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Sermam da soledade da senhora em que tambem se fas menc,am do enterro de christo / Prègouo na caza da Mizericordia da Cidade de Evora. O P. M. Luis Cardeyra da Companhia de Iesu ...

Cardeyra, Luis (S.I.)

Abstract

Sign.: [ ]1, A3, B-C4

Full text

SERM AM DA SOLEDADE DA SENHORA EM QVE TAMBEM SE FAS MENjC^AM do enterro dc CH RISTO. d Pregouo na caza da Mizerlcordia da Cidade dc Evora. 0-<^. u : LVIS da Companhiá • •;.... de i m r . "Tlinte de EfcriturA neHx Fmverjtdade, • ^ M C OIM B R A. Com ¿ts lictncAS neceffmis, Na Officina de Thome Caryalho, ImprcflTor da Vnlvetiidadc. Anno 1669. AcuBx dc Jofifh) FerretYA mercader de Ihros, UVA. BHSC. SC 12474_11 fñ t' ''A. ^ ^ .vl»«- -osi# -^i.: ^ 'A : . ?T - i X .O i'ci^ iiij -L c . « * ’Vl^."--.^-K^ ^ 5^ r ~-f ■<i ■Jr . i "■ï;-'v. *'i ‘ ■■ '■ , , '•‘Í ’ ' - j£ ,,.r- , '. - ■■ ' { '"--V:*-.: .. ^ -§^- ', -v^ -i^‘‘ »ipT/'iV' ■ ; . ■ ■ r‘ .r' ' ■ — tbsbîD '^ ’. ■ ' tUiÄTi’TVa'X i.’Sl'‘-»4.”.i .'Â- '>\\V^ta?5'ï' ' - _ ■%■ ■ ^ Jr. a i i¿ I u a i t 3 - •„«•.,‘\ ”> '.\¿i«?^a»«: *fcMS«ä. Uí. « .0 ■'ey w-fc - - .^7 _ «V __ ■'■• UVA. BHSC. SC 12474_11 r a . I THEMA; Judiertint y quhìngemtjcoego ^ & non ejly qui con- , Joletur me : ontnes inimici mei audierunt malum meumUtati fmtqnoniam tufecijìu T hrcnorum !• EPETIDAS temos hoje as queixas de ]crufalem, fe attendemos ao literal da conftruiíjam do Theina: renovados os queixumes da Igreja na Soledade de María, fe eonfideramos bem o myftico daspalavras. A Igreja, & Jerufalem am bas fe fentem qucixcza^i Icrufalem por fe ver fó: Sedet foU civitas 5 a Igrefa pór^^nfidefár dezemparada 5 Jerufalem por fe ver chea de todo o mal: a Igreja por fe coníiderar or^de todo o bem. Ambas fe queixáocom exceflb, porque ambas choráo fem alivio: líon eíi quiconfoletur me. As queixas commñas da Igreja fe particularizáo hojenaSenhora; aíllm fe queixa fentida, como fe as lagrimas foffem fó fuas: ingemifco ego-, Eu a que gemo fómentcj eu a que choro, Se iiam outrem, eg^. Porquepofto nos fintamosem parte, & choremos junta mente comelU; fazendocommumem nos o fentimento, que particularizou em fiaSenhora^ nóflas lagrima«; faó dirivales defeusolhos: fe osnoíTos fam rios, he porque os de Maria fam mares: ^Magnd eftvélut mure contritió tm: & as enchentes dos rios, ás dirivacóes do mar fe devem. Se pera o mar corrcm, he porque do mar fairao: a prata fucA ceíTiva UVA. BHSC. SC 12474_11 . % ceíTiva que cm o mar deícarrega, nao fanri obfequios, qiic fas, fenaiü dividís y.que paga : nam dá o qiie'nam deve, pa;^ gao que )árcC:bea Eíte lagrimas on cftá^ qucixas fani ns que lipjo ouyiremos: ouviremos pois nefta tarde húa So* Icdudj qu’ixo¿3; &dcqucm fc qiicixacfta fckdade; por^ que íe queixa, *5c deqnem? QUem ta^lcuidara! domeímo alivio: Non cjl quiconfiéktíir me. Ah alivio, que no melhor nr: faltaíi .^j por inb me deixas deíconíblada, fó porque vl¿ va q jeixoza. Confid;!rarcmns pois nefta ac^áo, como fo a' folcdaJcda Scnhora fe foabe hoie qucixar, porque chegaaaoxnaiorextrenaod^fcntimento^ a que podía chegar. Nam pode ador chegacamaior extremo, que chegar a 2ec rezoesde fentimento, as que o devcraofer de alivio; Aqui chegou o fentimento daSenbora, aquí chegoupoc nam podcrira diantc^ tirou rezóes dedor, donde devera tirac motivo, de confola^am. .Gafamos pois o ali vio, 6c à foledadt^oalivjocqaíoladory & a íblcdade qiieixozí, & degois dc os ouvirmos julgarem, quem tem rezao.. x^j^ve T ) Orquc fenam diga da íbledade da Senhora, que fe qtici^ JL xa fem rezaoxio diíprimor do-alivio : nem fe chamem^ difprimores dò alivio.* ' kon eH-qui confolettir mt^ os que fe deveráo diz'erexceíTos do fentimerKO, qu'uingemifco ega: déiyaiídoaíoledade queixoza,x}uandoaÍJevia deixar con-^ fóladj5 he l>cnaconíídére prímeiraa:roícdáde5.otji»e oalivio' porflia pacte allega. Como fora inf)ufti<;a gcanácr áar fcQ*" ten^a’contra huma pacte feot prlmeiroa ouvirj^; affina pare cería grande fem rezam, queixarfe a íblcdade do q;Ue o^alivio nam fas, fem Ihe ouvir o que tem feito, Dis pois o ali vio poí fuapìacte^tecfdtooqùedevia,& eraneceíTario UVA. BHSC. SC 12474_11 a z'cric pot mitigar pchas, aliviar dv:fconrolvfc5é?. Toda a rczáo, cm que lerulalcm dcfcmparsda, 6: íó, funda as queixas de fuá dcíconíolacam: Non eU qui ccnfoUttir me, oii fe entendió as palavras da folcdade de leruíhlcm: oudod^*- zemparo da Igrcia, he na falta da ai*niznde : Omnes tnimni mi audiermt malum meum Utsti fm t\ (^c. Sob:jar o odiopera aagravo; faltar o amor pera o alivio, o que rc^ao' dt:fcntimcntoram grande > Eftaresíam ccíía porem hojcj' & aíTim nam deve a folcdade eftar qucixofay fennrn confolada 5 pois nefta piadora ac<;am, o amor dos aff‘ci<^oados, fiibftitueoodiodosinimigos. Pellos cíFeitos fe conhecem mcllior as caufasj & bem provao em’nós os cífeitos de noííüs olhos, o amor de noflbs cora^5es; que choramos fcntk dos, pello que queremos affei^oados. Provaíe a verdadedefte amor cotií dnas fíneíaS 5 c& asaíTiftcncias, qucfazcmosáMay, & coma fepultura que damos ao Fílho mefermolo no fepukhrd depois de Ihe aíTiftirmos no monte: ò que leal amizade ! AíTifttrmdsá May por alivio, depois de fepultarmos aoFilho por honra,* fe bem mais que devida a tanto Scnhoc r que vcr-dadciro amor f Corot^emos pelio'enterro do Riho btevémenfe,- por fcraíTumpto principal hofe a foledade da May. Morr o Aram no monte Horpor rnandadode Deos, ¿c ahi fiC0U5 defcendo Moyzes depofs difto do mote acompandan do a Eleazaro filho do meírno Arám : Itlo morttio in monùt Jupercfiío^defi€nMP cí^m Elea&aro, Numer. cap. 20. Ifto pafTouna morte de AràìT; 6c na deMoyíresq'paííou? Mor reo Moyzes no monte Nebo, tonrioua I^os depois de iviorfOy 5c d'eulhe fepultura em hum valle : tMoríuf ejl iMoyfis fervuJ Domini jubcnte Dominò , fcpelfvií eum ííp ydU terrA Modb, D jüter. cap. 2 4. Morreo Moyzcs entre ^ abramos de Deosj porque aondc nos Icmos jabente Do^ mlrn^ UVA. BHSC. SC 12474_11 mino, lem outros, in ofculo Domini • <Sc Dcos por Ihe fazer lionra tomoli por iua cóta as horas fúnebres, & Tcpultouc, fepelivit eiim. Porque nam fas Dcos irto co Aràpiii' Porque Ihe nam dà tambcm fepultura^ Nam era Aràm bum home inuito fanto, efcolhido por cftacauza milagrozamente por fummo Sacerdote daquelle povo ; pois porque Ihe nam fas Deos a mefma honra que depois fes a Moyles ? Porque nam toma por fua conta tambem as honras de feu entcrroi A erta duvida do Deuteronomio ficava jà refpondido no Exodo. Affim fallava Deos c5 Moyles, dis o iagrado Tex to no Exodo, como dous amigos muito amigos entre fi: SiciU folet loqm homo y ad amicum fuum. E como Deos era particularmente amigo de Moyfes, tomou por fuá conta o enterro, por caleficar aamizadc. Em nenhuma coufa fe calefica mais a amizade, & verdadeiro amor, q ñas honras fúnebres que fazemos. A rezam diftohe: porque prova co ifto o^mor fec o mais fino que pode fer, pois chega a pafíarálemda morte. As amlzadesdo mundo commumente nam chegaó a morrerem com vóíco, & mais fe morreis na velhice, comoMoyfes, Se fe chegao nam paíTao dahí. Pois pera Deos moftrar, que a fua amizade com Moy fes, era differente de todas, que ainda depois da morte eraamigo, fcflhe as exequias per fi mefmo. Se meteo na fepultura: Sepellyit etim. Saiba o mundo ( como fe diíTcra Dcos) fou tam leal, & verdadeiro amigo de mcus amigos, que nam ha quem acabe efta amizadej nem os poderes do tem po: nemas Valentías da morte. Se na vida fui amante, ainda depois da morte fou amigo. As folenidades do enterro fao dcmonftra0es do amor: nam de amor que ja acabaíTe, fe nam de amizade que ainda dura. Na m ch acón Chrifto q uan do fo u bc co mo Lazaro amig o fcu QtOk mono \ Laz^ams amms nofler dormit. loan. II. UVA. BHSC. SC 12474_11 loan. 11. Sò cntam chorou, quadochegou a feu ícp^iileUro, & o vio metido nclk: Vcnii & vide^ cr UcYymattiS ejl lEsrs. Pois porque nao chora Chcifto dantes > porque nam chora na morte, fcnao na í'epulturaí Dirvoshei: aslagrioias deChrifto eráo tcQcmunhas do amor, & verdadeira amizade que com Lazaro Tempre teve : Diligebat mtem l £• SVS Lazarum^ 6c jülgouoSenhor era prova mais calcficada de íua amizade com Lazaro, choralo fepultado, que chóralo morto : aíllftirlhe fentido no fepulchro , que cho ralo magoado na morte : porque choralo morto, era fentir como todos fentemj choralo ja fepultado era fazer o que poucosfazem. A amizade dos homens morre com o ami go morto: no mefmo tempo em que vos morreo a vos o a*- migo, morreo em vos o amor. Ainda quádo o choráis mor to, ao entrama fepultura ja fe vos enxugarao osolhos. Senáo vedeo. Vendo oscircunftantes chorara Chriftofobre Lazaro fepultádo dequatro dias: diíTeraó aíTim, Ecce quomodo amabat eum. Notai, que nao dizem como o ama, íenao como o amava j fendo que aquellas lagrimas em ChriQo erao eíFeitos do amor, & a prczen^a do cffeitofuppoem a coexlftencia da cauza, com tudo nao referiráoas lagrimas aqamorprezente, fenáo a amizade paíTada; nao ao amor de entao, fenao á amizade d' antes. Parcceolhes áquelles homens nao podía aver amizade, que chegaíTe a durar tanto, quatro dias depois da morte; por iffo náoreferirao as lagrimas ao amor que efn Chrifto avla, íenáo ao que tinha avido: 'Ecce quomodo amihat. De tampouca dura como iño he amizade no mundo, ainda quando dura em vos até morte do amado, nao fe acabao os homens de perfuadir chegára até o enterro do amigo. Nam pórem aíTim Chrifto com Lazaro ; nem affi Déos com Moyfes, moftraráo com evidencia, que nelles o amor era UVA. BHSC. SC 12474_11 wafír^T^c Dcoscom Moyfes porque o cntcrrou depoîs de ir orto : Scpelhit eumiOíMÍño com Lazaro, porque o ch9rou cìepois de iepultàdo : LurymMm ejl^ com eitas demoôraçôes provou Chrifto a fineza d^: feu amor pera com Lazaro; & com as mci'mas provamo^ nòs a vcrdade de noiìa amizade peracoChriùo: avemonos em parte noque podc^ mos, comoChriftocó Laziro em B.'thania, & como Deos co Movies no mòte Nebo. Defcemos có Chnfto ao valle, dcpoi^ de Ihe aiTiftirmos no monte : no monte aUlftimos à morte comoamorozoî^ no valle faz.*mo3 as exequias co« nìo amig:os: chorando o amor dos amigos o mal que fefteja Va o odio dos contrarios..* Omnes mimici mei audiemni malum meum: Utatifunp, Até aquí o enterro do Filho por parte do alivio da May : .deve a May efiar aliviada, porque ainda que ibe fai* ta o Fillio téno diante do5 olhos fepukado. Có acôpofiçâo doîùgaf, pode aliviar em parte os exccflbs de fentimento, - Quando enterrarao a Chriúo dcpois de o deípregarem di Cru?,advertios. Mattheus mifteriozameme, que aMada» leoa, <5c outra Maria, que o Evatigelifta náo nomea,fe aíTeiitaráodcfrontc dofepulchro, &alli paíTaváoo tempo feni: delle tirarem os olhos. Erant autem ibt {J^aria. lena, altera Marta fe denotes contra fepulchrum, MatlKj 27. Tresforaoas Marias queaíTiftíráoaopé da Crus, & duas contao Evangclifta que feacharao no enterro, Mare 15. Notouo Origines;.ÔC dcu a rczáo delgadamentc:/^^^^^ ñutemfilíorumZebedjíi, norp fcribitu^r fedire contra fepd^ chrum: & iiTo porque^ Vorfit'kn enim ( continua o meto autor ) vfque ad crucempervenire fotuit ; ifiji, autem qn4 mames incharitate^ ñeque his^ quA fofieagcUa funt defut^ runt^ Grandes paiavras as dcOrigines. O confiderai bcfli ( diíi,clk:i que fendo uc« as Marias do pe da Crus, as do ^ ‘ fcpul* UVA. BHSC. SC 12474_11 fcpulehrQforaO fo duas: &Itlofoy)?fra<5iie vòsscabci? dé de ferrganar co amigos, que-nem todo oaiDOfdos que vos amáochegacom vofco à fepultura: Forfitm tnhn *ifquc àd crucfm pervenire fotuit. Por Ventura, dis Origmc?, Forfitm, que poriflb aquella outra Maria nao defeco corn Chrifto atè o icpulchro, porque ao fobirdoCalvario enfraquecco fcu amor, & io pode chegar atè a Crus, nao mais: yfj^ue ad Crucem peryenir£ fotuit, O mais que ch^gaoamor dos amigos he che^at.com vofco atè a morte, dahi nào paÌTa, & fealguns vam a diantc, fativcorw^ados, & Tempre fe contam os mcnos; hum atèoutro: CMafU Magdalena^ altera, Bero prováo eJftas Marías a verdade do-que arègora dìi corremos. Masnàohe iirojàocmqucreparo: o cm quc principalmente reparo, he, cm fe porcm cftas duas moIhercsaolharpcra ofcpulchro. Seos mais voltàopera fuas cafas, ellas tambcm porque fe nao recolhemì C^teris Do^ minum relinquentihus, mulieres fer^everahant in officio: ajuntouS.ieronymo. Os outros vohao,-mas ellas fkáo,por quceomo amaváo muito,fentjáo mais, & bufeavao na c5íideraqao do lugar o alivio do fentimento. Pera mifigarem cm parteo exccíTodcfua dor, fizeráo daquelle fepulchro compofi^áade lugar, & com a compofi^am do lügar, moderaváo o cxceffo da pena, confidcrando que aquellc 4neftrcfc^i aqaem amaváo,fea morte iho tirara, afepultura o tinha & poftoquc o nao viao ali eftava, & co faberem eí^ tava ali fe confolaváo ; com ifto mitigavao fua dor : & do racfmomodo pódeconfolara Sc«hor fua foledade, com fabcrque o Filho aquemamamais queafi nao fe auzen^ tou de todo, ali cftà, febcm encuberto. Temos calificado a amizade com o enterro do Filho; prevemos agora o amor com as affiftencias a May. Nac ha ^niormals cal^adOy quebquevos labe a01ñic no mayor ^ : B dcfcmUVA. BHSC. SC 12474_11 14 nas íc lormava de tres cruzes.; Sex ¿ifferentu difpofitio, vum, quíbus refpori'clent Jex aU , orimtur extrink Cruce, Encruzaváo os Serafins as diias azas, que caiao fobre os ¿:és, ócficava formada hum crus: tornaváoa encruzar os Scrafios asootras azas, qae fobre a cabeça fe erguiao,<Sc apparecia a fegunda crus levantada : a tcrceira crus fa* bñcavaíTcdasvltimas pewnas : abiiao os Sorafins as penas, & cft.*ndiaacrus os braços. De máneira que riendo cada hum de nos huma so Crus: TolUt Crucern cadahum daqucllcsScrafins rinha tres. Ex trinh Cruce. Doiis Sera* fins, &feiscruzes. Asmeímas penoas que oscobria5,cí crucifícavaó, & iflbporque? Nam porque os encobriam a elles, í’cnam porque Ihes encabriam a D^os : T>mhus vt* íahArit pedes ejuSy ¿r duahus veUbant facient ejus. I'ai. 6. A* mavao aquelles Scrafins muito a Déos, que iíTo quer dizcr Seraíim, incendio. Era Déos muito amado, mas cílava, muyto encuberto. Affimotinhao prezcnte, como fe eftit^eraauzence deíles, pois tendoo tanto de pertp, o nam viaó, por Ihe ficar encuberto. Dahl vinha que com as raci mas pennascomque o encobriam a elle, fe crucifícavaíH aíTi mefmos. Ter a Déos tanto de perto,a quem amam,quc entre Déos, & elles, so fe ponha de pormeo groíTura de duas pennas; Duxbus yeUb¿ij$t, Tello quafi nos braços» mas nam o poder ver Gom osolhos, iftohc eftar em crus. As pennas daquellas azas ; nam erao tanto pennas, deque fecompunha5azas, quanto eram pennas de que hrfaziam cruzes: narnhuma, masmuitas: Ex trin'h Cruce. Cegat evidencias^ foy multiplicar martyrios. Vede agora como poderáconfolar a Senhora íuas magoas com a compofr çamdà fepultura, por mais que nella efteja depoíítadaa confoUcam do mundo todo, Chrifto, vnicofilhofeu. Ver dad he que o f^pulçhro o guard» deppfitado, mas tam- ' " bem UVA. BHSC. SC 12474_11 bemhcvcrdadequco tcm conGgo cticuberto. E que fcja¿ oicpulchrotamrigiirofopcraccin a May que arrive da Vifta do Filho, a quem iobrc tüdo aiwa. O que nam hc iftô grangear confolaçoes lenam repetir martifibs. Tcrlhe o Filho encuberto, hc trazerihe o coraçam marterizado. Se a compofiçamdo íepulchro nao alivia os exceíTos ¿o fentimento 5 tambem nam diminue a grandeza de íua dor com as aífiftcncias de noíTa compaxam. Nam dimi nue, antes crece : porque fem nos padecía fomente lúas pennasj agora padece as luais, & mais as noflas : as fuas por que as fofrc, as noíTas, porque ñolas vé padecer. Hc May cfta Senhora, & adoptounos a nos porfilhos feus, & pella mefmarezam, mais a marterizam a ella noflas pennas, que a nos, que as padecemos Morréráo os Innocentes fílhos da fcrmoza Rachelas maos da tyrania delRey Heredes : He^ rodes mittens Occidit omncs fueros, Com fer excefllra a crueldade, nam Icmos dcflea innocencia deñes meninos tenrosj & delicados huma pequeña moftra de fentimento. Todoo fentimento fícou com Rachcl, que chorava fcm alivio a morte de tantos filhos: Rachel florxns fiUos fms^ é* noUtt confhUri. Matth. 2. Notavcl couza que padeçani os filhos, & nam íe queixem, & que Rachel nam acabe de chorjiirí que os filhos nam moftrcm peiina j & que Rachel nío admitta confolàçam: Holuït confoUñ. Que he lito? He que elles padeciam em fi ; Rachel padecía nelles: cm fi, & nelles juntamente: emfi padecía fua defconfolaçao ; nelles padecía feu martirio. Cadahum dclles pad^cia o feu tor mento, Raçhclo de todos juntos. SübílituiíTe em muitas vidas, por repetir multas mortes: & como ella padeçço nelles tambem, Melles em fi fomente : por iflbellcs morrem fem penna; por iíTo ella chora fem coniolaçam .. Morrcr por quem devomorrer; conio os filhos de Rachel por ... é ' Chrlfto UVA. BHSC. SC 12474_11 Chrifto, he rriòrrer cOnä alegría;'verjjadçcer a quem amc\ comò Rachel a (cus filhos, he pàdccer fern arivio : Et mluit Eque iem charîclatfe ae^ KacÎiél com oamoirdcMariaVpi^t’acoinnorco filhos leusÿ^ Comoa* pbde aliviar noifa compaxanii fe nafce dc noflb fentimento: & 'pellomcimo caiójqiièiiós véanòs fentidos, eftà ella det confolada. 'ï'ambcm rîâm’aliyi:a a dôr da Senhora a rcz^m da f¿ gundä rezam ^ que por parte do alivio Te dava. íér Deos cauzá da foledade da May, em quanto quis a morte do Fi lho, (Se oobrigoü a miorrer. Antes por efta mcfma rczaohc Ö íentiméntó mayor. Nao he fó grandeza de penna, he ex* ceíTo de aiHiÇam. Falla Jeruzalem afïîigida por feuí inimi' gos, & falla defta maneira : Ovosomnes qui tranßtis fcr mAmyiittenditevideteß eB dolorßcut dolor^meus, Thre. I. O vos todos os que paílais, & vedes minha afflicçaô abti os olhös,& confiderai fe ha outra no mundo toda, que fe iguale com ella. Eu com tudo nana reparo tanto na dor, co mo na cauza: ^ i a yindimearit me Vominuf, Ajuntou logo, porque Deos meentrcgou ñas máos dc meus ínerfli* go% & me afflige por elles. Pois queixcfíe leruzale dcllcs^ & nao de Dcos : dos inimigos que a aíHigem , &nam di Dcos queo permittio. (^e rezam tem Jeruzalctn pera fundar o motivo da dor na permiflam de Dcos, & nam na tiranía de íeus contrarios \ Dcunoía a interlineal muito a tempo : dehuif de fendere, Pprque Deos he o que tnc devia defender,^ que permitta minha afflicçaô, de queoJj cu devia efpcraf meù alívío 5 que me vefa éü affligir,* por quem me avia defender:'por ífro minha dor nao he fódor grande; he dor mayor; nam he s6 maior, he exceífiva: Sitj dolor ßcut dolor meus. Aquella pergunta, he afirmaçaorpcf guatar fea ha: S$e¡í^ foydiierquc a nam avia; fecftemea granie UVA. BHSC. SC 12474_11 grandetrabalho, qucpadcgo^ dis leruzalcm, me viera so pillos homens, fora dor; por me vlr tambcm de Dcqs, he excéíTo, Q^e dps^ hómens^iimí eu femprc a rVína. Dc^Djos etperaya o cmpáré. ‘ ÉÍque me Veja a"^ígíc|a >^orqí?fa irhe deVcra VcFcónfoTada. O que ifto nam dímidue a dor: agcava o fcntimenfó, AíTi fequeixava Icrufalem,cm aó coraijam, Se ósolhos. 'E fequercmóTaber cbm mayor certeza, como a Senhór!a íente em fuá folcdade, fa(jamos da eloquencia muda de fetis olhos, fiel interprete de feu 90rá^am. Só^igó, qde taii^bem fe ^j5d^'Contar, «ntrc as rezóes de fcntimehtó, a que^itA)‘jíríficípió cónt^^^^^ a derconfolá9am:\^ii’ Nètti medigam, queótempodadefconfola^amferá breve, nanjpaíTará de tres días^ Sc eíles cílreitos: que o mef mo Senhóf,que quis adefc5fola<¿am, cncurtara O: tempo. 5 tres dias que cóu^áhe f Tres diasa quem hath ama', ñam he nada: mas tres días deauzencia de feu filho, pera quem Ò ama tanto como a Senhora,he muito; pera Ihe tirara vi da baftavam menos, fe o meímo filho Ihc nao acudirá ain da que invifivelmentc. Enférmou t-azaro mortalmente : tinha o enfermo ¿uis irmarís; tàartha, & María, as quais efcreverao aChriftcj!, 3cderaólhc conta dà enfermidade. Reccbeó Chrifto a Carta, & deteveffe ainda dous dias, depois de a rebeber : pí|í^ * fados elléis partió gera Bethaniaj chegou, & achou a Lazaramorto; fcflhc ciitap Martha í'ftaqucixa : DomineJ¡fuiffes hk fraíer metís non fuiffet rnortms,^ h Sc ^hor qii« ’fc vóseftivereis prezcnte, tiveca cu vivo meu irmáo. A mefr tna queixa repetio .^ari^a UVA. BHSC. SC 12474_11 i8 de Ctìrifto : C^ariaergoviJcnseumcéciJifddpeJis rjus^ ^ dici er. Vomim fifttijjes hic n^n ejfet mortms fràt&t tneus, Joan, i i. Maria vendo a Chrifto lan^oucelhc aos fès, ócqueixoufedeftc modo: Sifuifies h$Cy drc, Nunci mcuirmam morrera, fe vói vos nam auzenrareisj mas por« que elle ficou fcm vòs • por iÌÌo cu cilou fcm elle. Ora cftas irmans verdadeiraaiente parcife nam acertam a fe quei« xar, queixaóie de huma coufa , ¿c cLcverao queixarfe de ou* tra, queixaóie da auzencla d : C h riilo &' deveráofe quei* xar, da tyrania do mal O mal be o que tirou a vida a Laza ro. Pois corno fe náo queixio do mal, fenam da auzcnciaì O d^ixaias quelxarcomo fabem, que ellas fabem covcoit queixaó. Entre Chriffc^ & Labaro avia multaeftrcita,ami* aade, & vcrdadèiro athòr, Oiciffo era affei^oado a luazaf IO: Diligebat lESVS Laz^arum^ & Lazaro era amigo de Chrifto, LazdTHS Amicus no/ler : & quem ama tanto corno Lazaro, nam mprre tanto do mai da enfermidade, corno domaldaauzcncia. Por iiTo as irmans (e queixavàada au< zcncia, & nam cu Iparaó o mal Porque Lazaro com o mal cn fermava: Erxt quidam lingue ns Laz^arus . Mas da auzencia morreo: St fuijfes hìcnon fuijfet mortims, Eqnantos dias foram neccfìarros de auzericia pera zaro niorrer: quantos dias forao ncceflarips ? aind,a nam fcchei dctodoopcnfamento. Depois de Chnfto ter a ,no va da enfermidade de Lazaro , dis o Texto fagrado; dcixoufe eftar aínda dous dias , nam partió pera Bethariia. Depois delles fesentaó fabcdores a fcus Diiclpulos de co mo Lazaro era morto : ergo auJirif ^ qtffa infirmati^ fur - tunc quidemmanfttin eodemtoco duobus ¿ieht^s^ ¿•Cf Tunc dixiteis manifeifeLaz^arusmorfuus De mancira, que pera Lazaro morrer: baftou deter fe Chrifto dous dias: imbm Pcraqucm aoJava tanfo x ChriA? UVA. BHSC. SC 12474_11 Chrifto como Lazaro, dous días dc auzencia foy nuiito tempo. Morreo antes do terCeiro que nam pode aturara vida tanto, moftrando niño qae nam no o rri a tanto da cnfcrmidadc, quantoo matava a auzencia, A morte que a cnferroidade tras, he mais vagarofa, a que da auzcflcia mais apreOada. A enfcrmidade por graVe , que Teja nam mata commumente antes do íeptimodía, & muirás Vczes cfpcra pera matar pellos catoríe, & ainda pellos vintc 6c hum: namaíTi a auzencia, fe tem por fio amor, fe vos nam mata DO primeiro, nam paífais do fegundo com vida. Dous dias fe detcve Chrifto depois de Ihe darcm a nova como La zaro cftava enfermo, Si quandó foy ao terceiro ja Lazaro cramorto. Como o amor era grande, nao foy neccílario pera matar fer a auzencia comprida, & fe dous dias de au zencia de Chrifto puderáo tanto com Lazaro, que Ihetiraráoavida; tres dias de efperar a Setihora por feu Filho Como fe pódem dizer pouco tempo. Morrera fem duvida aSenhora as mSosdc tam for<jofa auzencia fe Dcos poríc apiedar de nos anam tivera, detxandonos o rmparo da May, íuppofto nos ter tirado a companhia doFilhó. Mas jaque nao he bañante pera mitigara dor a brevidade do tempo : vejamos oque disa íoledadc avitima rczáo doalivio. A vltima rezáo era fuprirfe a auzencia de hum Filho com a fubftituií^áo de outros muitos. Porem ha prezcn^a?, Xjue fenam fupremcóoutras. Ama muito a Senhora aquelle Filho por quem chora, 5c cujas anzencia«? a martirizamj íc vos eu amo a vó', (ó vos fu pro com vos mefmo. Vendo a Madalena q nam achava o corpode Chrif to na fepultura pofle a chorar porque o nam achava: lier quid ploras. Molher porque choras Ihe perguntarao cMaoos dous Anjos que Chrifto ali tinha d. ixado. A efta P^rguata accudio a Madakiia com cfta repoda: tukrunt UVA. BHSC. SC 12474_11 ao, Urunt Dominum meum^ m f :io yhi fofucrtint sum, | oan,. 20. Choro porque me leváo daqiii a rneu Scnhor, & nao fei aonde eftáj nem aondo o acharel Iftj fby o que os doiis Anjosperguntaráo, & oqueMiria rcfpondco. O que cii^ ainda pergunto he 5 5c pois hum corpo nam fe íupre bcni" com dous Anjos: a falta de hum corpo mocto, comaprczcn^a de dous Anjos refuccitados.^ Que aífim appareccrao aquelles .Anjos, fenam na verdade danatureza, ao merios^ ñas apparencias do habito; notou aquia intcrlinial. Pois porque fe náodáa Madalcna por fatisfeita com as aíTiftcncias de dous Anjos que tem prezentes y pofto Ihc falte a do fiorpo deChriflo aquem bufca, .& que imagina fer leva do: tukrunp Dominu^m mcuip. Porq ha prezéí^as, que fe nam fuprem com outras: fe fe hao de fuprir, fo conifigo mcfmas fe fupre: & fe íe hao de fatisfazer, fó comfigo mcfmas fe fatisfazem. Amava intenfamcntc a Madalena aquelic M :ftre, & Senhor fe^ j pois como o avia de fuprir coni Qutrem que naofoíTs; elle mefmo. F.lle morto nao fe fupré com Anjos vivos. Suprirlhc a Madalena a elle fuá prezcn- , ^a, fora deíacrcditar em fifeuamor, que fe eu vos amo a vos, fó vos fupro com vos mcímo. E como o amor da Ma dalena era tam verdadeiro, 5c o da Senhora he tam fina Por iflb a Madalcna nao fuprio as auzencias de feu Meí^rc com os Anjos; nem fupre a Senhora as de feu Fjlho com todos nos; ceflando por efta caufa, o motivo do alivio,poc que falta a rezam do (Suplemento, Pois Senho;a fuppofto nao ha rczSes no alivio, bufcai o alivio emvo^ mcfma. Toda arezim da defconfóla- ^am/c funda na auzcncU do Filho; bufcayo em vos, que em vos o acharéis; fe. os olhos de fora o nao achJo, bufcayo por dentro, bufcayo no corado, 5c aclialoeis; qüe ahi cfta, 5c aírit^Uyiai^vas^j^ ^pis teades^pal^vio eai v6'; UVA. BHSC. SC 12474_11 ibis May, ^ clìefìlho, vòs Mayamoroza, & elle Filho uni genito. E hurii filho vnigcnito nunca faltou de todo a fcus Paysj ainda quEdo falta de fora nos olhos, Tempre fica por dentro no coracam. De caza de feu Pay iaiu eñe vnigenilode Deos, & Filho tambem voflb vnigenito conro tlle dis defirtìefmo; Exhita Patre^ ¿ry^niin fnundum, Com tudo fallando delle S. Joam dis afíim : Vmgenitui qui ejtin ftnuPatris, O Vnigcnito que eílá no Seyo do Pay. Que eftà? fe faiu, como cflâr Saiu: Exixity & efìà. nam sò porque he immenfo,& cftâemtoda a parte, mas porque tambetìi he Vnigenito, & hum Vnigcnito de feu Pay, affi iaie que tambem fica; faedecaza, mas fica no coraçam. C6 cftc Vnigcnito de Deos nafCer do cntendimenfo : nam dis Sam foao que eflà fenam no Seyo: ^ i (Jt in Sinu, que quando hum filho fe bu ica em feu Pay, eftc hc o lugar aon dc fe acha ; no coraçam, & no feyo; em voflbs olhos faltará; mas devoflb coraçao nunca falu: & ie nam iaiu de VoÎfo fcyo Virgem May, Com o alivio do feyo, alivia! anfias das faùdades j & fe tambem os olhos eflâo faùdozos j as confidcra^es dcfte retrato, mataram as faùdades do retratado. Suprâo as prezenças da femeihança as auzcncias do exemplar. Bem fei nao ha de enxugar lagrimas ; antes multiplicalas 5 mas fenam enxugar olhos, aliviará fentimentosj que cm cazos femelhantes fô o chorar, he alivio, &c. Finis L m Veo Virgmi^ M atti ¿ UVA. BHSC. SC 12474_11 . U»% / V. ' ' .. » * ^ k iff'' * ^ - ■■^■•- ( ■ ' ■ • V-' * : c ^ .j'^ '^ rr h 5i.i isi/íír * o » o.7Í-.V§r^'^ /“fr"/» <¿-1 r>. -,-: ; : -'^-r"'-'¿■'/■-.'■ ^ .^yL'oxym^cmri’A ^ ì . írM: UVA. BHSC. SC 12474_11