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A experiência musical na instrução e educação musical e na musicoterapia

Casal de la Fuente, Lucía

Abstract

Dentro das artes, a música é, talvez, uma das mais diferentes. Tem vínculo, tem emoção e por isso Violeta Hemsy de Gaínza a define como experiência multidimensional. É um direito humano (GAÍNZA, 2010) como também o é a educação. Neste contexto, a educação musical também é um direito? Talvez devesse sê-lo. Mas como bem sabemos, não em todos os países a escola obrigatória assegura que as crianças estejam em contato com a música ou vão receber uma educação musical (nem muito menos de qualidade). De acordo com múltiplas investigações e projetos já finalizados ou em curso, o contato com a música (normalmente mediado por uma ou um profissional), ajuda no desvio social em geral e no tratamento de problemas pessoais em particular. Porém, não pelo feito de que uma pessoa receba uma educação musical (de qualidade, vamos supor), vai estar livre para sempre de contrariedades pessoais ou sociais, e por isso não devemos confundir educação musical, com instrução musical ou com musicoterapia. O que diferencia estes conceitos é a intenção da utilização da música. Na primeira a música usa-se para mudar a forma de pensar, sentir e atuar das crianças, e sói gerar efeitos muito positivos a nível académico e social. Mas para que isto ocorra, tem que ser, ao mesmo tempo, “divertida, desafiante e alcançável” (GOVERNO DE INGLATERRA, 2011, p. 43). Na segunda, o objetivo é a aquisição da própria música como corpo de conhecimento e disciplina autônoma. E na terceira, a música é utilizada no processo terapêutico. Aqui o foco central não é a música ou a atividade musical em si, mas a terapia. Aclarados estes conceitos, adentramo-nos no foco do nosso trabalho: a experiência musical, que pode ser definida como a sedimentação histórica das nossas percepções musicais sucessivas (PELINSKI, 2005), que se articula e vincula também com a experiência vivida por uma pessoa do que experimenta em outros assuntos, que podem influir na configuração da sua experiência musical. A experiência musical está presente nos três conceitos anteriormente delimitados. Argumentaremos sob a sua relação e explicaremos os 5 níveis da experiência musical e as suas 10 áreas de intervenção, identificadas e baseadas na classificação de Bruscia (1997)

Full text

327 A expe iência musical na ins ução e educação musical e na musico e apia Musical expe ience in music ins uc ion and educa ion and in music he apy Pala as-cha e: Música; Musico e apia; Expe iência musical; Educação musical; Ins ução musical. Keywo ds: Music; Music he apy; Musical expe ience; Music educa ion; Music ins uc ion. Lucía Casal de la Fuen e Uni e sidade de San iago de Compos ela/Espanha [email p o ec ed] Den o das a es, a música é, al ez, uma das mais di e en es. Tem ínculo, em emoção e po isso Viole a Hemsy de Gaínza a de ine como expe iência mul idimensional. É um di ei o humano (GAÍNZA, 2010) como ambém o é a educação. Nes e con ex o, a educação musical ambém é um di ei o? Tal ez de esse sê-lo. Mas como bem sabemos, não em odos os países a escola ob iga ó ia assegu a que as c ianças es ejam em con a o com a música ou ão ecebe uma educação musical (nem mui o menos de qualidade). De aco do com múl iplas in es igações e p oje os já inalizados ou em cu so, o con a o com a música (no malmen e mediado po uma ou um p o issional), ajuda no des io so- cial em ge al e no a amen o de p oblemas pessoais em pa icula . Po ém, não pelo ei o de que uma pessoa eceba uma educação musical (de qualidade, a- mos supo ), ai es a li e pa a semp e de con a iedades pessoais ou sociais, e po isso não de emos con undi educação musical, com ins ução musical ou com musico e apia. O que di e encia es es concei os é a in enção da u ilização da música. Na p imei a a música usa-se pa a muda a o ma de pensa , sen i e a ua das c ianças, e sói ge a e ei os mui o posi i os a ní el académico e social. Mas pa a que is o oco a, em que se , ao mesmo empo, “di e ida, desa ian e e alcançá el” (GOVERNO DE INGLATERRA, 2011, p. 43). Na segunda, o obje i o é a aquisição da p óp ia música como co po de conhecimen o e disciplina au ônoma. E na e cei a, a música é u ilizada no p ocesso e apêu ico. Aqui o oco cen al não é a música ou a a i idade musical em si, mas a e apia. Acla ados es es concei os, aden amo-nos no oco do nosso abalho: a expe iência musi- cal, que pode se de inida como a sedimen ação his ó ica das nossas pe cepções musicais sucessi as (PELINSKI, 2005), que se a icula e incula ambém com a expe iência i ida po uma pessoa do que expe imen a em ou os assun os, que podem in lui na con igu- ação da sua expe iência musical. A expe iência musical es á p esen e nos ês concei os an e io men e delimi ados. A gumen a emos sob a sua elação e explica emos os 5 ní eis da expe iência musical e as suas 10 á eas de in e enção, iden i icadas e baseadas na clas- si icação de B uscia (1997). Anais do SEFiM, Po o Aleg e, V.02 - n.2, 2016. 328 Es es ní eis são: (a) p emusical, que unciona como um sinal de comunicação mais que como exp essão musical; po exemplo: sons ambien ais, ocalizações casuais, o mas i- b acionais, e c. (b) musical, con igu ado po sons con olados que c iam elações signi i- ca i as; po exemplo: elemen os, o mas e obje os musicais, e c. (c) ex amusical, e e ido a expe iências musicais que se o iginam, a e am ou de i am seu signi icado da música; po exemplo: mimo com música, memó ias e ocadas pela música, e c. (d) pa amusical, aspec os do ambien e musical que a e am o indi íduo quando escu a ou az música, mas não dependem da música pa a o seu signi icado; po exemplo: pessoas, obje os, dança, e c. (e) não musicais, aspec os do en o no que, no âmbi o da musico e apia, a e am ao clien e, cujo signi icado não é de i ado de qualque a i idade musical. E as á eas podem se classi icadas assim: (a) isiológica, que em a e com a equência ca díaca, espi ação, ní eis ho monais, e c.; (b) psico isiológica, em ligação com a do , bio eedback, ní eis de consciência, e c.; (c) sensó io-mo o a, e e idos às espos as e lexas e a sua coo denação, con ole, e c.; (c) pe cep i a, de igu a- undo, igual-di e en e, e c.; (d) cogni i a, em elação com a ampli ude, pad ões de pensamen o, e enção, e c.; (e) compo amen al, é dize , o desempenho, e iciência, segu ança, e c.; ( ) emocional, ou seja, a a iabilidade, pa icipação, an asias diu nas, e c. (g) comunica i a, ligada à linguagem, dança, ea o, e c.; (h) in e pessoal; o que em a e com a sensibilidade, p i acidade, papéis compo amen ais, e c.; (i) c ia i a, elacionada com a di e gência, in en i idade, luidez, e c. As p e e ências, egis o ocal e écnica, écnica ins umen al, hábi os p á icos, epe ó io, des ezas o ques ais, endências í micas, melódicas e/ou ha mônicas, modos de agi , imp o isa ou compo ... Tudo isso al ez pudesse explica o g au de in luência an o nas á eas como nos ní eis de expe iência musical que amos a uma pessoa. A musico e apia, a educação musical e a ins ução musical - os ês concei os que a icu- lam es e ex o - êm a e com es es ní eis e á eas, pois ainda que a concepção e uso da música em cada uma em obje i os di e en es a ní el eó ico e p á ico – como já explica- mos an es - odos eles apo am elemen os pa a a con igu ação da expe iência musical das pessoas, e consequen emen e, os ní eis e as á eas desc i as an e io men e em-se in luen- ciados po es as a i idades. Is o le a-nos a comp eende que a in odução da didá ica da música no ensino ge al só de ido ao seu alo es é ico oi já supe ada no s. XX, g aças à comp obação de que as a i idades a ís icas podem in luencia in eg almen e nas pessoas em aspec os senso iais, emocionais, de desen ol imen o in elec ual, pessoal, in a e in e - pessoal e social. Concluímos es e ex o ecalcando que a mudança é o obje i o inal de qualque in e - enção, seja de índole educa i a (educação musical), e apêu ica (musico e apia) ou ins- u i a- o ma i a (ins ução musical). Desde que a música en ol e e a e a mui as ace as dos se es humanos e suas aplicações clínicas e educa i as são ão di e sas, sob e udo a musico e apia e a educação musical podem se usadas pa a consegui um amplo espec o de mudanças posi i as pa a o bem-es a das pessoas. 329 Re e ências GAÍNZA, Viole a. Concep os sob e educación musical de di e en es au o es, 2010. Disponí el em: FLADEM h p://goo.gl/8j082P. GOVERNO DE INGLATERRA. The Impo ance o Music. A Na ional Plan o Music Educa ion. England: Depa men o Educa ion & Depa men o Cul u e, Media and Spo , 2011, 55 p. Disponí el em: h ps://goo.gl/ xQAZ6. PELINSKI, Ramón. “Embodimen and musical expe ience”. Re is a T anscul u al de Música, n. 9, 2005. Disponí el em: h p://www. edalyc.o g/a iculo.oa?id=82200914.