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Acesso e Recuperação da Informação em Catálogos Bibliográficos Online: o caso do catálogo Aleph

Cristiana Raquel Loureiro Coelho

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! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ACESSO E RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM CATÁLOGOS BIBLIOGRÁFICOS ONLINE O CASO DO CATÁLOGO ALEPH CRISTIANA RAQUEL LOUREIRO COELHO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM ÁREA CIENTÍFICA M 2014 ! ! Aprovadas em provas públicas pelo júri: Presidente: Prof. Doutor António Manuel Lucas Soares Professor Associado da Faculdade de Engenharia - Universidade do Porto Vogal Externo: Prof. Doutora Maria da Graça de Melo Simões Professora Auxiliar Convidada da Faculdade de Letras – Universidade de Coimbra Prof. Doutora Cândida Fernanda Ribeiro Professora Catedrática da Faculdade de Letras - Universidade do Porto Julho 2014 ACESSO E RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM CATÁLOGOS BIBLIOGRÁFICOS ONLINE O CASO DO CATÁLOGO ALEPH CRISTIANA RAQUEL LOUREIRO COELHO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM ÁREA CIENTÍFICA ! ! À Memória do meu Pai ! ! Agradecimentos À Professora Doutora Fernanda Ribeiro, pela orientação e disponibilidade. À minha mãe, pela motivação e por me apoiar ao longo da minha vida. Às minhas irmãs, um muito obrigada pelas palavras de apreço ao longo destes dois anos. Ao meu sobrinho, Tiago Santos, pela alegria que me dava ao longo destes dois anos. Aos meus familiares e amigos, pelo carinho e apoio. Um muito obrigada a todas as pessoas que me ajudaram na recolha de dados para a dissertação. A todos um muito Obrigada! ! ! 5 Resumo ! ! A grande evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), cada vez mais direcionada para o utilizador, convida à disseminação de conhecimento, difunde a inteligência colectiva e abre um vasto leque de oportunidades às organizações, nomeadamente para as bibliotecas. As novas formas de pesquisa, de recuperação e de utilização da informação implicam que a disponibilização de serviços apresente uma nova atitude face aos utilizadores. As novas estratégias de pesquisa existem, atualmente, com o objetivo de satisfazer mais e melhor as necessidades informacionais dos utilizadores. Pretendeu-se, com este estudo, identificar todas as funcionalidades de pesquisa disponíveis, assim como as dificuldades que os utilizadores sentem na recuperação da informação, num catálogo Aleph. Para isso, foi necessário recorrer a duas técnicas de recolha de dados qualitativos: a entrevista e o focus group. Ambas foram realizadas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). Após a análise dos dados recolhidos, identificámos problemas e apresentamos algumas sugestões de melhoria. Os principais resultados permitiram-nos concluir que a maior parte dos utilizadores considera o catálogo Aleph de fácil uso, mas que, no entanto, não conhece todas as funcionalidades de pesquisa que ele oferece no sentido de um acesso rápido e eficaz à informação. Palavras-chaves: Catálogo Aleph, OPAC, Recuperação da Informação, Acesso à Informação. ! ! 6 Abstract The evolution on Information and Communication Technologies (ICT), more and more directed to its final user, invites to the dissemination of knowledge and to the diffusion of the collective intelligence and opens a wide range of opportunities to the organizations, mainly libraries. The new means of research, retrieval and use of information imply that the availability of services presents a new attitude towards the users. Nowadays, the new strategies of research exist with the purpose of suiting better the informational requirements of users. With this study it is intended to identify all the search functionalities available, as well as the difficulties that the users have in retrieving information through an Aleph catalog. For this it was necessary to use two techniques of qualitative data collection: the interview and the focus group. Both were used at the Faculty of Engineering of University of Porto (FEUP) and at the Faculty of Arts and Humanities of University of Porto (FLUP). After the data analysis, there were identified some problems and presented some improvement suggestions. The main results allow us to conclude that most users consider the Aleph catalog easy to use. However, they do not know all the search features that it offers towards a fast and efficient access to information. Keywords: Aleph Catalog, OPAC, Information Retrieval, Information Access. ! ! 7 Índice de ilustrações Ilustração 1: Pesquisar através dos Índices ..................................................... 40 Ilustração 2: Pesquisa Simples .......................................................................... 41 Ilustração 3: Pesquisa Multi-Campo ................................................................ 42 Ilustração 4: Pesquisa Multi-Base .................................................................... 42 Ilustração 5: Pesquisa Avançada ....................................................................... 43 Ilustração 6: Pesquisa por Linguagem de Comandos ....................................... 43 Ilustração 7: Limitar a Pesquisa ....................................................................... 44 ! ! 8! Índice de tabelas ! Tabela 1 - As funcionalidades do catálogo Aleph da FEUP e da FLUP ............ 49 ! ! 9! Lista de abreviaturas e siglas ! ! CDU – Classificação Decimal Universal FEP – Faculdade de Economia da Universidade do Porto FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto IFLA – International Federation of Library Associations and Institutions ISBN – International Standard Book Number ISSN – International Standard Serial Number MARC – Machine Readable Cataloging OCLC – Online Computer Library Center OPAC – Catálogo Online de Acesso Público SIBUL – Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa RI – Recuperação da Informação SRI – Sistemas de Recuperação da informação TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura WWW – World Wide Web ! ! 16! catálogo Aleph. Há ainda lugar à sugestão de propostas de melhoria para superar as dificuldades identificadas. No final, são expostas as conclusões do presente trabalho e, por último, são apresentadas as referências bibliográficas e os anexos. ! ! 17! 1. Revisão da literatura A revisão da literatura que apresentamos neste ponto incide na problemática que nos propusemos abordar e teve por base uma seleção de autores de referência. Iremos debruçar-nos sobre três assuntos principais que fundamentam a presente pesquisa: a evolução dos catálogos bibliográficos, a recuperação automática da informação assim como a avaliação em catálogos online e, por fim, a recuperação da informação com recurso aos catálogos bibliográficos online. 1.1. Dos catálogos manuais aos catálogos automatizados Os catálogos existem desde o surgimento das bibliotecas, facto datado por volta de 600 a.C. na biblioteca de Assurbanípal, na Assíria, e na Biblioteca de Alexandria, no Egito. Foi na Biblioteca de Alexandria que Calímaco realizou a primeira iniciativa para a organização de um catálogo metódico (Barbosa, 1978). A partir do séc. IX os catálogos começam a ser mais organizados e, mais tarde, no final do século XIII, o registo dos acervos das bibliotecas monásticas inglesas esteve na base de um catálogo coletivo em que cada biblioteca era identificada por um código numérico (Costa, 2011). Em 1389 surge a lista do Convento de St. Martin, em Dover. Esta lista talvez seja o primeiro catálogo considerado como tal e dividia-se em 3 secções: 1º - Era organizada pelo número de localização do livro na estante (incluía o título, o número de páginas do livro e o número de obras contidas no volume); 2º - Também se organizava pela localização, registava o conteúdo de cada volume com a paginação e as palavras iniciais de cada obra; 3º - É um marco na história da catalogação. Em 1410 apareceram as remissivas (registos que remetem para outros registos ou obras) e, a partir do surgimento da imprensa de Gutenberg (século XV), os catálogos tornaram-se chaves essenciais para consultas e pesquisas, deixando de ser apenas índices bibliográficos ou listas de livros. ! ! 18! No final do séc. XV, verificou-se um grande avanço relativamente à bibliografia. Johann Tritheim, bibliógrafo alemão, compila uma bibliografia, disposta em ordem cronológica e inclui, pela primeira vez, um índice alfabético por autor. Em 1545, Konrad Gessner também elabora uma bibliografia por autor e em 1548 cria o respetivo índice de assuntos. Trefler, em 1560 desenvolveu um sistema de classificação e números de localização. Incrementou, ainda, um catálogo dividido em 5 partes: catálogo alfabético de autores, listas das estantes, índice classificado para as partes (entradas analíticas), índice alfabético para o índice classificado e lista dos livros não integrados. Em 1595, Andrew Maunsell compilou um catálogo de livros e determinou regras para o registo de obras. Em 1620 foi publicado o 1º catálogo impresso ordenado alfabeticamente pelo apelido dos autores por Thomas James. Rostgaard (1697) desenvolve normas acerca da organização do catálogo através de índices alfabéticos por assuntos e por autores. Em 1761 Givanni Battista Andiffredi, compilou um código que consistia na apresentação no prefácio que baseava-se num conjunto de orientações que guiavam o utilizador. Em 1841, António Panizzi, bibliotecário, cria as 91 regras de catalogação. Estas regras serviram de suporte para todas as regras de catalogação existentes nos séculos XIX e XX. Cutter, em 1876, publicou o “Rules for a Dictionary Catalog” que consistia num verdadeiro código, baseando-se em 369 regras para entradas de autor e título, para assuntos, para cabeçalhos formais e arquivo de fichas. Além disso regulava a criação de pontos de acesso para os vários catálogos. Também no mesmo ano Melvil Dewey também estabeleceu regras de catalogação, mas no entanto o seu destaque deve-se à Classificação Decimal. Em 1895, Paul Otlet e Henri de la Fontaine criaram o Instituto Internacional da Bibliografia em Bruxelas. No ano de 1908 publica-se a primeira edição do código da ALA intitulada Cataloguing Rules: author and title entries, contando com a participação de Charles Ammi Cutter que, em 1904, havia publicado o livro Rules for a Dictionnary Catalog e já atuava com o objetivo de criar um código de catalogação (Silveira, 2003). ! ! 19! Em 1971, Michael Gorman realizou um estudo sobre métodos de catalogação adotados por bibliografias nacionais, dando origem à ISBD (International Standard Bibliographic Description) que foi publicada oficialmente em 1974. Dando complemento às tentativas de padronizar a catalogação ocorridas no séc. XX, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) surge com diversos objetivos e, entre eles, o de disseminar a informação por meio da cooperação internacional. Organizado pela IFLA, a UNESCO desenvolve o Controlo Bibliográfico Universal (CBU), com a finalidade de promover um sistema mundial de controlo e intercâmbio de informação bibliográfica. No final dos anos 60, nos Estados Unidos, dois desenvolvimentos determinaram o desaparecimento dos catálogos impressos através das fichas manuais com o intuito de criarem o formato MARC, fundado pela Biblioteca do Congresso, que permitia a leitura de registos bibliográficos através do computador; e de criarem o OCLC (Online Computer Library Center) de informação catalográfica por cabo a terminais. Assim começam a ser experimentados os primeiro catálogos informatizados. De acordo com Hildreth o primeiro catálogo informatizado foi o da OCLC e o segundo foi num Biblioteca Universitária do Estado Ohio, em 1975. Nos anos 80 já se encontravam em bastantes bibliotecas (Tronchin, 2008). Em Portugal, no ano de 1988, é inaugurado o OPAC da Porbase, base nacional de dados bibliográficos, com 60.000 registos1. Ao longo dos anos 80, foram surgindo catálogos com mais funcionalidades em relação à padronização e recuperação da informação, bem como ao seu interface. Assim, em 1986, os Serviços de Documentação da Universidade de Aveiro deram início à informatização das suas funções, começando pela fase da catalogação e pesquisa, passando, em 1988, a iniciar a conversão retrospetiva. Em 1995, adquiriram o sistema integrado de gestão de documentos Aleph, que possibilitou gerir os procedimentos do tratamento documental de forma agregada. Dá-se por terminada a conversão retrospetiva dos catálogos manuais, ou seja, todos os registos bibliográficos ficaram informatizados2. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 1 BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL – PORBASE: base nacional de dados bibliográficos. Lisboa: B. N. P., 2008. Acesso em 20 de dezembro de 2013. http://www.porbase.org/sobre-porbase/cronologia.html 2 LIMA, Sandra Carla Borges de – A Inevitabilidade do OPAC 2.0. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2011. p. 19. ! ! 20! Em 1987, a Universidade de Lisboa também inicia a informatização de catálogos de várias bibliotecas. Em 1998 forma-se o Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa (SIBUL) e em 2001 fica disponível o catálogo online3. A Universidade de Coimbra, em 1988, procede-se à 1ª fase de informatização das bibliotecas e ao início do tratamento catalográfico informatizado, em colaboração com a Porbase. Em 1995 procede-se à segunda fase com a aquisição de um sistema integrado de gestão de documentos. Em 1997 deu-se a inauguração do 1º Catálogo Online de Acesso Público4. Em 1994, assistimos à popularização da Internet. A partir deste ano as bibliotecas passaram a disponibilizar os seus catálogos online. Assim, as bibliotecas tiveram a necessidade de criar uma linguagem como forma de apresentação de registos e novos meios para se poder aceder e pesquisar no catálogo. Nesta última década as bibliotecas vêm desenvolvendo e oferecendo catálogos online com o intuito de possibilitar aos utilizadores um acesso e recuperação da informação mais eficaz. Com o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) utilizadas no âmbito dos Serviços de Documentação e Informação tivemos o início da informatização dos catálogos. O crescimento da Internet como meio de comunicação à escala mundial só foi possível com a World Wide Web (WWW), uma nova forma de partilha de informação na internet, através do hipertexto, expandido em 1990 por Tim Berners-Lee. Desta forma, a web permitiu a partilha, entre utilizadores, por intermédio de um simples clique, de texto, imagens e multimédia, expandindo num ritmo elevado a partir de 1995. O advento da WWW facilitou o surgimento de diversas ferramentas que, nos últimos anos, se tornaram imprescindíveis na vida quotidiana dos indivíduos e das instituições. Segundo Castells (2004: 87) “o uso apropriado da Internet converteu-se numa fonte fundamental de produtividade e competitividade para todo o tipo de empresa”. Desta forma, esta proporcionou o surgimento dos catálogos online, também conhecidos por Catálogos Online de Acesso Público (OPAC). !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 3 UNVERSIDADE DE LISBOA – Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2003. Acesso em 20 de dezembro de 2013. http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3945/1/ulsd_mleal_afreire_2003.pdf. 4 UNIVERSIDADE DE COIMBRA – Serviço Público da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2010. Acesso em 6 de janeiro de 2014. http://www.uc.pt/bguc/Documentos2010/CausaPublica. ! ! 21! Na atualidade, a definição de catálogo deixou de estar ligada exclusivamente à monografia passando a ser considerado como um meio de comunicação (Jiménez Pelayo; García Blanco, 2002). É de salientar que o catálogo de uma biblioteca deverá permitir que os utilizadores finais pesquisem recursos informacionais sem o auxílio de um profissional da informação (Hildreth, 1989). Para Oliveira (2008), os catálogos automatizados alteraram a rotina dos catálogos em fichas permitindo a recuperação da informação através de vários pontos de acesso tornando o processo de recuperação da informação mais rápido e eficaz. Deste modo, é importante perceber que a automatização das bibliotecas e o surgimento dos OPAC proporcionaram uma grande velocidade na utilização dos sistemas e do acesso à informação, possibilitando uma recuperação da informação mais eficaz. É através destas caraterísticas que o catálogo permite maior interação entre a informação e os utilizadores. Além disso, existem outras funcionalidades que ultrapassam o mero conceito de catálogo automatizado. Os OPAC são sistemas integrados que incluem vários módulos para executarem funções diferentes. Têm como finalidade partilhar informações entre os diversos módulos, nomeadamente o módulo de aquisição, o de catalogação, o de controlo de autoridade, o de empréstimos, o de empréstimos entre bibliotecas e a gestão do sistema de gestão de documentos em geral (Taylor, 2004). Após analisar diversa literatura científica, podemos afirmar que os catálogos podem ser classificados, seguindo uma evolução histórica, em primeira, segunda e terceira geração. Num primeiro momento (meados dos anos 80), conhecido como primeira geração dos OPAC, temos o surgimento desses instrumentos a partir dos catálogos tradicionais possibilitando um acesso à informação somente através dos pontos de acesso: título, notação de classificação, assunto e palavras-chave. Para além disso, os catálogos foram caracterizados por falta de padronização e de interatividade na sua utilização (López Yepes, 2004). Num segundo momento (fim dos anos 80), designado por segunda geração, verificamos o início do processo de correção das limitações evidenciadas na primeira geração dos OPAC. Ou seja, melhoraram o seu interface facilitando o acesso e a recuperação da informação aos utilizadores (López Yepes, 2004). Na terceira geração (década de 90), temos o uso de uma interface que utiliza uma linguagem natural permitindo que o utilizador desenvolva estratégias de pesquisa. ! ! 22! Permite aos utilizadores pesquisar através dos pontos de acesso por interface, o que possibilita a personalização da consulta durante a pesquisa (López Yepes, 2004). Tendo em conta a diversidade das definições e o conceito sobre os catálogos, pode assim afirmar-se, de uma forma geral, que atualmente os OPAC são sistemas de recuperação de informação que constituem interfaces que permitem a personalização da consulta, adaptando-se melhor a cada utilizador. Afirma-se que são um elemento fulcral no acesso e na gestão bibliográfica disponível numa biblioteca tornando-se um fator fundamental para gerir informação através das diversas funcionalidades de pesquisa e das várias estratégias que os utilizadores usam para pesquisar a informação. ! 1.2. Recuperação automática da informação A recuperação da informação é um assunto bastante analisado pela Ciência da Informação, sendo um tema de estudo nesta área desde a sua origem, na medida em que a ‘recuperação da informação’ tem como finalidade tornar acessível aos utilizadores a informação. Atualmente, o termo de recuperação da informação pode ser considerado como um processo de localizar documentos com o objetivo de possibilitar o acesso à informação. Para além disso, é um método de representar, armazenar, organizar para posteriormente o utilizador localizar a informação de forma rápida e eficaz. Deste modo, afirma-se que a recuperação da informação é um “processo que tem por base uma pesquisa, feita através dos pontos de acesso, com vista de localizar informação armazenada num sistema de informação” (Ribeiro, 1996:119). Em 1945, Vanevar Bush (cientista do Massachussets Institute of Technology), publica o artigo intitulado As we may think 5. É através deste artigo que Bush identifica e define o problema de se tornar acessível o acervo crescente de conhecimentos e propõe uma determinada solução que seria um ajuste tecnológico. Descreve, então, o Memex, um dispositivo teórico que tinha como objetivo encontrar um mecanismo para automatizar várias ações, nomeadamente o armazenamento, a indexação e a recuperação. Ao longo deste artigo, verifica-se que Vannevar tinha como finalidade descobrir novas formas para se utilizar uma grande quantidade de informação de forma correta e adequada. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 5 BUSH, Vannevar – As we may think. Atlantic Monthly. 176:1(1945) 101-108. ! ! 23! No mesmo ano, Shannon e Weaver publicaram a Teoria Matemática da Informação e, em 1949, Weaver escreve sobre a importância da informação. A Ciência da Informação analisou estas teorias com o objetivo de compreender o seu objeto de estudo, a informação. O processo de recuperação automática da informação surgiu em 1952 e tornouse fundamental para os utilizadores a partir de 1961. Nessa época a função deste processo era considerada como um avanço em bibliotecas (Chowdhury, 2010). Em 1951, Calvin Mooers cria o termo ‘Recuperação da Informação’. Para o autor, a “recuperação da informação trata dos aspetos intelectuais da descrição da informação e sua especificação na pesquisa de qualquer sistema, técnicas ou máquinas que são utilizadas para realizar esta operação” (Mooers, 1950). Ao longo dos anos foram surgindo estudos sobre a Recuperação da Informação. Um aspeto importante destes estudos foi a realização dos primeiros testes de desempenho dos Sistemas de Recuperação de Informação. O primeiro Sistema de Recuperação de Informação avaliado foi criado por Mortimer Taube e designado por “Uniterm”. Em 1957, Cyril Cleverdon iniciou uma série de projetos cujo objetivo era melhorar a eficácia da recuperação da informação em SRI. Os projetos foram designados por Cranfield I e II, foram desenvolvidos em instituições dos Estados Unidos (ASTIAArmed Services Technical Information Agency) e do Reino Unido (College of Aeronautics in Granfield) e ficaram conhecidos como “os testes de Cranfield”. Outro estudo a referir foi o projeto SMART que tinha como finalidade realizar uma série de experiências sobre a Recuperação da Informação. Estas experiências foram feitas por Gerard Salton, permitindo o desenvolvimento de diversas técnicas computacionais com o intuito de criar um modelo de Recuperação da Informação automatizado. É bastante importante referir a avaliação do sistema MEDLARS (Medical Literature Analysis and Retrieval system) na National Library of Medicine, em Washington, conduzida por F.W. Lancaster. Foi, até ao momento, o maior teste de avaliação realizado, continha cerca de 800.000 documentos. Em 1995, Lesk publicou o artigo intitulado The Seven Ages of Information Retrieval6. Este artigo faz uma análise comparativa entre as setes idades do homem descritas por Shakespeare e a história da recuperação da informação, desde a década de !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 6 LESK, Michael – The Seven ages of information retrieval. In Conference for the 50th. Anniversary of As we may think. Cambridge, 1995. ! ! 24! 50 até ao futuro 2010. Desta forma, Lesk propõe a seguinte cronologia para a Recuperação da Informação: Infância (1945-1955), Escolaridade (anos 60), Idade Adulta (anos 70), Maturidade (anos 80), Crise da Meia-Idade (anos 90), Realização (anos 2000) e a Reforma (2010). O artigo descreve a história da Recuperação de Informação ao longo destas sete fases, mencionando as previsões de Bush (1945), determinando um paralelo entre as mesmas com as diferentes etapas que compõem a vida do Ser Humano. Ribeiro (1996: 119), considera que a ‘recuperação da informação’ é um “processo que tem por base uma pesquisa, feita através de pontos de acesso, com vista a localizar informação armazenada num Sistema de Informação”. De acordo com Baeza-Yates (1999), ‘recuperação da informação’ é a forma como é representada, armazenada e organizada a informação de forma a facilitar o acesso à informação útil por parte do utilizador. Chowdhury (2010) acrescenta que permite, para além da organização, do processamento e do acesso, recuperar informação de todas as formas e formatos de acordo com a necessidade de informação específica. Atualmente, no contexto da Ciência da Informação, a ‘recuperação da informação’ poder ser encarada como um processo de localização de documentos com o objetivo de possibilitar o acesso à informação. É considerado um método de representar, armazenar e organizar com o objetivo de possibilitar ao utilizador um acesso eficaz à informação. Para facilitar a recuperação da informação utilizam-se instrumentos que facilitam este processo, as quais são designadas por Sistemas de Recuperação da Informação (SRI). Atualmente, o desenvolvimento de ferramentas de pesquisa veio facilitar a recuperação da informação. Um SRI é considerado um sistema que se destina ao armazenamento de unidades de informação e que, por outro lado, efetua procedimentos com vista ao tratamento, pesquisa e recuperação da informação com a finalidade de satisfazer as necessidades informacionais dos utilizadores, como se pode verificar na seguinte afirmação de López Yepes: “são sistemas projetados para armazenar e procurar informação [...]”. Deste modo, os SRI surgiram com a finalidade de superar a necessidade de aceder à informação a um ritmo compulsivo. Assim, pode afirmar-se que os SRI organizam e facilitam o acesso aos conteúdos informacionais através dos processos de indexação e de descrição. Além disso, a utilização de facetas em sistemas de recuperação de informação desempenha o papel fundamental de refinar os resultados, ! ! 25! adaptando-os mais eficazmente às necessidades informacionais dos utilizadores (Calhoun, 2009). Salienta-se que Amstrong e Large (1988) organizaram um manual para os intermediários que executam as pesquisas, apresentando diversos modelos de estratégias de pesquisa em bases de dados enfatizando ainda o processo de entrevista dos utilizadores para as pesquisas nos SRI. Para Araújo (1995), a dificuldade da conceção do que é um SRI advém da ambiguidade dos seguintes conceitos: sistema e informação. Buckland (1991) também afirma que no âmbito destes sistemas se evidencia o conceito de informação. Ribeiro (1996: 120) acrescenta que os SRI são “sistemas que se destinam ao armazenamento da informação e que executam diversos procedimentos, com vista ao tratamento, pesquisa e localização dessa mesma informação”. Em 1997, Korfhage afirma também, que o principal objetivo dos SRI é armazenar informação ou documentos com o intuito de satisfazer as necessidades informacionais dos utilizadores. Segundo Lopes (2002), os SRI, também designados por bases de dados, apresentam uma complexidade no processo de armazenamento e na procura da informação, envolvendo uma série de aspetos que são considerados interdependentes. Dentro destes pode ser destacada a tecnologia que conduz os utilizadores ao acesso e à pesquisa da informação, mas só por si não é suficiente, pois a qualidade da informação recuperada requer um planeamento de estratégias durante a pesquisa. De acordo com Chowdhury (2010), os SRI são considerados meios que possibilitam uma interação entre os próprios autores e utilizadores, colecionando e organizando a informação. No entanto, Baeza-Yates e Ribeiro Neto (1999) consideram que os SRI são sistemas que têm as seguintes funcionalidades: a representação, o armazenamento, a organização e a recuperação da informação. Estes autores também acrescentam que a representação e a organização da informação devem possibilitar aos utilizadores o acesso à informação de forma rápida e eficiente. Desta forma, afirma-se que os SRI consistem principalmente em construir índices eficientes com o intuito de processar pesquisas aos utilizadores com qualidade melhorando os seus resultados. Desta forma consideramos que os SRI organizam e viabilizam o acesso à informação desempenhando atividades de representação da informação contidas no documento através da descrição de documentos e da operação do tratamento documental, a indexação. Para além disso, afirma-se que estes sistemas possibilitam o ! ! 32! Relativamente à apresentação de resultados em relação à avaliação do uso de catálogos coletivos de bibliotecas universitárias, afirma-se que a maior parte dos utilizadores das bibliotecas usam pouco o catálogo das bibliotecas. Quando os utilizadores utilizam o catálogo para acederem à informação, utilizam os seguintes pontos de acesso: título, assunto e autor. É de salientar que alguns afirmam encontrar dificuldades na recuperação da informação através de alguns campos, nomeadamente pelos campos: autor, título, local e data. Os operadores booleanos são desconhecidos na maioria dos utilizadores. No que diz respeito à apresentação dos dados obtidos na avaliação da usabilidade de catálogo em linha da Biblioteca Cesur, salienta-se que a maioria dos entrevistados conhece o catálogo da Biblioteca. No entanto, não costumam aceder regularmente ao mesmo. Quando utilizam o OPAC, necessitam da ajuda de um profissional da informação, logo, afirmam que os resultados das pesquisas vão ao encontro das suas necessidades informacionais. Por último, os utilizadores revelam-se satisfeitos em relação à facilidade de acesso ao catálogo da biblioteca. Em suma, os resultados do primeiro estudo evidenciam que existe uma grande necessidade de padrões na representação descritiva dos recursos informacionais e na formação contínua na utilização do catálogo. Já no segundo estudo se verifica que o catálogo da biblioteca do CESUR atende de forma satisfatória as necessidades de recuperação da informação e que a maioria dos utilizadores conhece o catálogo. ! ! 33! 2. Questões metodológicas As questões metodológicas que abordamos neste capítulo pretendem incidir na descrição do estudo, começando por apresentar a questão de investigação assim como as hipóteses que foram formuladas. De seguida, explica-se o método de seleção em relação à revisão da literatura e são apresentados os instrumentos/técnicas utilizados na recolha de dados. 2.1. Descrição do estudo A investigação no domínio das Ciências Sociais, em geral, é uma atividade de natureza cognitiva que se baseia num processo sistemático, flexível e objetivo de pesquisa que tem como principal finalidade compreender e explicar os fenómenos sociais (Coutinho, 2013). Desta forma, segundo Quivy e Campenhoult (1992), um trabalho de investigação deverá iniciar-se com a enunciação de uma pergunta de partida através da qual um investigador “tenta exprimir o mais exatamente possível aquilo que procura saber”. A pergunta de investigação deverá ainda reunir qualidades de clareza e pertinência. Tendo em conta os objetivos referidos na introdução, formula-se como questão de investigação: Será que os Serviços de Informação disponibilizam catálogos cujas potencialidades de pesquisa vão ao encontro das necessidades dos utilizadores? Com base na pergunta de partida, procurámos apurar as funcionalidades de pesquisa num catálogo Aleph, as dificuldades dos utilizadores no acesso e na recuperação da informação no mesmo catálogo e propomos soluções de melhoria. Foram ainda formuladas as seguintes hipóteses: H1 – O catálogo Aleph não possibilita aos utilizadores tirar partido de todas as suas potencialidades de pesquisa. H2 – Os utilizadores do catálogo Aleph revelam desconhecimento e dificuldades no uso do mesmo. ! ! 34! A partir daqui, foram tomadas decisões ao nível do procedimento metodológico a seguir, de um modo geral, nomeadamente quanto à revisão da literatura pertinente e relativamente às técnicas de recolha de dados (entrevista e focus group). 2.2. Análise de conteúdo da literatura recolhida Um dos primeiros propósitos de uma investigação é produzir informação que possa contribuir para um melhor entendimento do fenómeno social em estudo, o que implica identificar toda a investigação pertinente já existente (Coutinho, 2013). No sentido de sistematizar o estado de conhecimento sobre o tema “Acesso e Recuperação da Informação em Catálogos Bibliográficos Online: o caso do catálogo Aleph”, foi elaborado um trabalho escrito de acordo com os princípios metodológicos de uma revisão da literatura. Desta forma, foi necessário definir uma questão de investigação, referida anteriormente, com a finalidade de restringir critérios de pesquisa, como, por exemplo, estudos de referência dos principais autores que abordam esta área temática e avaliação dos Sistemas de Recuperação da Informação. A revisão da literatura baseia-se na identificação, localização e análise de conteúdo que contém informação relacionada com o tema de investigação. Tem como finalidade situar o estudo no contexto e estabelecer um vínculo com o conhecimento existente sobre o assunto, designado “estado-da-arte” (Coutinho, 2013 Cardoso, Alarcão e Celorico, 2010). A revisão da literatura tem como principal objetivo sustentar a pesquisa científica, na medida em que é essencial fazer um levantamento exaustivo da produção científica da área de estudo. Com a realização da revisão da literatura, pretende-se identificar estudos pertinentes para o desenvolvimento do trabalho. Para isso, é essencial pesquisar fontes informacionais relevantes. Durante a elaboração da revisão da literatura deste trabalho, o material bibliográfico utilizado foi obtido através de uma pesquisa bibliográfica em catálogos online, uma análise documental e uma pesquisa via internet com vista à obtenção de informação bibliográfica complementar. De uma maneira geral, as plataformas de recuperação da informação para o desenvolvimento do estudo foram: Catálogos online ! ! 35! da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e da Biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Biblioteca virtual da Universidade do Porto (que disponibiliza todos os recursos informacionais que a Universidade do Porto oferece a toda a sua comunidade), bases de dados, revistas científicas e, por fim, repositórios institucionais (da Universidade do Porto, da Universidade de Coimbra, entre outros). De uma forma geral, as referências bibliográficas utilizadas foram artigos publicados em periódicos internacionais e nacionais, monografias publicadas por autores de referência, teses de doutoramento e dissertações de mestrado, e, por último, artigos de conferências internacionais. Para identificar e selecionar estudos relevantes a incluir na revisão da literatura, foi preciso utilizar algumas estratégias de pesquisa (operadores booleanos, palavras-chave, índices de assunto, índices de título e índices de autor), de modo a reunir informação para o estudo de forma eficaz e rápida. Após pesquisar e aceder a toda a informação recolhida nas fontes de informação acima referidas, foi importante analisá-la e selecionar a mais relevante para o desenvolvimento da revisão da literatura. Pode salientar-se que a revisão da literatura deste estudo é composta por 4 subdivisões: dos catálogos manuais aos catálogos automáticos, a recuperação automática da informação, a recuperação da informação nos catálogos bibliográficos online e, por último, a avaliação em catálogos online. Esta divisão dos temas permite compreender o desenvolvimento da temática ao longo do tempo. Em suma, afirma-se que a revisão da literatura deve potenciar a credibilidade ao nível da investigação, uma vez que possibilita estabelecer um vínculo com o conhecimento existente sobre o tema a desenvolver. Além disso, através da revisão da literatura é possível analisar e sintetizar as diversas fontes de informação com conteúdos concetuais e empíricos em função do tema de investigação. 2.3. Entrevistas A entrevista, de acordo com Quivy e Campenhoult (1998), é uma técnica de recolha de dados que se distingue pela aplicação dos processos essenciais de comunicação e de interação humana. Coutinho (2013: 141) acrescenta que, “tal como o questionário, a entrevista visa a obtenção da informação através de questões que são colocadas ao inquirido pelo investigador. As questões a colocar podem ser abertas, fechadas ou uma mistura de ambas”. ! ! 36! De uma maneira geral, consideramos que a Entrevista é uma conversação entre uma ou duas pessoas onde as questões são realizadas pelo entrevistador de modo obter ou reunir a maior quantidade de informação relevante por parte do entrevistado. As entrevistas podem ser consideradas uma poderosa técnica de recolha de dados, uma vez que existe uma grande interação entre o entrevistado e o investigador, possibilitando a obtenção de grande quantidade de informação. Relativamente a este trabalho, a realização das entrevistas foi essencial para a realização do capítulo 3, “Recuperação da Informação num catálogo Aleph”, na medida em que foi fulcral na identificação de todas as funcionalidades de pesquisa do catálogo Aleph. Primeiramente, foi importante a elaboração de um guião (Anexo 1), constituído por seis questões, de forma a compreender todas as estratégias de pesquisa que o Aleph disponibiliza ao utilizador. Posteriormente, foram contactados por via email os Responsáveis dos Serviços de Documentação e Informação da FEUP e da FLUP e da no sentido de pedir a marcação de uma entrevista, onde se chamava a atenção para a importância que as respostas obtidas teriam para o trabalho em causa. Desta forma, as entrevistas foram realizadas com o Eng.º Pedro Graça (Responsável pela parametrização do Aleph na FEUP) e com o Dr. João Leite (Diretor dos Serviços de Documentação e Sistemas de Informação da FLUP) com o intuito de recolher mais informação sobre as funcionalidades do catálogo Aleph. É de salientar que a Responsável pelos Serviços de Documentação da Informação nos colocou em contacto com o Responsável pela parametrização do Aleph, mais vocacionado para este tema. As entrevistas foram realizadas nas instalações da FEUP e da FLUP ao longo do dia 17 de Fevereiro de 2014 e tiveram a duração de cerca de 20 minutos cada uma. Por último, afirma-se que esta foi uma entrevista considerada semiestruturada, na medida em que possui um guião estruturado que serviu de orientação ao entrevistador. 2.4. Focus group O focus group é uma técnica própria da investigação qualitativa, que permite reunir diferentes tipos de pessoas envolvidas e recolher uma vasta quantidade de ! ! 37! informação. Esta técnica tem como principal vantagem a interação entre os vários participantes (Morgan, 1988). Linhorst (2002) considera que os focus groups são uma técnica de pesquisa em que o moderador entrevista um pequeno grupo para estimular a discussão sobre atitudes, percepções ou opiniões obtendo informações de uma determinado tema/assunto. A finalidade desta pesquisa baseia-se em “extrair das respostas e atitudes dos participantes do grupo, sentimentos, opiniões e reações (...) ” (Galego & Gomes, 2005:175) para se construir um novo conhecimento. Oliveira e Freitas (1998:83) acrescentam que o focus group “é um tipo de entrevista em profundidade realizada em grupos, cujas reuniões apresentam características definidas quanto a proposta, tamanho, composição e procedimentos de condução. O foco ou objeto da análise é a interação dentro do grupo”. Segundo Krueger e Casey (2000), a realização de um focus group deve obedecer aos seguintes requisitos: o número de participantes varia entre 5 e 10; a composição do grupo deve ser homogénea; os procedimentos implicam a realização da entrevista ao grupo por um moderador que pode ser acompanhado por um assistente; e, por fim, as sessões não devem exceder as duas horas. É de salientar que o investigador deve gravar (em vídeo ou em áudio) tudo o que acontece durante a sessão, podendo pedir a colaboração externa para o efeito. O focus group é constituído por entrevistas semiestruturadas com grupos pequenos, em que o moderador pede aos intervenientes para falarem de determinados assuntos (Vaughn, Schumm, Sinagub, 1996). Segundo Parasuraman (1986), o focus group é uma discussão, conduzida ou moderada, que introduz um tópico a um grupo de pessoas e direciona a sua discussão sobre o tema, de uma maneira não estruturada e natural. O principal benefício deste tipo de trabalho é que se baseia na possibilidade de maior liberdade de expressão dos participantes relativamente a outros métodos de análise qualitativa (Carlos, et al., 2005). É de salientar que esta técnica de investigação fornece informação com uma elevada consistência com resultados de estudos quantitativos. Por último, pode afirmar-se que as principais caraterísticas de um grupo de discussão são o envolvimento de indivíduos, a homogeneidade dos participantes quanto aos aspetos de interesse de pesquisa, a partilha de informação, a natureza ! ! 38! qualitativa e a discussão focada num tópico que é determinado pelo propósito da pesquisa (Krueger, 1994). ! ! 39! 3. Acesso e recuperação da informação num catálogo Aleph O capítulo três baseia-se na recuperação da informação no catálogo Aleph. Neste capítulo pretende-se analisar e avaliar todas as ferramentas de recuperação da informação num catálogo Aleph assim como indicar as limitações do catálogo Aleph como instrumento de mediação. 3.1. Acesso à informação num catálogo Aleph Antes de mais, é importante esclarecer que um Sistema Integrado de Gestão de Bibliotecas é capaz de realizar uma gestão automatizada da informação num determinado serviço de documentação e informação (López Yepes, 2004). Nos últimos anos os sistemas de gestão de documentos têm oferecido aos utilizadores os meios necessários à realização das suas próprias pesquisas através da disponibilização dos vários interfaces que possibilitam a pesquisa ao utilizador (Lopes, 2002). Para abordagem do acesso e da recuperação da informação no catálogo Aleph selecionou-se a parte visível do sistema, isto é, tudo aquilo que o utilizador tem à sua disposição para formular a sua estratégia de pesquisa. A maior parte dos utilizadores recorrem ao serviço de referência das bibliotecas com vista à obtenção de apoio nas realização das pesquisas devido às dificuldades que sentem para realizar as operações necessárias à recuperação da informação. Desta forma, importa conhecer todas as funcionalidades de pesquisa, que o catálogo Aleph oferece. O sistema de gestão de documentos bibliográficos Aleph apresenta como caraterísticas a sua flexibilidade e a sua facilidade de consulta. Além disso é constituído por diversas funcionalidades: • Controlo de entradas por autores; • Interoperabilidade entre os sistemas que utilizam os seguintes padrões: Machine Automated Readable Cataloguing, UNIMARC, Dan Marc, a norma ISO 2709, entre outros. • Interface com sistemas de imagens; ! ! 40! • Operação em rede; • Realização de correções, alterações e exclusões automáticas para qualquer módulo do sistema; • Importação e exportação de dados; • Sistema de serviços na Internet com interface gráfica; • Capacidade do Sistema de Recuperação da Informação entre 100.000 a 9.000.000 registo, suportando uma rede de bibliotecas com um ou mais servidores; • Multilinguístico. De acordo com as funcionalidades de pesquisa, o Aleph apresenta diversas formas de aceder à informação tais como: índices de pesquisa, pesquisa simples, pesquisa multi-campo, pesquisa multi-base, pesquisa avançada, pesquisa por linguagem de comandos, limitação da pesquisa, truncatura, pesquisa lateral, informações sobre o documento, informação sobre a indexação, bases lógicas, limites e formatos para exibição separada dos registos vinculados, menu de formatos, texto para padrões para links e, por fim, o idioma. Vejamos, então, as caraterísticas dos vários tipos de pesquisa relativas à Recuperação da Informação. Pesquisar através dos índices – os índices são considerados úteis para fazer pesquisas através dos seguintes campos: título, autor, assunto, linguagem não controlada, número de registo, editor, colecção, cota, ISSN, ISBN e, por fim, pela CDU (Classificação Decimal Universal). A imagem abaixo mostra os vários campos que o catálogo Aleph disponibiliza. Ilustração 1: Pesquisar através dos índices ! ! 41! Tipos de Pesquisa – O ALEPH disponibiliza vários tipos de pesquisa: Pesquisa Simples, a Pesquisa Multi-Campo, a Pesquisa Avançada e, por fim, a Linguagem de Comandos (CCL). A Pesquisa Simples possibilita introduzir a expressão de pesquisa e adicionar o campo de pesquisa (autor, título, assunto, entre outros). Seguidamente, permite, se o utilizador deseja, uma pesquisa com palavras de adjacência ou não. É importante referir que as palavras de adjacência tem como objetivo encontrar, se utilizado no meio de uma palavra, palavras com o mesmo significado, embora com diferenças ortográficas. Ilustração 2: Pesquisa simples Em relação à Pesquisa Multi-Campo, pode afirmar-se que esta facilita o acesso e a recuperação da informação, uma vez que busca em vários campos que permitem que o utilizador localize a documentação através do Assunto, Autor, palavras do título, Ano, Editor e Cota. Tal como a pesquisa simples, esta também possibilita a utilização de palavras de adjacência (permite encontrar palavras com o mesmo significado). ! ! 48! FUNCIONALIDADES DE PESQUISA DO CATÁLOGO ALEPH DA FEUP E DA FLUP FEUP FUNCIONALIDADES DO ALEPH FLUP ! Ajuda e Documentação de Apoio ! ! Descritores ! ! Extensão de Pesquisa ! ! Interfaces do utilizador simples e avançados ! Operador de Adjacência ! ! Operadores Booleanos ! ! Operadores de Proximidade ! Não é sensível Pesquisa “Case-sensitive” Não é sensível ! Pesquisa Lateral ! ! Pesquisa por campos de comprimento fixo ! ! Pesquisa por campo ! ! Pesquisa por data ou período cronológico ! ! Técnicas de visualização ! ! Truncatura ! ! Idioma ! ! ! 49! Tabela 1 - As funcionalidades do catálogo Aleph da FEUP e da FLUP É importante salientar que quando se pretende pesquisar por autor no catálogo da FLUP deve colocar-se o nome em forma invertida, como por exemplo: Pessoa, Fernando. Já no catálogo da FEUP não é necessário colocar em forma invertida o nome do autor. É igualmente de referir que o registo de autoridade recupera todas as obras do autor ou de um dado assunto que a biblioteca disponibiliza. Afirma-se que relativamente ao idioma, o utilizador só pode escolher entre a língua inglesa ou portuguesa. Em suma, considera-se que ambos os catálogos das bibliotecas são constituídos pelas mesmas funcionalidades, excepto o catálogo da FEUP que não utiliza o operador Adjacência. 3.3. Limitações do catálogo Aleph como instrumento de mediação O conceito de mediação “é, de facto, crucial, sobretudo quando nos propomos analisar as condições, as perspectivas, os estudos e os modelos de acesso e uso, ou seja, como os serviços interagem com os utilizadores e como estes se comportam, de acordo com as suas necessidades, situações e contextos, face à informação disponível” (Ribeiro, 2009: 21). Silva (2010: 14) no seu artigo intitulado “Mediações e Mediadores em Ciência da Informação” defende que o conceito de mediação “integre o dispositivo teórico- ! Controlo de Autoridade ! ! Limitar a pesquisa ! ! Informações sobre a indexação ! ! Texto para padrões para links ! ! ! 50! metodológico desta ciência emergente para atender às exigências de um enfoque que só, subsequentemente, é que é comunicacional, ou seja, o foco incide, antes de tudo, na produção informacional (em situações, contextos e meio ambiente), seguindo-se ou não a dinâmica da partilha, da interação ou da ação comunicante”. Hoje em dia, a mediação nas bibliotecas pode ser realizada com muita mais competência com a utilização dos recursos que as TIC oferecem ao utilizador durante a sua pesquisa. Isto, porque é possível ter acesso a elas em qualquer lugar, sem necessidade de deslocamento físico. Uma das ferramentas fundamentais para a mediação numa biblioteca é o seu catálogo bibliográfico. Quanto mais desenvolvido for o catálogo da biblioteca a sua mediação será mais eficiente. Esta nova geração dos catálogos reúne as informações das obras existentes nos acervos possibilitando o acesso ao texto integral em bases de dados. O acesso remoto à informação em qualquer lugar, sem necessidade de deslocamento físico alarga as possibilidades de promover o uso da informação. Atualmente, o OPAC avançou em relação ao catálogo tradicional em possibilitar guardar informação em recursos electrónicos, pois estes recursos permitem observar imagens em movimento o que veio aumentar a possibilidade de mediação. Desta forma, cabe ao mediador conhecer as fontes de informação existentes nos Serviços de Documentação e Informação e os recursos das TIC para o acesso integral à informação e desta forma satisfazer as necessidades do utilizador. Porém, o catálogo Aleph é composto por limitações como instrumento de mediação, ou seja, para além das funcionalidades que este disponibiliza ao utilizador no ato de pesquisa não disponibiliza potencialidades em relação à mediação. Ou seja, disponibiliza ao utilizador aceder ao texto integral e ver a capa de alguns recursos informacionais em formato JPEG, mas, no entanto, o catálogo Aleph ainda não permite ao utilizador ver imagens em movimento. De uma maneira geral, a mediação pode, numa fase inicial, auxiliar na identificação do problema do utilizador relativamente à seleção das fontes informacionais, na manifestação das necessidades informacionais, na compreensão do funcionamento do serviço e no sistema de gestão de documentos, entre outros. Ao longo do processo de recuperação da informação, a mediação pode auxiliar a corrigir as dúvidas do utilizador quanto ao funcionamento do serviço ou do sistema e ajudar no acesso à informação de forma rápida e eficaz. No entanto, é importante afirmar que é por meio da mediação que é possível estabelecer as estratégias de pesquisa para ! ! 51! auxiliar o utilizar no ato de pesquisa satisfazendo as suas necessidades de pesquisa informacionais. Para terminar, e de acordo com Kuhlthau (1993: 137 apud Souto, 2008:78), “a mediação é essencial para permitir às pessoas fazer conexões, mover-se do concreto ao abstrato, reconhecer a necessidade de saber mais, estudar mais profundamente e obter maior compreensão”. ! ! 52! 4. Análise das sessões de focus group e apresentação de resultados ! ! Ao longo deste capítulo tentaremos fazer uma interpretação holística dos dados recolhidos durante o focus group. Com esta análise pretendemos identificar todas as dificuldades que os utilizadores sentem no acesso à informação num catálogo Aleph. Há ainda lugar à sugestão de propostas de melhoria para superar as dificuldades identificadas. 4.1. Organização das sessões de focus group A realização do focus group teve como principal objetivo obter e analisar as opiniões dos participantes em relação à usabilidade e funcionalidades do catálogo online da biblioteca de cada uma das unidades orgânicas da Universidade do Porto. Tendo em conta o vasto número de unidades orgânicas de ensino e de investigação que compõem a Universidade do Porto optámos por limitar o nosso estudo. A amostra foi, assim, constituída por utilizadores das bibliotecas de duas unidades orgânicas da Universidade do Porto – a Faculdade de Letras (FLUP) e a Faculdade de Engenharia (FEUP) – por serem as de maior dimensão e, naturalmente, bem representativas do universo global da Universidade. Cada sessão foi constituída por sete participantes, com as mesmas caraterísticas nos dois grupos (dois docentes, dois estudantes da área da Ciência da Informação, dois estudantes de outras áreas e um funcionário da biblioteca). É de salientar que se procurou reunir vários perfis de utilizadores com o intuito de compreender as necessidades de pesquisa dos mesmos e as dificuldades que estes sentem no acesso aos recursos de informação através do sistema de gestão de documentos Aleph. As discussões foram realizadas em nas instalações das duas bibliotecas da Universidade do Porto (na FEUP e na FLUP) durante o mês de abril de 2014, nos dias 2 e 23, e tiveram a duração de cerca de 45 minutos cada uma. Todas as questões foram conduzidas pela moderadora (a autora desta dissertação). Foi utilizado um gravador de voz para evitar uma eventual perda de informação e para possibilitar uma análise a posteriori das discussões. Ou seja, as ! ! 53! sessões de focus group foram gravadas, com autorização expressa dos participantes, para facilitar o trabalho de análise realizado posteriormente. A moderadora estava plenamente consciente dos objetivos de estudo dado que foram desenvolvidos pela própria e seguiu o guião (Anexo 2) de forma flexível, procurando obter respostas espontâneas e honestas às questões. É de salientar que o guião foi previamente construído pela moderadora, explicando resumidamente quais os objetivos da sessão e de que forma se pretendia que fosse conduzida. A metodologia utilizada para a sessão do focus group foi baseada na técnica de questionário que se carateriza por questões abertas. Foi através desta forma que se procurou compreender as opiniões e perceções dos participantes relativamente aos catálogos das bibliotecas da Faculdade de Letras e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Para terminar, e de forma agradecer a disponibilidade dos participantes ofereceu-se uma capa com folhas brancas e um lápis, para que os participantes colhessem informações sobre a discussão (Anexo 3). 4.2. Apresentação dos resultados Considerando à partida que os dados recolhidos durante os focus groups podem ser sujeitos a uma análise horizontal ou vertical (Rausch, 1998), optou-se por analisar de forma horizontal cada um dos tópicos através dos grupos. Assim, procedeu-se à análise dos dados pelos temas iniciais e categorias encontradas, fazendo simultaneamente a comparação entre o grupo de discussão da FEUP e o da FLUP. Importa esclarecer que uma análise vertical individualiza a visão de cada um dos grupos sobre os assuntos discutidos, enquanto que uma análise horizontal permite englobar a respetiva contribuição específica para o esclarecimento e compreensão de cada temática. A exploração do material foi orientada pela procura de informação que nos permitisse responder à pergunta de investigação. Desta forma, só será reportada a informação relevante para este estudo, ou seja, aquela que vai ao encontro dos objetivos referidos anteriormente. De modo a facilitar a compreensão deste estudo, será feita uma comparação entre os dois focus groups através das questões que foram colocadas durante a sessão. ! ! 54! o Conhecem o catálogo bibliográfico da Biblioteca da FEUP/FLUP? Relativamente à primeira questão, todos os participantes de ambos os focus groups referiram conhecer o catálogo online da biblioteca. o Quantas vezes por semana acedem ao catálogo da Biblioteca? Em relação à segunda pergunta colocada durante o focus group realizado na FEUP, a maior parte afirmou que utiliza o catálogo uma vez por semana. Seguidamente, afirmaram que o utilizam uma vez por mês e outros afirmaram que o usam de 15 em 15 dias. No entanto, dois participantes mencionaram que usam o catálogo bibliográfico várias vezes por semana. Salienta-se que todos os participantes afirmaram que a periodicidade da utilização do OPAC varia de semana para semana. Na FLUP, a maior parte dos participantes usa o catálogo da biblioteca 3 a 4 vezes por semana. De seguida, alguns afirmaram só pesquisar o OPAC uma vez por semana. Por último, os restantes participantes disseram que utilizam todos os dias o catálogo online da biblioteca. É de salientar que se verificou que um docente utiliza o catálogo com o intuito de informar os alunos sobre os recursos informacionais relevantes para a unidade curricular. Além disso, antes de elaborar a bibliografia para a respetiva disciplina, pesquisa no Aleph para verificar se as fontes de informação pretendidas existem no catálogo. o Consideram que é fácil o acesso à informação no catálogo online da biblioteca? Na FEUP, a maior parte dos participantes afirmou que é fácil o acesso à informação no catálogo online da biblioteca. No entanto, os participantes da área da ciência da informação afirmam que quando estão a falar de profissionais da ciência da informação, o grau de exigência é muito mais elevado, particularmente na pesquisa por assunto, ou seja, utilizam o termo mais adequado. Houve um participante que não o considera difícil, embora ache que poderia ser aperfeiçoado no sentido de apresentar a informação de forma intuitiva, de forma a navegar de um lado para o outro. Em resposta a esta afirmação, um participante salientou que o Aleph cumpre as funções do ponto de vista de pesquisa. Um outro participante acrescentou que os alunos têm formação ao longo de 2 semanas depois de entrar para a faculdade para compreenderem como se realizam pesquisas no catálogo ! ! 55! da biblioteca. Este participante considerou que o Aleph cumpre bastante bem todas as funções de localização de obras, assim como os procedimentos relativos a empréstimos. Um dos participantes afirmou que houve uma grande evolução do Aleph, principalmente nos últimos 2 anos. No entanto, afirmou ter um “trauma” relativamente à pesquisa, na medida em que considera que o interface de acesso é bastante complicado, acrescentando que é muito mais fácil pesquisar no motor de busca Google. Por outro lado, na FLUP todos os participantes afirmaram que é muito fácil o acesso e a recuperação de informação no catálogo Aleph. Acrescentaram ainda que o seu interface é bastante simples. o Localizam os recursos de informação de que necessitam de forma rápida? Na FEUP a maior parte dos participantes localiza os recursos de informação de que necessita, exceto um dos participante. Na FLUP todos os participantes disseram que localizavam os recursos de informação de forma muito rápida. o O catálogo da biblioteca tem como suporte o sistema de gestão bibliográfica ALEPH. Conhecem as funcionalidades que este oferece em relação ao acesso à informação? Na FEUP, uma participante considerou que, de um modo geral, conhece todas as funcionalidades de pesquisa, mas que pode existir uma particularidade que ainda não detetou. Durante a discussão, também referiram o facto de o Aleph possibilitar renovar e reservar obras sem a necessidade de deslocação à biblioteca. Um participante referiu um aspeto importante: existem livros que têm uma fita vermelha, o que significa que esses recursos informacionais são importantes, durante um determinado período de tempo, no âmbito de uma unidade curricular específica – por essa razão, não se podem ser requisitados. Na FLUP, os participantes afirmam que conhecem algumas das funcionalidades de pesquisa, mencionando a pesquisa simples, a pesquisa avançada - é possível alargar mais a pesquisa combinando vários termos de pesquisa. No entanto, um participante salienta que existem pesquisas que fazem parte da pesquisa avançada que os alunos não usam ou não usam com muita frequência, como, por exemplo, uma pesquisa por ! ! 56! catálogo, composta por textos associados e que possibilita pesquisar no próprio texto. Este tipo de pesquisa não é comum em catálogos bibliográficos: através de um pdf acessível a um registo, pode fazer-se a pesquisa no seu próprio texto. Esta funcionalidade foi associada ao próprio catálogo. o O catálogo Aleph dispõe de algumas formas de recuperação da informação. Conhecem algumas das estratégias de pesquisas que podem utilizar na recuperação da informação? Na FEUP, os participantes afirmaram que o catálogo da FEUP tem pistas no seu lado direito com algumas funcionalidades de pesquisa. Consideram que estas ajudas são bastantes úteis para auxiliarem os alunos durante as pesquisas, mas acrescentaram que um aluno “normal” não está disposto a ler a informação que o OPAC disponibiliza para recuperar a informação. Um dos participantes salientou que no Google nunca precisou de utilizar a pesquisa avançada e que nunca utilizou estratégias de pesquisa. Um dos participantes afirmou que as pessoas pensam que não é preciso utilizar estratégias de pesquisa, porém a informação que é recuperada pode não ser a mais adequada para satisfazer as suas necessidades informacionais. Já outro participante afirmou que não conhecia todas as funcionalidades do Aleph e que só utiliza a pesquisa simples usando palavras-chave. Todos os participantes na FLUP revelaram conhecer algumas estratégias de pesquisa, como, por exemplo, truncatura, operadores booleanos, índice por assunto e por título. Uma das participantes afirmou que utiliza muitas vezes a tipologia documental. Uma outra recorre aos operadores booleanos, assim como ao índice por assunto, acrescentando que nunca utilizou a truncatura. Para além das pesquisas que foram referidas, o Aleph permite os operadores de adjacência, para o se utilizam as aspas (“”). Muitos dos utilizadores utilizam filtros de pesquisa, mas a pesquisa que é mais regularmente efetuada no sistema é a partir dos índices por título, assunto e palavras-chave. É de relembrar que a pesquisa que aparece por defeito é a de índice por título – talvez essa seja a justificação. o A utilização das funcionalidades que o catálogo oferece aos utilizadores faz com que estes consigam satisfazer as suas necessidades de informação. Por isso, é importante saber se utilizam as várias formas de recuperação da informação (como por exemplo: índices de pesquisa, vocabulário controlado, truncatura, ! ! 57! utilização de operadores booleanos). Quando utilizam o catálogo da biblioteca para aceder à informação utilizam alguma das estratégias de pesquisa referidas anteriormente? Na FEUP e na FLUP, todos os participantes utilizam estratégias de pesquisa. Porém, um participante referiu que, se encontrasse logo a informação que pretendia, não utilizava as restantes estratégias de recuperação de informação. Para terminar, o catálogo da Biblioteca oferece das maiores vantagens para uma pesquisa rápida e eficaz. Consideram essencial a realização de formações acerca dos recursos de informação e o acesso ao catálogo online que a biblioteca disponibiliza? Para além da realização de ações de formação, querem sugerir outro método para dar a conhecer aos utilizadores as potencialidades do catálogo da biblioteca? Ambos os grupos de discussões da FEUP e da FLUP consideram essencial a realização de formações sobre os recursos de informação e o acesso ao catálogo online que a biblioteca disponibiliza. Durante o focus group da FEUP foi mencionada a importância das formações locais assim como formações online disponíveis no site da biblioteca mediante o login do utilizador. Foi também referido na discussão que a biblioteca já tem este processo em construção, sendo apenas necessária a autenticação do utilizador. Também foi sugerido no focus group que os alunos que ingressam pela primeira vez na FEUP recebessem um panfleto a explicar como se pesquisa no OPAC da biblioteca. Contudo, foi referido que os alunos recebem essa informação nesse momento e ainda recebem uma pequena formação de infoliteracia sobre como usar e aceder aos recursos da biblioteca. Para terminar, um participante considerou fundamental haver informações sobre os filtros de pesquisa que o catálogo disponibiliza. Na FLUP, um participante afirmou que o manuseamento do catálogo é tão fácil que nunca verificou muitas dificuldades por parte de alunos no acesso e na recuperação da informação no catálogo. No entanto, sugeriu que os alunos do 1º ano se desloquem à biblioteca para conhecerem os recursos disponíveis. Outro dos participantes afirmou que devia haver uma sessão para todos os alunos, em que fossem obrigados a localizar um recurso informacional através da identificação da cota. Outro participante considerou que é importante a realização de sessões de esclarecimento aos alunos do 1º ! ! 64! COSTA, Letícia Melo da [et al.] – Sistemas automatizados de catalogação: revisão da literatura. 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Pós-graduação em Ciência da Informação. SOUZA, Renato Rocha – Sistemas de Recuperação de Informação e Mecanismos de Busca na web: panorama atual e tendências. Perspectivas em Ciência da Informação. 11:2 (2006) 161-173. TAYLOR, Arlene G. – The Organization of information. 2nd ed. Washington: Libraries Unlimited, 2004. TROCHIN, L – I cataloghi elettronici delle biblioteche: tendenze evolutive degli OPAC. ESB Forum (2008). Acesso em 20 de dezembro de 2013. http://www.burioni.it/forum/tronchin/ UNIVERSIDADE DE COIMBRA – Serviço Público da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2010. Acesso em 6 de Janeiro de 2014. http://www.uc.pt/bguc/Documentos2010/CausaPublica UNVERSIDADE DE LISBOA – Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2003. Acesso em 20 de dezembro de 2013. http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3945/1/ulsd_mleal_afreire_2003.pdf ! ! 68! Anexos ! ! 69! Anexo 1– Guião da entrevista 1. O sistema de gestão de documentos ALEPH é utilizado em todas as bibliotecas da Universidade do Porto. Deste modo é importante perguntar se a parametrização do catálogo Aleph é igual em todas as bibliotecas ou difere de instituição para instituição? (Se o entrevistado disser que não é igual, perguntar em que difere) 2. (caso o entrevistado diga que é igual dar um exemplo) Por exemplo, quando estava a explorar os catálogos da FLUP e da FEUP verifiquei que, na FLUP, quando se pesquisa através do índice por autor deve colocar-se o nome em forma invertida enquanto no catálogo da FEUP não é necessário. 3. Quais são as funcionalidades de pesquisa que estão implementadas na FLUP e se estão a funcionar todas as que o Aleph disponibiliza. 4. Porquê que não utilizam todas as funcionalidades que o Aleph oferece? 5. Existe pedido de ajuda por parte dos utilizadores por não saberem utilizar o catálogo? Ou por não recuperarem a informação que necessitam? 6. Se sim, o que é que a biblioteca faz para os ajudar? ! ! 70! Anexo 2Guião para a sessão do focus group A metodologia utilizada para a sessão do focus group vai ser baseada na técnica de questionário que se caracteriza por questões abertas. É através desta forma que se possibilita compreender as opiniões e percepções dos participantes relativamente aos catálogos da biblioteca da Faculdade de Letras e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. A sessão do focus group será gravada para facilitar o trabalho de análise que será realizado posteriormente, com autorização expressa dos participantes. É de salientar que o focus group tem como principal objetivo obter e analisar as opiniões dos participantes de acordo à usabilidade e funcionalidades dos catálogos online da biblioteca de cada uma das unidades orgânicas da Universidade do Porto acima referidas. INTRODUÇÃO • Apresentação do Moderador; • Apresentação de cada Participante; • Explicação do contexto do focus group (é no âmbito de uma dissertação de Mestrado em Ciência da Informação; esta sessão tem como objetivo compreender as dificuldades dos utilizadores perante o acesso à informação num catálogo Aleph) • Dar início à sessão. DESENVOLVIMENTO • O catálogo da biblioteca é um instrumento eficiente que permite ao utilizador aceder e recuperar a informação de que precise. ! ! 71! QUESTÕES 1. Conhecem o catálogo bibliográfico da Biblioteca da FLUP /FEUP? 2. Quantas vezes por semana acedem ao catálogo da Biblioteca? 3. Consideram que é fácil o acesso à informação no catálogo online da biblioteca? 4. Localizam os recursos de informação de que necessitam de forma rápida? 5. O catálogo da biblioteca é tem como suporte o sistema de gestão de gestão bibliográfica ALEPH. Conhecem as funcionalidades que este oferece em relação ao acesso à informação? 6. O catálogo Aleph dispõe de algumas formas de recuperação da informação. Conhecem algumas das estratégias de pesquisas que podem utilizar na recuperação da informação? 7. A utilização das funcionalidades que o catálogo oferece aos utilizadores faz com que estes conseguiam satisfazer as suas necessidades de informação. Por isso, é importante saber se utilizam as várias formas de recuperação da informação (como por exemplo: índices de pesquisa, vocabulário controlado, truncatura, utilização de operadores booleanos). Quando utilizam o catálogo da biblioteca para aceder à informação utilizam alguma estratégia de pesquisa referida anteriormente? 8. Para terminar, o catálogo da Biblioteca oferece das maiores vantagens para uma pesquisa rápida e eficaz. Consideram essencial a realização de formações acerca dos recursos de informação e o acesso ao catálogo online que a biblioteca disponibiliza? Para além da realização de ações de formação querem sugerir outro método para dar a conhecer aos utilizadores as potencialidades do catálogo da biblioteca? ! ! 72! CONCLUSÃO Agradecimento a todos participantes ! ! 73! Anexo 3 – Capas oferecidas nos focus groups !