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Relatório de Estágio realizado na Farmácia Portas do Parque-Póvoa de Varzim

Olena Shevchuk

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Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas i Olena Shevchuk nº 201200048 Olena Shevchuk nº 201200048 2014 - 2015 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas i Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Portas do Parque – Póvoa de Varzim Setembro de 2014 a Março de 2015 Olena Shevchuk Orientador: Dr. José Miguel Campos Mesquita Tutor FFUP: Prof.ª Doutora Susana Casal Março de 2015 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas ii Declaração de Integridade Eu, Olena Shevchuk, abaixo assinado, nº 201200048, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________ Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iii Agradeço a toda a equipa da Farmácia Portas do Parque, professores, família e amigos pelo apoio e compreensão neste trajeto. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iv Resumo Este trabalho tem como objectivo desenvolvimento de dois temas – “Doenças Orais” e “Renites e Sinusite” - e o relato das atividades desenvolvidas durante o estágio. As doenças buco-dentárias são um dos principais problemas de Saúde Pública dado a sua incidência e prevalência a nível da população mundial. Os problemas de saúde bucodentária resultam principalmente de dois tipos de infeções: cáries dentárias e doenças periodontais. Ambas as doenças podem ocorrer em qualquer idade, mas, em geral, a cárie dentária é prevalente nas crianças, enquanto a doença periodontal afeta mais os adultos. Existe um conjunto fatores que predispõem susceptibilidade as doenças dentárias, no entanto, um fator importante que está intimamente relacionado com aparecimento de cáries dentárias e periodontites é a placa bacteriana. Este trabalho visa fazer a descrição de alguns tipos de doenças ortodônticas, para que o farmacêutico possa ser capaz de tomar uma decisão mais fundamentada na altura do aconselhamento. Rinite é a irritação e inflamação crónica ou aguda da mucosa que reveste internamente o nariz que pode ser originado por vírus, bactérias ou fungos. É, nos dias de hoje, uma das doenças mais frequentes da humanidade, mais geradora de consultas médicas, mais consumidora de antibióticos e pode interferir na qualidade de vida e no desempenho profissional e social. O objetivo deste trabalho é conhecer a patogénese da doença e quais os tratamentos principais para Rinite e Sinusite. Palavras-chave: Placa bacteriana, Cárie dentária, Pulpite, Gengivite, Periodontite, Rinite alérgica, Rinite não alérgica, Sinusite. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas v Índice Índice de figuras e esquemas vii Abreviaturas ix Parte I – Descrição das atividades desenvolvidos no estágio 1 1. Introdução 1 2. Organização do Espaço Físico e Funcional da Farmácia 1 3. Localização e horário de funcionamento 1 4. Instalações 2 5. Zona de atendimento público 3 6. Zona de atendimento personalizado 3 7. Zona de apoio ao atendimento 4 8. Zona de receção de encomendas 4 9. Zona de gestão 4 10. Laboratório 5 11. Armazém 5 12. Sistema informático 6 13. Gestão de stock 6 14. Elaboração e transmissão de encomendas 6 15. Aquisição a armazenista/Cooperativas de distribuição 7 16. Aquisição direta ao fabricante 7 17. Recepção e verificação de encomendas 8 18. Armazenamento de encomendas 9 19. Controlo de prazo validade 10 20. Devoluções 10 21. Dispensa medicamentos 11 21.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica 11 21.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica 12 22. Regimes de comparticipação 13 23. Psicotrópicos e Estupefacientes 14 23.1. Receção de psicotrópicos e estupefacientes 14 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vi 23.2. Armazenamento de psicotrópicos e estupefacientes 14 23.3. Dispensa de psicotrópicos e estupefacientes 15 24. Medicamentos manipulados 15 25. ValorMed 16 26. Cuidados de Suade Prestados na farmácia Portas do Parque 17 27. Receituário e Faturação 18 28. Relacionamento com utente 19 29. Formação 19 30. Conclusão 20 Parte II – Temas desenvolvidos 21 Tema 1 – Doenças Orais 21 1. Enquadramento teórico e Objetivos 21 2. Placa bacteriana 21 2.1. Formação da Placa bacteriana 22 3. Cárie dentária 22 3.1. Tratamento cárie dentária 23 3.2. Fatores de risco 23 4. Doenças periodontais 25 4.1. Gengivite 25 4.2. Periodontite 26 5. Prevenção das doenças buco-dentárias 26 5.1. Escovagens 27 5.2. Pastas Dentífricas 28 5.2.1. Triclosan/Copolímero 28 5.2.2. Fluor 28 5.4. Fio/fita Dental 29 5.5. Elixires 29 5.5.1. Cloroxidina 29 5.4.2. Cloreto cetilpiridino 30 5.4.3. Oleos essenciais 30 6. Conclusão 30 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vii Tema 2 – Rinites e Sinusite 31 1. Enquadramento teórico e Objetivos 31 2. Introdução 31 3. Renite alérgica 31 3.1. Tipos da rinite alérgica 32 3.2. Sinais e Sintomas 32 3.3. Diagnostico da rinite alérgica 33 3.4. Terapeutica não farmacológica 33 3.5. Terapeutica farmacológica 34 4. Rinite não alérgica 35 5. Sinusite 37 5.1. Causas 37 5.2. Sinais e Sintomas 38 5.3. Complicações 38 5.4. Terapeutica da Sinusite 39 6. Conclusão 39 Bibliografia 41 Anexo I 46 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas viii Índice de Figuras e Esquemas Figura 1. Placa Bacteriana 1 Figura 2. Gengivite e Periodontite 5 Figura 3. Classificação da rinite alérgica 32 Figura 4. Efeito “rebound” dos descongestionantes nasais tópicos 35 Figura 5. Sinusite 37 Tabela 1. Tratamento da Rinossinusite 39 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 6 na medida em que o espaço que a farmácia dispõe para stock irá influenciar o volume de encomendas que a farmácia pode efectuar (3). 12.Sistema informático O programa informático WINPHAR revelou ser uma ferramenta essencial na qualidade do ato farmacêutico por mim exercido. O WINPHAR disponibiliza múltiplas ferramentas, permitindo realizar inúmeras funções: controlar os stocks, obter informação sobre transações relativas a compras e vendas, consultar a ficha do produto, processamento de receituário, realização de inventários, controlo dos prazos de validade, elaboração, emissão e receção de encomendas, devoluções, entre muitas outras funcionalidades. 13.Gestão de stock No dia-a-dia da farmácia surgem variadíssimas situações que requerem a dispensa de diferentes produtos, obrigando a farmácia a possuir um stock com centenas referências de modo a conseguir responder às necessidades dos que procuram este espaço de saúde. O stock de farmácia obedece a um balanço equilibrado, ou seja, não apresentar stocks excessivos (o que implica grande empate de capital), nem em reduzida quantidade (não suprindo as necessidades). A gestão de stock é muito importante para o equilíbrio financeiro da farmácia. É necessário ter em conta todas as variáveis para que o nosso stock esteja compatível com necessidades do mercado (4). É importante saber quando encomendar, a quem e quanto encomendar. 14.Elaboração de transmissão de encomendas Atualmente não é necessário possuir um elevado stock dos diversos produtos, uma vez que a indústria de distribuição farmacêutica permita a aquisição de produtos no intervalo de algumas horas. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 7 De acordo com o stock mínimo e máximo estabelecido na ficha de cada produto no sistema informático, a medida que os produtos dão saída, o programa informático elabora automaticamente uma proposta de encomenda. Esta vai ser sujeita a análise e, após aprovação, a encomenda é transmitida ao fornecedor. Aquando a escolha de um fornecedor devem ser ponderados diversos fatores:  A garantia de entrega às horas previamente estabelecidas;  Qualidade de serviço;  Condições de pagamento;  Capacidade de resolução rápida e eficaz de problemas relativos às encomendas;  Descontos oferecidos;  Promoções e/ou bonificações oferecidas. 15.Aquisição a armazenista/Cooperativas de distribuição Esta é a principal via utilizada pela Farmácia Portas do Parque. Diariamente são utilizadas duas ou três encomendas ao fornecedor, de modo a repor o stock dos produtos vendidos e satisfazer o pedido dos produtos que não existam na farmácia (caso dos pedidos realizados por telefone, quando se trata de um produto novo ou quando o stock não satisfez a procura). As encomendas diárias são feitas via modem para diversos armazenistas, partindo da proposta de encomenda efetuada pelo WINPHAR, que é então revista, antes de ser transmitida. A Farmácia Portas do Parque trabalha neste momento com dois grossistas diários: OCP Portugal e Cooprofar. A preferência por um grossista irá depender das condições oferecidas no momento de cada encomenda (5). 16.Aquisição direta ao fabricante A farmácia pode também adquirir produtos diretamente, o que lhe permite beneficiar de vantagens económicas (como bonificações e/ou descontos comerciais), especialmente quando a quantidade de produto é considerável. Contudo, ao recorrer a este tipo de aquisição tem de ter em conta alguns aspectos, nomeadamente o prazo de entrega da Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 8 encomenda ser mais demorado e a necessidade da rotação do produto justificar a quantidade encomendada (tendo em conta o capital empatado), pelo que a aquisição de produtos por esta via tem de ser bem ponderada. Neste caso as encomendas são realizadas pontualmente, através de negociação com o Delegado de Informação Médica (DIM) que trata da comercialização dos produtos em questão. Sempre que se trata de aquisição de novos produtos, é requerido ao DIM uma pequena formação acerca do produto, acessível a todos os colaboradores da farmácia, para garantir a qualidade do serviço no momento da dispensa. A informação da farmácia facilita todo o processo de gestão de stock´s. Todos os produtos existentes na farmácia apresentam uma ficha informática, na qual se encontram diversos dados: nome comercial do produto; família terapêutica; stock máximo e atual; preço de venda ao público (PVP) e de custo, entre outros. Sempre que a alteração do stock relativamente a entrada ou saída de qualquer produto farmacêutico, o sistema procede imediatamente a atualização de dados. Se o stock mínimo é atingido, o produto é lançado na proposta de encomenda a enviar ao fornecedor. Quando existe urgência na obtenção de um produto procede-se a um pedido via telefone para o fornecedor mais rápido. 17.Receção e verificação de encomendas A receção e conferência das encomendas constituem dois parâmetros bastante importantes, uma vez que permitem assegurar que os produtos enviados correspondam ao pedido executado. Para que tal não aconteça, a farmácia deve garantir a qualidade de todos os produtos recebidos, através de um controlo apertado, em termos de verificação de todas as conformidades inerentes a este procedimento que deve ser padronizado com vista á diminuição de possíveis erros. O transporte da encomenda até à farmácia é da responsabilidade dos fornecedores. Assim, chegada à farmácia a encomenda (acondicionada em contentores próprios) é recebida por um dos funcionários da farmácia, devendo esta fazer-se acompanhar de um guia de remessa ou fatura definida (em duplicado) discriminada com todas as informações necessárias (quantidade recebida, total com IVA e sem IVA, entre outros). A gestão de entregas é realizada com auxílio de sistema informático. Assim, seleciona-se a nota de encomenda correspondente aos produtos que foram enviados e receciona-se a encomenda, através da leitura ótica dos códigos de barras (6). Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 9 Após a conferência, as faturas são arquivadas por ordem numerária, e os fornecedores enviam mensalmente uma fatura resumo para a farmácia, com todos os créditos e o valor total a pagar. Por fim, a liquidação é efetuada de acordo com os termos do contrato com o fornecedor. No caso de existirem produtos de frio na encomenda, deve-se dar entrada destes logo que possível, guardando-os imediato no frigorífico No caso dos produtos de venda livre, em que o PVP é definido na farmácia, são impressas etiquetas com código de barras e o preço determinado. O PVP é calculado em função de o preço de custo, do IVA e da margem de comercialização (6). Na receção de encomendas é necessário ter em conta os seguintes aspectos: Preço de aquisição: no caso de se ter alterado, deve ser autorizado na ficha do produto; Prazos de validade: sempre que o stock do produto que estamos a dar entrada é igual a zero deve-se atualizar o prazo de validade. 18.Armazenamento de encomendas Concluindo as etapas relativas à receção de produtos farmacêuticos, procede-se ao seu armazenamento. Todos os produtos devem ser arrumados nas respetivas prateleiras e armários, respeitando a regra FEFO (first expired first out), que implica que o produto de prazo de validade mais curto seja o primeiro a ser dispensado, permitindo assim uma adequada rotação de stock. Para que ocorra ordenadamente, os medicamentos devem ser armazenados de forma correta sendo que os primeiros a expirar ficam à frente do stock de forma a serem primeiros a sair (7). Na Farmácia Portas do Parque existem dois armários com gavetas deslizantes. Num são armazenados os medicamentos genéricos e nos outros os medicamentos de marca. Em ambos dos casos os medicamentos são ordenados por ordem alfabética, sendo que no primeiro caso é tido em conta a Denominação Comum Internacional (DCI), enquanto no segundo caso são ordenados segundo o nome comercial. São armazenados no sentido crescente de dosagem e de tamanho de embalagens, estando ainda agrupados segundo a sua forma farmacêutica. As lancetas e as tiras reativas para o controlo da diabetes encontram-se agrupados num local reservado, assim como os produtos de veterinária e de higiene intima. Os produtos termossensíveis, nomeadamente insulinas e vacinas, são guardados no frigorífico, com temperatura controlada entre 2 e 8ºC. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 10 Os produtos cosméticos e outros de venda livre encontram-se dispostos na zona de atendimento e em prateleiras na zona de apoio ao atendimento, organizados de acordo com as linhas dos diferentes laboratórios ou por afinidade de função (7). 19.Controlo de prazos de validade O controlo de prazos de validade na Farmácia Portas do Parque é realizado mensalmente. Esta é uma das tarefas importantes a desempenhar na farmácia, pois a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos dependem do prazo de validade. É impressa uma lista com os produtos cuja validade termina nos três meses seguintes. Se a curta validade de cada produto for confirmada, são separados para devolução. É efetuada uma nota de devolução ao fornecedor que deve contar dados como denominação do produto, o preço de custo, o motivo da sua devolução e o número da fatura referente ao produto. Se a devolução for aceite, o fornecedor, enviará para a farmácia um produto igual ao devolvido ou uma nota de crédito, quando não é possível o envio do produto. 20.Devoluções Por vezes podem verificar-se certas não conformidades entre a encomenda efetuada, a guia de remessa e produtos recebidos. De igual modo, a devolução pode ter por base outras rasões como prazos de validade e notificações do INFARMED. Assim, é necessário notificar ao fornecedor do sucedido, emitindo uma nota de devolução através do WINPHAR. Ao efetuar a nota de devolução é referido o nome do produto a devolver, o preço, o número da fatura onde vem debitado e o motivo da devolução. Depois de aprovada a nível informático, são impressas três cópias: uma é arquivada na farmácia e as outras duas são enviadas ao distribuidor de acordo com os produtos devolvidos. Relativamente à gestão de stock, no decorrer do meu estágio na Farmácia Portas do Parque teve a oportunidade de realizar as seguintes atividades:  Receção e conferência de encomendas;  Encomenda de medicamentos por telefone; Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 11  Marcação de preços;  Armazenamento de encomendas;  Controlo de Prazos de Validade;  Devoluções. 21.Dispensa medicamentos De acordo com Boas Praticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária, a dispensa de medicamentos é o ato profissional em que o farmacêutico, após avaliação de medicação, dispensa medicamentos ou substâncias medicamentosas aos utentes mediante prescrição médica ou em regime de automedicação ou indicação farmacêutica, acompanhada de toda a informação indispensável para o correto uso dos medicamentos. A dispensa de medicamentos assume a atividade de maior importância no dia-a-dia da farmácia comunitária. O farmacêutico é responsável pela dispensa de Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) e de medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) sendo que, seja qual for a situação, deve garantir o uso racional do medicamento, e tendo como primeira preocupação a promoção da saúde e a prevenção da doença. 21.1.Medicamentos Sujeitos a Receita Médica A dispensa de MSRM requer a entrega, por parte do utente das respeitavas receitas medicas ao farmacêutico, para que este possa avaliar a informação nela contida e decidir se poderá dispensar medicamentos requeridos. A avaliação de uma receita médica requer a análise de múltiplos aspectos. Por um lado, a análise relativa a terapia farmacológica, que requer maior atenção dada a sua influência direta na saúde do doente. O farmacêutico deve ter em conta cada medicamento em particular, considerando aspectos como a DCI, forma farmacêutica e posologia, assim como deverá analisar a globalidade da terapêutica prescrita, procurando possíveis interações medicamentosas; verificar se não há duplicação de prescrição médica por médicos diferentes. O farmacêutico deve também prestar atenção à informação relativa a aspectos administrativos, que tem de garantir que se encontram conformes para que a receita seja considerada valida. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 12 Apos este primeiro paço segue-se a recolha dos medicamentos requeridos. É importante conferir mais de que uma vez que o produto recolhido é realmente o que foi prescrito. Existem no mercado embalagens semelhantes de medicamentos diferentes, principalmente de medicamentos genéricos, pelo que é essencial analisar com pormenores todas as embalagens antes de se proceder à dispensa. De seguida, os medicamentos a dispensar são inseridos no programa WINPHAR para que se proceda à finalização da venda. A medida que decorre este processo, o responsável pelo atendimento mantem uma conversa afável com utente, questionando sob duvidas acerca da terapêutica e/ou da sua saúde, e confirmando o fim a que se destina cada medicamento, cruzando essa informação com a que o utente transmite. O processo acaba com a emissão de fatura e a impressão no verso da receita de toda a informação requerida, conforme o Despacho nº.15700/2012. Toda a informação que consta da receita médica, relativa ao momento da prescrição e à dispensa na farmácia, é confirmada pelo colaborador responsável pelo atendimento no fim do seu turno, de modo a detetar possíveis erros não detectados durante o atendimento ou que tenham surgido na execução deste. Este passo é essencial, para que no caso de qualquer situação de irregularidade se possa contactar prontamente o utente e/ou o médico prescritor para que o problema seja rapidamente resolvido. No período de tempo que passei na zona de atendimento da Farmácia Portas do Parque fui-me adaptado a todos estes passos. Trata-se de um processo complexo, que requer a máxima atenção do profissional responsável, de forma a garantir a segurança e eficácia no decorrer da dispensa dos medicamentos. 21.2.Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica Os MNSRN, como o próprio nome indica, não precisam de receita médica e não são comparticipados pelo SNS. É comum o utente dirigir-se à farmácia, mesmo antes de se dirigir ao seu médico. Por vezes pedem o medicamento errado para o problema que têm, por isso o farmacêutico deve ter especial atenção e perguntar se o medicamento é para a pessoa que se dirigiu à farmácia, quais os sinais/sintomas que apresenta, se toma outra medicação ou se tem algum problema de saúde para poder avaliar a situação e tentar aconselhar o utente da melhor maneira. Perante o exposto pelo cliente o farmacêutico tem de avaliar se realmente é necessária a dispensa de um MNSRM e/ou verificar se com o recurso a medidas não farmacológicas é suficiente para a resolução do problema. Aquando da Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 13 dispensa de um MNSRM, o cliente deve ser sempre aconselhado sobre o uso correto dos medicamentos, como a posologia e forma de tomar, fornecendo ao utente o máximo de informação oral e/ou escrita. Deve-se informar os utentes de que se os sintomas persistirem ou agravarem devem dirigir-se ao médico. Algo muito importante é que as vezes o utente não necessita de nada, sendo importante também dizer não. Ao longo do estágio deparei-me com inúmeras situações, em que as pessoas solicitaram medicamentos, só porque já tinham tomando numa situação semelhante ou porque no passado o médico lhe receitou determinado medicamento. Muitos utentes dirigem-se à farmácia quase que diariamente, sem antes se terem dirigido ao médico. Isto porque a deslocação ao médico como tem um custo acrescido, não podem ou não estão dispostos a pagar ou devido ao tempo de espera elevado, por uma consulta. A automedicação é uma prática cada vez mais frequente, por isso o farmacêutico tem um papel cada vez mais importante no aconselhamento ao doente aquando da dispensa de medicamentos devendo promover ao uso racional do medicamento e, aconselhar o utente a não dispensar a ida ao médico. No decorrer do meu estágio deparei-me com bastantes situações de automedicação, nas quais tentei atuar de a cordo com o procedimento supracitado. Contudo, ao longo do estágio, os meus conhecimentos foram aumentando e ganhei capacidade para dar resposta a muitas das solicitações dos utentes. 22.Regimes de comparticipação Todos os utentes possuem um regime de comparticipação, em que cada regime corresponde a uma determinada percentagem de comparticipação sobre os medicamentos. A comparticipação de medicamentos é feita através de um regime geral ou de um regime especial, o qual se aplica a situações específicas como a determinadas patologias ou grupos de doentes (8). Existem várias entidades responsáveis pela comparticipação de medicamentos, sendo que na Farmácia Portas do Parque as mais comuns são Serviço Nacional de Saúde (pensionistas, regime geral, trabalhadores migrantes, doença profissional, protocolo da Diabetes Mellitus e diplomas), Serviços de Assistência Médica Social (SAMS), Savida-EDP, Fidelidade, PT-CTT, Multicare e Sindicato dos Bancários Norte. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 14 23.Psicotrópicos e estupefacientes Os psicotrópicos e estupefacientes ao serem medicamentos sujeitos a legislação especial, requerem um rigoroso controlo nos processos de aquisição, armazenamento e dispensa. Estes integram substâncias que exercem a sua ação ao nível do sistema nervoso central, levando muitas vezes a habituação ou dependência bem como graves efeitos secundários (9). Estes medicamentos são requeridos de forma similar que os restantes medicamentos, ou seja, são adquiridos através dos fornecedores comuns. 23.1.Receção de psicotrópicos e estupefacientes Estes tipos de medicamentos, aquando da sua entrega, vêm embalados de modo a permitir a sua identificação imediata e um rápido armazenamento. Verifica-se ainda que vêm acompanhados de um documento específico, a requisição de estupefacientes e psicotrópicos, em duplicado. Neste documento deve constar:  Identificação da farmácia e do fornecedor;  Nome dos fármacos;  Quantidade pedida e enviada e respetivo código;  Data e número da requisição. O documento duplicado, depois de carimbado e assinado pelo director técnico ou pelo farmacêutico responsável, será devolvido ao fornecedor. O original fica arquivado na farmácia por um período mínimo de 3 anos. 23.2.Armazenamento de psicotrópicos e estupefacientes O farmacêutico deve tomar as medidas técnicas de proteção adequadas contra a perda ou substração destes. Assim, os psicotrópicos e estupefacientes devem estar armazenados numa gaveta própria. As benzodiazepinas, por sua vez, encontram-se armazenadas juntamente com o resto da medicação no módulo de gavetas situado no backoffice. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 15 Se apesar de todas precauções, ocorrer substração ou extrativo deste tipo de medicamentos, deverá ser imediatamente comunicado à entidade policial local e ao INFARMED, narrando os factos e indicando com rigor as quantidades e características das substâncias desaparecidas e fornecendo todas as provas disponíveis. 23.3.Dispensa de psicotrópicos e estupefacientes As receitas para aquisição de psicotrópicos e estupefacientes devem obedecer às seguintes conformidades: Em cada receita pode ser prescrito um medicamento com um limite máximo de quatro embalagens (com a mesma dosagem, forma farmacêutica e tamanho da embalagem); Deve constar: nome, morada, idade e número do bilhete de identidade do doente, número de utente, identificação do médico prescritor (nome, nº de identificação na Ordem dos Médicos, data e assinatura); Data de emissão da receita não poderá ser dispensada se tiverem decorrido 30 dias úteis sobre a sua data de emissão); Nome genérico ou comercial do medicamento, a dosagem, número e tamanho das embalagens, posologia, forma farmacêutica e tempo de tratamento. O farmacêutico deverá recusar-se à dispensa das receitas sempre que tenha dúvidas quanto à sua autenticidade, e/ou sobre a identidade do adquirente, e no caso de este padecer de problemas mentais ou ser menor. Atualmente devido à informatização, a dispensa deste tipo de medicamentos encontra-se facilitada, ao ler-se o código de barras do medicamento, o sistema “alerta” para o facto e se tratar de um medicamento que conste na tabela dos psicotrópicos. O sistema informático não deixa finalizar a venda sem que seja preenchido o seguinte formulário. Só depois de estarem preenchidos todos os campos é que se pode fechar a venda, sendo atribuído um número sequencial de registo, pelo sistema informático. Apos a impressão do documento de faturação, pede-se ao adquirente que assine, de modo a comprovar que realmente lhe foram dispensados os medicamentos prescritos. O sistema informático emite um documento de faturação que é agrafado ao original da receita. A receita é então carimbada e assinada pelo diretor técnico ou seu legal substituto, o qual deve colocar também a data de dispensa das substâncias, e sendo posteriormente enviada à entidade comparticipadora. Emite também dois documentos de psicotrópicos que ficam anexados aos duplicados. Um dos duplicados da receita é Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 22 2.1.Formação da placa dentária A placa bacteriana começa a formar-se imediatamente após a limpeza dos dentes com uma película muito fina. Esta película é rapidamente colonizada por bactérias comensais. Os Streptococcus sp são usualmente as primeiras bactérias que formam colónias na película salivar (após 3 a 8 horas); também pode aparecer Actinomycep spp (após 24 horas) (19). A presença de açúcares, em especial a sacarose, a quantidade de oxigénio, pH e as interacções nutricionais condicionam a velocidade de formação da placa e a sua espessura. A placa atinge a maturação final após sete dias (27,43). Com o tempo, e principalmente se existir uma higiene oral deficiente, a placa calcifica-se mediante a precipitação de sais de cálcio da saliva, formando o tártaro ou cálculo dentário (22). Esta placa que se forma sob o tártaro é muito difícil de remover, pois as bactérias desenvolvem-se na estrutura porosa do tártaro dificultando assim as ações da limpeza. O tártaro só é eficientemente retirado por um profissional (19,20.24). A placa bacteriana classifica-se como supragengival (acima da borda da gengiva) e subgengival (abaixo da borda gengival). Esta localização da placa bacteriana é importante na etiopatogenia da cárie dental e das diferentes formas doenças periodontais (16,22). As medidas preventivas para a evitar a formação e desenvolvimento da placa bacteriana são muito acessíveis: a correta higiene oral diária, incluindo escovagem após cada refeição, uso de fio/fita dental, pastas dentífricas, elixires e dieta equilibrada (20,21). 3.Cárie dentária A cárie é uma doença bacteriana crónica que destrói os tecidos do dente. Caracteriza-se pela desmineralização da dentina e destruição proteolítica dos tecidos da coroa, polpa e superfície da raiz do dente: a desmineralização do esmalte e da dentina facilita a invasão bacteriana que provoca infeção e inflamação (19,20,23). As primeiras fases da cárie são assintomáticas. A dor só é sentida quando a dentina fica exposta. A cárie do esmalte identifica-se pela presença de uma mancha branca, de consistência mole que se torna acastanhada ao longo do tempo (21). Esta mancha corresponde a um foco de desmineralização. A cárie da dentina (cárie aguda) é um foco castanho-escuro e é mais dura. Podem existir dores moderadas, quando existe exposição ao frio e/ou calor, sendo Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 23 um alerta para o individuo, deve tentar fazer um tratamento imediato de modo a evitar que a cárie prossiga e a polpa seja atingida. Quando a polpa é atingida dá origem a uma inflamação, a pulpite. Esta pode ser desencadeada por infeção bacteriana, fatores térmicos, agentes químicos ou pressão. A pulpite produz edema da polpa em determinada área, resultando em dor pulsátil usualmente intensa (24). 3.1.Tratamento da cárie dentária O tratamento da cárie dentária consiste em três etapas: medidas de prevenção, reabilitação e manutenção. Numa fase inicial, a cárie pode ainda ser reversível pela correta aplicação das medidas de prevenção, pois quando a matriz orgânica do esmalte ainda está intacta há a deposição de sais de cálcio presentes na saliva permitindo assim a remineralização do esmalte. Em fases mais avançadas o tratamento consiste na eliminação dos tecidos necrosados, limpeza da cavidade resultante e substituição da substância perdida dos materiais de restauração. Em casos mais graves, pode ser necessário a extração do dente (20). 3.2.Fatores de risco Localização do dente A deterioração dos dentes ocorre mais frequentemente nos molares e pré-molares, localizados na zona posterior da dentição. Estes dentes têm muitas ranhuras, sulcos e fissuras que podem acumular partículas alimentares. Como resultado, estes dentes são mais difíceis de serem mantidos limpos do que os dentes da frente, cuja escovagem é mais fácil. Nos molares e pré-molares, pode haver formação de placa e acumulação de bactérias, que no seu metabolismo produzem que corroem e destrói destroem o esmalte do dente. Certos alimentos e bebidas e sua frequência Alimentos mais fáceis de ficarem aprisionados nos dentes por um longo período de tempo são: leite, sorvete, mel, açúcar, refrigerante, frutas secas, bolos e biscoitos. Estes são os mais propensos a causar cárie do que alimentos pois são facilmente dissolvidos Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 24 pela saliva. Comer ou beber refrigerantes constantemente - aumenta a produção de ácido que atacam os dentes. Escovagem inadequada Não escovar os dentes logo após as refeições pode levar à formação de placas bacterianas e ao início do processo de deterioração do dente. Os 20 primeiros minutos após a alimentação são o período de maior atividade bacteriana dentro da boca. Pouco flúor O flúor ajuda a prevenir as cáries e pode até mesmo reverter as fases mais iniciais de danos aos dentes. Graças aos seus benefícios, o flúor é integrado na composição de pastas dentífricas e elixires bocais sendo comummente utilizado no tratamento das cáries em consultórios odontológicos. Idade As crianças e os idosos estão entre os que mais contraem cáries. Isto acontece devido a problemas na escovagem nas crianças e devido ao desgaste dos dentes e diminuição das gengivas nos idosos, que tornam os dentes mais susceptíveis a cáries. A toma de medicamentos que reduzam a quantidade de saliva, também comum na população mais idosa. Boca seca A boca seca é causada pela falta de saliva. A saliva ajuda a prevenir a cárie dentária dissolvendo os alimentos e impedindo a formação de placa bacteriana dos dentes. As substâncias presentes na saliva também ajudam a combater o ácido produzido pelas bactérias e até pode mesmo ajudar a reparar os casos precoces com cárie. Certos medicamentos reduzem a produção de saliva e aumentam o risco de cárie. Transtornos alimentares A anorexia e bulimia podem levar à erosão dentária significativa e ao aparecimento cáries. O ácido do estômago presente no vómito dissolve o esmalte dentário. Os transtornos alimentares também podem reduzir a produção de saliva. Azia Azia ou doença do refluxo gastro esofágico, pode trazer o ácido produzido no estômago para a boca (refluxo), o que pode levar ao desgaste do esmalte dos dentes e causar danos significativos (19,25). Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 25 4.Doenças periodontais A doença periodontal engloba algumas desordens inflamatórias que afetam os tecidos periodontais e que podem destruir o osso de suporte. As duas principais doenças periodontais são gengivite e a periodontite (23) (figura 2). A gengivite é uma inflamação confinada à gengiva e a periodontite atinge o ligamento periodontal e o osso alveolar. A gengivite crónica precede normalmente a periodontite crónica. A doença periodontal também esta relacionada com a existência de placa bacteriana e tártaro ao nível ou abaixo do rebordo da gengiva. Além da placa, existem outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença periodontal: Fatores locais: traumatismo, má posição dentária, restaurações defeituosas; Fatores gerais: endócrinos (diabetes, menopausa, gravides e puberdade), nutricionais, hematológicos (anemia e leucemia), e ingestão de fármacos (hidantoina, nifedipina, ciclosporina e contraceptivos orais); Factores imunológicos: reações auto-imunes e reações de hipersensibilidade retardada (26). Figura 2. Gengivite e Periodontite. Adoptado em 29. 4.1Gengivite A gengivite é uma lesão inflamatória ao nível da gengiva resultante das endotoxinas, enzimas e ácidos produzidos pelas bactérias existentes na placa ao nível do sulco gengival (19,27). Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 26 A gengivite manifesta-se por edema, com aumento da profundidade do sulco gengival e desenvolvimento de bolsas entre a gengiva e o dente. A acumulação de placa bacteriana ao nível da zona mais profunda do sulco gengival, contribui para um aumento da inflamação com retração das gengivas e afastamento destas do bordo dos dentes deixando exposto o seu colo. As gengivas ficam vermelhas, brilhantes e sangram facilmente durante a mastigação e a escovagem dos dentes (21). O tratamento da gengivite passa por uma boa higiene oral: a escovagem e utilização de um antissético ligeiro para bochecho (óleos essenciais, clorexidina, triclosan e o cloreto de cetilpiridíno). É ainda importante, a escovagem das gengivas com uma escova suave e a massagem diária melhoram a sua circulação e nutrição. Por vezes é necessário contactar o médico para remoção do tártaro (calcificação/endurecimento da placa bacteriana), sendo também eventualmente necessário recorrer a tratamento antibacteriano (28,30). 4.2.Periodontite A periodontite é uma infeção por norma precedida pela gengivite crónica. Corresponde a supuração dos tecidos peridentários. Desenvolve-se a partir da bolsa gengival conforme a seguinte sequência: bolsa; destruição dos ligamentos periodontais; reabsorção do osso alveolar; mobilidade dentária; perda dentária (20,23). Os sintomas são muito semelhantes aos da gengivite, apesar de que à medida que a profundidade da bolsa periodontal aumenta, a tumefação e vermelhidão das gengivas diminuem: a inflamação continua presente mas em tecidos mais profundos. Provoca muitas vezes um gosto desagradável na boca e mau hálito (24). O tratamento requer o uso de antibióticos tópicos e anti-inflamatórios, uma higiene oral rigorosa complementada com o uso de soluções desinfectantes e ainda limpeza cirúrgica das bolsas (28,31). 5.Prevenção das doenças buco-dentárias A prevenção das doenças buco-dentárias consiste num conjunto de medidas destinadas a promover, recuperar e manter a saúde oral do individuo. As medidas preventivas que Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 27 evitam o aparecimento da placa bacteriana, de cárie dentária e doença periodontal podem englobar-se em dois grandes grupos: • Higiene alimentar • Higiene buco-dentária A principal medida de higiene alimentar consiste na redução da ingestão de açúcares, principalmente de baixo peso molecular – sacarose, frutose e lactose (24). Estes açúcares de baixo peso molecular são todos cariogénicos e além disso, são convertidos por ação bacteriana em ácidos (ácidos lático, pirúvico, acético, propiónico e butírico) que atacam o esmalte dentário, que se dissolve a pH 5,5. É importante salientar que é preferível uma única ingestão elevada de açúcares do que pequenos aportes repetidos. Isto, porque a produção de ácidos pela placa bacteriana inicia-se cerca de 15 minutos após a captação dos açúcares pelas bactérias (19,21,30). Alem das medidas relacionadas com a ingestão de açúcares devem transmitir-se ainda os seguintes conselhos básicos: • Evitar alimentos ácidos (sumo de laranja e limão); • Evitar bebidas açucaradas gaseificadas; • Aumentar o consumo de saladas, frutos crus; • Ter uma alimentação equilibrada de modo a fornecer os elementos necessários aos dentes e gengivas: cálcio, fósforo, vitamina B, A e C e oligoelementos. As medidas preventivas da higiene buco-dentária, numa tentativa de prevenir e controlar a cárie dentária e doenças periodontais, são: escovagem, pastas dentífricas, uso fita/fio dental e também elixires. 5.1.Escovagem A escova é o principal instrumento de uso generalizado para remoção da placa bacteriana. Os dentistas e higienistas orais recomendam as escovas de acordo com destreza manual do doente, a sua anatomia oral e saúde periodontal (32). A finalidade da escovagem é a remoção da placa bacteriana e dos restos alimentares. O fator mais importante durante a escovagem é que todas as superfícies dentárias sejam Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 28 contempladas durante cada sessão de limpeza. A escovagem deve tornar-se um hábito e deve ser feita com tempo (2-3 minutos). Deve trocar-se a escova de dentes sempre que as cerdas estiverem danificadas ou de 3 em 3 meses. A escova deve ser guardada num recipiente com as cerdas para cima e sem capa protetora porque esta não permite a secagem completa da escova promovendo um ambiente húmido, propício à multiplicação de bactérias (33). A escovagem deve iniciar-se logo que a criança tenha destreza para o fazer, auxiliada pelos pais. 5.2.Pastas dentífricas A pasta dentífrica é utilizada conjuntamente com a escova para limpeza dos dentes, embora a ação mecânica da escova por si só seja mais importante do que a pasta. Com o uso do dentífrico a placa demora mais tempo a formar-se na superfície dos dentes. As pastas dentífricas servem ainda de veículo de princípios ativos com função específica. Os constituintes mais comuns de uma pasta dentífrica são: triclosan, copolímero e fluor (19,43). 5.2.1.Triclosan/Copolimero Triclosan usado em conjunto com copolimero tem efeitos antibacterianos e antiinflamatórios de baixa toxicidade. Copolimero é um monómero e usa-se para o transporte de triclosan com o objetivo do controle da libertação da substância. Estes ingredientes mostram efeito positivo na prevenção/tratamento sobre a cárie, periodontite, cálculo, remoção da mancha branca, mau hálito. Além destas vantagens, são seguros e eficazes (34,35). 5.2.2.Fluor O fluor é um elemento que é eficaz na prevenção/tratamento de um processo de cárie dentária e agindo diretamente nos fenómenos de desmineralização e remineralização (34). O tratamento consiste na aplicação fluoretos diariamente a 0,05% ou 0.2% de Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 29 fluoreto de sódio (NaF). Os efeitos secundários característicos são distúrbios gastrointestinais, salivação, sede, náuseas, vómitos, diarreia. Crianças com menos de 5 anos não são submetidas a essa terapêutica (34,38). 5.4.Fio/fita Dental O uso do fio ou fita dental é o método mais recomendado para limpeza dos espaços interdentais. O seu uso correto permite ainda remover alguma placa subgengival. Existem no mercado fios/fitas dentários de nylon, encerados ou não e com diferentes espessuras. Existem ainda outras variações como, por exemplo, fio/fita dental com flúor ou com sabores (33). 5.5. Elixires Os elixires são soluções que podem ser utilizados com fins cosméticos ou terapêuticos. Como cosméticos ajudam a retirar alguns restos alimentares, melhorando o aspecto dos dentes e implementam um sabor e odor agradáveis aliados a uma sensação de frescura da cavidade bucal (36). Terapeuticamente ajudam na remoção de resíduos, muco e secreções purulentas, sendo utilizados para a limpeza de áreas traumatizadas após cirurgia ou durante terapêutica periodontal. São ainda benéficos no controlo da gengivite e como preventivos da cárie dentária. Os elixires podem ser constituídos por agentes antimicrobianos que reduzem a população bacteriana oral e inibem a sua actividade, sendo os mais usados: clorohexidina, óleos essenciais, o cloreto de cetilpiridíno. Para que o elixir seja eficaz deve manter-se a solução na boca pelo menos durante um minuto (20,36) e não deve passar-se a boca por água no final para que o efeito se prolongue no tempo, exceto se indicação em contrário. 5.5.1.Clorohexidina O gluconato de clorexidina é um anti-séptico químico, com ação antifúngica e bactericida, capaz de eliminar tanto bactérias Gram positivas quanto Gram negativas. A forma mais Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 30 usada é o sal digluconato de clorexidina, de 0,2 a 2,0 %, sendo que as soluções mais concentradas possuem ação antibacteriana mais efetiva. Os efeitos secundários são descoloração da língua, dos dentes e das restaurações e aumento da salivação (36,37). 5.5.2.Cloreto cetilpiridíno O cloreto de cetilpiridíno é o composto de amónio quaternário muito estudado e tem um potente efeito inibitório de placa bacteriana e actividade antimicrobiana contra um amplo espetro de bactérias orais (39,40). Os efeitos adversos, quando usado em concentrações mais altas ou uso prolongado, são manchas e pigmentação nos dentes e também sensação de ardência (41). 5.5.3.Óleos essenciais A utilização de um elixir com óleos essenciais, como mentol, timol, eucaliptol, revela-se vantajosa na promoção da saúde e na prevenção das doenças orais; os componentes com maior efeito antibacteriano são os compostos fenólicos e os álcoois alifáticos. Os óleos essenciais têm efeito antiplaca e antigengivite (42). Estes possuem a vantagem de não apresentarem efeitos secundários e, por essa razão, poderem ser usados por um longo período de tempo, inibindo a formação da placa bacteriana (42). 6.Conclusão O objetivo deste trabalho era promover a saúde pública e melhorar a qualidade de vida dos clientes da Farmácia Portas do Parque, por isso elaborei um folheto informativo para educação dos utentes, com recomendações que podem ser aplicadas no dia-a-dia como forma de prevenção das doenças orais (Anexo 1). No geral os utentes foram recetivos á entrega deste panfleto. Desta forma, espero ter contribuído para a sensibilização dos utentes, fomentando a alteração de comportamentos. No entanto, a avaliação do impacto na redução de doenças orais requer um seguimento prolongado, o que está fora do âmbito deste trabalho. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 31 Tema 2 – Rinites e Sinusite 1.Enquadramento teórico e Objetivos Este trabalho surgiu em consequência da altura do ano em que realizei o estágio (Outono -Inverno), relevando a importância do tratamento da rinite mas também surgiu por sugestão do Dr. José Miguel Mesquita para a revisão do tema que, apesar de muito publicitado, é da maior importância e responsabilidade do farmacêutico. Com a minha experiência diária no balcão da farmácia apercebi me de certas lacunas de informação por parte dos utentes nomeadamente a diferença entre rinite, rinite alérgica e sinusite. Assim, o objetivo prendia-se com a aquisição de capacidades de distinção entre as diferentes rinites e estas da sinusite, por forma a poder tomar decisões racionais para aconselhar aos utentes um medicamento de venda sem prescrição médica e medidas preventivas. 2.Introdução As rinites e a sinusite são respetivamente a irritação e inflamação crónica ou aguda da mucosa que reveste internamente o nariz, e são duas situações clínicas frequentes. Podem ser consideradas como complicações da constipação, embora a rinite alérgica seja independente. As rinites constituem um conjunto de patologias que têm etiologia diversa, destacado-se a rinite alérgica e não alérgica, e cuja terapêutica deve ser adequadamente dirigida para que seja eficaz (44). 3.Rinite alérgica A rinite alérgica (RA) é muito diferente da constipação, apesar de se traduzir por sintomas análogos. A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal mediada pelas imunoglobulinas IgE, que ocorre após uma exposição aos alérgenos. A rinite alérgica acomete 10% a 25% da população mundial (44,45). Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 38 5.1.Causas Os microrganismos envolvidos variam em função da duração da infeção. Numa RS aguda, as bactérias mais frequentemente encontradas são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. Num processo crónico, a infeção é em geral polimicrobiana, com envolvimento de anaeróbios, Pseudomonas e Staphylococcus aureus (58). Durante uma constipação, a membrana mucosa inflamada da cavidade nasal tem tendência a bloquear as aberturas dos seios. Quando isto acontece, o ar dos seios é absorvido pela corrente sanguínea e a pressão dentro dos mesmos baixa, produzindo pressão negativa que se torna dolorosa (uma doença conhecida como sinusite por vácuo). Se o vácuo persistir, entra líquido nos seios e enche-os, criando um terreno fértil para as bactérias. Então, os glóbulos brancos e mais líquido entram nos seios para combater as bactérias e este fluxo aumenta a pressão e provoca mais dor. 5.2.Sinais e sintomas Os sintomas mais comuns da sinusite são: congestão nasal, corrimento nasal purulento, dor de cabeça, dor facial, dor na arcada dentária superior, dor em volta dos olhos, sensação de pressão quando se abaixa a cabeça, ouvidos entupidos, tosse (principalmente noturna), hálito desagradável e/ou diminuição do paladar e do olfato. Também podem estar presentes outras queixas como fadiga, rouquidão e bronquite. Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves (54). Portanto, é importante procurar atendimento médico sempre que houver associado à sinusite: • Febre acima de 38,5ºC; • Edema ou vermelhidão na face; • Edema e vermelhidão em volta dos olhos; • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual; • Confusão mental; • Dor de cabeça muito intensa; • Rigidez da nuca. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 39 5.3.Complicações da sinusite A sinusite, se não for tratada, pode provocar complicações: a infeção dos olhos, meningite, abscesso cerebral, infeção dos ossos da face, otites, etc (53). 5.4.Terapêutica da sinusite A terapêutica da sinusite engloba medidas farmacológicas, estando disponível uma grande variedade de medicamentos para o tratamento dos sintomas (Tabela 1). O farmacêutico tem uma intervenção muito limitada, no campo desta patologia. Os medicamentos de não prescrição (ex.: descongestionantes nasais) servem apenas como adjuvantes, o tratamento deve ser feito pelo médico. O tempo de tratamento recomendado é de 7 a 10 dias (51). O tratamento orienta-se para melhorar o esvaziamento (drenagem) dos seios e curar a infeção. Nos tratamentos da sinusite são indicados os medicamentos, conforme esquematizado na Tabela 1. Tabela 1. Tratamento de rinossinusite. Adoptado de 47,50,53,54,55. Tratamento com Fármacos Antibióticos Amoxicilina, amoxicilina+ác.clavulânico, azitromicina, claritromicina, levofloxacina Descongestionantes nasais Pseudoefedrina, oximetazolina, fenilefrina Corticóides nasais Beclometasona, budesonida, fluticasina, mometasona Anti-histamínicos de 1ª geração Dexclorfeniramina, difenidramina Anticolinérgicos tópicos Brometo de ipratrópio em spray nasal Sora fisiológico 6.Conclusão Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 40 O papel do farmacêutico é muito importante neste tipo patologias, para além de poder fornecer informações sobre não farmacológicas e de aconselhar MNSRM, pode também alertar para os detalhes da aplicação dos medicamentos. Após desenvolver o trabalho sobre as Rinites e Sinusite, apresentei aos elementos da equipa da Farmácia Portas do Parque (farmacêuticos, técnicos e outros estagiários) numa das reuniões, como uma pequena formação, para distinguir diferenças entre rinite alérgica e não alérgica e a sinusite. Desta forma, alertei para aspetos que devemos ter em linha de conta aquando um utente se revele com sinais e sintomas que se enquadrem numa destas patologias. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 41 Bibliografia (1). Decreto-Lei nº Lei nº171/2012, de 1 de agosto; Procede à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 307/2007, de 31 de agosto, que estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina; Diário da República; 1ª Série; nº148. (2). 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