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Solos do topo da Serra São José (Minas Gerais) e suas relações com o paleoclima no Sudeste do Brasil

Silva, Alexandre Christófaro; Vidal Torrado, Pablo; Martínez Cortizas, Antonio; García-Rodeja Gayoso, Eduardo

Abstract

A diversidade de ecossistemas do sudeste do Brasil nem sempre pode ser relacionada com fatores edáficos, geomorfológicos ou hidrológicos. Topos de elevações, onde os solos são caracterizados pela unicidade de material de origem, podem constituir ambiente especial para estudos de gênese de solos e datações de eventos cíclicos relacionados com a dinâmica do clima regional. Depois de um levantamento detalhado de solos no topo da Serra São José (Prados - Minas Gerais), dois perfis de solo (P1 e P2), originados de metarenitos da Formação Tiradentes e caracterizados por deposições sucessivas de camadas arenosas alternadas com camadas arenosas enriquecidas com matéria orgânica, foram estudados, com intuito de encontrar testemunhos de paleoambientes. O pequeno platô localiza-se a 1.350 m acima do nível de mar e 350 m acima do nível topográfico regional dominante. No P1, foram identificadas trinta e três camadas enriquecidas com matéria orgânica, alternadas com camadas de areia. Três camadas no P1 (20-30, 70-80 e 100-110 cm), com conteúdo de C orgânico respectivamente de 0.5, 7 e 1 dag kg-1, apresentam idades radiocarbônicas < 40, 180 ± 60 e 350 ± 80 anos AP, respectivamente, e taxas de deposição de 0,177 cm ano-1 entre 110 e 70 cm e de 0,357 cm ano-1 entre 70 e 20 cm de profundidade. No P2, as camadas enriquecidas com matéria orgânica são mais espessas (entre 10 e 130 mm) e apresentam descontinuidades abruptas. Situam-se entre 20-30, 80-90, 110-120 e 170-180 cm de profundidade, têm um conteúdo de C orgânico de 3, 2.5, 21 e 1.5 dag kg-1 e idade radiocarbônica de 3580 ± 80, 3750 ± 80, 21210 ± 180 e 24060 ± 130 anos AP, respectivamente. Suas taxas de deposição são de 0,352 cm ano-1, entre 20 e 80 cm; de 0,002 cm ano-1, entre 80 e 110 cm, e de 0,021 cm ano-1, entre 110 e 170 cm de profundidade. Nos dois perfis, a relação C/N aumenta com a profundidade e com a idade das camadas. Os teores de Ti e Zr, elementos de baixa mobilidade, são mais elevados nas camadas mais antigas dos perfis, enquanto o Cu e o Pb concentram-se nas camadas mais ricas em matéria orgânica. Um fragmento de planta de 5 cm de diâmetro e 62 cm de comprimento, situado na base de P2, foi datado de 32220 ± 290 anos AP e relacionado com o início da gênese deste perfil. Os solos do topo da Serra São José são formados a partir de metarenitos da Formação Tiradentes, sem aporte de materiais de outra litologia. A água pluvial é o principal fator que adiciona energia a este ambiente, relacionando os atributos dos solos com o clima. P1 é um solo holocênico (Neossolo Flúvico Psamítico típico), formado a partir de deposições episódicas de areia, alternadas com material enriquecido com matéria orgânica. A formação de P2 (Paleossolo) iniciou-se no Pleistoceno, prolongou-se até o Holoceno e a morfologia de suas camadas enterradas de turfa relaciona-se com a oscilação do espelho d'água de uma lagoa, decorrente de fases mais secas e mais úmidas do clima. As idades radiocarbônicas encontradas estão relacionadas com alternâncias climáticas pleistocênicas e holocênicas em P2 e holocênicas em P1. O perfil P2 está situado em um local propício para realização de estudos palinológicos, com intuito de identificar ecótipos que ocuparam a área a partir do Pleistoceno tardio, relacionando-os com os paleoclimas.

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SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM... 455 R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM O PALEOCLIMA NO SUDESTE DO BRASIL(1) A. C. SILVA(2), P. VIDAL-TORRADO(3), A. MARTINEZ CORTIZAS(4) & E. GARCIA RODEJA(4) RESUMO A di e sidade de ecossis emas do sudes e do B asil nem semp e pode se elacionada com a o es edá icos, geomo ológicos ou hid ológicos. Topos de ele ações, onde os solos são ca ac e izados pela unicidade de ma e ial de o igem, podem cons i ui ambien e especial pa a es udos de gênese de solos e da ações de e en os cíclicos elacionados com a dinâmica do clima egional. Depois de um le an amen o de alhado de solos no opo da Se a São José (P ados - Minas Ge ais), dois pe is de solo (P1 e P2), o iginados de me a eni os da Fo mação Ti aden es e ca ac e izados po deposições sucessi as de camadas a enosas al e nadas com camadas a enosas en iquecidas com ma é ia o gânica, o am es udados, com in ui o de encon a es emunhos de paleoambien es. O pequeno pla ô localiza-se a 1.350 m acima do ní el de ma e 350 m acima do ní el opog á ico egional dominan e. No P1, o am iden i icadas in a e ês camadas en iquecidas com ma é ia o gânica, al e nadas com camadas de a eia. T ês camadas no P1 (20-30, 70-80 e 100-110 cm), com con eúdo de C o gânico espec i amen e de 0.5, 7 e 1 dag kg-1, ap esen am idades adioca bônicas < 40, 180 ± 60 e 350 ± 80 anos AP, espec i amen e, e axas de deposição de 0,177 cm ano-1 en e 110 e 70 cm e de 0,357 cm ano-1 en e 70 e 20 cm de p o undidade. No P2, as camadas en iquecidas com ma é ia o gânica são mais espessas (en e 10 e 130 mm) e ap esen am descon inuidades ab up as. Si uam-se en e 20-30, 80-90, 110-120 e 170-180 cm de p o undidade, êm um con eúdo de C o gânico de 3, 2.5, 21 e 1.5 dag kg-1 e idade adioca bônica de 3580 ± 80, 3750 ± 80, 21210 ± 180 e 24060 ± 130 anos AP, espec i amen e. Suas axas de deposição são de 0,352 cm ano-1, en e 20 e 80 cm; de 0,002 cm ano-1, en e 80 e 110 cm, e de 0,021 cm ano-1, en e 110 e 170 cm de p o undidade. Nos dois pe is, a elação C/ N aumen a com a p o undidade e com a idade das camadas. Os eo es de Ti e Z , elemen os de baixa mobilidade, são mais ele ados nas camadas mais an igas dos pe is, enquan o o Cu e o Pb concen am-se nas camadas mais icas em ma é ia o gânica. Um agmen o de plan a de 5 cm de diâme o e 62 cm de comp imen o, (1) Recebido pa a publicação em ab il de 2003 e ap o ado em ma ço de 2004. (2) P o esso da Faculdade de Ciências Ag á ias, Faculdades Fede ais In eg adas de Diaman ina – FAFEID. Caixa Pos al 38, CEP 39100-000 Diaman ina (MG). E-mail: [email p o ec ed] (3) P o esso do Depa amen o de Solos e Nu ição de Plan as, Escola Supe io de Ag icul u a “Luiz de Quei oz” – ESALQ-USP. Caixa Pos al 09, CEP 13418-900 Pi acicaba (SP). E-mail: [email p o ec ed] (4) P o esso do Depa amen o de Eda oloxia, Facul ad de Bioloxia, Uni e sidad de San iago de Compos ela. CP 15706, San iago de Compos ela, Espanha. E-mail: [email p o ec ed] SEÇÃO V - GÊNESE, MORFOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DO SOLO 456 A.C. SILVA e al. R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 si uado na base de P2, oi da ado de 32220 ± 290 anos AP e elacionado com o início da gênese des e pe il. Os solos do opo da Se a São José são o mados a pa i de me a eni os da Fo mação Ti aden es, sem apo e de ma e iais de ou a li ologia. A água plu ial é o p incipal a o que adiciona ene gia a es e ambien e, elacionando os a ibu os dos solos com o clima. P1 é um solo holocênico (Neossolo Flú ico Psamí ico ípico), o mado a pa i de deposições episódicas de a eia, al e nadas com ma e ial en iquecido com ma é ia o gânica. A o mação de P2 (Paleossolo) iniciou-se no Pleis oceno, p olongou-se a é o Holoceno e a mo ologia de suas camadas en e adas de u a elaciona-se com a oscilação do espelho d’água de uma lagoa, deco en e de ases mais secas e mais úmidas do clima. As idades adioca bônicas encon adas es ão elacionadas com al e nâncias climá icas pleis ocênicas e holocênicas em P2 e holocênicas em P1. O pe il P2 es á si uado em um local p opício pa a ealização de es udos palinológicos, com in ui o de iden i ica ecó ipos que ocupa am a á ea a pa i do Pleis oceno a dio, elacionando-os com os paleoclimas. Te mos de indexação: paleossolos, da ações adioca bônicas, qua e ná io, ambien es upes es SUMMARY: SOILS OF THE SÃO JOSÉ HILLS (MINAS GERAIS STATE, BRAZIL) AND THEIR RELATIONSHIP WITH PALAEOCLIMATE IN SOUTHEASTERN BRAZIL The di e si y o ecosys ems in sou heas e n B azil can no always be ela ed o edaphic, geomo phologic, o hyd ologic ac o s. Moun ain summi s, whe e soils a e cha ac e ized by common pa en ma e ial, o e a special en i onmen o s udies o soil genesis and da ing o cyclic e en s ela ed o egional clima e dynamics. A e a de ailed in es iga ion o soils om he São José Hills (P ados - Minas Ge ais S a e, B azil), wo soil p o iles (P1 and P2) o igina ed om a eni e o he Ti aden es Fo ma ion we e s udied. They a e cha ac e ized by successi e deposi ions o sandy laye s al e na ed wi h laye s o sand en iched wi h o ganic ma e . The s udy si e lies 1,350 m abo e sea le el and 350 m abo e he dominan opog aphical le el o he egion. Thi y- h ee laye s wi h o ganic ma e , al e na ed wi h sand laye s, we e iden i ied in P1. Th ee laye s in P1 (20-30, 70-80, and 100-110 cm dep h) wi h an o ganic C con en o 0,5, 7, and 1 dag kg-1, espec i ely, p esen adioca bon (14C) ages < 40, 180 ± 60, and 350 ± 80 yea s BP, espec i ely, and deposi ion a es o 0.177 cm yea -1 a dep hs be ween 110 and 170 cm and o 0.357 cm yea -1 be ween 70 and 20 cm laye . In P2, he laye s en iched wi h o ganic ma e a e hicke (be ween 10 and 130 mm), wi h ab up discon inui y. They lie be ween 20-30, 80-90 110-120, and 170- 180 cm deep, ha e a C con en o 3, 2.5, 21, and 1.5 dag kg-1, and a 14C age o 3580 ± 80, 3750 ± 80, 21210 ± 180, and 24060 ± 130 yea -1 BP, espec i ely. Thei deposi ion a es a e 0.352 cm yea -1 be ween 20 and 80 cm, 0.002 cm yea -1 be ween 80 and 110 cm and 0.021 cm yea -1 a dep hs be ween 110 and 170 cm. In bo h soil p o iles, he C/N a io inc eases wi h dep h and age. The amoun o Ti and Z , elemen s o low mobili y, a e highe in he oldes p o ile laye s, while Cu and Pb a e mo e concen a ed in he laye s highe in o ganic ma e . A plan agmen (diame e 5 cm, 62 cm long) ound a he bo om o P2 da ed back o 32220 ± 290 yea s BP, and is associa ed wi h he beginning o his p o ile o ma ion. The soils a he summi o São José Hills had i s o igin in he Ti aden es Fo ma ion wi hou con ibu ion o o he geologic ma e ial. Rain wa e is he main ac o ha adds ene gy o his en i onmen al ene gy. The e o e, soil o ma ion is ela ed o clima e a ibu es. P1 is a holocenic (Flu ic En isol) soil, o med by episodic deposi ions o sand, al e na ed wi h sand en iched wi h o ganic ma e . The o ma ion o P2 (Paleosol) began in he Pleis ocene and las ed un il he Holocene. The mo phology o i s bu ied pea laye s is ela ed o oscilla ions o he wa e su ace o a lake, e lec ing d ie and mo e humid clima e phases. The assessed adioca bonic ages a e ela ed o Pleis ocene and Holocene clima e al e na ions in P2 and holocenic in P1. P o ile P2 is an appealing si e o palynological s udies, whe e eco ypes ha we e p esen in he a ea beginning in he la e Pleis ocene can be iden i ied and ela ed o he palaeoclima es. Index e ms: Palaeossols, 14C da ing, Qua e na y, High al i ude en i onmen . SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM... 457 R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 INTRODUÇÃO A egião Sudes e do B asil sin e iza os g andes ecossis emas b asilei os: Flo es as Omb ó ilas e Es acionais nos planal os ao les e e cen o-sul ; Ce ado ao cen o e oes e; Caa inga ao no e; Flo es as de A aucá ia e mis as nas ele ações ao sul e cen o-sul (Radamb asil, 1983; Veloso e al., 1991). No opo das ele ações qua zí icas de Minas Ge ais, oco em os campos upes es, peculia es pela ampla a iedade de espécies de O chidaceae, B omeliaceae, Xy idaceae e Velloziaceae (Al es, 1991). Es a di e sidade ca ac e iza di e en es condições climá icas (Behling, 1995), edá icas e hid ológicas (Resende e al., 1997). Nes e ambien e di e so, é comum a oco ência de zonas de ensão ecológica (Radamb asil, 1983), ou seja, egiões onde di e en es ecossis emas oco em lado a lado, o mando um e dadei o mosaico, o que e ela mudanças paleoclimá icas (Desja dins e al., 1996), já que a di e enciação dos ecossis emas nem semp e pode se elacionada com a o es edá icos, geomo ológicos e hid ológicos (Ca nei o Filho, 1993). Te aços lu iais da ados po adioca bono (Tu cq e al., 1987) e idenciam lu uações paleoclimá icas no sudes e b asilei o: em Gou eia (18 º 35 ’ S e 43 º 50 ’ W) e C is alina (16 º 45 ’ S e 47 º 40 ’ W), depósi os pelí icos icos em ma é ia o gânica da ados en e 32.000 e 21.000 anos AP mos am um paleoclima mais úmido; depósi os lu iais em São Simão (21 º 25 ’ S e 47 º 35 ’ W) e o ma e ial sedimen a de um ho izon e ico em ma é ia o gânica a 150 cm de p o undidade em um paleossolo de Poços de Caldas (21 º 50 ’ S e 46 º 36 ’ W), da ados en e 17.000 e 13.000 anos AP, o am elacionados com uma ase climá ica mais seca. Suguio e al. (1993), es udando ases de e osão e sedimen ação nos depósi os do io Tamanduá em São Simão (21 º 25 ’ S e 47 º 35 ’ W), obse a am clima úmido en e 32.000 e 21.000 anos AP, mais seco en e 17.000 e 11.000 anos AP e á ios episódios mais secos após 7.500 anos AP. Pa izzi e al. (1998) ela a am climas mais secos no início do Holoceno em Lagoa San a (19 º 25 ’ S e 44 º W). As médias la i udes b asilei as ap esen am pân anos e e edas com camadas en iquecidas com ma é ia o gânica da adas po 14C, que p ese am es emunhos palinológicos elacionados com paleoclimas. Análises palinológicas ealizadas po Ba be i e al. (2000) em um pla ô em Águas Emendadas (15 º 34 ’ S e 47 º 35 ’ W) e idenciam um clima mais úmido e io en e 24.000 e 21.450 anos AP, clima mais seco e sazonal en e 21.000 e 7.220 anos AP, que esul ou na dese i icação do pla ô, e climas simila es ao a ual após 5.600 anos AP. Em Se a Neg a (22 º 43 ’ S e 44 º 24 ’ W), o am encon adas e idências palinológicas de um clima mui o mais io e úmido que o a ual en e 30.000 e 20.000 anos AP, in e calado com ases secas (Oli ei a, 1992). Behling (1995) es udou pólens cole ados no Lago do Pi es (17 º 57 ’ S e 42 º 13 ’ W), ob endo e idências de clima mais seco en e 9.700 e 8.810 anos, en e 7.500 e 5.530 anos AP e en e 2.780 e 970 anos AP. Em Sali e de Minas (19 º S e 46 º 46 ’ W), es udos palinológicos ealizados po Led u (1993; 1996) elacionam climas mais úmidos en e 40.000 e 27.000 anos AP, clima mais seco en e 17.000 e 14.000 anos AP, clima seco en e 11.000 e 10.000 anos AP e en e 8.500 e 5.000 anos AP; ase ia e úmida em o no de 12.000 anos AP e en e 8.500 e 5.000 anos AP. Em Sali e de Minas (19 º S e 46 º 46 ’ W), es udos ealizados po Pessenda e al. (1996), usando isó opos de ca bono (13C e 14C), mos a am ases climá icas mui o secas en e 11.000 e 10.000 anos AP e en e 6.000 e 4.500 anos AP; ases secas en e 7.500 e 6.000 anos AP; en e 4.200 e 3.500 anos AP, en e 2.700 e 2.000 anos AP; en e 1.500 e 1.200 anos AP e en e 700 e 400 anos AP. Gou eia (2001) iden i icou, po meio de da ações adioca bônicas, isó opos de ca bono e análise an acológica, p edominância de clima mais seco en e 10.800 e 5.000-4.000 anos AP em á ias localidades do es ado de São Paulo. As en a i as de econs i uição da seqüência climá ica do Pleis oceno a dio e do Holoceno na egião Sudes e o am, em sua maio ia, ealizadas em dep essões, ambien es p e e enciais pa a deposição de ma e iais o gânicos de di e en es idades (Led u, 1993, Led u e al., 1996; Behling, 1995; Pessenda e al., 1996; Ba be i e al., 2000; Gou eia, 2001). Em alguns opos das se as qua zí icas de Minas Ge ais, a opog a ia e a li ologia a o ecem a o mação de solos, onde camadas a enosas se al e nam em p o undidade com camadas en iquecidas com ma é ia o gânica. Es es sis emas simpli icados, sem apo e de ma e iais de ou a li ologia, cons i uem ambien e especial pa a es udos de gênese de solos e pa a da ação absolu a de e en os cíclicos elacionados com a dinâmica do clima egional. Nes e a igo, es ão ela adas as idades adioca bônicas de dois pe is de solos do opo da Se a São José, P ados (MG). Os es udos ealizados nes e local obje i am con ibui pa a o en endimen o de sua gênese, elacionando-a com paleoclimas, com is as em con ibui pa a a discussão sob e a dinâmica do clima no sudes e b asilei o no Pleis oceno a dio e no Holoceno. MATERIAL E MÉTODOS Localização A á ea conside ada localiza-se no opo da Se a São José, município de P ados (Minas Ge ais), com coo denadas 21 º 03 ’ 57,5 ’’ S e 44 º 06 ’ 53,8 ’’ WGR (Figu a 1). Co esponde a um pequeno pla ô 458 A.C. SILVA e al. R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 aplainado de ce ca de 2 ha, si uado a 1.350 m de al i ude, 300 m acima do ní el opog á ico egional dominan e. Es e pla ô es á delimi ado ao sul e ao no e po a lo amen os de me a eni o e a oes e e sudes e po up u a de decli e. Clima e ege ação O clima da egião enquad a-se no ipo Cwb, segundo a classi icação de Köppen, ou seja, sub opical mode ado úmido, ambém chamado opical de al i ude (Ca alho e al., 1994), com empe a u a média dos meses mais quen e e mais io, espec i amen e, de 22 e de 15 °C. Ap esen a duas es ações bem de inidas ( e ão quen e e úmido e in e no io e seco), com a p ecipi ação média anual em o no de 1.500 mm. Os egimes, híd ico e é mico ge al, dos solos da egião são, espec i amen e, údico e iso é mico (Resende e al., 1988). Toda ia, o local des es es udos si ua-se em uma á ea bem mais ele ada que o es an e da egião, ap esen ando p o a elmen e empe a u as mais baixas no in e no e p ecipi ação anual mais ele ada. Como os solos mui o a enosos ap esen am d enagem li e, p esume-se que seu egime híd ico seja ús ico. Os solos com d enagem de impe ei a a má são áquicos. A ege ação na u al é bas an e di e si icada (Radamb asil, 1983; Ca alho e al., 1994), ap esen ando á ios ecó ipos em um aio de 1 km. Ao sul do local dos es udos, no alus da esca pa, a Flo es a Es acional Semidecidual é a ege ação dominan e, mas nas p oximidades são encon adas lo es as mis as, com a oco ência de A aucá ia. Ao no e e ao les e, p edominam os ce ados (Ce ado S ic o sensu, Campo ce ado e Ce adão). A pa i de 1.250 m de al i ude, no maciço me a ení ico (local dos es udos - Figu a 1), p edominam os Campos Rupes es, ca ac e izados po ap esen a ampla a iedade de espécies de O chidaceae, B omeliaceae, Xy idaceae e Velloziaceae (Al es, 1991) se desen ol endo sob e as ochas e sob e solos pouco desen ol idos. Geologia, geomo ologia e solos A egião dos es udos es á embasada po me assedimen os de baixo g au me amó ico do G upo São João Del Rei, do P o e ozóico In e io , compos o po cinco o mações. As li ologias da Fo mação Ti aden es compõem a Se a São José e são cons i uídas po me a eni os pu os com ní eis o oconglome á icos e es u u as p ese adas (como “ ipples”: ma cas de ondas), elacionadas com o limi e da á ea eme sa do paleocon inen e P é- Camb iano ao no e. Con a a as demais o mações do G upo São João Del Rei po planos de alha, (Radamb asil, 1983). Saadi (1991) iden i icou a ação da ec ônica essu gen e na dinâmica da paisagem das adjacências da á ea es udada, analisando a desc ição de um “G aben” o mado no con a o en e os me a eni os da Fo mação Ti aden es e me assil i os da Fo mação P ados, o que con ibuiu pa a o isolamen o do pla ô es udado. A egião az pa e do Planal o de And elândia, ca ac e izado po colinas com opos con exos e abula es e encos as con exizadas. Ele ações me a ení icas como a Se a São José ep esen am es u u as com e en es assimé icas, sendo a pa e ol ada pa a sudes e e sul uma esca pa e ical, mos ando os e ei os de basculamen o a que o am subme idas (Radamb asil, 1983). Os solos p edominan es na egião são os Cambissolos cascalhen os, o mados a pa i das li ologias me assedimen a es do G upo São João del Rei. Nos opos conco dan es do ní el opog á ico egional (em o no de 1.000 m), são encon ados La ossolos o mados a pa i de ma e iais e abalhados (Muggle , 1998). A gissolos oco em em encos as e es ão associados a pequenos diques de ochas básicas. Nas pa es baixas da paisagem, são encon ados Gleissolos indisc iminados e Neossolos Flú icos. No maciço me a ení ico e em seus alus, p edominam a lo amen os de ochas, Neossolos Li ólicos e Neossolos Qua za ênicos. Em Figu a 1. Localização da á ea dos es udos. MINAS GERAIS 1.425 m 1.000 m 44o 06'53,8" 21o03'57,5" PRADOS Al i ude Se a São José Local de es udos SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM... 459 R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 á eas do opo, são encon ados solos a enosos com singula al e nância de camadas en iquecidas com ma é ia o gânica em p o undidade (Sil a, 1994). T abalhos de campo O local de es udos, um pla ô ele ado da Se a São José, e e suas dimensões a aliadas e oi desc i o de alhadamen e pa a iden i icação dos caminhos p e e enciais do luxo da água, de compa imen os geomó icos dis in os, de diques de me a eni os que con olam a deposição de ma e iais e pa a ob enção de ou as in o mações de in e esse pa a os es udos. Os solos o am es udados em duas inchei as, cujas p o undidades o am con oladas pela ocha ma iz. A p imei a inchei a (P1) alcançou 1,5 m e a segunda (P2) 2,1 m de p o undidade, nas quais se ealizou a desc ição mo ológica dos solos (Lemos & San os, 1996) e o am cole adas amos as de cada seção ho izon al mo ologicamen e assemelhada pa a análises ísicas e químicas. Nos dois pe is de solo, ambém o am cole adas, de 10 em 10 cm, amos as pa a quan i icação dos eo es de C e N, pa a da ações da ma é ia o gânica po 14C e pa a análises químicas o ais. Es as úl imas o am ealizadas po meio de luo escência de aios-X. Nessas análises, oi u ilizada a ação meno que 0,053 mm de diâme o, ob ida po penei amen o. Após a iden i icação das camadas o gânicas e, ou, en iquecidas com ma é ia o gânica, en e adas, p ocedeu-se a uma in es igação es a ig á ica no campo, po meio de adagens, pa a e i ica a espessu a dos solos no pla ô, possí eis conco dâncias en e as camadas en iquecidas com ma é ia o gânica do pe il P1 e do pe il P2 e pa a de e mina a con inuidade e a ex ensão ho izon al das camadas en iquecidas com ma é ia o gânica de P2. Ca ac e izações analí icas As análises g anulomé icas e químicas de o ina (pH, ca bono o gânico, ós o o disponí el, elemen os do complexo so i o e acidez o al) o am ei as de aco do com o mé odo desc i o po Emb apa (1999), nos labo a ó ios de solos da Uni e sidade de Al enas. As de e minações de C e N o ais o am ealizadas em analisado elemen a LECO CHN 1000 (Nelson & Somme s, 1996), nos labo a ó ios do Depa amen o de Eda ologia da Uni e sidade de San iago de Compos ela (Espanha). Amos as escolhidas pelo seu eo de ma é ia o gânica e p o undidade de cole a, bem como uma aiz encon ada a 2 m de p o undidade em P2, o- am p epa adas e encaminhadas ao Labo a ó io Be a (Miami, USA) pa a da ações po 14C po espec ome ia de cin ilação líquida de baixa adia- ção de undo (Pessenda & Cama go, 1991). A concen ação de Ti, Z , Fe, Mn, Zn, Cu e Pb oi de e minada median e luo escência de aios-X, u ilizando a écnica denominada EMMA (Ene gy Dispe si e Minip obe Mul ielemen Analyse ), nos labo a ó ios de EMMA Analy ical Ins i u e (Canadá), de aco do com o mé odo p econizado po Chebu kin & Sho yk (1996). RESULTADOS E DISCUSSÃO Compa imen os geomó icos do pla ô O pla ô es udado ap esen a uma ligei a conca idade, em 265 m de comp imen o e la gu a média de 70 m. Es á bo dejado po Me a eni os da Fo mação Ti aden es e ap esen a dois compa imen- os geomó icos com 2 a 5 % de decli idade pa a les e e pa a sua pa e cen al, onde se encon am os ca- minhos p e e enciais do luxo da água (Figu a 2). Os Me a eni os o necem ma e ial po meio do in empe ismo e ao mesmo empo con olam a depo- sição de ma e iais no pla ô. A água plu ial é o p in- cipal a o que adiciona ene gia a es e sis ema. O compa imen o geomó ico mais ele ado es á ce ca de 50 cm acima do compa imen o dominan e, ap esen a cobe u a ege al de maio densidade e oco e em duas á eas, uma no início (W) e ou a no inal (ENE) do pla ô. No compa imen o geomó ico dominan e, são encon ados os caminhos p e e enciais do luxo in e no e ex e no da água. Nes es caminhos, oco em, em alguns locais, sulcos de e osão de a é 1,2 m de p o undidade, expondo os me a eni os. A bo da NNW cons i ui, pela sua maio al i ude e meno inclinação, a maio on e de sedimen os a enosos pa a o pla ô. A espessu a da cobe u a pedológica aumen a no sen ido EW, condicionada po a lo amen os e ma acões de me a eni os, que ambém con olam a dis ibuição do de lú io supe icial. A o mação di e enciada dos pe is P1 e P2 es á in imamen e elacionada com es a dinâmica. Os solos O pe il P1 O pe il P1 es á si uado na á ea de meno decli idade do compa imen o geomó ico dominan e, caminho p e e encial do de lú io supe icial, que é di ecionado po a lo amen os e ma acões de me a eni o e pelo compa imen o geomó ico mais ele ado (Figu a 2). A mon an e de P1, oco e uma a ina de 1,2 m de p o undidade, em cuja base a lo a o me a eni o. Sua o mação es a ia ligada a sucessi as deposições de ma e iais a enosos o iundos de p ocessos e osi os, iniciados, p o a elmen e, após uma chu a de g ande in ensidade (maio que 200 mm h-1), a as ando odo o solo do caminho 460 A.C. SILVA e al. R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 p e e encial do luxo de água e expondo sua base me a ení ica. Pos e io men e, episódios cíclicos de deposição lamina e iam p eenchido a dep essão, culminando na o mação do a ual Neossolo Flú ico Psamí ico ípico (Emb apa, 1999b). A gênese sedimen a des e pe il é bas an e e iden e, pois ele é o mado po 33 camadas milimé icas en iquecidas com ma é ia o gânica, al e nadas com camadas cen imé icas de a eia. Es a ina es a i icação é a ibuída a á ios episódios de sedimen ação lamina (Figu a 3). A disposição das camadas de P1 es a ia elacionada com a dinâmica do luxo de água supe icial. Nos pe íodos de maio de lú io supe icial (maio ene gia), o luxo é u bulen o e supe c í ico, p o ocando a deposição de ma e ial em o ma de ondas. À medida que a elocidade da lâmina de água diminui, o luxo o na-se lamina subc í ico, pe mi indo a deposição de sedimen os a enosos em camadas. Quando a al u a da lâmina de água diminui ainda mais, ins ala-se o luxo lamina supe c í ico, ocasionando a deposição de sedimen os inos, p incipalmen e o gânicos, acompanhando a o ma da supe ície (Cojan & Rena d, 1997; Suguio, 1980). Nos pe íodos em que as deposições diminuem, a ege ação c esce no local. Quando as deposições ol am a oco e , a ege ação é en e ada, o que pa ece de e mina a o mação de camadas de maio espessu a e mais icas em ca bono o gânico. Res os ege ais encon ados nes as camadas e idenciam seu en e amen o. A g anulome ia de odas as camadas de P1, suas baixas capacidade de oca de cá ions e soma de bases e idenciam sua gênese a pa i de me a eni os (Quad o 1). A ele ada po osidade, a d enagem excessi a e o baixo eo de a gila des e solo p o ocam uma baixa e enção de água, e, jun amen e com o clima local, e elam um a ual egime híd ico ús ico. A al e nância de camadas mais ou menos pa alelas, o a a enosas e cla as, o a escu as e icas em ma é ia o gânica, e idenciam a gênese sedimen a policíclica de P1 (Figu a 3). Figu a 2. Rep esen ação geog á ica esquemá ica do Pla ô es udado. Compa imen o geomó ico dominan e Compa imen o geomó ico 0,5 m mais ele ado que o adjacen e Me a eni os da Fo mação Ti aden es alcançando 1.430 m de al i ude Ma acões de Me a eni os da Fo mação Ti aden es E osão em sulcos de a é 1,2 m de p o undidade Di eção p e e encial do luxo de água Rup u a de decli e Decli idade Pe is de solo Lagoa Figu a 3. Aspec os mo ológicos do Neossolo Flú ico Psamí ico ípico - P1. Idade das camadas (anos AP) < 40 AP 180 +/- 60 AP 350 +/- 80 AP SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM... 461 R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 A análise química o al e ela alo es mais ele ados de Ti e Z nas duas camadas mais p o undas do pe il. Es es elemen os ap esen am baixa mobilidade (D ees & Wilding, 1973) e endem a se concen a esidualmen e com o passa do empo. Fe, Mn, Zn, Cu e Pb se concen am en e 20 e 40 cm, en e 60 e 80 cm e en e 100 e 110 cm de p o undidade (Quad o 2), es abelecendo uma co elação linea posi i a com o ca bono o gânico. Es as co elações e idenciam a capacidade de adap ação da ege ação na i a nes es ambien es de acen uada pob eza química, pois concen a em seus ecidos es es elemen os químicos, mui os deles encon ados apenas como aços no ma e ial de o igem dos solos (Radamb asil, 1983). Cu e Pb são p e e encialmen e quela izados pela ma é ia o gânica, pe manecendo no pe il de solo po longos pe íodos (Ma inez Co izas e al., 1997 e 1999). O pe il P2 O pe il P2 si ua-se em um pequeno compa imen o geomó ico mais ele ado que a ENE do pla ô, a 13 m de dis ância de uma pequena lagoa (Figu a 2). O anspo e de sedimen os é bem menos in enso do que em P1 g aças à pequena á ea de cap ação plu ial, o que di icul a a o mação de g andes olumes de de lú io supe icial. O lençol eá ico oi encon ado a ce ca de 1,05 m de p o undidade, no pe íodo mais seco do ano. Es e pe il ap esen a seções es a i icadas mais espessas, com ansição g adual en e elas, di e enciadas pelo eo de ca bono o gânico e pela co (Quad o 1 e Figu a 4). Es as seções são in e ompidas a pa i de 1,08 m de p o undidade po uma camada de u a (19,24 dag kg-1 de ca bono o gânico), que es á seguida po ou as camadas en iquecidas com ca bono o gânico (Figu a 4). A o mação da lagoa es á condicionada po a o es li ológicos e opog á icos. Os a lo amen os de me a eni o a jusan e da lagoa ba am o luxo subsupe icial da água, a o ecendo o acúmulo de água na pa e mais baixa do pla ô, uma posição de sedimen ação. A gênese do pe il P2 es á elacionada com as oscilações do espelho d’água da lagoa, que es a ia si uado a mon an e do a ual espelho d’água nos pe íodos mais úmidos e a jusan e nos pe íodos mais secos, acompanhando as oscilações do ní el eá ico. Es as oscilações o am moni o adas po meio de adagens, que de ec a am descon inuidades ho izon ais das camadas de u a si uadas abaixo de 1,08 m. Es as descon inuidades es a iam elacionadas com o desen ol imen o de ege ação hid ó ila nas bo das da lagoa, onde o solo es a ia sa u ado com água. Quando o ní el eá ico se ele a a, em ases climá icas mais úmidas, a ege ação hid ó ila se ia inundada e, pos e io men e, cobe a po sedimen os e mais ege ação hid ó ila c escia na no a bo da (Figu a 5). Es e pe il ambém cons i ui ambien e mui o a enoso e po oso, com baixa capacidade de oca de cá ions e soma de bases, deco en e da pob eza de seu ma e ial de o igem, os me a eni os (Quad o 1). A a iação dos eo es de ma é ia o gânica em p o undidade es á in imamen e elacionada com a C o g.: Ca bono o gânico; S: soma de bases; T: capacidade de oca de cá ions; V: sa u ação po bases; VTP: olume o al de po os; AG: a eia g ossa; AF: a eia ina. Pe il P o undidade pH H2O C o g. S T V VTP AG AF Sil e A gila cm dag kg-1 ________________ cmolc kg-1 ________________ %____________________________ dag kg-1 ____________________________ P1 0-10 5,5 0,35 0,72 2,22 32,2 90 01 03 06 10-20 5,5 0,23 0,61 1,91 31,9 88 03 03 06 20-41 5,3 0,52 0,82 2,92 27,9 85 01 06 08 41-60 6,0 0,06 0,51 1,61 31,5 71 89 03 02 06 60-91 4,5 2, 67 1,24 17,44 7,1 80 05 05 10 91-104 5,0 0,17 0,51 1,82 28,0 68,5 95 02 01 02 104-122 4,8 0,81 0,71 7,01 10,1 86 03 03 08 122-145 5,3 0,29 0,81 2,12 38,2 93 04 01 02 P2 0-39 4,6 2,96 1,43 15,84 9,1 90 02 03 06 39-72 5,1 0,70 0,61 3,81 16,0 69 86 06 04 04 72-108 5,9 0,17 0,51 1,61 31,8 96 01 01 02 108-120 4,1 19,24 0,92 82,13 1,1 65 72 10 08 10 120-128 5,5 0,35 0,6 2,10 28,7 87 08 02 03 128-131 4,9 1,40 0,6 9,41 6,4 93 02 01 04 131-165 5,6 0,23 0,6 2,10 28,7 97 01 01 01 165-195 5,0 1,28 0,5 8,40 6,0 91 01 04 04 195-210+ 6,3 0,12 0,5 1,40 35,8 93 05 01 01 Quad o 1. A ibu os químicos e ísicos de camadas mo ologicamen e assemelhadas dos pe is P1 e P2 462 A.C. SILVA e al. R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 oscilação do espelho d’água da lagoa (Figu a 5) e com a p o undidade do lençol eá ico, semp e p óximo à supe ície, já que P2 si ua-se na pa e mais baixa do compa imen o mais ele ado do pla ô (Figu a 2). Apesa da ele ada po osidade e do baixo eo de a gila (Quad o 1), es e solo é mal d enado, em i ude da p oximidade do lençol, e ap esen a um egime híd ico áquico. Os esul ados da análise química o al e elam alo es mais ele ados pa a Ti e Z nas camadas mais p o undas do pe il, bem como eo es des es elemen os mais ele ados em elação a P1. Como es es elemen os ap esen am baixa mobilidade (D ees & Wilding, 1973) e endem a se concen a com o passa do empo, podem-se in e i di e enças de idade en e P2 e P1. Os meno es eo es o ais de elemen os de ele ado po encial edox (Fe e Mn), que são mó eis quando eduzidos, nas camadas mais p o undas de P2 em elação às camadas mais p o undas de P1, ambém apoiam a in e ência da ase an e io . O compo amen o do Cu e Pb em P2 se assemelha ao encon ado em P1, ou seja, ais Quad o 2. Teo es de Fe, Mn, Cu, Zn e Pb e elação Ti/Z da ação meno que 0,053 mm dos pe is P1 e P2 Pe il Camada Fe Mn Cu Zn Pb Z Ti cm _________________________________________________________________________________ mg kg-1 _________________________________________________________________________________ dag kg-1 P1 0-10 0 10 11 7 0,9 126 0,20 10-20 0 14 15 5 0 96 0,18 20-30 141 22 28 14 0,9 267 0,23 30-40 175 25 28 14 2,1 227 0,22 40-50 0 20 21 10 0 147 0,21 50-60 357 20 49 39 2,1 240 0,24 60-70 705 35 254 95 6,6 167 0,23 70-80 821 37 235 93 8,5 114 0,19 80-90 0 11 55 46 1,0 115 0,21 90-100 0 13 22 6 0 157 0,21 100-110 600 30 74 55 8,6 148 0,22 110-120 163 20 23 14 3,8 191 0,22 120-130 86 19 27 11 2,6 263 0,26 130-140 510 23 78 23 6,1 276 0,27 P2 0-10 629 39 8 4 2,3 188 0,24 10-20 584 35 11 6 2,0 174 0,24 20-30 212 23 14 6 3,9 248 0,27 30-40 37 13 10 2 1,8 212 0,23 40-50 0 9 12 3 0,1 166 0,21 50-60 0 6 22 5 1,2 222 0,23 60-70 0 0 18 5 0,4 232 0,22 70-80 0 19 11 4 0,0 295 0,25 80-90 35 7 34 13 0,7 266 0,27 90-100 0 17 14 3 0 253 0,24 100-110 0 16 10 4 2,4 367 0,26 110-120 279 13 82 44 17,6 308 0,33 120-130 0 13 13 3 2,3 235 0,24 130-140 0 17 21 8 0 280 0,25 140-150 74 19 19 4 6,4 334 0,33 150-160 0 8 12 4 2,4 402 0,31 160-170 4 7 13 2 3,1 480 0,31 170-180 168 10 54 27 9,0 452 0,38 180-190 0 0 10 0 0 303 0,27 190-200 29 7 21 2 3,6 327 0,29 Figu a 4. Aspec os mo ológicos do Paleossolo - P2. Idade das camadas (anos AP) 3580 +/- 80 AP 3750 +/- 80 AP 21210 +/- 180 AP 24060 +/- 130 AP Raiz: 32220 +/- 290 AP SOLOS DO TOPO DA SERRA SÃO JOSÉ (MINAS GERAIS) E SUAS RELAÇÕES COM... 463 R. B as. Ci. Solo, 28:455-466, 2004 elemen os concen am-se nas camadas mais icas em ma é ia o gânica, mas seus eo es o ais são mais baixos (Quad o 2). As elações C/N das camadas de P2 aumen am com a p o undidade e com a idade e são mui o supe io es àquelas encon adas em P1 (Figu a 6), e idenciando maio axa de mine alização dos compos os o gânicos mais icos em N (Swi , 1996) e di e enças de idade en e P1 e P2. Não o am encon ados agmen os de ca ão nos pe is es udados. Da ações adioca bônicas O pe il P1, de gênese sedimen a e si uado no compa imen o geomó ico dominan e, ap esen a camadas en iquecidas com ma é ia o gânica com idades de 350 anos AP en e 100 e 110 cm, de 180 anos AP en e 70 e 80 cm e de menos de 40 anos AP en e 20 e 30 cm de p o undidade. Desconside ando as pe das po e osão, axas anuais de deposição em P1 se iam de 0,177 cm ano-1 en e 110 e 70 cm e de 0,357 cm ano-1 en e 70 e 20 cm (Quad o 3). Es as axas es ão elacionadas com o clima a ual (úmido), e a meno axa de deposição pode ia es a ligada à pequena idade do gelo eu opéia (Séculos XIII a XVIII), quando o clima das egiões empe adas e a em média 3o C mais io que o a ual e o clima das egiões opicais e a mais seco (Ma inez Co izas e al., 1999). A camada en iquecida com ma é ia o gânica mais espessa (60 mm), en e 60 e 70 cm de p o undidade e com 180 anos AP, es a ia elacionada com a ansição pa a o clima a ual. O pe il P2, si uado no compa imen o geomó ico mais ele ado, ap esen a idades de o mação de suas camadas o almen e dis in as do pe il P1. Seu desen ol imen o se deu pelo menos a pa i de 32.000 anos AP, pois um agmen o ege al com 5 cm de diâme o e 62 cm de comp imen o oi encon ado a 2 m de p o undidade, no con a o com o me a eni o. A camada de 50 mm en iquecida com ma é ia o gânica si uada a 180 cm de p o undidade e da ada em 24.060 anos AP (Quad o 3) ep esen a o início de uma al e nância de camadas icas e pob es em ma é ia o gânica, que e mina em uma camada de u a si uada en e 108 e 120 cm de p o undidade. Me a eni os da Fo mação Ti aden es Camadas en iquecidas com ma é ia o gânica Ho izon e A Vege ação hid ó ila Decli idade Lagoa Pe il de Paleossolo Oscilação do ní el da lagoa Sen ido p e e encial do luxo de água Escala: 1:33 5 % Ní el eá ico 21.000 anos AP Ní el eá ico 24.000 anos AP Ní el eá ico a ual Tu a Raiz 32.220 anos AP Figu a 5. Rep esen ação esquemá ica da gênese das camadas en iquecidas com ma é ia o gânica no Paleossolo - P2. Figu a 6. Idades adioca bônicas e elações C/N nas camadas do Neossolo Flú ico - P1 (a) e do Paleossolo - P2 (b). 0 5 10 15 20 25 30 0 100 200 300 400 0 20 40 60 80 100 120 0 5000 10000 15000 20000 25000 IDADE RADIOCARBÔNICA, anos AP RELAÇÃO C/N (a) (b)