistema informático………………………………………….... 7 1.4.2 - Gestão de stocks……………………………………………… 7 1.4.3 - Elaboração de encomendas………………………………….. 8 1.4.4 - Rececionar e conferir encomendas…………………………... 8 1.4.5 - Marcação e Armazenamento…………………………………. 9 1.4.6 - Controlo de prazos de validade………………………............ 9 1.5 – CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS EXISTENTES NA FARMÁCIA........................................................ 10 1.5.1 - Medicamentos: MSRM e MNSRM………………………........ 10 1.5.2 - Produtos cosméticos e dermofarmacêuticos…………….….. 11 1.5.3 - Medicamentos homeopáticos e produtos fitoterapêuticos.... 11 1.5.4 - Produtos e medicamentos de uso veterinário……………..... 12 1.5.5 - Dispositivos médicos………………………………………..…. 12 1.5.6 - Produtos de para alimentação especial e produtos dietéticos………………………………………………....... 13 1.6 – DISPENSA DE MEDICAMENTOS..................................................... 13 1.6.1 – Dispensa de MNSRM........................................................... 15
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! ! VI! 1.6.2 – Dispensa de MSRM.............................................................. 16 1.7 – MEDICAMENTOS E PRODUTOS MANIPULADOS.......................... 20 1.8 – OUTROS CUIDADOS DE SAÚDE E SERVIÇOS PRESTADOS NA FARMÁCIA................................................. 21 1.9 – CONTABILIDADE E GESTÃO NA FARMÁCIA.................................. 21 2.9.1Processamento do Receituário e Facturação…………..……. 21 1.10 – CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................. 22 PARTE II DERMATITE ATÓPICA 1.1– ENQUADRAMENTO.......................................................................... 23 1.2 – OBJETIVOS...................................................................................... 23 1.3 – DISCUSSÃO..................................................................................... 23 1.3.1 – Marcha atópica.................................................................... 24 1.3.2 – Alergias alimentares e a DA................................................ 24 1.3.3 – Sintomatologia..................................................................... 24 1.3.4 – Diagnóstico da DA............................................................... 26 1.3.5 – Medidas minimizam sintomatologia..................................... 26 1.3.6 – Cuidado diário de uma pele com DA……............................ 27 1.3.7 – Medidas farmacológicas...................................................... 28 1.3.8 – Perspectivas futuras para a DA........................................... 29 1.4 – CONCLUSÃO.................................................................................... 29 HIGIENE ÍNTIMA 2.1– ENQUADRAMENTO......................................................................... 31 2.2 – OBJETIVOS..................................................................................... 31 2.3 – DISCUSSÃO.................................................................................... 31 2.3.1 – Flora íntima......................................................................... 32 2.3.2 – Infeções vaginais................................................................ 32
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!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 1! PARTE I 1.1 – INTRODUÇÃO Após iniciar a última unidade curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (MICF) – Estágio – numa farmácia de oficina na cidade de Madrid, ao abrigo do programa de intercâmbio ERASMUS entre o mês de janeiro e abril do corrente ano, optei por finalizar os últimos três meses de estágio na minha cidade natal, Funchal, na ilha da Madeira. Embora tenha estado quase cinco anos a viver no Porto, sei que no Funchal certamente vou ser bem recebida e espero aprender muito ao longo destes três meses na Farmácia São Martinho – FSM – , de modo a tornar-me numa profissional de excelência. 1.2 – FARMÁCIA SÃO MARTINHO: ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO E FUNCIONAL DA FARMÁCIA 1.2.1Localização e inserção sociocultural A FSM localiza-se no Caminho de São Martinho número 15 D, concelho do Funchal, ilha da Madeira. Encontra-se muito próxima de um bairro social, bem como de uma grande zona residencial com inúmeras habitações. Ao seu redor existem vários infantários, um centro desportivo, uma bomba de gasolina, um supermercado e uma área de serviços constituída por lojas, bancos e correios. Assim, os utentes que se dirigem à farmácia provêm de diferentes estratos sociais e de diferentes faixas etárias. A FSM abriu recentemente, em 2009, mas muitos dos seus utentes já conhecem os farmacêuticos e técnicos que trabalham na farmácia há muitos anos, pois a farmácia resulta da transferência da antiga farmácia do Chafariz, agora ChafarizFarma – parafarmácia – que se localiza mesmo no centro do Funchal, para a FSM. Portanto, a farmácia além de ser de passagem pontual tem um caráter familiar bem vincado, com a visita habitual de utentes que já frequentavam a farmácia do Chafariz com a sua família. 1.2.2 - Horário de funcionamento A farmácia está aberta todos os dias do ano, excetuando o dia 25 de dezembro e o dia 1 de janeiro, com um horário de funcionamento de segunda-feira a domingo das 9h-22h,
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!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 12! Durante o meu estágio na FSM foram raras as vezes que contactei com estes produtos, pois a sua solicitação era muito baixa por parte dos utentes. Em relação aos produtos fitoterapêuticos, estes são medicamentos tradicionais à base de plantas regulamentando as condições do seu fabrico e distribuição. Ao longo dos três meses que estagiei na FSM, a solicitação destes produtos foi uma constante no dia a dia, principalmente como auxiliares de emagrecimento, em problemas menores do sono e stress ou mesmo problemas circulatórios. O contacto com o utente nestas situações foi muito benéfico pois, foi possível alertar para determinadas interações entre a medicação crónica e estes produtos e esclarecer e informar quanto aos efeitos adversos e toxicidade associados aos produtos de origem natural, que muitas vezes estão somente associados a efeitos benéficos. [7] 1.5.4 - Produtos e medicamentos de uso veterinário Os medicamentos de uso veterinário compreendem toda a substância ou composição que possua propriedades curativas ou preventivas das doenças e dos seus sintomas, do animal, com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou a restaurar, corrigir ou modificar as suas funções orgânicas. O DL nº 148/2008, de 29 de julho, estabelece o regime jurídico a que obedecem todos os processos, desde a autorização de introdução no mercado à utilização dos medicamentos veterinários. Com este DL, os medicamentos veterinários passaram para a responsabilidade da Direção Geral de Veterinária – DGV. Por outro lado o DL n.º 237/2009, de 15 de setembro, estabelece as normas a que devem obedecer o fabrico, a autorização de venda, a importação, a exportação, a comercialização e a publicidade de produtos de uso veterinário. Como a FSM está inserida num contexto urbano, a solicitação de medicamentos veterinários ao longo do meu estágio consistiu praticamente em antiparasitários. Logo, o aconselhamento farmacêutico consistiu em prestar auxílio quanto à posologia a efetuar e alertar para medidas de profilaxia a cumprir no contacto com os animais acometidos por doença de origem parasitária. [10-12] 1.5.5 - Dispositivos médicos De acordo com DL nº 273/95, de 23 de outubro qualquer instrumento, aparelho, equipamento, material ou artigo utilizado isoladamente ou combinado, incluindo os suportes lógicos necessários para o seu bom funcionamento, cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por esses meios e seja
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 13! destinado pelo fabricante a ser utilizado em seres humanos para fins de diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença, de uma lesão ou de uma deficiência, estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico e controlo da conceção. Na FSM existem diversos dispositivos médicos que vão desde sistemas para aplicação parentérica, preservativos, material de puericultura, material de penso, termómetros, material ortopédico (meias elásticas, ligaduras elásticas de pulso e pés), tampões auditivos, artigos de drenagem, sacos coletores de urina, fraldas para incontinentes e acamados, e testes de gravidez ou ovulação. [13] 1.5.6 - Produtos de para alimentação especial e produtos dietéticos Segundo o estabelecido no DL 74/2010, de 21 de Junho, um produto dietético para uma alimentação especial consiste num produto alimentar que, devido à sua composição ou processos especiais de fabrico, se distingue claramente dos doze géneros alimentícios de consumo corrente, sendo adequado ao objetivo nutricional pretendido e comercializado com a indicacão de que correspondem a esse objetivo. Considera-se alimentação especial a que corresponde às necessidades nutricionais de pessoas cujo processo de assimilação ou metabolismo se encontra perturbado; que se encontram em condições fisiológicas especiais e que, por esse facto, podem retirar particulares benefícios da ingestão controlada de certas substâncias contidas nos alimentos; lactentes ou crianças de um a três anos de idade. A FSM também contém no seu stock este tipo de produtos, nomeadamente diferentes leites adequados às necessidades do bebé e que acompanham o seu crescimento, desde leites para lactentes, de transição, antirregurgitantes, hipoalergénicos, enriquecidos em ferro, antidiarreicos e antiobstipantes. Além de leites, também havia uma grande diversidade de farinhas com ou sem glúten e lácteas e não lácteas. Os produtos para as diferentes dietas entéricas não entéricas ou específicas e aqueles para melhorar o desempenho físico e intelectual ou produtos dietéticos usados para emagrecimento também constavam dos produtos existentes na farmácia. [14] 1.6 – DISPENSA DE MEDICAMENTOS A dispensa de MSRM numa farmácia como o próprio nome indica requer a apresentação de uma receita médica válida prescrita por um médico, médico dentista ou odontologista. O DL nº 176/2006, de 30 de agosto, distingue os diferentes tipos de receitas médicas:
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!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 15! deverá ser rosa ou verde se o utente for pensionista e a vinheta identificativa do médico prescritor deverá ser rosa ou amarela. De referir que as receitas médicas prescritas na RAM que sejam renováveis podem ser identificadas através da numeração do código de barras que se inicia por “7910” e as não renováveis por “7900”. Além deste pormenor, quanto à dispensa das receitas médicas prescritas na RAM, estas deverão ser tratadas em Portugal continental como receitas manuais e não necessitam da menção de regime de exceção da prescrição manual – regra obrigatória em Portugal Continental para as receitas prescritas manualmente. A partir de 15 de junho de 2014 entrou em vigor um modelo de receita médica diferente do que até então era usado na RAM (Anexo II), de modo a fazer a transição entre a receita médica manual e a eletrónica que será futuramente implementada. Na FSM não tive a oportunidade de visualizar este novo modelo, pois os modelos antigos utilizados pelos médicos prescritores ainda estarão em vigor até 31 de Dezembro de 2014. [15-17] 1.6.1 – Dispensa de MNSRM: Estes medicamentos são os mais utilizados ao nível da automedicação e indicação farmacêutica, revelando-se muito importante o acompanhamento e aconselhamento farmacêutico de modo a promover o uso racional dos mesmos junto do utente. • Automedicação Consiste na utilização de MNSRM de forma responsável para o tratamento e alívio de sintomatologia desconfortável sem gravidade, com o auxílio ou aconselhamento opcional de um profissional de saúde. No decorrer do estágio na FSM deparei-me com as situações mais comuns de atomedicação: gripes, constipações, tosse, dores de garganta, aftas, indigestão, prisão de ventre, diarreia, vómitos, hemorróidas, queimaduras solares, verrugas, dores musculares, entre outras. Além destas situações também apercebi-me da solicitação de MSRM para automedicação e a incredulidade das pessoas sempre que perguntava se tinham na sua posse receita médica, tendo ocorrido alguns casos de profundo desagrado pela minha relutância em não dispensar um MSRM. [18] • Indicação Farmacêutica Para ser realizada uma indicação farmacêutica adequada é necessário estabelecer uma boa comunicação com o utente, para que o farmacêutico consiga recolher toda a
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 16! informação essencial desde a sintomatologia, a fatores agravantes desta, a possível medicação que o utente esteja a tomar de modo a que seja identificado o problema para depois ser efetuada a escolha do tratamento ou medidas a realizar. Ao proceder à indicação farmacêutica, o farmacêutico tem de ter sempre presente a grande responsabilidade que recai sobre si, baseando-se nas Normas de Orientação Farmacêuticas, protocolos de indicação, guias clínicas e farmacoterapêuticas, garantindo sempre em última instância a qualidade, eficácia e segurança do medicamento a aconselhar ao utente. Havendo suspeitas de uma complicação mais grave, o farmacêutico tem a obrigação de encaminhar o doente para o médico para proceder-se a um diagnóstico médico. No meu estágio, aquando do surgimento destas situações procedia cautelosamente à análise da situação e muitas vezes pedia uma segunda opinião mais experiente, deixando o utente sempre ciente da sua situação, e o que fazer durante o tratamento aconselhado, quanto à posologia a adotar e possíveis reações adversas. [19] 1.6.2 – Dispensa de MSRM: • Prescrição médica e respetiva validação O farmacêutico, na RAM, tem de verificar se as receitas prescritas contêm as seguintes características válidas : – Número da receita e a sua representação em código de barras; – Vinheta identificativa do local da prescrição ou carimbo se for caso disso; – Identificação do médico prescritor (nome, especialidade médica, nº cédula profissional e vinheta identificativa); – Nome e número de utente ou número de beneficiário; – Prescrição por DCI - Denominação Comum Internacional – da substância ativa, forma farmacêutica, dosagem, apresentação e posologia; – Prescrição excecional pela denominação comercial do medicamento por marca ou indicação do nome do titular de AIM - Autorização de Introdução no Mercado – nos seguintes casos: o não existir medicamento genérico comparticipado; o o medicamento ter margem ou índice terapêutico estreito; o ao medicamento estar associada qualquer reação adversa;
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 17! o o utente ter intolerância a um determinado medicamento com devido fundamento e previamente reportado ao INFARMED; o duração do tratamento assim o exigir (superior a 28 dias); As receitas médicas que contenham estas exceções só podem conter um medicamento prescrito por receita, senão a receita é considerada nula. - Prescrição pela denominação comercial de apenas um medicamento e no caso de haver mais do que um medicamento prescrito pela denominação comercial a prescrição é considerada como efetuada por DCI, podendo o utente ter opção de escolha; – Dosagem, forma farmacêutica, posologia, dimensão e número de embalagens. Só poderão ser prescritos até quatro medicamentos distintos numa receita, e por cada medicamento só poderão ser prescritas até duas embalagens, no entanto aqueles medicamentos que se apresentam sob a forma unitária poderão ser prescritos até quatro embalagens iguais por cada receita; – Data de prescrição; – Assinatura do médico prescritor. Através destas características o farmacêutico consegue validar as receitas que os utentes trazem à farmácia para serem dispensadas, podendo posteriormente avaliar a medicação prescrita, de modo a identificar e resolver desconfortos relacionados com os medicamentos, protegendo o utente de possíveis efeitos adversos associados à medicação. [20] • Dispensa de medicamentos O farmacêutico, após verificar que a receita trazida pelo utente é válida, e interpretá-la deverá informar ao doente dos medicamentos disponíveis na farmácia com a mesma substância ativa, forma farmacêutica, apresentação e dosagem dos medicamentos prescritos. Na FSM sempre que uma receita não estava propriamente legível para leitura, aconselhava-me com algum farmacêutico ou técnico mais experiente, para que não cometesse qualquer erro na dispensa dos medicamentos. Além das possíveis apresentações dos medicamentos o farmacêutico também deverá informar quais os medicamentos comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde – SNS – e destes aqueles com preço mais baixo disponível no mercado.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 18! As farmácias deverão ter disponíveis para venda, no mínimo, três medicamentos com a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem correspondentes aos cinco preços mais baixos de cada grupo homogéneo. Devendo ser dispensado ao utente o medicamento de menor preço, ao não ser que a opção do utente seja outra. Salvo, as exceções referidas na prescrição excecional, o utente tem o direito de optar por qualquer medicamento que contenha a mesma DCI da substância ativa, forma farmacêutica e dosagem do medicamento constante da prescrição médica. Na venda propriamente dita, perguntava inicialmente ao utente se tinha ficha cliente na FSM, de modo a minimizar tempo no preenchimento dos dados. Posteriormente, os medicamentos eram passados por leitor ótico, para leitura dos códigos de barra, selecionava o regime e organismo comparticipante. Quanto ao regime comparticipante, na RAM, existem diversos regimes, sendo que o maior volume de receitas na FSM eram as comparticipadas pelo organismo 157 – Segurança Social ; 163 – Segurança Social para Pensionistas; 2 – ADSE (Direcção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funçõs Públicas) ; e 57 – ADSE para pensionistas. Após submeter o organismo comparticipante, eram impressos dois documentos, o correpondente à faturação da receita, rubricada pelo utente e no qual este cossentia a dispensa de medicamentos e toda a informação fornecida pelo farmacêutico; e um segundo documento correspondente à fatura/recibo, que era carimbada e rubricada pelo farmacêutico. No final, a receita dispensada era conferida e justificada se fosse o caso, rubricando. Na FSM também eram efetuadas vendas suspensas de um determinado medicamento a utentes com ficha cliente na farmácia, aos quais era entregue um comprovativo da venda e não uma fatura/recibo. A venda suspensa consiste numa venda em que a receita não é totalmente finalizada no momento, no caso do doente não querer levar toda a medicação constante na receita, ou quando o doente no momento não tem a prescrição médica mas precisa da medicação, procedendo à sua entrega posteriormente. Acontece exclusivamente para medicamentos usados em tratamentos prolongados e de uso crónico. No meu estágio, uma das tarefas que desempenhei foi a conferência técnica de receitas, o que se tornou bastante útil depois para o atendimento ao público, porque permitiu-me entrar em contacto com os nomes comerciais dos medicamentos e todos os organismos de comparticipação existentes, bem como os requisitos de cada um. Assim, no atendimento ao utente estava mais apta e mais confiante.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 25! acompanhada por aparecimento de placas avermelhadas – inflamação – prurido e formação de crostas – eczema. A progressão normal da DA é o aparecimento de xerose cutânea generalizada e dermatite flexural. A liquenificação da pele – dermatose com aspeto de líquen – também se observa, pois resulta da constante fricção da pele pelo indivíduo que se sente bastante incomodado. A barreira cutânea destes indivíduos encontra-se alterada, devido à diminuição de lípidos – ceramidas e esfingosina. Também se observa uma deficiente queratinização, pois ocorre diminuição da filagrina, proteína responsável pela formação da camada córnea, que constitui a primeira barreira de proteção da pele. A alteração da barreira cutânea é acompanhada pela perda transepidérmica de água, contribuindo diretamente para a severidade da DA. [31,32] • Explicação Imunológica Em termos imunológicos, os queratinócitos da epiderme de um indivíduo com DA reagem exageradamente aos alergénios, produzindo um perfil único de citoquinas, incluindo IL13, TSLP e quimioquinas. Estas promovem respostas inflamatórias predominantes Th2 nas lesões agudas da DA e inflamações Th1 na inflamação crónica. Mais especificamente, os alergenos são capturados e processados pelas células de Langerhans. As células apresentadores de antigénios da epiderme – APC – migram para Figura 4 – Regiões corporais mais afetadas pela DA [33]
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 26! os nódulos linfáticos e interagem com as células T promovendo então a imunidade Th2 levando à manifestação sistémica da alergia. • Explicação Bacteriológica A danificação da barreira cutânea poderá ainda ser mais comprometida pela grande colonização de Staphylococcus aureus observada na grande parte dos indivíduos com DA, já que os S. Aureus secretam superantigénios que estimulam os queratinócitos a produzir TSLP, agravando a resposta inflamatória Th2. Assim, a pele torna-se mais suscetível às agressões exteriores – alergénios, agentes microbianos, patogénios – havendo uma exacerbação da resposta do sistema imunológico a estes agressores. [29] 1.3.4 – Diagnóstico da DA Um individuo para ser diagnosticado com DA deve apresentar um conjunto de sintomas característicos: • Prurido ou esfregar a pele persistentemente nos últimos doze meses; E três ou mais dos seguintes sintomas: • Distribuição e morfologia típica ( < 1 ano de idade: zonas convexas – face, testa; > 1 ano de idade: pregas cutâneas - pescoço, cotovelos, atrás dos joelhos, debaixo dos braços; adulto: rosto, pescoço e mãos); • Asma ou historial de doença atópica na famíllia; • Xerose cutânea generalizada nos últimos 12 meses; • Manifestação dos sintomas antes dos 2 anos; • Dermatite visível. [34] 1.3.5 – Medidas minimizam sintomatologia A DA é uma dermatose complexa e sem cura, logo a terapia passa por tentar minimizar a sintomatologia muito incómoda a ela associada. Muitas vezes além de ser necessário utilizar mais do que um produto dermatológico para diminuir o desconforto dos diferentes sintomas, também é preciso ter em conta alguns aspetos que poderão despoletar a dermite, tentando sempre evitá-los para reduzir ao máximo eventuais crises – Esquema 1.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 27! Dermatite Atópica Evitar exposição solar ou usar protector solar se ocorrer exposição. Situação emocional do indivíduo: stress, ansiedade. Tipo de tecido das roupas, lençóis, toalhas. Alergenos variados: pêlo dos animais, pólen das plantas, pó, alimentos que causem alergias - ovo, chocolate. Evitar roupas apertadas, para não causar sobreaquecimento do indivíduo e consequente transpiração. Evitar determinados produtos de lavagem: lixívia, amaciadores. Esquema 1 – Fatores desencadeantes da DA Estes aspetos variam de caso para caso, e aos poucos o indivíduo com DA ou no caso das crianças, os seus pais, começa (m) a aperceber-se daquilo que desencadeia as suas crises, estando mais alerta e evitando expôr-se a tais desencadeadores. 1.3.6 – Cuidado diário de uma pele com DA A higiene do indivíduo com DA é essencial tanto para evitar que ocorram as crises agudas da DA como também para providenciar um maior conforto no dia a dia. Assim, o cuidado diário da pele através da hidratação e a adoção de algumas medidas de prevenção torna-se bastante importante. A rotina a efetuar pelo doente atópico passa por seguir determinadas regras: Higiene • O banho deverá ser o mais rápido possível para que a pele não seque ainda mais e a temperatura da água deve estar por volta dos 32-33ºC. • Utilizar unicamente água para a higiene diária. No entanto, para as zonas mais sujas - pregas cutâneas, genitais, pés - é aconselhado uma preparação à base de aveia ou "sem sabão", evitanto a fricção da pele
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 28! • Não usar esponjas ou luvas. Sendo preferível a dissolução de preparações à base de aveia e demais emolientes nos banhos e a aplicação manual do gel/creme, nos duches. • Ao secar a pele não é recomendado esfregá-la, mas sim secá-la suavemente, mantendo-a ligeiramente húmida. Hidratação • Depois do banho a aplicação de um creme hidratante é bastante importante, para a pele não secar. • Ter as mãos, os pés e os lábios sempre hidratados também é essencial, porque têm a tendência a ficar muito secos tal como as outras partes do corpo. Prevenção • Ter as unhas sempre cortadas, para evitar feridas ou arrancar a descamação. • Se existir alguma crise ativa, aplicar gazes na pele para impedir o coçar desta. • Usar tecidos o mais naturais possíveis – algodão – evitando as lãs ou fibras. [35,36] 1.3.7 Medidas farmacológicas Nas crises mais agudas e num tratamento com vista a estabilização a longo prazo da DA, a simples utilização de produtos emolientes não é suficiente. Daí recorrer-se a determinados fármacos de diferentes grupos farmacoterapêuticos para tentar minimizar ao máximo as manifestações atópicas. Assim, para aliviar os sintomas iniciais é adequado aplicações tópicas contento ureia, cânfora, mentol e toalhitas húmidas ou banhos tépidos. No alívio prolongado dos sintomas é aconselhado o uso de anti-histamínicos de primeira geração – hidroxizina. Se a sedação interferir muito no dia a dia do indivíduo, então o mais adequado é optar pelos de segunda geração – cetirizina, loratadina. Nas infeções baterianas devem ser utilizados antisséticos – cloro-hexidina, etanol, iodopovidona – e no prurido persistente o ideal é usar antipruriginosos – soluções de difenidramina e dalamina. Quando surge o eczema, assim que a pele cai e aparecem placas avermelhadas – inflamação – é aconselhado o uso de corticosteróides tópicos de baixa e média potência sob a forma de pomada para maior penetração – hidrocortisona e valerato de betametasona . Os inibidores da calcineurina também têm um papel fundamental quando
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 29! há resistência aos corticosteróides ou para diminuir os efeitos secundários em tratamentos de manutenção – tacrolímus e pimecrolímus. De referir que a galénica dos produtos dermatológicos a utilizar nos doentes atópicos será diferente de situação para situação. As pomadas são as mais adequadas para aplicação em superfícies secas, escamosas ou liquenificadas, pois são mais oclusivas. Os cremes são preferíveis nas áreas exsudativas ou húmidas e as soluções são as mais indicadas nas zonas pilosas ou em áreas pouco extensas como o couro cabeludo. [37] Controlar uma DA severa é muito desafiante, pois é necessário ter em conta a eficácia da terapia num curto espaço de tempo, para os sintomas agudos, não comprometendo a terapia com vista a estabilização da DA a longo termo. Aliando-se a todos estes aspetos também é necessário minimizar os efeitos secundários relacionados com a terapêutica. 1.3.8 Perspetivas futuras para a DA Nos mais recentes estudos efetuados sobre esta patologia foi observado que determinados compostos poderão ter uma ação benéfica na DA e contribuir para uma possível cura ou diminuição da sintomatologia associada. O composto K, ginsenósido proveniente do Panax ginseng, poderá ser um agente protetor no tratamento de condições de pele inflamatórias como a DA, pois apresenta atividade anti-inflamatória , minimizando a cascata inflamatória associada. Além deste, o uso de um lisado de Lactobacillus plantarum, probióticos provenientes do Kimchi, produto fermentado derivado da acelga e que faz parte da alimentação diária dos coreanos, apresentou boas perspetivas quanto à regulação da resposta inflamatória e melhoria significativa na hidratação, reparação e função da barreira cutânea. Estas pesquisas são muito recentes e não poderão constituir verdades absolutas em relação à patologia e a uma possível cura desta, mas contribuem para que se continue a explorar possíveis áreas de intervenção com vista à cura ou grande melhoria da qualidade de vida das pessoas com DA. [38 - 40] 1.4 – CONCLUSÃO A Dermatite Atópica foi um tema bastante estimulante na medida em que fez-me compreender melhor esta patologia e ficar a interessar-me ainda mais por ela, já que o meu conhecimento até à data sobre o tema era muito diminuto.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 30! Apercebi-me desde logo que a farmácia, estando bastante próxima das pessoas com DA e de pais de crianças com esta patologia, era um meio importante para a disponibilização de toda a informação acerca dos benefícios, riscos e limitações do tratamento, daí ter elaborado um guia essencial a explicar o assunto com linguagem corrente para que todos pudessem perceber melhor a DA. O guia foi muito bem recebido pelo utentes da FSM que se mostraram interessados em aprender um pouco mais sobre o tema, principalmente os pais de crianças com esta patologia. (Anexo VI) Estes pais, por diversas vezes entraram em contacto comigo para que lhes explicasse um pouco melhor como é que procediam com os seus filhos quando a sintomatologia estava mais ativa e o que fazer quando esta abrandasse. As mais diferentes dúvidas surgiram, desde que produtos deveriam utilizar às alterações do estilo de vida a efetuar. Tentei sempre esclarecer da melhor maneira e dar a conhecer todas as caraterísticas da patologia e informar que apesar não haver cura, a DA não era uma setença de morte, e que as crianças ou adultos com esta patologia poderiam ter qualidade de vida, desde que seguissem os conselhos por mim indicados e fizessem disso uma rotina diária. Apesar das minhas indicações, notei que, no geral, a opinião em relação à DA era muito pessimista, muito devido à clara falta de informação. Ainda assim, creio que ao desenvolver este trabalho, contribuí bastante para dissipar qualquer dúvida e melhorar a ideia que as pessoas tinham em relação à patologia. Concluindo, este tema teve os seus aspetos positivos e negativos ao longo da exploração deste. Por um lado, e tomando uma posição bastante positiva, pude esclarecer diversas dúvidas aos menos informados e pude aconselhá-los de modo a proceder da melhor maneira em cada caso, contribuindo bastante para evoluir profissionalmente, através do constante aconselhamento farmacêutico que providenciava. Por outro lado, se tivesse a oportunidade de explorar outro tema não hesitaria, pois apesar de ter aprendido muito sobre a Dermatite Atópica e, a meu ver, ter ajudado a nível informativo e formativo a comunidade, é um tema muito complexo. Não existe muita informação clara sobre a DA, pois a grande parte dos estudos efetuados são inconclusivos, tornando-se um pouco complicado explorar muito aprofundadamente um determinado tema relacionado com a patologia.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 31! HIGIENE ÍNTIMA 2.1 – ENQUADRAMENTO Assim que iniciei o meu estágio na FSM e comecei a perspectivar possíveis temas a desenvolver na farmácia, apercebi-me logo que teria de abordar e divulgar a Higiene Íntima. Este tema é muitas vezes negligenciado pela população e um claro tema tabu entre a nossa sociedade, fazendo com que determinadas dúvidas ainda persistam. Achei essencial desenvolver este assunto para que não restassem dúvidas e com isto contribuir para a educação da população. 2.2 – OBJETIVOS Com o desenvolvimento deste tema pretendo efetuar um panfleto com toda a informação importante sobre a Higiene Íntima. Estes panfletos serão distribuídos a cada pessoa no saco aquando da compra de determinado medicamento/produto na farmácia. Desta forma, acho que será a melhor maneira de dar a conhcer o assunto, pois no geral as pessoas não gostam de falar ou questionar o tema, assim será feito de modo discreto para que posteriormente se ainda persistirem dúvidas os utentes entrem em contacto comigo para eu poder auxiliá-los com qualquer duvida que tenham 2.3 – DISCUSSÃO Inexplicavelmente, em pleno século XXI a abordagem de determinados temas ainda constitui tabu na sociedade em que vivemos. A Higiene Íntima faz parte desse leque de assuntos em que a população, no geral, não se sente confortável para abordar aquando do surgimento de dúvidas. Os tecidos da zona íntima, tanto da mulher, como do homem são muito sensíveis. Como tal, a sua correta higiene é um procedimento necessário e natural. Muitas vezes a incorreta ou precária higiene ou mesmo a aplicação de produtos inadequados na zona genital origina um desequilíbrio da flora local, ocorrendo irritações e favorecendo infeções.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 32! 2.3.1 – Flora íntima Focando-me na Higiene Íntima da mulher, a flora vaginal equilibrada é fundamental para que a zona íntima se mantenha saudável, já que contribui como importante defesa da mulher contra possíveis infeções originadas por micro-organismos externos ao meio – doenças sexualmente transmissíveis, meio fecal – ou mesmo micro-organismos locais, presentes na cavidade vaginal. Esta flora é constituída por Lactobacilus sp. - bacilos de Döderlein - bactérias, que quando em desequilíbrio são responsáveis por sintomatologia desconfortável – prurido, ardor, corrimentos abundantes, irritações, dores nas relações sexuais. Este desequilíbrio ocorre devido a alguns fatores como a toma de antibióticos, relações sexuais desprotegidas, uso de roupa interior muito apertada, lavada com amaciadores irritantes ou composta por tecidos sintéticos, tabaco, mudanças hormonais nas diferentes fases da vida, meios quentes e húmidos, stress e uma higiene íntima inadequada ou excessiva. Para re-equilibrar a flora danificada por estes fatores é aconselhado o uso de probióticos, constituídos pelas bactérias que se encontram naturalmente presentes no meio, preservando o equilíbrio fiisiológico local. Hoje em dia existem já inúmeros probióticos ao dispor da mulher sob a forma de cápsulas, óvulos ou mesmo tampões. [41] 2.3.2 – Infeções vaginais Muitas das infeções vaginais ocorrem devido à precária higiene da mulher, de entre as quais destaco a vaginite ou infeção bacteriana, a tricomoníase e a vulvovaginite ou candidíase vulvovaginal. • Vaginite ou Infeção bacteriana A vaginite consiste na diminuição da produção do peróxido de hidrogénio pelos Lactobacillus sp. Este é um fator protetor da mucosa vaginal, impedindo o crescimento de organismos patogénios. Se a síntese do peróxido de hidrogénio for reduzida, ocorre o crescimento de bactérias anaeróbias – Prevotella sp. Mobiluncus sp, Gardenella Vaginalis, Ureaplasma – responsáveis pelo desenvolvimento da infeção bacteriana. É a infeção mais comum na mulher em período fértil e é muitas vezes assintomática, sendo caraterizada pelos seguintes sintomas: - corrimento acinzentado ou amarelado com cheiro desagradável a peixe; - ardor e vermelhidão locais; - pH do fluido vaginal > 4.5;
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 33! - existência de fluido vaginal de pouca espessura e branco na parede vaginal. Geralmente estes sintomas agravam-se após as relações sexuais, a existência de múltiplos parceiros sexuais, a gravidez, o DIU (dispositivo intra-uterino), a lactação, os duches vaginais ou os desequilíbrios na flora vaginal, sendo estes considerados fatores que predispoêm a ocorrência de infeções. o Guidelines farmacológicas O tratamento farmacológico é recomendado às mulheres sintomáticas e também é adequado às grávidas, para diminuir os sintomas ou sinais de infeção. A terapia farmacológica passa pela administração de: ou metronidazol oral, ou tinidazol oral, ou metronidazol sob a forma de gel, ou mesmo pela clindamicina em creme. De referir que é essencial alertar às acometidas que se eventualmente efetuarem a terapia à base de clindamicina em creme é necessário ter um cuidado redobrado ao nível do uso de preservativos à base de látex ou de diafragmas, com risco de não estarem protegidas aquando de uma relação sexual durante os cinco dias posteriores ao tratamento. o Resistências associadas à terapia Algumas mulheres apesar de efetuarem a terapia farmacológica adequadamente, ou seja dose e duração necessária, sofrem recidivas da infeção bacteriana tornando-se resistentes à terapia. Isto ocorre muitas vezes devido à associação de organismos anaeróbios que colonizam a mucosa vaginal ou mesmo devido à quantidade de Lactobacillus sp. que não é produzida novamente de forma eficaz. Nestes casos de vaginite recidiva, a clindamicina é clinicamente mais eficaz que o metronidazol. [42-44] • Tricomoníase É considerada uma infeção sexualmente transmissível causada por um protozoário – Trichomonas vaginalis – que se multiplica depois da infeção devido à temperatura, baixa concentração de oxigénio e humidade caraterísticas da vagina. É o trofozoíto do T.vaginalis que é responsável pela sintomatologia caraterística e pela sua transmissividade, que ocorre por contato sexual com um parceiro infetado ou, raramente, por contato com fómites – toalhas, assentos de saunas, entre outros. Isto ocorre, pois os trofozóitos do T. vaginalis permanecem viáveis fora do hospedeiro algumas horas desde que haja humidade suficiente. Além deste pormenor, uma precária higiene pode aumentar a probabilidade de infeção já que leva à irritação da mucosa genital, fazendo com que a área lesada seja o local ideal para o Trichomonas vaginalis se anexar às
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 34! células do hospedeiro. Geralmente a mulher jovem está mais suscetível à tricomoníase, sendo os fatores que predispoêm à ocorrência desta infeção os seguintes: - actividade sexual; - existência de vários parceiros sexuais; - gravidez; - menopausa. A esta infeção estão associados sintomas bastante caraterísticos como corrimento vaginal profuso ou espuma vaginal – corrimento amarelo-esverdeado espumoso com odor desagradável –, disúria, spotting entre menstruações e prurido. Nas mulheres grávidas uma infeção por T.vaginalis pode levar ao parto prematuro, sendo perene o seu tratamento. o Guidelines farmacológicas O tratamento deve ser feito pela mulher e pelo parceiro e durante a infeção é fundamental informar que o uso de preservativo nas relações sexuais é fundamental. Aquando de uma tricomoníase, o tratamento consiste na administração de metronidazol e tinidazol ambos oralmente, pois no caso do seu uso sob a forma de gel, a eficácia do tratamento torna-se menor. No caso de mulheres grávidas a estas deverá ser administrado metronidazol. o Resistências associadas à terapia As mullheres infetadas com tricomoníase deverão ser seguidas três meses após a primoinfeção, pois a probabilidade de recidiva é muito elevada. Esta re-infeção ocorre pela prática de relações sexuais com um parceiro não tratado ou pela diminuição da eficácia do fármaco, principalmente do metronidazol. Para colmatar este fato, é necessário um novo tratamento com uma dose maior de metronidazol ou optar pelo tinidazol. [42,45,46] • Vulvovaginite ou Candidíase vulvovaginal A par da vaginite, a candidíase é uma das infeções vaginais mais comuns. Esta infeção é provocada, na maioria dos casos, pelo Candida albicans. Este fungo necessita de condições de humidade favoráveis ao seu desenvolvimento. No corpo humano é encontrado na boca, na vagina, no aparelho gastrointestinal e na pele . Normalmente é inofensivo para a saúde, pois mantém-se nos tecidos em quantidades reduzidas. No
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 41! [21] Decreto-Lei n.o 270/2002, de 2 de dezembro. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 25de junho de 2014) [22] Decreto Lei n.º 106-A/2010, de 1 de outubro. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 25 de junho de 2014) [23] Decreto-Lei nº 15/93, de 22 de janeiro. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 25 de junho de 2014) [24] Decreto Regulamentar nº 28/2009 de 12 de outubro. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 25 de junho de 2014) [25] Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de agosto. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 25 de junho de 2014) [26] Portaria nº 594/2004, de 2 de junho. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 28 de junho de 2014) [27] Portaria nº769/2004, de 1 de julho. Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 28 de junho de 2014) [28] Portaria nº 193/2011, de 13 de maio . Acessível em www.infarmed.pt (acedido a 28 de junho de 2014) [29] Darsow U, Raap U, Stander S. (2014) Itch: Mechanisms and Treatment, Atopic Dermatitis Boca Raton (FL): CRC Press; 3:1-11. [30] Spergel JM. (2010) From atopic dermatitis to asthma: the atopic march. Ann Allergy Asthma Immunol; 105: 99-106. [31] Palmer CN, Irvine AD, Kwiatkowski AT, Zhao Y, Liao H, Lee SP, et al. (2006) Common loss-offunction variants of the epidermal barrier protein filaggrin are a major predisposing factor for atopic dermatitis. Nat Genet; 38:441-6.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 42! [32] Kezic S, Kemperman PM, Koster E, Jongh CM, Thio HB, Campbell LE, et al. (2008) Loss-offunction mutations in the filaggrin gene lead to reduced level of natural moisturizing factor in the stratum corneum. J Invest Dermatol; 128:2117-9. [33] Figura 4, adaptada de: My sensitive skin care: Treating eczema. Acessível em http://www.mysensitiveskincare.com/treating-eczema.html#axzz36ayX1UbD (acedido a 28 de maio de 2014) [34] Williams HC, Burney PG, Hay RJ, Archer CB, Shipley MJ, Hunter JJ, et al. (1994) The U.K. working party's diagnostic criteria for atopic dermatitis. I. Derivation of a minimum set of discriminators for atopic dermatitis. Br J Dermatol; 131:383-96. [35] Meda Pharmaceuticals – Dermatology, Elidel. Acessível em: http://www.medapsm.com/dermatology/elidel/view-and-print-leaflets/patient-support-leaflet--all-aboutatopic-eczema/ (Acedido a 20 de Maio de 2014) [36] Dodot – Dermatite atópica. Acessível em : http://www.dodot.pt/artigos/- /info/details/content.58957/dermatite-atopica/ (Acedido a 20 de maio de 2014) [37] INFARMED – Formulário navegação. Acessível em: https://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=427(Acedido a 20 de maio de 2014) [38] Lee CS; Bae IH; Han J; Choi GY; Hwang KH; Kim DH; et al (2014) Compound K inhibits MMP-1 expression through suppression of c-Src-dependent ERK activation in TNF-α-stimulated dermal fibroblast. Experimental Dermatology [39] Kim H; Kim HR; Jeong BJ; Lee SS; Kim TR; Jeong JH; et al (2014) Effects of oral intake of Kimchi-derived Lactobacillus plantarum K8 lysates on skin moisturizing. J Microbiol Biotechnol. [40] Probióticos L.plantarum K8 e Lactocall-K Acessível em: http://www.ambio.co.kr/eng/sub01/sub01_13.html?chk_codea=1&chk_codeb=1(Acedido a 1 de agosto de 2014)
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 43! [41] Saforelle – dicas de saúde, mulher. Acessível em: http://www.saforelle.com/ptpt/dicas-de-saude/ (Acedido a 20 de maio de 2014) [42] CDC – Centers for Disease Control an Prevention – Sexually Transmitted Diseases. Acessível em http://www.cdc.gov/std/treatment/2010/vaginal-discharge.htm (acedido a 18 de agosto de 2014) [43] Wang B, Xiao BB, Shang CG, Wang K, Na RS, Nu XX, et tal (2014) Molecular analysis of the relationship between specific vaginal bacteria and bacterial vaginosis metronidazole therapy failure. Eur J Clin Microbiol Infect Dis.10:1007-1096 [44] Nagaraja P, (2008) Antibiotic resistance of Gardnerella vaginalis in recurrent bacterial vaginosis. Indian J Med Microbiol. 26(2):155-7. [45] Trichomoniasis: Causes, Symptoms & Treatment. Acessível em: http://educationportal.com/academy/lesson/trichomoniasis-causes-symptoms-treatment.html#lesson (acedido a 20 de agosto de 2014) [46] Seña A, Bachmann L, Hobbs M, (2014) Persistent and recurrent Trichomonas vaginalis infections: epidemiology, treatment and management considerations. Expert Rev Anti Infect Ther 2(6):673-85 [47] Águas F, Silva D, (2012) Revisão dos consensos em infecções vulgovaginais Sociedade Portuguesa de Ginecoologia 3:40-50 [48] Médicos de Portugal - A higiene íntima da mulher. Acessível em: http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/utentes/mulher/a_higiene_intima_na_mulher_1/1 (acedido a 25 de maio de 2014) [49] Zodzika J, Rezeberga D, Jermakova I, Vasina O, Vedmedovska N, Donders G. (2011) Factors related to elevated vaginal pH in the first trimester of pregnancy. Acta Obstet Gynecol Scand. 90:41-6 [50] Wilks M, Wiggins R, Whiley A, Hennessy E, Warwick S, Porter H, et al Identification and H2O2 Production of Vaginal Lactobacilli from Pregnant Women at High Risk of Preterm Birth and Relation with Outcome. J"Clin Microbiol. 42(2): 713–717!
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!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 49! Anexo V
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!São!Martinho!|!Abril;Julho!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 50! Anexo VI ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 1! 1 - INTRODUÇÃO Ao escolher realizar parte do estágio em farmácia comunitária ao abrigo do programa de intercâmbio ERASMUS, tinha como ideia principal vivenciar outra realidade da farmácia de oficina que não a que já conhecia de outras experiências, que havia realizado nas farmácias portuguesas em anos anteriores. Tentar perceber melhor o sistema de saúde da Comunidade de Madrid e a forma como as farmácias madrilenas funcionam, fez parte dos meus objectivos quando me candidatei. A partir do momento que o fiz e comecei a pensar mais aprofundadamente no assunto, a dúvida e a ansiedade apoderaram-se de mim. Como é que noutro país iria agir perante determinadas situações com os utentes na farmácia e principalmente a falar outra língua que não o português? O espanhol não me era completamente estranho, no entanto o Farmacêutico ao zelar pela saúde dos utentes tem de dar sempre o seu cunho pessoal no momento de aconselhá-los, e a barreira linguística era dos pormenores que mais me afligia. Resolvi por de parte a apreensão inicial e pensar no que poderia obter de benéfico com esta experiência. A oportunidade de aprender com outros profissionais e assim evoluir nos meus conhecimentos, bem como conseguir ultrapassar eventuais obstáculos, seria com certeza uma mais valia para o meu futuro tanto a nível pessoal como profissional. Além destes factos, viver noutra cidade tão agitada e moderna como Madrid com outra cultura e costumes fez-me ainda mais ter a certeza que tinha feito a escolha acertada. Esta nova etapa será com certeza uma mais valia para mim e tem tudo para dar pelo melhor.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 2! 2 - FARMÁCIA JUAN TRILLEROS JIMÉNEZ ! Figura 1 – Farmácia Juan Trilleros Jiménez A farmácia Juan Trilleros Jiménez (figura 1), situada na Calle Juan Alonso 6, apesar de pequena é ideal para o local que se encontra, Carabanchel, um distrito de Madrid com muitos imigrantes e muito próxima do Hospital Militar Gómez Ulla. Os pacientes habituais da farmácia são idosos que já vêm desde sempre com a sua família ou pacientes que vão a consultas no Hospital Militar. Hoje-em-dia já não realiza formulações magistrais nem análises clínicas, no entanto não deixa de prestar os serviços essenciais à comunidade com o maior rigor e profissionalismo. O seu período laboral é de 12h, das 9:30-21:30h. A equipa técnica da farmácia é formada por 3 farmacêuticos: • Juan Trilleros Jiménez – Director Técnico • Maria Pilar Estaire • Tatiana Alonso Cuenca
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 3! 3LIVROS OFICIAIS E OBRIGATÓRIOS Libro Recetario Oficial Livro oficial obrigatório nas farmácias de oficina em que se regista tudo o que é realizado na farmácia relativo a: • Medicamentos que incluam substâncias psicotrópicas, estupefacientes • Fórmulas magistrais – não são efectuadas na Farmácia Juan Trilleros Jiménez • Medicamentos de especial controlo médico Deverá ser preenchido com a data da venda, o número de receituário, a especialidade farmacêutica, o nome do médico, o seu número de Colegiado, o DNI da pessoa ou o seu CIP e por fim ser assinado pelo farmacêutico responsável. Libro Oficial de Contabilidad de Estupefacientes Livro obrigatório na farmácia comunitária que contém duzentas páginas numeradas em que se faz o registo de todos os estupefacientes existentes na farmácia. Todas as entidades que fabriquem, distribuam ou dispensem substâncias ou medicamentos estupefacientes terão de anotar todos os estupefacientes movimentados, mantendo-o obrigatoriamente actualizado. Para cada inscrição efectuada no livro deverá ser anotado: o medicamento, a dose, a quantidade de embalagens, a data, nº da receita, o nome do paciente e o seu número de DNI. No início de cada ano civil deverá ser enviado um relatório indicativo de todas as entradas e saídas de estupefacientes à Seccion de Control de Estupefacientes da Dirección General de Farmacia. Real Farmacopea Española Em todas as farmácias da Comunidade de Madrid é obrigatório a sua existência. A Farmacopea estabelece a qualidade que devem cumprir todos os princípios activos e excipientes que entram na composição dos medicamentos para uso humano e veterinário.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 4! Formulario Nacional Documento oficial e obrigatório que fixa todas as especificações para as matérias-primas que integram a composição do medicamento e estabelece procedimentos padrão para a preparação de Preparados Oficinais e Fórmulas Magistrais. [1] 4 - DISPENSA DE MEDICAMENTOS 4.1 - RECEITA MÉDICA Documento de carácter sanitário, normalizado e obrigatório, pelo qual os médicos, médicos dentistas, médicos veterinários ou podólogos legalmente autorizados para tal e no âmbito das suas competências, prescrevem aos pacientes os medicamentos ou produtos sanitários sujeitos a prescrição médica para que sejam dispensados por um farmacêutico ou sob a supervisão deste nas farmácias de oficina ou qualquer outro estabelecimento devidamente autorizado para a dispensa de medicamentos. [2] A receita médica é composta por duas partes: o corpo da receita – guardado pela farmácia durante 3 meses - e a folha de informação ao paciente – entrega obrigatória ao paciente. Existem os seguintes tipos de receitas médicas: ! Consejería de Sanidad – SNS ( figura 2) Figura 2 – Receita SNS
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 5! ! MUFACE (figura 3) Figura 3 – Receita MUFACE ! MUCEJU ! Seguro Libre e Mútuas de Accidente de Trabajo ! Privadas ! ISFAS (figura 4) Figura 4 – Receita ISFAS Pela Farmácia Juan Trilleros Jímenez passam todos os tipos de receitas médicas, de destacar as referentes ao SNS e as ISFAS, já que muito próximo da farmácia se encontra o Hospital Militar Gómez Ulla.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 6! 4.2 – REQUISITOS DA RECEITA (esquema 1) Nas receitas médicas é necessário ter em conta os seguintes aspectos: RECEITA MÉDICA Esquema 1 – Dados a constar nas receitas médicas Em relação à data de prescrição, é necessário salientar que as receitas têm um prazo de validade de 10 dias, a partir da data de prescrição ou da data em que foi realizado o visto de inspecção. No que concerne ao visto de inspecção, este só poderá ter data igual ou posterior à data de prescrição e é necessário em determinadas especialidades farmacêuticas ou produtos de carácter sanitário, como as especialidades farmacêuticas inibidoras da HMG CoA reductase, – hipercolesterolemia familiar - meias de compressão, entre outros exemplos. Além do visto de inspecção existe o auto-visto que é realizado pelo próprio médico prescritor para as receitas referentes a antipsicóticos de 2ª geração para maiores de 75 anos ou fraldas para incontinência urinária. MÉDICO PRESCRITOR • nome, apelidos e assinatura do médico prescritor • contacto telefónico, correio electrónico • local de exercício de funções • nº de colegiado e Colégio a que pertence • data de prescrição • CIAS ! FARMÁCIA • SOE • nome e apelidos do titular • direcção • NIF ou CIF • data de dispensa • assinatura do farmacêutico MEDICAMENTO • medicamento prescrito segundo DCI ou marca comercial • forma farmacêutica e via de administração • posologia – nº de unidades por toma, frequência e duração do tratamento • nº de unidades do medicamento e nº de embalagens • data de dispensa da receita PACIENTE • nome, apelidos e ano de nascimento • CIP • TSE ou CPS • TSI • DNI • NIE • nº passaporte Pública Privada Pública
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 7! 4.3 – ANULAÇÃO DAS RECEITAS Existem diferentes possibilidades de anulação ou devolução das receitas já facturadas: : CAUSAS DE ANULAÇÃO TOTAL: receitas sem cupão do medicamento, corrigidas, prazo de validade superior a 10 dias, sem visto de inspecção, com falta de dados do médico prescritor, substituição do medicamento genérico por medicamento de marca, entre outros. : CAUSAS DE ANULAÇÃO PARCIAL: receitas facturadas a PVP diferente, dispensa de um medicamento / produto sanitário em quantidade superior ao prescrito. : CAUSAS DE DEVOLUÇÃO SEM ANULAÇÃO: receitas com ausência de dados da farmácia – assinatura do Farmacêutico, data de dispensa, identificação da farmácia. Até ao momento, nas farmácias de oficina de Madrid, foi utilizado o sistema de prescrição e dispensa de receitas acima descrito. A partir de Junho do ano corrente será obrigatório a implementação em todas as farmácias da receita electrónica, em que o Médico fará a prescrição da receita informaticamente e o Farmacêutico através do cartão de saúde do paciente acederá via sistema informático à prescrição, efectuando assim a dispensa do medicamento. Com isto, os doentes deixam de ir mensalmente ao médico para renovação das receitas, pois o médico fará a renovação informaticamente a partir do seu consultório. Só aquando da revisão da terapia é que os doentes terão de se deslocar ao consultório médico, tornando-se uma situação muito mais cómoda do que a actual, em que por vezes os pacientes esperam horas para serem atendidos nos centros de saúde. [1] 4.4 – ESTUPEFACIENTES São substâncias derivadas da cocaína, cannabis e heroína que actuam directamente no sistema nervoso central, estimulando-o ou deprimindo-o, sendo utilizadas como analgésicos ao nível clínico em áreas como a Oncologia . Os estupefacientes, apesar de apresentarem indicações terapêuticas muito benéficas para determinadas patologias apresentam riscos, já que causam dependência química, física e habituação, daí estarem obrigatoriamente regulados e com vigilância muito apertada pelas entidades competentes, de modo a não haver uso ilegítimo destes. [3]
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 8! Os estupefacientes só podem ser dispensados mediante a apresentação de receita oficial de estupefacientes – ROE (figura 5)– , concedida ao paciente por médicos legalmente autorizados. Ao receber a ROE, o Farmacêutico deverá verificar se na receita consta a prescrição de um só medicamento, se o tratamento corresponde somente a um máximo de 3 meses e se o número de embalagens não excede as 4 unidades. Além disto, deverá apontar o DNI e a direcção do paciente na receita e carimbar, assinar e guardar a receita durante 3 meses, que depois é enviada ao COFM que por sua vez envia à Consejeria de Sanidad. Figura 5 – Receita Oficial de Estupefacientes Para adquirir a substância ao armazenista, o Farmacêutico a partir dos dados da ROE necessitará de preencher um vale de estupefacientes onde deverá completar todos os dados do paciente e do médico. Este vale (figura 6) depois é entregue em mão ao distribuidor, para haver maior controlo e segurança. Posteriormente é necessário registar no Livro de Contabilidade de Estupefacientes a dispensa efectuada. [4] Figura 6 – Vale de estupefacientes
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 9! 4.5 – SIMBOLOGIA DA CARTONAGEM DOS MEDICAMENTOS Em Espanha, os medicamentos contêm na sua cartonagem duas faces principais, cujos cantos superiores direitos e ao lado ou por baixo do código nacional referente ao artigo em questão, contêm determinadas simbologias com informação importante sobre o medicamento. Aqueles que não contenham embalagem exterior contêm a sua simbologia no acondicionamento primário. Os seguintes símbolos e siglas são exemplos dos possíveis de encontrar na cartonagem: Símbolos Dispensa sujeita a prescrição médica Dispensa sujeita a receita médica oficial de estupefacientes Medicamentos que contêm substâncias psicotrópicas Conservação no frigorífico Caducidade inferior a 5 anos Medicamentos que poderão reduzir a capacidade de conduzir ou de utilizar maquinaria perigosa Medicamentos que poderão produzir fotossensibilidade PA ou Medicamento de recente autorização (menos de 5 anos) Siglas ECM: Medicamentos de especial controlo médico EFP: Medicamento Publicitário EFG: Medicamento Genérico TLD: Tratamento de larga duração (medicamentos de dispensa renovável) As especialidades farmacêuticas, substâncias medicinais e demais artigos financiados pelas diferentes entidades contêm na sua cartonagem um cupão picotado (figura 7). Este cupão é extraído do artigo para ser aderido à receita de modo a comprovar a sua dispensa. Neste cupão deverão figurar diversas siglas e símbolos com determinados significados entre os quais os seguintes exemplos:
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jiménez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 10! ASSS: Medicamento financiado pela segurança social Dispensa somente com visto de inspecção. Poderá conter no canto superior direito um I, referente a visado de inspecção para doenças crónicas; e um E para antipsicóticos para pessoas com idades superiores a 75 anos. ●: Contribuição reduzida EQ: especialidade bioequivalente Além desta simbologia deverá conter a seguinte informação: 4.6 – PROCEDIMENTO PADRÃO PARA DISPENSA DE UM MEDICAMENTO O Farmacêutico, no exercício da sua profissão tem como responsabilidade a dispensa de medicamentos de forma íntegra e profissional. Para a realizar de acordo com os critérios básicos de uso racional de medicamentos, o Farmacêutico deverá garantir que os pacientes tenham toda a informação necessária sobre o medicamento que recebem, que o utilizem de forma adequada, na posologia adequada, segundo as suas características individuais e durante o tempo necessário de tratamento. Assim, são necessárias determinadas advertências por parte do Farmacêutico aos seus pacientes se for caso disso: • Medicamentos cujo prazo de validade esteja próximo de caducar • Necessidade de conservar medicamentos termolábeis no frio • O curto período de utilização de determinados medicamentos – colírios, medicamentos que sejam necessários reconstituir - Nome do artigo - Laboratório fabricante - Dose - Forma farmacêutica - Quantidade de doses - Código nacional - código de barras para leitura informática com 13 dígitos ! Figura 7 – Cupão informativo do medicamento
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jímenez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 17! 6 - CONCLUSÃO Finalizado o estágio e analisando os últimos 3 meses é com enorme satisfação que vejo que o desafio a que me propus foi completamente superado. As farmácias de Madrid apesar de logisticamente diferentes das portuguesas regemse pelos mesmos princípios, como tal esta primeira experiência no mundo laboral foi excelente para o que se advinha quando chegar a Portugal. Assim, só tenho a agradecer a todas as pessoas que me acompanharam na farmácia Juan Trilleros Jiménez pela dedicação e empenho que sempre me concederam fazendo com que a minha estadia em Madrid se tornasse ainda mais agradável e inesquecível. Tudo o que aprendi, as pessoas que conheci e aquilo que vivi vou levar para sempre comigo e tenho a certeza que me fizeram crescer tanto a nível profissional como pessoal. Hoje, consigo afirmar que a minha decisão em fazer parte do estágio em farmácia comunitária em Madrid ao abrigo do programa ERASMUS foi das melhores decisões que tomei.
!!!Relatório!de!Estágio!! !!!!!!!Farmácia!Juan!Trilleros!Jímenez!|!Janeiro!:!Abril!2014! ! Faculdade!de!Farmácia!da!Universidade!do!Porto!|!!Mestrado!Integrado!em!Ciências!Farmacêuticas! 18! 7 - REFERÊNCIAS [1] Peinado, I; Fernández R; Boroblo, A; Rios, P; Estevan; Grillo, F; Martínez, M (2012) Manual de Prácticas Tuteladas en Oficina de FarmáciaBellisco Ediciones Técnicas y Científicas, 1ª Edición Madrid [2] Real Decreto 1718/2010, de 17 de diciembre, sobre receta médica y órdenes de dispensación. Acessível em: http://www.boe.es/diario_boe/txt.php?id=BOE-A-20111013 (Acedido a 4 de março de 2014) [3] Psicotrópicos e Estupefacientes Publicações #22 abril 10. Acessível em www.infarmed.pt ( Acedido a 14 de março de 2014) [4] Real Decreto 1675/2012, de 14 de deciembre - Estupefacientes: nueva normativa sobre recetas oficiales de estupefacientes para uso humano y veterinário. Acessível em: http://www.boe.es/diario_boe/txt.php?id=BOE-A-2012-15711 (Acedido a 14 de março de 2014) [5] Ley 19/1998, de 25 de noviembre, de Ordenación y Atención Farmacéutica de la Comunidad de Madrid. Acessível em: http://www.madrid.org/wleg/servlet/Servidor?cdestado=P&nmnorma=428&opcion=Ve rHtml (Acedido a 14 de março de 2014) !