ESPAÇO COMO DESEJO. THE IDEAL SPACE, Centro de Investigação sobre modos de habitar, 1º Workshop
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o espaço como desejo the ideal space CENTRO DE INVESTIGAÇÃO DE ARQUITECTURA E MODOS DE HABITAR
2 Workshop inserido no programa internacional Abitare tra living between interactions new researches on contemporary space AnghelosCentro Studi sulla Comunicazione com Dipartimento di Storia e Progetto nell’Architettura Facoltà di Architettura Università degli Studi di Palermo Departamento de proyectos Arquitectonicos ETS Arquitectura Universidad Politecnica Madrid Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto co-responsáveis do projecto | co-in charge of the project Pasquale Culotta Università di Palermo Gabriel Ruiz Cabrero Università di Madrid Rui Braz Afonso Universidade do Porto Fabio Alfano Università di Palermo outros responsáveis do projecto | other in charge of the project Federico Soriano Pelaéz e Dolores Palacio, Giovanni Chiaramonte concepção e coordenação do workshop do Porto conception and coordination of the workshop from Porto Rui Braz Afonso, Nuno Lacerda Lopes,Luís Viegas, Nuno Brandão com Saurabh Malpani organização | organization CIAMH.org organização do workshop | organization of the workshop Ana Luísa Teixeira e Luís Santos sessões de cinema | cinema sessions Caleidoscópio fotografias | photographs Mariana Carvalho, Nuno Lacerda, Saurabh Malpani, participantes Copyright 2004 Faculdade de Arquitectura da UP
3 o espaço como desejo the ideal space CENTRO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE MODOS DE HABITAR 1º WORKSHOP ciamh
4 prefácio _ 7 Nuno Lacerda Lopes apresentação _ 9 Objectivos, metodologia e acontecimentos textos _ 10 Textos críticos cartazes _ 16 6 cartazes, 6 modos de habitar instalações _ 20 Instalações plásticas expostas durante o workshop work in progress _29 Fotos dos diversos momentos do workshop trabalhos _45 24 desejos / 24 espaços cinema _71 Olhares sobre os filmes exibidos conferências, 83 Síntese e apontamentos fotográficos das conferências encerramento _ 94 índice
5 5 “my home is where my whooper is!“
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7 7 7 O modo como se desenvolveu este workshop prende-se de algum modo com a vontade de realizar uma reflexão e a consequente experimentação sobre uma metodologia de produção e organização do espaço de habitar contemporâneo, o modo como o frequentamos, como o desejamos, mas e sobretudo, como o questionamos. A divisão em quatro áreas que corresponderam a quatro tempos de trabalho. A observação, a organização, a representação e finalmente a construção do espaço de habitar, foi apenas uma síntese inicial estratégica. Um ponto de partida e de chegada, talvez redutor, mas que permitiu desenvolver um processo metodológico que se afastava propositadamente de algum possível processo instituído, não desenvolvendo nem estimulando o recurso ao estudo sobre a tipologia, nem a um mero processo de intuição, nem à tradição mas e tão-somente a um processo de abstracção e de reflexão que torna o quotidiano o secreto desejo, o motor para o pensamento e a produção do espaço de habitar “sem contexto” ou melhor neste próprio contexto. O método de trabalho desenvolveu-se assim, na tentativa de provocar algum afastamento com a realidade específica, “contextualista” própria da disciplina, e do modo diferente que a escola ensina. Ir ao “subjectivo”, ao “gosto” ao injustificável, ao secreto desejo, para recolher as premissas e assim verificar se estas podem desenvolver novos ou velhos modos de habitar, novos ou velhos modos de projectar. A proposta de investigação sobre o habitar centrava-se assim em dois níveis distintos: um sobre a definição do habitar como reflexão sobre o nosso “estar no mundo” e por isso sobre a definição do nosso espaço contemporâneo; outro, trabalharia sobre a forma de o produzir e de o projectar, questionando com modelos e ideias por vezes alheias à disciplina e aos programas ou funções que o moderno e a tradição já desenvolveram e que transformaram a casa nessa “maquina de habitar” funcional e estável. Terá sido o consequente bombardear de desejos e de abstracções capazes de subverter e de apropriar as funções do habitar-maquina, em acções de vida neste descontinuo e imprevisível quotidiano, pouco cientifico, algo híbrido e pluricontextual - que legitimou alguma reflexão em torno de propostas receptáculo, como contentores de vivências e de afectos. Por uma ou outra via, por uma ou outra reflexão, o habitar contemporâneo, parece quer-se transformar em artefacto, ou gadget que não descreve um ideal de casa mas uma ideia de utilização e de apropriação como valor. Sem a pretensão de uma conclusão ou de uma síntese deste processo de reflexão, de experimentação e de trabalho árduo, sobre o tema, que intensamente, 24 sobre 24 horas mobilizou esta Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde se intersectou o habitar com o desejo, poder-se-á tendencialmente perceber, o subtil e secreto desejo de um novo habitar onde a casa parece estar lá fora e paradoxalmente, não ter espaço interior. No entanto arriscaria a dizer que, mais do que os resultados, ou a qualidade dos projectos realizados, a conquista maior terá sido seguramente, a validação do próprio processo e a capacidade de ultrapassar esse medo ... de desejar. Nuno Lacerda Lopes prefácio
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9 9 - acontecimentos metodologia objectivos O núcleo de estudos da CIAMH insere-se na unidade de investigação da faculdade de arquitectura da Universidade do Porto e actua preferencialmente como um observatório sobre o fenómeno da habitação contemporânea portuguesa e os modos de vida emergentes. É um projecto de caracter abrangente que procura reunir e seriar as diferentes expressões da vida contemporânea na habitação através de uma recolha de depoimentos e de pesquisa com vista a uma possível integração numa prática profissional mais aberta aos novos e diferentes modos de entender e usufruir a habitação. À imagem de algumas experiências existentes na Europa e América, não tem sido possível realizar um espaço de experimentação, encontro e debate sobre os projectos e os novos modos de habitar que a actual sociedade portuguesa vem evidenciando e introduzindo lenta e discretamente. O crescente aumento de produção de edifícios de habitação colectiva e individual que as ultimas décadas construíram, revelaram uma crescente e sistemática reprodução e desenvolvimento de soluções estereotipadas para um tipo de habitar que sendo corrente ou não, evidenciam e promovem um pensamento deficitário sobre os modos de vida da sociedade portuguesa e sobre a qualidade dos espaços de habitação e necessidades de soluções, alternativas ou não, para os abrangentes modos de vida que hoje se exteriorizam. Para além da recolha, tratamento e sistematização de dados sobre os diferentes modos de habitar contemporâneo a Norte de Portugal, é objectivo deste centro promover debates, cursos de formação, workshops, bem como a prestação de serviços de apoio à concepção do projecto de habitação para os diferentes grupos ou nichos sociais que exigem ou necessitam de adaptações ou alterações ao espaço para uma melhor adequação aos seus modos de habitar e de viver. Da identificação do núcleo e evolução familiar, à compreensão dos diferentes tipos de família emergente com opções sexuais distintas, aos diversos grupos e minorias étnicas e religiosas, crescentes, numa população onde os menos válidos e os mais idosos revelam um significativo índice de crescimento, torna pertinente um estudo e um acompanhamento sobre as diferentes exigências e as diferentes funções para os idênticos espaços e funções do habitar contemporâneo na perspe-ctiva do projecto e por conseguinte do arquitecto. Procura-se verificar o processo de interacção entre o fenómeno do desejo e a construção da identidade do espaço livre e distante dos aspectos da funcionalidade e do real. Pretende-se promover um debate sobre a concepção dos espaços e situações para uma nova proposta de entendimento face ao lugar do habitar e do cosmos, com vista à conquista de um espaço com identidade e desejo, para a construção do espaço ideal do homem contemporâneo. Neste sentido parte-se de dois grupos; um organiza uma ideia de espaço para a vida e para o homem contemporâneo, sem referencias originais, sem pecado, onde de algum modo se reflecte sobre o estar no mundo e sobre as necessidades que o homem parece sentir e querer satisfazer neste seu paraíso. Um segundo grupo parte do real e da analise da casa actual, das necessidades dos seus utentes e dos espaços idealizados e com esse repertório formal e funcional desenvolve um pensamento critico sobre os tempos e as vivências que a sua casa organiza e promove. Serão estas, ditaduras invisíveis que oprimem ou não, os gestos e os modos de perma-necer e actuar sobre o mundo? Durante a realização deste workshop esteve presente uma mostra nos espaços da faculdade de arquite-ctura de várias instalações que desenvol-veram interpretações sobre os espaços do habitar informal, ocupando e subvertendo lugares ou procurando as suas representações. A “casa do outro“ foi o título desta acção que espelhou o objectivo da interpretação da comunicação e da espacialidade que o “outro“ exige na casa que não sendo sua, sempre lhe fornecemos. As instalações que preencheram alguns espaços exteriores da faculdade foram São Casas, Cadeiras na Parede, Labirinto e Caixas, concebidas por Nuno Lacerda e Cubo concebida pelos artistas plásticos Mateo e Mateo. Saurabh Malpani concebeu a instalação Cigar Box e Marta Cruz organizou o espaço Living Room que estiveram expostas em espaços interiores. Diariamente realizaram-se conferências com a presença do Prof. Augusto Santos Silva, Prof. Nuno Portas, Dr. Carolina Leite, Arq. Manuel Mendes e Arq. Manuel Graça Dias. No final de cada dia decorreram sessões de cinema organizadas pelo grupo Kaleidoscópio, comentadas por Luís Urbano e António Pedro Vasconcelos. Os filmes exibidos procuraram abrir horizontes para outras referências do habitar captadas pela objectiva de grandes cineastas. Nas sessão de cinema incluiram-se os filmes Janela Indiscreta, O desprezo, Playtime, Lost Highway, One Week e A Repulsa. Após a conclusão dos trabalhos, realizou-se uma apresentação individual de cada participante, com a crítica do arquitecto Manuel Graça Dias e uma sessão conjunta de debate com a presença dos vários arquitectos que acompanharam os trabalhos do workshop. Os trabalhos foram expostos na galeria junto ao Museu da Faculdade. 9
19 19 “my home is allways in my pocket!“
2020 “3X3X3” Materials: pine wood structure and plastic cover | Authors:Mateo Aimini / Olivier D’Auria 3X3X3 an idea of perfect and light shape. Box of past histories. Entity likes concept, concept likes image. Should you live in a cube? If the cube is a portrayal of an idea, maybe yes. All of us, we are just living in an adder of modularly and modulable spaces, we take back this concept to the universal box. 3x3x3 stories of past life interwisted with Douro breeze. Inside/Outside of the chinese box,soft by the light. How many homeless can survive on a street in a city of cardboard? Does exist a perfect shape that contain nothing? Two case, 2nd dimension / 3rd dimension. Sreet and surface. 3x3x3 architecture of communication? Do you image long time ago in Angola?
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22 “O labirinto“ Materiais: Engradado de madeira de pinho pintado | Autor: Nuno Lacerda Lopes Habitar, hoje indicia, ruptura. Entre feminino e masculino, entre exterior e interior entre opaco e transparente entre estar e talvez partir. As casas, hoje parecem querer representar a contradição do lugar estático, que o fogo, e a tradição emprestavam e a expressão fugaz, instável e pouco permanente que o moderno contaminou. São vários os labirintos que experimentamos, talvez porque desejamos saber quem é, hoje, o sujeito da casa? 22
2323 “My home is where I am“ Materiais: colagem de fotografias | Autor: Rui Braz Afonso Build your space Dream your space Organiza your space Represent your space Watch your space My home is where I am
24 “São casas senhor, são casas” Materiais: Engradado de madeira e fibra de vidro | Autor: Nuno Lacerda Lopes São casas... São milagres São moveis que interagem, Pausas que relacionam num todo e nos referenciam na unidade. Pedaços de outras coisas que se adaptam para esse desejo de habitar Individual ou em comunidade. Um único mistério que se organiza. O habitar, tal como a vida, é a consciência que se tem dele. O resto será apenas... adaptações. 242424
252525 “Vasudhiv Kutumbakam” Materials: plywood and cigar boxes | Author: Saurabh Malpani Vasudhiv Kautumbakam’ is an ancient Sanskrit concept, which means ‘whole world is (my) family’. An insatllation is named after the same term. It is an abstract design for one who lives on the street and adopts street into home. It has two surfaces, horizontal and vertical for habitation. Horizontal one is for sleeping. It has a built-in pillow, which stores a pair of shoes and an umbrella. Vertical surface houses cigar boxes each claming a verb with first person, ‘I’. Verbs represents facts of everyday. Cigar boxes have two surfaces inside, one is reflective while other carries photographs from the streets of Porto. When box is opened, reflective surface is reflects person who is watching it… The photographs on the other surface are in a sequence of street – street scape and street activities, which is an indeginious part of person who is spending life on a street. The installation inspires from the paradox Homeless in the (living) city & Abandoned houses - abandoned by the city. Built with Alexander Roemer. 25
2626 “e cada casa é um Deus” Materiais: cadeiras de madeira | Autor: Nuno Lacerda Lopes Nos vastos céus estrelados Que estão além da razão, Sob a regência de fados Que ninguém sabe o que são, Há sistemas infinitos, Sois centros de mundo seus, E cada Sol é um Deus. Eternamente excluídos Uns dos outros, cada um É universo. Mundo dentro de mundos Infinidades variadas, Abismos muitos, sem fundo F. Pessoa 26
27 “Habito em ti” Materiais: Aglomerado de madeira | Autor: Nuno Lacerda Lopes Habito como alguém habita Sem razão para habitar mais do que este meu habitar que poderei dizer do que apenas, Habito em ti. Terás tu algum segredo? Um pensamento de arquitecto como alma? Casa mundo, não digas nada Para que eu apenas sinta. Se me faltas, Não sei quem sou Pois eu, Habito em ti. 27