ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa Gender relations in judo: an integrative review Relaciones de género en el judo: una revisión integradora GEORGE ALMEIDA LIMA Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC). Brasil [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0899-0427 HERALDO SIMÕES FERREIRA Universidade Estadual do Ceará (UECE). Brasil [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1999-7982 LUIZ GUSTAVO BONATTO RUFINO Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Brasil
[email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2567-9104 Recibido/Received: 22-08-2024. Aceptado/Accepted: 12-11-2024. Cómo citar/How to cite: Almeida-Lima, George; Simões-Ferreira Heraldo e Bonatto Rufino, Luiz Gustavo (2024). Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa, Ágora para la Educación Física y el Deporte, 26, 144-167. DOI: https://doi.org/10.24197/aefd.26.2024.144-167 Artículo de acceso abierto distribuido bajo una Licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional (CC-BY 4.0). / Open access article under a Creative Commons Attribution 4.0 International License (CC-BY 4.0). Resumo. Este estudo teve como objetivo refletir sobre relações de gênero no judô. Utilizou-se a revisão integrativa da literatura a partir das bases: SciELO, Lilacs e Scopus. Foram encontrados um total de 644 artigos. Todavia, ao adotar os critérios de inclusão e exclusão, seis artigos compuseram o corpus analítico deste estudo. Dos artigos incluídos, quatro foram desenvolvidos na Europa e dois na América do Sul. Pode-se destacar que as discussões sobre essa temática estão centralizadas em campos sociais específicos. Destaca-se que o campo do judô é composto, majoritariamente, por homens, reforçando-se percepções que evocam as tipificações masculinas como centrais e hegemônicas.
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 145 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Palavras-chave. Gênero; judô; artes marciais; cultura; sociedade. Resumen. El objetivo de este estudio fue reflexionar sobre las relaciones de género en el judo. Se utilizó una revisión integradora de la literatura basada en las siguientes bases de datos: SciELO, Lilacs y Scopus. Se encontraron un total de 644 artículos. Sin embargo, al adoptar los criterios de inclusión y exclusión, seis artículos compusieron el corpus analítico de este estudio. De los artículos incluidos, cuatro fueron desarrollados en Europa y dos en América del Sur, destacando que las discusiones sobre este tema se centran en campos sociales específicos. Es de destacar que el campo del judo está compuesto principalmente por hombres, lo que refuerza percepciones que evocan tipificaciones masculinas como centrales y hegemónicas. Palabras clave. Género; judo; artes marciales; cultura; sociedad. Abstract. The aim of this study was to reflect on gender relations in judo. An integrative literature review was used based on the following databases: SciELO, Lilacs and Scopus. A total of 644 articles were found. However, when adopting the inclusion and exclusion criteria, six articles comprised the analytical corpus of this study. Of the articles included, four were developed in Europe and two in South America, highlighting that discussions on this topic are centered on specific social fields. It is noteworthy that the field of judo is composed mainly of men, reinforcing perceptions that evoke male typifications as central and hegemonic. Keywords. Gender; Judo; Martial Arts; Culture; Society. INTRODUÇÃO As práticas corporais de combate são artefatos socioculturais que permeiam a construção histórica do ser humano. Embora de maneira inicial fossem utilizadas com finalidades específicas voltadas ao combate, à defesa de território e à sobrevivência (Paiva, 2015), a partir da disseminação e acumulação de saberes, o ser humano consolidou um arcabouço cultural peculiar que se reverbera em distintos grupos sociais (Antunes & Iwanaga, 2014). Esse arcabouço cultural levou as atividades de combate à possibilidade de se tornar um espetáculo competitivo nos Jogos Olímpicos da Era Antiga na Grécia. Tais Jogos ofereciam diversas modalidades de combate, dentre elas o Pugilato – antecessor do boxe, a Luta – atualmente denominada Wrestling – e o Pancrácio, espécie de Mix Martial Arts – MMA da época. Eram competições relevantes e populares entre as comunidades. Todavia, somente homens poderiam competir. Para as mulheres, não era lhes permitido nem sequer assistirem as disputas (Ferreira, 2017).
146 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Assim, as práticas corporais de combate, desde os primórdios históricos da Era Antiga, são atravessadas por relações de poder, sendo impactadas por aspectos econômicos, culturais e políticos (Lima, Caldas & Millen Neto, 2024). Dessa forma, tais práticas podem ser apropriadas a partir de concepções voltadas ao lazer, saúde, desempenho, educação e gênero, inclinando-se, em larga escala, ao público masculino. A partir do exposto, destaca-se que as relações de poder que emergem das práticas corporais também produzem e reproduzem representações de gênero (Adelman, 2007). Sendo assim, muitas práticas corporais de combate, como o judô, objeto deste estudo, foram construídas, historicamente, como territórios de preservação masculina (Elias & Dunning, 2019), produzindo tipificações comportamentais e físicas pautadas na masculinidade hegemônica (Connell, 2016). Connell e Messerschmidt (2013) destacam que a masculinidade hegemônica é composta por diretrizes que envolvem a agressividade, a virilidade e a combatividade como atributos eminentemente masculinos, hierarquizando as relações de gênero. Os estereótipos de gênero, embora marcadamente presentes na constituição histórica do Brasil, por exemplo, tiveram como um dos marcos o fato de terem sido normatizados a partir da criação do decreto 3199/41, que proibia a participação das mulheres em atividades consideradas violentas (Mourão, 2000), dentre elas, o judô. Esse fato impactou negativamente a participação das mulheres em tais atividades. Em uma esfera mundial, a esportivização do judô e sua inserção nos jogos olímpicos de 1964, em Tóquio, contou apenas com a participação masculina (Souza & Mourão, 2012). A estreia do judô feminino nas olímpiadas se deu apenas em 1988, fato que apresenta a diferença entre a inserção de homens e mulheres no campo esportivo (Ledur et al., 2023). Outrossim, há uma construção social misógina e patriarcal que desconsidera a participação das mulheres no judô, fortalecendo a construção de estereótipos que reforçam o binarismo homens/mulheres nas práticas corporais, entendendo-se, de maneira equivocada, que existem esportes para homens e esportes para mulheres. Apenas no início da década de 1980 o decreto 3199/41 foi revogado no Brasil, desencadeando um movimento, ainda tímido, para a inserção das mulheres no judô brasileiro (Souza & Mourão, 2012). Silva (1994, p. 199) destaca que: “somente em 1933 a primeira mulher (Kozaki Kanoko)
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 147 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 foi promovida a primeiro Dan1 (grau superior). Sua faixa preta, porém, possuía uma tira branca no meio para diferenciá-la da graduação masculina”. No mesmo sentido, Pimentel e Goellner (2017) destacam que no Brasil, a atleta Léa Linhares foi a primeira mulher a conquistar a faixa preta na região Sul do Brasil, todavia, sua conquista não foi reconhecida pela Confederação Brasileira de Desportos, fato que debutou em seu afastamento do judô. Os processos apresentados evidenciam algumas barreiras históricas que as mulheres praticantes de judô se depararam na busca pela consolidação do judô feminino. Ademais, dentre os preconceitos sofridos pelas mulheres praticantes de judô, estava a crença, pautada em princípios misóginos e patriarcais, de que as mulheres não possuíam competências suficientes para praticarem judô. O entendimento é que elas vivenciam o judô como um hobby e não como uma prática de luta real e/ou praticavam apenas como defesa pessoal. Assim, a inserção das mulheres no judô é secundarizada, e elas adquirem uma posição de subalternidade aos homens (Silva, 1994; Pimentel & Goellner, 2017). Pimentel e Goellner (2017) destacam que durante o campeonato Sul-americano de judô, realizado no Equador, em 1977, o Brasil foi o único dos doze países que participaram do evento que não apresentou delegação feminina, o que culminou na perda de pontos na classificação geral dos participantes masculinos. O fato de os cargos de liderança serem compostos predominantemente por homens, reforça as estruturas patriarcais vigentes. Embora as hierarquizações de gênero aconteçam, em que os dividendos patriarcais sejam direcionados aos homens, as mulheres buscam subverter essa lógica a partir do desenvolvimento de políticas feministas que buscam o empoderamento das mulheres. No universo esportivo, Velija, Mierzwinski e Fortune (2013) destacam que no campo das artes marciais, surgem algumas percepções que compreendem que o empoderamento feminino pode acontecer a partir da ideia do fortalecimento corporal e da melhoria das capacidades físicas das mulheres enquanto recurso que pode subverter o estigma do “sexo frágil”. Roth e Basow (2004) também destaca que o corpo deve se configurar como um recurso de resistência contra os padrões normativos 1 Representa o nível da faixa preta de um/a praticante de artes marciais.
148 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 vigentes, reconstruindo as relações de gênero a partir do empoderamento das mulheres. As mulheres não constituem um grupo homogêneo que é subalterno aos homens, mas sim, um grupo heterogêneo que apresenta feminilidades plurais e distintas formas de encarar às dinâmicas coercitivas de gênero incutidas na sociedade. Todavia, elementos como classe social, aspectos económicos, culturais, raça e idade impactam nessas construções, tecidas por meio de ações interseccionais (Akotirene, 2019). Velija, Mierzwinski e Fortune (2013) também apontam que as práticas corporais devem ser vivenciadas a partir de uma pedagogia feminista, visando problematizar a suposta fraqueza das mulheres e empoderá-las a partir de seus atributos físicos e do desenvolvimento de uma percepção crítica que rejeite a narrativa de fraqueza das mulheres. Desse modo, as relações de gênero devem ser reconstruídas a partir do empoderamento das mulheres nos diversos campos sociais, dentre eles, o campo esportivo. O processo de esportivização do judô parece ter sido um elemento que contribuiu para a notoriedade da prática no Brasil. Segundo a Confederação Brasileira de Judô (CBJ, 2024), o judô é a modalidade esportiva que mais conquistou medalhas nos jogos olímpicos, com 24 conquistas até o momento. Mesmo com os problemas estruturais vigentes, as mulheres conseguem se destacar nas competições, como destacam Tavares Junior, Silva e Drigo (2014, p. 19): Em campeonatos mundiais também evoluiu nos últimos anos. Eram 15 medalhas conquistadas em 09 mundiais até 2005 (01 de ouro, 02 de prata e 12 de bronze) e agora são 34 no total, 19 conquistadas nos últimos 04 mundiais (04 de ouro, 08 de prata e 07 de bronze). Destaque para a evolução da equipe feminina, que ficou em primeiro lugar na classificação geral do último campeonato mundial, disputado no Rio de Janeiro em 2013, com 05 medalhas conquistadas, em sete possíveis. A partir do exposto, podemos perceber que os estudos sobre as relações de gênero no judô são incipientes, e os poucos trabalhos apresentados têm caráter historiográfico, centrando-se nas percepções de figuras notáveis nesse campo. Os estudos também apresentam a análise de documentos que destacam a história dessas personagens icônicas. Também não foram encontrados estudos de revisão que façam uma
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 149 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 síntese das relações de gênero tecidas por grupos de mulheres nos dojos2 ou academias de judô. Desse modo, podemos questionar: Quais as discussões sobre as relações de gênero no judô e como elas se materializam nos diversos campos culturais? O desenvolvimento deste estudo contribui para o agrupamento de informações sobre as relações de gênero no judô, permitindo novas inferências e reflexões sobre esse fenômeno. Considerando as distintas construções políticas, econômicas e culturais dos diversos territórios do globo terrestre, este estudo possibilita a apresentação de percepções específicas sobre as relações de gênero no judô, considerando-se as disposições socioculturais particulares de cada região. A partir do exposto, objetivamos refletir sobre relações de gênero no judô com base na literatura acadêmica pertinente. 1. PERCURSO METODOLÓGICO Este estudo, de abordagem qualitativa e descritiva, caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura. Souza, Silva e Carvalho (2010) destacam que esse recurso vem sendo utilizado nos diversos campos sociais, pois possibilita a síntese de conhecimentos já produzidos, incorporando novas percepções sobre os fenômenos investigados. Bicudo (2021) apresenta a importância da pesquisa qualitativa ao inferir que esse recurso é conduzido por um conjunto de interpretações sobre um fenômeno específico, suscitando na problematização e na construção de distintas percepções sobre tal fenômeno, operacionalizado por um extenso diálogo entre os dados encontrados e as interpretações dos pesquisadores. Souza, Silva e Carvalho (2010) salientam que o desenvolvimento da revisão integrativa possui fases específicas: (i) pergunta norteadora, que no caso deste estudo, partiu do seguinte questionamento: como acontecem as relações de gênero no judô? (ii) amostragem da literatura, (iii) coleta de dados, (iv) análise crítica dos dados incluídos, (v) discussão dos resultados e (vi) apresentação da revisão. A coleta de dados foi realizada entre janeiro e março de 2024 e não considerou recorte temporal a priori, pois também buscou-se 2 Local onde se praticam artes marciais.
150 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 compreender o desenvolvimento das discussões a partir de sua cronologia. Foram utilizadas as seguintes bases de dados: (i) SciELO; (ii) Lilacs e (iii) Scopus. A utilização destas bases justifica-se pela sua capacidade de congregar artigos com rigor avaliativo. Foram utilizados os seguintes descritores: Gênero AND “Artes Marciais”; Gênero AND “Esportes de combate”; Gênero AND Judô; Gender AND “Martial Arts”; Gender AND “Combat Sports” e Gender AND Judo. O Quadro I apresenta a quantidade de artigos encontrados a partir da utilização de cada descritor. Descritor SciELO Lilacs Scopus Total Gênero AND “Artes Marciais” 02 15 0 17 Gênero AND “Esportes de combate” 01 03 0 4 Gênero AND Judô 01 17 01 19 Gender AND “Martial Arts” 03 17 282 302 Gender AND “Combat Sports” 01 05 141 147 Gender AND Judo 01 17 137 155 Total 09 74 561 644 Quadro I: quantidade de artigos encontrados (Fonte: dados da pesquisa, 2024) Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: (i) serem artigos científicos completos; (ii) trabalhos empíricos e trabalhos com dados primários; (iii) trabalhos publicados em quaisquer idiomas, (iv) artigos que apresentassem discussões sobre as relações de gênero no judô. Foram excluídos: (i) artigos que apresentassem análises quantitativas que não se centravam nas relações de gênero; (ii) artigos cujas discussões de gênero não considerem a prática do judô.
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 151 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 No primeiro processo de coleta dos dados, dois autores, de forma independente, selecionaram os textos, classificando-os em “incluído”, “excluído” ou “incerteza”. Caso algum texto fosse classificado como “incerteza”, um terceiro autor realizaria o desempate, fato que não ocorreu. Essa configuração atende ao que pressupõem Sampaio e Mancini (2007), objetivando evitar possíveis vieses no desenvolvimento do trabalho. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: (i) serem artigos científicos completos; (ii) trabalhos empíricos e trabalhos com dados primários; (iii) trabalhos publicados em quaisquer idiomas, (iv) artigos que apresentassem discussões sobre as relações de gênero no judô. Foram excluídos: (i) artigos que apresentassem análises quantitativas que não se centravam nas relações de gênero; (ii) artigos cujas discussões de gênero não considerem a prática do judô. No primeiro processo de coleta dos dados, dois autores, de forma independente, selecionaram os textos, classificando-os em “incluído”, “excluído” ou “incerteza”. Caso algum texto fosse classificado como “incerteza”, um terceiro autor realizaria o desempate, fato que não ocorreu. Essa configuração atende ao que pressupõem Sampaio e Mancini (2007), objetivando evitar possíveis vieses no desenvolvimento do trabalho. O primeiro processo de coleta considerou a leitura e análise do título e do resumo dos trabalhos, em que deveriam apresentar elementos que retratassem as relações de gênero no judô, em artes marciais e/ou esportes de combate. Nesse primeiro processo, foram incluídos 21 artigos. O segundo procedimento considerou a análise de textos duplicados, em que foram excluídos seis artigos, restando 15 artigos que foram incluídos para a próxima triagem, que se configurou como a busca por palavras-chave dentro dos textos. Nesse sentido, os textos deveriam possuir a palavra judô. Oito estudos foram excluídos por não se tratarem, especificamente, do judô, restando sete artigos que foram incluídos para a leitura na íntegra. Após a leitura na íntegra, um foi excluído por se tratar de um texto quantitativo que não discute, especificamente, sobre as relações de gênero no judô. Dessa forma, seis artigos compuseram o corpus analítico deste estudo. A Figura 1 apresenta o processo de triagem dos artigos.
152 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Figura 1. Processo de triagem dos artigos (Fonte: A autoria, 2024) Os seis artigos incluídos neste estudo foram inseridos em uma planilha do Microsoft Excel que considerou variáveis como: (i) título do artigo; (ii) objetivo; (iii) metodologia; (iv) resultados e (v) considerações finais. A análise dos dados foi realizada a partir da análise temática proposta por Braun e Clarke (2006), considerando: (i) familiarização dos dados, (ii) geração de códigos iniciais, (iii) busca por temas, (iv) revisão dos temas, (v) definição e denominação dos temas e (vi) produção do relatório final. A aplicação dessas diretrizes possibilita o agrupamento das informações a partir de temas específicos.
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 159 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 e Kirk (2023b) também destacam que no karatê, as mulheres sofrem um tensionamento por praticarem essa modalidade, elas negociam sua participação no karatê a partir de dois aspectos específicos: precisam lutar para mostrar suas habilidades esportivas e concomitantemente, têm seu comportamento regulamentado pela feminilidade normativa, gerando mais esforços para que possam permanecer no karatê. Em um grupo de capoeira na região Nordeste do Brasil, as mulheres são menosprezadas pelos homens, precisando lutar “de igual para igual” com eles, a fim de mostrar suas habilidades e competências técnicas (Lima et al., 2023). As mulheres também precisaram “negociar” sua participação no boxe ao adotar posturas agressivas em uma academia na região Sul do Brasil (Mariante Neto & Wenetz, 2022). Em Kerala, na região Sul da Índia, embora as mulheres tenham uma taxa de alfabetização maior que a dos homens, existem barreiras sociais e religiosas que as impedem de marcar a sua presença e participar da arte marcial indiana Kalaripayattu (Mandakathingal, 2021). À vista disso, podemos perceber que os tensionamentos sobre gênero nas artes marciais reverberam-se por diversos campos sociais e atravessam distintas modalidades, subsidiados por desequilíbrios econômicos, políticos e sociais. Dessa forma, não importa o nível das habilidades das mulheres, suas competências técnicas ou seu grau de instrução, o fato de serem mulheres parece ser um distintivo para sua exclusão da prática das artes marciais. Essa exclusão não acontece apenas por parte dos homens, Turelli et al. (2024) destacam que as mulheres atletas da seleção espanhola de karatê tem como base o modelo de luta masculino, considerando-o como mais efetivo que o desempenho delas. Desse modo, elas desenvolvem uma autopercepção de que são inferiores aos homens e acabam se autoexcluindo das artes marciais. Young (1980) também destaca que os corpos das mulheres são construídos de maneira em que seus comportamentos e movimentos sejam restritos e limitados, contribuindo para o desenvolvimento de percepções exclusivas e estereotipadas das mulheres. Roth e Basow (2004), destacam que essa construção social misógina e exclusiva é perpetrada por diversos segmentos sociais como religião, família, igreja, meios de comunicação, etc. Esse fato também se consolida nas artes marciais a partir de uma construção histórico-cultural pautada em tradições específicas que consideram o ethos guerreiro. Segundo Elias (1997, p. 100-101), esse traço distintivo se configura como “um código de honra que consiste num
160 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 conjunto de comportamentos socialmente (re)produzidos, nutridos de valores militares, baseados em honra, hierarquia e disciplina, de cunho civilizador pela imposição violenta da lógica do controle”. Nesse sentido, em uma perspectiva machista e misógina, instaurou-se neste campo a lógica de que apenas os homens possuem tal pressuposto ou de que tal representação é a que deve compor a estrutura do campo esportivo como um todo. Kavoura et al. (2018) e Kavoura e Ryba (2020) salientam que mesmo em culturas relativamente igualitárias, tal como a da Finlândia, as hierarquias de gênero são presentes no judô a partir de discursos neoliberais ainda presentes em seu contexto social. Esse processo molda as subjetividades das mulheres judocas, interferindo na construção das percepções sobre sua capacidade e suas limitações para construir seu futuro enquanto praticantes de judô. Connell (2016) reforça essa discussão ao destacar que as construções de gênero estão ligadas às estruturas de poder, aos aspectos econômicos e aos efeitos institucionais operacionalizados por escolas, igrejas etc. Em todos esses processos, os pressupostos neoliberais estão inseridos, gerenciando mercados de trabalho e posições de poder a favor dos homens. Essa dinâmica desencadeia limitações e vulnerabilidades sociais às mulheres, incumbindo a construção de uma corporificação social frágil, que é materializada a partir do momento que as mulheres têm uma autopercepção deturpada sobre si mesmas, reduzindo seu potencial e suas habilidades em detrimento aos homens, como é perceptível nos estudos encontrados. Embora essas problemáticas sejam evidenciadas, as mulheres começam a inserir-se em cargos de liderança, em um processo de reequilíbrio da balança de poder. No Brasil, Souza et al. (2015) realizaram uma entrevista com a ex-treinadora da seleção brasileira feminina de judô, Rosicléia Campos. A ex-treinadora destacou alguns elementos que impactaram negativamente sua trajetória. Dentre eles, sua comissão técnica e os cargos administrativos eram formados, majoritariamente, por homens, o que a fez reconstruir sua identidade pessoal e profissional, se adaptando às dinâmicas que se apresentavam. Elementos estruturais também impactaram sua trajetória, como: baixa infraestrutura até 2006, período em que as mulheres participavam de menos competições e havia menos relações de treino com os homens. A cultura de treinamento das atletas no Brasil atenuava a preparação física em detrimento de questões estéticas. Também havia dificuldades de
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 161 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 conciliação da vida pessoal com a vida profissional, em um constante tensionamento entre a feminilidade hegemônica e a ideia de mulher lutadora. Perondi et al. (2022) entrevistaram três treinadoras de judô no Brasil. Os resultados apontaram alguns elementos que impactaram negativamente na carreira de treinadora de judô, como: (i) preconceitos por parte dos homens, em que eles acreditavam que as mulheres não tivessem qualificação para ocupar essa função de comando; (ii) dificuldades em interagir no ambiente predominantemente masculino, fazendo-se necessário a adoção de posturas distintas para atender a dinâmica do ambiente; e (iii) a maternidade e as tarefas domésticas impostas pela cultura patriarcal. Perondi et al. (2022) destacam ainda que embora as treinadoras sejam especialistas em judô, sendo medalhistas mundiais e possuindo faixa preta (3° dan, 4° dan e 6° dan), sua posição de comando é questionada por praticantes com menor nível hierárquico. O mesmo caso acontece com Rosicléia Campos. Souza et al. (2015) apontam que a extreinadora da seleção brasileira feminina de judô era questionada por homens que possuíam, à época, menor nível hierárquico. Desse modo, podemos perceber que o nível hierárquico no judô é secundarizado em detrimento das hierarquias por gênero. Esse fato possui uma determinada complexidade, pois embora o judô seja uma prática corporal cujas tradicionalidades estão centradas no respeito e na hierarquia das graduações (Calabrio & Guimarães, 2022), os praticantes, eventualmente, rompem suas diretrizes filosóficas e tradições ao desconsiderar os comandos femininos. Nesse sentido, estão indo contra as próprias normas institucionalmente presentes na modalidade em questão. Embora essas problemáticas sejam emergentes, ao inserir-se em uma posição de comando no judô, Rosicléia Campos tomou uma decisão que contribuiu para o rompimento do “teto de vidro” que permeia a participação das mulheres nas artes marciais (Souza et al., 2015). Perondi et al. (2022) salientam que as três treinadoras entrevistadas em seu estudo possuem graduação em educação física e pós-graduação lato sensu (especialização). Esse fato contribuiu para a manutenção das treinadoras nos cargos de liderança. Elas também adquiriram conhecimentos a partir de aprendizagens formais, não formais e informais, além do apoio da família e dos/as amigos/as. Groenen (2012) aponta que na Bélgica, em meio a um predomínio masculino, o judô
162 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 feminino foi percebido como um meio de emancipação. Para as mulheres, a disciplina japonesa representava uma forma de se defenderem dos homens, ter acesso à arte do combate e aos esportes recreativos. Apesar disso, a alta cúpula administrativa das entidades tende a ser substancialmente composta por homens. A Confederação Brasileira de Judô, por exemplo, nunca foi presidida por uma mulher. Kavoura et al. (2018) destacam que os grupos de mulheres possuem uma coesão interna, fortalecendo sua identidade enquanto atletas judocas, buscando-se a subversão do discurso patriarcal. Desse modo, há uma busca pela ruptura das construções de padrão de luta e de comportamentos que tenham predominância masculina, orientando-se em direção à igualdade de gênero. Embora a coesão entre mulheres possa ser um elemento significativo para sua participação no judô, Kavoura e Ryba (2020) defendem a construção de políticas de incentivo à carreira esportiva de alto rendimento e a inserção das mulheres em posições de comando. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo teve como objetivo refletir sobre as relações de gênero no judô. Os resultados mostraram-se incipientes, uma vez que que apenas seis estudos foram encontrados, desenvolvidos entre 2012 a 2022. Os poucos estudos sobre o judô podem representar que essa prática corporal ainda mantém raízes ligadas às tradições culturais do judô, criando uma tensão entre a manutenção das suas tradições e os processos de esportivização. Com efeito comparativo, destacamos que o judô ainda não se consolidou como uma modalidade eminentemente midiatizada e tratada como mercadoria como o MMA e o boxe. Os resultados também apresentaram uma determinada centralidade nas regiões em que os estudos foram desenvolvidos, sendo quatro artigos cujo lócus foi na Europa (dois artigos na Finlândia, um na Grécia e um na Bélgica) e dois artigos na América do Sul (Brasil), fato que pode dificultar o desenvolvimento de discussões mais amplas sobre o fenômeno em tela. Conclui-se que as posições de comando são compostas, majoritariamente, por homens, construindo-se operações que salvaguardam os comportamentos masculinos como o padrão a ser seguido, hierarquizando-se as dinâmicas de gênero. Esse fato contribui para a construção de discursos que sobrevalorizam os comportamentos
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 163 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 dos homens e desconsideram as capacidades atléticas das mulheres. No Brasil, poucas mulheres conseguem inserir-se em posições de comando, exercendo a função de treinadoras de judô feminino. Embora tenham se inserido nessa posição, foram alvo de preconceitos e barreiras sociais que dificultaram essa inserção. Todavia, o apoio familiar, a construção de saberes experienciais no campo do judô competitivo e a participação em cursos de graduação e pós-graduação atenuaram as dificuldades. Destaca-se que as mulheres possuem uma coesão interna que propicia sua inserção no campo das artes marciais, tensionando as tipificações comportamentais cristalizadas nesse campo. Entretanto, para que a subversão feminina possa ser ampliada, faz-se necessário o desenvolvimento de políticas públicas que fortaleçam a inserção e manutenção das mulheres no judô. Nesse sentido, os binarismos ligados às disposições hegemônicas de homem/mulher, devem ser confrontados a partir da compreensão de que o gênero não é algo padronizado e hierarquizado, mas um processo que envolve fluidez nas relações e nas construções sociais, incumbidas de distintas apropriações e interpretações sobre o usufruto das artes marciais. Dessa forma, as percepções sobre gênero não envolvem apenas operações masculinas ou femininas, mas distintas apropriações concernentes às diferentes culturas, identidades e percepções. Este estudo possui algumas limitações, como: (i) número reduzido de artigos encontrados; (ii) centralidade dos locais de estudo e (iii) os dados deste estudo foram analisados sob a ótica masculina. Contudo, espera-se que os resultados encontrados e as discussões apresentadas ofereçam subsídios para o desenvolvimento de reflexões críticas sobre as relações de gênero no judô e nas demais artes marciais. BIBLIOGRAFIA Adelman, M. (2006). Mulheres no esporte: corporalidades e subjetividades. Movimento, 12(1), 11-29. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.2889 Akotirene, C. (2019). Interseccionalidade. Pólen Produção Editorial LTDA. Antunes, M. M., & Iwanaga, C. C. (2014). Aspectos multidisciplinares das artes marciais. Paco Editorial.
164 George Almeida; Heraldo Simões e Luiz Gustavo Bonatto ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Bicudo, M. A. V. (2021). A lógica da pesquisa qualitativa e os modos de procedimentos nela fundados. Revista Pesquisa Qualitativa, 9(22), 540552. DOI: https://doi.org/10.33361/RPQ.2021.v.9.n.22.507 Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77-101. DOI: https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa Calabrio, F. P., & Guimarães, L. (2022). Aspectos motivacionais em praticantes de judô faixa preta. Revista Movimenta, 15(3). DOI: https://doi.org/10.31668/movimenta.v15i3.13270 Confederação Brasileira de Judô. (2012). Brasil-judô/Medalhas. Ranking de medalhas. Rio de Janeiro. Disponível em: https://cbj.com.br/pt/brasiljudo/medalhas Acesso em: 15 fev. 2024 Connell, R. (2016). Gênero em termos reais. São Paulo: nVersos. Connell, R. W. & Messerschmidt, J. W. (2013). Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, 21(01), 241-282. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2013000100014 Elias, N. (1997). Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Elias, N. & Dunning, E. (2019). A busca da excitação: desporto e lazer no processo civilizacional. Coimbra: Edições 70. Ferreira, H. S. (2017). Artes marciais, esportes de combate e lutas nas Olimpíadas: da Antiguidade à era contemporânea. Fortaleza: EdUECE. González, F. E. (2020). Reflexões sobre alguns conceitos da pesquisa qualitativa. Revista Pesquisa Qualitativa, 8(17), 155-183. DOI: https://doi.org/10.33361/RPQ.2020.v.8.n.17.322 Groenen, H. (2012). The Early Development of Women's Judo in Belgium from the Liberation to the late 1950s: Emancipation, Sport and Self-defence. The International Journal of the History of Sport, 29(13), 1819-1841. DOI: https://doi.org/10.1080/09523367.2012.708608 Kavoura, A., Kokkonen, M., Chroni, S. A., & Ryba, T. V. (2018). “Some women are born fighters”: Discursive constructions of a fighter’s identity
Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 165 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 by female Finnish judo athletes. Sex Roles, 79, 239-252. DOI: https://doi.org/10.1007/s11199-017-0869-1 Kavoura, A. & Ryba, T. V. (2020). Identity tensions in dual career: The discursive construction of future selves by female Finnish judo athletes. Sport in Society, 23(4), 645-659. DOI: https://doi.org/10.1080/17430437.2019.1669325 Kavoura, A., Ryba, T. V. & Chroni, S. (2015). Negotiating female judoka identities in Greece: A Foucauldian discourse analysis. Psychology of Sport and Exercise, 17, 88-98. https://doi.org/10.1016/j.psychsport.2014.09.011 Ledur, J. A., Kich, A. M., Pereira, E. L. & Mazo, J. Z. (2023). Jogos Olímpicos e presença de mulheres judocas nas páginas da revista Veja (1988 a 2016). Lecturas: Educación Física y Deportes, 27(297). DOI: https://doi.org/10.46642/efd.v27i297.3704 Lima, G. A., Macêdo, C. G. & Millen Neto, Á. R. (2023). Reflexões sobre a participação das mulheres no campo das artes marciais e as representações de gênero incutidas nesse processo. Revista Cocar, 18(36), 1-20. Lima, G. A., Martins, D. G., da Silva, F. J. S., Neto, F. P. M., & Vasques, D. G. (2023). “Isso não vai tirar a feminilidade dela de forma alguma”: percepções de jovens mulheres sobre as relações de gênero na capoeira. Conexões, 21, e023034. DOI: https://doi.org/10.20396/conex.v21i00.8674393 Lima, G. A., Caldas, F. D. L., & Millen Neto, A. R. (2024). Lutas, artes marciais e esportes de combate sob o olhar etnográfico. Cuerpo, Cultura y Movimiento, 14(2). DOI: https://doi.org/10.15332/2422474X.10202 Lima, G. A., Vasques, D. G., Mariante Neto, F. P., Ferreira, H. S., & Rufino, L. G. B. (2024). Relações de gênero no karatê: uma revisão integrativa. Pensar a Prática, 27. DOI: https://doi.org/10.5216/rpp.v27.79071 Mariante, F. P. & Wenetz, I. (2022). Mulheres no boxe: negociações de masculinidade(s) e feminilidade(s) na academia. Movimento, 28, e28004. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.111694 Mandakathingal, A. (2021). Gender roles in martial art: A comparative analysis of Kalaripayattu practices in India. Women's Studies, 50(4), 317-336. DOI: https://doi.org/10.1080/00497878.2020.1843039
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Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa 167 ÁGORA PARA LA EDUCACIÓN FÍSICA Y EL DEPORTE, 26, 2024, 144-167 ISSN: 1989-7200 Souza, G. C. D., Votre, S. J., Pinheiro, M. C. & Devide, F. P. (2015). Rosiclea Campos no judô feminino brasileiro. Revista Estudos Feministas, 23(2), 409-429. DOI: https://doi.org/10.1590/0104-026X2015v23n2p409 Tavares Junior, A. C., Silva, L. H. & Drigo, A. J. (2014). Judô: da origem à esportivização e sua atual relevância para o cenário esportivo brasileiro. Revista Hominum, 3(16). 7-22. Turelli, F. C., Vaz, A. F. & Kirk, D. (2023a). “I've always fought a little against the tide to get where I want to be.” - Construction of women’s embodied subjectivity in high performance karate. Social Sciences 12: 538. DOI: https://doi.org/10.3390/socsci12100538 Turelli, F., Vaz, A. F. & Kirk, D. (2023b). “The issue of weight is a personal responsibility” - Demands for performing in gendered karate in the Western neoliberal society. Ágora para la Educación Física y el Deporte, (25), 140-166. DOI: https://doi.org/10.24197/aefd.25.2023.140-166 Turelli, F. C., Vaz, A. F., Tejero-González, C. M. & Kirk, D. (2024). ‘Fighting like a girl’: Qualitative analysis of the gendered movement learning in the Spanish Olympic karate team. Physical Education and Sport Pedagogy, 29(5), 521-538. DOI: https://doi.org/10.1080/17408989.2022.2125947 Velija, P., Mierzwinski, M. & Fortune, L. (2013). ‘It made me feel powerful’: Women’s gendered embodiment and physical empowerment in the martial arts. Leisure Studies, 32(5), 524-541. DOI: https://doi.org/10.1080/02614367.2012.696128 Young, I. M. (1980). Throwing like a girl: A phenomenology of feminine body comportment, motility and spatiality. Human Studies, 3(1), 137-156. DOI: https://link.springer.com/article/10.1007/BF02331805