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Ansiedade, depressão e burnout em enfermeiras

Melani Silva,Cristina Queirós,Susana Rodrigues

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Ansiedade, Depressão e Burnout em enfermeiras * * * Melani Silva Cristina Queirós & Susana Rodrigues *Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto melanip[email protected]om | cqueir[email protected] | susanar[email protected]om I - INTRODUÇÃO As instituições de saúde, especialmente os hospitais e os centros de saúde, constituem ambientes de trabalho com características organizacionais geralmente associadas ao stress, funcionando, por exemplo, com níveis múltiplos de autoridade, heterogeneidade de pessoal, interdependência das responsabilidades e especialização profissional (Calhoun, 1980; Rodrigo, 1995). A enfermagem é, por isso, considerada uma profissão stressante e geradora de ansiedade e de burnout. Actualmente, o stress no trabalho e o burnout são encarados como um problema psicossocial, preocupando a comunidade científica e as entidades governamentais, empresariais e sindicais, devido à severidade das suas consequências individuais e organizacionais. Vários estudos concluem que trabalhadores da área da saúde tendem a apresentar elevados níveis de ansiedade e burnout, e na enfermagem, estima-se que o burnout afecta 25% dos profissionais (Demerouti, Bakker, Nachreiner & Schaufeli, 2000). II - OBJECTIVOS Conhecer os níveis de ansiedade, depressão e burnout em enfermeiros dos cuidados de saúde primários de um distrito do interior norte do País, bem como correlacionar os níveis de ansiedade e burnout. III - METODOLOGIA Participantes Amostra de tipo voluntário (não probabilístico) constituída por 48 enfermeiras a exercerem funções em três Centros de Saúde da região de Bragança. Instrumentos Questionário composto por 3 grupos de questões: caracterização sócio-demográfica, avaliação da ansiedade (“Hospital Anxiety and Depression Scale – HADS”, versão portuguesa adaptada por Pais-Ribeiro et al., 2006) e avaliação do burnout (“Maslach Burnout Inventory – MBI”, versão para investigação desenvolvida por Manita, 2003). Procedimento Questionário anónimo de auto-preenchimento, distribuído e recolhido durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 2008, após autorização da coordenação da SubRegião de Saúde de Bragança. IV - RESULTADOS E CONCLUSÕES Os resultados obtidos na amostra total (Tabela 1) revelam pouco burnout (média de 28, num máximo possível de 132 pontos) e pouca ansiedade e depressão (médias de 7 e de 5, respectivamente, para um máximo de 28 pontos). Contudo, uma análise mais detalhada, apesar da ausência de diferenças significativas revela uma tendência para maior ansiedade e burnout em enfermeiras solteiras e sem filhos, enquanto a depressão tende a ser mais elevada em enfermeiras casadas e com filhos. As enfermeiras com maior experiência profissional, com contratos de trabalho com vínculo e que percepcionam a profissão como estável, apresentam mais ansiedade e depressão. Por oposição, as enfermeiras com menor experiência profissional, com contratos de trabalho a tempo certo e que percepcionam a sua profissão como instável, apresentam maior burnout. Os dados relativos ao burnout são condizentes com a literatura, que sugere que menor tempo de serviço e instabilidade profissional são factores de risco para o aparecimento de burnout (Demerouti, Bakker, Nachreiner & Schaufeli, 2000). IV Congresso Saúde e Qualidade de Vida, Fevereiro 2009 | Escola Superior de Enfermagem do Porto Tabela 2 – Análise correlacional entre burnout, ansiedade e depressão (R de Pearson e sig.) V - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - Calhoun, G. (1980) Hospitals are high-stress employers. Hospitals, 54 (12), 171-176. - Demerouti, E., Bakker, A.B., Nachreiner, F. & Schaufeli, W.B. (2000). A model of burnout and the satisfaction amongst nurses. Journal of Advanced Nursing, 32 (2), 454-464. - Manita, C. (2003). Quando escutar faz mal... Prevenção do burnout num grupo de profissionais de atendimentos a vítimas de violência doméstica (projecto de investigação-acção). Porto: F.P.C.E.U.P. (não publicado). - Pais Ribeiro, J., Silva, I., Ferreira, T., Martins, A., Meneses, R. & Baltar, M. (2007) A Validation Study of a Portuguese Version of the Hospital Anxiety and Depression Scale. Psychology, Health & Medicine, 12 (2), 225-237. - Rodrigo, M.L. (1995). Estrés de los profesionales de enfermeria: sobre qué o quien repercute? Revista ROL de Enfermería, 201, 65-68. Tabela 1 – Comparação da média (e desvio padrão) de burnout, ansiedade e depressão em função de variáveis sócio-demográficas (One-way Anova ou t de Student) Foram ainda encontradas correlações positivas significativas (Tabela 2) da ansiedade com as dimensões do burnout exaustão emocional e despersonalização, existindo uma menor correlação entre depressão e burnout, contemplando apenas a exaustão emocional. Apesar da amostra não apresentar níveis preocupantes de burnout, nem de depressão e ansiedade, os resultados encontrados sugerem que sendo conceitos diferentes, depressão e burnout partilham características e sintomas, entre eles a exaustão emocional. Por sua vez, a ansiedade, enquanto resposta de hiper-activação, pode conduzir a um estado de fadiga e exaustão que facilita mecanismos de defesa como atitudes de cinismo e distanciamento face aos utentes. Apesar do estudo ser de tipo exploratório e com uma amostra não representativa, sugere-se especial atenção às características psicológicas dos profissionais de ajuda (nomeadamente ansiedade e depressão), bem como a características sócio-demográficas, pois estas podem facilitar o aparecimento do burnout, prejudicando os serviços prestados aos doentes. * p ≤ 0.050 ** p ≤0.010