Mistura cultural. Un viaje por la cultura musical de la Isla de Florianópolis. Brasil
Abstract
O objetivo geral deste TCC é o gravar um documentário no que se da conhecer e mostrar a música que se toca na Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, e gerar um diálogo com as bandas que tocam dita música para conhecer suas inquietudes e o por que de sua música.
Full text
UNIVERSIDAD POLITECNICA DE VALENCIA ESCUELA POLITECNICA SUPERIOR DE GANDIA LI C E N C I A D O E N CO M U N I C A C I Ó N AU D I O V I S U A L “Mistura cultural. Uma viagem através da cultura musical da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil.” TRABAJO FINAL DE CARRERA Autor/es: Jenifer de la Rosa Martín Director/es: D. Henrique Finco Dñ. Beatriz Zorzosa GANDIA, 2012
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO DEPARTAMENTO DE ARTES E LIBRAS MISTURA CULTURAL Uma viagem através da cultura musical da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. Florianópolis, 2012
JENIFER DE LA ROSA MARTÍN MISTURA CULTURAL Uma viagem através da cultura musical da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina Técnicas de Projetos do Curso de Cinema, da UFSC, sob orientação do Professor Henrique Finco, como requisito para obtenção da aprovação parcial na respectiva disciplina. Florianópolis, 2012
SUMÁRIO
Sumário 1. APRESENTAÇÃO.....................................................................................................6 2. JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 8 3. OBJETIVOS............................................................................................................10 3.1. Objetivo geral...................................................................................................10 3.2. Objetivos específicos.......................................................................................10 4. METODOLOGIA......................................................................................................11 4.1. Estudo do contexto.......................................................................................... 11 4.2. Pré-produção................................................................................................... 11 4.2.1.Idéia.............................................................................................................11 4.2.2.Objetivo....................................................................................................... 11 4.2.3.Argumento ..................................................................................................12 4.2.3.1.Gravação de recursos (exteriores). ...................................................12 4.2.3.2.Gravação de bandas ao vivo. ............................................................12 4.2.3.3.Gravação de entrevistas/conversas. .................................................12 4.2.4.Roteiro.........................................................................................................12 4.2.5.Investigação................................................................................................13 4.2.6.Trabalho de campo em pré-produção. .......................................................13 4.3. A produção ......................................................................................................13 4.3.1. Gravação...................................................................................................13 4.4. Pós-produção...................................................................................................14 4.4.1. Etapas ..................................................................................................14 4.4.2. Elementos da pós-produção......................................................................15 5. REVISÃO DE BIBLIOGRAFIA E FILMOGRAFIA.................................................16 5.1. A cultura........................................................................................................... 16 5.1.1. A cultura no mundo contemporâneo .........................................................17 5.1.2. Imagem e meios de comunicação.............................................................17 5.2. O documentário ............................................................................................... 19 5.2.1.Informação e narração................................................................................20 5.2.2.Memória e narração ...................................................................................21 5.2.3. O documentalista como observador..........................................................21 4
5.2.4. O documentário e seus gêneros................................................................21 5.3. Pontos de referência para este documentário. Visão pessoal........................24 5.3.1. Agnès Varda ..............................................................................................25 5.3.1.1.Sobre ela............................................................................................ 25 5.3.1.2. O trabalho de Varda.......................................................................... 25 5.4.2. Fatih Akin....................................................................................................26 5.4.2.1. Sobre ele .......................................................................................... 26 5.4.2.2. O trabalho de Akin “Crossing the bridge – The sound of Istambul”..27 5.4. O ecossistema do cineasta...............................................................................27 6. CRONOGRAMA DE TRABALHO..........................................................................30 7. ORÇAMENTO.........................................................................................................31 8. REFERÊNCIAS.......................................................................................................32 5
1. APRESENTAÇÃO Vivemos num mundo globalizado, no que a população cada vez viaja com maior frequência, é nesses movimentos, dentro e fora do próprio país de origem, nos que surgem novas formas de expressão, bem como outras já existentes se difundem ao longo de todo mundo. As redes sociais (social média network) que têm como canal Internet, converteu-se em meios em massa. Caberia assinalar com especial afinco Facebook e Twitter, já que provocaram a difusão dos acontecimentos culturais com uma maior amplitude e espectro. Além dos tradicionais letreiros nas paredes da cidade e a publicidade do local em diferentes meios de comunicação e no próprio lugar. Encontro no cinema documentário esse meio no que poder transmitir como em na Ilha de Santa Catarina, parte do município de Florianópolis, cidade médiopequena de Brasil, se produzido a criação, variação e introdução de diversos gêneros musicais. Alguns próprios, outros que foram gerados pelas interações com outras regiões do país e de outros países, bem como a importação de outros gêneros que triunfaram na ilha e lhe deram fama internacional. Com a inestimável ajuda do professor Henrique Finco, meu orientador, tentarei refletir como eu, como jornalista e comunicadora audiovisual estrangeira, que veio estudar cinema a Florianópolis serei o fio condutor deste documentário, pelo fato de ir descobrindo a cultura musical da ilha. Expor como um estrangeiro se submerge dentro de um meio cultural novo, como vai descobrindo a música de um novo país e ao mesmo tempo pesquisando sobre a origem destes. Por que a música? Se há algo que se conhece fora de Brasil do próprio país, é sua música e seu baile. Depois de ter estado viajando por países europeus e de oriente próximo, descobrir uma cultura totalmente diferente é o nexo de união. Acercar-me aos músicos e que contem suas motivações, o porquê de tocar essa música e não outra, é outra parte que me agradaria tratar no documentário, pelo que além das gravações ao vivo de grupos saberíamos de onde procede esse som, bem como sua própria história. 6
Estará marcado pelos acontecimentos que vão ocorrendo, e por isso explicava ao princípio a importância das redes sociais neste momento da história. A forma mediante a qual me irei informando das atuações será pelos letreiros, locais para eventos, Facebook, Twitter e conhecidos. 7
2. JUSTIFICATIVA O primeiro bloco do presente estudo está dedicado a contextualizar de forma teórica as ferramentas da comunicação e em especial de um meio como o cinema, para que desta forma se possa sustentar o segundo bloco, a parte empírica. Dito de outra forma, para que possamos chegar a abordar a rodagem do documentário é necessário que antes tenhamos claro que compreendemos como cultura contemporânea, imagem, meios de comunicação, o cinema e o cinema de não ficção. Bem como a diferença entre os termos e daí relação podem chegar a ter entre eles. Para chegar a esse ponto é importante afundar em cada um dos conceitos mencionados e o que supõem na sociedade de massas, para poder compreender como dentro de sua imensa magnitude existem utensílios específicos que nos permitam realizar uma narração coerente na parte prática. A segunda parte deste projeto está dedicado à realização de um documentário sobre a música que se toca hoje em dia na Ilha de Santa Catarina. Trata-se da descoberta das correntes musicais próprias da ilha e das forasteiras. A razão pela que propusemos dita busca em forma de TCC é pela magnitude do estudo e posterior rodagem. Pela investigação que se realizará na parte teórica e a posta em prática do segundo bloco. Por outra parte, quanto à utilização de fontes, fizemos uso das fontes secundárias, compreendidas por aqueles documentos originais ou obtidos de primeira mão e submetidos à observação direta. Nas disciplinas acadêmicas, as publicações periódicas especializadas, os livros de autores ou editores experientes, ou as memórias de investigação; em âmbitos não acadêmico, como a televisão ou a imprensa, constam das publicações e emissões originais para a investigação. 8
4.4.2. Elementos da pós-produção - Efeitos visuais: só se realizassem em caso de existir aberrações, para o que recorreríamos a efeitos como posterizar, gamas de cor, filtros e texturizados. - Efeitos de som: no caso de ter que se realizar, vai equalizar. - Locuções: as locuções em off se gravarão em estudo de gravação para que a qualidade do som seja ótima. O ideal seria tê-las gravadas antes de começar a editar. - Musicalização: ao mesmo tempo que realizamos a edição da imagem, coordenaremos as entradas e saídas da imagem de acordo ao som. Também de vital importância neste projeto. - Gráfica: utilizam-se para pôr para apresentações das bandas e entrevistados, bem como ao pessoal que interveio na produção. 15
5. REVISÃO DE BIBLIOGRAFIA E FILMOGRAFIA 5.1. A cultura Para começar esta seção e para poder emoldurar um termo tão extenso como “cultura” parece-nos interessante fazer uma referência à definição que a Real Academia da Língua Espanhola (RAE) realiza de dito termo, por sua amplitude e ao mesmo tempo precisão: “(Do lat. Cultūra). 1. f. Cultivo. 2. f. Conjunto de conhecimentos que permite a alguém desenvolver seu juízo crítico. 3. f. Conjunto de modos de vida e costumes, conhecimentos e grau de desenvolvimento artístico, cientista, industrial, numa época, grupo social, etc. 4. f. ant. Culto religioso. ~ física. 1. f. Conjunto de conhecimentos sobre ginástica e esportes, e prática deles, encaminhados ao pleno desenvolvimento das faculdades corporais. ~ popular. 1. f. Conjunto das manifestações em que se expressa a vida tradicional de um povo1”. As acepções sobre as que vamos afundar nas próximas seções serão a segunda e terceira pondo especial finca-pé no mundo contemporâneo. 1Disponível em: http://lema.rae.es/drae/?val=cultura 16
5.1.1. A cultura no mundo contemporâneo Encontramo-nos frente a uma mudança cultural e a um re-posicionamento do valor da palavra e da imagem como transmissoras de conhecimento e informação. Este re-posicionamento se relaciona com as transformações que produziram a revolução tecnológica e a nova indústria da informação. 5.1.2. Imagem e meios de comunicação Desde McLuhan se fala muito no mundo contemporâneo a respeito do valor preponderante que adquiriu a imagem sobre a palavra. Diz-se habitualmente que a sociedade em general, e os jovens em particular, abandonaram o hábito da leitura. Diz-se que, antes que o livro e a palavra, prefere-se a imagem, difundida sobretudo através dos meios em massa, especialmente cinema, televisão e Internet. Estas afirmações nos colocam ante a certeza de que estamos frente a uma mudança cultural e a um re-posicionamento do valor da palavra e da imagem como transmissoras de conhecimento e informação. Este re-posicionamento se relaciona com as transformações produzidas pela revolução tecnológica e a nova indústria da informação. O valor que adquiriram as imagens como fonte de conhecimento e informação no mundo contemporâneo. A experiência contemporânea trouxe também uma mudança na representação do tempo por vir. A temporalidade se compactou e espessado num presente vasto e interminável, voltou-se espacialidade. Este predomínio do espacial sobre o temporário, do instantâneo sobre o gradual, trouxe, sem dúvida alguma, novas valorações tanto para a palavra como para a imagem, que se escorre pelos meios de comunicação e que se resolve em infinitas possibilidades visuais, sonoras e gestuais. E à imagem se adere, intimamente, o estético, o mundo contemporâneo sofreu um processo de progressiva estetização, é o telefonema “estetização da vida cotidiana”2. 2BREA, José Luis, La estetización difusa de las sociedades actuales y la muerte tecnológica del arte . 1997. Disponible en: http://aleph-arts.org/pens/estetiz.html 17
Enquanto no mundo moderno só a arte era privilegiadamente estético, no mundo pós-moderno o estético extravasou os limites da arte e se derramou em tudo o cotidiano. A vida nossa de cada dia, em cada instante, em cada objeto, em toda situação, adquiriu uma dimensão estética predominante. As funções práticas e comunicativas dos objetos, fortemente dominantes em outros períodos da história, hoje não são mais relevantes do que as funções estéticas. Tanto o desenho industrial como o desenho gráfico e o multimídia recuperaram todos os critérios estéticos que uma vez pertenceram somente à arte e graças aos meios de comunicação os fizeram chegar pelos canais mediáticos a todos em todas partes. A paisagem virtual do século XX se foi povoando, cada vez mais, de infinitas imagens visuais, sonoras e gestuais com uma vida efêmera, que circulam e se escorrem a um ritmo vertiginoso. A relevância do icônico supera a importância da oralidade e a escritura. O livro decai frente ao imbatível poder do cinema, o video e a televisão. Em decorrência do século XX múltiplos vozes se alçaram para explicar ou ajuizar o fato. A favor e na contramão começaram os alegados a respeito do novo papel do tecnológico e do icônico. Há quem, desde uma postura apocalíptica, viram em isto uma verdadeira tragédia que derruba o edifício da cultura (Adono e Horkheimer, 1971, Enfeite, 1983, Derrida,1998). Outros em mudança, mais deslumbrados pelas mudanças que se inauguraram na experiência social, graças à tecnologia (Walter, Benjamin, 1936; Martín; Carroll, 1998; Barbeiro, 1993 e 2003) consideraram que este fato marca o início de uma nova época e o início de um ciclo cultural no que a imagem e os meios se constituem em suporte do conhecimento e em modo privilegiado de sua difusão. A tendência contemporânea deixa de lado, cada vez mais, a oposição “palavra ou imagem”, “livros ou meios” para acentuar a relação de ambas “palavra e imagem”, “livros e meios”. Que as imagens se constituam em suportes de conhecimento, em todo caso, implica um novo papel para a imagem, mas não significa a irremediável obsolescência da escritura. Não se 18
trata de que a imagem suplante à palavra, de que os meios suplantem ao livro, senão de que ambos se legitimem como suportes apropriados para o conhecimento e a informação. A imagem, considerada na modernidade como mera ilustração que acompanhava à palavra, hoje é revalorizada em sua condição de texto, capaz de formar e informar, mas isto não significa que a imagem substituta à palavra, significa tão só que, além da palavra, ela se erige, legitima-se, como suporte de significados, mas a perda da hegemonia da linguagem verbal não supõe seu irremediável desaparecimento. Na seguinte seção abordaremos a questão do poder imagem e da palavra num meio de comunicação específico, o cinema, e um gênero particular, o documentário. 5.2. O documentário «A realidade está aí. Para que manipulá-la?» Roberto Rossellini. A experiência pessoal vai formando um talante, um caráter pessoal (ethos) que nutre à própria obra e que permite emoldurar a experiência estética dentro de um conceito mais amplo de experiência que se centra mais nos alcances "éticos" da mesma. “As idéias provocam idéias e ajudam à evolução de novas idéias. Interagem as unas com as outras bem como com outras forças mentais dentro do mesmo cérebro, em cérebros vizinhos e, graças às comunicações globais, também em outros cérebros longínquos e alheios. E também interagem com o meio exterior para produzir, em conjunto, um avanço explosivo na evolução que vai bem mais lá de qualquer outra coisa que tenhamos podido ver na cena evolutiva.3” 3GLEICK, James. The Information: A History, A Theory, A Flood. HarperCollins Publishers, 2011. 19
O cinema documentário indaga na realidade, propõe discursos sociais, representa histórias particulares e coletivas, constitui-se em arquivo e memória das culturas mas tem infinitas formas de fazê-lo.4 A melhor maneira de entender e apreciar as intenções dos documentalistas é aceitar o preceito do poeta romano Heráclito, “a arte deveria ser tanta prazenteiro como instrutivo”. Mas foi John Grierson5 quem definiu o conceito de película documentário tal como o conhecemos hoje em dia, referindo-se à prática de contar não uma história com atores senão lidar com aspectos do mundo real que pudessem ter elementos dramáticos e talvez importância –onde pudéssemos fazer alguma coisa sobre uma situação particular ou, ao menos, do que deveríamos estar sobre aviso, ao tanto. O modo em que Grierson definiu este tipo de película foi “o tratamento criativo da realidade”. 5.2.1.Informação e narração O nascimento de uma nova forma de comunicação chamada "informação" no século XVIII resultou, segundo Walter Benjamin, uma ameaça muito maior para a narração do que a própria novela. "A escassez em que caiu a arte de narrar se explica pelo papel decisivo jogado pela difusão da informação". A informação exige uma imediata verificabilidade. A narração recorre com freqüência aos prodígios. A informação "cada manhã nos instruem sobre as novidades da órbita. Apesar disso somos pobres em histórias memoráveis". Pois a informação exige ser nova constantemente. Vive no instante, esgota-se no instante. A narração, no entanto, não se esgota nunca. A narração não explica, simplesmente conta. Por isso seus relatos podem provocar surpresa e reflexão séculos depois de sua primeira formulação. Porque a metade da arte de narrar radica precisamente em referir uma história livre de explicações. 4Disponível em: http://www.cinedocumental.com.ar/sitio/ 5ELLIS C. Jack, McLane, Betsy. A. A New History of Documentary Film. New York: McLane Continuum, 2009. 20
5.2.2.Memória e narração Quantas menos matizações psicológicas faça o narrador, mais possibilidades tem a narração de encontrar um lugar na memória do ouvinte; mais possibilidades terá a sua vez de ser contada a outros. "Narrar histórias sempre foi a arte de seguir contando-as, e esta arte se perde se já não há capacidade de retê-las". E adiciona Benjamin: "E se perde porque já não se tece nem se enfia enquanto se lhes presta ouvido. Pois quanto mais esquecido de si mesmo está o que escuta, mais profundamente se impregnará sua memória do ouvido. E assim é como se mantém eternamente a rede que sustenta o dom de narrar. Ouvir e contar. Contar e ouvir.” 5.2.3. O documentalista como observador Apesar de refletir inevitavelmente uma mirada, o documentário tenta colocarse do lado de um observador, trata que a realidade mostrada assuma o maior peso do sentido, anulando ao máximo possível a presença do autor como articulador do discurso. Um tipo de cinema que não tenta guiar-nos para uma interpretação senão que trata de que nos proponhamos todos os problemas que pudessem derivar de sua visão. Como assim o foi para o persa Kiarostami: “a mim não me agrada sugerir algo, dar uma recomendação a minha audiência. Isso é o que hoje em dia o cinema de Hollywood faz, guiar ao público para onde eles querem. O que eu pretendo é que o público olhe a tela sem que eu lhe indique nada”. 5.2.4. O documentário e seus gêneros O gênero engloba práticas muito diferentes e toda tentativa de define-lo será por força redutor. Ao igual que a fronteira entre o cinema documentário e a reportagem, o magazine ou outros formatos jornalísticos. As questões da memória e a história são consubstanciais ao gênero, desde Nuit et Brouillard, de Alain Resnais, até Shoah, de Claude Lanzmann, passando pela obra essencial de Chris Marker ou "Les glaneurs et la glaneuse" de Agnès Varda. Cineastas contemporâneos como Michael Moore, Vik Muniz, Fatih Akin, 21
Werner Herzog, Louis Theroux, Banksy or Isaky Lacuesta completam um panorama diferente. As características que os documentários têm em comum e que são distintivas de outros tipos de filme, em especial das películas de ficção, podem ser analisadas sob estes diferentes parâmetros: •Temáticas •Intenções, pontos de vista ou aproximações •Formas •Métodos de produção e técnica •O tipo de experiência que oferecem à audiência •Temáticas Seu argumento, pelo geral, os documentários tratam coisas específicas e concretas, com freqüência, estão mais centrados em assuntos públicos do que em privados. Nos documentários, as pessoas, os lugares e os fatos são atuais e habitualmente contemporâneos. •Intenções, pontos de vista ou aproximações Aquilo que os cineastas tentam dizer sobre as matérias ou temas de seus filmes. Registram materiais sociais e culturais que consideram significativos com a intenção de informar-nos sobre essas pessoas, eventos, lugares, instituições e problemas. Fazendo isto, os realizadores de documentários tentam ampliar nosso “conhecimento de”, nosso “interesse em”, e talvez nossa “simpatia por”, suas matérias (de investigação). •A forma 22
A forma surge do processo formativo, das imagens e os sons selecionados para sua inclusão e as estruturas onde estes encaixam, incluindo a idéia original do cineasta. Os documentários, tanto se estão realizados com um roteiro prévio ou se pretendem captar ações espontâneas, derivam de e estão limitados pela realidade. Os documentalistas se limitam a arrumar e extrair material de entre aquilo que já existe em vez de criar o conteúdo desde zero. Podem recrear alguma situação que tenham observado previamente, mas não criam totalmente de material gerado pela imaginação, como fazem os narradores ou criadores de histórias. Ainda que os documentalistas possam seguir uma linha cronológica e incluir pessoas em suas películas, não empregam um argumento nem um desenvolvimento de personagens como modos de organização estandarizados, como fazem os cineastas de ficção. A forma de um documentário está determinada, principalmente, pela temática, a intenção e a aproximação ao tema. •Métodos de produção e a técnica O modo em que as imagens foram tomadas (gravadas, disparadas...), o registo do som e a edição de ambas costures juntas conformam os métodos de produção e a técnica. Um requisito básico do documentário é o uso de não-atores (“gente real” que se “interpreta a se mesma”) em lugar de atores. Outro requisito básico é gravar no espaço real onde se desenvolve a ação (em lugar de fazê-lo em decorados ou estudos cinematográficos). A iluminação costuma ser a própria que existe na localização, somente apoiada ou complementada quando se faz necessário atingir uma exposição adequada, mas não pelo desejo de fazê-lo ou com ânimo de recrear uma atmosfera. 23
Por suposto, existem exceções a estas generalizações, e cada vez são mais frequentes, mas, em general, qualquer manipulação nas imagens ou o áudio está destinado a fazer possível seu registo apropriado ou para conseguir que o resultado seja o mais parecido possível ao real. •A resposta da audiência Procura-se uma experiência estética e, por outra, um efeito concreto sobre atitudes que, possivelmente, desemboquem em ações. Ainda que existe beleza nos documentários, esta tende a ser mais funcional, dispersa e austera que os tipos de beleza oferecidos nos filmes de ficção. Assim mesmo, a gravação de documentários oferece mais daquilo que poderíamos definir como profissionalidade técnica (habilidade, maestria) que como um estilo pessoal; comunicação em vez de expressão é o que o documentalista procura. Portanto, pelo geral, a audiência reage não tanto para o artista (que se mantém num segundo plano) como ao tema ou matéria do filme (e às opiniões do artista sobre este. 5.3. Pontos de referência para este documentário. Visão pessoal Ao longo de meus anos de educação fui absorvendo uma série de conhecimentos e experiências que me levaram a conhecer outras realidades e a tomar decisões importantes que afetam a este projeto. O primeiro foi decidir que não queria ser uma jornalista submetida à “agenda setting”, algo que me ocorreu em todos os meios nos que trabalhei. Daí parte uma visão mais crítica e independente do que nos levaram a entender como “realidade” as mídias e a querer afundar em outros temas, como os processos culturais. Por outra parte, depois de ver horas e horas de documentários, aceitei que a imparcialidade não existia, algo que me ensinaram em primeiro de carreira mas que não tinha chegado a aceitar do tudo. Então, partindo de que o cinema de não ficção, 24
7. ORÇAMENTO O orçamento para este projeto será financiado mediante capital próprio. Contando com a inestimável colaboração da Universidade Politécnica de Valencia (UPV) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A primeira por oferecerme a possibilidade de estar em Florianópolis e contar com uma bolsa de estudos. E à UFSC por ter-me oferecido a possibilidade de utilizar suas melhores equipes para a gravação de minha TCC. 31
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