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Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça

Miguel da Costa Correia dos Santos Fernandes

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Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça Miguel da Costa Correia dos Santos Fernandes Dissertação de Mestrado Orientador na FEUP: Prof. Paulo Luís Cardoso Osswald Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão 2016-06-23 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça ii Try always to tell a story… Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça iii Resumo Com dois objetos de estudo distintos, este trabalho tem foco comum em matéria de gestão de projetos e, para isso, traduz os seus desenvolvimentos iterativos, forma de organização e atenção dada a cada ponto, fazendo a integração com o modelo de desenvolvimento I-Cork do departamento de inovação da Amorim Cork Composites. Com base numa evidência de um comportamento elétrico melhorado é desenvolvido um projeto de produção de biossensores com base elétrica num substrato de cortiça, substituindo os materiais convencionais. Este projeto integra a cadeia de valor nas etapas que contemplam a preparação do substrato, assim como a impressão do circuito sobre o mesmo. Para este material alternativo é desenvolvido um produto, são quantificados os processos produtivos respetivos, em sequência, apresentado o desenvolvimento de um business plan com base no modelo de Business Model Canvas (BMC) que permite dar consistência futura ao projeto. De igual forma, é desenvolvido um trabalho no âmbito de uma parceria, ligando uma indústria corticeira e um produtor de componentes para a indústria automóvel para a criação de um conjunto de produtos cujas propriedades e necessidades estavam à priori perfeitamente identificadas e que se pretendia que o material base passasse a ter por base a cortiça, criando um produto alternativo e diferenciador, com eventuais melhorias em termos de performance. São apresentados os diferentes componentes e quais os avanços conseguidos em termos de desenvolvimento. As conclusões destes trabalhos podem ser traduzidas pelas propostas de casos de negócios obtidos, no primeiro caso através da elaboração do BMC que decompõe e apresenta o projeto em toda a linha; no segundo caso expressos na vertente “where we are”, acerca dos vários produtos desenvolvidos, e através das respetivas apresentações de status para cada produto. iv New Business Creating Process in Cork Composites Abstract With two different study objects, this work has a common focus on project management matters and, therefore, translates the iterative development, form of organization and attention given to each point, making integration with the development model I-Cork of the innovation department of Amorim Cork Composites. One of the projects is based on an evidence of an improvement in electrical behavior, is developed a biosensor production on a cork substrate, replacing conventional materials. This design integrates the value chain in steps which include the preparation of the substrate as well as the circuit print. For this alternative material is developed a product, production processes are quantified and, in sequence, shown the developing of a business plan based on the Business Model Canvas (BMC) that allows us to project future consistency. Similarly, the development work within the framework of a partnership between a cork industry company and a components producer for the automotive industry, to create a set of products whose properties and needs were clearly identified at the beginning. It’s intended to be a cork base material, creating an alternative and distinctive product with potential improvements in performance. There are present the different components and the progress made in terms of development. The findings can be translated by the statement of the business cases obtained. In the first project the conclusions are presented through the development of the BMC that decomposes and presents the project across the line; for the second project expressed by the "where we are" presentation and the gateway decision about the various products developed. v Agradecimentos Este projeto indicia um fim de uma nova etapa. Uma etapa cujo início implicou um esforço pessoal, assim como um conjunto de abdicações que posso considerar metaforicamente como: um passo atrás. Porém, um passo atrás que perspetiva, pelo menos, um par de passos à frente; que concretiza um alargar da base e um reforçar da pirâmide do conhecimento, da técnica, dos contactos e das relações de amizade. Creio que sim, mas o futuro dirá se esta nova estrutura permitirá ir “mais além”…! O não personalizado não quer dizer que não seja o mais importante… Dores de alma, dores de cabeça, energia, disponibilidade... importante numa fase de crescimento com vista a um futuro intenso. O agradecimento é o Presente, a gratidão é o Futuro. As figuras paternais não servem só para ajudar, servem também para confortar. Confortar no sentido de alentar, de permitir que se assuma o risco… há coisas na vida que sem a existência de um porto de abrigo disponível, mesmo que meramente teórico, talvez não acontecessem. Pai e Mãe são, possivelmente, a fatia de Placebo do risco. Num percurso, também atribulado, surgiram novas amizades, alguns importantes tónicos, ou motivadores de circunstância, para a prossecução do “voltar a estudar”. Destaco, pela positiva, companheiros como o Diogo Espregueira, o Jorge Pessoa, o Tiago Martins, a Sara Palhares e o Emanuel Lopes, uma boa equipa! Um orientador atento e preocupado é uma boa ajuda, a minuciada da análise é uma mais-valia num trabalho por natureza praticamente solitário e autocritico. Agradeço esse papel, que bem foi desempenhado. Em open space se trabalha mas em open space se ri e troca opiniões. Em open se fala, se pensa e se constrói, solidariamente, soluções. Potenciar o conhecimento é um mote necessário e efetivo, obrigado aos colegas de equipa pelo estímulo diário. Sempre bem-dispostos, um pouco genuínos de mais, por vezes, mas a vontade de rir dizem, sempre, Presente! Bons almoços passados, boas companhias de programa potential. A abordagem retilínea nem sempre é a melhor abordagem, mas, por vezes, é a melhor de todas, fazer a ponte em vez de contornar o vale pode implicar ganhos inesperados, nisso considero que a Nanci Carvalho tem um mérito que lhe reconheço e agradeço. A forma de viver e de olhar para as questões é também um ensinamento que podemos levar da relação com os outros. Os inputs científicos são certamente importantes mas há pequenos shots e ações que muitas vezes caracterizam os perfis que vão mais além, pessoalmente gosto dessa realidade, sobretudo porque transmite energia e vivacidade, obrigado por isso ao Nuno Terrível. vi Índice de Conteúdos 1 Introdução ........................................................................................................................................... 1 1.1 Apresentação do grupo ........................................................................................................................ 1 1.2 Apresentação da empresa ................................................................................................................... 2 1.2.1 Contexto de negócio .......................................................................................................... 2 1.2.2 Contexto organizacional .................................................................................................... 3 1.2.3 Áreas de negócio ............................................................................................................... 4 1.3 A dinâmica da Inovação ....................................................................................................................... 4 1.4 Projeto Biossensores impressos em cortiça ......................................................................................... 6 1.5 Projeto Estamp ..................................................................................................................................... 6 1.6 Estrutura da Dissertação ...................................................................................................................... 7 2 Revisão Bibliográfica ........................................................................................................................... 8 2.1 O processo de inovação na Amorim .................................................................................................... 8 2.2 A Gestão de Projetos ......................................................................................................................... 10 2.3 O Desenvolvimento com Foco no Cliente .......................................................................................... 12 2.4 Plano de negócios .............................................................................................................................. 12 2.5 Business Model Canvas ..................................................................................................................... 13 3 Projeto Biossensores Impressos em Cortiça .................................................................................... 16 3.1 Os parceiros de desenvolvimento ...................................................................................................... 16 3.1.1 CeNTI .............................................................................................................................. 16 3.1.2 BioMark – Sensor Research ............................................................................................ 16 3.2 Fundamentos do projeto .................................................................................................................... 16 3.2.1 Motivação científica ......................................................................................................... 17 3.2.2 O que é um biossensor? .................................................................................................. 18 3.2.3 Evoluções e concretização científicas ............................................................................. 19 3.2.4 Características Físicas..................................................................................................... 19 3.3 Estudos de Mercado .......................................................................................................................... 19 3.3.1 Global Glucose Biosensors Industry 2016 Market Research Report ............................... 21 3.3.2 Global Blood Glucose Test Strips Industry Report 2015 .................................................. 22 Custo de Venda e Produção ........................................................................................................... 23 Análise SWOT ................................................................................................................................. 24 3.4 Insights ............................................................................................................................................... 24 3.4.1 Insight Delegado de Informação Médica.......................................................................... 25 3.4.2 Insight Unidade de Saúde Familiar .................................................................................. 26 3.5 Patenteação da invenção ................................................................................................................... 26 3.6 Produção ............................................................................................................................................ 27 3.6.1 Substrato ......................................................................................................................... 28 3.6.2 Impressão ........................................................................................................................ 28 3.6.3 Integração do substrato com processo de impressão ..................................................... 29 3.6.4 Formato de impressão ..................................................................................................... 30 3.6.5 Custo unitário de produção .............................................................................................. 30 3.7 Cadeia de Valor ................................................................................................................................. 31 3.8 Business Model Canvas ..................................................................................................................... 32 Proposta de Valor ............................................................................................................................ 32 Clientes ........................................................................................................................................... 33 Canais de Distribuição ..................................................................................................................... 33 Relações com Clientes .................................................................................................................... 33 Fontes de Receita ........................................................................................................................... 34 Recursos-Chave .............................................................................................................................. 34 Atividades-Chave ............................................................................................................................ 34 Parceiros-Chave .............................................................................................................................. 34 vii Estrutura de Custo........................................................................................................................... 35 3.9 Confronto Financeiro .......................................................................................................................... 35 3.10 Estrutura do projeto ............................................................................................................................ 36 3.11 Conclusões e Perspetivas Futuras ..................................................................................................... 36 3.11.1 Melhorias a implementar .................................................................................................. 36 Materiais .......................................................................................................................................... 37 Processo ......................................................................................................................................... 38 Características físicas ..................................................................................................................... 38 4 Projeto Estamp .................................................................................................................................. 39 4.1 O parceiro de desenvolvimento – Estamp .......................................................................................... 39 4.2 O Projeto da Estamp .......................................................................................................................... 39 4.3 Gestão do Projeto .............................................................................................................................. 40 4.4 Desenvolvimento dos Projetos ........................................................................................................... 42 4.4.1 Heat Shield e Acoustic Heat Shield ................................................................................. 42 4.5 Thermal Patch .................................................................................................................................... 44 4.6 Sandwich ............................................................................................................................................ 46 4.7 Glass Pads ......................................................................................................................................... 46 4.8 Conclusões e perspetivas futuras ...................................................................................................... 47 5 Conclusões e perspetivas futuras ..................................................................................................... 48 5.1 Processo de criação de negócios ...................................................................................................... 48 5.2 Projeto biossensores impressos em cortiça ....................................................................................... 49 5.3 Projeto Estamp ................................................................................................................................... 49 Bibliografia .............................................................................................................................................. 50 ANEXO A: A Cortiça ....................................................................................................................... 52 ANEXO B: Exemplos de Business Model Canvas ......................................................................... 55 ANEXO C: Insights - Objetivos e Guiões de Entrevistas ................................................................ 57 ANEXO D: Folha de cálculo para determinação do formato do Rolo ............................................. 59 ANEXO E: Preparação do substrato para processo de Impressão ............................................... 60 ANEXO F: Cálculo das dimensões dos rolos de impressão .......................................................... 61 ANEXO G: Determinação do custo de produção de Biossensor .................................................... 62 ANEXO H: Business Model Canvas – Biossensores impressos em cortiça .................................. 63 ANEXO I: Apresentação Heat Shield e Acoustic Heat Shield ...................................................... 64 ANEXO J: Apresentação Thermal Patch ....................................................................................... 73 ANEXO K: Determinação do custo de Fabrico Thermal Patch ...................................................... 77 ANEXO L: Determinação do custo unitário do Glass PAD ............................................................ 78 viii Índice de Abreviaturas - ACC – Amorim Cork Composites - APCOR – Associação Portuguesa de Cortiça - BMC – Business Model Canvas - CA – Corticeira Amorim - CNC – Comando Numérico Computadorizado - DBP – Double Belt Press - FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto - OMS – Organização Mundial de Saúde - PMBOK – Project Management Body of Knowledge - PMI – Project Management Institute - POC – Point of Care - UN – Unidade de Negócio Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 5 Com as alterações estruturais e forte suporte da parte do CEO da organização, carácter fundamental para a prossecução de uma atividade inovadora potenciadora de mais-valias, de acordo com a Universidade de Harvard, que na sua área de desenvolvimento pessoal apresenta um artigo em que Dave Power considera que a Inovação apenas existe se esta for uma prioridade para o líder - “Unless the CEO makes innovation a priority, it won’t happen” 1 , o departamento possui agora uma identidade própria e uma matriz de trabalho que se sustenta no desenvolvimento de produtos cujas matérias-primas de foco sejam e tragam mais-valias para a solução pela incorporação de cortiça como elemento diferenciador. Assim, a criação de valor terá sempre por base a inclusão da cortiça em sistemas que lhe confiram um papel importante e cujas características únicas do produto sejam uma mais-valia para a solução. Foi com este propósito que se definiu uma equipa e, através da contratação de um responsável para área da Inovação, que se fomentou e corporizou a estratégia, foram redefinidos processos e criadas plataformas de trabalho novas. Esta estrutura é apresentada na Figura 5, onde se identificam as relações entre os responsáveis dos processos de inovação. Figura 5 - Organograma Departamento Inovação Amorim Cork Composites Atualmente, a criação de valor é algo essencial na estratégia da ACC (Amorim, 2015), pelo que, de modo a prosseguir neste caminho será motivado o esforço de desenvolvimento de novos produtos e a pesquisa de novas aplicações de compósitos com cortiça. Desta forma, para o modelo implementado, do leque de propostas e situações com potencial inovador, a estratégia passa por levar os conceitos a um crivo que permita compreender qual a potencialidade e a perspetiva real de negócio que determinado projeto pode representar. Mediante as restrições impostas, são objetivadas as condições de entrada do projeto na pipeline, podendo, no futuro, vir a substituir produtos em fim de ciclo. A apresentação dos projetos é algo importante para a compreensão da forma como se prevê que seja desenvolvido este trabalho, nesse sentido nos pontos 1.4 e 1.5 serão apresentados os projetos desenvolvidos tendo em consideração a Figura 6, onde é apresentada a forma como na ACC é representada a evolução dos projetos e onde se identificam três fases principais. Figura 6 - I cork, esquema de evolução e fases de um projeto e inovação (Amorim, 2015) 1 www.dce.harvard.edu/professional/blog/innovation-strategy-4-key-tactics-top-growth-companies Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 6 A cada uma destas fases e etapas corresponde um descritivo de ações que potenciam a sua execução e que serão apresentadas no capítulo 2. Nos pontos seguintes serão indicadas as perspetivas de realização de cada projeto. 1.4 Projeto Biossensores impressos em cortiça Este projeto nasce de um indício que se pressupõe ter força suficiente para avançar num sentido exploratório. Não se perspetiva que o projeto seja passível de execução futura, porém, é através desta dissertação que se exploram os diversos âmbitos e, através da elaboração de um business plan será possível criar uma base de decisão para a evolução do mesmo. Contudo, foi desenvolvida uma estratégia capaz de ir de encontro à prossecução de alguns pontos-chave que acrescentem valor ao projeto e que, com o crescimento da informação, permitam o alargamento de conhecimento sobre o tema; foram gerados alguns elementos constituintes de um plano de negócios por forma a transitar de um estado embrionário para uma fase de avaliação mais sólida em termos de proposta de valor. Com o projeto pretende-se uma estruturação sólida da proposta de valor, trilhar alguns caminhos possíveis e analisar a informação no sentido de compreender qual o caracter de exequibilidade do projeto, seja do ponto de vista do preço, da execução, definindo estados de evolução e perspetivas de desenvolvimento futuras. Desta forma, foi definido um cronograma interno que contempla a caracterização do projeto e respetiva apresentação à equipa de inovação; a procura e definição das características importantes para a aquisição de um estudo de mercado pré-concebido; a compra e análise desse mesmo estudo e consequente elaboração de elementos constituintes de um plano de negócio; definição e realização de insights; a definição de um conjunto de ações futuras a desenvolver mediante o estado e conclusões retiradas no processo. 1.5 Projeto Estamp Este projeto surge na ACC em simultâneo com o início do período de dissertação na empresa. Assim, o papel que foi determinado para este âmbito passa pela figura de Gestor de Projeto. Esta caracterização prevê contemplar tudo o que respeite a mapeamento do projeto, definição das guidelines e de fluxo de tarefas, em modelo próprio, controlo dos timings e agentes responsáveis pela execução, bem como, a concretização da relação com o cliente, seja do ponto de vista presencial, oral ou escrito. O projeto surge, então, de uma identificação de possíveis interesses comuns entre a ACC e empresa Estamp, com sede na região da Catalunha – Barcelona, e que será apresentada de forma integrada formalmente no capítulo 3.11. Esta relação tem como objetivo final o desenvolvimento de conceitos de alternativos de três produtos, prevendo a incorporação de cortiça como elemento diferenciador. Assim, o relacionamento futuro passaria por uma relação de cliente-fornecedor, assumindo a ACC o papel de fornecedor. Desta forma, a definição de todo o desenvolvimento dos produtos passa pela batuta da ACC, com uma equipa laboratorial especificamente escalonada para o efeito, com natural colaboração da Estamp no fornecimento e validação de informações. O projeto em questão comtempla quatro diferentes produtos, com características e fases de maturação distintas, e perspetiváveis como passíveis de incluir na sua composição cortiça como elemento diferenciador e criador de valor. Pressupõe-se que estes produtos entrem no portfólio e que, perante validação pelos seus clientes, sejam produzidos numa lógica contínua. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 7 1.6 Estrutura da Dissertação De forma a conferir um cronograma ao desenvolvimento, na Figura 7 apresenta-se uma grelha com as tarefas principais e respetivas data de início e conclusão de execução, com natural referência ao ponto em consideração. ATIVIDADE INÍCIO FIM NOTAS [G] Início do Estágio 15-02-16 Geral [G] Integração na empresa 15-02-16 26-02-16 Geral [E] Início Projeto ESTAMP 16-02-16 ESTAMP [E] Caracterização do Projeto 16-02-16 23-02-16 ESTAMP [E] Planeamento e Gestão do Projeto 23-02-16 23-06-16 ESTAMP [B] Início Projeto Biossensores 18-02-16 BIOSSENSORES [B] Conhecimento do processo e tecnologia 18-02-16 26-02-16 BIOSSENSORES [B] Definição das características - estudo de mercado 22-02-16 01-03-16 BIOSSENSORES [B] Aquisição e análise do estudo 01-03-16 14-03-16 BIOSSENSORES [B] Elaboração de Plano de negócios 14-03-16 17-06-16 BIOSSENSORES [G] Entrega do capítulo 2 31-03-16 31-03-16 Geral [G] Entrega do capítulo 3 30-04-16 30-04-16 Geral [B] Definição de ações futuras 17-06-16 29-06-16 BIOSSENSORES [G] Fim do Estágio 23-06-16 Geral [G] Escrita Final 23-06-16 03-07-16 Geral Figura 7 - Cronograma de atividades da Dissertação Relativamente ao desenvolvimento e estrutura do trabalho, seguir-se-á o capítulo Revisão Bibliográfica, que consiste na abordagem e compilação de alguns elementos capazes de criar quer uma estrutura de pensamento quer a informação teórica no âmbito do desenvolvimento, nomeadamente algumas informações relevantes retiradas de documentação científica. A abordagem realizada nos capítulos 3 e 3.11 terá como objetivo a descrição do problema e a concretização do que é pretendido na realização do projeto no âmbito da dissertação. Será apresentado o status quo aquando do início, a maturidade de desenvolvimento dos projetos, perspetivas e fases evolutivas, entre outros, capazes de esclarecer e corporizar a situação base e as evoluções perspetiváveis. No capítulo 3, será exposto e documentado o Projeto Biossensores Impressos em Cortiça. Serão, para isso, identificadas e apresentadas, de forma detalhada, as ferramentas criadas, nomeadamente o BMC e alguns sistemas de cálculo para determinação dos resultados obtidos do ponto de vista produtivo, bem como algumas etapas e preposições que concretizem a abordagem. A conclusão deste ponto é a formulação apresentada, que prevê-se que sirva de base de análise acerca do estádio de evolução, assim como dos possíveis desenvolvimentos. No capítulo 3.11, o mote recairá na exposição dos desenvolvimentos relativos ao projeto da Estamp, bem como a explicação de algumas conclusões e escolhas, ou mesmo, algumas etapas cuja importância da decisão possa ter um papel relevante e definidor na prossecução dos objetivos definidos. Também aqui, serão apresentados elementos constituintes do desenvolvimento ou mesmo outputs de algumas decisões ou análises, de forma a substanciar as conclusões e o desenvolvimento apresentados. Tal como nos restantes projetos a decorrer na pipeline de desenvolvimento, também estes irão seguir o paradigma estabelecido para o sistema I-cork da ACC. Por fim, no último capitulo, capítulo Conclusões e perspetivas futuras, será realizada uma análise conclusiva do trabalho desenvolvido, seja do ponto de vista dos resultados obtidos, seja do ponto de vista da relevância que estes demonstram para os projetos associados. Importa referir que não será olvidada uma análise relativa à forma como se desenvolveu este processo, tendo em vista a componente laboral e de inserção no mercado de trabalho. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 8 2 Revisão Bibliográfica Devido a algumas especificidades do setor e ao carácter muito próprio da matéria-prima base na atividade desta indústria, existe uma importante necessidade de compreender o material e algumas das suas propriedades/características. Será, portanto, importante enquadrar e, de certa forma, caracterizar a matéria-prima de forma a perceber algumas limitações e potencialidades que estas podem revelar no desenvolvimento dos projetos. No Anexo A é apresentada uma análise à cortiça e seu ciclo de vida, bem como aos processos industriais. 2.1 O processo de inovação na Amorim Na Figura 8, encontra-se uma representação da análise realizada para a avaliação de potenciais negócios e/ou produtos no âmbito do departamento de inovação. Neste sentido, os vetores de maior importância centram-se na perspetiva do carácter único da solução e na forma como é considerada a perceção de valor pelos stakeholders. Cruzando vetores obtemos uma decisão do ponto de vista do interesse em potenciar um desenvolvimento. Figura 8 - I Cork Chart para a Inovação (Amorim 2015) Neste sentido, caso estas duas vertentes combinadas constituam matéria de facto suficiente para entrar na pipeline de inovação, integrando o processo denominado por funil de inovação, apresentado na Figura 6, e que na Figura 9 surge detalhado em relação às etapas em que está dividido, são elas Descoberta, Exploração e Execução, e compreende os pontos de decisão obrigatórios: primeiras oportunidades de negócio; oportunidades mais promissoras; grandes apostas; lançamento para o mercado. Figura 9 - Fases do Funil de Inovação ACC Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 9 A primeira consiste em gerar um conjunto de informação que sustente uma proposta de valor com base no(s) objetivo(s) definido(s) à priori, ligando-os à estratégia da empresa para garantir que o trabalho é desenvolvido de forma coerente. No fim desta etapa é suposto ser possível entender quais as oportunidades de negócio existentes. A segunda fase centra-se na conceção e teste, ou seja, é nesta fase a responsabilidade da escolha dos caminhos efetivos para desenvolvimento. É com base nesta decisão que será concebido um business plan e um plano para desenvolvimento e criação de protótipo(s), para que se constatem evidências no sentido da prossecução do investimento. Por fim, a terceira fase, consiste na industrialização e, necessariamente, nos respetivos ensaios e validação industrial, englobando a decisão sobre lançamento para o mercado, a consequente análise do feedback dos clientes, a verificação da forma como todo o processo decorreu, adaptando-se e melhorando o desenvolvimento caso se identifique essa oportunidade. De acordo com o exposto, na Figura 10 são descritos os objetivos e atividades relativos a cada fase e subfase do Funil de Inovação, assim como indicados os outputs que lhes correspondem. Figura 10 - Objetivos, Atividades e Outputs das fases e subfases do Funil de Inovação Importa, também, referir e analisar as quatro etapas correspondentes a decisões importantes no processo indicado. A primeira pressupõe uma análise qualitativa que estime a coerência da solução com o problema proposto, o volume de negócios e investimento necessários, assim como a complexidade e tempo associado ao desenvolvimento. A segunda passa decidir quais das Fist Business Oportunities são passíveis de serem consideradas para teste, pelo que se pressupõe uma análise sobre o alinhamento estratégico com o modelo de negócio, assim como a concretização da dimensão da oportunidade, validando a experimentação necessária e a disponibilidade correspondente de recursos. Depois existe a decisão sobre quais das Most Promissing Oportunities deverão passar para a fase de industrialização, com correspondente análise do respetivo valor comercial, identificando a força da rede, a possibilidade de sucesso técnico-comercial, custos com comercialização e futuros custos associados ao desenvolvimento da solução. A última fase de decisão recai sobre o avançar ou não para o mercado. Esta é decisiva e pode, no limite, mexer com questões relacionadas com a imagem da marca no mercado ou conduzir Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 10 a equipa de vendas a focos dispersos, não originando o retorno desejado. Assim, a decisão sobre quais as Big Bets que devem ser continuadas é nesta fase que acontece, devendo decisão surgit com base na análise de fatores críticos de sucesso. Em suma, a evolução dos projetos de inovação existentes na Pipeline da ACC passam por um crivo de análise iterativa que através do investimento no desenvolvimento é permitida uma maturação dos conceitos e evolução das matérias de fundo que estão na base dos problemas considerados inicialmente. 2.2 A Gestão de Projetos A gestão de projeto deve ter, sobretudo, um foco muito presente: o resultado que se pretende obter ou o motivo pela qual está a ser desenvolvido determinado esforço. Nesse sentido, há um conjunto de 4 tarefas que são cruciais para ajudar a percorrer este caminho. Na Figura 11 podemos identificar as quatro principais tarefas na gestão, nomeadamente o Planeamento, incluindo a definição das estratégias; a Organização, com o foco no que é necessário fazer, na sequenciação de atividades e sobre quem fica responsável pela tarefa; a Liderança com a capacidade de motivação e gestão das pessoas/equipa; o Controlo no sentido da monitorização das atividades e análise dos resultados obtidos. Figura 11 - As quatro funções da Gestão (Azevedo, 2015) Esta formulação é um importante vetor no sentido da potenciação da eficiência e da eficácia da organização, pois permite que as equipas estejam focadas na persecução dos objetivos, sabendo com o que contam e qual a forma de obter os resultados. Nesse sentido, poderá ser importante subdividir o projeto em pequenos subprojectos ou atividades, passando a contemplá-las de forma sequenciada em que determinada etapa fornece um output para a etapa subsequente e de acordo com caminhos e precedências existentes. Com essas atividades será importante definir um caminho critico, isto é, o conjunto de atividades que sequenciadas correspondem ao tempo total do projeto e que, caso sejam alteradas ou adiadas implicam forçosamente alterações aos deadline de execução. Desta forma será viável aferir um risco associado a cada tarefa e, também, atribuir-lhe um responsável, capaz de estar atento e focado em determinado desenvolvimento, ressalvando e evitando problemas, situações inesperadas e potenciais necessidades de revisão/intervenção nas tarefas ou objetivos, assim obtendo uma descrição e acompanhamento pormenorizado. Todo este processo montado e bem definido permitirá certamente, a todos os níveis, um ganho na capacidade de resposta para execução do plano caso surja algum problema. Aqui é importante fazer uma abordagem ao Project Management Body of Knowledge (PMBOK), que é, genericamente, um guia para a gestão de projetos. De autoria da Project Management Institute (PMI), este guião é considerada a base de conhecimento acerca da gestão de projetos. O guia PMBOK não confere uma metodologia acerca da gestão de projetos, porém define um conjunto de boas práticas que considera essenciais na vertente de gestão de projetos de forma a garantir que o desempenho dessa gestão é bem conseguido, não sendo, por isso, dependente do tipo de projeto. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 11 São definidos um conjunto de cinco grupos de processos, nomeadamente, início, planeamento, execução, controle e monitorização e encerramento, que cruzando com um conjunto de dez áreas de conhecimento distintas:  Gestão da integração;  Gestão do escopo,  Gestão do tempo;  Gestão dos custos;  Gestão da qualidade;  Gestão dos recursos humanos;  Gestão da comunicação;  Gestão dos riscos;  Gestão de aquisições;  Gestão das partes interessadas. Este cruzamento permite obter uma matriz com quarenta e sete atividades para todas as áreas de conhecimento, independentemente da dimensão do projeto, do âmbito de aplicação, número de recursos humanos envolvidos, prazos ou mesmo orçamento. As atividades são distribuídas por cada fase do processo e permitem orientar toda a gestão de projeto desde o início à entrega do mesmo com benefícios como (Rose, 2013):  Padronização de atividades;  Criação de canais de comunicação explícitos;  Melhoria de fluxos de informação;  Redução a propensão a negligência;  Melhoria da eficiência na alocação de recursos;  Controlo da evolução do projeto;  Análise otimizada de riscos;  Aumento das hipóteses de sucesso do processo. Uma questão fulcral, no que respeita a interações entre agentes de diferentes organizações, é perceber “where the effort is needed”. Para isso, pensar numa lógica baseada num conjunto de atividades chave é algo importante. Na Figura 12 encontram-se elencadas algumas atividades importantes no que a esta matéria respeita. Figura 12 - Desígnios importantes para convergência de projetos interempresas (Kanter, 1994), Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 12 Um ponto importante na gestão de projetos é a gestão da comunicação entre participantes, nomeadamente quando envolvidas organizações distintas, algo que, por vezes, se torna mais confuso e problemático do que o que seria de supor, nomeadamente, no que respeita a pequenas questões terminológicas. Num simples agendamento de uma reunião, em que a entidade A propõe uma conversa e a entidade B considera esse momento como algo informal, não preparando a informação devida ou pressuposta pelo agente de A. Estas situações são potenciadas por divergência cultural, distanciamento geográfico ou mesmo setor de atividade. De acordo com o indicado, compreende-se a importância da integração associada a cada uma das atividades designadas, nomeadamente pela forma como se interligam os agentes e estabelecem missões comuns com responsabilidades afetas. 2.3 O Desenvolvimento com Foco no Cliente Normalmente considerado para situações em que está a ser potenciado um negócio de uma pequena empresa ou, no caso de grandes empresas, atividades que extrapolam o domínio da mesma e que, por isso, não pertencem à atividade cor da empresa. Aqui o foco é dado ao cliente pois é este que garantirá a sobrevivência do negócio, ao invés de ser dado a um produto no sentido ou de aumentar o leque de oferta ou de disponibilizar novas soluções para o mercado, criando e gerindo necessidades. De acordo com o proposto por Steve Blank, o desenvolvimento deverá ser sempre em comunhão e foco no cliente, para isso, propõe um conjunto de etapas em que é o cliente o centro de todo o desenvolvimento e é neste que reside a decisão de avanço entre etapas (Blank, 2013). Assim, de acordo com o exposto na Figura 13, é possível garantir a atenção e foco sobre as necessidades e problemas do cliente. Figura 13 - Modelo não linear no processo de validação de produto ou modelo de negócio com o cliente, baseado em Blank 2008 (Osswald et al, 2015) Importa também referir que estes conceitos devem ser abordados sempre tendo em consideração matérias relativas às vertentes do Marketing Mix que, de certa forma, permitem garantir que o desenvolvimento do negócio tem em consideração não apenas o produto, o preço do produto, a sua promoção e, também, o posicionamento da solução a desenvolver, adequado comunicação, canais e processos a uma estratégia definida de forma integrada com o desenvolvimento, o cliente e as perspetivas de negócio (Coutinho, 2015). 2.4 Plano de negócios O objetivo último de um plano de negócios passa por conferir consistência a um modelo de negócios que, naturalmente, irá mais ao detalhe e contará com um conjunto de informação mais vasto e pormenorizado. O plano de negócios tem como objetivo fundamental descrever a forma como uma organização cria e obtém valor, ou seja, como esta se apresenta perante os seus stakeholders. Este pode ser elaborado de maneiras muito distintas, mas o importante é que sirva de base documental e estrutural para uma entidade e que permita criar valor a quem sobre ele se debr Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 13 uça, esclarecendo linhas de ação, definindo estratégias, posicionamentos, identificando oportunidades e perspetivas para o negócio. Segundo o livro The Definitive Business Plan de Richard Stutely (2007) num plano de negócios nunca deve ser incluída uma imagem sem uma análise escrita que lhe corresponda, “you may think that the numbers are self-evident, but many readers will ignore tables or miss the important points” e que “it often makes sense to present important information three times – in a chart or picture, in a table, and in a written commentary”, facto que entra em linha de conflito com alguns modelos mais gráficos e com reduzido nível escrito. Assim, e de acordo com a Figura 14, para ser objetivo na ação é preciso perceber qual deve ser a abordagem para determinado negócio. Figura 14 - Definição da Abordagem e Identificação do Foco (Stutely 2007) Contudo, não se pretende que a elaboração deste Business Plan seja um documento pesado, pelo contrário, atualmente entende-se que deve ser algo prático e capaz de possibilitar que os diversos agentes e interlocutores deles façam boa utilização. Isto porque criar um Business Plan deve sempre ser contar uma história. É isso que diferencia uma lista de compras ou tarefas de uma lista de pontos articulada, estruturada com uma sequência/história própria (Stutely 2007). Desta forma, a criação de modelos que permitam de forma mais simplificada analisar os paradigmas do negócio e a sua estrutura têm sido figuras essenciais ao desenvolvimento de negócios e à forma como as empresas os pensam e estruturam. De todos, o que maior cariz prático e interativo sugestiona é o Business Model Canvas (BMC), apresentado em 2.5, também denominado por matriz BMC e que pode servir como ótimo suporte base para um modelo de negócio. Segundo o The definitive business plan (2007), não existem receitas para a elaboração de um Business Plan - “There is no unique formula for preparing a business plan. There is no perfect size or level of detail. There is no single magic list of contents. There is not even a single, ideal way of ordering the content.”, este deve sim ser adaptado aos destinatários da mensagem por forma a prevalecerem os seus pontos fortes e serem potenciados os seus desígnios. Assim, será possível “for any competent person to put together a very satisfactory business plan.” 2.5 Business Model Canvas De acordo com a metodologia BMC, apresentado no Livro Business Model Generation, escrito por Alexander Osterwalder & Yves Pigneur “Um modelo de negócios descreve a lógica como uma organização cria, proporciona e obtém valor.” Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 14 Em particular, este modelo é importante no auxílio de empreendedores para a criação de novos negócios, pois permite explorar o carácter iterativo da recolha de informação e evolutivo do modelo de negócios de forma simples, prática e visual para todos os intervenientes. Inclusive é disponibilizado online um formato para elaboração de um Business Model Canvas. Esta questão de facilidade de acesso à elaboração do modelo, eventualmente numa perspetiva gamer, pode possibilitar a criação e a criatividade mas pode, também, ser um pouco desviante se os agentes não forem conhecedores dos conceitos. Contudo, a facilidade de montar uma matriz BMC pode ajudar ao raciocínio em várias fases do negócio. É inclusivamente, esta, uma das grandes vantagens deste modelo, pois “é uma ferramenta prática para estruturar modelos de negócio, normalmente utilizada para estruturar discussão” (Azevedo 2015). Segundo várias referências (Azevedo, 2015) (Guedes, 2015) existe um conjunto de dez bons motivos para utilizar a matriz BMC, são eles:  É indicado para qualquer tipo de empresa – especialmente para as startups;  Permite ter uma visão geral do modelo de negócios;  Permite relacionar as informações de uma forma sistémica, integrada e rápida;  Auxilia na discussão e integração das perceções sobre a maneira como a empresa deve atuar (em diferentes áreas críticas para o sucesso da empresa) e como elas interagem para compor o negócio como um todo;  Ajuda a identificar e eliminar o que não é tão importante no primeiro momento;  Permite um ciclo acelerado de validação de hipóteses;  Simplifica todo o processo de revisão do modelo de negócios;  Substitui ou pode complementar o plano de negócios;  Pode ser preenchido para diversos segmentos de clientes;  É uma importante ferramenta estratégica. Apesar de ter uma estrutura muito visual e de fácil compreensão, este modelo não se substancia apenas num “boneco” final, este é sim a forma como a estrutura elaborada é apresentada e demonstrada de forma simples, para que todos os stakeholders compreendam de forma intuitiva os elementos que são tidos como essenciais e constituintes do modelo. Este modelo consiste, portanto, num modelo gráfico padronizado que permite ilustrar em secções os pontos-chave de um modelo de negócios. Assim é uma ferramenta que permite descrever, visualizar, avaliar e alterar o modelo de negócios. Na Figura 15 encontra-se um esquema que ilustra as nove seções constituintes deste modelo e a forma como se interligam. Figura 15 - Esquema de Business Model (Osterwalder e Pigneur, 2010) Mais ao pormenor, os tópicos do BMC seguem uma sequência específica em relação à forma como deve ser montado o processo da sua composição. Na Figura 16 apresenta-se o modelo Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 21 Perante as evidencias expostas, e devido à sua representatividade e cota de mercado, foi decidido exercer um foco específico nos sistemas de biossensores para medição da Glicose visto revelarem-se a utilização principal dos biossensores, representando 75% da utilização de biossensores eletroquímicos, que representam 75% da utilização total de biossensores. 3.3.1 Global Glucose Biosensors Industry 2016 Market Research Report A análise deste estudo de mercado permite compreender de forma integrada as principais questões relacionadas com os dispositivos de leitura dos sensores apresentados anteriormente. Estes aparelhos são, genericamente compostos por três constituintes, são eles, o elemento de reconhecimento biológico, um transdutor que converte o reconhecimento biológico num sinal elétrico e um processador de sinal que converte o sinal elétrico num formato para leitura. Na Figura 22 encontra-se a representação de um dispositivo de leitura para biossensores, este é, normalmente, desenvolvido especificamente pela marca que produz o sensor, sendo este adaptado às características dimensionais dos test strips, não sendo comum a viabilidade de utilização de dispositivos de outras marcas. Figura 22 - Dispositivo de leitura para Biossensores de Glicose Vocacionados para avaliação pontual na leitura dos test strips, a leitura com recurso a este sistema é amplamente difundida e denota grande fiabilidade, simplicidade e rapidez. Pode, contudo, ser utilizado um equipamento tecnologicamente semelhante mas com capacidade de conexão wireless ou usb. No total este tipo de leitura representa uma cota de mercado de 86%. Apesar de ser um mercado dominado por um restrito número de empresas (Roche, LifeScan Bayer, Abbott, entre outras) que representam uma cota de mercado de 45% (constante nos últimos cinco anos), este mercado encontra-se muito segmentado, com cerca de 35% detida por empresas com menos de 0.22%. Entre 2011 para 2016 a quantidade de unidades produzidas aumentou cerca de 70% e sem exceção Japão, Estados Unidos, Europa e China aumentaram a quantidade produzida e a faturação a nível global aumentou cerca de 20%. Na Figura 23 é possível acompanhar a evolução provisional da produção global. Figura 23 - Previsão da produção global para 2016-2021 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 22 Assim, para os próximos anos, de acordo com o estudo analisado, prevê-se que o mercado cresça em termos globais cerca de 40% de 2016 para 2021, sendo que na Europa, Estados Unidos e Japão se verifica um crescimento acumulado neste período a rondar os 25%, valores comedidos se comparados com o aumento acumulado de produção na china e noutros países, respetivamente 108% e 93%. Do estudo foi, também, possível aferir que o mercado está mais concorrencial, sendo que as margens brutas dos três maiores produtores têm vindo a reduzir de cerca de 40% em 2011 para cerca de 20% em 2016 e, em período homólogo, para os restantes produtores de cerca de 30% para valores inferiores a 20%. De ressalvar, também, que o mercado se caracteriza por uma capacidade de independência no que concerne ao I&D, sendo que cada produtor é visto como “Independent research and development” no que à capacidade tecnológica diz respeito, existindo um conjunto de 10 empresas lideres a nível mundial. Por fim, o estudo conclui que a entrada neste mercado sem um avanço tecnológico não é algo que se entenda como fácil visto serem os grandes players a dominar a integração da cadeia tecnológica por influência da rede comercial de que dispõem. 3.3.2 Global Blood Glucose Test Strips Industry Report 2015 Com um foco muito mais direto ao produto em estudo, pela análise deste documento é possível compreender como funciona o mundo dos biossensores de leitura, nomeadamente vocacionados para a medição dos níveis de glicose no sangue. Figura 24 - Biossensores de Glicose em plástico O estudo revela a forma como evoluirá o mercado entre os anos 2000 e 2030, sendo evidente, pela análise da Figura 25, um consumo crescente e em percentagens elevadas em todas as geografias, sem exceção. É na Europa onde se verifica o menor crescimento e o continente asiático o que revela taxas de crescimento superiores, maiores que 150% em alguns dos casos. Figura 25 - Evolução geográfica do consumo de biossensores entre os anos 2000 e 2030 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 23 Em matéria de aplicações, surge em destaque a utilização médica com cerca de 75% do consumo global, correspondendo ao consumo hospitalar e direto pelo doente. Trata-se de um mercado pouco fragmentado, em 2016 as quatro principais marcas detêm mais 56.7% do total. A vigésima maior empresa detém uma cota de 0.67% e as empresas com cotas inferiores representam pouco mais de 10%. Para 2021 a tendência é que a percentagem correspondente aos quatro maiores players aumente para 57,5%, ao invés, a percentagem dos produtores não pertencentes ao top20 é reduzido para pouco mais de 8% do total. Custo de Venda e Produção Para esta análise foi considerada uma apreciação relativa à tipologia de sensores de Glucose Oxidase, a mais produzida e, consequentemente, a mais vendida, representando mais de 75% de todo o mercado de biossensores produzidos. Em termos de produção, desde 2011 têm-se verificado distribuições de produção por continente bastante estáveis, isto é, com variações percentuais de ordem de grandeza inferior a 1%, sendo a principal região de produção a Europa, com mais de 51%, seguida da AsiaPacifico um pouco abaixo de 25% e os Estados Unidos da América com mais quase 20%, perfazendo cerca de 96% de toda a produção mundial. Analisando a Figura 26 pode-se comparar, em relação ao valor do custo global de produção, que, apenas nos Estados Unidos, a produção é mais cara do que o valor global, cujo valor é de 138.24 USD. Analiticamente, à direita na figura, por comparação com o ano 2015, está representada a variação em relação ao valor global por região. Figura 26 - Custo expresso em USD para produção de cada 1000 un. de test strips nas várias regiões, entre 2011 e 2015, com comparação com o valor de produção global. Os valores disponibilizados merecem uma análise crítica aos autores do estudo, visto que a soma das variações, afetas do coeficiente de alocação da quantidade produtiva respetiva, deveria ser igual a zero, o que, de acordo com as percentagens afetas indicadas, se torna impossível considerando que as principais regiões produtivas são a Europa e a Ásia-Pacifico. Analogamente, considerando, contudo, a mesma crítica, foi realizada uma comparação relativa ao preço de venda por geografia. Aqui, dos mercados que, de acordo com o apresentado na Figura 27, apenas a Europa e os Estados Unidos são regiões onde se trabalham valores superiores aos médios globais, atribuindo-lhes, por isso, um fator extra de interesse. Figura 27 – Preço de Venda expresso em USD para produção de cada 1000 test strips nas várias regiões entre 2011 e 2015 e com comparação do valor de venda global. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 24 Importa referir que ao longo dos últimos cinco anos, nomeadamente de 2011 até 2015, o preço dos biossensores tem vindo, de forma generalizada e com percentagens anuais que variam entre os 0.60% e os 0.90%, a reduzir em todas as regiões indicadas nas Figura 26 e Figura 27. Contudo, verifica-se, relativamente à margem bruta, que esta continua a decrescer cerca de 0.50% em cada ano nos últimos anos, estando, em 2015, nos 47,5%. Perspetiva este estudo que esta decresça até os 47% até 2020, fazendo-se, no entanto, acompanhar de um acréscimo de produção e consumo na ordem dos 5% ao ano. No que a vendas diz respeito, as três geografias indicadas são responsáveis pela comercialização de 92% do total, com distribuição, respetivamente, de 28%, 31% e 33%. Na Figura 28 é possível analisar o preço de comercialização para os vários estádios da cadeia de valor, assim como os correspondentes valores Ex-works praticados, em média, para alguns países/continentes. Figura 28 - Relação de Preços Ex-works, Distribuição e Consumidor final; valores Ex-works por região Análise SWOT O estudo apresentado realiza uma análise SWOT acerca do mercado das test strips, o que permite cimentar, alguns pontos importantes. Ao nível das forças surgem vetores como o aumento da população diabética na Ásia e a consequente crescente procura devido ao aumento populacional, da capacidade económica dos indivíduos e do consequente aumento da esperança média de vida, assim como uma maior abertura e preocupação governativa com as questões de saúde e doença das preocupações. São referidas como fraquezas a quantidade de soluções alternativas, seja ao nível tecnológico, seja ao nível da disponibilidade; a variabilidade dos preços da matéria-prima devido ao não controlo da cadeia de valor, no que à cortiça diz respeito pode ser visto de forma interessante. As oportunidades identificadas são imensas: crescente e sólida procura, sobretudo, nos mercados asiáticos; o aumento das preocupações de saúde da comunidade internacional, local e mesmo dos próprios indivíduos; procura tecnológica crescente por parte do cliente final. As ameaças passam pela dificuldade de contrariar um sistema monopolista dominado pela Roche Diagnostics Limited, pela Johnson & Johnson, pela Bayer Healthcare AG e pela Abbott Laboratories, Inc., que pode invalidar o surgimento de soluções alternativas; pela redução das margens brutas pela à concorrência crescente e pelo fraco crescimento económico. 3.4 Insights Para substanciar o conhecimento gerado ao longo deste processo, entende-se como relevante efetuar um conjunto de insights junto de alguns membros da cadeia de valor no sentido de se Region Ex-works Price (USD/K Does) China 184.56 India 241.72 US 279.21 Japan 276.33 Thailand 255.57 Europe 270.17 Latin America 247.70 Middle East 231.84 Africa 185.63 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 25 poder compreender algumas realidades próprias, perceber quais são os pontos importantes e entender que papel desempenha cada interveniente na cadeia de valor. Nesse sentido, foram identificados alguns potenciais elementos importantes para recolha de informação. Divididos por duas tipologias temos: os Agentes, nomeadamente, Delegado de Informação Médica, Médico Endocrinologista, Enfermeiro, Farmacêutico, Produtor, Diabético Tipo 1 e Tipo 2; as Entidades, por exemplo, Associação nacional de diabetes, Laboratórios de análises, Hospitais, Clinicas, Centros de investigação, Farmácias, Distribuidores e Produtores de equipamentos. Contudo, devido a uma limitação imposta pela ACC, no sentido de não se potenciar de forma alguma que fosse extravasada informação sobre o projeto, a realização de insights esteve condicionada durante algum tempo à análise de viabilidade para submissão de patente, convergindo com o calendário desta dissertação, pelo que apenas foi possível realizar, nos moldes pretendidos, um insight efetivo e que se apresenta no ponto 3.4.1. No Anexo C apresentam-se as informações acerca dos objetivos e questões definidas para cada um dos insights que se apresentam. 3.4.1 Insight Delegado de Informação Médica Por uma questão de sigilo, e de forma a manter o anonimato do entrevistado, não será revelada a identidade da pessoa nem da empresa colaboradora, nesse sentido as informações prestadas serão expostas num âmbito abstrato. Contudo, importa referir que o agente é um quadro de esfia nesta área e a empresa em causa um dos principais players a nível nacional. De acordo com a informação recolhida, pontos que já estavam perfeitamente identificados e cuja informação condiz, dizem respeito aos agentes da cadeia de valor até à fase da venda, nomeadamente produtores, prescritores e pontos de venda. De destaque como produtores a operar no mercado temos a Roche, a Siemnes Health Care, a Bayer Health Care a LifeScan e Abbott Point of Care, que são os principais players e que gerem a cadeia de distribuição com base em alguma subcontratação de serviços. A prescrição funciona integrada, quem compra o dispositivo compra as test strips respetivas, sendo que os prescritores são, naturalmente, médicos, exercendo a sua atividade em Hospitais, Centros de Saúde, Clinicas, etc.. Podem, também, os Enfermeiros ser agentes influenciadores, nomeadamente pela presença em Lares, Centros de Acompanhamento, Centros de Dia e noutras atividades de Prestadores de Serviços. Também os Farmacêuticos poderão desempenhar um papel importante, são este o último agente formalizador da venda, pelo que poderão conduzir o utente a optar por uma solução em detrimento de outra. Contudo, reside nos médicos o papel essencial no que à prescrição diz respeito, é inclusive nestes que reside o principal empenho dos agentes de informação médica. Assim, da entrevista destacam-se os seguintes pontos-chave: - “A força da rede comercial e o músculo do player são os fatores determinantes para a escolha de uma marca” - “A decisão do consumidor não se baseia no preço, mas no prescritor” - “O mercado apresenta mecanismos repulsivos das soluções universais, isto é, um test strip deve ser lido apenas por um aparelho da própria marca” De acordo com a visão apresentada, a atuar no mercado nacional, não existe qualquer partilha de soluções entre marcas ou marcas brancas, quer nos test strips quer nos próprios mecanismos de leitura, isto é, cada player opta por ter um sistema isolado, evitando, desincentivando e procurando a não convergência de soluções. Foi inclusivamente veiculada a informação acerca de dois sistemas de análise que podiam ser lidos pelo mesmo dispositivo, Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 26 situação que implicou numa ação de descrença devido a uma pressuposta perda de rigor de análise. Importa salientar que uma das principais forças desta indústria reside nos principais fatores competitivos serem a capacidade da rede e a força comercial, assim como a potenciação do mercado através da relação próxima que conseguem estabelecer com a rede de prescritores e gestão dos canais de distribuição. No que à composição do mercado diz respeito, os consumidores a nível nacional são vistos como antiquados e apenas uma pequena fatia, contudo crescente, está adaptada e predisposta à utilização de novas tecnologias, como, por exemplo, leituras em sistemas wireless ou exportação de dados e posterior análise computacional. Em diferente ponto se encontra, por exemplo, o mercado americano, com outro nível de maturidade e onde existe, por exemplo, diferente perceção acerca da distribuição destes sistemas. Contudo, a tendência para utilização de novas tecnologias é crescente, existindo, genericamente, aparelhos com desempenhos e funções transversais no que respeita à leitura e armazenamento de informação passível de posterior análise médica. De acordo com o exposto não existe na capacidade ou tecnologia do aparelho diferenças capazes de implicar domínios relevantes no mercado, mesmo as soluções user friendly com software adaptado, ligação USB para descarrega de dados para o computador e mesmo outras soluções de ligação wireless são usadas mas não as mais procuradas. Na Figura 29 são representados alguns equipamentos. Porém, segundo o entrevistado, a tendência de avanço para soluções não invasivas em termos de leitura é algo que não está, ainda, nem se expecta num futuro próximo, com vigor, seja pela fiabilidade das soluções existentes ou pela inércia do mercado/consumidor. No que à comercialização diz respeito, normalmente os test strips são disponibilizados em packs de 50 ou 100 unidades e o valor, em Portugal varia consoante a existência de prescrição médica, que, em caso afirmativo, implica numa comparticipação do estado na ordem de 85%. Isto implica passar de um valor de venda ao público, para um pack de 50 un, superior a 16 € para 2,61 €. Contudo, devido às definições legais, para a nossa análise e desenvolvimento, no que ao mercado português diz respeito, o valor que importa pensar é no valor resultante da comercialização sem comparticipação, que resulta num valor unitário por sensor de 0.32€. 3.4.2 Insight Unidade de Saúde Familiar Apesar da preparação desta ação ter sido efetivada, com a informação acerca da patenteação indicada no ponto 3.5, a prossecução do objetivo da necessidade de perceção da cadeia ao nível da prescrição e apoio médico, ou mesmo junto da forma como os o utilizam doentes ficou posta em causa. Contudo, tal como referido no Anexo C poderá ser consultada informação relativa a este insight 3.5 Patenteação da invenção O desenvolvimento de uma patente requer um estabelecimento de um estado de arte que substancie a inovação. Nesse sentido, foi definido e elaborado um estado de arte, cujo Figura 29 - Tipos de sistemas comercializados pelas marcas Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 27 princípio consistia na criação de um draft para substanciar a pesquisa de desenvolvimentos e, juntamente com a informação apresentada ao longo deste desenvolvimento, serviriam de suporte à pesquisa. O desenvolvimento desta análise esteve a cabo de uma equipa de investigação, com um conjunto de consultores na área do direito industrial e que colaboram com a ACC neste género de desenvolvimentos. Nesta pesquisa foram encontrados alguns elementos que podem, por princípio, revelar-se um bloqueador à pretensão pressuposta de pedido de patente. Na especificação da patente europeia EP 1 353 169 B1 é possível identificar que, no caso de biossensores, é relativamente expectável bom funcionamento em substratos cujo material detenha boas propriedades de isolamento elétrico. Assim, segundo esta patente, a soluções com base em “papel de filtro, filtro de vidro, fibra de celulose, papel e cortiça” são relativamente expectáveis de bom funcionamento. Indica, também, que deve ser considerada a utilização de um material com boa rigidez, o que indicia o principio estabelecido para a solução de cortiça de maior densidade e, consequentemente, maior rigidez. Tendo em conta o documento, as reivindicações n.º 1 e n.º 5 são a reter como importantes para futuro. Foi, também, identificada a especificação de patente europeia EP 1 150 118 B1 com potencial de interferência neste desenvolvimento. Vocacionada para a análise ao colesterol, a descrição da constituição do elemento, bem como a referência à cortiça são pontos a considerar tendo em vista uma limitação inventiva com base na utilização enquanto biossensor. Mediante as patentes indicadas, uma reivindicação associada a uma pretensa submissão de patente está condicionada. Não deve, contudo, ser uma questão que morra, deverá ser explorada no sentido de verificar a potencialidade de patenteação da inovação, vontade condicionada certamente pelos desígnios da ACC. Com esta situação passamos de uma situação em que os clientes diretos deixaram de poder ser um cliente final para passarem a ser um conjunto de empresas que possuam capacidade de produção de biossensores e no seu portfólio consiga considerar a inserção de novos produtos, neste caso uma opção com base no substrato de cortiça. 3.6 Produção No esquema da Figura 30 é possível identificar as etapas para a obtenção de um test strip. Convém analisar e perceber a forma como o negócio é posicionado em termos da cadeia de valor para perceber quais as fases em que se pode efetivamente acrescentar valor ao produto final. Assim, por questões de conhecimento e por disponibilidade de meios, as fases relativas à produção do substrato e respetiva preparação do produto para a fase seguinte, nomeadamente para a impressão do circuito, são as únicas a considerar como dependentes exclusivas da ACC. Figura 30 - Integração na Cadeia de Valor Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 28 A justificação de terminar nesta fase os processos da cadeia de valor é o facto de a imersão e inclusão no sistema de uma partícula biológica será sempre algo que carece de um sistema certificado, com produtos altamente controlados e cujo conhecimento na vertente biológica e química muito extravasam os objetivos definidos pela ACC para o negócio que desenvolve. 3.6.1 Substrato A escolha do substrato resulta de um conhecimento prévio acerca da possibilidade e viabilidade de impressão neste material, assim como, de um conjunto de insights acerca dos processos teóricos que conferem ao produto características condizentes com necessidades identificadas, isto é, densidade da matéria-prima, pouco porosidade, compactação elevada, regularidade superficial, impermeabilização e baixa resiliência do acabamento de superfície. Numa primeira fase optou-se por considerar um substrato no qual anteriormente já tinha sido realizada com sucesso a impressão de um circuito elétrico. Numa fase posterior, numa perspetiva de desenvolvimento do produto poderá ser estudado e melhoradas as suas características com vista a esta finalidade. Aqui, poderá ter como principais vetores a análise da influência de características como a curva granulométrica do material, a percentagem e tipo de aglutinante utilizado, processo associado à granulação do material, entre outros. Em concreto, e exemplificando, a escolha de um substrato deveria recair sempre para uma solução cujo conjunto de vazios seja reduzido, ou seja, no qual a densidade seja maior ou que a estrutura dos grãos potencie a redução de vazios. Porém, há uma questão que se levanta, nomeadamente em relação à densidade da matéria-prima a ser utilizada, visto que esta varia entre os 50 kg/m 3 e os 350 kg/m 3 , e as propriedades são efetivamente diferentes, e a densidade do produto resultante. Mesmo que no final possuam a mesma densidade, o produto pode resultar de um processo de compressão de diferentes matérias-primas, com diferentes qualidades ou e características. Assim, assumindo os pressupostos é importante pensar na forma de execução do substrato, ou seja, se o formato do mesmo deve ser em placa, proveniente de bloco ou cilindro, ou se deve ser em rolo de produção continua. Neste caso, devido a informações internas o produto final apresenta características menos homogéneas se produzido em bloco ou cilindro, isto é a compactação não é uniforme em todo o volume e o tempo de estabilização/cura do material difere da periferia para o interior. Assim, a indicação para a referência utilizada passa por um processo de produção em contínuo com posterior enrolamento do material e que se prevê ser o mais eficiente de entre os possíveis, assim como aquele que melhor garante uniformidade do produto final, cuja resiliência à escala nano e micro tem forçosamente implicações na necessidade de tinta a depositar na superfície. Assim, o método de produção será realizado com uma Double Belt Press (DBP), após este processo, o substrato passa, apenas numa das faces, a de impressão, por um processo de polimento de superfície com base em lixas industriais, cujo objetivo é a regularização da face para impressão, seguida de uma aplicação de um impermeabilizante que garante a regularidade e consistência da superfície para deposição de tinta. O produto final surge em bobines de 1000 m e largura de 2080 mm, após retificação lateral. 3.6.2 Impressão Desta forma, no que ao método produtivo de impressão diz respeito, existem duas possibilidades identificadas e que se encontram representadas na Figura 31. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 29 Figura 31 - Esquemas de Produção Flat-Bed [Esq.] e Roll-to-Roll [Dir.] Inicialmente, a produção era considerada numa perspetiva de execução com base numa produção tipo Flat-Bed, à esquerda na Figura 31, ou seja, a produção de placas independentes e com recurso a stocks intermédios. Contudo, a capacidade produtiva do sistema era, naturalmente, um ponto a levantar, pelo que foi pensado e analisada uma solução que permitisse a laboração continua, na qual se presume obter um custo unitário inferior, com atividades menos dependentes de meios humanos e, consequentemente, capacidade de produção amplificada. Na seção 3.6.5 apresente-se uma comparação entre os dois métodos. 3.6.3 Integração do substrato com processo de impressão Dada a escala do equipamento em questão, é forçoso que o substrato seja adaptado às condições e limitações da máquina de impressão detida pelo CeNTI e definida, no âmbito da parceria, como a entidade onde se irá realizar o processo, até à fase pré-industrial. Porém, em fase posterior, será realizado numa unidade industrial com outra capacidade produtiva. Assim, as limitações do equipamento encontram-se apresentadas na Figura 32, pelo que, para a determinação da melhor solução, foi desenvolvida uma folha de cálculo que se apresenta no Anexo D. No Anexo E apresenta-se um esquema de transformação do formato de produção da DBP para a utilização de acordo com os preceitos do equipamento de impressão. Figura 32 - Limitações de equipamento Na Figura 33 apresenta-se uma representação esquemática do quadro final para impressão, nomeadamente da zona útil para impressão, margens e respetivos comprimentos de set up, fornecidos de acordo com as características do equipamento. Figura 33 - Representação da solução de impressão em rolo Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 30 3.6.4 Formato de impressão O formato de impressão provém de um quadro cilíndrico, com um conjunto de características compatíveis com o equipamento considerado. Porém de diâmetro e perímetro por definir. De forma a entender qual o melhor diâmetro a considerar, apresentam-se na Figura 34 dois tipos de disposições possíveis para planificação do quadro cilíndrico, opções que constituem as soluções viáveis do ponto de vista geométrico. Relativamente à largura, às duas opções apresentadas foi realizada uma análise de aproveitamento, o que permitiu determinar que para as dimensões consideradas para os sensores o rendimento do quadro, tendo em conta a zona útil indicada na Figura 33, para a Opção 1 é de 99.62% da área de impressão, enquanto que na Opção 2 esta desce para 95.09%. Assim, as escolha do quadro deverá contemplar uma impressão com sensores dispostos ao longo do perímetro do rolo – Opção 1. Na perspetiva do perímetro do rolo, como é possível aferir pela Figura 34, tendo em conta que se tratam de planificações de materiais que carecem de uma emenda para fecho do perímetro do rolo, no Anexo F apresenta-se uma matriz de cálculo das possíveis dimensões, tendo em conta que os perímetros do quadro variam entre o limite inferior de 304,800 mm e superior de 457.200 mm, com incrementos de 3,175 mm. No anexo indicado existe um conjunto de informação que permite aferir quais as opções mais vantajosas, isto é, as que permitem que se consiga que o término da última fileira coincida o mais possível com o início da zona de emenda representada, evitando desperdícios e aumento da zona de emenda. Nesta análise obtiveram-se duas soluções com rendimento 100 %, para as dimensões de 324.025 mm e 434.975 mm. Assim, na escolha da solução importa avaliar a rentabilidade e custo de cada uma. Considerando que por cada rolo de cortiça com extensão de 500 m, tal como representado na Figura 33, se consiga uma variação de 660 un. de produção, então utilizando a longevidade do rolo (30.000 utilizações), nada faz querer que o custo de aquisição do quadro de maior perímetro não seja amortizado ao longo de todos os ciclos de impressão que a 660 un. permitem uma produção de mais 19.800.000 sensores. 3.6.5 Custo unitário de produção Obter um valor que traduza a efetivação do preço do substrato é indispensável. Para isso, na Figura 35 apresenta-se essa determinação, conforme a origem do material (em cima), de acordo com os sistemas de custeio internos da ACC, nomeadamente produção em placa ou em rolo. Na figura apresenta-se os valores de produção de 1000 unidades. Contemplando a adição dos custos associados aos processos de transformação do rolo, de acordo com as dimensões indicadas nos pontos 3.6.3 e 3.6.4, embalamento e demais processos logísticos internos, assim como uma margem bruta de 35%, regra interna da ACC, perfaz-se o valor estimado de 1,0€/1000un. Figura 34 - Planificação das opções para disposição de sensores no quadro Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 37 Materiais Existem melhoria na escolha dos materiais, possivelmente quer em termos de desempenho, quer em termos de durabilidade ou mesmo no fator de competitividade pelo custo, este pensamento é válido da tinta ao substrato de cortiça. Relativamente ao substrato de cortiça, dado que a seleção do mesmo recaiu numa lógica cujos princípios de seleção foram de índole empírica, associada à anterior utilização de um determinado material com uma finalidade de impressão e a algum conhecimento acerca de potencialidade e características de substratos condizentes com alguns requisitos, prevê-se que possa, aqui, haver um interessante caminho a percorrer. A seleção do substrato deverá passar por um conjunto de fases iterativas em que se consideram fatores intrínsecos ao material e produtivos no que à cortiça diz respeito. 1. Fatores intrínsecos:  Tipo de material  Origem da matéria-prima  Densidade do material  Granulometria 2. Fatores produtivos:  Processo associado à granulação o Tipo moinho utilizado o Processo mecânico de quebra e granulometria  Curva granulométrica  Processo de cura e aglutinação  Tipo de compressão a que está sujeito material  Densidade do produto final  Acabamento superficial, nomeadamente através da lixagem e desbaste superficial aplicado o Tipo de lixa o Número de passagens o Afinação do equipamento Um fator importante a ter em conta é a característica do aglutinante que constitui o substrato de cortiça. Considerar alternativas em relação ao tipo de aglutinante utilizado poderá, também, ser importante, quer numa vertente de tipologia quer mesmo numa vertente de características técnicas do substrato final. Assim, testar soluções com os diferentes aglutinantes utilizados no processo de desenvolvimento surge como uma tarefa importante no sentido da criação de incrementação de valor à solução. Desta feita, considerar formulações de acordo com as características da cola, cuja constituição tem por base poliuretano mas cujas propriedades finais dependem, das formulações, constituintes e percentagens. No que às tintas diz respeito, neste tópico, e dado que a entidade envolvida como agente decisor e executor das ações inerentes, não se prevê, antes da pré-industrialização estar validada, que seja potenciado nenhum esforço neste sentido. Contudo, numa fase posterior ao pré-industrial e após validação da mesma, será uma abordagem interessante, provavelmente pela procura de potenciais parceiros de negócio ou entidades contratadas e especialistas neste tipo de trabalhos. Daqui surgirão, certamente, soluções mais eficientes do ponto de vista de rentabilidade, mais efetivas no que respeita à otimização de preços, e eficientes no que à quantidade de rejeitados ou precisão da solução dizem respeito, seja pelas quantidades envolvidas, seja pela total capacidade de adequação do produto à utilização. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 38 Processo Melhorias, no que aos processos respeita, são também algo que deve ser pensado. Na lógica da impressão certamente que poderá ser menos controlada internamente na ACC, mas entrará em linha de conta com o descrito para a melhoria relativa à tinta. Porém, no que respeita ao processo aqui há uma série de importantes melhorias que podem ser pensados, nomeadamente melhorias a nível da escolha da definição do processo de produção e respetivo processo de aglutinação. Porém, e de acordo com o identificado à data da conclusão do projeto, o sistema de polimento de superfície não representa adequação à função do produto, sobretudo porque o tipo de materiais produzidos genericamente se destina a indústrias cuja escala de controlo dimensional não anda no âmbito microscópico mas numa lógica em que a variação e controlo se efetuam ao centímetro ou milímetro. Assim, o sistema de lixagem industrial deveria ser redefinido no sentido de permitir uma capacidade extra de controlo da resiliência final, para isso, lixas adaptadas ou outro tipo de capacidade abrasiva deve ser considerada de forma a que a deposição da tinta sobre o substrato não seja um processo cuja interferência do substrato seja passível de condicionar o funcionamento do sistema. Assim, a superfície final deve apresentar resiliência máxima inferior às condições de possível afetação da camada de tinta depositada na impressão. O sistema de lixagem deve, também, ser pensado em relação a outros dois fatores. No que ao desgaste superficial do material diz respeito, pois, para a obtenção da espessura de 0.8 mm, claramente superior à espessura necessária, parte-se de uma base de 1.1 mm, facto que implica um desperdício de 30% do material produzido e que implica a deposição de partículas resultantes do desbaste na própria superfície. Características físicas Nesta fase, o conjunto de características físicas consideradas para a produção é claramente divergente da melhor solução e isso compreende-se por comparação com outros sensores disponíveis no mercado. Através de Benchmarking com outros produtos e soluções se entende que as geometrias finais são, no que ao substrato diz respeito, superiores nas três dimensões. Numa primeira fase, pode pensar-se em relação ao formato 2D, de forma a reduzir a área e garantir a acomodação da superfície ao utilizador mas, também, potenciar a performance do ponto de vista de consumo de material. Numa fase posterior pensar ao nível da terceira dimensão, considera-se que seja muito importante. Claro que 0.8 mm confere uma resistência boa ao material mas também implica uma quantidade de matéria-prima superior ao estritamente necessário para garantir que o substrato funciona com as mesmas garantias de qualidade. Apesar de ao nível do custo o substrato não apresentar uma importância significativa no valor final e, por isso, até poder ser, do ponto de vista financeiro, dispensável um esmiuçar detalhado devido à sua influência no peso final do produto, no que a questões de comercialização diz respeito a situação muda de figura. Neste caso, e comparando com as soluções conhecidas no mercado, a espessura máxima encontrada é de 0.50 mm, nomeadamente para o sensor cujo substrato é em cerâmica. Ora esta questão dimensional, do ponto de vista do consumidor, implica que o pack final a considerar para venda possa ser maior e o volume a transportar em produção, logística, ou mesmo a ser apresentado ao consumidor final, entre outros fatores, para a mesma proposta de valor, seja superior. Também a exploração de outras geometrias de circuito possa ser um ponto a considerar, seja para a utilização e finalidade que está a ser considerada, seja por motivos relativos a novas utilizações ou novos segmentos. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 39 4 Projeto Estamp O momento de início do projeto coincidiu com o início do período de dissertação na ACC. Desta forma, no período de acolhimento definido, internamente, para duas semanas, em que foram realizadas apresentações à UN e diversas ações de integração com os responsáveis das diferentes áreas, o projeto esteve a ser gerido pelo Orientador na empresa, passando, posteriormente, para o âmbito deste trabalho. 4.1 O parceiro de desenvolvimento – Estamp A Estamp é uma empresa Espanhola, com presença mundial, nomeadamente com escritório em Wolfsburg, na Alemanha, e fábricas em Barcelona, na Eslováquia, na China e no México. Os seus clientes mais fortes são provenientes da indústria automóvel, como por exemplo os construtores europeus Renault, Citroen e Volkswagen e os japoneses da Nissan, Honda e Toyota, o que lhes confere uma presença mundial distinta. Líder de mercado no seu segmento, descreve-se como “committed to leadership in the design, production and delivery of metal-based thermal insulators for the automotive sector” (www.estamp.es 10/5/2016). Desenvolve, por isso, produtos para funcionarem ativamente como proteção de sistemas e componentes, nomeadamente em tanques de combustível em veículos automóveis cujo objetivo passa, não só, pelo isolamento térmico dos elementos, mas, também, pelo isolamento acústico e dissipação de calor. Pratica uma política interna com foco no cliente, procurando a excelência e sustentando o seu crescimento de mercado apostando na inovação. É nessa senda inovadora e de criar novas soluções para o mercado que surge a parceria de desenvolvimento com a ACC. 4.2 O Projeto da Estamp O desenvolvimento deste conjunto de projetos resulta de um processo iterativo, de parceria entre a ACC e a empresa Estamp, com o objetivo de desenvolver soluções alternativas aos produtos que esta última trabalha e comercializa. Nesse sentido, serão expostos os produtos e demonstrados os requisitos definidos pelo cliente, por forma a criar uma possibilidade de diversificação de produtos, apresentando novas soluções para o mercado automóvel. Contudo, importa expor o problema de forma mais detalhada e definir quais as ambições específicas para este desenvolvimento conjunto. Na Figura 42 apresenta-se a tasklist base para o desenvolvimento dos produtos, quando relevante a apresentar nos subpontos respetivos. De salientar que inicialmente havia um desígnio de ser a Estamp a entidade responsável pela gestão do projeto, contudo com o desenrolar das atividades e com o alterar de alguns pontos, passou a ser a ACC a estar a desenvolver para a Estamp um conjunto de produtos e, por isso, a entidade responsável pela gestão do mesmo. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 40 ESTAMP 1 Gestión del proyecto 2 Definición de requerimientos (geometría, mecánicos, térmicos y acústicos) de las soluciones propuestas 3 Definición Target de precio 4 Simulación acústica del producto desarrollado 5 Simulación térmica del producto desarrollado 6 Desarrollo adhesivos y materiales de reflexión IR para solución parche (cualificación) 7 Ensayos y caracterización de solución (térmico – acústico) 8 Estudio de las metodologías de aplicación posibles en producto Estamp (industrialización) 9 Desarrollo de prototipos de pantallas térmicas 10 Contacto con el cliente final AMORIM 11 Estudio viabilidad técnica 12 Desarrollo materiales 13 Definición de rangos de espesores y densidades 14 Colaboracion en el desarrollo del los adhesivos y materiales de reflexión IR para solución parche 15 Caracterización físico química (densidad, conductividad, prop mecánicas, prop acústicas, …) de los materiales compuestos de corcho mediante ensayos 16 Estudio de las metodologías de fabricación/industrialización posibles 17 Construcción molde 18 Proveer piezas prototipo de base corcho para ensamblaje en pantalla térmica en la planta de Estamp 19 Coste del producto Figura 42 - Caracterização do panorama inicial de desenvolvimento De acordo com o postulado, tendo como objetivo a criação de uma solução diferenciadora pela substituição de componente(s) que preveja a inclusão da cortiça como elemento diferenciador na sua conceção, mas que mantenha as características base dos sistema e, potencialmente perspetive uma melhoria efetiva em alguns parâmetros, é necessário perceber, em concreto, qual o ponto de partida em cada um dos casos, não descurando a complexidade das soluções, o rigor de testes e especificações, bem como o carácter de exigência que apresenta o desenvolvimento de soluções para a indústria automóvel. No setor automóvel, normalmente, um produto não é inserido num modelo existente, pelo contrário, é considerado válido apenas para novos modelos ou em determinadas alterações efetuadas aos modelos existentes. Assim, um ponto preponderante é o timing da decisão do construtor, fator que pode implicar positiva ou negativamente na velocidade dos projetos. 4.3 Gestão do Projeto Devido ao âmbito do trabalho, por uma questão de existência de limitação de acesso a alguma documentação interna e no sentido de ser protegida a evolução do trabalho, foram desenvolvidas algumas rotinas para que um agente externo ao projeto possa consultar o estado dos projetos de forma clara, imediata e com informação atualizada. Foram, assim, definidos algumos vetores essenciais ao desenvolvimento do processo, e que se listam de seguida:  Comunicação interna e distribuição de tarefas;  Disponibilização transversal da informação atualizada à equipa;  Equipa com conhecimento das datas e timmings do projeto;  Conhecimento dos objetivos e responsabilidades entre e de cada interveniente;  Controlo e integração da informação;  Organização informativa e disponibildiade para consulta. Estes vetores foram trabalhados e conseguidos sobretudo com base na partilha e no detalhe de informação, na existe consciência transversal plena da evolução do projeto, assim como do que este representa para a empresa em termos de valor de negócio, perspetivas de utilização e Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 41 processo de execução. Desta forma, coerentemente, todos os emails seguiam com cc da equipa; foi utilizada uma ferramenta através do qual era possível criar, gerir e perceber o encadeamento das tarefas, com prazos razoáveis definidos e responsáveis atribuídos, como se demonstra na Figura 43 e na Figura 44; foi assumido que todas as semanas, no último dia da mesma, seria enviado às 17h um email com a atualização do estado dos projetos; a programação de reuniões periódicas com o cliente, com presença de toda a equipa sempre que algum ponto o suscitasse. Dampening Thermal Patch Sandwich Heat Shield 001 01_Cliente 2.1 3-fev Heat Shield Sent current and new 3D to ACC for formability and cost target analisys (compressed areas?) ESTAMP 002 01_Cliente 2.2 3-fev Heat Shield Define the cost target for the new 3D ESTAMP 003 01_Cliente 2.3 3-fev Heat Shield Clarify if the smoke problem is just on the first ageing or it happens always. To be included in the repport ACC Action Point/Decision Responsible person Topic Ref No. Meeting name Date Raised Figura 43 - Modelo Tasklist com exemplificação (1/2) Open Closed Information Decision 5-fev 5-fev closed ESTAMP 0 5-fev 5-fev closed ESTAMP 0 19-fev 19-fev closed Report envido por Carla para JP 25/2 0 ACC Due data Date done Comments Datas ACC Datas Estamp Figura 44 - Modelo Tasklist com exemplificação (2/2) De realçar que o modelo apresentado foi adaptado para a situação em causa, nomeadamente pela programação desenvolvida que permite validar, com uma escala de cor, os cumprimentos dos prazos, situações de dependência e estado de cada tarefa, sempre associado ao respetivo responsável que é, em lista fechada, selecionado (o mesmo acontece para o produto em cada tarefa). Este modelo permite lançar também pontos de decisão ou de informação, que ficam registados, datados, indicados os responsáveis e qual a data e evento em que ocorreram. Para o desenvolvimento deste projeto foi utilizada um conjunto de ferramentas que se revelaram de enorme importância. Dado que ambas as partes comunicavam, normalmente apenas por email e conferencia telefónica, numa dialeto não nativo, é natural que a mensagem e o foco das reúniões não seja o mesmo que seria em situações presenciais. Na Figura 45 encontra-se um corpo de email exemplificativo que alimentava o mapa de tarefas indicado anteriormente nas Figura 43 e Figura 44. Figura 45 - Exemplo de resumo e reunião Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 42 Assim, por forma a garantir que a comunicação fluia de forma não enviezada, além dos resumos finais da reúnião na própria reunião, era elaborado um email com as definições de tarefas para os diferentes projetos e com os respetivos deadlines. Este procedimento não estava especificamente estabelecido, foi concretizado no sentido de se garantir uma transmissão clara de informação, evolução e tarefas pendentes. 4.4 Desenvolvimento dos Projetos Inicialmente estavam definidos quatro agentes como elementos colaboradores do projeto. Na Figura 46 o representante institucional, cujo papel já foi identificado para as duas primeiras semanas, desde então, quando necessário, tem sido um interlocutor formal do ponto de vista institucional, sendo o desenvolvimento e iterações articuladas sobretudo entre os restantes. Representante institucional Nuno Terrível Gestor de Projeto Miguel Fernandes Desenvolvimento Carla Mendes Resp. Laboratório João Carvalho Figura 46 - Configuração e papéis da equipa de trabalho O ponto de partida considerará sempre informação acerca do estado inicial da solução, ou seja, o ponto do qual se inicia o desenvolvimento e que corresponde aos parâmetros validados do sistema que se pretende substituir. Nesse sentido, não será desconsiderada à priori qualquer solução com base no não cumprimentos de algum parâmetro, pelo contrário, serão analisadas soluções que tenham registos abaixo do previsto mas que potencialmente possam ser alvo de validação por apresentarem melhorias de desempenho noutras vertentes. Assim, iterativamente considera-se um rol de soluções que se entendem ter potencial, de forma a que a decisão de validação ou exclusão seja colocada do lado do cliente. Com este processo será possível obter, gradualmente, um conjunto de informações relevantes, nomeadamente potenciais folgas nos requisitos, necessidades de alteração de elementos e, também, a possibilidade de jogar proporcionalmente entre soluções. Sobre este processo prevê-se a criação de soluções vingadoras e de acordo com o target de preço definido. Importa referir que existe alguma limitação em termos de disponibilização de informação, pelo que não irão ser consideradas algumas imagens ou mesmo valores relativos a especificações, passíveis de melhor esclarecer, por limitações em termos da confidencialidade dos elementos dispensados. 4.5 Heat Shield e Acoustic Heat Shield O ponto de partida para este desenvolvimento passa pela concretização do sistema indicado na Figura 47, ou seja, pela criação de uma barreira de proteção de acordo com o sistema representado. Inicialmente diferentes, mas, devido à sua complexidade e semelhança, o Heat Shield e o Acoustic Heat Shield, surgem fundidos no mesmo projeto. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 43 Figura 47 - Representação esquemática do sistema Heat Shield e Acoustic Heat Shield Este produto tem como principais necessidades, tal como sugerido, uma necessidade de resistência específica ao calor e ruído, nomeadamente pela baixa condutividade térmica e capacidade de insonorização, mas também uma limitação importante em termos de peso, absorção de água e outras substâncias como óleo. Também uma capacidade elevada de resistência ao fogo, bem como uma geometria específica definida, não linear no seu desenvolvimento e variável em termos de espessura. Na Figura 48 podemos verificar a existência dos dois semblantes que representam, a três dimensões, os produtos em causa. Figura 48 - Heat Shield e Acoustic Heat Shield Devido às características da cortiça e às geometrias apresentadas o modelo da esquerda foi desconsiderado, pelo que o da direita passou a ser o único considerado para desenvolvimento, sobretudo por apresentar um conjunto de características flat, reduzidas inflexões e poucas variações de espessura. Desta forma, foi realizada uma primeira análise acerca da viabilidade de produção de um protótipo, contudo logo aqui surge um conjunto grande de dificuldades, intrínsecas ao processo de fabrico mas sobretudo às necessidades de processo inerentes à matéria-prima. Assim, pensando da forma standard de criar blocos de cortiça aglomerada na ACC, o processo passa pela criação de um cilindro ou paralelepipédico de material com as características determinadas em formulação. Posteriormente é laminado ou fatiado de acordo com o tipo, forma ou aplicação necessária. Esta solução mostrava-se à priori como não viável, neste caso, quer pela forma, quer pela necessidade de existência de alguns entalhes ou mesmo variações de espessura, o processo fica, de todo, posto de parte. Assim, consideraram-se duas outras formas de execução dentro da mesma lógica, isto é, a execução da peça em partes. Porém, as descontinuidades, devido à espessura reduzida não permitir um comprimento de entrega e não garantiam uma uniformidade de características ao longo de toda a forma, pelo que, não seria aceite pelo cliente. Esta definição leva, necessariamente, ao redefinir da solução em termos produtivos. A segunda opção considerada passaria pelo desbaste numa máquina de Comando Numérico Computadorizado (CNC), partindo de um bloco maciço, “esculpindo” o elemento de forma a realização o formato criado. Esta solução está validada em termos de conceito e é potencialmente exequível, porém, devido ao enorme desperdício de matéria-prima não chegou a ser considerada em termos efetivos. Outra das formas possíveis consideradas para produção passaria pela criação de um molde e através de injeção de material poder-se-ia obter a solução sem grandes desperdícios de Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 44 material. Porém, este tipo de tecnologia ainda não está acessível, com efetiva possibilidade de execução, para materiais granulares não liqueficáveis com pressão e/ou temperatura, o que é o caso da cortiça que não abandona a sua forma granular. Ou seja, a incapacidade de termo moldação aqui funciona como uma limitação que faz cair a solução. Pensando noutra solução, a vertente de prensagem do material granular é uma realidade plausível, necessitando algum investimento mas, também, de um conjunto de testes de elevada complexidade até ser garantida que a forma não apresenta vazios, irregularidades ou mesmo descontinuidades. Em paralelo foi realizada uma análise de viabilidade de materiais com base de cortiça. Da biblioteca de materiais da ACC, e com base nas características e exigências das especificações para o produto, a equipa de desenvolvimento fez uma pré-seleção de possíveis materiais capazes ter bons desempenhos, pelo que foram realizados alguns testes e compilados em apresentação, disponível no Anexo I para que o cliente compreenda o exato estado de “Where we are” em termos de performance dos produtos. Porém, foi também identificado um conjunto de limitações físicas para efetivar esta solução, limitações que extravasam as propriedades requeridas para os materiais. São elas a densidade de um possível produto, claramente superior ao exigido, e a mudança de cor verificada na cortiça com a exposição continuada às condições exigidas pelas especificações do produto, ou seja o envelhecimento dos produtos levava claramente ao enegrecimento do material e, por isso, alguma alteração de características. Assim, analisando o conjunto de questões do ponto de vista produtivo, de algumas limitações de materiais e outros indicados as perspetivas de exequibilidade no final de Abril eram reduzidas. As mesmas foram partilhadas e apresentadas à Estamp, pelo que o caminho passa pela apresentação formal da situação ao cliente final, neste caso a Volkswagen. Espera-se a realização de uma reunião com a equipa de desenvolvimento da marca alemã que se preveja que seja indicativa/conclusiva de qual o caminho a seguir, ou seja, se o componente em questão “cai” ou se se poderá avançar para a definição e elaboração de um protótipo. 4.6 Thermal Patch Em semelhança com o apresentado no ponto 0, também este sistema surge perante uma necessidade de criação de um sistema capaz de competir com o existente, representado pela Figura 49, em termos de especificações técnicas. Figura 49 - Representação esquemática do sistema Thermal Patch Em termos de formas a informação que existe para desenvolvimento é apenas indicativa, o conjunto de aplicações vai desde sistemas com dimensões idênticas a A4 e formato flat (formato em análise) até formas elaboradas cujo formato implica alguns ângulos e curvaturas. Neste caso as condicionantes de ordem acústica não são relevantes, porém é importante que o sistema multi-layer apresentado funcione perfeitamente solidarizado entre constituintes do sistema. Esta questão levanta algumas limitações em termos de materiais e processos pois Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 45 implica que cada camada seja perfeitamente adesivada à(s) superfície(s) adstrita(s). É também indispensável uma preocupação com o target de preço definido para a conceção, pelo que os processos devem ser reduzidos ao mínimo para garantir a viabilidade da solução. Assim, neste caso, a proposta de valor passa pelo fornecimento de um sistema completo que englobe a cortiça como componente diferenciador. Além da questão do preço é importante conceber um produto final cujas características de flexibilidade e adaptabilidade do sistema à superfície, a capacidade de adesão a uma superfície de polietileno de alta densidade e, necessariamente, a componente de isolamento térmico e reflexão de calor estejam de acordo com os requisitos indicados pelo cliente. Considerava-se que a Estamp iria disponibilizar um conjunto de informações muito para além dos requisitos técnicos, isto é, quais os fornecedores dos diversos constituintes do sistema, cotações e subsistemas existentes, facilitando a criação do conjunto. Neste caso em particular, dado que a ACC irá substituir um fornecedor do sistema completo entregando o produto pronto a ser aplicado à Estamp, que posteriormente fornece este ao seu cliente, produtor final de tanques automóvel, a informação disponível e o aconselhamento existente ficou, por natural desconhecimento, aquém do esperado. Inclusivamente surgiram limitações devido ao reduzido know how e pouca disponibilidade de provetes para realização de testes, ensaios e análises comparativas. Foi, assim, necessário procurar fornecedores, analisar amostras, criar sistemas conjuntos, comparar formulações, iterar, etc. Em termos laboratoriais este processo representou um avanço contínuo e progressivo mas sempre com fortes restrições ao nível das características, limitadas pelo target de preço imposto e, naturalmente, o casamento entre os diferentes elementos constituintes do sistema. Pode-se dizer que a componente descrita no I-Cork representado na Figura 6 para a fase da Proposta de Valor está claro e perfeitamente definido, permitindo entrar no primeiro nível de decisão, identificando as First Business Opportunities e passar par a fase exploratória. Após evolução iterativa obteve-se um conjunto de elementos que se considerou capazes de cumprir solidariamente com os requisitos exigidos. Esses elementos foram testados e compilados por forma a disponibilizar ao cliente, numa primeira fase, uma solução visual para validação/rejeição e, posteriormente, um conjunto de informação não passível de divulgação que acompanhada com um conjunto de provetes para realização dos testes de validação do protótipo. Estamos portanto, na fase exploratória e junto ao nível de decisão acerca do Big Bets. Assim, em sequência, na Figura 50 apresenta-se o protótipo do Thermal Patch concebido, e apresentado ao cliente e no Anexo J com os desenvolvimentos levados s a cabo. Dado que este produto resulta numa composição de um sistema com diferentes tipos de materiais, produzidos dentro e fora de portas, então, para que este desenvolvimento vá a bom porto é preciso, após validada a solução pelo cliente, fazer uma análise de processos e materiais e validar os respetivos custos no sentido de entender quais as soluções dentro do Figura 50 - Protótipo Thermal Patch Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 46 target definido. Assim, apresenta-se no Anexo K o mapa comparativo desenvolvido, que permite demonstrar quais as soluções possíveis e estabelecer uma comparação entre elas. 4.7 Sandwich De todos, teoricamente, é este o sistema que menor atenção merece em termos de esforço de desenvolvimento. A sua constituição é relativamente simples e baseia-se, sobretudo na substituição de um componente. Como o próprio nome indica, a constituição pressupõe uma dupla face exterior do mesmo material e, no seu interior, apenas um componente, que se pretende que seja de cortiça. A única particularidade que distingue as folhas metálicas entre si é a existência de microperfuração no alumino para uma das faces, de forma a potenciar o efeito de isolamento acústico da superfície, e do sistema, a sons de transmissão. O componente causa não é um objeto flat, pelo contrário, contém um conjunto elevado de inflexões o que obriga ao estabelecimento de alguns critérios na escolha de matérias. Tem que ser consideradas características de flexibilidade apropriadas, que pode verificar-se como um problema para numa solução cuja espessura do corpo interior terá entre 3 e 4 mm. Outras das necessidades principais a nível de requisitos passa pela capacidade de resistência ao fogo, pelo especificado desempenho acústico e pela durabilidade do sistema. Também a questão térmica é também importante, porém, não apresenta valores muito acentuados. Assim, o desenvolvimento recairá sempre na escolha de um produto existente e posterior ensaio de validação de acordo com o sistema produtivo do componente. A par da questão de formulação, também o desenvolvimento se tem demonstrado relativamente simples, pelo menos em comparação com os demais produtos. Neste caso, em termos de timings o cronograma é similar ao existente para o Thermal Patch. Desta forma, foi realizada uma seleção de um conjunto de materiais cujas características fazem fit com as especificações estabelecidas pelo cliente definida a formato de entrega como uma peça pronta a aplicar. À data da conclusão desta dissertação, a questão final passa apenas por uma definição final de volumes e preços de comercialização. 4.8 Glass Pads No que respeita a este ponto, foi proposto pelo cliente o desenvolvimento de uma solução em cortiça tipo Glass Pad, capaz de ser utilizado adesivado a uma superfície metálica e cuja capacidade de resistência do adesivo fosse equivalente à do Thermal Patch, apresentado em 4.6., e cujo esquema se apresenta na Figura 51. 20 mm 2 mm Figura 51 - Glass Pad System Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 53 • Elástica - forte poder de readquirir a forma inicial; • Compressível - o único sólido que não sofre dilatação lateral ao ser comprimido; • Isolante térmico, acústico e antivibrático; • Retardador de combustão - sem libertação de gases tóxicos; • Antiestática e hipoalergénica - não absorve pós. O ciclo de vida da cortiça Cerca de um quarto da produção de cortiça é usada para a produção de rolhas de cortiça, o que representa cerca de setenta por cento do volume de negócios do sector. Para além do aproveitamento para rolhas, numa vertente de granulada ou granulada e reaglomerada, existe uma vasta gama de produtos onde é possível encontrar cortiça, nomeadamente pavimentos e revestimentos, em artigos decorativos na vertente home ou office, na utilização de solas e palmilhas para calçado, na constituição de sistemas para relvados desportivos, em utilizações aeroespaciais e farmacêuticas, entre um conjunto enorme de diversas aplicações que vêm surgindo no mercado de forma quase espontânea. De seguida, na Figura 53, apresentam-se as utilizações conhecidas para o material de acordo com a Asecor – Clsuter del Corcho de Extremadura. Figura 53 - Utilizações de cortiça Processos industriais Importa realçar que, nesta indústria, os desperdícios de matéria-prima se reduzem a pó de cortiça, sendo que este pode ser reincorporado no processo e inserido em emulsões potenciando o valor da solução com incrementos de valor associados às características da Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 54 cortiça, ou simplesmente numa vertente industrial para produção de energia através da combustão em caldeiras próprias (Associação Portuguesa da Cortiça, 2015). Todo o processo pode ser traduzido pelo esquema apresentado na Figura 54, que representa o caminho para as diferentes tipologias de matéria-prima. Figura 54 - O ciclo de vida industrial da matéria-prima (Autoridade de Concorrência, 2012) Contudo, apesar de não indicado no esquema, é interessante salientar que o reaproveitamento do produto posterior é também possível. Por ser um material de natureza inorgânica a sua degradação ao longo do tempo é muito reduzida, isto faz com que com possa ser reciclada e reintroduzida no processo, nomeadamente na fase de granulação. Nestas situações deve ser tida em conta a origem e o destino do produto regranulado para garantir controlo das características dos materiais e que este, caso contenha algumas adições de produtos, não seja encaminhado para fim impróprio. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 55 ANEXO B: Exemplos de Business Model Canvas Figura 55 - Matriz BMC Nespresso (Themes, 2016) Figura 56 - Matriz BMC – Skype (Themes, 2016) Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 56 Figura 57 - Matriz BMC Ipod/Itunes (Osterwalder and Pigneur, 2010) Figura 58 - Matriz BMC Metro Newspaper (Osterwalder and Pigneur, 2010) Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 57 ANEXO C: Insights - Objetivos e Guiões de Entrevistas 1. Delegado de informação médica Objetivos:  Perceber a estrutura da cadeia de valor  Caracterizar papel dos diversos agentes em toda a cadeia  Perceber quais as marcas de referência  Compreender posicionamento em relação a outras marcas  Perceber qual a relação entre os dispositivos de leituras e os biossensores  Obter uma visão do mercado por dentro  Perceber tendências futuras e quais os tipos de produtos que as marcas oferecem  Perceber a estrutura de preços praticados no mercado Questões:  Quais são os produtos (medidor e sensor) mais vendidos no mercado? Porquê, quais são os fatores críticos na decisão de compra?  Para cada medidor temos sensores específicos ou existem sensores “universais”?  Quais são os formatos de venda (ex.: 1 caixa de 10?)?  Quais são os preços de mercado para os main runners?  Quem são os prescritores? O que é mais relevante/valorizável no produto para eles?  Quem são os principais players e marcas?  Qual a cadeia de valor dos biossensores de glucose para a empresa do entrevistado?  Como vê o futuro deste produto? Tendências 2. Unidade Familiar Enfermeira Chefe / Médico Endocrinologia / Clinico Geral Objetivos:  Caracterizar a tipologia de utentes e de recursos necessários num centro  Perceber consumos de matérias e equipamentos  Compreender volume/consumo de materiais por utente (Tipo 1 e Tipo 2)  Entender relações causa-efeito com outras doenças  Caracterizar papel dos diversos agentes em toda a cadeia  Diferença entre autocontrolo e controlo hospitalar  Caracterizar ações obrigatórias de consumo de equipamento Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 58 Questões:  A tipologia de doente é padronizável? Diferente da que recorre ao centro?  É possível caracterizar um doente tipo? E um doente tipo que recorra aos serviços do centro? o Género o Idade o Peso/aparência saudável o Estrato social o Profissão o Estilo de vida o Antecedentes familiares o Prevalência do meio (urbano, rural)  Pode associar-se esta doença a outras (Hipertensão, Obesidade, Acidentes Vasculares, outros)?  Considera que exista alguma população mais suscetível?  Qual o papel do enfermeiro na cadeia de valor? E do Médico? (Administra, prescreve, aconselha, informa, influencia)  Qual a especialidade médica mais influente para a opção do doente por um tipo de aparelho/marca/formato e em que fases sucede ou pode suceder?  Quais os tipos de aparelhos mais adequados para utilização num centro? E em casa?  Qual o motivo de recorrerem ao centro podendo realizar em casa?  São diferentes os aparelhos/tecnologia existente em casa e no centro? Quais as principais diferenças?  Os formatos disponíveis são adequados?  Os utentes têm algum tipo de dificuldades de lidar com os aparelhos?  Qual a percentagem de utilização de sticks com base em procedimentos médicos vs. utilização para controlo?  Quantas vezes ao dia são efetuadas medições de controlo no centro? o Para um doente o Na totalidade o Para controlo específico o Para procedimentos médicos  Entre o centro de saúde, uma unidade de saúde familiar e uma hospitalar quais as principais diferenças em termos de testes, consumos e medições?  Existe obrigatoriedade de realização de testes de diabetes antes de algum tipo de procedimento médico não cirúrgico efetuado no centro?  A obrigatoriedade de realização de testes antes de procedimentos cirúrgicos é transversal? Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 59 ANEXO D: Folha de cálculo para determinação do formato do Rolo Na figura seguinte apresenta-se o cálculo para determinação de qual a dimensão mais eficiente a considerar para a execução do rolo. Limitações e características altura total = htotal 2,08 m espessura = Espessura 0,0008 m peso max = Pmax 70 kg densidade = Dmin;Dmax 450 550 kg/m3 comp. total = ctotal 1000 m limite rolo= crolo 500 m Peso recomendado = 65 kg Dimensão rolo Desperdício por rolo Altura [m] N.º [un] Dist. max. [m] Final [m 2 ] Lateral [m 2 ] Total [m 2 ] Médio [m 2 ] Verificação de peso [kg] 450 kg/m 3 550 kg/m 3 450 kg/m 3 550 kg/m 3 450 kg/m 3 550 kg/m 3 500 kg/m 3 450 kg/m 3 550 kg/m 3 500 kg/m 3 0,330 6,3030 589,23 482,09 0 74,49 100,0 100,0 174,5 137,2 59 ,4 70 64,7 0,325 6,4000 598,29 489,51 0 43,636 130,0 130,0 173,6 151,8 58,5 70 64,25 0,320 6,5000 607,64 497,16 0 11,818 160,0 160,0 171,8 165,9 57,6 70 63,8 0,315 6,6032 617,28 505,05 0 0 190,0 190,0 190,0 190,0 56,7 69,3 63 0,310 6,7097 627,24 513,20 0 0 220,0 220,0 220,0 220,0 55,8 68,2 62 0,305 6,8197 637,52 521,61 0 0 250,0 250,0 250,0 250,0 54,9 67,1 61 0,300 6,9333 648,15 530,30 0 0 280,0 280,0 280,0 280,0 54 66 60 0,295 7,0508 659,13 539,29 0 0 15,0 15,0 15,0 15,0 53,1 64,9 59 0,290 7, 1724 670,50 548,59 0 0 50,0 50,0 50,0 50,0 52,2 63,8 58 0,285 7,2982 682,26 558,21 0 0 85,0 85,0 85,0 85,0 51,3 62,7 57 0,280 7,4286 694,44 568,18 0 0 120,0 120,0 120,0 120,0 50,4 61,6 56 0,275 7,5636 707,07 578,51 0 0 155,0 155,0 155,0 155,0 49,5 60,5 55 0,270 7,7037 720,16 589,23 0 0 190,0 190,0 190,0 190,0 48,6 59,4 54 0,265 7,8491 733,75 600,34 0 0 225,0 225,0 225,0 225,0 47,7 58,3 53 0,260 8,0000 747,86 611,89 0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 46,8 57,2 52 Solução ideal Comp. Rolo 500 m Largura Rolo 0,295 m Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 60 ANEXO E: Preparação do substrato para processo de Impressão De seguida apresenta-se um esquema representativo da transformação do rolo produzido na DBP para aplicação na máquina de impressão. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 61 ANEXO F: Cálculo das dimensões dos rolos de impressão De seguida apresenta-se o cálculo para determinação de qual a dimensão mais eficiente para a considerara para o rolo. Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 62 ANEXO G: Determinação do custo de produção de Biossensor Na determinação do preço de produção deste sistema foi considerada uma solução em placa e em rolo. Partindo dos valores recolhidos interna e no mercado temos o seguinte output. Placas Cilindro ref Tópico 50 x 30 cm 1 Cortiça 0,8 mm NRT94 com tratamento 0,0010 € 0,0010 € 2 Impermeabilização da cortiça 0,00163 € 0,00163 € 3 Impressão de prata 0,03700 € 0,02300 € 4 Impressão de carbono 0,02600 € 0,01200 € 5 Impressão de material isolante 0,03390 € 0,01800 € 6 Corte a laser 0,03000 € 0,03000 € 7 Quadros 900 € 3.000 € % de rejeitados considerada 20% 20% Produção horária (un/h) 1440 ? capacidade utilização quadros 5.400.000 5.400.000 1.000 1,055 € 3,10276 € 10.000 0,245 € 0,40276 € 5.400.000 0,15560 € 0,10331 € 8.400.000 0,15554 € 0,10311 € 1 Cortiça 0,8 mm NRT94 com tratamento Custo material Custo processo 2 Impermeabilização da cortiça Custo material 0,00043 0,00043 Custo processo 0,00120 0,00120 3 Impressão de prata Custo material 0,01300 0,01300 Custo processo 0,02400 0,01000 4 Impressão de carbono Custo material 0,00200 0,00200 Custo processo 0,02400 0,01000 5 Impressão de material isolante Custo material 0,00990 0,00800 Custo processo 0,02400 0,01000 6 Corte a laser Custo processo 0,03000 0,03000 7 Quadros Aquisição de quadros (3 un) 900,00 3000,00 1.000 0,900000 3,000000 10.000 0,090000 0,300000 30.000 0,030000 0,100000 8580000 0,000105 0,000350 Legenda: Valor assumido igual Valores constantes Preço final Custo €/un Nota: 0,0010 € 0,0010 € Qdd Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 69 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 70 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 71 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 72 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 73 ANEXO J: Apresentação Thermal Patch Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 74 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 75 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 76 Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 77 ANEXO K: Determinação do custo de Fabrico Thermal Patch Aqui apresenta-se o esquema desenvolvido de mapeamento de custos desenvolvido, porém, sem quantificação de preços por uma questão de confidencialidade. No final existe um quadro de validação, programado de acordo com as combinações viáveis, caracterizadas numa escala indicativa da forma como está o produto posicionado em termos de target de preço. 1200 x 3 [mm] (45 m) ACC 1200 x 4 [mm] (34 m) ACC Forn. 1200 x 3 [mm] (45 m) 1200 x 4 [mm] (34 m) V/X Principais Testes Motivo 1650 x x x x x v - 1630 x x x x x x Flexibilidade 3334 x x x x x x Preço 425 x x x x x x Preço 1436 x x x x x x Preço 8222 x x x x x x Cliente 8235 x x x x x x Flexibilidade 8245 x x x x x x Flexibilidade 8257 x x x x x v - 8240 x x x x x v - x 2204 x x x x x x Peel 4615 AD x x x x x v - 4624 AD x x x x x v - 4710 AR x x x x x v - 4610 AR x x x x x v - 9627 x x x x x x Preço 9471 x x x x x x Preço Processo - ad x x x x x Processo - al x x x x x Corte Processo x x x x x Processo x x x x x Material x x x x x 3 mm 4 mm - € - € - € - € - € - € ## - € - € ## - € - € ## - € - € ## - € - € ## - € - € ## Análise Custo Produtivo Thermal Patch Forn. Ref. Preço m 2 Preço rolo ACC Características Alumínio Material x Resistência ao Fogo + Flexibilidade x Alumínio + cortiça + adesivo + processo Adesivo Material Peel x x Cortiça Material ACC Isolamento térmico + Flexibilidade Laminar ACC - Embalar Custo total 1650 + 8240 + S-4615 AD + processo 1650 + 8240 + S-4624 AD + processo Legenda 1650 + 8240 + S-4710 AR + processo 3 mm menor que xxx € 1650 + 8240 + S-4610 AR + processo entre xxx € e xxx € 1650 + 8057 + S-4615 AD + processo maior que xxx € 1650 + 8057 + S-4624 AD + processo 4 mm menor que xxx € 1650 + 8057 + S-4710 AR + processo entre xxx € e xxx € 1650 + 8057 + S-4610 AR + processo maior que xxx € Processo de Criação de Novos Negócios em Compósitos de Cortiça 78 ANEXO L: Determinação do custo unitário do Glass PAD Apresenta-se a folha de cálculo desenvolvida para determinação do valor mínimo para comercialização do sistema Glass Pad. [mm] 4 20 4 20 4 4 20 qtt heat shield 100000 4 20 Largura do rolo 1,1 45 un 4 0,02 m 0,004 m qtt/m 1 42 un/m qtt/m2 1 x 1 mL 1736 un/m qtt/ml 45 x 42 1875,0 un/ml Laminar a: mL ACC mL Barna 1 mm 900 640 2 mm 450 320 mL un/mL (1,1 m) 1875 54 2880,00 5.400.000 6,4 9,0 112.409,86 € 20 1066,67 2.000.000 2,4 3,3 41.633,28 € 10 533,33 1.000.000 1,2 1,7 20.816,64 € Cotação ACC Barnacork desperdicio Cortiça (€/m 2 ) 2,2 - 10% Adesivo (€/m 2 ) 3,85 - Processo (€/m 2 ) 2 18,75 Nota: 10800 - produzido por linha única Logistica (€/m 2 ) 1 - Magem 30% Total €/m 2 Total €/un 2 mm - n.º cilindros 0,0208 Total Global € N.º de PADs (un/HS) Set 2 mm - n.º cilindros 8,34 36,14