Relatório de Estágio realizado na Farmácia Palmeira
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i Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Palmeira Janeiro de 2015 a Abril de 2015 André Tarrio Fernandes Orientador: Dr. Joaquim Pena Lopes _______________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutor (a) Glória Queirós _______________________________ Setembro de 2015
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes ii Declaração de Integridade Eu, André Tarrio Fernandes, abaixo assinado, nº 201007154, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de Setembro de 2015 ______________________________________ (André Tarrio Fernandes)
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes iii Agradecimentos Toda a experiencia e conhecimentos adquiridos ao longo de três meses de estágio só foram possíveis graças à excelente equipa que opera todos os dias na Farmácia Palmeira (FP). É um enorme orgulho ter feito parte da equipa fantástica que é um exemplo de profissionalismo e dedicação para a comunidade de que serve há 10 anos. Em primeiro lugar agradeço ao Dr. Joaquim Pena Lopes pela oportunidade em estagiar na FP e por tudo o que me ensinou, inclusive as várias facetas da profissão. Não posso deixar de agradecer à Dra. Andreia Costa e Dra. Rosária Barros por estarem sempre disponíveis para qualquer dúvida ou assunto, pela dedicação excecional e pelos muito bons momentos passados durante este estágio. De seguida quero agradecer a todos os amigos que conheci graças a esta caminhada de cinco anos inesquecíveis, por todas as histórias, risos, lutas, quedas, e acima de tudo por serem todos tão diferentes e insubstituíveis. Por final, e o maior obrigado de todos, para toda a minha família e namorada, que sem o seu apoio e motivação não seria possível alcançar todos os meus objetivos.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes iv Resumo No término do plano de estudos do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (MICF) encontra-se o estágio curricular, de pelo menos três meses em farmácia comunitária. A Farmácia Palmeira (FP) foi responsável por me acolher, sob a orientação do Dr. Joaquim Pena Lopes, durante três meses. O relatório atual está organizado em duas partes e tem como finalidade descrever de forma detalhada as atividades realizadas no âmbito do estágio curricular. Assim, na primeira parte é efetuada uma descrição do funcionamento da farmácia e de todas as atividades realizadas pelo farmacêutico, bem como todas as vertentes que um farmacêutico tem que assumir. Na segunda parte são abordados os projetos que tive a oportunidade de participar. Começando então pelas sessões de esclarecimento e folhetos informativos acerca da proteção solar realizadas na Escola Secundária Henrique Medina, seguindo-se trezes sessões de esclarecimento sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) no âmbito da Educação Sexual do Ministério da Educação. Realizei ainda uma recolha de informação em três farmácias do conselho de Esposende sobre os medicamentos mais devolvidos na sua totalidade comparativamente aos devolvidos no final do seu prazo de validade. Por fim, foram distribuídos na FP dois inquéritos acerca automedicação e suplementos alimentares respetivamente. Todas as atividades e projetos desenvolvidos permitiram contactar com diversos profissionais de saúde e trabalhar com diversas farmácias simultaneamente. Ainda para mais, as sessões de esclarecimento com os jovens foram bastante enriquecedoras, pois abordei um lado educacional diferente de todos os que já tinha entrado em contacto.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes v Índice Parte I – Descrição de atividades desenvolvidas no estágio .................. 1 1.Introdução ................................................................................................ 1 2.Farmácia Palmeira ................................................................................... 2 2.1.Localização e Organização .......................................................... 2 2.2.Recursos Humanos ...................................................................... 2 2.3.Horário de Funcionamento ........................................................... 2 2.4.Utentes ......................................................................................... 2 3.Gestão da Farmácia ................................................................................. 3 3.1.Sistema Informático ...................................................................... 3 3.2Encomendas e Aprovisionamento ................................................. 3 3.3.Receção de Encomendas ............................................................ 4 3.4.Armazenamento ........................................................................... 5 3.5.Controlo dos Prazos de Validade e Verificação Física de Stocks 5 3.6.Devoluções e Reclamações ......................................................... 6 4.Dispensa de Medicamentos .................................................................... 6 4.1.Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) ..................... 7 4.2.Dispensa de Medicamentos Sujeitos a Receita Médica ............... 9 4.3.Medicamentos Genéricos ............................................................. 9 4.4.Medicamentos Sujeitos a Legislação Especial – Psicotrópicos e Estupefacientes .......................................................................................... 10 4.5.Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) ......... 11 4.6.Produtos de Cosmética e Higiene Intima ................................... 11 4.7.Dispositivos Médicos, Puericultura e Obstetrícia........................ 12 4.8.Produtos e Medicamentos de Uso Veterinário ........................... 12 4.9.Medicamentos Homeopáticos .................................................... 13 4.10.Suplementos Alimentares, Produtos Fitoterápicos, Alimentação Especial e Nutrição Infantil ......................................................................... 13 4.11.Medicamentos e Produtos Manipulados .................................. 15 5.Aconselhamento Farmacêutico ............................................................ 15 6.Automedicação ...................................................................................... 16 7.Outros Serviços Prestados ................................................................... 17 8.VALORMED ............................................................................................ 17 9.Considerações Finais ............................................................................ 17
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes vi Parte II – Casos de Estudo ....................................................................... 19 1.Proteção Solar ....................................................................................... 19 1.1.Enquadramento e Objetivos ....................................................... 19 1.2.Radiação Ultra Violeta ................................................................ 19 1.3.Proteção Natural da Pele Contra Radiação Ultra Violeta ........... 20 1.4.Protetores Solares na Europa .................................................... 21 1.5.Fotoproteção geral ..................................................................... 22 1.6.Tipos de Filtros Ultra Violeta ...................................................... 22 1.7.Fator de Proteção Solar (FPS) ................................................... 25 1.8.Protetor Solar ............................................................................. 26 1.9.Problemas Relacionados com a Exposição Solar ...................... 26 1.10.Confusão de Conceitos ............................................................ 28 1.11.Conclusão ................................................................................ 28 2.Projeto de Recolha de Medicamentos ................................................. 28 2.1.Enquadramento e Objetivos ....................................................... 28 2.2.Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (SIGREM) ........................................................................... 29 2.3.Apresentação dos Dados Obtidos .............................................. 29 2.4.Conclusão .................................................................................. 31 3.Automedicação ...................................................................................... 32 3.1.Enquadramento e Objetivos ....................................................... 32 3.2.Automedicação........................................................................... 32 3.3.Apresentação dos Resultados e Comentários ........................... 33 3.4.Conclusão .................................................................................. 34 4.Suplementos Alimentares ..................................................................... 35 4.1.Enquadramento e Objetivos ....................................................... 35 4.2.Suplementos Alimentares .......................................................... 35 4.3.Resultados e Comentários ......................................................... 36 4.4.Conclusão .................................................................................. 37 5.Outros Projetos ...................................................................................... 38 6.Conclusão .............................................................................................. 38 7.Referências Bibliográficas .................................................................... 39 8.Anexos .................................................................................................... 42
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes vii Lista de Abreviaturas ADN – Ácido Desoxirribonucleico Al2O3 – Oxido de Alumínio ANF – Associação Nacional de Farmácias CCF – Centro de Conferência de Faturas CNP – Código Nacional de Produto CTT – Correios de Portugal DST’s – Doenças Sexualmente Transmissíveis MICF – Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas FEFO – First expire, first out FIFO – First in, first out FP – Farmácia Palmeira FPS – Fator de Proteção Solar F.S.A – Faça Segundo a Arte INCI – International Nomenclature of Cosmetic Ingredients IV – Infravermelho I.V.A. – Imposto de Venda Acrescentado MBBT - Methylene Bis-Benzotriazolyl Tetramethylbutylphenol MED – Dose Mínima Eritematosa MG – Medicamento Genérico MNSRM – Medicamento Não Sujeito a Receita Médica MSRM – Medicamento Sujeito a Receita Médica NER – Nucleotide Excision Repair P.V.P. – Preço de Venda ao Público SA – Suplemento Alimentar SIGREM – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos SiO2 – Dióxido de Silício SNC – Sistema Nervoso Central SNS – Sistema Nacional de Saúde UV – Ultra Violeta
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes viii Índice de Tabelas Tabela 1 – Cronograma das atividades desenvolvidas ................................ 1 Tabela 2 – Manipulados preparados durante o estágio ............................. 15 Tabela 3 – Tipos de reação de pigmentação ............................................. 21 Tabela 4 – Proteção e características de agentes físicos .......................... 22 Tabela 5 – Exemplos de filtros UV aprovados na Europa ......................... 23 Tabela 6 – Exposição crónica a radiação UV e exposição excessiva / dose elevado em determinados períodos ...................................................................... 27 Índice de Figuras Figura 1 – Consumo de proteção solar na Europa per capita (2012) ........ 26 Figura 2 – Espetro UV de etilhexildimetil p – aminobenzoato e metilantranilato ...................................................................................................... 24 Figura 3 – Espectro de absorção de partículas MBBT e MBBT dissolvido em Dioxano ................................................................................................................. 25 Figura 4 – Como funciona o protetor solar ................................................. 25 Figura 5 – Composição geral de um protetor solar .................................... 26 Figura 6 – Farmácia Gomes: Recolha de medicamentos totais e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico.................................................... 30 Figura 7 – Farmácia Monteiro: Recolha de medicamentos totais e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico ............................... 30 Figura 8 – Farmácia Higiénica: Recolha de medicamentos fora do prazo e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico ............................... 31 Índice de Anexos Anexo 1 – Panfleto Informativo Proteção Solar ......................................... 42 Anexo 2 – Apresentação PowerPoint Proteção Solar ................................ 43 Anexo 3 – Tabela de Recolha de Medicamentos ....................................... 47 Anexo 4 – Tabela Farmácia Gomes .......................................................... 48 Anexo 5 – Tabela Farmácia Monteiro ........................................................ 49 Anexo 6 – Tabela Farmácia Higiénica ....................................................... 50 Anexo 7 – Inquérito sobre Automedicação ................................................ 51 Anexo 8 – Inquérito sobre Suplementos Alimentares ................................ 52 Anexo 9 – Panfleto Informativo Doenças Sexualmente Transmissíveis .... 53
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes ix Anexo 10 – Certificado de Sessões de Esclarecimento Doenças Sexualmente Transmissíveis................................................................................. 55 Anexo 11 – Apresentação PowerPoint Doenças Sexualmente Transmissíveis ...................................................................................................... 56
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 7 Segundo o Estatuto do Medicamento estes estão divididos, em termos de dispensa ao público, em Medicamento Sujeito a Receita Médica (MSRM) e Medicamento Não Sujeito a Receita Médica (MNSRM)2. 4.1. Medicamento Sujeito a Receita Médica Para pertencer a esta categoria, o medicamento deve preencher uma das várias condições descritas no Artigo 114º. do Decreto lei nº 176/2006 de 30 de Agosto2. É da responsabilidade do Infarmed publicar e manter atualizada a lista de MSRM para que todos os profissionais relacionados com a dispensa de medicamentos tenham fácil acesso e conhecimento. Para se proceder à dispensa de MSRM, como a própria classificação indica, é necessário que seja apresentada uma receita médica válida. No que respeita a comparticipação dos medicamentos, as receitas devem obedecer aos parâmetros delineados pela Portaria nº. 137 – A / 2012 de 11 de Maio3, alterada pela Portaria nº. 224 – A / 2013 de 9 de Julho4 e pelo Despacho nº. 15700 / 2012 de 30 de Novembro5. São válidos dois modelos de receitas eletrónicas: receita médica normal, que tem um prazo de 30 dias de validade a contar do dia em que foi elaborada; e a receita médica renovável que é composta por 3 vias com validade de 6 meses a partir do momento em que foi prescrita. Este tipo de receita destina-se a determinadas doenças ou a tratamentos prolongados, de forma a serem adquiridos mais de que uma vez sem necessidade de nova prescrição médica2. De forma a respeitar todas os requisitos de uma receita válida existem vários campos que devem ser preenchidos como o número da receita médica, nome do utente, nome do médico e especialidade, data e validade corretos, regime ou plano de comparticipação, identificação do medicamento e o número de embalagens, assinatura do médico, presença de exceções que justifiquem o uso de determinada marca ou despachos e portarias para confirmar comparticipações adicionais. Pontualmente surgem receitas médicas manuais, que devem ser aceites caso esteja devidamente justificado o porquê de não ser eletrónica e os campos obrigatórios corretamente preenchidos. Caso algum parâmetro não seja cumprido, a receita não é validada pelo Centro de Conferência de Faturas (CCF) e a farmácia perde a comparticipação da receita em questão.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 8 No momento de aviar a receita é impresso nas costas da mesma os dados relativos à identificação da farmácia, à faturação (como número do lote e organismo), identificação dos medicamentos dispensados e comparticipação. O utente deverá assinar no local indicado que está de acordo com os medicamentos dispensados, faltando só o carimbo, data e assinatura do farmacêutico que procedeu à venda para concluir a dispensa. No final do dia são recolhidas todas as receitas aviadas e são submetidas a duas verificações individuais. Na FP, os farmacêuticos que procedem à dispensa dos medicamentos são os mesmos que fazem a correção das receitas. Nesta correção é obrigatório confirmar todos os parâmetros mencionados anteriormente referentes à validação das receitas e confirmar que os medicamentos identificados nas costas da receita coincidem com o prescrito tanto em identificação como em quantidade. Após duas análises, as receitas são colocadas por ordem nos lotes e é impresso Verbete de Identificação do Lote. No final de cada mês é impresso um documento de relação e resumo de lotes. Quando o organismo que comparticipa é o Sistema Nacional de Saúde (SNS), toda a documentação relativa aos lotes já mencionada e as respetivas receitas devem ser enviadas, dentro dos prazos estipulados todos os meses pelos CTTs, para o CCF de forma a serem avaliados e restituída, ou não, a comparticipação para a farmácia. Uma das tarefas que exige maior rigor e atenção é o momento de conferir as receitas, já que estamos a confirmar a medicação que cada utente individualmente levantou na farmácia e se tudo se encontra conforme a lei. Esta verificação foi me ensinada nos primeiros dias de estágio com o objetivo de perceber quais os erros associados ao momento da dispensa que prejudicam não só o utente mas também a farmácia, de forma a evitar. Fui alertado para um dos erros mais comuns que é trocar comprimidos por cápsulas quando existem as duas formas farmacêuticas do mesmo produto disponível. Uma atualização no sistema informático permitiu que fosse iniciado o programa receita eletrónica6. Uma das grandes vantagens deste update é que permite confirmar no ato da dispensa se o medicamento dispensado corresponde ao prescrito pelo médico, visto que o utente só necessita de apresentar o cartão de cidadão e a receita, nesta fase inicial. Depois de Agosto, só será necessário o cartão de cidadão para o farmacêutico ter acesso à receita médica prescrita.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 9 Neste sistema só existem dois organismos, o nº 99 para receitas eletrónicas validadas automaticamente e o nº 98 para receitas eletrónicas que necessitam de análise posterior. Assim, apenas será necessário corrigir o organismo 98 e colocar por ordem as receitas restantes, porque se ocorrer algum engano durante o atendimento ou alguma falha no preenchimento da receita pelo médico, surge um alerta e não inicia o atendimento automático. 4.2. Dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica Para além de confirmar todos os aspetos mencionados anteriormente no que diz respeito à receita médica, existem várias questões que podem ser importantes para que o utente adira da melhor forma à terapia. Caso fosse uma receita renovável, normalmente, para iniciar o atendimento, perguntava se já fazia esta medicação há algum tempo, porque assim o utente explicava-me quais os medicamentos que tomava e como. Existe uma série de perguntas que se podem fazer de forma a criar um diálogo construtivo e facilitar o atendimento, tornando a conversa fluida e mais fácil de o utente se interessar. Após uma pequena conversa, observava a medicação prescrita e caso fosse um utente habitual consultava a sua ficha na farmácia. Ao ver o histórico de compras feitas pelo utente era assim mais rápido saber quais as marcas ou laboratórios que era frequente levar e assim manter a medicação. Quando os medicamentos eram expostos na bancada, perguntava se reconhecia todas as embalagens e quando é que costumava tomar, fazendo com que fosse o utente a explicar e confirmar a posologia. Informava novamente, com termos adequados ao utente, o alvo dos medicamentos enquanto terminava a atendimento informático e recolhia a sua assinatura. Caso fosse uma receita médica normal, tentava perceber quem é que ia tomar a medicação e transmitia o máximo de informação possível. Fazia questão de perguntar se era necessário escrever nas caixas a posologia e quando diziam que não, eu pedia para repetir de forma a garantir que tinham percebido. 4.3. Medicamentos Genéricos Cada vez mais os utentes mostram interesse em saber se existe genérico para determinado medicamento, principalmente por causa da diferença de preço.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 10 Este fator leva também a outras questões relativas à qualidade e segurança, que fiz sempre questão de esclarecer. Segundo o Estatuto do Medicamento, o Medicamento Genérico (MG) é medicamento com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, a mesma forma farmacêutica e cuja bioequivalência com o medicamento de referência haja sido demonstrada por estudos de biodisponibilidade apropriados1. De uma forma geral, os utentes da FP que fazem medicação prolongada confiam nos genéricos e até fazem questão de continuar pois o custo é menor e os resultados são idênticos, quando comparados com os produtos de marca. Por outro lado, grande parte dos utentes que são medicados pontualmente tem preferência por medicamentos de marca e não por genéricos. De forma a satisfazer todos os utentes, em armazém estavam sempre disponíveis três medicamentos de cada grupo homogéneo dos cinco mais baratos, conforme a Portaria nº 137 – A /2012, de 11 de Maio 2. Todos os meses é disponibilizado pela Associação Nacional de Farmácias (ANF) um relatório baseado nas vendas da farmácia e comparando com a média regional e nacional, a percentagem de medicamentos genéricos vendidos na FP encaixa-se com a realidade nacional nestes últimos anos, devido ao aumento de interesse na terapêutica por parte dos utentes tendo em conta as dificuldades económicas atravessadas. 4.4. Medicamentos sujeitos a legislação especial – psicotrópicos e estupefacientes Este grupo de medicamentos, devido à sua ação farmacológica a nível do Sistema Nervoso Central e possível dependência, apresentam legislação específica de forma a evitar o consumo abusivo e ilícita, Decreto – Lei n.º 15/93 de 22 de Janeiro com a última alteração pela Lei n.º 77 / 2014 de 11 de Novembro7. A encomenda e receção destes medicamentos são feitas com o maior rigor possível, visto que toda a transição é controlada pelo Infarmed. No momento da receção do medicamente é necessário assinar um documento que comprova a compra e devolvido ao armazenista todos os meses. Na dispensa, o sistema informático solicita que sejam introduzidos uma série de dados relativos ao médico prescritor, à pessoa que adquire o medicamento e de quem o vai consumir, de forma a mantar o máximo de rastreabilidade possível. Fica
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 11 na posse da farmácia uma fotocópia da receita com a morada e número de cidadão da pessoa que comprou o medicamento para ser feito um resumo das entradas e saídas de Psicotrópicos e Estupefacientes na farmácia e enviados para o Infarmed mensalmente. No caso das benzodiazepinas, este resumo e envio para o Infarmed é feito anualmente. Durante o estágio, acompanhei todo o processo desde a encomenda e receção de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, dispensa, bem como no envio dos resumos de entradas e saídas para o Infarmed. 4.5. Medicamentos não sujeitos a receita médica – MNSRM Os MNSRM são todos os medicamentos que dispensam a necessidade de receita médica para serem dispensados ao utente. Normalmente são utilizados no tratamento de problemas de saúde menores, como por exemplo tosse seca e constipação, e o profissional de saúde que o cede tem o dever aconselhar o utente para o seu uso racional e responsável. No momento de ceder algum MNSRM tive os mesmos cuidados que com os MSRM. O diálogo acerca da sintomatologia é sempre muito importante pois permite avaliar a situação e aconselhar o MNSRM mais adequado. É muito normal que o utente diga diretamente o medicamente que deseja, e nestes casos perguntava se já costumava tomar e a posologia. Muitas eram as vezes que era necessário corrigir a posologia e até escrever nas caixas o alvo terapêutico para não ocorrerem enganos. 4.6. Produtos de Cosmética e Higiene Intima Diariamente era solicitado para aconselhar acerca de diversos produtos de cosmética visto que representavam uma fatia das vendas da farmácia. Por isso, era necessário estar atualizado e atento aos diversos produtos que estavam disponíveis de forma a conseguir aconselhar e indicar o produto correto. Muitos dos problemas de pele que as pessoas apresentavam eram facilmente tratados com a aplicação de determinados produtos de higiene pessoal, evitando assim o uso de medicamentos desnecessariamente. Dentro destes, os produtos com mais saídas eram os cremes para reparar a pele queimada, anti - envelhecimento e protetores solares. Artigos de banho como
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 12 variados tipos de sabonetes têm bastante saída o que cria a necessidade de haver uma parte do expositor direcionado para este tipo de produtos de higiene íntima. Contudo estes produtos podem ser adquiridos em vários estabelecimentos comerciais e como tal, a vantagem da farmácia está no aconselhamento que pode ser feito e na atenção que se dá a cada utente. 4.7. Dispositivos Médicos, Puericultura e Obstetrícia A Farmácia Palmeira dedica duas prateleiras exclusivamente para produtos de Puericultura e Obstetrícia. A venda de produtos desta categoria, apesar de não ser diária, necessita do aconselhamento e instruções de utilização adequados de forma a satisfazer as necessidades dos utentes. Por isso é dever do farmacêutico instruir-se. Visto que estes produtos estão direcionados a uma subpopulação específica, como grávidas e bebés, a informação recolhida e cedida ao utente tem que ser da máxima qualidade e segurança. Com a chegada destes produtos numa encomenda direta, a sua identificação é de extrema importância para ser depois possível consultar o catálogo rapidamente e esclarecer o utente acerca do produto. Os dispositivos médicos são regulados pelo Decreto-lei n.º 145 / 2009 de 17 de Junho8 e são destinados, pelo seu fabricante, a serem utilizados para fins comuns aos dos medicamentos tais como prevenir, diagnosticar ou tratar doença humana. Devem atingir os seus fins através de mecanismos que não se traduzem em ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas, por isto de distinguindo dos medicamentos9. A FP disponibilizava variados dispositivos médicos como cintas abdominais, meias de compressão, pulsos, joelhos e pés elásticos, material de penso, sacos coletores de urina, sondas de alimentação, entre outros. 4.8. Produtos e Medicamentos de uso Veterinário Mesmo que estes medicamentos não sejam comparticipados, obedecem à mesma legislação dos medicamentos para uso humano, quer na sua produção, distribuição ou armazenamento.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 13 Tendo em conta a localização da farmácia, junto à estrada nacional 13 e rodeada de aldeias em que a atividade agrícola e pecuária é abundante, os produtos veterinários têm bastante saída. Existe assim uma área específica para o armazém e exposição destes produtos. Dos vários produtos que estão disponíveis na Farmácia Palmeira os desparasitantes externos e antiparasitários são os mais requisitados logo seguidos pelos anti – concecionais. O conhecimento científico acerca destes produtos é de grande importância, principalmente em meios com maior atividade agrícola e pecuária pois evita a transmissão de doenças, tanto para outros animais como para o homem. 4.9. Medicamentos Homeopáticos Em Portugal, a Homeopatia apresenta um papel bastante discreto na terapia ou tratamentos praticados. O mesmo não se pode afirmar de países como França ou Reino Unido em que esta se encontra inserida no Sistema de Saúde10. Visto que frequentei a Unidade Curricular Homeopatia e Medicamentos Homeopáticos, sentia-me bastante confortável a aconselhar e discutir este tópico. Apesar de estarem disponíveis na Farmácia Palmeira, raro era o utente que requisitasse diretamente este tipo de medicamento. Por mais variadas razões, mas principalmente por não conhecerem. Sempre que dispensados, os utentes eram informados de todas as características dos medicamentos homeopáticos e do medicamento em específico. Sendo alertados que se os sintomas continuassem, seria melhor consultar um médico. 4.10. Suplementos Alimentares, produtos fitoterápicos, alimentação especial e nutrição infantil Suplementos alimentares, são denominados géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, tais como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 14 formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida11. Dentro da variada gama de suplementos alimentares, os mais solicitados estão relacionados com emagrecimento, cansaço físico e cerebral, melhoramento da memória e problemas de sono. Na Farmácia Palmeira, a escolha era variada para cada situação, havendo diversos expositores com variados suplementos alimentares. O aconselhamento destes produtos nem sempre é fácil, pois o facto de haver bastante publicidade torna mais fácil as pessoas identificarem os seus sintomas com o produto que muitas vezes não é o mais indicado. O papel do farmacêutico é alertar e aconselhar acerca da possibilidade de existirem efeitos secundários e até de interações com a medicação, caso o utente esteja a ser medicado. Contudo, como existem imensos suplementos alimentares, a atenção do profissional de saúde tem que estar no máximo e querer instruir-se sobre todos os produtos que são cedidos na farmácia. Os produtos fitoterápicos, apesar de terem menos saídas que os suplementos alimentares, são também dispensados na FP. Apresentam também diversas aplicações como problemas de sono, urinários, digestivos, emagrecimento, entre outros. Foi nestes produtos que tive maior dificuldade no aconselhamento visto que o seu range de aplicação era tão vasto que poderia muitas vezes implicar alguma interação ou efeito secundário. Por isso, sempre que necessário pedia colaboração dos meus colegas mais experientes. Os produtos de alimentação especial estavam limitados a alguns produtos à disposição na FP. Como é um produto de pouca procura, o stock é sempre muito reduzido sendo necessário proceder a encomendas semanais. Este tipo de produto é necessário quando o regime alimentar do utente é restrito, garantindo assim uma composição nutricional bem definida. A nutrição infantil também está disponível através de um expositor próprio e com uma grande variedade de ofertas. Durante o estágio desenvolvi um projeto sobre os suplementos alimentares que será abordado mais à frente.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 15 4.11. Medicamentos e produtos manipulados Com base no Infarmed, um medicamento manipulado é qualquer fórmula magistral ou preparado oficinal preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico. É da responsabilidade do farmacêutico preparar o medicamento manipulado, garantindo a sua qualidade e segurança no que respeita as doses das substâncias ativas e possíveis interações12. O Decreto – lei n.º 95 / 2004 de 22 de Abril regula sua a prescrição bem como preparação13. As receitas de medicamentos manipulados não podem conter outro medicamento e deve ser incluído o termo “manipulado” ou faça segundo a arte, “f.s.a.”. A Farmácia Palmeira respeita todas as normas de boas práticas de farmácia comunitária no que respeita às condições de preparação, qualidade e segurança dos medicamentos manipulados. Todos os equipamentos utilizados são calibrados e as condições de temperatura e humidade controlados rigorosamente. O armazém das matérias-primas está devidamente identificado. Ao longo do estágio preparei oito manipulados sob a supervisão do diretor técnico, tendo sempre presenta as boas praticas na preparação de medicamentos manipulados, Decreto – lei n.º 95 / 2004 de 22 de Abril e Portaria n.º 594 / 2004 de 2 de Junho14, indicados na tabela n.º1. Tabela 2 - Manipulados preparados durante o estágio na FP Manipulado Quantidade preparada Pomada veiculando ácido salicílico 4 Pomada veiculando enxofre 2 Solução alcoólica saturada de ácido bórico 2 5. Aconselhamento Farmacêutico O papel do farmacêutico não se pode resumir à dispensa e preparação de medicamentos. Deve intervir de forma a melhor os resultados da terapêutica e para isso estabelecer um diálogo construtivo para que o utente consiga prosseguir com o seu tratamento de forma autónoma e responsável. Assim, a transmissão de toda a informação relevante relativa ao uso racional do medicamento, bem como as contraindicações e efeitos secundários são tópicos essenciais a abordar no
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 16 momento da dispensa. Esta comunicação deve ter em conta o utente em questão. O discurso deve ser cuidado e ao mesmo tempo de fácil compreensão por parte do utente. Durante o estágio constatei que a forma mais fácil de fazer com que o utente perceba ou memorize a posologia ou o alvo terapêutico da medicação é fazer perguntas de resposta simples, de maneira a que o utente responda com certeza. Muitas vezes, a vergonha de expor os problemas pode ser um obstáculo para o aconselhamento farmacêutico, e por isso, devemos tentar criar um ambiente agradável e propicio para o utente. A criação de um elo de confiança torna a conversa mais fácil e assim o sucesso de todo o tratamento. Esta barreira tem que ser quebrada visto que o farmacêutico é o último profissional de saúde que se encontra antes de iniciar a terapia medicamentosa, e por isso, o esclarecimento de todos os pormenores aumenta a probabilidade de sucesso do paciente. 6. Automedicação A automedicação é a utilização de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) de forma responsável, sempre que se destine ao alívio e tratamento de queixas de saúde passageiras e sem gravidade, com a assistência ou aconselhamento opcional de um profissional de saúde15. O Despacho n.º 17690 / 2007 de 23 de Julho16 identifica as situações em que a automedicação é possível, como diarreia, hemorroidas, obstipação, sintomatologia relacionada com estados gripais e constipação, tosse e rouquidão, entre muitas outras. A automedicação é um assunto ainda bastante discutido e deve se respeitar certos aspetos antes de ser praticada. Assim, a automedicação deve ser praticada apenas em situações autolimitadas e com cura inferior a cinco dias, e caso não apresente melhoras, o médico deverá ser consultado. Outro fator a ter em atenção são os grupos de risco, como as grávidas, lactantes, bebés, doentes crónicos e idosos, o que por vezes pode ser preciso indicar um médico em vez de ceder um MNSRM. Durante o estágio desenvolvi um projeto sobre o tema da automedicação que irá ser discutido mais à frente.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 23 As entidades responsáveis pela segurança destes produtos criaram uma lista em que constam as substâncias autorizadas bem como a concentração máxima permitida (Tabela 5). Existem diferenças nas concentrações máximas permitidas entre regiões como Europa e Estados Unidos da América ou mesmo Asia, devendo-se às diferentes necessidades que cada zona apresenta26. Tabela 5 – Exemplos de filtros UV aprovados na Europa, adaptado de [24] Nome Europeu Nome comercial Abreviatura INCI % Máxima permitida na Europa UV A (340 – 400 nm) S81 Tinosorb ® S BEMT 10% S66 Parsol ® 1789 BMBM 5% S73 Mexoryl ® XL DTS 15% UV B e UV A II (290 – 320 nm, 320 – 340 nm) S60 Eusolex ® 6300 MBC 4% S78 Uvasorb ® HEB DBT 10% S27 Neo Heliopan ® E1000 IMC 10% Abordando agora a química, os filtros UV orgânicos usados em protetores solares apresentam estruturas aromáticas. As substituições nos anéis aromáticos são de extrema importância para as propriedades espectroscópicas. O aumento do número de estruturas de ressonância estabiliza o estado excitado, levando a uma melhor absorção de maiores comprimentos de onda. Por isso, anéis aromáticos mono substituídos permitem alterações batocrómicas que aumentam a intensidade de absorção. Assim sendo, a eficiência aumenta com os compostos di substituidos em posição para24. A figura 2 representa as diferenças na absorção entre compostos com substituição orto e para, alterando completamente os seus espectros UV24.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 24 Os protetores solares contendo filtros inorgânicos, como Dióxido de Titânio e o Óxido de Zinco, têm que apresentar as partículas com dimensões muito pequenas para não serem visíveis nem sentidas quando aplicadas24. A absorção da radiação ocorre com a elevação de um eletrão de valência para a banda condutora. Qualquer radiação com comprimento de onda entre os 380 e 420 nm é suficiente para excitar o eletrão de valência para a banda, enquanto que comprimentos de onda maiores não tem energia suficiente e por isso não são absorvidos pelo protetor solar. Para compensar o eletrão cedido, outro é partilhado pelos materiais em redor, formando reações de oxidação denominadas de efeito fotocatalítico. Os filtros UV mais recentes apresentam na sua composição um revestimento de Al2O3 e SiO2, de forma a reduzir ao máximo o último24. Um dos problemas dos filtros UV orgânicos é a sua solubilidade limitada na fase aquosa ou maioritariamente na oleosa, causando dificuldades nas formulações. Assim, as partículas orgânicas surgiram como solução24. Filtros UV que dificilmente se dissolvem na aquosa ou oleosa podem ser preparados na forma de pequenas partículas na fase aquosa através de processos de malaxagem24. Como observado na figura 3, ocorre um deslocamento do pico de absorção para 360nm e um aumento também a 380nm devido a ligações intermoleculares, aumento assim gama de radiação UV da qual oferece proteção. A taxa de reflexão tanto de partículas orgânicas como inorgânicas é de 5% ou menos27. Figura 2 - Espectro UV de etilhexildimetil p-aminobenzoato e metil antranilato adaptado de [24] Comprimento de onda - nm Absortividade Molar
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 25 1.7. Fator de proteção solar - FPS Consiste na razão entre a quantidade mínima de radiação UV que causa reações eritematosas usando filtro solar e a quantidade mínima de radiação UV para causar o mesmo efeito sem filtro protetor24. 𝐹𝑃𝑆 = 𝑀𝐸𝐷 𝑝𝑒𝑙𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑡𝑒𝑔𝑖𝑑𝑎 𝑀𝐸𝐷 𝑝𝑒𝑙𝑒 𝑛ã𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑡𝑒𝑔𝑖𝑑𝑎 O FPS traduz assim a atenuação ou retardamento da queimadura solar através da aplicação de um protetor solar como demonstrado na figura 4. Figura 4 - Como funciona o protetor solar. Percentagem de queimadura solar ao longo do tempo. Sem protetor solar (FPS1), FPS 15, 30 e 60. 1 MED - dose mínima para apresentar eritema. Adaptado de [24] % Queimadura solar Exposição Solar em MED – 1 MED aproximadamente 10 minutos Queimadura Solar visível Primeira queimadura Figura 3 - Espetro de absorção de partículas de “Methylene Bis-Benzotriazolyl Tetramethylbutylphenol” (MBBT) e MBBT dissolvido em Dioxano, adaptado de [24] Absortividade Molar Comprimento de onda - nm
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 26 1.8. Protetor Solar Para além da grande quantidade de água (figura 5) o protetor solar é dividido em constituintes principais e secundários. Como principais temos os filtros UV, emolientes e emulsionantes. Estes compostos são o núcleo de todos os protetores solares e apresentam funções essenciais como garantir a proteção, confinar a formulação e estabilizar o produto. Apresentam também na sua composição outros constituintes secundários como fotoestabilizantes, potenciadores, espessantes, que desempenham o papel de tornar mais atrativo em termos de resultados, aparência e utilização25. 1.9. Problemas diretamente relacionados com a exposição solar Envelhecimento precoce da pele A exposição prolongada a raios UV provoca alterações visíveis na pele, levando à deterioração estrutural e funcional. Os sintomas de envelhecimento de pele incluem rugas, pele seca, híper pigmentação e perda de elasticidade da epiderme19. As radiações UV B são responsáveis pelo dano causado na barreira lipídica e alterações estruturais entre as células de Langerhans. O enfraquecimento do tecido conjuntivo e a alterações na microcirculação da pele pode causar dilatação permanente dos vasos sanguíneos. Ao mesmo tempo ocorre também a Figura 5 - Composição geral de um Protetor Solar adaptado de [24] 59% 4% 3% 5% 14% 15% Composição geral de um Protetor Solar Água Potenciadores de efeitos e formadores de filme Espessantes Emulsionantes Emolientes Filtros UV
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 27 diminuição do teor em colagénio com a estimulação das metaloproteinases que promovem a sua degradação19. O processo mais comum de envelhecimento de pele é o fenómeno da elastase, conhecido como acumulação anormal de massas de elastina. As fibras elásticas sofrem hiperplasia e encolhem seguindo-se a aglomeração numa massa compacta que após exposição solar escurece19.A estimulação aumentada de melanócitos resulta no aparecimento de sardas e lentigem19. O envelhecimento da pele não ocorre exclusivamente devido à radiação UV mas também à infravermelha que consegue penetrar profundamente no tecido subcutâneo, causando mutações no ADN mitocondrial como deleções e originado também radicais livres de oxigénio19. Fotocarcinogenese A consequência mais dramática da exposição UV está associada com o aumento do risco de neoplasia. Este é um fenómeno que demora a refletir-se. O primeiro passo é a ocorrência da ação carcinogénica no ADN das células, causando mutação. Depois formam-se foto produtos que após um ciclo de replicação resultam na fixação da mutação, que na sequência da divisão celular se vai replicar e conferir características neoplásicas, podendo refletir-se em patologias representadas da tabela 6. Existem mecanismos de reparação de ADN, que são responsáveis pela remoção dos fotoprodutos. Um desses mecanismos é a incorreta excisão nucleotídica do Sistema NER – Nucleotide excision repair. O incorreto funcionamento deste sistema de reparação leva à duplicação do ADN mutado e ao desenvolvimento de tumores. Mutações induzidas pela radiação UV B caracterizam-se pela presença de timina em vez de Citosina, sendo então considerados marcadores de dano causado por este tipo de radiação e encontrados em todos os tipos de cancros da pele19. Tabela 6 - Exposição cronica a radiação UV e exposição excessiva / doses elevados em determinados períodos. Adaptado de [19] Exposição crónica a radiação UV Exposição excessiva ou períodos de doses elevadas de radiação durante a infância Ceratose actínica Melanoma maligno
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 28 Carcinoma de células escamosas Carcinoma das células basais 1.10. Confusão de conceitos “Filtros químicos absorvem enquanto os filtros físicos refletem e dispersam.” Quando se fala em protetores solares químicos ou físicos, é uma forma de diferenciar as partículas solúveis ou insolúveis. Esta identificação leva a formas erradas de pensar acerca do mecanismo de proteção. Como já referido, os protetores solares apresentam a sua eficácia através da absorção de determinados comprimentos de onda. Resumidamente, o óxido de zinco e o dióxido de titânio são bons protetores graças às suas propriedades semicondutoras e não devido à sua capacidade de reflecção ou dispersão24. 1.11. Conclusão Com o desenvolver deste projeto percebi que quanto melhor for explicado todas a características e vantagens / desvantagens acerca dos produtos, mais satisfeitos ficam os utentes e assim se promove a correta utilização dos mesmos. Neste caso concreto, adquiri bastante informação acerca das variadas características dos filtros solares, o que também permitiu que fosse muito mas fácil transmitir toda a informação relevante para os colegas de trabalho e utentes. No caso das apresentações aos alunos do ensino secundário, verifiquei que existiam muitas dúvidas acerca da proteção solar em geral, e não apenas relativamente aos filtros solares, o que me permitiu uma abordagem mais simples e adequada de todos os aspetos importantes no que a este tema diz respeito. 2. Projeto de Recolha de Medicamentos 2.1. Enquadramento e objetivos Todos os dias eram devolvidas dezenas de embalagens de medicamentos que não eram mais utilizados ou que já tinham ultrapassado o prazo de validade. O que acontecia regularmente era que também eram devolvidos medicamentos de uso pontual como antibióticos ou mesmo caixas de medicamentos por abrir.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 29 Assim decidi organizar uma recolha de dados em três farmácias do conselho de Esposende para perceber o porquê de certas devoluções e quais eram as classes de medicamentos mais devolvidas fora do prazo de validade. Durante três semanas, sempre à sexta-feira, era recolhida uma lista dos medicamentos que tinham sido devolvidos na farmácia e que tinham ultrapassado a sua data de validade. Era preenchida uma tabela elaborada por mim, de maneira a facilitar o trabalho dos farmacêuticos que se disponibilizaram a ajudar (Anexo 3). As farmácias foram divididas em dois grupos: duas farmácias procediam à recolha total de medicamentos, enquanto que uma procedia só à recolha de informações relativa a medicamentos com prazo de validade expirado. 2.2. Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos – SIGREM VALORMED é uma organização sem fins lucrativos constituída pela Associação Portuguesa da Industria Farmacêutica, Associação Nacional das Farmácias e Associação de Grossitas de Produtos Químicos e Farmacêuticos. É responsável pela gestão do SIGREM, que resulta da colaboração dos intervenientes do ciclo do medicamento28. A Indústria Farmacêutica produz resíduos ligados às etapas dos materiais de produção, acondicionamento e embalagem. Por outro lado, as Farmácias recolhem as embalagens vazias e medicamentos fora do prazo, tendo como complemento o facto de serem a face mais visível da VALORMED. Os distribuidores asseguram a recolha dos contentores das Farmácias e o seu transporte até ao destino29. 2.3. Apresentação dos dados obtidos Farmácia Gomes participou durante três semanas, na recolha total de medicamentos. Como podemos observar na figura 6 a categoria mais devolvida foi Hormonas e Medicamentos usados no tratamento das doenças endocrinas. Nesta mesma altura surgiu a notícia de que a pílula Yasmin® (3 mg Drospirenona + 0,03 mg Etinilestradiol comprimidos revestidos por película) poderia estar envolvida na morte de uma jovem que sofreu uma embolia pulmonar30. É uma relação que pode ser efetuada visto que a afluência às farmácias para esclarecimento de dúvidas e receios foi muito superior ao normal.De seguida, os medicamentos mais devolvidos
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 30 foram os relativos ao sistema nervoso central como Adalgur N® (Sistema Nervoso Central - relaxante muscular – ação central). Os dados obtidos na Farmácia Monteiro ao longo das três semanas revelam que a maior porção dos medicamentos devolvidos pertence à classe dos medicamentos usados no tratamento de doenças do sistema cardiovascular (anti dislipidémicos e anti hipertensores) e Sistema respiratório (antitússicos e expetorantes), dados representados na figura 7. As hormonas e medicamentos usados no tratamento das doenças endócrinas não apresentaram a variação verificada na Farmácia Gomes. 2 5 4 1 2 3 2 4 1 5 8 6 3 8 2 1 3 4 2 1 4 1 3 2 0 2 3 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Quantidade FARMÁCIA MONTEIRO Semana 24/02 a 28/02 Semana 01/03 a 07/03 Semana 08/03 a 14/03 Figura 7 Farmácia Monteiro: Recolha dos medicamentos totais e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico. Anexo 5 3 10 7 1000 10 55 3 8 20 5 1 19 9 6 19 12 4 1 11 4 27 13 0 5 10 15 20 25 30 Quantidade FARMÁCIA GOMES Semana 24/02 a 28/02 Semana 01/03 a 07/03 Semana 08/03 a 14/03 Figura 6 Farmácia Gomes: Recolha dos medicamentos totais e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico. Anexo 4
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 31 A Farmácia Higiénica procedeu à recolha de informação dos medicamentos unicamente fora do prazo de validade (figura 8). Os mais devolvidos pertencem ao grupo do Aparelho Locomotor, relacionados com doenças prolongadas como a artrose (toma continua de glucosamina) que apresentam altos problemas de adesão a terapêutica31. Outro grupo com grande devolução fora do prazo pertence ao aparelho respiratório (anti asmáticos e broncodilatadores). Neste caso pode ser associado à dificuldade em utilizar corretamente o aparelho que muitas vezes leva ao abandona da terapêutica32. 2.4. Conclusão Apesar dos dados recolhidos serem bastante divergentes, verificamos que é possível observar tendências na devolução de medicamentos quando ocorre algo que provoca alarmismo relativamente na suade pública. Isto é sinal que as pessoas estão atentas e esclarecem as suas dúvidas com profissionais de saúde. Existem variadas razões para que um medicamento atinja o seu prazo de validade e por isso é impossível apontar uma razão exclusiva, mas das mais relevantes é a desistência da terapêutica ou a toma incorreta dos medicamentos. A razão que me levou a fazer esta recolha de informação foi verificar que eram devolvidas caixas de antibióticos por ter passado o prazo de validade. Por exemplo, varias caixas de Azitromicina® (blisters de 3 unidades) foram devolvidas durante estas semanas, e em todas as farmácias estudadas apresentam valores semelhantes na categoria dos anti-infeciosos. Este fato pode estar relacionado com 6 3 7 2 8 4 0 0 6 2 0 6 0 7 3 3 0 8 9 0 2 0 7 7 0 0 4 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Quantidade FARMÁCIA HIGIÉNICA Semana 24/02 a 28/02 Semana 01/03 a 07/03 Semana 08/03 a 14/03 Figura 8 - Farmácia Higiénica: Recolha dos medicamentos fora do prazo e organizados segundo categorias do prontuário farmacêutico. Anexo 6.
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 32 a toma errada dos medicamentos por falta de informação ou até mesmo por ocorrer algum problema com o mesmo, mas são aspetos que o farmacêutico tem de ter atenção e que ocorre frequentemente nas farmácias comunitárias. 3. Automedicação 3.1. Enquadramento e objetivos O aconselhamento farmacêutico é um tema cada vez mais debatido e que sempre esteve presente no dia a dia de uma farmácia comunitária. Pelas mais variadas razões, o utente tende a consultar o farmacêutico quando pretende o alívio rápido dos sintomas de males menores de saúde. Após vários aconselhamentos decidi que seria útil para os utentes e mesmo para os farmacêuticos refletirem sobre os seus hábitos em relação à doença e medicação através da realização de um simples questionário, Anexo 7, onde era perguntado se sabiam o que consistia a automedicação e quais eram os casos em que a praticavam. O facto de ser simples e intuitivo permitia depois uma conversa mais alongada sobre o tema e assim alertar para os vários riscos/benefícios da automedicação, sendo esta responsável ou não e visando sempre o uso racional do medicamento. De seguida era sempre explicado de que constava a automedicação e todos os aspetos relevantes desta como cuidados a ter e possíveis riscos. 3.2. Automedicação Pode ser definida como a utilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) de forma responsável quando destinados apenas ao alívio ou tratamento de sintomas passageiros e sem gravidade, com a assistência ou aconselhamento de um profissional de saúde33. A sua prática está então limitada aos casos definidos pelo despacho 17 690 / 2007, 10 de Agosto34. A automedicação pode assumir duas vertentes: responsável e não responsável. A componente não responsável acontece quando por influência de outrem ou por vontade própria decide-se tomar um medicamento para tratamento de queixas ou alívio de sintomas autoavaliados. Consiste no autodiagnóstico e medicação com medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) ou MNSRM sem orientação do profissional de saúde35. A vertente responsável acontece quando o
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 39 Referências Bibliográficas [1] Ordem dos Farmacêuticos: Farmácia Comunitária. Acessível em: http://www.ordemfarmaceuticos.pt/ [acedido em 24 de Abril de 2015] [2] Infarmed: Decreto-lei nº 176/2006 de 30 de Agosto. Acessível em http://www.portaldasaude.pt [acedido em 28 de Abril de 2015] [3] Infarmed: Estatudo do Medicamento. Portaria nº 137-A/2012 de 11 de Maio. Acessível em: http://www.dre.pt [acedido em 28 de Abril de2015] [4] Infarmed: Primeira alteração à Portaria n.º 137-A/2012 de 11 de Maio. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 28 de Abril de 2015] [5] Infarmed: Aprova os modelos de receita médica, no âmbito da regulamentação da Portaria n.º 137-A/2012, de 11 de Maio. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 28 d/e Abril de 2015] [6] Receita Eletrónica. Acessível em: http://www.receitaeletronica.pt [acedido em 28 de Abril de 2015] [7] PGDLisboa: Lei nº 77/2014 de 11 de Novembro. Procede à vigésima primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de Janeiro. Acessível em: http://www.pgdlisboa.pt [acedido em 28 de Abril de 2015] [8] Diário da República: Dispositivos Médicos, Decreto-lei nº145/2009 de 17 de Junho. Acessível em: http://www.dre.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [9] Infarmed: Dispositivos Medicos. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [10] Wikipedia: Homeopatia. Acessível em: http://www.wikipedia.org [acedido em 30 de Abril de 2015] [11] Inem: Decreto-lei nº136/2033 de 28 de Junho. Acessível em: http://www.inem.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [12] Infarmed: Medicamentos Manipulados. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [13] Secção Regional do Porto, Ordem dos Farmacêuticos. Decreto-lei 95/2004 de 22 de Abril. Acessivel em: http://www.ofporto.org [acedido em 30 de Abril de 2015] [14] Infarmed: Medicamentos Manipulados. Portaria nº 594/2004 de 2 de Junho. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [15] Infarmed: Automedicação. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 30 de Abril de 2015]
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 40 [16] Infarmed: Lista das situações de automedicação. Despacho nº 17690/2007, 23 de Junho. Acessível em: http://www.infarmed.pt [acedido em 30 de Abril de 2015] [17] Valormed. Acessível em: http://www.valormed.pt [acedido em 30 de Abril de 2014] [18] Kütting B, Drexler H (2007). Evaluation of skin-protective means against acute and chronic effects of ultraviolet radiation from sunlight. Current Problems in Dermatology. 34:87-97. [19] Skotarczak K, Osmola-Mańkowska A, Lodyga M, Polańska A, Mazur M, Adamski Z (2015) Photoprotection: facts and controversies. European Review for Medical and Pharmacological Sciences. 19:98-112 [20] Holm RP. (2015) Skin cancer prevention and screening. South Dakota Journal of Medicine. Spec No: 75-7, 79-81. [21] Associação Portuguesa Cancro Cutâneo. Cuidados a ter na exposição solar. Acessível em: http://www.apcancrocutaneo.pt/ [acedido em 14 de Junho de 2015] [22] Nole G, Johnson AW (2004). An analysis of cumulative lifetime solar ultraviolet radiation exposure and the benefits of daily sun protection. Dermatol Therapy. 1:57-62. [23] Routaboul C, Denis A, Vinche A. (1999). Immediate pigment darkening: description, kinetic and biological function. European Journal of Dermatology 9: 9599. [24] Osterwalder U, Sohn M, Herzog B. (2014) Global state of sunscreens. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 30: 62–80. [25] Al-Jamal, Mohammed S., James L. Griffith, and Henry W. Lim. (2014) Photoprotection In Ethnic Skin." Dermatologica Sinica 32: 217-224. [26] Herzog B, Hueglin D, Osterwalder U. (2005) New sunscreen actives. Sunscreens – regulations and commercial development, cosmetic science and technology. Series 28. Boca Raton: Taylor & Francis, 291–320. [27] Mueller S, Herzog B, Giesinger J, Quass K. (2015) Osterwalder U. Micronization as a tool in the development of innovative UV filters. SOFW J. 131: 32–39. [28] VALORMED. Quem somos. Acessível em: www.valormed.pt [acedido em 15 de Junho de 2015]
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Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 42 Anexos Anexo 1 – Panfleto Proteção Solar
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 43 Anexo 2 - Apresentação Proteção Solar
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Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 45
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 46
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 47 Anexo 3 – Tabela de Recolha de Medicamentos
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 48 Anexo 4 – Tabela de recolha de Medicamentos da Farmácia Gomes
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 55 Anexo 10 – Certificado das Sessões de esclarecimento
Farmácia Palmeira André Tarrio Fernandes 56 Anexo 11 – Apresentação Doenças Sexualmente Transmissíveis
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