Demografia e estruturas agrárias. Análise da dinámica demográfica e das mudanças nas estruturas fundiárias da agricultura galega 1950-1993
Full text
SEGUNDA PARTE:
A ESTRUTURA DIMENSIONAL DAS
EXPLORA~ONS
E A
DISTRIBU~OM
DA
PROPRIEDADE DA TERRA NA
AGRIClJLT"JRA GALEGA.
ANALiSE
DAS SUAS
CARACTERISTICAS, E
DAS
MUDAN~AS
QUE
EXPERIMENTAROM AO LONGO DAS ULTIMAS
DECADAS.
746
A segunda parte da
investiga~m,
que iniciamos aqui, tem como objectivo o
estudo das estruturas fundiárias da agricultura galega; o estudo das
características que estas apresentavam a meiados do século actual, e da sua
evolu~m
nas últimas décadas.
747
Para
com~,
é conveniente delimitar de forma precisa o ámbito de
problemas que pretendemos abordar. Com o termo "estruturas fundiárias", que
poderiamos traduzir também por "estrutura da terra", denominamos
genericamente as questons relativas a base territorial das
explora~ons
agrárias e
a propriedade da terra. Aquí incluem-se quatro aspeitos ou questons diferentes:
-0
primeiro é o que se retire a
distribu~m
das
explora~ns
segundo a sua
superficie, ao tamanho das unidades de
produ~m
em termos de superfície.
-0
segundo é a estrutura da propriedade da terra: a sua
distribu~m
por
tamanhos, em
fun~m
da
condi~m
social e a residéncia dos proprietários,
etc.
-0
terceiro aspeito som os regimes de tenéncia da terra, que expressam as
rela~ns
entre propriedade e
explora~m;
ou, de forma mais precisa, as
rela~ns
entre o empresário agrário, e o/os proprietário/os das terras que
formam a sua unidade de
produ~m.
-Por último, fica um quarto aspeito ou questom: o grau de
fragmenta~m
interna das propriedades e das
explora~ns,
em parcelas ou fincas
diferentes.
Pois bem,
dessas
4
questons,
a
n6s
interessa-nos
principalmente
a
primeira:
a
dimensom,
em
termos
de
superficie,
das
explora9ons
aqririas.
Para aludir a este tema
utilizam-se com freqüéncia os termos de "estrutura dimensional das
explora~ns",
o u mais simplemente "estrutura das
explora~ns".
Em
rigor,
nengumha das duas
denomina~ns
é exacta. A segunda nom o é porque na
defini~om
da estrutura produtiva, ou estrutura das
explora~ns,
intervenhem
muitos mais elementos que
aterra,
a base territorial das unidades de
produ~m.
E tampouco resulta exacto o primeiro termo,
já
que nom existe umha
n~m
única de "dimensom" das
explora~ns,
senom que a dimensom refire-se sempre
a um elemento concreto dessas unidades, no nosso caso a superfíciel.
De
todos
modos, na
exposi~m,
e por comodidade, empregaremos também essas
denomina~ns;
bem entendido que ao falar de estrutura dimensional, ou
1 Sobre isto consultar por exemplo:
-LAURENT,
c.
1
VIAU,
c., La
concentration
des
terres
dans
les
eXPloitations
agricoles
entre
1955
et
1963.,
INRA, Paris, 1969, pag. 11.
simplesmente estrutura, das
explora~ns,
estamos aludindo a
distribu~m
destas
unidades segundo a sua superficie, a dimensom da sua base territorial.
748
Como dixemos, esse aspeito é o que centra o nosso interesse. Sem
embargo, a questom
do
número e a superficie das
explora~ns,
e a sua
evolu~m
no tempo, está estreitamente vinculada a
distribu~m
e a dinámica da
propriedade da terra e dos modos de tenéncia. Por este motivo, na análise
referiremo-nos também a estes dous aspeitos: propriedade da terra, e modos ou
regimes de tenéncia das superfícies que integram as unidades de
produ~om.
Em cámbio, nom entraremos de forma detalhada na quarta das questons
antes citadas, a que se refire a
fragmenta~om
interna ou parcelamento da
superficie das
explora~ns
(e das terras de cada proprietário). Ainda que
podamos fazer algumha referéncia geral a
situa~m
que neste aspeito se regista
na agricultura galega, isto nom será objecto de
urrb'ta
análise pormenorizada pola
nossa parte. A razom de proceder assi nom é que a questom do parcelamento
nos pareza pouco relevante, senom a necessidade de acotar o ámbito da temática
abordada.
Portanto, o nosso objectivo centra-se aqui no estudo de: o tamanho das
explora~ons
em termos de superficie, a
distribu~m
da propriedade da terra, e
os modos ou regimes de tenéncia. A isto dedicamos o capítulo VII, que é o
núcleo desta segunda parte da
investiga~m.
Iniciamos este capítulo com umha
introdu~om
histórica, na que se trata de resumir a dinámica das estruturas
fundiárias em Galiza ao longo da história contemporánea, e aclarar assi o
processo que levou a
conforma~om
das estruturas que encontramos ao redor de
1950/1960. Depois analisamos detalhadamente a realidade existente nesta data,
meiados do século actual, nos trés aspeitos citados (superficie das
explora~ons,
propriedade da terra, e modos de tenéncia); baseando-nos para isto nos dados
oferecidos polas diversas fontes estatísticas disponíveis. E num terceiro apartado
estudamos a
evolu~m
registada ao longo das últimas décadas, tanto no referido
ao número a superficie das
explora~ns,
como aos modos de tenéncia da terra.
Isso será, como dixemos, o núcleo desta segunda parte da
investiga~m.,
Sem embargo, incluímos também aqui outro capítulo, o número VIII, no que
analisamos a
distribu~m
da superficie das
explora~ns
por aproveitamentos, e
as suas
mudan~
ao longo das décadas recentes; centrando-nos em especial na
distribu~m
entre SA U e terras a monte. O motivo de abordar este tema é
porque se trata de algo estreitamente relacionado com o problema do tamanho
da base territorial das
explora~ns,
se medimos este tamanho nom em termos da
superficie total, senom de superficie agrária. No seu momento quedará
perfectamente clara a estreita
rela~m
existente entre as duas questons; e a
grande releváncia que no caso de Galiza tem o problema dos usos da terra, para
o tema do tamanho das
explora~ns
e das vias possíveis para a sua
amplia~m.
CAPITULO
Vll
..
A ESTRUTURA
DAS
EXPLORA(;ONS AGRARIAS E A
DISTRIBU(;OM
DA
PROPRIEDADE DA TERRA NA
AGRICULTURA GALEGA.. ANALISE DAS SUAS
CARACTERISTICAS E DA SUA EVOLU(;OM NO
PERIODO 1962-1989
..
IRTRODUQOM.
Entre os elementos que definem as características da agricultura num
determinado país ou regiom, ocupam um lugar central aqueles relativos a base
territorial das unidades de
produ~m:
o número e a superficie das
explora~ns,
a
distribu~m
da propriedade da terra, e os regimes de tenéncia. Estes elementos
tenhem umha grande releváncia do ponto
de
vista das
condi~ns
produtivas, e
também no plano social; determinando em boa medida tanto as estruturas de
produ~m
como a estrutura social, no sector agrário de um país.
Numha perspectiva dinámica, as
transforma~ns
na estrutura dimensional
das
explora~ns,
constituem um dos componentes esenciais das fondas
mudan~s
que experimentou a agricultura nos países desenvolvidos, ao longo do período
posterior a Segunda Guerra Mundial. Os avances tecnológicos na
produ~m
agrária, impulsárom neste período um intenso processo de
substitu~m
de
trabalho
por
inputs e bens de capital fixo de origem industrial; processo este que
foi possibilitado e estimulado pola
gera~m
de empregos nos sectores nom
agrários, e os conseguintes trasvases de mao de obra procedentes da agricultura.
Agora bem, para que essas técnicas puderam ser utilizadas
de
forma rentável,
:fixo-se neeessário um aumento continuo da escala de
produ~om,
um aumento da
base territorial das
explora~ns;
e, portanto, umha
transforma~m
profunda das
estruturas agrárias que em cada país foram herdadas do passadol. Esta
adapta~m
da estrutura das
explora~ns
a nova tecnologia disponível, operou-se
ao
través
da
desapari~m
e
concentra~m
de
explora~ns,
cuja resultante··foi a
diminu~m
do número de unidades de
produ~om
e o incremento
da
sua
extensom média.
l Sobre esta questom, e a sua
rel~m
com as
tnmsfo~ns
globais da agricultura
nos países desenvolvidos neste período, consultar
por
exemplo:
-RENBORG, Ulf, "Tendencies toward concentration and specialization in agriculture. ",
e m:
PAPI, Ugo 1 NUNN, Charles,
Economic
Problems
of
Agriculture
in
Industrial
Societies
..
, Mac Millm-St. Martin Press, New York,
1969, pp. 209-233.
749
É esta, como dixemos, umha tendéncia geral em todos os países
desenvolvidos, e concretamente
em
todos os países da Europa Ocidental, ao
longo das quatro últimas décadas; a partir de 1950, por ponher umha data3.
Referindo-nos
já
a realidade concreta que nos ocupa, som sobradamente
conhecidas as características esenciais que apresentam a estrutura das
explora~ns
e a
distribu~m
da propriedade da terra, na agricultura galega.
Predomínio das
explora~ns
de pequena ou mui pequena extensom, elevada
divisom da propriedade da terra;
em
síntese, que estamos perante umha
agricultura de pequenos agricultores-proprietários. Todos esses feitos constituem
lugares comuns, reiterados com tanta insisténcia que se tenhem convertido
já
em
tópicos.
Agora bem, som mui poucos os autores que, indo mais alá da
repeti~om
dos
lugares comuns, tenhem tratado de analisar com certo detenimento a esttutura
dimensional das
explora~ns
existente e m Galiza no período recente (desde
meiados do século
XX
para
aciiante).
E o mesmo pode afirmar-se para a
distribu~om
da propriedade e os modos de tenéncia da terra. Como
exce~m
significativa dentro deste panorama, hai que citar a análise que sobre estes temas
oferece Abel Bouhier, na sua monumental obra sobre o "complexo agrário
galego " 4 • Pero .pouco mais podemos encontrar na bibliografia, se pretendemos
afondar nas características que apresentavam a estrutura das
explora~ons,
a
propriedade da terra e os modos de tenéncia, a meiados do século actual.
Por
outro lado, se é certo que aquelas características esenciais seguem
conservando a sua vigéncia em termos gerais na actualidade, devemos
perguntar-nos, de todos modos, polas possíveis
mudan~
registadas neste
campo ao longo
das
últimas décadas. Qual foi a
evolu~m
experimentada
durante este período polo número e a superfície das
explora~ns
?;
produzírom-se neste aspeito
modifica~ons
significativas ?; que tendéncias se
registárom paralelamente na propriedade e os modos de tenéncia da terra ? .
3
Mais
adiante oferecemos cifras referidas concretamente a
evolu~m
nos
países
membros
da
CEE
a
partir
de 1960. Sobre as tendéncias nas décadas
da
imediata posguerra
pode
encontrar-se umha panorámica
por
exemplo
no
trabalho
de
U.
Renborg citado
na
nota
anterior.
4 Ver: BOUIDER, Abel, La
Galice.
Essai
géographigue
d'analyse
et
d'interprétation
d'un
vieux
complexe
agraire.,
Imprimerie Yonnaise, La Roche-sur-Yon, 1979, 2 tomos.
Concretamente, a
exposi~m
referida a estrutura das
explo~ns
e a propriedade e
modos
de
tenéncia da terra figura
no
capítulo quinto
da
segunda parte
da
obra, páginas
1061-1169.
750
. 751
O feito de plantejar-se essas questons está especialmente justificado depois
das conclusons que obtivemos na primeira parte da nossa
investiga~m,
referidas a
evolu~m
que experimentou a mao de obra agrária em Galiza nos
últimos 40 anos.
É um feito conhecido que a
evolu~m
do número e a superfície das
explora~ns
num
espa~
determinado, está, em princípio, estreitamente
vinculada á dinámica da
popula~m
activa agrária5. Assi, o minifundismo que
caracterizava a agricultura galega tradicional, é inseparável das elevadas
densidades demográficas
alcan~das
no nosso agro. E a persisténcia e
acentua~m
da pequena dimensom das
explora~ns
ao longo de todo o século
XIX e primeira metade do XX, pode considerar-se como umha conseqüéncia do
mantenimento, durante todo esse período, de umha elevada pressom
demográfica sobre a terra.
A partir de 1950, sem embargo, como vimos na primeira parte da
investiga~m,
o número de trabalhadores agrários experimenta em Galiza umha
redu~om
continua e a ritmos cada vez maiores; prosseguindo esta tendéncia até a
actualidade. Deste modo, a princípios da década de 1990, o número de persoas
ocupadas na agricultura galega suponhia tam
s6
entre 1/4 e 1/5, segundo o tipo
de
dados que tomemos, das existentes em 1950.
Resulta obrigado, portanto, perguntar-se se essa
diminu~m
da
popula~m
activa agrária foi acompanhada de um processo significativo de
desapari~m
e
concentra~m
de
explora~ns;
com o aumento conseguinte da dimensom média
das unidades de
produ~m.
E, em caso de que a resposta fora negativa, haverá
que tratar
de
aclarar que factores explicam a falta de conexom entre a dinámica
demográfica e a
evolu~om
da estrutura das
explora~ns.
O nosso objectivo neste capítulo é conhecer o melhor possível a
evolu~om
registada, dacordo com as fontes estatísticas de carácter global das que
disponhemos. Portanto, a análise tem aqui um carácter esencialmente descritivo.
U mha vez conhecida essa
evolu~m,
na terceira parte da
investiga~m
·
trataremos de aclarar os seus factores explicativos. Para isto introduziremos
5
Em
rigor ,como veremos no capítulo IX, nom existe umha correspondéncia simple
entre ambos fenómenos, senom que a
rel~m
entre dinámica demográfica e
evolu~m
da
estrutura das
explo~ns
é muito mais complexa. Sem embargo,
em
termos gerais si se
trata
de
fenómenos estreitamente vinculados. Ao respeito consultar
por
exemplo:
-BRUN, André, Société
fnm~se
d'économie rurale, Paris, 1965, 18 pp.
-NAREDO,
José Manuel,
La
evoluci6n
de
la
agricultura
en
España
..
, 3a. ed., Ed. Laia, Barcelona, 1977, pp. 117 e ss.
752
também na análise dados obtidos mediante umha recolhida directa de
informa~om.
Como
já
anunciamos, o presente capítulo inicia-se com umha
introdu~m
histórica. Num segundo apartado examinamos a estrutura das
explora~ons,
a
distribu~m
da propriedade da terra e os modos de tenéncia, existentes ao redor
de
1950/1960 (a data concreta de referéncia depende das estatísticas utilizadas).
E finalmente, trataremos de aclarar as
mudan~
registadas nestes aspeitos desde
essa data até a actualidade ( finais da década dos 80 o u princípios dos 90). Isto
último, o estudo da
evolu~m
nas décadas recentes, é o que tem um interesse
mais directo, do ponto de vista do conjunto da
investiga~om.
Pero, previamente,
parece-nos necessário
peñuar
com a maior precisom possível a
situa~m
de
partida, a meiados do século actual; e também os
tra~os
esenciais do processo
histórico que levou a
configura~m
destas estruturas, ao longo da história
contemporánea. Daí a seqüéncia que seguimos na
exposi~m.
1.
INTRODUQOM
HISTORICA.
ESTRUTURAS
FUHDIARIAS A
CONFORMAQOM
DAS
ACTUAIS
DA
AGRICULTURA
GALEGA,
AO
LONGO
DA
HISTORIA
CONTEMPORANEA.
Como passo prévio ao estudo das estruturas fundiárias que encontramos na
agricultura galega a meiados do século actual, trataremos aqui de resumir o
processo histórico que levou a sua
conforma~m.
Aos nossos fms, é suficiente com remontar-nos aos últimos 200 anos.
Iniciamos, pois, esta
exposi~m
referindo-nos
as
características que apresentava
a estrutura das
explora~ns
e a propriedade da terra em Galiza, a finais do
Antigo Regime. E examinamos depois os principais titos ou
transforma~ns
registados nesses dous planos ao longo
da
história contemporánea, e que .
acabárom de configurar as estruturas vigentes ao redor de 1950/1960.
Tratando-se de umha
introdu~m,
o
espa~
que dedicamos a estas notas de
carácter histórico é bastante extenso. Isto obedece a nossa
convi~m
de
que,
para comprender adeqüadamente a estrutura das
explora~ns
e da propriedade da
terra existentes no agro galego nas décadas recentes, é imprescindível umha
mirada retrospectiva a história contemporánea; ou, noutras palavras, é
necessário situar a realidade actual numha perspectiva histórica.
Em
consonáncia
com isto, nom nos limitamos unicamente a resumir as conclusons dos estudos
realizados polos historiadores; senom que tratamos também
de
estabelecer
algumhas
valora~ns
desses processos, contemplando-os desde a actualidade,
desde a realidade e os problemas actuais das estruturas fundiárias em Galiza.
1. 1.
A
estrutura
das
explora9o:ns
e a
propriedade
da
terra
a
meiados
do
século
XVIII.
a.
Exploracons
de
reduzida
superficie.
e
grandes
extensons
de
montes
comuns:
a
"dualidade"
das
estruturas
fundiárias.
O sistema agrário tradicional existente em Galiza caracterizava-se, no que
respeita a
utiliza~m
da terra, por
um
tra~
fundamental: a estreiteza do
espa~o
agrário propriamente dito, a reduzida
propor~m
da superficie total que
ocupavam
as
terras cultivadas e os prados, é dizer, o que com as categorias
estatísticas actüais podemos denominar Superfície Agrária Util (SA U). A
estreiteza do
espa~
agrário tinha o
seu
correlato no forte predomínio das terras
a monte, que cubriam a maior parte do território.
É essa umha das características mais profundas e antigas do que A.Bouhier
chama o "complexo agrário galego
"';
característica que estava plenamente
vigente a fmais do Antigo Regime, e que vai manter esta vigéncia até a
actualidade. Em concreto, estima-se que a meiados do século XVIII, a suma da
superficie cultivada e os prados nom representava em Galiza mais do 25% da
superfície total; correspondendo o restante
75%
as
terras a monte'. Século e
médio depois, em 1905, e segundo
as
estatísticas da "Dirección General de
Agricultura", o monte ocupava o 65,9% do território, os terreos improdutivos o
2,8%, e a superfície cultivada o 31,3%8
6 Ver:
BOUHIER,
Abel,
La
Galice
•••
op.
cit.
A referencia a "exigüidade" do
~
agrário e aos seus factores explicativos constitue
um
dos aspeitos destacados
em
maior medida em
toda
esta obra. No que respeita
em
concreto a antiguidade do fenómeno consultar as páginas 1375 e ss.
7 Ver: SAA YEDRA, Pegerto, "Los montes abiertos y los concejos rurales en
Galicia
en
los siglos
XVI-xvm:
aproxi.mación a
un
problema.",
Cuadernos
de
Estudios
Gallegos,
Tomo
xxxm,
no. 98, 1982, pag. 183.
8 Cifras tomadas do trabalho:
-SINEIRO,
Francisco 1 DIAZ DIAZ, Nieves, "A producción gandeira nas
tenas
a monte:
análise da evolución do sistema productivo no período 1900-1980; as posibilidades de
mellora e sementeira de pastos.", em:
V
ARIOS,
Os
usos
do
monte
en
Gal
icia.
, Ed. do Castro,
Sada-
A
Conmha, 1984, pag. 207.
753
754
Os
dous tipos de superfície,
espa~
agrário e monte, estavam sometidos a
formas de possessom e aproveitamento diferentes, diferindo também a sua
organiza~m
ou
estrutura parcelária. O reduzido
espa~o
agrário aparecia
dividido entre
um
elevado número de
explora~ons
individuais de pequena
dimensom, e com
um
elevado parcelamento.
Em
cámbio, a superfície de monte
correspondía
na
sua imensa maioria a montes comuns, extensons indivisas
aproveitadas colectivamente polas comunidades vizinhais ou por grupos de
indivíduos. O monte particular, parcelado e integrado nas
explora~ns
individuais, tinha umha importáncia quantitativa mui pequena.
Oeste modo,
as
estruturas
fundiirias
existentes
na
agricultura
galega,
vistas
globalmente,
apresentavam
umha imagem
"dual":
de
umha
parte,
um
elevado
número
de
explorac;ons
de
superficie
redus:ida
e
m.ui
parcelada,
entre
as
que
estava
dividido
o
estreito
espa9o
agririo;
e
rodeando
a
es
se
terrazgo,
as
grandes
extensons
de
monte
comum,
que
cubriam
as
3/4
partes
do
territ6rio.
Se queremos ter umha imagem completa da
situa~m,
devemos referir-nos,
pois, aos dous componentes dessa "estrutura dual"'·
al.A
peguena
dimensom e o
elevado
grau
de
parcelamento
das
eXPloracons
individuais.
A reduzida superficie por
explora~om
e o
seu
forte parcelamento interno,
que se constatam
em
Galiza
no
período actual, nom
som
um
fenómeno recente.
As
investiga~ns
realizadas
nos
últimos
15
ou
20 anos
no
campo da história
agráriato, tenhem demostrado que esses fenómenos constituem
tra~s
mui
9 Empregamos aqui o adjectivo "dual" para significar que nessa estrutura existiam
dous componentes mui diferentes,
no
que respeita ao tamanho
das
unidades de
explora~om
e ao parcelamento da superficie; pero
nom
deve tomar-se esse adjectivo
no
sentido
de
que
se
tratava
de
duas realidades independentes, sem
vincul~ns
mútuas.
Entre
as
explora~ns
individuais e os montes comuns existia
umha
estreita
rel~m,
como
apontamos mais adiante.
10
Entre
essas
investig~ons
hai que destacar
em
especial, polo seu carácter
globalizador, a
obra
de
Ramón Villares:
-YaLARES,Ramón,La
propiedad
de
la
tierra
en
Galicia
15
O O
-19
3 6 • , Siglo XXI
de
España Eds., Madrid, 1982.
755
antigos da estrutura produtiva
do
agro galego, que estavam plenamente
consolidados ao início da Idade Contemporánea.
Em concreto, contamos
já
com numerosos estudos comarcais, nos que se
oferece
informa~m
empírica sobre a
distribu~m
da terra entre as
explora~ns
agrárias que existia a meiados do século XVIII; utilizando como base os dados
estatísticos suministrados polo "Catastro de Ensenada", elaborado em 1753
11
•
Todos estes estudos coincidem
em
sinalar que nesta data a superfície média por
explora~m
era em Galiza
já
reduzida, com cifras que nom estavam
excessivamente longe das que encontramos no período actual. E o mesmo
sucede com a
fragmenta~m
das terras de cada unidade de
produ~om.
No que respeita
em
concreto a dimensom
das
explora~ns,
Ramón Villares,
sintetizando os resultados
das
diversas
investiga~ns
comarcais, oferece a
seguh1te imagem da
situa~m
a meiados do XVIII:
"En
1
as
comarcas
costeras
atlánticas,
la
mensura
de
las
explotaciones
se
sitúa
en
torno
a
las
2
ha
(~,6
en
O
Salnés,
2,0
en
Rianxo
y
2,5
en
o
Barbanza
meridional);
aumenta
un
poco
el
tamaño
de
las
mismas
en
la
comarca
de
Xallas
o
en
el
norte
de
la
provincia
lucense
(en
torno
a
2,5
ha),
mientras
que
la
explotación-tipo
de
las
zonas
interiores,
aún
siendo
notablemente
más
extensa
que
la
de
las
fachadas
atlántica
y
cantábrica,
no
puede
escapar
a
la
denominación
de
pequeña,
sobre
todo
teniendo
en
cuenta
la
productividad
y
el
sistema
de
cultivos:
alrededor
de
3
ha
en
Friol
o
en
Chantada,
cerca
de
4
ha
en
la
Alta
Limia
orensana."u
Vemos aí que a pequena extensom das
explora~ns
era umha característica
geralizada em todo o agro galego,
se
bem com diferéncias importantes de umhas
zonas a outras, ao igual que sucede, como depois comprovaremos, na
actualidade., Para interpretar correctamente essas cifras é importante, . sem
embargo, ter presente que se refirem
as
terras que formavam parte das
explora~ns
individuais, e que fórom declaradas nos asentos individuais do
Catastro. E estas terras correspondem quase exclusivamente a lavradio, vinhas,
11
Prescindimos
de
citar aqui a
rel~m
desses
estudos. Umha
rel~m
dos mesmos e
umha visom panorámica dos resultados obtidos para
as
diversas
comarcas
no que respeita
a superficie
das
explo~ns
pode encontrar-se na obra mencionada de
R.
Villares. Ver:
-~S,RuOOn,La
propiedad
de
la
tierra
•••
~~~~~'
pp. 19-30.
U VILLARES,
RuOOn,
"Minifundio. Introducción histórica.",
em:
Gran
Enciclopedia
Gallega,
Vol. XXI, pag. 71.
756
prados e soutos; em suma, o que Bouhier denomina, ao examinar estas cifras,
"superficie agrária constante e directamente utilizada
"
13
, e que podemos
assimilar a SA U. O monte particular tinha nesta data umha importáncia
quantitativa mui reduzida dentro da superficie das
explora~ns.
Em definitiva,
as cifras antes citadas refrrem-se a dimensom das unidades de
produ~om
em
termos
de
SAU.
Tendo isso em conta, qual é a
rela~m
entre esse tamanho das
explora~ons
a
meiados do século
xvm
e a
situa~m
no período actual ? . Tomando os dados
oferecidos polo Censo agrário de 1962, e calculando a SA
U média por
explora~m,
obtemos para o conjunto de Galiza a cifra de 1 ,48 hes 14 • A
compara~m
entre este cifra e as vistas antes deve efectuar-se com suma cautela,
e nom podemos pretender tirar conclusons precisas. Pero o que isso sugire é que
a pequena dimensom das
explora~ns,
já
consolidada a fmais do Antigo
Regime, se acentuou ainda de um modo significativo nos 200 anos que vam até
a metade do século actual. Esta conclusom, por outro lado, é coerente com a
evolu~m
das densidades demográficas na agricultura galega durante esse
período: estas densidades, ainda que de um modo ralentizado, continuárom
aumentando ao longo de todo o século XIX, e também, como vimos na primeira
parte
da
nossa
investiga~m,
na primeira metade do XX.
a2.As
grandes
extensons
ocupadas
polos
montes
comuns.
As
explora~ns
individuais de pequeno tamanho e mui parceladas, as que
acabamos de referir-nos, eram
s6
um dos elementos das estruturas fundiárias na
agricultura galega do Antigo Regime; e nom ocupavam em conjunto mais que
umha
propor~m
reduzida do território (ao redor de 1/4 do território, a meiados
do século
XVIII).
Ao lado dessas
explora~ns,
e como complemento
indispensável das mesmas, estavam os montes comuns, que cubriam a maior
parte
da
superfície.
No
sistema agrário tradicional existente em Galiza, o monte, o inculto,
cumplia umha série de
fun~ns
esenciais para o funcionamento das
explora~ns
13 Ver o estudo que oferece sobre a
ut~m
da
tena
nesta data:
-BOUHIER, Abel,
La
Ga
1
ice
• •
..
op
• e i t . , pp.
1402
e ss.
14 Incluimos na SAU as tercas lavradas e os prados.
Os
detalhes dos cálculos podem
ver-se
no
capítulo
vm,
onde examinamos estas cifras do
Censo
agrário de 1962 sobre o
tamanho médio
das
explo~ns
em termos de SAU.
agrárias, e para a
reprodu~m
do conjunto do sistemal5. Essas
fun~ns
eram
esencialmente de quatro tipos: as superficies de monte serviam para a extensom
temporal do
espa~
cultivado, mediante a prática das rozas ou estivadas;
contribuiam a
alimenta~m
do gado, ao través do pastoreo e também mediante a
utiliza~m
com esse fim do tojo; permitiam a
obten~m
de lenha e madeira. E
sobretodo, o monte era o lugar onde se obtinha o tojo, utilizado como cama para
o gado e que constituia assi a matéria prima fundamental para a
produ~m
de
adubos orgánicos. Por esta via, o monte era a base para o mantenimento, a
reprodu~m,
da fertilidade da terra no
espa~
cultivado. Todo isto justifica a
expressom
já
clássica de A. Bouhier, que se refire ao inculto como o "soporte
tradicional do sistema" 16.
Dessas
fun~ns,
e em especial da última, derivava-se a neeessidade de
manter um equilibrio entre o
espa~
cultivado (incluíndo os prados) e o monte;
o que imponhia um límite a possível expansom do primeiro. Isto explica que as
terras lavradas e prados
s6
ocuparam umha
propor~m
reduzida do território,
correspondendo a maior parte ao inculto.
Em
concreto, A. Bouhier estima que o mantenimento do equilibrio do
sistema agrário exigia destinar ao inculto entre o
50%
e o
95%
da superficie
l5
Sobre as
fun~ons
tradicionais do monte
na
agricultura galega existe umha
abundante bibliografia. Dentro dela podemos destacar:
-BOUHIER,
Abel,
La
Galice
...
op.
cit.,
pp. 878 e ss. Obra esta
na
que
se
oferece,
sem
dúvida, o estudo mais completo sobre o tema.
-BOUHIER,
Abel, "Las formas tradicionales
de
utilización del monte.
Su
evolución
reciente.
Las
perspectivas
de
porvenir.", em: V ARIOS, Os
usos
do
monte
en
Galicia
op.
cit.,
pp. 11-28. (Neste trabalho aparece umha síntese
da
análise efectuada
na
obra
anterior).
-BALBOA, Xesús, O
monte
en
Galicia.,
Ed. Xerais, Vigo, 1990,
pp.
23-48.
-FERNANDEZ
LEICEAGA, Xaquín,
J:!QQ.nQBla...lJ~W~~__glQ_.mgm;§.
galego.,
Universidade
de
Santiago de Compostela. Servicio de Publicacións e
Intercambio Científico, Santiago, 1990, pp. 11-18.
Essas
quatro
obras,
junto
com
o trabalho
de
Pegerto Saavedra que citamos
numha
nota
anterior, constituem a bibliografia esencial para aproximar-nos ao papel e a realidade
tradicional
do
monte
em
Galiza, e
As
suas vicisitudes
ao
longo
da
Idade Contemporánea.
16 Ver: BOUHIER, Abel,
La
Galice
•••
op.
cit.
757
. 758
total, segundo as comarcast 7 • Uns cálculos estes que som confmnados para
meiados do século
XVIll
pola análise dos dados oferecidos polo "Catastro de
Ensenada"18. Nesta data pode estimar-se que em Galiza, considerada
globalmente, o monte ocupava
em
tomo ao 75%-80%
do
território 1
9.
Como
já
sinalamos, desta grande extensom ocupada polo inculto, só umha
propor~om
mui pequena correspondia a montes particulares, integrados na
superfície
das
explora~ns
individuais2o.
Por outro lado, eram também mui
escassos em Galiza, "quase desconhecidos" afirma Pegerto Saavedra, os montes
de próprios, pertencentes aos concelhos e por cujo aproveitamento devia
pagar-se
um
canom que nutria as fazendas
municipais21.
A imensa maioria das superfícies de monte existentes no agro galego no
século xvm eram de titularidade privada colectiva; extensons pertencentes a
comunidades vizinhais
ou
grupos
de
fruuílias,
que
se
mantinham
em
pro-indiviso
e eram objecto de
um
aproveitamento colectivo. Estes montes comuns, ou,
numha terminologia mais precisa, estes montes abertos de titularidade colectiva,
n
•t
Ver: BOUHIER, Abel,
op.
C.1
• , pp. 922-926.
Sobre esta questom consultar também:
-GARCIA FERNANDEZ, Jesús,
Organizaci6n
del
espacio
v
economía
rural
en
la
España
Atlántica.,
Ed. Siglo XXI,
Madrid, 1975, pp. 224 e ss.
18
Ver a análise desses dados que efectua. este mesmo autor:
-BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp. 1402-1409.
19 Esta é a cifra estimada
por
Pegerto Saavedra, e resulta coerente com os dados
por
comarcas oferecidos
por
Bouhier. Ver:
-SAA
VEDRA, Pegerto, "Los montes abiertos y los concejos rurales en Galicia
...
",
.Q.I;k_
cit.,
pag. 183.
lO Dados que avalam e ilustram esta
a~m
¡x.>dem
encontrar-se
na
obra de A.
Bouhier (pp. 862 e ss. ); e também nos estudos históricos de ámbito comarcal referidos ao
século
XVlli.
Assi,
por
exemplo,
na
jurisdi~m
de Xalhas o inculto ocupava o 89,3% da
superficie, pero desta extensom
só
o 5,1% correspondia a montes particulares. Ver:
-BARREIRO,Baudilio,~~~~~~~~~~~~~~-=~~~~~~
XVIII.
Poblaci6n,
sociedad
y
econom1a.,~.ed.,Secretariado
de Publicaciones de la Universidad de Santiago, Santiago de Compostela, 1978, pp. 267 e
SS.
:u
Ver:
-SAA
VEDRA, Pegerto, "Los montes abiertos
...
",
op.
cit.,
pp. 186-188.
-BALBOA, Xesús, o
monte
en
Galicia.
op.
cit.,
pp. 52-53.
759
cubriam portanto a maior parte do território, rodeando o exígüo
espa~o
agrário.
Em
contraposi~m
com o pequeno tamanho e a forte
fragmenta~m
interna que
apresentava a superfície das
explora~ns
individuais, os montes comuns eram
unidades de umha extensom média relativamente elevada e nom parceladas
intemamentell.
Agora bem, dentro do que genericamente vimos denominando montes
comuns, figuravam
em
realidade dous tipos de unidades
mui
diferentes, no que
respeita ao
seu
regime de possessom: os montes de "varas" ou "vozes", e os
montes de vizinhos. Aqui nom podemos extender-nos sobre o tema da
tipifica~m
jurídica destas duas classes de montes. Pero é importante sinalar
as
características esenciais dos
seus
regimes de possessom; porque estas
características vam determinar em boa medida a diferente
evolu~m
registada
por umhas e outras superficies
ao
longo da Idade Contemporánea, e a sua
diferente
situa~m
na actualidadel3.
Os montes de vizinhos, ou montes vizinhais em mao comum, som
extensons pertencentes a entidades de
popula~m
de níveis variáveis (umha
aldeia,
um
grupo de aldeias, umha parróquia,
...
), e que se caracterizam porque
neles: o direito de usufruto corresponde
a·
todos os vizinhos da entidade; esse
direito vai ligado a mera
condi~m
de vizinho, a residéncia no lugar do que se
trate; e o usufruto tende a ser igualitário entre todos os membros.
Nos montes de varas, em cámbio, a titularidade pertence a
um
grupo de
indivíduos ou fanúlias, cada umha das quais dispom de umha determinada
quota, de quantia variável, que é a que determina os direitos de usufruto sobre o
monte. As quotas ou
participa~ons
som
transmitidas por via herditária, e podem
ser objecto de compra-venda, constituindo estas
as
vias para acceder ao usufruto
do monte. Assi, o que existe no caso dos montes de varas nom é umha
titularidade da comunidade vizinhal, senom umha co-propriedade de diferentes
casas.
Em definitiva, frente a elevada
for~
dos vínculos comunitários, com a
conseguinte coesom da colectividade, que caracteriza aos montes de vizinhos,
nos montes de varas o carácter comunal é muito mais débil. Trata-se neste caso
também de extensons que se mantenhem indivisas, pero com umha forte
ll
Produzia-se, é certo, umha divisom
em
parcelas daquelas partes do monte onde
se
reali.zavam as rozas
ou
estivadas; pero essa divisom era só temporal.
l3
Umha análise detaUwla do regime possessom e as formas de aproveitamento
dos montes de varas e dos montes de vizinhos pode encontrar-se nos estudos de Abel
Bouhier, Xesús Balboa, e Pegerto
Suvedm,
citados
em
notas anteriores. N eles
ba.seamo-nos para
as
notas que oferecemos a
contin~m.
760
componente individualizadora. Isto, como veremos, determinará em boa medida
o diferente devir de umhas e outras superficies na Idade Contemporánea.
Hai
que destacar
por
último a diferente
localiza~m
geográfica que
apresentavam os dous tipos de montes. Os montes de varas existiam
exclusivamente na metade septentrional de Galiza; em concreto, a fins do século
XVIII, segundo aponta A. Bouhier, a sua preséncia limitava-se a área situada ao
norte
de
umha linha: desembocadura do IDha- Dozom- Pedrafital 4 • Pola sua
parte,
os
montes de vizinhos estavam presentes em toda a geografía galega, pero
eram especialmente abundantes na metade meridional. Assi, neste aspeito, ao
igual que em muitos outros 1
5,
existia umha neta
oposi~m
entre a metade
meridional e a metade septentrional de Galiza: na primeira, ao sul daquela linha
imaginária, dominavam de forma absoluta os montes
de
vizinhos; mentres que
na
metade norte, ainda que também estes estavam presentes, dominavam os
montes de varasl6.
b. A
propriedade
e
as
fórmulas
de
cessom
da
terrá;
o
sistema
foral.
Sabido é que a propriedade privada plena e livre da terral7 constitue umha
cria~om
do ordenamento jurídico burgués, que historicamente
tema
sua origem
nas reformas agrárias liberais efectuadas como parte
das
revolu~ns
burguesas.
l4
Ver: BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pag. 848.
l5
Por exemplo, a estrutura
do
hábitat, ou os sistemas herditários. Nos dous aspeitos
dava-se também contraste entre as duas metades de Galiza.
l6 Sobre a
local~om
gegráfica desses dous tipos de montes consultar:
-BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp. 831-862.
-BALBOA, Xesús,
op.
cit.
, pp. 58-66.
-SAAVEDRA, Pegerto,
op.
cit.,
pp. 191-193.
l 7 Entendida a propriedade
como
"
.....
el
poder
de
afectar
los
objetos
sobre
los
que
se
ejerce,
y muy
especialmente
sobre
los
medios
de
producción,
a
usos
dados,
y a
de
productos
obtenidos
con
la
ayuda
de
esos
medios
de
producción
..
"
~ETTELHEDd,CWules,Cálculo
económico
y
formas
de
propiedad
..
, Ed. Siglo XXI, Madrid, 1973, pp. 85-86).
761
E também resulta um feito conhecido que, frente a essa
n~m
nítida de
propriedade, no Antigo Regime o conceito de propriedade aparecia como um
agregado de diversos direitos parciais, que correspondiam a diferentes sujeitos
ou grupos sociais.
No
caso concreto da agricultura galega, a estrutura da propriedade
da
terra
no Antigo Regime vinha definida pola
separa~m
entre o domínio directo, em
maos dos grupos rentistas (clero, nobreza e fidalguia), e o domínio útil, em
maos dos exploradores directos; e polo predomínio absoluto do foro, do sistema
foral, como fórmula de cessom
das
terrasl8.
O foro, e a sua
deriva~m,
o subforo, era um contrato polo que o tomador
(o foreiro), adquiria do titular do domínio eminente (o forista), o direito de uso
e disfrute de umha extensom de terra a cámbio de umha renda, em geral de
quantia fixa e
em
espécie.
Como
ca..'""acterísticas
fundamentais
deste
tipo
de
Contrato hai que destacarl9:
i.
Em
primeiro lugar a sua
dura~m.
Desde o século
XVI
o foro é um contrato
em
geral de longa
dura~m,
e a partir da "Provisión" de 1763 adquire o
carácter de umha cessom perpétua.
ii. A segunda nota a salientar, estreitamente relacionada com a anterior,
consiste em que o foreiro, o tomador do foro, poclia transmitir
por
via
herditária esse direito de uso, e também ceder em arrendamento ou aforar, a
sua vez, as terras.
Essas características do foro tivérom importantes
implica~ns
para
a
configura~m
da estrutura
das
explora~ns
que encontramos em Galiza a finais
do Antigo Regime, e também para a sua
evolu~m
posterior.
Implica~ons
em
dous sentidos:
por
um lado, o sistema foral facilitou a
multiplica~m
do número
de
explora~ons,
e a conseguinte
fragmenta~m
da terra, paralelamente ao
aumento das densidades demográficas no agro; e polo outro, essa fórmula de
cessom dotou de grande estabilidade na possessom das terras aos camponeses,
detentadores do domínio útil.
Ao
respeito, compre destacar nestas notas esquemáticas outi'a característica
do sistema foral: a nom
implica~m,
numha medida significativa, dos
detentadores do domínio eminente na
explora~m
directa da terra.
Em
particular, a classe social dos senhores medianeiros, a fidalguia,
que
se
l8 U m estudo detallwio desta estrutura
da
propriedade
da
terra pode encontrar-se
na
obra:
-VILLARES,
Ramón,
La
propiedad
de
la
tierra
.....
op.
cit.,
em
especial,
pp.
9-17.
19
Ver:
VILLARES,
Ramón,
op..
cit
..
, capítulo 2.
762
consolida desde o século XVI, vai jogar
um
papel de mera classe rentista, sem
assumir a
explora~m
directa, mediante criados, de umha superfície
importante30.
Sem pretender com isto oferecer umha
explica~m
acabada, podemos assi
afirmar que a pequena superfície e o elevado parcelamento que apresentavam as
explora~ns
agrárias em Galiza a fmais do Antigo Regime se explicam
fundamentalmente polo jogo combinado de trés factores:
l.
A estreitez do
espa~
cultivado (incluídos os prados), que era o que aparecia
distribuído entre as unidades de
produ~m
individuais.
2. As densidades demográficas relativamente elevadas que se tinham
alcan~do
no nosso agro.
3. E as características do sistema foral,
as
que acabamos de referir-nos; que
fixérom que o aumento das densidades demográficas se traduzira numha
fragmenta~m
paralela do reduzido
espa~
agrário entre um grande número
de pequenas
explora~ns3t.
30
Para
a document:ac;om desta
a~m
consultar:
-VILLARES, Ramón,
op.
cit.,
pp. 18-19.
31
Em
rel~om
com
isto, é interessante recolher
as
conclusons
as
que chega Abel
Bouhier a
partir
dos dados
do
Catastro
de
Ensenada. Analisando estes dados, o
autor
constata que, a meiados do século xvm, existia umba
correl~m
bastante estreita entre
as
densidades demográficas nas diferentes
areas
da agricultura galega e o tamanho
das
explo~ns
nestas áreas. A única
ma~m
importante a
essa
correl~m
era
a
que
se
derivava do dominio nalgumhas comarcas do sistema herditário da "melhora". (Ver:
BOUHIER,
Abel,
La
Galice
...
op.
cit.,
pp. 1454-1457)
Com
essa
matiza~m,
a evidéncia empírica confirma, pois, o que apontamos
no
texto: a
"flexibilidade" que tivo o régime foral, permitindo que a estrutura das
explo~ns
se
adaptara
ao
crescim.ento
da
popul~m
agrária, mediante a
multipli~m
das
explofa90ns.
Ao
respeito,
para
situar a experiéncia galega numba perspectiva geral, é interessante
a consulta
da
obra:
-BOOTH,
Anne
1
SUNDRUM,
R.M.,
Labour
Absortion
in
Aqricul
ture.,
Oxford University Press, Oxford, 1985, pp. 140 e ss.
Estes autores analisam aqui as diferentes
rel~ns
que
podem
existir entre o crescimento
da
popul~m
agrária e a evoluyom do número e superficie das
explo~ns,
dependendo
de
quais sejam
as
características dos quadros institucionais que regulam o acceso ao
direito
de
uso
da
terra.
-A
questom
da
propriedade
no
caso
dos
montes
comuns;
a
relacom
destes
montes
com o
sistema
foral.
As
observa~ns
precedentes sobre a propriedade da terra devem entender-se
como referidas
as
superfícies de titularidade individual, as que formavam parte
das
explora~ns
individuais. Para os montes de titularidade (privada) colectiva,
ou montes comuns, a questom da sua propriedade a finais do Antigo Regime
aparece menos nítida, nom encaixando estritamente no esquema visto: a divisom
entre domínio directo (e m maos das classes rentistas), e domínio útil (e m maos
dos exploradores directos, que neste caso som
as
comunidades vizinhais ou os
grupos de famíiias). Aqui nom irnos extender-nos ao respeito. Limitaremo-nos a
sintetizar numha série de
afmna~ns
os pontos esenciais que se desprendem dos
estudos existentes sobre o tema3l:
i. Tanto os montes de varas como os montes de vizinhos ( é dizer, os regimes
de possessom que caracterizam a umhas e outras superficies); som
anteriores ao sistema foral.
ü. A
instala~m
do regime senhorial, levou a que muitas das comunidades
rurais se viram obrigadas a pagar rendas polo usufruto desses montes
comuns aos detentadores do senhorio jurisdiccional; ainda que isto nom foi
assi em todos os casos.
ili.
Com
fr~üéncia,
os detentadores do senhorio jurisdiccional tratárom
ademais de atribuir-se a propriedade (melhor seria dizer o domínio directo)
destes montes, o que deu lugar a numerosos conflitos
comas
comunidades
rurais.
iv. Depois da
aboli~m
dos senhorios, em 1811, os citados conflitos
agudizárom-se. E, perante os pleitos plantejados, os tribunais inclinárom-se
sistematicamente por considerar que
as
rendas que vinham sendo pagadas
polo usufruto dos montes comuns eram de natureza foral; atribuindo, pois,
aos senhores o domínio directo destes
montes33.
3l
Concretamente, baseamo-nos aqui nas
observ~ns
que oterece1n:
-BOUHIER, Abel, op..
cit.,
em especial pp. 831-877.
-SAAVEDRA, Pegerto,
op
..
cit
..
-BALBOA, Xesús, op.. e i t
..
, capítulo
n.
33 Sobre este ponto concreto, consultar:
-SAA VEDRA, Pegerto, Voz "Monte",
em:
Gran
Enciclopedia
Gallega,
Vol.
XXI,
pag. 206.
763
O esquema ou
descri~m
anterior é válido sobretodo para os montes de
vizinhos. Nos montes de varas, ademais do suposto comentado, eram também
freqüentes os casos nos que
os
montes foram aforados como anexos ao lavradio,
e os senhores percebiam a correspondente renda foral.
Como conseqüéncia de todo isso, a meiados do século xvm o usufruto de
muitos dos
QIOntes
comuns estava sometido ao pago de umha renda, tanto no
caso dos montes de varas como nos montes de vizinhos. Se bem isso, o pago de
rendas, nom era geral a todas estas unidades. Em todo caso, hai que destacar de
novo que essa
situa~m
procedia da
superposi~m
da envoltura senhorial sobre
um regime comunitário preexistente.
1.2.
A
pervivéncia
das
estruturas
tradicionais
durante
todo
o
século
XIX.
fundiárias
Nas décadas finais do século
xvm
e primeira metade do XIX, consuma-se
na maioria dos países da Europa Ocidental a
liquida~m
do regime de
propriedade e . de
organiza.~m
agrária característico do Antigo Regime,
substituindo-o por outro baseado na propriedade privada plena e livre da terra, e
na liberdade do seu comércio e
explora~m.
As
modalidades que adoptárom
estas reformas agrárias, inscritas
nos
processos das
revolu~ns
liberais ou
burguesas, difirem muito de uns países a outros; e, em conseqüéncia, fórom
também mui diferentes o tipo de
transforma~ns
efectuadas, e as estruturas
agrárias
resultantes34.
34
Neste sentido,
éjá
clássica a
distin~m
entre o que Marx denomina a "via
prusiana" e o modelo francés.
De
um
modo similar, Josep Fontana distingue: as
"reformas agrárias revolucionárias" (rea.Jindas "desde abaixo", e que levam a
consoli~m
de umha ampla capa de pequenos e médios proprietirios cultivadores
directos
da
terra); e as "reformas agrárias liberais",
solu~ns
de compromiso rea1indas
"desde arriba", e que, se bem apresentam variantes, conduzem a uns efeitos similares
em
todos os casos: "
concentración
de
la
propiedad,
expulsión
de
los
campesinos
de
las
tierras
que
cultivaban
tradicionalmente
y
proletarización
de
esta
población
desplazada
..
"
Ver: FONTANA, Josep,
~~~Transformaciones
agrarias y crecimiento económico en
la
España contemporánea.", em: FONTANA, Josep, Cambio
económico
y
actitudes
politicas
en
la
Espafia
del
siglo
XIX
..
,~.
ed., Ed. Ariel, Barcelona, 1981, pp. 149 e ss; a cita está tomada da página 155.
764
. 765
Em
todo caso, qualquer que fora a sua modalidade, essas reformas agrárias
tivérom dous efeitos comuns a todas
elas35:
-A
consolida~
m da propriedade privada plena e livre da terra e m maos de
determinados grupos sociais (já foram os antiguos terratenentes, umha nova
burguesia agrária, ou os camponeses).
-E
o fraccionamento e
privatiza~m
dos
espa~s
comunais. Nuns casos estas
terras fórom engrossar o património dos grandes proprietários; noutros
servírom para ampliar a superfície
das
explora~ons
e as propriedades
ca.mponesas, contribuíndo assi a consolidar umha capa de
explora~ns
médias orientadas
para
o mercado3'.
Contemplada nesse contexto, a
evolu~m
registada em Galiza apresenta
umha notável especificidade. o
feito
esencial
a
destacar
é
que
as
estruturas
bardadas
do
ADtiqo
Reqime
pervivirom
aqui
durante
todo
o
siculo
XIX, aem
que
se
produziram
aodifica9ons
siqnificativas,
nem
na
propriedade
da
terra,
nem
tampouco
no
que
respeita
i
estrutura
das
explora9ons.
A reforma agrária liberal efectuada em Espanha ao longo desta
centúria, implicou inevitavelmente algumhas
mudan~
nessas estruturas, pero
nom alterou as suas características esenciais. Em concreto:
i.
Isso nom levou a supressom do regime foral, que se mantivo como forma
predominante de propriedade da terra.
ii.
Os montes comuns mantivérom-se durante todo o século XIX indivisos, e
conservando as formas de aproveitamento tradicionais. Portanto, no que se
retire a
distribu~m
da superficie entre as unidades
de
produ~m,
permanece u a "estrutura dual" que encontravamos no Antigo Regime
(
explora~ns
individuais de reduzida extensom 1 grandes superficies
comunais ou indivisas).
Ao
mesmo tempo, seguírom aumentando as densidades demográficas na
agricultura, o que contribuiu a consolidar as estruturas tradicionais, e a acentuar
o pequeno tamanho
das
explora~ns.
Ainda que de um modo sucinto, irnos explicitar algo mais cada um desses
trés aspeitos.
35 Ver:
FONTANA,
Josep, "Transformaciones agrarias
...
",
op.
cit.,
pp.
149-161.
36 Exemplo do primeiro é o caso inglés; do segundo, o caso francés (ainda
que
com
importantes matizes regionais). Ver
por
exemplo as
observ~ns
e as referencias
bibliográficas que sobre isto oferece:
-BALBOA,
Xesús,
o
monte
en
Galicia.
op.
cit.,
pp. 233-234.
a.A
pervivéncia
do
sistema
foral.
Segundo coincidem em sinalar os estudos realizados, as medidas
desamortizadoras aplicadas em Espanha ao longo do século XIX, tivérom em
Galiza escassos efeitos sobre a estrutura da propriedade da terra. A razom
estribou em que o que se puxo em venda aqui nom foi, na imensa maioria dos
casos, a propriedade plena e livre das terras, senom
só
o direito a
perce~om
das rendas forais que antes cobrava a Igreja; mantendo-se o dominio útil das
terras em maos dos exploradores directos. Só no suposto de que este último, o
detentador do domínio útil, fora o comprador das rendas, se produziu umha
consolida~om
dos diversos domínios existentes sobre
aterra.
E isto sucedeu em
escassa medida.
Deste modo, o resultado da
desamortiza~m
em Galiza foi em eséncia que
mudárom os perceptores das rendas, pero sem alterar o regime de propriedade.
Este seguiu marcado pola divisom entre domínio directo e dominio útil, e pola
existéncia do foro como fórmula de
articula~m
entre esses domínios3 7 •
Como conclusom geral, o que acabamos de exponher parece algo
já
solidamente estabelecido polos estudos históricos. Sem embargo, algumhas
investiga~ns
recentes sugirem a necessidade de matizar essa visom do processo,
sobretodo no plano temporal. Dito em poucas palavras, o que estas
investiga~ns
indicam é que a citada conclusom (os escassos efeitos da
desamortiza~m
no que se retire a
consolida~m
dos dominios), é válida
sobretodo para a realizada até meiados do século XIX; pero que nas vendas
efectuadas na segunda metade da centúria foi ganhando peso a
reden~m,
a
adquisi~m
das rendas polos detentadores do domínio útil, cujo resultado é o
acceso destes a propriedade plena das terras. Este giro na política
desamortizadora iniciarla-se nos últimos anos
da
desamortiza~m
de Mendizábal
(1848/1850), e consolidarla-se a partir de 1855 com a "Ley General" de
37 Um.ha boa análise desse processo e os seus resultados pode encontrar-se
na
obra:
-VILLARES,
Ramón,
La
propiedad
•••
op.
cit.,
pp.
141
e ss.
766
Madoz38.
Em
síntese:
"Hai
que
distinguir
con
clareza
dúas
épocas.
A
do
predominio
das
subhastas
e
dos
compradores
alleos
6
mundo
rural,
no
Trienio
e
nos
anos
posteriores
6
Decreto
de
febreiro
de
1836;
e
unha
segunda
etapa
de
hexemonia
da
via
redencionista
e,
polo
tanto,
de
consecuencias
sociais
e
económicas
totalmente
diferentes.
,39
De
todos modos, os dados amostram que a importáncia quantitativa global
dessas
reden~ns
foi mui reduzida40. E portanto, se é certo que
por
esta via se
iniciou
já
na segunda metade do XIX o acceso de umha parte dos levadores do
dominio útil a propriedade plena e livre da terra, isto foi absolutamente
minoritário. Assi, a finais do século a imensa maioria
da
superficie seguia
sometida ao regime foral.
b. A
conservacom
da
indivisom
dos
montes
comuns,
e o
mantenimento
neles
dos
sistemas
de
aproveitamento
tradicionais.
Se
as medidas desamortizadoras nom alterárom substancialmente o regime
de
propriedade das terras de titularidade individual, tampouco vam ter efeitos
práticos notáveis sobre
as
extensons
de
monte
de
titularidade colectiva. Tanto os
montes
de
varas como os montes de vizinhos, mantivérom-se durante todo o
38
Umha visom geral dessas diferentes fases é oferecida no trabalho:
-VILLARES, Ramón, "Desamortización e dereito de propiedade.", em: VILLARES,
Ramón (ed.),
Donos
de
seu.
Estudios
de
historia
agraria
de
Galicia.,
Sotelo Blanco Eds., Barcelona, 1988, pp. 101-142.
Sobre a
desamort~m
de Madoz, em concreto, ver:
-ARTIAGA, Aurora,
"As
redencións de censos e foros
no
proceso desamortizador.
Pontevedra 1855-1908. ", em: VILLARES, Ramón (ed.),
Donos
de
seu
•••
op..
cit.,
pp. 143-193.
40
Assi se
pom
de manifesto na
info~m
suministrada polos dous trabalhos
citados nas notas anteriores. Sobre a magnitude desse processo ver também a precisom
que realiza Joám Carmona:
-CARMONA,
Joám,
El
atraso
industrial
de
Galicia.,
Ed. Ariel,
Barcelona, 1990, pag. 42.
767
século XIX indivisos; e continuárom sendo aproveitados polas comunidades
vizinhais ou os grupos de famílias co-partícipes, dacordo com
as
pautas ou
sistemas tradicionais.
Isso nom significa que a
constru~m
do Estado liberal espanhol norn tivera
conseqüéncias para os montes comuns galegos. O entramado legal e
administrativo que surge
em
Espanha
ao
longo do século XIX, entrava em
aberta
contradi~m
como
mantenimento de
uns
espa~s
de titularidade privada
colectiva, corno os existentes
em
Galiza. E esta
contradi~m
saldou-se com a
progressiva
"publifica~m"
de umha grande parte dos montes comuns: estes
passárom a ser considerados como montes públicos, e a sua titularidade jurídica
foi atribuída aos concelhos de nova
cria~om,
produzindo-se assi no plano legal
umha
expropria~m
das comunidades vizinhais, que vinham detentando
tradicionalmente a sua possessom4t
~
Sem
embargo, esta
muta~m
na titularidade
jurídica, nom tivo durante a centúria efeitos práticos relevantes sobre a
situa~m
dos montes; estes permanecérom indivisos, e os vizinhos pudérom seguir
efectuando neles os aproveitamentos tradicionais. Será no século XX, e em
concreto no período posterior á Guerra Civil, quando, num contexto social e
político mui diferente, aquela
expropria~m
deixará sentir a sua pesada carga
sobre as comunidades vizinhais, ao iniciar-se o repovoamento floresta! massivo
dos baldíos.
Voltando ao século XIX, hai que destacar, como sinalamos ao princípio,
que as medidas desamortizadoras nom tivérom conseqüéncias importantes sobre
estes terreos comunais ou colectivos. Apesar de que a sua
cataloga~rn
jurídica
como montes públicos os incluía em princípio entre os bens que a Lei Madoz de
1855 declarou em estado de venda, as vendas efectivamente realizadas fórom
praticamente insignificantes. Oeste modo, a
"solu~m
privatizadora" dos
espa~s
comunais, que
se
impuxo de
um
modo geral na Europa Ocidental, e que
em Espanha se tentou com a
desamortiza~m
geral de Madoz, nom tivo em
Galiza nengumha efectividade.
41
Aruili.samos este processo e,
em
geml, as vicisitudes que seguem os montes
comuns galegos ao longo da Idade Contemporánea,
no
trabalho:
-FERNANDEZ
LEICEAGA, Joaquím 1 LOPEZ IGLESIAS, Edelmiro, "Aproxi.mru;om a
hlstória
do
monte na Galiza:
evolu~m
da propriedade e da
u~m.
", em:
VARIOS, V
Xornadas
agrarias
qaleqas.,
Servicio
de
Estudios e
Publicacións da Consellería de Agricultura, Santiago, 1988, pp. 252-290.
Um
estudo mais detalhado da
evolu~m
regist:ada polo quadro legal
em
rel~m
aos
montes comuns
no
século
XIX
pode encontrar-se
:na
obra:
-BALBOA, Xesús, o
monte
en
Galicia.
op.
cit.,
pp.
81
e ss.
768
. 769
Xesús Balboa oferece-nos
um
estudo detalhado des
te
processo4 2 , e pom
claramente de manifesto que a
explica~m
do fracasso deste intento privatizador
hai que busca-la, em última instáncia, no mesmo factor que explica a
pervivéncia do regime foral: a solidez que no agro galego conservavam as
estruturas produtivas tradicionais e os grupos sociais vinculados a estas
estruturas, o campesinato e a fidalguia; aos que se une ademais agora boa parte
da
burguesía urbana, compradora de rendas na
desamortiza~m.
A
oposi~m
destes grupos sociais, fixo que as vendas de montes comuns foram, como
dixemos, insignificantes.
O resultado de todo isso foi, em defmitiva, que a finais do século XIX em
Galiza mantinham-se,
em
eséncia, as estruturas fundiárias herdadas do Antigo
Regime. Umhas estruturas marcadas, no que respeita a
distribu~m
da terra
entre as unidades de
produ~m,
¡x>la
dualidade entre umhas
explora~ns
individuais de mui reduzida superficie e as grandes extensons de monte comum.
Visto desde o presente, e desde a perspectiva das necessárias
transforma~ns
dessa estrutura agrária, a
valora~m
que se pode fazer desse
fenómeno (a pervivéncia dos montes comuns no período decimonónico), é
contraditória. Porque, se é certo que a sua
privatiza~m
mediante as medidas
desamortizadoras teria significado umha
usurpa~m
das comunidades vizinhais,
nom o é menos que o reparto destes
espa~s
comuns e a
incorpora~m
das suas
terras
as
explora~ns
individuais, era a única via que poderla ter permitido
consolidar unidades de
produ~m
de maior dimensom, adaptadas ao novo
contexto que se configurava em Europa.
Agora bem, isto leva-nos a outra questom. Antes sinalamos que a razom
fundamental de que nom se produzira
em
Galiza durante o século XIX esta
individualiza~m
dos montes comuns, foi a solidez que conservavam as
estruturas (sociais e produtivas) tradicionais.
Ao
lado disso, sem embargo, e
com igual ou maior importáncia, hai que citar o carácter das medidas legais ao
través das quais se plantejou em Espanha a divisom e
privatiza~m
dos
espa~s
comunais. Como aponta Xesús Balboa:
"A
preocupac~on
facendística
pesou
sempre
mais
que
a
necesidade
de
proceder
a
unha
individualización
equilibrada
-ao
xeito
francés-
que
producira
verdadeiras
mudanzas
nas
estruturas
agrarias
..
,43
Assi, na
legisla~m
espanhola nom se
contemplou em nengum momento o reparto dos
espa~s
comuns entre os seus
usufrutuários. A via escolhida
para
a
privatiza~
m (o u mais precisamente a
individualiza~m)
dos montes comuns foi a das vendas na
desamortiza~m,
que
o
't
Ver: BALBOA, Xesús,
op.
Cl.
• , pp. 98-158.
43
•t
BALBOA, Xesús,
op
..
e
l.
..
, pag. 234.
770
implicava a despossessom dos usufrutuários tradicionais. Isto explica em elevada
propor~m
o fracasso das medidas.
c.A
evolucom
da
dimensom
das
exploracons
aqrárias.
Como acabamos de ver, durante o século XIX a
distribu~om
da terra entre
as unidades de
produ~m
(a estrutura das
explora~ns),
nom experimentou
transforma~ns
significativas. Por
um
lado, mantivo-se a "estrutura dual",
pequenas
explora~ns
individuais 1 montes comuns. E por outra parte, no que
respeita em concreto
as
explora~ns
individuais, as reformas liberais nom
levárom a
mudan~
dignas de
men~m.
Em correspondéncia com os seus
'escassos efeitos sobre a propriedade da terra, essas reformas nom afectárom
tampouco á estrutura das
explora~ns.
Sentado isso, fica por aclarar
um
ponto: como evolucionou em concreto, ao
long o desse período (de meiados do
xvrn
a finais do XIX), a dimensom das
explora~ns.
Nom produzindo-se
modifica~ns
substanciais
no
regime de propriedade
nem nas fórmulas de cessom da terra, a
evolu~om
do número e superficie das
explora~ons
veu determinada principalmente pola dinámica demográfica, pola
evolu~m
das densidades demográficas na agricultura. Pois bem, baseando-nos
nos dados e estudos
existentes44,
podemos resumir assi as tendéncias:
i. Durante esse século e médio, as densidades demográficas no agro galego,
considerado globalmente, continuárom aumentando, ainda que esse
crescimento se ralentizou a partir de meiados do século XIX. Em concreto,
entre 1752 e 1900 a
popula~m
residente em núcleos menores de 2.000
habitantes aumentou em Galiza num
41,2%45.
ü. O crescimento da
popula~m
agrária, da pressom demográfica sobre
aterra,
levou a um aumento do número de
explora~ns.
44 Concretamente, para efectuar as
a~ns
que venhem a
oontin~m
apoiamo-
nos, ademais das cifras demográficas, nos dados sobre a
evolu~m
da
superficie cultivada
e
do
tanumho das
explo~ns
que se oferecem nas obras:
-VILLARES,
Ramón,
La
propiedad.
•
..
pp. 182-202.
-CARMONA,
Joám,
El
atraso
industrial
•••
op.
cit.,
pp. 37-55.
45
Cálculo próprio a partir das cifras recolhidas
na
obra:
-CARMONA,
Joám, op..
cit.,
pp. 32-35.
. 771
iii. Sem embargo, este incremento do número de
explora~ons
só em parte se
operou a costa da divisom das unidades existentes com anterioridade, e da
redu~om
do seu tamanho. Em boa medida, o citado incremento realizou-se
mediante a expansom do
espa~o
agrário, o
espa~o
apropriado
de
forma
individual, a costa dos montes comuns.
iv. A resultante foi que a superfície média
por
explora~om
experimentou umha
redu~om,
pero menor do que corresponderla ao aumento do número de
unidades produtivas46. E isso foi acompanhado de umha certa ampliac;om do
espa~o
agrário.
1.
3 •
As
importantes
primeira
metade
do
regime
foral
e
as
polos
montes
comuns.
transformac;ons
século
XX.
A
fortes
mudanc;as
registadas
na
desaparic;om
do
experimentadas
Ao iniciar-se o último quarto do século XIX, seguiam ainda vigentes na
agricultura galega os elementos esenciais das estruturas fundiárias herdadas do
Antigo Regime. Entre eles estava, por um lado, a existéncia de grandes
extensons de monte comum, que se mantinham nesta data indivisos e com as
suas formas de aproveitamento tradicionais. E por outro lado, o sistema foral; o
regime de propriedade da terra continuava marcado na maior parte
da
supefície
pola pervivéncia do foro, sendo reduzida a extensom na que se estabelecera a
propriedade privada plena e livre, característica das sociedades capitalistas.
V ai ser nos anos finais do período decimonónico e na primeira metade do
século actual, quando esses dous elementos entrem definitivamente em crise,
produzindo-se em ambos aspeitos transformac;ons substanciais. Como
conseqüéncia dessas mudanc;as, configuram-se durante este período alguns dos
~·
principais
tra~os
que caracterizam a estrutura das explorac;ons e da propriedade
da terra em Galiza na actualidade; e mais concretamente, alguns dos trac;os
esenciais que definem as estruturas que encontramos em 1950/1960 (que será o
ponto de partida da nossa análise posterior).
Entre as transformac;ons operadas na primeira metade do século XX, hai
que situar num lugar central as que se refrrem ao regime de propriedade da
46
Concretamente, na análise realizada
por
R. Villares para a comarca de Chantada,
obtem-se que a superficie média
por
explora~m
diminuiu entre 1753 e 1880
num
12,5%
. (Ver: VILLARES,
Ramón,
op..
cit.,
pp. 184-185)
772
terra. Assiste-se por fim nestas décadas a
liquida~m
do sistema foral, que se
salda com o acceso geralizado dos agricultores a propriedade plena das terras
que vinham trabalhando. Ainda que esta conquista da propriedade da terra por
parte dos camponeses nom é completa; de tal modo que vai quedar um volume
nom despreciável de terras em maos de nom agricultores, e trabalhadas em
arrendamento ou
apar~a.
Essas
tansforma~ns
no regime de propriedade da terra, nom implicárom
mudan~
na superficie das unidades de
produ~m.
Antes ao contrário, o seu
efeito foi
refor~
e consolidar a estrutura de pequenas
explora~ns;
ao
encontrar esta agora a sua correspondéncia num regime de pequena propriedade.
Pola sua parte, os montes comuns vem-se sometidos neste período a
pressons mui fortes e de diferente signo4', que acabam levando a sua
desapari~m
ou a
altera~m
das suas formas de aproveitamento tradicionais.
Sometidos a essas tensons, o destino destes montes "bifurca-se"; e assistimos a
dous processos:
-De umha banda, produze-se a
individualiza~m,
a divisom, de umha boa parte
dos montes; passando estas terras a integrar-se nas
explora~ns
individuais,
ampliando a sua base territorial.
-Ao mesmo tempo,
para
outra elevada
propor~m
dos montes comuns
consuma-se a sua
"publifica~m",
o passo da sua titularidade a maos de
entidades públicas, despossuíndo
as
comunidades vizinhais. E isto vai
acompanhado, nas décadas posteriores a Guerra Civil, de um ataque aos
modos de aproveitamento tradicionais, como conseqüéncia da política de
repovoamento florestallevada a cabo polo Estado.
O seu mero enunciado pom de manifesto que estamos perante
mudan~
de
grande alcance, que vam determinar em boa medida as estruturas que
encontramos no período actual. Ademais, nom
só
se trata
da
história
relativamente recente, senom que alguns desses processos históricos traspassam
o umbral do que é o nosso período central de análise (de 1950/1960 em
acHante), e o seu desenlace chega até a actualidade. Todo isto justifica que
dediquemos a esses processos um
espa~
relativamente extenso.
4 7
Por
um
lado,
a.
"pressom individwilizadora" exereida sobre esses
~s
polos
agricultores; e,
por
outra banda, a "pressom publificadora" derivada do quadro
legal-institucional e da
interven~m
do Estado na
regul~m
dos aproveitamentos do
monte.
. 773
a. A
liguidacom
do
regime
foral
e o
acceso
do
campesinato
a
propriedade
da
terra.
al.
A
desaparicom
do
reqime
foral;
o
processo
de
redenQom
dos
foros.
Durante a segunda metade do século XIX, foi aumentando em Galiza a
conciéncia de que era necessário proceder a
elimina~m
do regime foral, e da
divisom de domínios sobre a terra que isso implicava;
já
que isto suponhia um
obstáculo ao desenvolvimento da agricultura. E das trés
o~ons
em princípio
possíveis para a
consolida~m
dos domínios (a reversom, em favor dos
detentadores do domínio directo; a
aboli~m
das rendas forais, accedendo os
detentadores do domínio útil a propriedade plena das terras sem pagar nengumha
indemniza~m;
e a
reden~m,
isto é a
consolida~m
da propriedade
em
maos
dos levadores do domínio útil a cámbio de umha
indemniza~om
aos rentistas);
dessas trés
o~ns,
dizemos, é a
reden~m
a que se vai imponhendo, tanto na
doctrina como na própria realidade48.
Sem embargo, hai que agardar ainda até bem entrado o século actual para
que isso se plasme no plano legal, para que se disponha legalmente a
elimina~m
das rendas forais; oferecendo um mecanismo jurídico, e fixando um
prazo
de
tempo para essa supressom. A primeira tentativa neste sentido, a lei de
reden~m
de foros de 1873, tivo umha vida mui breve. Com esse precedente,
hai que que esperar a 1926 para que seja regulada a
solu~m
ao problema foral,
com o Decreto-leí de
Reden~m
de foros aprovado neste ano. Neste texto
fixava-se um prazo de 1
O anos para que os levadores do domínio útil
procederam a
reden~m
das rendas, prazo que foi ampliado indefmidamente
por
outro Decreto promulgado em
193149.
48
Sobre isto consultar:
-VILLARES, Ramón,
La
propiedad
....
op.
cit.,
pp.
249-308.
Oferece-se
aqw
umha análise sobre os debates
em
tomo
ao sistema foral que se
desenvolvem
em
Galiza na segunda metade do século XIX, a
posi~m
dos diferentes
grupos sociais, e o que poderiamos denominar a
fl\lcorrel~m
de
fo~"
entre estes
grupos.
49
Umha referencia detalhada ao contido desses textos legais pode encontrar-se
na
obra
de
R.
Villares:
-VILLARES, Ramón, op..
cit
..
, pp. 319-322.
. 774
O ciclo da vida jurídica do foro
nom
se fecha até a "Compilación del
Derecho Civil Especial de Galicia" de 1963, onde se dispom a
extin~m
dos
foros subsistentes
no
prazo de 10 anos, é dizer a finais de 1973so.
Isso é o que sucedeu no plano jurídico. Na realidade, sem embargo, a
elimina~m
do sistema foral tinha
com~do
antes de 1926, e era umha empresa
consumada quase totalmente em torno a 1960. Imo-nos referir brevemente a
cronología do processo de
reden~om
dos foros, para deter-nos depois algo mais
numha questom que tem
um
grande interesse para o presente: a estrutura da
propriedade da terra que surge desse processo.
-A
cronologia
do
processo51...!..
A
desapari~m
das rendas forais, e a
consolida~m
da propriedade plena e
livre das terras em maos dos detentadores do domínio útil, iniciara-se
já,
como
antes apontamos, com as medidas desamortizadoras; e tivo depois outro breve
episódio com a lei de
reden~m
de 1873.
Porém, até as décadas finais do século XIX a imensa maioria da superfície
seguiu baixo o regime foral, e este conservou ainda umha notável solidez. O
início do período de crise e
liquida~m
definitiva deste regime hai que situa-lo
em tomo a 1890, quando
com~
a intensificar-se a venda das rendas forais por
parte dos grandes rentistas.
A partir daí, o processo foi-se intensificando nas duas primeiras décadas do
século XX, ainda que nom de
um
modo linhal nem tampouco uniforme no
espa~;
de tal modo que no momento em que é aprovado o Decreto de 1926,
umha boa parte das rendas foram
já
redimidas. O procedimento seguido em todo
esse período foi o das
reden~ns
privadas, efectuadas de mútuo acordo entre
perceptores e pagadores de rendas.
Depois de 1926 o processo de
reden~m
prosseguiu, a ritmos diferentes e
com umha cronología variável de umhas
zonas,·
a outras do agro galego;
..
e··vai
continuar ainda durante a Guerra Civil e a década dos 40. A princípios da
51 Aquí baseamo-nos principalmente na obm de R. Villares, onde se oferece o
melhor estudo realizado até agora sobre o processo
de
reden~m
foral. Ver:
-VILLARES, Ramón,
op.
cit
..
, pp. 323 e ss.
Ademais, utilizamos ta.mbém as notas que sobre o particular aporta o estudo sempre útil
de
Abel Bouhier. Ver:
-BOUHIER, Abel,
op
..
cit
..
, pp. 1146-1165.
década dos 50 a
liquida~m
do regime foral estava esencialmente consumada,
sendo
já
poucas as rendas
sem
redimir5 2 • E a finais dos anos 60 os contratos de
foro que podiam encontrar-se
nom
passavam
do
capítulo da
anécdotaS3.
-A
estrutura
da
propriedade
da
terra
que
surge
como
resultado
da
redencom
foral.
Estamos aqui perante umha questom de grande releváncia, e com
um
interesse directo para o estudo das estruturas fundiárias existentes nas últimas
décadas. E umha questom que, visto desde a actualidade, nom está ainda
suficientemente aclarada ou precisada, apesar dos grandes avances realizados em
Galiza no
esb.Jdo
da
história agrária ao longo dos últimos
15
ou 20 anos.
Trataremos, pois, de resumir as principais conclusons que se podem estabelecer
no estado actual dos conhecimentos; sinalando ao mesmo tempo os aspeitos que,
ao nosso entender, ficam por aclarar.
Como acabamos de ver, o processo de
reden~m
foral supuxo que no prazo
de uns 50 anos (finais do século XIX e primeira metade do XX), as persoas que
detentavam o domínio útil das terras accederam massivamente a sua propriedade
plena e livre. O que agora queremos precisar é a estrutura da propriedade e os
modos de tenéncia das terras, que emergem como resultado desse processo.
Questom essa que é equivalente a esta outra: qual era a
composi~m
social dos
redimentes das rendas, dos donos do domínio útil; e concretamente, em que
medida coincidiam essas persoas com os exploradores directos das terras.
775
Para situar o tema, digamos que
em
princípio havia dous grandes tipos de
situa~ns
possíveis:
i.
A primeira: que o redimente, o dono do domínio útil no momento de
efectuar-se a
reden~m,
fora
um
agricultor, e em concreto o explorador
directo das terras. Neste
caso;
o resultado seria o acceso deste último a
propriedade das terras que vinha trabalhando; constituindo-se assi
um~
regime de pequenos agricultores-proprietários, e de
explora~ns
agrárias em
tenéncia directa.
53
Assi, numba amostra
realizada
por
estas datas
em
17 zonas da provincia
de
Lugo,
a
partir
da
info~m
recolhlda polo "Servicio Nacional
de
Concentración Parcelaria",
obtivo-se que
das
7.250 hes de superficie investigada wricamente 20 hes, o 0,27%,
estavam gravadas com foros. Ver:
-PLANCHUELO
ARIAS, Emilio, "Estudio jurídico-sociológico del foro
en
las comarcas
de
Lugo. ",
Foro
Gallego,
no. 152, 1971, pp. 415-426;
em
especial, pp. 419-423.
ü. O outro suposto possível era que o donúnio útil estivera em maos
de
nom
agricultores, que á sua vez tinham cedidas as terras para o seu cultivo a
camponeses, mediante contratos de arrendamento ou
apar~a.
Partindo
dessa
situa~m,
a
elimina~m
das rendas forais teria como resultante o
acceso daquelas nom agricultores a propriedade das terras, seguindo os
exploradores directos como arrendatários ou aparceiros.
Que sucedeu realmente em Galiza ? . Que importáncia tinha
quantitativamente cada umha dessas duas
situa~ns
? .
Repassando as
investiga~ns
até agora realizadas sobre o processo de
reden~om
foral, a resposta a essa questom nom parece oferecer nengumha
dúvida. Todas essas
investiga~ns
chegam a mesma conclusom: os redimentes
de
rendas eram na sua grande maioria agricultores, os exploradores directos das
terras; e, em conseqüéncia, a
reden~m
levou a conquista geralizada
por
parte
do campesinato da propriedade das terras que vinha trabalhando. Essa
conclusom é, ademais, coerente com o que se conhece sobre o regime de
propriedade da terra configurado em Galiza no Antigo Regime, ao que aludimos
ao
princípio: o foro era a fórmula absolutamente predominante de cessom da
terra aos agricultores-titulares de
explora~m,
polo que estes eram os donos do
domínio útil das superfícies. Partindo dessa
situa~m,
a
elimina~m
das rendas
forais fecharla esse ciclo histórico, emergendo umha estrutura da propriedade da
terra caracterizada polo predonúnio absoluto dos camponeses-proprietários5 4 •
Essa imagem tem-se convertido
já
num lugar comum ao referir-se a
reden~m
foral, e ao regime de propriedade fundiária resultante na agricultura
galega; e, falando em termos gerais, a sua validez nom parece oferecer
nengumha dúvida.
776
Agora bem, se examinamos mais detidamente o tema, encontramo-nos, em
primeiro lugar, com que essa
interpreta~m
é matizada notavelmente
por
outros
autores.E em segundo lugar, podemos ver que a evidéncia empírica que
oferecem os estudos até agora realizados sobre a
reden~m
foral, é ainda
insuficiente para poder estabelecer conclusons precisas, geralizáveis a todas as··
comarcas.
Comeremos
por
isto último. Os dados empíricos mais completos sobre a
composi~m
social dos redimentes das rendas forais, som os elaborados
por
R.
Villares para o concelho de Chantada. Os seus resultados som concluíntes: mais
do
96%
das
rendas redimidas neste concelho entre 1891 e 1935 correspondem a
54
A
elabo~m
mais acabada e documentada desta
interpre~m
é sem dúvida a
que
oferece Ramón Villares
na
obra a que nos ternos referido repetidamente, e que
oonstitue a sua tese de doutoramento. Ver:
-VILLARES,
Ramón,
La
propiedad
......
op
..
cit
..
redimen tes agricultoresss. Sem embargo, hai que ter em conta que a
informa~m
se retire a umha zona concreta do agro galego.
Este mesmo autor suministra noutro trabalho
informa~m
referida esta vez a
toda a província de Lugo, e as
reden~ns
efectuadas no período anterior a 1855,
a resultas das medidas desamortizadoras. A imagem que se obtém é neste caso
mais matizada: a
participa~om
do campesinato diminue a aproximadamente os
2/3 das
reden~ns,
correspondendo o restante 1/3 a membros da fidalguia e a
burguesia urbanas'. Porém, nom podemos atribuir a estas cifras umha grande
releváncia,
já
que o volume global de
reden~ns
é neste período mui reduzido.
Outros dados disponíveis coincidem em sinalar o predomínio dos
agricultores entre os redimentes. Pero tenhem também o problema
de
nom
recolher a etapa principal da
liquida~m
do sistema
fora157.
Em definitiva, a evidéncia empírica existente avala em termos gerais a
conclusom que indicamos ao
com~.
Pero esta evidéncia é insuficiente para
conhecer com precisom os resultados do processo nas diferentes zonas
do
agro
galego.
Frente a isso, alguns autores tenhem chamado a
aten~om
sobre a
importáncia que, ao seu entender, tinha a finais do século XIX e princípios do
XX, a preséncia de grupos sociais acomodados, alheios ao campesinato, entre os
donos do domínio útil das terras. Dacordo com estes autores, numha grande
parte da superficie galega o domínio útil da terra estava em maos daqueles
grupos sociais, que a sua vez tinham cedidas as terras em arrendamento ou
apar~a
aos cultivadores directos. Em conseqüéncia, afirmam, a
reden~m
foral deu lugar a umha estrutura da propriedade fundiária na que tinham um
forte peso os proprietários absentistas, e os regimes de tenéncia indirectos
(arrendamento e
apar~a).
As
afrrma~ns
mais contundentes neste sentido som as que efectua José
Antonio Durán: "
•••
en
la
Galicia
de
1880
no
se
puede
mantener,
sin
más,
que
todos
los
foreros
sean
campesinos.
El
bloque
más
potente,
si
no
el
más
numeroso,
de
poseedores
del
«dominio
útil»,pagadores
de
pensión
al
señorío,
son,
en
realidad,
tan
absentistas
como
los
foristas,
cobradores
de
la
pensión:
he
aquí
a
5 7 É o que sucede
por
exemplo
coma
info~m
sobre as
reden~ns
na provincia
de
Pontevedra durante a segunda metade do XIX, que se oferece no trabalho:
-ARTIAGA, Aurora, "As redencións
...
",
op.
cit
..
, em especial, pp. 182-187.
777
los
señoritos,
a
la
burguesía
rentista
( ...... )
..
Estos
foreros,
si
bien
han
de
pagar
foro,
cobran,
a
su
vez,
«renta»
de
labriegos
que
llevan
sus
tierras
forales
en
aparceria
o
en
arriendo
..
~t58
Concretamente, segundo este autor, a fmais do século XIX essas classes
acomodadas possuiam o domínio útil de aproximadamente os 3/4 das terras
aforadas59.
Esse mesmo ponto de vista foi sostido por alguns estudosos no primeiro
tércio do século actual, ao referir-se a realidade
coetánea.
É o
caso
por exemplo
de V aleriano Villanueva, que, aludindo a
situa~m
vigente e m tomo a
1910/1915, afmna: "Con
censos
o
no,
las
tres
cuartas
partes
de
las
tierras
cultivadas
en
la
Marina,
que
es
la
zona
más
poblada,
son
arrendadas,
y
las
dos
terceras
partes
en
el
interior
..
"60
Nas décadas reeentes outros autores, ademais de J.A. Durán, tenhem
defendido umha opiniom similar; entre eles podemos citar em especial a Jesús
García Femández6 1 . Todos coincidem em sinalar que entre os donos do domínio
útil das terras, havia umha forte preséncia de persoas das classes sociais
acomodadas; e que, em conseqüéncia, na estrutura da propriedade que emerge
da
reden~m
foral, tinha umha notável importáncia a propriedade média e
grande en maos de absentistas.
ss
DURAN,
José
Antonio,
Agrarismo
y
movilización
campesina
en
el
pais
gallego
(1875-1912).,
Siglo
XXI
de
España
Eds.,
Madrid,
1977,
pag.
13.
59
Ver:
~URAN,
José
Antonio,
Agrarismo
....
op.
cit.,
pag.
13.
60
VILLANUEVA,
Valeriano,
Medios
prácticos
más
eficaces
de
impulsar
el
progreso
moral
y
material
de
Galicia
y
de
conservar
las
virtudes
y
corregir
los
defectos
de
sus
hijos.
,
Madrid,
1918.
Reeditado
no
livro:
-VllLANUEVA,Valeriano,Organizaci6n
del
Cultivo
y
de
la
Sociedad
Agraria
en
Galicia
y
en
la
España
Atlántica
..
(Ed.i~m,
estudos
preliminares
e
notas
de
José
Antonio
Durán),
Xunta
de
Galicia-MAP
A,
Madrid,
1984,
pag.
258.
61
Ver:
GARCIA
FERNANDEZ,
Jesús,
Organización
del
esoacio
y
economia
rural
en
la
España
Atlántica.
op
..
cit.,pp.
151-173.
778
779
Hai que dizer, sem embargo, que nengum desses estudosos oferece umha
informa~om
empírica sistematizada para avalar e basear as suas
afmna~ons;
polo que nom podemos julgar a validez que estas tenhem, nem precisar o peso
da
propriedade absentista no primeiro tércio do século actual.
Mais comedidas, e nós eremos que também mais próximas a realidade, som
as
observa~ons
que sobre este tema realiza A. Bouhier. Na sua
exposi~m,
este
autor coincide com a conclusom geral sinalada ao princípio: os princípais
"beneficiários" da
reden~m,
os que accedérom maioritariamente a propriedade
da
terra, fórom os agricultores-cultivadores directos. Sem embargo, chama
também a
aten~m
sobre o volume relativamente importante de foreiros alheios
ao campesinato, que
gra~s
a
reden~m
foral se convertírom em proprietários
plenos e livres de medianas e grandes propriedades; referindo-se a eles como os
"discretos beneficiários" da
reden~m62.
Estas persoas, principalmente membros
do que podemos chamar a burguesia, tinham cedidas as terras para o seu cultivo
baixo contratos de arrendamento ou
apar~a,
e assi continuam depois de
eliminadas as rendas forais, pero agora como proprietários plenos dessas
superfícies.
Pola nossa parte, nom estamos obviamente em
condi~ns
de fazer
nengumha
aporta~om
original a essa análise histórica. Pero si podemos oferecer
algumha luz sobre o tema, a partir dos dados sobre a realidade actual; o u, mais
precisamente, dos dados referidos a estrutura da propriedade e os regimes de
tenéncia da terra que encontramos a meiados deste século. Como depois
veremos em
detalhe63,
os dados estatísticos amostram que ao redor de
1950/1960, a maior parte da superficie na agricultura galega era propriedade de
agricultores, e estava trabalhada por estes em tenéncia directa. Sem embargo,
era também relativamente importante o volume de superficie pertencente a
grupos sociais alheios ao campesinato, e que era trabalhada em arrendamento ou
apar~a.
Em concreto, para o conjunto de Galiza, ao redor de 1/4 ou 1/5 da
superficie das
explora~ns
estava nesta data trabalhada em arrendamento ou
apar~a;
e umha
propor~m
similar dos agricultores eram arrendatários ou
aparceiros, é dizer, que trabalhavam todas ou a maior parte
das
terras nalgum
desses regimes de tenéncia indirectos. Ademais, dentro da geografia galega, a
preséncia desses regimes concentrava-se em elevada medida em determinadas
comarcas"'.
63
Ver infra: apartado 2 deste capítulo Vll.
64 Como dixemos, todo isto veremo-lo de forma detalhada no apartado 2 deste
capítulo.
780
Isso refrre-se a
situa~m
existente em 1950/1960. Todos os estudos
coincidem em que durante a primeira metade deste século, o peso dos regimes
de
tenéncia indirecta diminuiu em Galiza claramente65, polo que a sua
importáncia tinha que ser superior em 1900 ou 1920.
Em
definitiva, pois, os dados actuais confirmam que a estrutura da
propriedade fundiária que emergeu com a
liquida~om
do sistema foral, se
caracterizava polo predomínio dos camponeses-proprietários.
Pero
também
ponhem
de
manifesto a significativa preséncia que tinham os proprietários nom
agricultores,
em
concreto a propriedade média ou grande
em
maos de
absentistas;
e,
ligado a isso, a importáncia assimesmo dos regimes
de
tenéncia
indirectos.
Na
nossa opiniom, este segundo aspeito nom tem recebido
até
agora
nos estudos de carácter histórico a
aten~om
que merece; e,
em
conseqüéncia,
trata-se de algo cuja
explica~m
histórica nom está suficientemente aclarada.
Exposto nuns termos mui gerais, essas propriedades absentistas, e a
correspondente preséncia do arrendamento e
apar~a,
podem ter a sua origem
em
dous tipos de processos:
-A
primeira possibilidade é que se tratara
de
terras aforadas nas que o domínio
útil estava
em
maos de nom agricultores.
-A
outra origem possível dessas propriedades é que
se
tratara
de
terras livres,
nom sometidas ao regime foral; que estavam exploradas directamente polos
donos do domínio eminente, ou cedidas
por
estes mediante contratos de
curta
dura~m.
Nos
estudos históricos podemos encontrar referéncias tanto a umha como a
outra
situa~om66.
Pero, na nossa opiniom, nom estám ainda aclarados
com
a
suficiente precisom os processos históricos que dérom lugar a esse tipo
de
propriedades. E sobretodo, falta por explicar historicamente o forte peso que a
propriedade absentista e os regimes
de
tenéncia indirectos da terra, tinham a
meiados
do
século actual nalgumhas comarcas concretas
de
Galiza. É dizer ,
..
os
65
Ver
os apontamentos que sobre esta questom oferecemos
um
pouco mais adiante.
66
Polo que respeita a primeira situayom,
já
nos referimos a ela
na
exposi~m
anterior.
Em
rel~m
com
a segunda, podemos encontrar também alusons a exemplos concretos:
por
exemplo, as
tenas
pertencentes ao clero e que estavam exploradas directamente polos
mosteiros,
ou
bem
cedidas mediante contratos
de
arrendamento a curto prazo;
tenas
estas
que forom vendidas na
desamo~m.
(Consultar: BOUHIER, Abe!,
op.
cit.
,
pag. 1154)
.
781
contrastes que existem nesse aspeito
no
período actual dentro da geografia
galega 67 •
a2.
As
compras
de
terras
efectuadas
polos
agricultores
e o
retrocesso
dos
modos
de
tenéncia
indirectos
no
primeiro
tércio
do
século
XX.
As
transfonna~ons
registadas na propriedade da terra em Galiza durante a
primeira metade, e
em
particular durante o primeiro tércio, do século actual,
nom se limitárom as derivadas da
reden~m
foral. Paralelamente a
liquida~om
das rendas forais, produziu=se também umha intensa mobilidade no mercado de
terras, que contribuiu a
refor~
o predomínio da propriedade camponesa;
reduzindo-se simetricamente a importáncia da propriedade absentista, e dos
regimes de tenéncia indirectos da terra.
Nos párrafos precedentes insistimos em resaltar
um
feito: que a
reden~m
foral nom supuxo a
geraliza~m
absoluta da propriedade camponesa, senom que
umha parte relativamente importante das terras quedárom em maos de
proprietários nom agricultores, e eram trabalhadas em arrendamento ou
apar~a.
Pois bem, ao longo
do
primeiro tércio do século, umha boa
propor~m
destas terras vam sendo adquiridas polos agricultores (já sejam estes
os que as vinham trabalhando ou bem outros das proximidades), acrescentando
deste modo o património fundiário
do
campesinato, e o volume de superficie
trabalhada em tenéncia directa. Ainda que a superfície afectada foi muito menor
que a implicada nas
reden~ns,
essas compras de terras constituem outro
elemento importante na progressiva conquista polos agricultores da propriedade
da terra; processo este que, como veremos, continuou nas décadas posteriores a
Guerra Civil.
Feitas as
afirma~ons,
irnos tratar de documenta-las,.brevemente.. Neste.
sentido, hai que dizer que nom se dispom de nengumha
quantifica~m
das
compra-vendas de terras efectuadas durante as primeiras décadas deste século;
nem tampouco contamos com cifras sobre a
evolu~m
da superficie por modos
67
Em
rel~m
com isto, eremos que seria de grande interesse umba
investig~m
sobre o processo
de
confi~m
histórica da estrutura da propriedade
da
terra naquelas
zonas
de
Galiza que
em
1950/60 registavam
um
:maior peso
do
arrendamento e a
ap~a.
Sobretodo, a zona da provincia de A Conmha que se extende polo Golfo
Artabro e a franja
do
interior que vai até os concelhos
de
~ua,
Boimorto e Melide (ver
os
dados sobre
os
regimes de tenéncia da terra
em
1962 que oferecemos
no
apartado 2
deste capítulo).
782
de tenéncia, que permitam quantificar o retrocesso do arrendamento e a
apar~a.
Sem embargo, podemos encontrar abundantes referéncias parciais,
que avalam a existéncia
do
processo, e sugirem que este tivo umha magnitude
relevante.
Assi, R. Villares alude a importante mobilidade no mercado de terras, que
se registou ao longo dos últimos anos do século
XIX
e primeiro tércio do
XX
na
zona por ele estudada, a comarca de Chantada; e apresenta alguns dados
empíricos que permitem conhecer
as
características gerais das
transa~ns
68
•
Dacordo com a sua
descri~m,
encontramo-nos neste período com dous grandes
tipos de
opera~ns:
-Por
um
lado,
um
elevado número de compra-vendas de pequenas parcelas,
realizadas entre agricultores.
-E polo outro,
as
vendas por parte de fidalgos e membros da burguesía de
superficies da sua propriedade, que estavam cedidas em arrendamento ou
apar~a,
e que
som
adquiridas na maioria dos casos por agricultores. Nuns
casos vende-se a
explora~m
em
conjunto a
um
único comprador; noutros é
dividida em vários lotes adquiridos por persoas diferentes. Os compradores
fórom com freqüéncia os antigos arrendatários ou caseiros, que se fixérom
assi com
a·
propriedade das terras que vinham trabalhando. Outras vezes,
sem embargo, fórom vários agricultores das proximidades; que deste modo
redondeavam com algumhas parcelas adicionais a sua
explora~m
e a sua
propriedade69.
Consideradas globalmente, resulta fácil ver que o saldo neto dessas
transa~ons
foi
um
incremento
do
património fundiário do campesinato, e da
superfície trabalhada por este em propriedade.
No mesmo sentido aponta a
descri~m
de A. Bouhier sobre a progressiva
perda de importáncia da
apar~a,
dos caseiros, ao longo da primeira metade do
século
actua1
7
0.
Concretamente, o autor documenta este processo em comarcas
como o Médio Ulha ( concelhos de V edra, Touro e Boqueixom), as terras de
Melide e
Ar~ua,
ou a zona de Mesia-Ordes- Tordoia; comarcas estas que, como
depois veremos, coincidem em boa medida com aquelas que nas décadas
68 Ver:
VILLARES,
Ramón,
La
propiedad
......
op
..
cit.,
pp.
356-359.
69
Ver:
Ibidem
70
Ver:
BOUHIER,
Abel,
op..
cit.,
pp. 1165-1169.
Todas
as
a~ns
que fazemos a
oontin~m
estám baseadas
na
exposi~m
que
oferece nessas páginas, polo que prescindiremos de reiterar as chamadas
em
notas
ao
pé
de página.
. 783
recentes registam ainda um peso oonsiderável dos regimes de tenéncia
indirectos. Das referéncias que Bouhier efectua a esse processo, hai que destacar
dous aspeitos:
-0
retrocesso da
apar~a
neste período, opera-se como conseqüéncia da venda
por
parte de proprietários absentistas de "lugares",
explora~ns,
que tinham
cedidos a caseiros. Estas vendas, segundo Bouhier, fórom mui numerosas
entre 1930 e 1937, ralentizando-se o processo nos anos da Guerra Civil e a
Segunda Guerra Mundial;
para
intensificar-se de novo na década dos 50.
-Os compradores das terras fórom na maioria dos casos os antigos caseiros, que
adquirem em geral o conjunto da
explora~m.
Sem embargo, também foi
freqüente a
fragmenta~m
da
explora~m
em diversos lotes de terras,
adquiridos por outros agricultores das proximidades. Em qualquer caso, o
resultado foi em geral que as terras passárom a ser propriedade de
agricultores, e trabalhadas por estes em tenéncia directa.
Poderiamos multiplicar as referéncias de autores coetáneos ou actuais, que
aludem a intensa mobilidade no mercado de terras que se registou em Galiza
durante o primeiro tércio do século, e ao protagonismo nestas compras do
campesinato 7
1.
Pero para os nossos fms é suficiente
como
já
visto.
b. A
evolucom
do
número
e
tamanho
das
exploracons
na
primeira
metade
do
século
XX.
Como
aprecia~m
geral, podemos afirmar que as fortes
transforma~ons
que
afectárom a propriedade da terra neste período, nom fórom acompanhadas de
71
Assi por exemplo, entre os autores coetáneos, Valeriana Villanueva constatava
em 1924 a forte
redu~om
da
superficie em arrendamento que se produzira nos 10 ou 20
anos anteriores, sinalando que: "
•••
los
campesinos
en
estos
últimos
veinte
años
han
ido
adquiriendo
el.
dominio
de
la
tierra
en
mucha
mayor
parte
que
antes."
(
VILLANUEVA, Valeriana,
La
agricultura
gallega.,
em:
~LANUEVA,Valeriano,Organización
del
Cultivo
•••
~
.;::::;..:...::::::...:::..'
pag. 414).
Entre os estudosos actuais que destacam a forte mobilidade no mercado de terras nos
finais do XIX e primeiro tércio do XX, podemos citar a Jesús García Femández.
Ver: GARCIA FERNANDEZ, Jesús,
Organización
del
espacio
....
op..
cit.,
pp.
151
e ss.
Ainda que nom compartimos o ponto de vista deste autor de associar essas
compra-vendas com um intenso processo de
fragmen~m
das
explo~ns.
784
mudan~
significativas
no
que respeita a superfície
(o
tamanho) das unidades de
produ~m.
Mantivérom-se, pois, a pequena dimensom e o elevado grau de
parcelamento que caracterizavam
as
explora~ons,
sem
que em nengum dos dous
aspeitos houvera
varia~ns
importantes
72
•
Carecemos aqui de estatísticas, que nos permitam conhecer como
evolucionou exactamente o número e a superfície das
explora~ns
durante a
primeira metade
do
século
XX.
Pero
si
podemos aportar alguns elementos de
jui~
ou alguns índices indirectos, que avalam, e fam possível precisar algo
mais, essa conclusom geral.
U m primeiro elemento a ter
em
conta é a dinámica registada ao longo
destas décadas pola
popula~m
activa agrária. No capítulo 1 desta
investiga~m
vimos que durante o primeiro tércio
do
século, a
evolu~m
da PAA em Galiza,
ainda que difire de
um
decénio a outro, estivo marcada em conjunto por umha
tendéncia a
estabiliza~m
do
seu
volume. Neste período cesou o incremento do
número de activos na agricultura, que
se
dera até entom; pero
sem
iniciar-se
ainda umha
diminu~om
nítida.
Em
coeréncia com essa dinámica demográfica,
cabe pensar que a estrutura dimensional das
explora~ns
registou globalmente
umha estabilidade similar; ao menos no que
se
refrre ao número total de
unidades e a sua superfície média.
lsso no que respeita
ao
primeiro tércio do século. No período 1930-1950,
como também vimos no capítulo
1,
a pressom demográfica sobre a terra
experimentou de novo
um
aumento considerável na nossa agricultura, devido ao
feche da
emigra~m
exterior. Nom contamos com dados para contrastar os
efeitos que isso tivo sobre a estrutura das
explora~ns.
Pero parece lógico
suponher que a conseqüéncia
foi
um
incremento do número de pequenas
explora~ns,
e umha
redu~m
da superficie média/
explora~om.
Em conjunto, pois, na primeira metade do século mantivérom-se, e mesmo
aumentárom, as densidades demográficas na agricultura galega. lsto tendeu
necessariamente a estabilizar a estrutura das
explora~ns,
impedindo que se
iniciara
um
processo de
concentra~m
das unidades de
produ~m.
Ao contrário,
é probável que no conjunto das 5 décadas
se
agudizara ainda mais o
minifundismo, o reduzido tamanho das
explo~ns.
Ademais dos condicionantes demográficos, o outro factor a considerar som
os efeitos que pudérom ter sobre a estrutura
das
explora~ns
as
transforma~ns
na propriedade da terra antes descritas.
No
que se refire a
reden~m
foral, nom
12
Isto deve entender-se como referido a superficie agrária das
explo~ns;
fixando-nos
na
superficie total destas unidades
de
produc;om individuais
si
se
produ.zírom
neste período
mudan~
mui importantes, como conseqüéncia
do
reparto
de
muitos dos
montes comuns. A este processo referiremo-nos depois.
785
é preciso deter-nos. A sua conseqüéncia foi a
consolida~om
da propriedade da
terra em maos dos donos
do
domínio útil,
sem
que o processo implique
nengumha
mudan~
na
distribu~m
da superficie entre
as
unidades de
produ~om.
A questom é mais complexa
no
caso das compra-vendas de terras; porque
estas si suponhem, o u ao menos podem suponher,
varia~ns
na superfície das
explora~ns
implicadas.
Os
seus efeitos sobre a estrutura das
explora~ons
dependerám das características concretas das
transa~ons
7
3.
No caso concreto
das registadas e m Galiza durante este período, o
seu
resultado neto desde este
ponto de vista foi probavelmente: a
fragmenta~m
de umha parte das
explora~ns
de mediana e grande dimensom; acompanhada de umha certa
amplia~om
de unidades de menor tamanho. E, por outro lado, essas
compra-vendas contribuírom seguramente a agudizar o parcelamento do
espa~
cultivado74.
De qualquer modo, desde umha perspectiva global, as
mudan~
nom devérom ser de grande magnitude.
c.
o
reoarto
e
apropriacom
individual
de
umha
grande
parte
dos
montes
comuns.
Ao lado das
transforma~ons
descritas no regime de propriedade da terra,
durante o último quarto de século
XIX
e a primeira metade do
XX
registou-se
outro processo de grande trascendéncia para a
configura~om
das estruturas
fundiárias existentes na agricultura galega no período actual: o reparto e
apropria~om
individual de umha grande parte dos montes comuns, que se
tinham conservado até estas datas indivisos. Este processo implicou
mudan~s
73
Examinamos isto
na
terceira parte desta
investig~m,
ao
estudar o problema
da
...
mobilidade
da
term
em
Galiza nas últimas décadas.
74
Para
fazer estas
a~ns
baseamo-nos
na
info~m
disponível
sobre
as
características das compra-vendas
de
terras neste período (finais
do
XIX
e primeiro tércio
do
XX).
Sobre
isto, ademais das referencias
de
Villares e Bouhler, citadas mais atrás,
podem
consultar-se
os
dados referidos
as
t~ns
de
terras
no
municipio
de
Santiago
publicados
no
traba.lho:
-GARCIA
SEXTO,
Ana, "Transformacións
na
propiedade da terra
no
Concello
de
Santiago (1900-1941).'', em:
VILLARES,
Ramón
(ed.),
Donos
de
seu.
op.
cit.,
pp.
235-265;
em
especial,
pp.
243-254.
mui importantes, tanto no que
se
refrre a
distribu~m
da terra entre as unidades
de
produ~m,
como do ponto de vista da propriedade destas superficies:
786
-Desde a primeira perspectiva, a estrutura das
explora~ns,
desaparece umha
elevada
propor~m
dos
espa~s
comuns que existiam no sistema tradicional,
e estas superfícies
som
incorporadas as
explora~ns
individuais, ampliando
de forma considerável a sua base territorial.
-E no que respeita a propriedade da terra, a conseqüéncia foi que superfícies
sometidas até entom a
um
regime de propriedade colectiva, fórom
incorporados aos patrimónios fundiários individuais dos membros dessas
colectividades.
Irnos tratar de resumir a
continua~m
os factores explicativos e a cronología
deste processo de
individualiza~m
de umha boa parte dos montes comuns,
afondando também nas
implica~ns
que isto tivo para a
configura~m
das
actuais estruturas fundiárias.
cl.os
factores
explicativos
ou
impulsores
da
individualizaQom
dos
montes
comuns.
O primeiro feito que compre destacar é a forma geral na que se efetuou o
processo. Como sinala X. Balboa, ao contrário do que sucedeu noutros países da
Europa Ocidental, "A
individualización
da
propiedade
colectiva
é
en
Galicia
unha
resposta
campesiña,
e
non
obedece
de
xeito
inmediato
a
un
diseño
politico
concreto.
"'s
Anteriormente apontamos
já
os escassos efeitos que sobre os montes
comuns galegos tivérom as medidas desamortizadoras promulgadas em Espanha
no século XIX; os montes vendidos em
aplica~m
dessas medidas fórom aqui
mui poucos.
No
capítulo V deste estudo (pp. 227-306) oferece-se umha análise detida do processo
no
período anterior a Guerra Civil.
De
suma utilidade é também a
descri~m
que sobre este aspeito pode encontrar-se
na
obra
de
A.Bouhler (Ver: BOUHIER, Abe!, pp.
862-877).
Nessas duas obras ba.seamo-nos principalmente para a
exposi~m
que oferecemos a
contin~m.
787
Pois bem, nom vam ser tampouco
disposi~ns
de carácter legal as que
regulem e guiem a
apropria~m
individual de boa parte desses montes, quando
esta se produze efectivamente, a partir de finais do XIX e sobretodo na primeira
metade do século XX.
Os
repartos fórom realizados por iniciativa dos próprios
agricultores, como um fenómeno interno as comunidades rurais; sem
interven~om,
e também em boa medida sem o conhecimento, da
Administra~m7'.
As
disposi~ns
jurídicas dictadas ao respeito, limitárom-se
unicamente a tratar de legalizar as
apropria~ons
individuais
já
consumadas; e
mesmo neste sentido tivérom escassa efectividade
77
.
Os factores que impulsárom aos camponeses a proceder ao reparto
individual dos montes comuns fórom
diversos78,
e a importáncia de cada um
deles variou de uns períodos a outros. Num plano geral, sem embargo, podemos
resumir esses factores em dous tipos de pressons ou
for~s,
que operam sobre as
comunidades rurais, e que ponhem
em
questom a propriedade colectiva e os
modos de aproveitamento tradicionais destas superficies:
i.
Por umha parte, o desenvolvimento das tendéncias individualistas no seio das
comunidades rurais. Ou, mais explicitamente, a
consolida~m
de umha
7 6 Ilustrativos deste desconhecimento som feitos como o seguinte.
Em
1958
plantejou-se a
elabora~m
de
um
"Plan de Expansión Agraria" para a provincia de A
Corunha, e entre as possíveis medidas a aplicar a Orde Ministerial correspondente
contemplava a divisom e
ro~m
dos montes comunais.
Foi
ao efectuar os estudos
prévios quando a
Administ~m
comprovou que tal
ope~m
era impossível, pola
simples razom de que esses montes foram
já
na sua imensa maioria dividos polos
vizinhos.
O feíto é relatado polos autores encargados do estudo. Ver:
-GARCIA
DE
OTEYZA,Luis 1 BUENO GOMEZ,Miguel 1 CRUZ CONDE,Femando,
Explotac~ones
agrarias
familiares.
Contribución
a
su
estudio
en
la
provincia
de
La
Coruña.,
S.N.C.P.O.R.
,
Madrid, 1963, pp. 11-12.
77
É o que sucedeu
comas
disposi~ns
sobre
"legi~ns
de
rotu~ns
arbitrárias", tal como documenta X. Balboa. Ver: BALBOA, Xesús,
op.
cit.,
pp.
276 e ss.
A via utilizada pola maior parte dos agricultores para "legalizar" as
apropri~ns
efectuadas
de
parcelas do monte comum vai ser a
decl~m
destas terras como
propriedade particular ao realizar-se os Catastro de Rústica.
78
Ver: BALBOA, Xesús,
op.
cit.
, pp. 290-302.
Este autor classifica
em
concreto esses factores
em
trés
grupos: administrativos,
jurídicos e ideológicos, e económicos.
788
agricultura baseada cada vez
em
maior medida nas
explora~ns
agrárias
individuais; e o desejo dos agricultores de dedicar os montes a usos que
entravam em
contradi~om
com o regime de aproveitamento colectivo.
Dentro desse processo geral jogou
um
papel importante a
desapari~om
do
sistema foral, e o acceso conseguinte dos camponeses a propriedade plena
das terras que formavam a sua
explora~om.
Isto estimulou sem dúvida a
divisom dos
espa~s
comuns, ainda que compre sinalar que o processo se
iniciou
já
com anterioridade a
reden~m
foral.
ii. Ao lado dessas tendéncias individualizadoras, hai outro tipos de pressons
que vam impulsar a
apropria~m
individual dos montes: a
amea~
de
interven~m
no
seu
aproveitamento por parte da
Administra~m,
e o perigo
conseguinte para as comunidades vizinhais de ver-se despossuídas
das
terras. Esta
amea~
está latente
já
desde o último quarto
do
século XIX; vai
aumentando
como
passo do tempo; e acaba fazendo-se plenamente efectiva
no período posterior a Guerra Civil, com a política de repovoamento
floresta! levada a cabo nestes montes polo Estado.
Isto fixo que em muitos casos os agricultores procederam a divisom e
apropria~m
individual dos
espa~s
comunais, como umha medida
defensiva, para evitar a despossessom destas superficies. Este factor tem
releváncia sobretodo no caso dos repartos de montes vizinhais efectuados
nas décadas da posguerra
79.
Neste caso, pois, o motor principal da divisom dos montes nom foi a
contradi~m
(interna
as
comunidades rurais) entre propriedade colectiva e
propriedade individual, senom o intento de preservar a propriedade privada
dessas
terrasSO
por parte dos vizinhos, frente ao perigo do seu passo a
propriedade e domínio público.
c2.
Mecanismos
e
cronologia
do
processo;
a
sua
magnitude
e
distribuQom
geográfica.
A
apropria~m
individual de superfícies dos montes comuns, efectuou-se ao
través de duas vias ou mecanismos: os individuais, e os repartos
definitivos destas extensons.
79 Consultar ao respeito:
-BOUHIER, Abel,
op
• e i t . , pp. 869 e ss.
80
Baixo a modalidade
de
propriedade individual,
dadas
as
am~
a propriedade
privada colectiva vigente de forma tradicional.
Os
apresamentos, a
apropria~m
de parcelas
do
espa~
comum por parte de
membros da colectividade, nom
som
um
fenómeno que se inície na Idade
Contemporánea; como tampouco se inícia agora a
redu~m
da superficie
ocupada polo inculto. Sem embargo, dentro desta continuidade histórica do
processo, observa-se umha clara ruptura cujo
com~
pode situar-se na década
de
186()81.
A partir desta data, produziu-se
um
aumento contínuo do número de
apresamentos; e ademais fórom cada vez mais freqüentes os apresamentos
múltiples, realizados nom por individuos isolados, senom por grupos numerosos
de vizinhos ou de co-partícipes na propriedade
do
monte. Isto constitue
um
síntoma do debilitamento dos vínculos comunitários, que se produze
já
no
último tércio do XIX; e, de feito, a extensom dos apresamentos foi com
freqüéncia o prelúdio da divisom definitiva dos montes
82
•
No que respeita a este segundo processo, existem também exemplos de
repartos deftnitivos de montes comuns efectuados em datas mui anteriores, em
concreto desde o século
XVIIT83;
pero tratava-se de feítos mui pouco freqüentes.
É a partir das décadas ftnais do século XIX quando os repartos se multiplicam,
convertindo-se num fenómeno de grandes dimensons.
A intensidade e a cronología do processo diferírom notavelmente entre os
montes de varas e os montes de vizinhos, em coeréncia
como
diferente regime
de possessom de uns e outros, e as
implica~ns
que isto tinha sobre o grau de
coesom interna das comunidades rurais.
-os
repartos
definitivos
dos
montes
de
varasM~
Os repartos definitivos de montes de varas ou vozes entre os seus
co-proprietários,
com~om
a adquirir
um
volume considerável nos últimos
81
Ver: BALBOA, Xesús,
op.
cit.,
pp. 247 e ss.
8l
Ver:
Ibidem,
pag. 258.
83
Referencias neste sentido podem encontrar-se
nas
obras:
-BOUHIER, Abel, pp. 864-865.
-SAA
VEDRA,
Pegerto, "Montes", op..
cit
..
, pag. 207.
M A
exposi~m
que apresentamos a
contin~m
sobre os repartos, tanto dos
montes de varas como dos montes vizinhais, basea-se principalmente na análise oferecida
nas obras:
-BOUHIER, Abel,
op
• e i
t.
, pp. 866-877.
-BALBOA, Xesús,
op.
cit
..
, pp. 259-276.
789
. 790
decénios do século XIX,
em
concreto a partir de 1880. Nas décadas seguintes o
processo foi-se desenvolvendo a ritmos importantes, para
alean~
a sua máxima
intensidade na etapa de 1920-1940.
O factor fundamental que impulsou
os
repartos foi o desejo dos agricultores
de levar a cabo umha
utiliza~m
mais intensiva destas terras. Em concreto, o
principal objectivo era a
intensifica~m
e aperfeizoamento do seu sistema de
aproveitamento tradicional, com o
fim
de aumentar a
produ~m
de adubos, e
¡xxier assi ampliar e melhorar os rendimentos da superfície cultivada. De feito,
esta foi a
mudan~
mais importante que se produziu na
utiliza~m
destas
superficies de monte depois
da
sua
apropria~m
individual, levando ao
estabelecimento nelas de
um
verdadeiro "cultivo intensivo" do tojo. Nalguns
casos buscava-se também ampliar a extensom de pastos da
explora~om,
mediante a
rotura~m
de algumhas parcelas de monte. E assimesmo, influiu (na
etapa de 1920-1940) o interesse
em
plantar com pinheiros algumhas parcelas.
Pola sua parte, a
reden~m
foral, ao consolidar a propriedade plena e livre
sobre as terras das
explora~ns
individuais, contribuiu a acelerar as
parti~ns
destes montes.
Depois da sua fase de maior intensidade (1920-1940), os repartos dos
montes de varas continuárom durante as décadas seguintes; pero em volumes
muito menores, posto que a maior parte deles foram
já
divididos.
O resultado desse processo, desenvolvido no curso de uns 70 ou 80 anos,
foi a
desapari~m
praticamente total deste tipo de extensons. Assi, a altura de
1960
s6
subsistiam alguns montes de varas no extremo nordeste da província de
Lugo, e nalgumhas parróquias da Terra Chá (dentro desta mesma província)ss.
No resto da metade septentrional de Galiza, que era o ámbito geográfico de
existéncia destes montes, as suas terras tinham passado a integrar-se nas
explora~ns
agrárias individuais.
-As
divisons
de
montes
vizinhais.
As características do regime de possessom destes montes, e o maior grau de
coesom interna
das
comunidades vizinhais a que esse regime dava lugar,
fixérom que as tendéncias individualizadoras se desenvolveram aqui em muita
menor medida que no caso dos montes de varas. Isso explica que os repartos
definitivos se iniciem nestes montes muito mais tardiamente, e que finalmente
s6
afectaram a umha parte deles, mantendo-se o resto indivisos até a actualidade.
Ademais, os repartos de montes vizinhais efectuados respondérom
85
Ver: BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pag. 867.
791
principalmente, nom a factores internos as colectividades, senom a umha
manobra defensiva dos vizinhos para evitar a despossessom destes
espa~os
comunais por parte dos concelhos e a
administra~m
floresta!.
Em concreto, as
parti~ns
nom
com~om
aquí a adquirir certa
importáncia até os anos 1910/1920; e desenvolvérom-se em duas grandes
etapas 86 :
-1925-1935. N este período
os
repartos registárom
um
volume moderado, e
concentrárom-se na província de A Corunha e algumhas áreas do tércio
septentrional da de Lugo.
-1945-1965. Estes fórom os anos nos que as divisons definitivas de montes
vizinhais
alcan~om
umha maior intensidade; sendo a sua causa o início do
repovoamento floresta! massivo destas superficies por parte do "Patrimonio
Forestal del Estado", organismo criado a princípios da década dos 40. Os
repartos continuárom produzindo-se ao menos até meiados da década dos
60; e mesmo existem testemunhas de alguns levados a cabo na segunda
metade deste decénio8'.
No plano geográfico, o processo afectou esencialmente a metade
septentrional de Galiza, a situada ao norte de umha linha
tra~da
entre a
desembocadura ·do Ulha e Pedrafita. Por baixo desta linha, as divisons de
montes vizinhais só registárom
um
volume importante nalgumhas comarcas
concretas: fundamentalmente o nordeste da província de Pontevedra (Lalim,
Silheda, A Estrada), e alguns sectores do norte da provincia de Ourense. No
resto do território destas duas provincias, é dizer, em termos gerais, na metade
meridional de Galiza, os montes vizinhais mantivérom-se na sua imensa maioria
indivisos, e assi vam permanecer até a actualidade88.
86
•t
Ver:
BOUHIER,
Abel,
op
. e
l.
• , pp. 869-877.
87 Assi,
J.M.
López
Andión cita vários casos
de
repartos
de
montes
em
municipios
da
Term
Chá
(Castro Rei e Outeiro
de
Rei) efectuados
no
curso
dos
anos 1966-70.
Ver:
-LOPEZ
ANDION,
J.M.,
Estructura
y
morfologia
agraria
en
Secretariado
de
Publicaciones
de
la
Universidad
de
Santiago
de
Compostela, Santiago, 1979, pag. 30.
a
Sobre
a
distribu~m
geográfica dos repartos
de
montes vizi.nhais, consultar:
-BOUHIER,
Abel,
op.
cit.
, pag. 870.
. 792
-o
volume
global
de
superficie
afectada
polo
processo
de
individualizacom
dos
montes
comuns,
e
a
sua
distribucom
geográfica.
Para obter umha ideia aproximada da superfície que foi afectada polas
transforma~ons
descritas (a
apropria~m
individual tanto de montes de varas
como de montes vizinhais), podemos utilizar os dados referidos a
distribu~om
das terras a monte segundo a sua forma de propriedade, nas décadas recentes.
Em concreto, no
quadro
7 • 1 oferecemos as cifras que se obtenhem do Censo
agrário de 1962, referidas a superfície que nesta data ocupavam os montes
particulares, e os montes públicos e
comunais89.
Esta fonte censou em Galiza
um
total de 1.706.141 hes de terras a monte
em 1962. Dessa superfície, 827.000 hes, o 48,5%
do
total, correspondiam a
montes particulares, apropriados individualmente e integrados nas
explora~ons
agrárias individuais. Se ternos em conta que nas estruturas fundiárias
tradicionais, vigentes até finais do XIX, o monte particular era mui escasso,
podemos afirmar que a imensa maioria daquela superficie procede dos repartos
de montes de varas e montes vizinhais efectuados nos 70
ou
80 anos anteriores.
Portanto, dacordo com estas cifras, a
individualiza~m
dos montes comuns
registada neste período afectou a umhas 830.000 hes.
Quadro
7.1.
Superficie
ocupada
polos
montes
públicos
e
comunais
e
polos
montes
particulares.
Galiza
1962
-Montes
públicos
e
comunais
-Montes
particulares
-Total
superficie
a
monte
Hes.
%
878703
827438
1706141
51,5%
48,5%
100,0%
Fonte:
cálculo
pr6prio
a
partir
dos
dados
do
Censo
agrário
de
1962.
··
(os
detalhes
sobre
os
cálculos
podem
encontrar-se
no
apartado
2
deste
capitulo)
lsso deve tomar-se como umha
estima~m
por defecto, posto que os dados
oferecidos por outras estatísticas elevam notavelmente o volume de superficie
89 As cifras tal como aparecem
no
nosso qua.dro
nom
som
oferecidas directamente
por
esta estatística, senom que fórom obtidas mediante umha série
de
cálculos. Os
detalhes sobre o procedimento seguido podem encontrar-se
no
epígrafe
2.1
deste mesmo
capítulo.
ocupada na actualidade polos montes de propriedade privada individual90. Pero a
cifra é
já
suficientemente expressiva da magnitude que tivérom as
transforma~ns
descritas.
Ao lado dessa primeira conclusom, devemos destacar também o segundo
feíto que ponhem de manifesto os dados reproduzidos no quadro 7.1: a
individualiza~m
dos montes comuns nom se produziu em todas estas unidades,
nem muito menos. Antes sinalamos
já
que se
os
montes de varas desaparecérom
quase por completo, nom sucedeu o mesmo com os montes vizinhais, grande
parte dos quais se mantivérom indivisos. Pois bem, segundo as cifras do
primeiro Censo agrário, os montes públicos e comunais ocupavam em 1962
ainda umhas 880.000 hes; o que representa a metade aproximadamente do total
de superficies a monte, e umha
propor~m
considerável do território galego.
No plano geográfico, o reparto e
apropria~m
individual dos montes
comuns produziu-se de
um
modo mui desigual nas diferentes áreas da
agricultura galega. O processo concentrou-se esencialmente na metade
septentrional, que era onde existiam os montes de varas e também onde
alcan~u
maior intensidade a divisom de montes vizinhais. Na metade
meridional, em cámbio, a maior parte dos montes comuns, que eram na sua
totalidade montes de vizinhos, permanecérom indivisos.
Quadro
7.2.
Superficie
ocupada
polos
montes
públicos
e
comunais
e
polos
montes
particulares.
Cifras
provinciais
1962.
-Montes
públicos
e
comunais
-Montes
particulares
-Total
superficie
a
monte
-Montes
públicos
e
comunais
-Montes
particulares
-Total
superficie
a
monte
Fonte:
ver
quadro
anterior.
A
CORUNHA
Hes.
%
111333
298458
409792
CUREN
SE
27,2%
72,8%
100,0%
Hes.
%
362272
110515
472787
76,6%
23,4%
100,0%
90
Em
rel~m
oom isto consultar:
LUGO
Hes.
%
249773
317594
567367
44,0%
56,0%
100,0%
PONTEVEDRA
Hes.
%
165325
90870
256195
64,5%
35,5%
100,0%
-FERNANDEZLEICEAGA,
Xaquín,
Economía
Cpolitical
do
monte
galego.
op.
cit.,
pp. 109-118.
793
794
Esse contraste entre a metade norte e a metade sul de Galiza é confmnado e
ilustrado, ainda que seja de forma imperfecta, polos dados a nível provincial do
Censo agrário de
1962
(ver
quadro
7.
2).
Assi, dacordo com estas cifras,
os montes públicos e comunais ocupavam nesta data o 27,2% do total de terras a
monte na província de A Corunha; e o 44,0% na outra província septentrional,
Lugo. Mentres que nas duas meridionais, Ourense e Pontevedra, essa
percentagem elevava-se
ao
76,6 e o 64,5%, respectivamente. Portanto, nestas
duas últimas províncias, a grande maioria das superficies de monte seguem
correspondendo no período actual a
espa~s
comunais.
c3.
As
mudancas
nas
estruturas
fundiárias,
que
se
derivárom
dos
repartos
de
montes
comuns;
a
sua
releváncia
para
a
configurac;om
das
estruturas
existentes
nas
últimas
décadas.
-A
ampliacom
da
base
territorial
das
unidades
de
produc;om
individuais.
A divisom dos montes comuns tivo umha primeira e fundamental
conseqüéncia: numha grande parte da geografía galega desaparecérom ou
vírom-se mui reduzidos estes
espa~s
de propriedade colectiva; e
as
suas terras
passárom a integrar-se nas
explora~ns
individuais, permitindo a
amplia~m
da
sua base territorial. O volume de superfície incorporado a cada
explora~m
em
concreto diferiu, segundo qual fora a extensom de monte comum do que
disponhia cada comunidade, e também segundo os métodos seguidos para o
reparto do monte entre os usufrutuários. Globalmente, sem embargo, e tendo
em conta a elevada
rela~m
entre monte e
SA
U
,.
que existia em todas
aS<
comarcas, pode afirmar-se que,
a1i
onde os repartos se produzírom, a
amplia~m
da superficie total das
explora~ns
foi
considerável.
Questom diferente é em que medida esse aumento da superfície total
das
explora~ns,
implicou também
um
incremento da sua superficie agrária. Ou, o
que é o mesmo: em que medida a
apropria~m
individual destas terras a monte,
foi acompanhada de umha
intensifica~m
do
seu
uso com fms agrários. Em
rela~m
com isto, a
informa~m
disponível indica que as
mudan~s
que se
produzírom na
utiliza~
m destas terras fórom principalmente de dous tipos' 1 :
i.
O mais freqüente foi, em efeito, a
intensifica~m
do aproveitamento agrário
destas superfícies de monte. Pero
nom
mediante a sua
rotura~om
permanente para dedica-las a lavradio
ou
prados. Isto, ainda que tivo lugar,
foi mui minoritário. O que
se
produziu na maior parte dos casos foi a
intensifica~
m do seus usos tradicionais com fins agrários ( em especial a
produ~om
de tojo e
as
estivadas, a
rotura~m
temporal destas terras);
num
processo gradual que tendía a intensificar a
utiliza~m
do conjunto das
terras, e levava a umha progressiva
incorpora~om
das superfícies de monte
ao
espa~
agrário.
ii. Ao lado dessa tendéncia maioritária, registou-se também outra: o
repovoamento floresta!, efectuado polos próprios agricultores, de algumhas
das
parcelas apropriadas
do
monte comum.
Em definitiva,
no
que respeita as efeitos sobre a estrutura das
explora~ns,
podem estabelecer-se duas conclusons:
l.
Os repartos de montes comuns permitírom
um
aumento considerável da
superfície total das
explora~ons
individuais.
2. Pero isso nom levou a umha
amplia~m
paralela da SAU dessas
explora~ns.
As
parcelas de monte procedentes dos repartos,
experimentárom em geral umha
intensifica~m
do seu aproveitamento
agrário, pero mantendo-se a monte.
Agora bem, como antes sinalamos, a
individualiza~m
dos montes comuns
concentrou-se fundamentalmente na metade norte de Galiza; enquanto que na
metade sul esses montes permanecérom na sua maior parte indivisos. Em
conseqüéncia, configurou-se
um
neto contraste entre as estruturas fundiárias
existentes nessas duas partes do território galego:
795
-Na metade septentrional,
os
montes comuns
s6
ocupam agora umha
propor~m
relativamente . reduzida da superfície total. Paralelamente, .
adquire umha grande releváncia o monte particular. E isto vai associado a
umha maior superficie/
explora~m,
a
um
maior tamanho médio das
explora~ons
(e m termos de superfície total); e sobretodo a umha preséncia
relativamente importante das
explora~ns
médias.
91
Consultar ao respeito as
descri~ns
e os dados empíricos que se oferecem nas
obras:
-BOUHIER, Abel,
op.
cit.
, pp. 878 e ss.
-GARCIA
FERNANDEZ,
Jesús,
Organizaci6n
del
espacio
•••
.Q.P..!..
cit.,
pp.
231
e ss.
-BALBOA, Xesús,
op.
cit.,
pp. 286-289.
-Em cámbio, na metade meridional:
os
montes comuns seguem cubrindo umha
grande parte
do
território; o monte particular tem escassa importáncia; e
esta menor preséncia do monte particular
fai
que aqui a superfície/
explora~m
seja menor que na metade norte, e que predominem de forma
mais acusada as pequenas
explora~ns.
Em resumo, nesta área de Galiza
mantem-se em eséncia a "estrutura dual" que no Antigo Regime, e até
princípios do século actual, existia em todo o agro galego:
explora~ons
individuais de reduzida superfície (que se corresponde esencialmente com
SA
U), rodeadas de grandes extensons de monte comum.
-A
"pulverizacom"
parcelária
das
terras
a
monte.
Acabamos de ver que a
individualiza~m
dos montes comuns, ali onde se
produziu, permitiu ampliar a base territorial das
explora~ons
individuais. Sem
embargo, a potencialidade que isso suponhia, e m princípio, com vistas a
reforma da estrutura das
explora~ns,
viu-se hipotecada pola forma concreta na
que se efectuárom os repartos dos montes. Trataremos de resumir esta questom,
de enorme trascendéncia desde o ponto de vista actual.
O que nos interessa aqui nom
som
os critérios que se seguírom para
determinar a superfície que lhe correspondía no monte comum a cada vizinho ou
co-proprietário, senom o procedimento empregado á hora de plasmar esse
reparto sobre o terreo. Nos montes de varas, o procedimento consistiu, na
imensa maioria dos casos, em partir dos diferentes "vedros" ou "searas" nos que
se dividía o monte para realizar as estivadas, e fraccionar depois cada umha
destas unidades entre todos os porcioneiros, em
propor~m
a sua quota. Nos
montes de vizinhos, o método seguido foi, neste aspeito, similar: o monte foi
dividido inicialmente numha série de unidades, em
fun~m
das aptitudes
naturais das. terras, repartindo depois cada umha delas entre todos os vizinhos'l.
A resultante disso foi que se produziu umha
pulveriza~m
parcelária destas
extensons antes indivisas. Deste modo, a superfície de monte que receveu cada
9l
Os sistemas que fórom empregadas para os repartos dos montes
de
varas e os
montes
de
vizinhos
som
expostos
em
detalhe
por
A.Bouhier, que, como corresponde a
perspectiva geográfica da sua arullise, oferece ademais
um
estudo pormenorizado
das
estruturas parcelárias resultantes. Ver:
-BOUHIER,
Abel,
op.
cit.
, pp. 813-830; e 867-876.
796
797
agricultor era de umha dimensom total considerável, pero aparecía fragmentada
num grande número de parcelas de pequena ou mui pequena extensom 9
3.
Este feito vai ter pesadas conseqüéncias para o futuro dessas superficies. A
forma na que os agricultores realizárom as
parti~ns
dos montes comuns estava
acorde com a lógica ou racionalidade de um sistema agrário tradicional, como o
vigente nessas décadas em Galiza; e desde esta racionalidade é facilmente
explicável: dada a rudimentariedade dos médios de trabalho e a auséncia de
mecaniza~om,
o parcelamento da terra (dentro de certos límites) nom constituía
um problema; e, em cámbio, o que si se via como algo fundamental eram as
aptitudes naturais da terra, que cada agricultor recebera no monte terras de
aptitudes naturais similares. Daí o método seguido para os repartos.
Sem embargo, o acusado fraccionamento das superfícies de monte a que
isso deu lugar, vai condicionar decisivamente a sua
evolu~m
nas décadas
recentes, quando as
mudan~
nas
condi~ons
produtivas fam que passe a um
primeiro plano o problema do tamanho e do acceso as parcelas. A. Bouhier
capta acertadamente a releváncia que isto tivo:
"Libéré
du
cascan,
réel
ou
supposé,
de
la
propriété
collective,
le
monte
est
tombé
tout
aussitót
dans
les
lacs
d'une
parcellisation
extreme
rendant
par
avance,
dans
de
tres
nombreux
secteurs,
pratiquement
impossible
toute
tentativa
systématique
et
étendue
de
mise
en
culture.
,94
Em
resumo:
-0
reparto dos montes comuns, ali onde se produziu, permitiu que as
explora~ns
ampliaram consideravelmente a sua superficie total, e abria em
princípio o caminho para o aumento
da
sua SA U, mediante a
rotura~om
e a
posta em cultivo de umha boa parte das terras a monte.
De
feito, isso foi
acompanhado a curto prazo de um aproveitamento mais intensivo destas
terras.
-Porém, a forma concreta na que se efectuárom os repartos, e a consegufute
pulveriza~om
parcelária dessas superficies, vai fazer mui difícil a sua
transforma~m
em terras cultivadas ou pastos nas décadas recentes;
93
Isto é certo tanto
para
as parcelas procedentes dos repartos definitivos dos
montes, como para as que tenhem a sua origem
em
apresamentos individuais.
Pam
ilustra-lo podem consultar-se as cifras que oferece X.Balboa:
-BALBOA, Xesús, op..
cit
..
, pag. 284.
94
•t
BOUHIER, Abel, op..
Cl.
• , pag. 876.
798
bloqueando assi a expansom da SAU das
explora~ns,
e hipotecando o
futuro produtivo de umha grande parte do território
galeg#.
Visto desde a actualidade, e a luz das
considera~ns
anteriores, fai-se
patente a enorme trascendéncia,
em
sentido negativo, que tivo para a agricultura
galega a forma "anárquica" na que se realizou a
individualiza~m
dos montes
comuns. E, portanto, o enorme custo que se derivou da auséncia de medidas
político-legais dirigidas a guiar
um
reparto dos montes ordenado e com visom
de futuro.
O resultado foi que o problema do elevado parcelamento da terra, até entom
limitado ao reduzido
espa~
agrário, extendeu-se também a umha grande parte
das terras a monte. E todo isto, devemos reitera-lo, produziu-se numhas datas
bastante recentes, quando
já
na maior parte dos países da Europa Ocidental se
estavam aplicando políticas de
concentra~om
parcelária, dirigidas justamente a
corregir o problema". Mais ainda: no que constitue um triste paradoxo, e um
exemplo de divórcio entre as
a~ns
institucionais e o devir real, a
pulveriza~m
parcelária de umha parte dos montes galegos efectuou-se depois de que em
Espanha
forajá
aprovada a Lei de
Concentra~m
Parcelária de 1952.
d.
A
"publificacom"
dos
repovoamento
floresta!
superficies.
montes
de
de
umha
vizinhos.
e o
parte
destas
Este é o segundo componente das
mudan~s
registadas polos montes
comuns em Galiza durante a primeira metade deste século. E, ao igual que o
anterior, o fenómeno que agora irnos ver vai condicionar nom
s6
a
situa~m
das
terras a monte que encontramos em 1950/1960, senom também a
evolu~m
destas terras ao longo das últimas décadas.
95
Veremos isto claramente
no
capítulo
vm,
ao examinar a
evolu~m
da
ut~m
da
terra, e
em
especial das terras a monte, nas últimas décadas.
96
As
ope~ns
de
concen~m
parcelária
co~m
na
maior parte
da
Europa
Ocidental durante os anos
30
deste século, e nalguns países
já
antes desta data. Se
bem
foi
sobretodo
no
período posterior a Segunda Guerra Mundial quando se intensificárom as
ac~ns.
Ao
respeito pode consultar-se a panorámica oferecida na obra:
-OCDE,Medidas
de
reforma
de
las
estructuras
agrícolas.,
OCDE-Instituto de Desarrollo Económico, Madrid,
1972,
pp.
27
e ss.
. 799
Como
antes sinalamos, os repartos e a
apropria~om
individual afectárom
s6
a
umha
parte
dos montes comuns. Muitas destas unidades,
em
concreto montes
vizinhais, permanecérom indivisos, e assi
vam
continuar até a actualidade.
Pois
bem,
estes montes vizinhais vírom-se sometidos também
ao
longo
da
primeira
metade
do
século actual a profundas
mudan~s,
que afectárom tanto a
sua propriedade como aos seus usos.
No
primeiro aspeito, consumou-se neste
período
a
"publifica~m"
destes montes, a
atribu~m
da
sua titularidade aos
municípios;
coma
expropria~m
conseguinte das comunidades vizinhais. E isso
foi acompanhado,
no
período posterior a Guerra Civil,
de
um
ataque
as
formas
de
aproveitamento tradicional destas terras polos vizinhos,
ao
través
da
política
de
repovoamento floresta! impulsada polo Estado.
Para
nom
extender
em
demasía a nossa
exposi~om
nesta
introdu~om
histórica, limitaremo-nos a uns apontamentos esquemáticos sobre esses dous
processos97.
1.
A
expropria~m
dos montes vizinhais
as
comunidades proprietárias é um
processo que se inicia
já
na
primeira metade
do
XIX,
com
a
constru~m
do
entramado legal
do
Estado liberal espanhol.
Por
um
lado, produziu-se a
auséncia
de
reconhecimento legal do regime
de
propriedade
privada
colectiva que caracterizava a estes montes; estes ficárom numha
situa~m
de
indefini~m
jurídica, ainda que implicitamente fórom assimilados a montes
públicos. Ligado a isso está a
cria~m
dos novos municípios, e a auséncia
de
reconhecimento
da
persoalidade jurídica das comunidades vizinhais
usufrutuárias dos montes. Deste modo, a titularidade destes montes foi
atribuída (implicitamente) aos municípios.
n. Partindo
da
situa~m
assi criada, a
expropria~m
foi-se consolidando
ao
longo
da
segunda metade do
XIX
e a primeira metade
do
século actual.
Produziu-se isto mediante sucessivas
disposi~ns
que
estabeleciam a
presun~om
da
propriedade
em
favor das entidades municipais, e facultavam
a estas
para
inscribir os montes ao seu favor
no
Registo
da
Propriedade.
üi.
Durante
todo o século
XIX
e o primeiro tércio
do
século actual, essa
modifica~m
na
titularidade jurídica dos montes vizinhais
nom
tivo
conseqüéncias significativas sobre a sua
utiliza~m,
mantendo-se os
sistemas
de
aproveitamento tradicionais
em
maos dos vizinhos.
Isto
nom
quer
dizer
que
nom
houvera tentativas
de
interven~m
administrativa
na
97
Aruilisamos de forma Dllis detida essas
mudan~
na propriedade e no uso dos
montes vizinhais ao longo do século actual no trabalho:
-FERNANDEZ LEICEAGA, Joaquim 1 LOPEZ IGLESIAS, Edelmiro,
"Apro~m
a
hlstória do monte na Galim:
evolu~m
da propriedade e da
ut~m.
",
op.
e i
t.
regula~m
deste aproveitamento; pero o Estado e os seus organismos fórom
incapazes de efectivizar essa
interven~m98.
iv. A
situa~om
muda de forma radical no período posterior a Guerra Civil. Em
1941
é criado o "Patrimonio Forestal del Estado", organismo que nos anos
seguintes vai levar a cabo umha política de repovoamentos florestais
massivos nos montes vizinhais. O mecanismo utilizado foi a
realiza~m
de
"consórcios" com os municípios, considerados os proprietários legais dos
montes; tendo que enfrentar-se a
oposi~m
dos vizinhos, que se viam
privados do direito de uso sobre as terras que vinheram aproveitando
tradicionalmente.
O ritmo desta
floresta~m
foi na década dos 40 moderado, ainda que em
continuo aumento. A partir de
1953
a actividade repovoadora incrementa-se
fortemente, e é
na
etapa de 1953-1965 quando
alean~
a sua maior
intensidade.
Nom dispomos de cifras precisas sobre o volume total das superfícies de
montes de vizinhos que fórom repovoadas; pero podem ofereeer-se alguns
dados que ilustram a grande magnitude do processo. Assi, a superfície total
repovoada em Galiza entre
1941
e 1973 (incluindo tanto o repovoamento
mediante "consórcios", como o efectuado por particulares) foi de umhas
500.000
hes".
E desta cifra, pode estimar-se que a metade
aproximadamente correspondía ao repovoamentos "consorciados "100.
A
expropria~m
e o repovoamento floresta! de umha boa parte dos montes
vizinhais tivo importantes conseqüéncias para os agricultores e as
explora~ns
agrárias afectadas. Centrando-nos em concreto nos seus efeitos do ponto de vista
da estrutura das
explora~ns
e da
utiliza~m
da terra, isso supuxo:
-A
curto prazo, ou de forma imediata, que essas superfícies de monte deixárom
de cumplir a sua
fun~m
polivalente para as
explora~ns,
e de estar
integradas com estas unidades individuais; para convertir-se num
espa~
produtor de madeira, independizado do sistema agrário.
-E com vistas ao futuro, a
floresta~m
fixo que essas terras deixaram de ser
umha reserva potencial
para
a
amplia~m
da superficie agrária das
98
Sobre isto consultar:
-BALBOA, Xesús,
op.
cit.
, capítulo
IV
(pp. 158-226).
99
Ver:
FERNANDEZ
LEICEAGA,
Joaquim/
IV
Aproxi~m
...
IV,
op.
cit.,
pp. 264-265.
IGLESIAS, Edelmiro,
100
Isto é ao menos o que se desprende dos dados reoolhidos
por
A. Bouhler
para
a
superficie repovoada até 1960-61. Ver: BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp.
1045-1050.
800
explora~ons
individuais. Polo que, nas comarcas onde os montes de
vizinhos
se
mantivérom indivisos e fórom arvorados,
as
explora~ons
quedárom reduzidas ao estreito
espa~
agrário, de propriedade e possessom
individual, do que disponhiam.
A. Bouhier expressa-o de
um
modo gráfico, quando aftrma que o
repovoamento floresta! (tanto nos montes vizinhais como nos de propriedade
particular, efectuado por iniciativa dos próprios agricultores), supuxo a
"esclerose" e a "parálise" das terras a monte 1 01.
1.4.
Alquahas
notas
recapitulativas
a modo
de
conclusom.
Como resumo da
exposi~m
anterior, podemos estabelecer
as
seguintes
conclusons:
i.
Muitos dos
tra~os
fundamentais e mais profundos das estruturas fundiárias
que encontramos
em
Galiza
nas
décadas recentes, estavam
já
plenamente
conformados a fmais do Antigo Regime. Isso é certo, em especial, no que
respeita a pequena dimensom e ao elevado grau de parcelamento
da
terra
nas
explora~ns
individuais.
Sem embargo, outras das características das estruturas actuais, tenhem a sua
origem nas
mudan~
operadas ao longo da história contemporánea, e em
particular na primeira metade
do
século actual. Em concreto, da
evolu~m
registada na
época
contemporánea podem destacar-se estes pontos:
ii. Neste periodo consolida-se e acentua-se o reduzido tamanho e o
parcelamento da superfície das
explora~ns
individuais; estando isto
vinculado ao aumento ininterrumpido das densidades demográficas na
agricultura.
801
ili.
Produze-se o acceso geralizado do campesinato a propriedade plena das .
terras que vinha trabalhando; ainda que isto tem lugar de umha forma
progressiva, e nom leva a
elimina~m
total dos regimes de tenéncia
indirectos.
Ao lado desses dous processos, centrados no
espa~
de titularidade
individual, tenhem lugar
mudan~
mui importantes nos montes comuns,
que ocupavam no Antigo Regime
as
3/4 partes do território.
iv. Por
um
lado, opera-se o reparto e
apropria~m
individual da maior parte
destes
espa~s
comunais na metade septentrional de Galiza; o que permite
1M
"t
Ver: BOUHIER, Abel,
op.
e~
• , pp. 1050-1060.
um
aumento considerável aqui da superfície total das
explora~ons
individuais, e origina
um
neto contraste neste aspeito
(o
tamanho das
explora~ons
em termos de superfície total)
coma
metade meridional.
v. Por outro lado, os montes vizinhais que permanecem indivisos som
expropriados as comunidades usufrutuárias, efectuando-se
em
muitos deles
o seu repovoamento floresta! polo Estado.
vi. Ainda que o resultado desses dous tipos de processos que afectárom aos
montes comuns foi mui diferente a curto prazo, ambos tivérom
um
efeito a
médio prazo que é comum: a
pulveriza~om
parcelária dos montes no
primeiro caso, e a
expropria~m
e
floresta~m
no segundo, bloqueiárom em
boa medida a possibilidade da posta em cultivo ou a
transforma~m
em
pastos dessas terras; fazendo mui difícil que as
explora~ons
puderam
ampliar nas décadas recentes o estreito
espa~
agrário herdado do sistema
tradicionaltOl.
2.
A
ESTRUTURA
DIMENSIONAL
DAS
EXPLORA~ONS,
A
DZSTRIBU~OM
DA
PROPRIEDADE
DA
TERRA,
E
OS
REGIMES
DE
TENÉNCIA EXISTENTES
EM
1950/1960.
Depois dessas notas de carácter histórico, entramos agora no que é
propriamente o objectivo deste capítulo: o estudo das estruturas fundiárias
existentes em Galiza
no
período actual, e da sua
evolu~m
ao longo das últimas
décadas. Como ponto de partida tomamos a
situa~om
a meiados deste século.
Assi, neste apartado irnos analisar de forma pormenorizada as características das
estruturas fundiárias vigentes na agricultura galega ao redor de 1950/1960;
baseando-nos para isto num exame detido da
informa~m
estatística disponível.
A nossa
exposi~m
está dividida em trés epígrafes, nos que abordamos
sucessivamente os trés aspeitos que nos interessa conhecer: a estrutura
dimensional
das
explora~ns;
a
distribu~m
da propriedade da terra; e por
último, os regimes de tenéncia da terra, a
distribu~m
por modos de tenéncia da
superfície das
explora~ns
agrárias.
102
Em
rel~m
com este último ponto, ver a arullise sobre a
evolu~m
dos usos
da
terra ao longo
das
últimas décadas, que realizamos no capítulo VIII.
802
Os dados que utilizamos para esta análise procedem de fontes estatísticas
diversas, que variam segundo o aspeito
do
que
se
trate. Na
exposi~om
iremos
indicando
as
fontes disponíveis
em
cada caso, e faremos
as
precisons oportunas
sobre as suas características e sobre a fiabilidade
das
cifras.
2 •
1.
A ESTRUTURA
DIMENSIONAL
DAS EXPLORA90NS AGRAR:IAS
EH
1962.
O
NUMERO
E
SUPERF:ICIE
DAS UNIDADES DE
PRODU90H.
2.1.1.
Precisons
sobre
os
dados
estatísticos
disponíveis.
As
características
e o
qrau
de
fiabilidade
das
cifras
do
censo
aqririo
de
1962.
a.As
estatisticas
existentes
em
Espanha
sobre
o
número
e a
superficie
das
exploracons
agrárias
a
meiados
do
século
actual;
os
antecedentes
do
primeiro
Censo
agrário.
A primeira estatística global que sobre este aspeito
foi
elaborada em
Espanha ao longo do século XX, é o primeiro Censo agrário, realizado como
sabemos em 1962. Neste Censo recolheu-se
informa~om
sobre as diversas
características ou elementos das estruturas produtivas do sector agrário; entre
elas as referidas a base territorial das unidades de
produ~m.
Estes serám, pois,
os dados que utilizemos para conhecer a estrutura dimensional das
explora~ns
existente em Galiza a meiados de século (neste caso, em concreto, a princípios
da
década dos 60).
Sem embargo, contamos também com algumhas estatísticas anteriores,
elaboradas todas elas na década dos 50, que oferecem
informa~m
sobre o
número, e nalguns casos também sobre a superficie, das
explora~ns
agrárias; e
que neste sentido podem considerar-se como antecedentes dos Censos
agráriost03. Irnos
com~
a referindo-nos brevemente a estas fontes,
103
Em
rel~m
com isto consultar:
-DE
COO
ROMAN, Manuel, "El Censo Agrario Mundial.",
Estadistica
Española,
no.
8,
julho-setembro
1960,
pp.
56-68.
N este trabalho apresenta-se umha panorámica das diversas fontes que podem ser
catalogadas como antecedentes do primeiro Censo agrário levado a cabo
em
Espa.nha; e
que
de
algum modo marcam
um
caminho que culmina com a
~m
desse Censo.
803
ao tipo de dados que aportam e a sua procedéncia; e vendo as cifras globais que
nelas se obtenhem para Galiza.
1. o
"avance
estat!stico"
sobre
os
reqimes
de
tenéncia
da
terra,
elaborado
polo
"Instituto
de
Estudios
Agro-Sociales"
em
1950.
Este "avance estatístico" foi realizado polo organismo que mencionamos (o
"Instituto de Estudios Agro-Sociales"), com a finalidade principal de obter
informa~m
sobre os regimes de tenéncia da terra. Porém, nos resultados
publicados figuram também dados que tenhem interesse directo para o que agora
nos ocupa; em concreto, estes refrrem-se ao número de
explora~ns,
e a
superfície cultivada/
explora~m104.
As cifras fórom recopiladas a nível provincial polas respectivas "Jefaturas
agronómicas provinciales", utilizando como fonte de
informa~om
primária a
existente em diferentes organismos ("Cámaras Oficiales Sindicales Agrarias",
"Juntas Locales de Información Agrícola", "Hermandades Sindicales",
...
)105.
Nom se trata, pois, de dados obtidos mediante umha recolhida directa de
informa~m,
polo que devem tomar-se com certa cautela; sobretodo aqueles em
termos absolutos, como os que aqui nos interessamt06.
Ü.As
"Encuestas
agropecuarias"
de
1953
e
1956.
A estas "Encuestas agropecuarias"
já
aludimos no capítulo V, quando
analisamos a
composi~m
da mao de obra agrária por
situa~ons
profissionais a
meiados de século. Como sinalamos ali, as cifras obtivérom-se nos dous casos
das "Hermandades Locales de Labradores y Ganaderos", cada umha das quais
1 04 Os resultados fórom publicados por L. García de Oteyza, num trabalho onde se
aclara também a procedéncia da
info~m.
Ver:
-GARCIA
DE
OTEYZA, Luis, "Los regímenes de explotación del suelo nacional ... ,
Revista
de
Estudios
Agro-Sociales,
no.
1,
outubro-dezembro
1952, pp. 49-65.
105
Ver: GARCIA
DE
OTEYZA,
49-51.
106
Aos resultados desta fonte e a sua fiabilidade referimo-nos com maior
detenimento posteriormente, ao examinar os modos de tenéncia da terra.
804
cumplimentou
um
questionário com a
informa~m
sobre a sua área de
actua~om.
Portanto,
no
que respeita a procedéncia dos dados e a sua precisom,
vale o dito para a estatística anterior.
Pola sua
conce~om,
as
"Encuestas agropecuarias"
som
as que mais se
aproximam a
um
antecedente
dos
modernos censos agrários; porque nelas
recopilou-se
informa~m
sobre os diferentes elementos das estruturas produtivas
no sector agrário (mao de obra, maquinária, gado,
...
). Sem embargo, no tema
que agora nos ocupa (a base territorial das unidades de
produ~om),
os dados que
suministram som mui escassos, e refirem-se nom ao tamanho das
explora~ns
seno m as
parcelas107.
Apesar de todo, hai uns resultados destas "Encuestas" que som de utilidade
para o que estamos tratando:
os
que correspondem ao número de titulares de
explora~om,
que podemos identificar com o número de
explora~ns,
e que
encontramos tanto na de 1953 como na de 1956.
lii.
outras
fontes
estatisticas.
Por último,· podemos citar as cifras de empresarios agrários publicadas polo
"Censo de población" de 1950. Esta fonte nom é, obviamente, um antecedente
dos censos agrários; pero esses dados
si
tenhem
um
interesse directo, tratando-se
de conhecer o número e superficie
das
explora~ns.
Em conjunto, disponhemos portanto de 4 estatísticas diferentes, que
suministram
informa~om
sobre o número total de titulares ou de
explora~ns
agrárias existentes nos anos 1950-1956. No
quadro
7 • 3 reproduzimos as
cifras que se obtenhem para o total de Galiza
em
cada umha dessas fontes; e
incluímos também, a efeitos comparativos, o número de
explora~ns
contabilizadas no Censo agrário de 1962.
107
Ver: GONZALEZ GALINDO, Antonio, "Resultado de la Encuesta
Agropecuaria. Cerca de
23
millones de fincas de secano menores de 0,25 hectáreas.",
Revista
Sindical
de
Estadistica,
no.
33,
pp. 2-9.
Com maior precisom, os dados refirem-se ao número e tamanho das fincas, entendidas
em
sentido jurídico; e nom das parcelas em sentido agronómico. Assi, no trabalho que
citamos, onde se publicam os resultados, sinala-se que o objectivo foi conhecer
" ......
el
estado
real
de
la
distribución
de
la
propiedad
rústica
..
" (pag. 3).
805
Quadro
7.3.
Número
de
explora~ons
ou
de
titulares
de
explora~om
existentes
em
Galiza
a
meiados
do
século
actual,
diferentes
fontes
estatisticas.
Número
de
Fonte
estatistica
e
data
ou
de
titulares
A.
Censo
de
popula~om
1950
351424
B.
Estatistica
do
"Instituto
de
Estudios
Agro-Sociales"
1950
415100
C.
"Encuesta
agropecuaria"
1953
425018
D.
"Encuesta
agropecuaria"
1956
560370
E.
Censo
agrário
1962
420520
Fonte:
A:
INE,
Censo
de
población
de
España
1950.
B:
GARCIA
DE
OTEYZA,
Luis,
"Los
regimenes
de
explotación
del
suelo
nacional.",
Revista
de
Estudios
Agro-Sociales,
no.
1,
outubro-
dezembro
1952,
pag.
63
C:
JUNTA
NACIONAL
DE
HERMANDADES
1 SERVICIO SINDICAL
DE
ESTADISTICA,
Encuesta
agropecuaria
de
1953
(cifras
publicadas
na
Revista
Sindical
de
Estadistica,
no.
34)
D: JUNTA
NACIONAL
DE
HERMANDADES
1 SERVICIO SINDICAL
DE
ESTADISTICA,
Encuesta
agropecuaria
de
1953
(cifras
publicadas
na
Revista
Sindical
de
Estadistica,
no.
53)
E:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962.
Do
que aí pode observar-se, parecem-nos salientáveis dous feitos:
l.
O primeiro é a proximidade ou similitude entre a maior parte dessas cifras.
Concretamente, tanto a estatística do "Instituto de Estudios Agro-Sociales"
(de 1950), como a "Encuesta agropecuaria"
de
1953, oferecem cifras mui
similares entre si, e também mui próximas a do Censo agrário
de
1962; as
trés situam o número total de
explora~ns
existentes em Galiza em torno
as
415.000 1 425.000.
Por
baixo fica a que se obtém do Censo de
popula~m
de
1950 (351.000); e mui
por
encima a suministrada pola "Encuesta
agropecuaria" 1956 (560.000
explora~ns).
todo
coma
única
...................
16~
as
a validez aproximada das
r~n.r&~~rc:t•~c:t
aproximadamente estável. é coerente com o
sabemos sobre a tendéncia experimentada nestes anos pola
popula~m
activa
....,
....................
nos
com
as
observa~ons
realizadas sobre o essa
por alguns
Em conseqüéncia, podemos afirmar que
os
do
censo
agrário
de
1962,
que
imos
exaainar
a
continua9om,
corresponde•
ao
momento no
que
o número
de
explora9ons
alcan9ou
na
agricultura
galega
o
seu
máximo
de
toda
a
história,
sem
que
se
iniciara
ainda
(ao
menos
de
forma
significativa)
o
processo
de
desapari9om
e
concentra9om
de
explora9ons.
Antes de entrar na análise destes dados, irnos tratar de precisar as suas
características, e também o
seu
grau de fiabilidade.
b.
As
cifras
referidas
ao
número
e a
superficie
das
exoloracons,
que
oferece
o
Censo
aqrário
de
1962
..
Aclaracons
sobre
as
suas
caracteristicas
e
O primeiro que devemos ter presente, para interpretar correctamente estas
cifras,
somos
conceitos
ou
defini~ns
aos que correspondem. Neste sentido, hai
que destacar aqui dous feitos:
-0
primeiro é a
grande
aaplitude
do
conceito
de
"explora9om
aqrária"
utilizado
no
censo
agrário
de
1962.
-0
segundo ponto a salientar é que
as
cifras
sobre
o
taaanho
das
explora9ons
oferecidas por esta fonte,
refirem-se
i.
sua
superficie
total.
Comeremos por isto último. O que queremos sinalar aqui é que nos quadros
de resultados do Censo de 1962, as
explora~ns
aparecem classificadas
..............
.a.w ... ,
...
A,..
ademais da
108
Em
concreto.
a
se
qu'aux
..
" (BOUHIER, Abel,
~-.........=.::::::::...-...;;;...,
pag. 1110).
com países. nas o
os dados sobre o tamanho das
explora~ns
se refmun a
SA
U 1 09.
respeita a
defini~om
agrária, no
diferenciam-se de entrada dous tipos unidades:
as
explora~ons
"com terras",
e aquelas "sem terras". Este segundo grupo
tem
para nós u m escasso interesse, e
ademais o
seu
número
em
Galiza é mui reduzido; polo que na análise
prescindiremos delas. Digamos
só
que o critério no que se basea a
deflni~om
destas
explora~ns
"sem terras", é o de contar com
um
número de
cab~s
de
gado por encima de certos umbrais.
Centramo-nos, pois, nas
explora~ns
"com terras". O conceito adoptado é
aqui o seguinte:
"Se
entiende
por
explotación
agraria
con
tierras,
a
fines
censales,
cualquier
extensión
de
terreno,
en
una
o
varias
parcelas
(
...
)
que
en
conjunto
formen
parte
de
la
misma
unidad
técnico-económica,
de
la
que
se
obtienen
producciones
agricolas,
forestales,
ganaderas
o
mixtas
bajo
la
dirección
de
un
empresario.
"uo
Nessa
defini~om
ternos,
em
primeiro lugar, umha
delimita~om
genérica do
que se entende por
explora~m
agrária: umha unidade tecnico-económica
dedicada a
produ~m
agrária. Dentro desse conceito genérico, sem embargo, a
defmi~om
concreta adoptada polo Censo é mui ampla. Em particular compre
destacar dous pontos:
-Nom se estabelece nengum límite mínimo de dimensom.
-0
Censo regista também como
explora~ons
agrárias as unidades formadas
exclusivamente por superfícies florestaislU.
1 09 Como depois veremos, isto é o que sucede
por
exemplo nas estatísticas para
os
países
da
CEE
publicadas polo EUROSTAT.
11
1 Este feito é
hatntulll nas estatísticas doutros países, e também do recomendado nas directrizes
para o Censo o reoonnlece
Mmmuel
1963,
pp.
pag. 46.
Essa
singularidade vai-se
mmter
também nos Censos 1972, 1982 e 1989.
Isso é o que se desprende da
defmi~om
censal. O conceito de
explora~om
agrária efectivamente aplicado na prática, ao efectuar a recolhida da
informa~m,
foi ainda mais amplo. De tal modo que
fórom
censadas
como
explora9ons
extensons
de
terreo
abandonadas,
propriedades
abandonadas
sem nenqum
aproveitamento
aqricola,
qadeiro
ou
floresta!.
Para aclarar este ponto, ternos que
referir-nos brevemente ao procedimento que se seguiu para localizar os
empresários agrários, e para recolher destas persoas a
informa~m1U.
O primeiro passo desse proceso consistiu na
elabora~m
de um listado
inicial de empresários agrários, para o qual se insertárom no questionário do
Censo de
popula~m
de 1960 duas perguntas. As persoas que respondiam
afirmativamente a algumha dessas perguntas, eram incluídas no listado que
devia servir de base para a
realiza~m
do Censo agrário. Pois bem, essas duas
perguntas incluiam os seguintes textos:
-"¿Es
agricultor
o
ganadero
( .
..
) ; o
posee
o
explota
algún
monte,
espartizal,
encinar,
chopera,
etcétera,
o
posee
tierras
incultas
?"113
-"¿Cultiva
algún
pequeño
huerto
(
.••
)
?"114
Como vemos, aí nom
s6
se incluem os que em rigor podemos considerar
empresários agrários, senom também persoas sem nengumha
vincula~m
com
umha unidade de
produ~m
agrária, que som simplesmente proprietários de
fincas rústicas.
O listado inicial de empresários assi obtido, foi depois completado e
depurado em cada município por umha comissom encargada dos lavores do
Censo agrário.
Por
último, os agentes censais, antes de cubrir o questionário,
deviam assegurar-se de que o "presunto empresário", e a "presunta
explora~
m", era realmente tal.
A primeira vista, semelha que estes dous passos pudérom permitir depurar o
listado inicial, excluíndo dele aos empresários e
explora~ns
ficticios. Sem
embargo, nom foi assi. Porque os requisitos
para
ser considerado "empresário
agrário", dacordo com as
instru~ns
aos agentes censais, eram os mesmos que
nas perguntas de 1960. Em concreto, entre as
situa~ns
que davam lugar a
112 Este procedimento é explicado por exemplo na
publi~m:
-rnE,Primer
censo
agrario
de
Espafia
1962.
Serie
c.
Resúmenes
nacionales.
pp.
:xxxn
e ss.
113
•t
rnE,
op.
e~
• , pag.
xxxn.
114
Ibidem
, pag.
:xxxn.
809
inclusom no Censo estavam as trés seguinteslts:
"¿Posee
o
explota
algún
monte,
chopera,
espartizal,
etc
..
?";
"¿Posee
tierras
incultas
que
no
sean
solares
?";
"¿Cultiva
algún
huerto
para
el
consumo
familiar
?".
Em definitiva,
nas
cifras
de
explora9ons
do
censo
aqrário
de
1962,
devido
i
pr6pria
metodoloqia
e
defini9ons
empreqadas,
f6rom
incluidas
nom
s6
muitas
:m.icro-explora9ons
de
mui
reduzida
entidade
produtiva
(hortas
familiares),
senom
também
dous
tipos
de
unidades
que
dificilaente
podem
ser
consideradas
como
explora9ons
aqrárias:
terreos
exclusivamente
florestais;
e mesmo
propriedades
abandonadas,
que
nom
eram
objecto
de
nenqumha
actividade
ou
aproveitamento.
O exame atento dos próprios quadros de resultados permite confmnar isso,
e conheeer aproximadamente o número de unidades destes dous tipos registadas
entre as
explora~ns.
Em concreto, nos resultados referidos a mao de obra
ofereee-se umha
classifica~m,
na que se distinguem, dentro das
explora~ns
censadas, aquelas nas que nom foi efectuado nengum trabalho, nengumha
actividade humana, ao longo da campanha anterior.
Quadro
7.4.
Número
de
explora9ons
censadas
em
1962
nas
que
nom
foi
realizado
nengum
trabalho
humano
ao
longo
da
campanha
nterior.
A B
Superf.
Explora9ons
Explora9ons
total
censadas
sem
trabalho
B/A
(%)
--------- --------- ------------- ---------
< 1
he.
146290
13272
9,1%
1-5
184957
4245
2,3%
5-10
56549
477
0,8%
10-20
25941
307
1,2%
20-50
6283
154
2,5%
50-100
500
84
16,8%
>=
100
hes.
772
584
75,6%
TOTAL
421292
19123
4,5%
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
Espafta
1962.
El
factor
humano
en
las
explotaciones
Elabora9om
pr6pria.
As cifras que se obtenhem para o conjunto de Galiza reproduzimo-las no
quadro
7.
4.
Podemos aí ver que, das aproximadamente 421.000
explora~ns
115
Ver: INE,
op
..
cit
..
, pag.
:xxxm.
810
contabilizadas polo Censo, estavam na
situa~m
citada (sem actividade) umhas
19.000, o 4,5% do total. O
seu
número é, pois, significativo, ainda que nom
afecta de forma substancial a validez geral dos dados. Por outro lado,
fixando-nos nas cifras por categorias de tamanho, observa-se que essas
"explora~ons
sem
actividade" tenhem importáncia, sobretodo: na categoria de
explora~ons
menores de 1 he, e na das maiores de
100
hes (ver quadro 7.4). O
primeiro corresponde-se
como
registo de pequenas propriedades abandonadas; e
o segundo com grandes
espa~s
florestais.
Para finalizar estas precisons sobre as cifras
do
Censo agrário de ·1962,
queda-nos por aclarar
um
último aspeito: o grau de exaustividade da
informa~m
recolhida nesta estatística. Dadas as suas
defini~ns,
o Censo
deveria ter registado a prática totalidade
do
território galego
11
6.
Pois bem, comparando a superfície censada com a superficie geográfica,
comprova-se que isso nom foi assi. Para o conjunto de Galiza, só foi censada o
82,4% da superfície geográfica; quedando umhas 500.000 hes sem registar 117
(ver
quadro
7.
4
bis).
A
situa~m
difrre ademais entre as quatro
províncias: mentres
em
Ourense a superficie censada em 1962 representa o
90,9% da geográfica, na província de A Corunha a percentagem no m chega ao
75%; em Lugo é do 85,1
%,
e em Pontevedra
do
78,0% (ver quadro 7.4 bis).
Quadro
7.4
bis.
Rela9om
entre
a
superficie
geográfica
e a
superficie
censada
no
Censo
agrário
de
1962.
Galiza
A
Corunha
Lugo
ourense
-------- -------- -------- --------
l.
Sup.
geográfica
(hes.)
2943400
787600
980300
727800
2.
Sup.
censada
(hes.
)
2424007
579316
834006
661263
1-2
519393
208284
146294
66537
2/1
(%)
82,4%
73,6%
85,1%
90,9%
Fonte:
Pontevedra
---------
447700
349422
98278
78,0%
1:
INSTITUTO
GALEGO
DE
ESTADISTICA,
Galicia
en
cifras.
Anuario
1988,.
Santiago,
1989,
pag.
25
2:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962.
11
6 Unicamente quedariam do ámbito censal as superficies
nom
agnírias
ou
improdutivas (as ocupadas polas vias de
comuni~m,
núcleos urbanos, rios,
...
).
Segundo as estatísticas
do
Ministério
de
Agricultura, essas superficies improdutivas
ocupavam
em
1962
em
Galiza
um
total de 155.700 hes (Cifra tomada de: OERGA,
Sintesis
estadistica
de
Galicia.,
INE,
Madrid, 1976, pag. 135).
117 Ainda descontando as 155.700 hes
de
superficie improdutiva (ver a nota
anterior), seguem restando umhas 350.000 hes
nom
censadas
em
1962.
811
Nom podemos conhecer com precisom em que medida isso se deveu a que
nom fórom censadas umha parte das
explora~ons
realmente existentes nessa
data; ou se, polo contrário,
as
terras que quedárom
sem
registar correspondiam
a propriedades formadas exclusivamente por superfícies florestais, que nom
som
em rigor
explora~ns
agrárias. De todos modos, os indícios indirectos apontam
neste último sentido: em concreto o que sugirem é que a maior parte da
superficie que quedou
sem
censar correspondía a
espa~s
florestais de
propriedade particular.
Antes de passar ao exame das cifras,
s6
umha precisom final. No Censo
agrário de 1962 nom
se
fixou nengumha dimensom mínima para as
explora~ons
com terras; em cámbio, nos realizados em 1972, 1982 e 1989
si
se fixo,
excluíndo as menores de 0,1
he.
Para que os dados foram homogéneos, o que
fixemos foi excluir também
as
unidades menores de 0,1 he nas cifras de
1962
que agora irnos comentar.
2.1.2.
A
estrutura
dimensional
das
explorac;ons
aqrárias
em
1962;
análise
dos
dados
para
o
conjunto
de
Galiza.
a.Umha
primeira
visom
qeral.
No
quadro
7 • s reproduzimos os dados sobre a estrutura dimensional
das
explora~ns
em Galiza, que oferece o Censo agrário de 1962. Figura aí: por
um lado o número de
explora~ns
nas diferentes classes de tamanho; e polo
outro, a superficie total ocupada polas unidades de cada intervalo dimensional.
Para facilitar a
per~m
dos
tra~s
básicos dessa estrutura elaboramos o
qráfico
7
.1,
no que aparece a
distribu~m
percentual
das
explora~ns
e
da
superfície por classes de tamanho.
Num primeiro exame dessas cifras, destacam de imediato dous feitos:
L O primeiro é o
forte
predominio
numirico
das
explorac;ons
de
pequena
e mui
pequena
dimensom. Assi,
das
421.000
explora~ns
censadas nesta data em Galiza, o 34,7% tinham umha
superficie total inferior a 1 he; e outro 43,9% estavam entre 1 e 5 hes. Em
conjunto, pois,
mais
das
3/4
partes
(exactamente
o
78,6%)
das
unidades
eram
de
tamanho
inferior
a s
hes.
812
No extremo superior, as
explora~ns
de superficie igual ou maior a 20 hes
nom chegavam ao
2%
do
total. dentro deste grupo, unicamente havia
772
(o
O ,2% do total) por encima das 100 hes.
ü.
o
panorama
'
mui
diferente
se
nos
fixamos
na
superficie
ocupada
polas
unidades
de
cada
tamanho;
é
dizer, na parte do território que estas cubrem.
Assi, as
explora~ns
de dimensom inferior a 1 he ocupavam menos do
3%
da superficie censada. E o conjunto das menores de 5 hes, que lembremos
eram o 78,6% do total, unicamente disponhiam do 21,3% da superficie.
Em cámbio, as maiores de
100
hes, que
só
suponhiam o 0,2% do total em
número, correspondia-lhes o 39,5% do território censado.
Globalmente, portanto, a imagem inicial que nos oferecem essas cifras
sobre a estrutura das
explora~ns
a princípios dos 60, é a de umha estrutura
"dual" o u bipolar:
-Por umha parte, ternos um grande número de pequenas
explora~ns,
menores
de 5 hes, que representam mais dos 3/4 do total das unidades censadas, pero
ocupam apenas 1/5
do
território.
-E, frente a
i~so,
umhas 800
explora~ns
de tamanho mui elevado, que se
repartem quase o
40%
da superficie.
No gráfico 7.1 podemos captar de
um
modo plástico essa dualidade.
Gráfico 7 .1.
ESTRUTURA DAS EXPLORAGONS.
GALIZA
1962
(TOTAl
DE
EXPLORACONS
CENSADAS)
~~--------------------------------------------~
~
d
e:
~
o
<
u
!i
~
3mS
~
.,
~
w
2mr:
•
w
.,
e:
o
1mr:
lat
813
814
Quadro
7.5.
Distribucom
das
exploracons
agrárias
e
da
superficie
total
censada
por
intervalos
dimensionais
(*).
Galiza
1962.
Tamanho
(sup.
total)
< 1
he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
>=
100
hes.
TOTAL
CIFRAS
ABSOLUTAS
Número
de
explor.
146290
184957
56549
25941
6283
500
772
421292
Sup.
total
(hes.
)
62445
452826
395033
352135
171170
32109
958260
2424007
DISTRIBU~OM
PERCENTUAL
Número
de
explor.
34,7%
43,9%
13,4%
6,2%
1,5%
0,1%
0,2%
100,0%
Sup.
total
(hes.
)
2,6%
18,7%
16,3%
14,5%
7,1%
1,3%
39,5%
100,0%
Superficie
total
1
exploracom
(hes.}
5,75
(*)
Referido
as
exploracons
"com
terras"
de
superficie
igual
ou
superior
a
0,1
hes.
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elaboracom
pr6pria.
Desses dados censais resultava umha superfície média por
explora~m
de
5, 75 hes (ver quadro 7.5). Pero esta cifra era pouco significativa,
já
que estava
mui influída pola inclusom daquelas poucas unidades de mui grande dimensom:
as 772
explora~ons
maiores de
100
hes, cuja extenso m média, dacordo com
estes dados era de 1.241,27 hes. Excluíndo a essas unidades, obtinha-se umha
superfície média, para o resto de
explora~ons,
de 3,49 hes.
Agora bem, lembrando o que vimos na
introdu~om
histórica, nom é difícil
adivinhar o tipo de extensons com o que se correspondem realmente · os
"latifúndios" registados em Galiza polo Censo agráp.o de 1962: trata-se, na sua
imensa maioria, de montes comuns, e mais concretamente de montes vizinhais
em mao comum 1 18. Dito com outras palavras, e de forma mais precisa:
-Nas cifras que acabamos de comentar, referidas ao total de
explora~ons
censadas, figuram dous tipos de unidades mui diferentes, que é necessário
separar a efeitos da análise: as
explora~ns
agrárias "propriamente ditas", e
os montes comuns.
118 Posto que a outra classe de montes oomuns que existiam historicamente
no
agro
galego, os montes de varas, tinham desaparecido quase totalmente nesta data.
-A linha divisória entre umhas e outras unidades corresponde-se com bastante
precisom
como
límite das
100
hes de tamanho. De tal modo, que, a efeitos
práticos, podemos identificar
as
"explora~ons"
censadas de dimensom
superior a
100
hes com montes comuns; e assimilar as que estám por baixo
desse umbral com as
explora~ons
agrárias "propriamente ditas".
Irnos argumentar e justificar brevemente essas duas
afirma~ns.
A primeira refire-se a necessidade de que, ao analisar as cifras, separemos
os dous tipos de extensons.
As
razons para isto som de duas classes:
i.
Em primeiro lugar, isso é necessário para obter umha imagem mais precisa
da dimensom real, em termos de superfície, que tenhem as explora(;Ons, as
unidades de
produ(;Om
na agricultura galega. A exclusom dos montes
comuns a hora de calcular essa dimensom, podia prestar-se a discusom
quando estes estavam integrados plenamente no sistema agrário, servindo de
complemento as
explora~ns
individuais. Sem embargo, o
seu
repovoamento floresta!, e/ou o progressivo abandono dos seus
aproveitamentos tradicionais ao longo das últimas décadas, tenhem levado a
que os montes comuns se convirtam cada vez mais
em
extensons florestais
autónomas, ou bem simplesmente em superfícies abandonadas Portanto, a
hora de examinar o número e superfície das
explora~ns
agrárias, devemos
excluir essas unidades.
ü. O outro motivo que aconselha a
separa~om
entre os dous tipos de unidades é
o diferente regime jurídico das terras num e outro caso, e as
implica~ns
que de aqui se derivam.
As que denominamos
explora~ns
agrárias "propriamente ditas" som, em
termos mais precisos, aquelas formadas por superfícies de propriedade
privada individual ( ou societária), que podem ser objecto de compra, venda,
arrendamento, etc. Em cámbio,
os
montes vizinhais em mao comum, ainda
que a sua
tipifica~om
jurídica estivo sometida até datas recentes a umha
notável confusom e inseguridade, tenhem como característica definitória o
ser extensons de propriedade privada colectiva, indivisíveis e
inembargáveis; e, portanto, estám a margem da mobilidade no mercado de
terras
11
'.
Por
essas duas razons,
em
toda a análise que realizamos a partir de aquí,
sobre a estrutura das
explora~ns
e as suas
mudan~
nas últimas décadas,
119 Sobre o regime jurídico dos montes vizinhais, tal como este é codificado nas
sucessivas leis aparecidas nas décadas recentes, pode consultar-se o nosso trabalho:
-FERNANDEZ LEICEAGA, Joaquim 1 LOPEZ
IGLESIAS,
Edelmiro,
"Apro~m
...
",
op.
cit.,
pp. 275-283.
815
partiremos sempre de separar
os
dous
tipos de extensons; centrando a nossa
aten~om
nos dados referidos
as
explora~ns
agrárias "propriamente ditas".
A efeitos práticos, como
já
indicamos, identificaremos com montes comuns
as
explora~ons
censadas de superficie igual
ou
superior
as
100 hes. Irnos
justificar agora este procedimento, e contrastar a
sua
validez como
aproxima~m
a realidade. Para isto servimo-nos
dos
dados referidos a
"classifica~m
das
explora~ns
segundo a
condi~m
jurídica
do
empresário", que oferecem
os
Censos agrários de
1972
e
1982
(o
Censo de
1962
nom
publicou este tipo de
informa~m).
No Censo agrário de
1972
as
explora~ns
censadas aparecem distribuídas,
em
fun~m
da
condi~m
jurídica
do
seu
empresário,
em
7 rúbricas. Destas
rúbricas, hai duas que podemos identificar, na realidade
do
agro galego,
como
que vimos denominando montes comuns:
as
explora~ns
nas que o empresário é
"Comunal"; e aquelas
nas
que é
umha
"Entidad pública",
ou
explora~ns
"De
própios" uo.
Concretamente, estas somas
defini~ns
censais para
os
dous grupos:
-"Comunales.
Explotaciones
de
dominio
municipal,
cuyo
aprovechamiento
y
disfrute
pertenece
exclusivamente
a
los
vecinos,
como
ocurre
con
los
«montes
vecinales
en
mano común».
"Ut
-"De
propios.
Bienes
o
explotaciones
del
municipio
o
la
provincia
que
no
están
destinados
al
uso
público,
ni
adscritos
a
la
prestación
de
un
servicio
público
sino
que
pueden
constituir
una
fuente
de
ingresos
para
la
Administración.
,ul
No Censo agrário de
1982
a
classifica~om
efectuada foi similar, figurando
também entre as rúbricas diferenciadas
as
mesmas duas que acabamos de citar:
"Entidad pública", e "Comunal".
As
defini~ns
para cada
um
destes dous
UO A primeira
deno~m,
"Entidad pública
..
, é a que aparece nos quadros de
resultados; nas
explica~ns
sobre a metodología e
defini~ns,
em cámbio, o nome da
rúbrica é "De propios".
As outras S rubricas nas som classificadas as
explo~ns
pola
condi~m
jurídica do
empresário som: "Persona natural", "Proindiviso", "Sociedad", "Agrupaciones", e "Otras
condiciones".
utnrn,censo
aarario
de
España
1972.
Serie
D.
Metodologia
y
Procedimientos.,
Thffi,
Madrid, 1976, pag. 43.
Ul
nrn,
op.
cit.
, pag. 43.
816
grupos som assimesmo similares, em termos gerais,
as
de 1972, ainda
que
mais
precisasU3.
V aiamos agora ao exame dos resultados. Nos
quadros
7 • 6 e 7 •
7,
onde resumimos essas cifras, pode ver-se que, tanto em 1972 como em 1982, a
imensa maioria das
explora~ns
públicas e comunais em Galiza som de tamanho
superior
as
100 hes; e, reciprocamente, a imensa maioria das
explora~ons
censadas maiores de 100 hes so m unidades nas que o empresário é umha
entidade pública ou comunal.
Assi, dacordo com o Censo agrário de 1972, as
explora~ons
públicas e
comunais ocupavam em Galiza um total de 827.033 hes; e desta superfície,
unicamente 13.622 hes (o 1,6%) correspondia a unidades de tamanho inferior as
100 hes. Portanto, falando em termos de superficie, pode afirmar-se que a
prática totalidade dos montes públicos e comunais censados estavam
por
encima
desse límite de 100 hes.
Ainda que de forma menos exacta, também era certa a recíproca: a imensa
maioria da superficie censada em
explora~ns
maiores de 100 hes, correspondia
a montes públicos ou comunais. Em concreto, das 926.400 hes ocupadas polas
primeiras, pertenciam a
explora~ns
públicas ou comunais 813.411 hes, é dizer
o 87,8% (ver quadro 7.6).
Quadro
7.6.
Número e
superficie
das
exploracons
nas
que
o
empresário
é
umha
entidade
pública
ou
comunal;
relacom
com
o
total
de
exploracons
<100
hes.
e
>=100
hes.
Galiza
1972
Tamanho
(sup.
total}
<
100
hes.
>=
100
hes.
TOTAL
Número
Total
de
Expl.
públicas
exploracons
e
comunais
385004
537
828
653
385832
1188
Fonte:
INE,
Censo
Superficie
total
(hes.)
Total
de
Exp.
públ.
exploracons
e
comunais
1530192
13622
926400
813411
2456592
827033
U3
Estas
defuri~ns
podem ver-se
em
qualquer fascículo de resultados do Censo.
Por
exem.plo:
-Thffi,Censo
agrario
de
España
1982.
Tomo
II.
Resultados
por
comunidades
autónomas
pluriprovinciales.
Galicia.,
INE,
Madrid, 1985, pag. XI.
817
.
818
Quadro
7.7.
Número
e
superficie
das
explora~ons
nas
que
o
empresário
é
umha
entidade
pública
ou
comunal;
rela~om
com
o
total
de
explora~ons
<100
hes.
e
>=100
hes.
Galiza
1982
Número
Superficie
total
(hes.)
------------------------- -----------------------
Tamanho
Total
de
Expl.
públicas
Total
de
Exp.
públ.
(sup.
total)
explora~ons
e
comunais
explora~ons
e
comunais
------------- ----------- ------------ ----------- -----------
<
100
hes.
358643
1339
1410021
49219
>=
100
hes.
1793 1616
831937
769559
TOTAL
360436
2955
2241958
818776
Fonte:
INE,
Censo
agrário
de
España
1982;
e
elabora~om
própria.
Isso refrre-se
as
cifras de
1972.
Nos resultados do Censo de 1982 a
correspondéncia entre
umhas
e outras é
mais
estreita ainda (ver quadro 7. 7).
Em definitiva, pois, vemos que o procedimento que
adop~os,
a
identifica~m
entre
explora~ns
censadas maiores
de
100
hes e montes comuns,
constitue, apesar da sua simplicidade, umha
aproxima~m
bastante boa a
realidade.
Para completar a
argumenta~m,
queda-nos por aclarar
um
aspeito:
se
essa
é a melhor
aproxima~m
possível. Noutras palavras:
se
o erro nom poderla
reduzir-se, tomando como linha divisória outro tamanho diferente do de 100
hes. De feito, A.Bouhier, com vistas á análise
das
cifras do Censo agrário de
1962 por municípios, situa essa divisória
nas
150
hes, identificando
as
explora~ons
de tamanho superior a
150
hes
com
montes comunsu4. E Jesús
Ruza Tarrío, noutro trabalho, eleva esse límite
as
300 hesns.
No
quadro
7 • 8 está a resposta a pergunta que plantejamos, e a
justifica~om
da
o~om
por
nós
adoptada. Como pode ver-se,
nas
classes de
tamanho de 100-150
hes
e 150-300 hes,
mais
do
80%
ou
90%
das
explora~ns
censadas
som
já
montes públicos ou comunais.
Os
dados que aí figuram
correspondem em concreto
ao
Censo agrário de 1982, pero a conclusom é
similar tomando os
do
Censo de 1972. Portanto, a melhor
aproxima~om
é a que
resulta de identificar com montes comuns a todas
as
unidades censadas de
1091.
US
Ver:
RUZA
TARRIO, Jesús, "Problemática
de
los montes vecinales
en
Galicia.
",Revista
de
Economia
Politica,
no. 79, maio-agosto 1978,
pp. 187-212.
tamanho igual ou superior a 100 hes, assimilando as que estám por baixo desse
umbral com
explora~ns
"propriamente ditas".
Quadro
7.8.
Proporcom
que
representam
as
exploracons
de
entidades
públicas
e
cornunais
sobre
o
total
de
exploracons
censadas
nas
diferentes
classes
de
tamanho
entre
50
e
300
hes.
Galiza
1982
A.
NUMERO
DE
EXPLORACONS
2
Exploracons
Tamanho
1
de
entidades
(sup.
total)
Total
públicas
e
com.
2/1
(%)
------------- ---------- ------------- ----------
50-70
hes.
651
206
31,6%
70-100
387
241
62,3%
100-150
487
404
83,0%
150-200
253
234
92,5%
200-300
332 300
90,4%
B.
SUPERFICIE
(hes.)
2
Exploracons
Tamanho
1
de
entidades
(sup.
total)
Total
públicas
e
com.
2/1
(%}
------------- ---------- ------------- ----------
50-70
hes.
37381
11902
31,8%
70-100
31848
19960
62,7%
100-150
57435
47675
83,0%
150-200
42981
39688
92,3%
200-300
79922 72366
90,5%
Fonte:
INE,
Censo
agrário
de
Espafta
1982;
e
elabora9om
pr6pria.
Umha vez feitas essas
pontualiza~ns,
retomamos agora o fio da
exposi~m,,
e o exame
da
estrutura das
explora~ns
existente em 1962. A
continua~m
irnos
analisar mais detidamente esta estrutura, diferenciando
já
nas cifras os montes
comuns das
explora~ns
"propriamente ditas", ou
explora~ns
individuaisU6.
Para isto elaboramos o
quadro
7 •
t,
no que figuram os mesmos dados que
já
116
Em
rigor esta
deno~m,
explo~ns
individuais, nom é totalmente exacta
porque aí, ademais
das
unidades nas que o titular é
umha
persoa física, estám
algumhu
pertencentes a sociedades, cooperativas ou outms
agru~ns
de produtores. Sem
embargo, estes outros grupos som mui pouco numerosos, como se pode comprovar tanto
no Censo agnirio de 1972 como no de 1982. Por esta mzom, a partir de aqui util.imremos
o termo de
"explo~ns
individuais•, para designar as
explo~ns
censadas distintas dos
montes comuns.
819
vimos ao
com~
(no quadro 7.5), pero separando agora os dous conjuntos
citados.
Quadro
7.9.
Distribu~om
das
explora~ons
agrárias
e
da
superficie
censada
por
classes
de
tamanho.
Dados
referidos
as
explora~ons
"propriamente
ditas",
excluidos
os
montes
públicos
e
comunais
(*).
Galiza
1962
CIFRAS
ABSOLUTAS
DISTRIBUCOM
PERCENTUAL
Tamanho
Número
Sup.
total
Número
Sup.
total
(
sup.
total)
de
explor.
(hes.
)
de
explor.
(hes.
)
---------- ----------- ---------- ----------- ----------
< 1
he.
146290
62445
34,8%
4,3%
1-5
184957
452826
44,0%
30,9%
5-10
56549
395033
13,4%
27,0%
10-20
25941
352135
6,2%
24,0%
20-50
6283
171170
1,5%
11,7%
50-100
500
32109
0,1%
2,2%
TOTAL
EXPLORACONS
420520
1465747
100,0%
100,0%
AGRARIAS
MONTES
COMUNS
772
958260
TOTAL
CENSADO
421292
2424007
(*)
Identificamos
com
montes
públicos
e
comunais
as
explora~ons
censadas
de
superficie
igual
ou
superior
as
100
hes.
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elabora~om
própria.
Quadro
7.10.
Superficie
média
por
explora~om.
Galiza
1962
-Explora~ons
"propriamente
ditas"
-Montes
comuns
-Total
unidades
censadas
Fonte:
ver
quadro
anterior.
Sup.
total
1
exp.
(em
hes.)
3,49
1241,27
5,75
820
com montes comuns todas as
explora~ons
censadas
tamanho igual ou superior a 100 hes, como fazemos no quadro obtemos
que estes
espa~os
ocupavam em Galiza em 1962 um total de 958.260 hes, o
39,5% da superficie total censada. Esta cifra está acorde com o apontado por
alguns autores, que estimam que a superficie total dos montes vizinhais nas
décadas recentes se situa em torno a 1.000.000 de
hesu'.
Sem embargo, se somos mais precisos, e baseando-nos sempre nos dados
oferecidos polos Censos agrários, devemos rebaixar ligeiramente a cifra citada.
Em
concreto, utilizando os dados sobre a superfície das
explora~ons
públicas e
comunais que suministra o Censo agrário de 1972, podemos estimar que a
extensom
real
ocupada
polos
montes
comuns
em
1962
era
de
umhas
855.000
hesus.
Isto
representa
o
35,3%
da
superficie
total
censada
nesta
data,
e o
29,1%
da
superficie
geográfica
de
Galiza.
Esta cifra está mui longe do 70%
ou 75% do território que cubriam os montes comuns ainda a fmais do século
XIX, antes de geralizar-se os repartos destes
espa~s.
Pero, apesar da sua forte
redu~m,
a extensom ocupada por estes montes continua sendo enorme.
Essa extensom total era a que a princípios dos 60 ocupavam as terras de
propriedade pública ou colectiva. Podemos precisar algo mais o
tipo
de
espa9os
que
fiquravam
aqui.
Tendo em conta o que vimos na
introdu~m
histórica, pode afirmar-se que
a prática totalidade dessa superfície correspondía a terreos que historicamente
foram montes vizinhais. Pero, como conseqüéncia das vicissitudes sofridas por
estes montes ao longo dos 100 anos anteriores, muitos deles apareciam nesta
U7
Ver
por
exemplo:
-ABAD FLORES, Odón
.:::::.;::::::;.......;:::::.=:::.=.;::::::;;.:.;::::::...:::..' Ed. Cromograf, Madrid, 1977, pag. 14.
US
Esta cifra é a que se obtém calculando a
re!~;;om
entre a suJ]ertJlcte
das
ex¡:¡,loniCQJD.S
PlllblJlcas e comunais e a
das
exp,lon~tlS
maiores de 100 hes
em
e
u
.........
'-"'-"
.....
censadas
em
1962
em
corres¡oondtwm a gnu:¡aes
um~¡Ja04~
de
pro·pnc~1e
COD.1UDIOO
das
segue sendo, sem procedente,
já
que se trata
também
de
esp~s
quase exclusivamente florestais. (CollSultar ao respeito os dados sobre
a
utiliza~m
da
terra que oferecemos
no
capítulo Vlli).
data registados como propriedade dos municípios, e o seu aproveitamento estava
também em maos de organismos públicos (o "Patrimonio Forestal del Estado",
ao través de consórcios com os concelhos).
Assi, atendendo a qual era a sua situac;om concreta a princípios dos 60,
encontravamos aqui dous grandes grupos de
espac;os:
os montes comunais de
Utilidade Pública, que som originalmente montes de vizinhos, pero cuja
propriedade fora inscrita registalmente em favor dos concelhos; e os montes
vizinhais, aqueles destes
espac;os
para os que nom se produzira o anterior, e que
continuavam assi em maos das comunidades proprietárias tradicionais.
Aparte desses dous grupos, no conjunto das terras de propriedade pública
ou colectiva havia ademais outros dous tipos de unidades, pero que tinham umha
importáncia quantitativa mui reduzida: os que em rigor podemos considerar
como montes de propriedade pública (montes de próprios, e montes do Estado
o u
de
o u tras entidades administrativas menores), mui escassos em Galiza; e os
montes de varas, que a altura de 1962 eram também mui poucos, posto que na
sua imensa maioria foram divididos com anterioridade129.
822
As cifras oferecidas polo Censo agrário de 1972, nas que se distinguem as
explorac;ons com empresário "Entidad pública" daquelas outras nas que o
empresário era "Comunal", permitem ter umha indicac;om quantitativa sobre
qual era a situac;om da propriedade e possessom dos montes comuns a princípios
da
década dos 70, que nom pode diferir muito da existente 10 anos antes. Pois
bem, das 827.033 hes que segundo esta fonte ocupavam o conjunto das
explorac;ons públicas e comunais em 1972, 702.849 hes, o 85% do total,
figuravam na primeira rúbrica ("públicas"), o que correspondía aos escassos
montes públicos em sentido estrito, e sobretodo a montes comunais de Utilidade
Pública. E unicamente 124.184 hes, o restante 15%, pertenciam a
explora~ons
catalogadas como "comunais"
(ver
quadro
7 •
11)
, que podemos
identificar em eséncia com os montes de vizinhos que conservavam esta
condic;omuo. Estas cifras ilustram a magnitude alcanc;ada polo processo de
,,
publificac;om destes
espac;os
e de despossessom das comunidades vizinhais.
129
U m exame detalhado desses diversos tipos de montes de propriedade pública
ou
colectiva existentes em Galiza nos anos 1960/1970, atendendo a sua
situa~m
legal nestas
datas, pode encontrar-se
na
obra:
-BOUIDER, Abel,
op.
cit.,
pp. 831-862.
Sobre
essa
tipología consultar também:
-FERNANDEZ
LEICEAGA, Xoaquín,
Econom1a
Cpol1tical
do
monte
galego.
op.
cit.,
pp. 22-26.
130 Ao respeito, ver as
defini~ns
censais para essas duas rúbricas, que oferecemos
antes.
Quadro
7.11.
Superficie
censada
em
explora~ons
públicas
e em
explora~ons
comunais.
Galiza
Censo
agrário
de
1972.
-Explor.
com
empresário
"Entidad
pública"
-Explor.
com
empresário
"Comunal"
Superficie
(hes.
) %
702849
124184
85,0%
15,0%
827033
100,0%
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1972;
e
elabora~om
pr6pria.
O outro aspeito que devemos comentar e precisar brevemente em
rela~m
com os
aontes
de
propriedade
pública
ou
colectiva,
refire-se
ao
taaanho
destas
unidades.
Assimilando-os com as
explora~ns
censadas maiores de 100 hes, o número de montes comuns seria em 1962 de
772, e a sua superficie média estaria ao redor
das
1.240 hes
(ver
supra:
quadros
7.
t e 7
.lO).
Trata-se, pois, segundo estas cifras, de unidades de
mui grande dimensom. Essa imagem responde em termos gerais a realidade,
pero necessita ser matizada a partir de dados mais precisos.
Quadro
7.12.
Número
e
superficie
das
"explora~ons"
públicas
e
comunais
(*).
Galiza
1972
CIFRAS
ABSOLUTAS
DISTRIBU~OM
PERCENTUAL
Tamanho
Número
Sup.
total
Número
Sup.
total
(
sup.
total)
de
explor.
(hes.)
de
explor.
(hes.
)
---------- ----------- ---------- ----------- ----------
< 1
he.
48 21
4,0%
0,0%
1-5
102
268
8,6%
0,0%
5-10
68
477
5,7%
0,1%
10-20
79
1105
6,6%
o'
1%.
20-50
128
4018
10,8%
0,5%
50-100
109
7723
9,2%
0,9%
100-200
125
17669
10,5%
2,1%
200-300
80
19337
6,7%
2,3%
300-500
110
41709
9,3%
5,0%
500-1000
124
90488
10,4%
10,9%
1000-2500
127
190374
10,7%
23,0%
>=
2500
hes.
87
453844
7,3%
54,9%
TOTAL
1188
827033
100,0%
100,0%
Superficie
média
por
"explora~om"
696,16
(*)
Figuram
aqui
agrupadas
as
explora~ons
nas
que
o
empresário
é
umha
"Entidad
pública",
e
aquelas
com
empresário
"Comunal".
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1972;
e
elabora~om
pr6pria.
823
Em concreto, no
quadro
7.12
reproduzimos os dados sobre o número e
superficie
das
explora~ns
públicas e comunais por classes de tamanho,
publicados polo Censo agrário de 1972.
Aí
podemos ver que, ao lado dos
montes de grande e mui grande extensom, existem também alguns de tamanho
médio ou mesmo pequeno. A conclusom geral antes obtida ve-se, sem embargo,
confirmada: esta fonte registou em Galiza em 1972 um total
de
1188
explora<;ons públicas ou comunais, e a sua superfície média era de 696,2 hes.
Em concreto, é digno de salientar que mais das 3/4 partes da extensom total
ocupada por estes
espa~s
corresponde a montes de tamanho superior
as
500
hes, e mais da metade a unidades maiores de 2.500 hes (ver quadro 7.12).
Avan<;ando
um passo mais, esses dados de 1972 neeessitam, a sua vez, ser
matizados; porque neles apareee sobreestimado o tamanho médio dos montes
comuns galegos. A origem deste sesgo está na
inscri~m
da propriedade dos
montes de vizinhos em favor dos concelhos, que deu lugar a que nesse Censo
agrário apareeeram concentrados numha única
explora~m
montes que
historicamente constituiam patrimónios distintos, pertencentes a parróquias ou
aldeias diferentes.
Esse sesgo das cifras oferecidas polo Censo de 1972 comprova-se ao
compara-las com as do Censo agrário de 1982. Nesta última data estava
consumada
já
a
devolu~m
as
comunidades vizinhais de umha boa parte dos
montes anteriormente expropriados13t. E isto tem o seu reflexo no plano
estatístico: i) numha
multiplica~m
do número de
explora~ns
públicas e
comunais registadas (das 1.188 contabilizadas em 1972 passa-se a 2.966 no
Censo agrário de 1982);
ü)
e numha
redu<;om
paralela da sua dimensom média:
das 696,2 hes por monte em 1972, passamos a 276,1 hes por monte no Censo
de 1982.
Em
q~alquer
caso, estas cifras mais precisas confirmam que se trata de
espa<;os,
de
"explora~ns",
com um tamanho médio mui elevado, sobretodo se o
comparamos com as
explora~ns
individuais.
131
Este processo de
devolu~m
da propriedade dos montes vizinhais aos seus
legitimes proprietários arranca das
disposi~ns
estabelecidas
na
"Ley de montes vecinales
en
mano común" de 1968; e vai-se desenvolvendo lentamente até a actualidade.
Referimo-nos a esse processo
no
trabalho:
-FERNANDEZ
LEICEAGA, Joaquim 1 LOPEZ IGLESIAS, Edelmiro,
"Apro~m
...
",
op.
cit.
, pp. 275-283.
824
c.
o
número
e a
su
"propriamente
ditas".
Umha vez excluídos das cifras censais os montes comuns, é quando
obtemos os dados que interessam mais directamente a nossa análise: os referidos
a estrutura ·dimensional das
explora~ns
individuais. Estes dados podem ver-se
para 1962 no
quadro
7 •
9.
Figura aí a
distribu~m
do número de
explora~ons
e da superfície censada por classes de tamanho; estando calculadas as cifras
percentuais com
rela~m
a este conjunto, o das
explora~ns
individuais (que a
efeitos práticos identificamos com as unidades censadas menores de 100 hes).
Assi, para cada classe ou intervalo aparece a
propor~m
que representam as
explora~ns
desse tamanho sobre o total de
explora~ns
censadas de menos de
100 hes; e o mesmo para os dados sobre a superficie ocupada polas
explora~ns
de cada grupo: a percentagem está calculada sobre o total de superfície censada
nas unidades menores de 100 hes. Para facilitar a sua
perce~m,
estas cifras
percentuais estám também representadas no
qrifico
7.
2.
Com~do
polos dados globais, o Censo agrário de 1962 registou em
Galiza um total de 420.500
explora~ns,
que se repartiam algo menos de
1.500.000 hes; daí resulta Wlha
superficie
média,
para
as
explora9ons
individuais,
de
3,49
hes
(ver
quadro
7.10).
Este índice sintético confirma, e situa nas suas dimensons reais, o que era o
tra~
definitório básico da estrutura das
explora~ns
no nosso agro: o reduzido
tamanho das unidades de
produ~m.
-A
distribuQom
das
exploraQons
por
classes
de
tamanho.
Em correspondéncia com o anterior, a
distribu~m
das
explora~ns
por
tamanhos apresentava um acusado predomínio das unidades de pequena ou mui
pequena dimensom. Assi, o 34,8% tinham umha superficie total inferior a 1 he,
e outro 44,0% contavam entre 1 e 5 hes (ver quadro 7.9 e gráfico 7.2). Essas
duas categorias eram, com muita diferéncia, as mais numerosas. Sumando-as
ternos que o 78,8% das
explora~ns
censadas disponhiam de umha superficie
825
inferior a 5 hes, umha dimensom que podemos catalogar como "mui
pequena" 13 2 •
As
explora~ons
de 5-1 O hes, para
as
que utilizaremos o qualificativo de
"pequenas", representavam
já
umha percentagem relativamente baixa do total, o
13,4%; pero hai que destacar que o seu número em termos absolutos era
elevado, 56.500 unidades, constituindo este outro dos grupos característicos da
estrutura agrária galega.
Globalmente, o
predominio
das
pequenas
e
mui
pequenas
explorac;ons
era
abrumador:
o
92,2%
estavam
por
haixo
das
10
hes.
Agora bem, essa característica principal nom deve levar a
oscurecer outro feito, que ao nosso
jui~
merece também ser destacado para
obter umha visom completa da realidade: a
existéncia
nesta
data
de
1Dl
núm.ero
importante
de
explorac;ons
médias,
entendendo por
isto aquelas
coa
umha
superficie
de
10-so
hes
(ver quadro 7.9 e
gráfico 7.2).
Isso era certo sobretodo para a categoria de 10-20 hes, onde havia umhas
26.000
explora~ns.
A
prolifera~m
de unidades de mui reduzido tamanho
desdibuxa ou oscurece a preséncia dessas
explora~ns,
fazendo que a sua
percentagem se reduza a só o 6,2% das censadas. Pero o seu número absoluto
era considerável.
Ainda que com cifras
já
muito menores, algo similar pode dizer-se também
para as
explora~ns
de 20-50 hes. O seu peso no total era quase insignificante,
1,5%; pero nom assi a sua cifra em termos absolutos, umhas 6.000. Em
conjunto, as
explora~ns
médias, de 10-50 hes, sumavam algo mais de 32.000,
e suponhiam o 7,
7%
das censadas.
O que si era quase totalmente insignificante era a preséncia de
explora~ns
de tamanho superior as 50 hes. Em concreto, o Censo agrário de 1962 registou
unicamente 500 unidades com umha superficie de 50-100 hes, umha boa parte
das
quais, ademais, eram
espa~s
exclusivamente florestais, tanto de
propriedade particular, como montes comuns. Portanto,
8ll
relac;om
i.s
qrandes
explorac;ons
si
pode
afirmar-se
que
estas
eram
8ll
Galiza
praticamente
inexistentes.
132
Os adjectivos "pequena", "mui pequena", "média", etc., referidos A superficie
das
explo~ns,
som sempre algo convencional. Assu:mindo isso, na
exposi~m
utilizaremos esses termos
por
comodidade, fixmdo os seguintes límites: denominamos
explo~ns
"mui pequenas" as de superficie menor a S hes, "pequenas" as de S-10 hes,
"médias" as de
10-SO
hes, e "grandes" aquetas com superficie igual ou superior a
SO
hes.
826
. 827
Gráfico 7. 2.
ESTRUTURA
DAS
EXPLORACONS.
GALIZA
1962
(EXPLORACONS
..
PROPRIAMENTE
DI
T
AS")
40X
JOX
20X
10X
< 1 he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
CLASSES
DE
T AMANHO
IZZJ
NU1ERO DE EXP.
~
SLPERFICIE
-A
superficie
ocupada
polas
exploraQons
dos
diferentes
tamanhos.
Os dados que acabamos de comentar amostrárom-nos as características da
estrutura das
explora~ns
desde umha perspectiva concreta: o peso . social, o u
numérico, que tinham as unidades de cada tamanho. Para complementar a
imagem devemos referir-nos a superficie ocupada polos diferentes grupos; o que
corresponde a outra perspectiva possível
para
analisar essa estrutura: o peso das
diversas categorias de
explora~ns
do ponto de vista produtivo, ou mais
estritamente, desde a perspectiva da
ocupa~m
do território.
Também desde este ponto de vista, a principal característica é o predomínio
das
explora~ns
de pequena e mui pequena dimensom; pero com matizes que
so m importantes (ver quadro 7. 9 e gráfico 7. 2):
-Em primeiro lugar, hai que resaltar o escasso
peso
territorial que tinham em
conjunto as
micro-explora~ns,
de tamanho inferior a 1 he. Estas unidades,
que representavam mais de 1/3 das unidades censadas, nom ocupavam mais
que o 4,3% da superficie total.
-0
outro feito a salientar é a notável importáncia que desde este ponto de vista
adquirem as
explora~ns
médias, reafirmando deste modo o que antes
sinalamos sobre a sua significativa preséncia. Em concreto, as de 10-20 he
repartiam-se o 24,0% da superfície, e
as
de 20-50 hes o 11,7%.
Globalmente, as
explora~ns
médias, de 10-50 hes, ocupavam o 35,7% da
superficie
censada133.
Apesar disso, como adiantamos, a maior parte da superficie distribuía-se
entre as
explora~ns
de pequena e mui pequena dimensom: as de 1-5 hes,
como
30,9%
das
terras; e as de 5-10 hes, com o 27,0%. Entre ambos grupos
sumavam o 57,9% da superficie total.
Por último, as unidades de 50-100 hes, em consonáncia
como
seu número
quase insignificante, ocupavam unicamente o 2,2% da superficie. Portanto,
reiterando umha ideia
já
exposta, se a preséncia das
explora~ns
médias na
agricultura galega era a princípios dos 60 relativamente importante, as grandes
explora~ons,
em cámbio, estavam praticamente ausentes.
2.1.3.
compara9om
da
estrutura
das
explora9ons
viqente
em
Galiza,
com a
que
existia
nestes
meamos
anos
(a
principios
dos
60)
nos
espa9os
aqririos
do
nosso
entorno:
Espanha
e a CEE.
Para valorar melhor os dados anteriores, as características da estrutura
dimensional das
explora~ns
que encontramos na agricultura galega a
com~s
da década de 1960, é útil situar esses dados numha perspectiva comparada. Aqui
irnos ver em concreto a sua
rela~m
com a estrutura
das
explora~ns
existente
nesta mesma data em Espanha, por
um
lado, e nos países membros da CEE,
polo outro. No que respeita a este segundo conjunto, os dados que veremos
correspondem concretamente a CEE-1
O;
é dizer, que aparte dos 6 estados
fundadores, e que integravam a CEE nessa data (1960), incluímos também ao
Reino Unido, Irlanda, Dinamarca e Grécia, incorporados com posterioridade. O
motivo nom é outro que a disponibilidade de
informa~m
relativamente
homogénea para todos eles.
Antes de entrar no exame
das
cifras, sem embargo, nom está de mais que
fagamos algumhas adverténcias gerais ·sobre este tipo exercícios.
133 Lembramos que
todas
essas pereentagens estám calculadas sobre a superficie
total censada nas
explo~ns
individuais, isto é aquelas de tamanho inferior a 100 hes.
828
realiza~m
de
compara~ns
intemacionais
ou
interregionais sobre a superfície
das
explora~ns
agrárias, é
um
exercício de induvidável interesse. Pero, a hora
de efectuar tais
compara~ns,
devemos, em primeiro lugar, assegurar-nos de
que os dados estatísticos
dos
diversos países
som
homogéneos; e
em
segundo
lugar, compre ter claro o significado exacto deste tipo de cifras. Só assi
evitaremos o chegar a conclusons erróneas, ou ao menos inexactas.
Explicitemos brevemente
as
duas adverténcias.
A primeira refería-se ao
problUla
da
homoqeneidade
das
cifras.
Aqui som dous os aspeitos fundamentais nos que devemos fixar-nos:
1)
o conceito de
explora~m
agrária
ao
que correspondem os dados, e em
particular a dimensom mínima estabelecida
nas
estatísticas para que umha
explora~m
seja registada como tal; 2) o conceito de superficie ao que se
refirem as cifras sobre o tamanho das
explora~ons
(superficie total, superfície
agrária util, superficie cultivada). Pois bem, tanto num como noutro aspeito, as
solu~ns
adoptadas nas estatísticas dos diversos países podem diferir
notavelmente13 4 • Em conseqüéncia, a hora de efectuar
compara~ns,
hai que
comprovar previamente
se
as
cifras
som
homogéneas; e, em caso contrário,
fazer as oportunas
corr~ns,
ou ter presente a heterogeneidade dos dados no
momento de interpreta-los e tirar conclusons.
Salvados esses problemas estatísticos, ou fazendo
abstra~m
deles, hai que
remarcar o
siqnificado
exacto
deste
tipo
de
cifras:
estas
refirem-se a superficie das
explora~ns,
e portanto o que reflectem é a
dimensom, nos diferentes países
ou
regions, da base territorial dessas unidades
de
produ~m.
Se os
espa~os
agrários comparados som relativamente
homogéneos (no que respeita
as
orienta~ns
produtivas, e a tecnología ou
sistemas de
produ~m),
isso pode identificar-se aproximadamente com a
dimensom económica das
explora~ns.
Pero nom ocorre o mesmo, essa
identifica~m
nom é válida, quando comparamos areas geográficas ou
agriculturas mui
heterogéneas135.
Em conseqüéncia, ainda que por comodidade
na
exposi~m
falamos do tamanho (sem mais) das
explora~ns,
deve ter-se
presente sempre que o que estamos comparando
em
rigor é a superficie dessas
unidades de
produ~m,
o tamanho da sua base territorial nas diversas áreas.
134
Umha
ilus~m
disso encontmmo-la na panorámica
das
estatísticas para os
países
da
OCDE e principios da década dos 60, que se oferece na obra:
-OCDE, OCDE,
París, 1964, pp. 73-80.
135
Sobre este ponto insiste-se
por
exemplo no trabalho:
-RENBORG, Ulf, "Tendencies towards concentration
...
",
op.
cit.,
pp. 212 e ss.
829
Referindo-nos
já
a análise concreta que nos ocupa, nom encontramos
problemas estatísticos significativos para a
compara~om
entre Galiza e o
conjunto do Estado. Nos dous casos contamos com cifras suministradas pola
mesma fonte, o Censo agrário de 1962; portanto, a sua homogeneidade
pareee assegurada. A
situa~om
planteja-se de forma diferente ao tratar de
efectuar a
compara~m
com os países membros da CEE-1
O.
Por
este motivo,
realizaremos esta segunda
confronta~m
de forma separada, precisando no seu
momento as características concretas dos dados utilizados.
a. A
relacom
entre
a
estrutura
dimensional
das
exploracons
existente
em
Galiza
e a
do
conjunto
de
Espanha
(1962).
Aqui unicamente é necessária umha precisom sobre as cifras: as que
tomamos para Galiza som as referidas ao número e superficie das
explora~ns
individuais;
por
esta razom,
para
que os dados foram comparáveis, tratamos de
excluir também nos correspondentes ao conjunto de Espanha as
explora~ns
públicas e comunais. O procedimento seguido para fazer este ajuste aparece
especificado nas notas explicativas ao
quadro
7 •
13,
no que figuram as cifras
para Espanha
já
corregidas.
Com o fim de facilitar a
compara~m,
elaboramos dous gráficos: no
qrifico
7.
3 está representada a
distribu~m
das
explora~ns
por
tamanhos
em
Galiza e em Espanha; e no
qrifico
7.
4 aparece a percentagem da
superficie total ocupada polas unidades de cada tamanho, num e outro
espa~.
As referéncias a estrutura dimensional das
explora~ns
existente na
agricultura espanhola, considerada globalmente, coincidem em sinalar como
característica mais destacada dessa estrutura a sua
bipolariza~m:
"Es
decir,
que
un
gran
número
de
pequeñas
explotaciones
ocupan
una
pequeña
proporción
de
la
superficie,
mientras
un
pequeño
número
de
grandes
explotaciones
ocupan
una
gran
parte
de
la
superficie
total
•
"136
As
explora~ns
de tamanho
médio tenhem em cámbio um peso relativamente reduzido; em contraste,
afirma-se, com o que sucede em geral nos países
da
CEE.
136
SAN
JUAN
MESONADA, Carlos/ ROMO LAGUNAS, María Jesús,
"Evolución intercensal de las explotaciones agrarias
(1962-1972-1982).",
Agricultura
y
Sociedad,
no.
44,
julho-setembro
1987,
pag.
138.
830
Quadro
7.13.
Número
e
das
em
por
intervalos
dimensionais
(1)
(2}.
1962.
CIFRAS
ABSOLUTAS
DISTRIBUCOM
PERCENTUAL
Tamanho
Número
Sup.
total
Número
Sup.
total
(sup.
total)
de
explor
(hes.
)
de
explor
(hes.
)
---------- --------- ---------- --------- ----------
< 1
he.
733533
316313
26,4%
0,9%
1-5
1031801
2562434
37,2%
7,4%
5-10
417125
2927613
15,0%
8,5%
10-20
300996
4192331
10,8%
12,1%
20-50
196001
5872086
7,1%
17,0%
50-100
51672
3510835
1,9%
10,2%
>=
100
hes.
44538
15147111
1,6%
43,9%
TOTAL
2775666
34528723
100,0%
100,0%
Superficie
total
1
explora9om
(hes.)
12,44
(1)
Dados
referidos
is
explora9ons
"com
terras"
de
superficie
>=
0,1·
hes.
Excluimos,
pois,
as
explora9ons
"sem
terras"
e
aquelas
"com
terras"
menores
de
0,1
hes.
(2)
Ao
igual
que
fixemos
para
Galiza,
nas
cifras
estám
excluidas
as
explora9ons
públicas
e
comunais.
Para
isto
calculamos
no
Censo
de
1972
a
percentagem
que
suponhiam
as
citadas
explora9ons
e a
sua
superficie
sobre
o
total
de
explora9ons
maiores
de
100
hes.
E
aplicamos
essas
percentagens
sobre
as
cifras
do
Censo
de
1962.
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elabora9om
pr6pria.
Essas características aparecem nitidamente
nas
cifras
do
Censo agrário de
1962 corregidas, que oferecemos
no
quadro 7.13. Podemos ver
aí
que
as
explora~ns
de tamanho inferior a 1 O
hes
suponhiam
em
Espanha o 78,8% das
censadas, pero unicamente ocupavam o 16,8%
da
superficie. Mentres que
as
maiores de 50 hes
s6
eram o 3,5%
do
total
em
número, pero repartiam-se o
54,1% da superficie. No médio ficavam
as
unidades de 10-50 hes, com umha
preséncia modesta tanto
em
número (17,9%
do
total), como em superficie
(29,
1%
do total). Dessas cifras resultava umha superficie média por
explora~m
de 12,44 hes.
contido
das
diferéncias melhor a
distribu~m
explora~ns
e da superficie por classes
de
tamanho, num e outro
espa~o
gráficos 7 e 3 e podemos constatar
1
1.
Em
Galiza era muito maior que em Espanha o peso das pequenas e mui
pequenas
explora~ns
(aquelas de superfície inferior a 1 O hes).
Por
umha
parte, era mais acusado o seu predomínio numérico: 92,1% do total de
explora~ns
no agro galego, frente ao 78,8% em Espanha. E sobretodo, era
muito maior a parte da superfície que ocupavam: no primeiro caso estas
unidades repartiam-se o 62,2% da superfície total, mentres que no segundo
s6
cubriam o 16,8%
das
terras.
ü. As
explora~ns
médias, de 10-50 hes, tinham um peso relativamente similar
em ambos
espa~s,
sobretodo se nos fixamos na superficie ocupada: 35,
1%
da superficie total em Galiza, 29,
1%
no conjunto de Espanha.
iii.
Por
último, o contraste era enorme no que respeita a importáncia das
explora~ns
maiores de 50 hes. Na agricultura espanhola estas unidades
repartiam-se o 54,1% da superficie, mentres que na agricultura galega,
como
já
vimos, eram praticamente inexistentes, ocupando
s6
o 2,2%
das
terras137.
Gráfico 7. 4.
DISTRIBUGOM
DAS
EXPLORAGONS POR TAMANHO
COf"PARACOM
ENTRE
GALIZA E
ESPANHA.
1962
sox~--------------------------------------------~
1&1
m
m
40X
<
...J
(J
<
o
<
(J
JOX
S
~
<
15
20:1r;
...J
~
1&1
o
M
10"
< 1
he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
>-
100
ha.
CLASSES
DE
TAMA'*iO (SlP.TOTAL
EM
HES.)
IZZJ
ESPANHA
f?2'l2
GALIZA
137
Lembramos que nessas cifras, tanto para
Ga.li.za
como para Espanha, estám
excluidos os montes públicos e comuruús.
832
833
Gráfico 7.5.
DISTRIBUGOM
DA
SUPERFICIE POR T AMANHOS
60X
eot"PARACOM
ENTRE
GAlllA
E ESPAN-tA.
1962
~
sox
¡:
o
u
....
....
~
o
40X
<
o
<
o
r
30X
....
....
u
¡
~
20X
<
o
~
10X
ex
< 1
he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
>•
100
hes.
~SES
DE
TAMANHO
(SUP.~L
Et1
HES.)
~
ESPANHA CALIZA
Em
definitiva,
comparado
coa
o
conjunto
da
Bspanha,
a
estrutura
dimensional
das
axplora9ons
existente
am
Galiza
caracterizava-se
por:
um
predominio
auito
aaior
das
pequenas
e
aui
pequenas
explora9ons,
um
peso
similar
das
explora9ons
mádias,
e a
auséncia
quase
total
das
unidades
de
qranda
diaansoa,
que
na
aqricultura
espanhola
ocupavaa
aais
da
matada
da
superficie
total.
Coao
resultado,
a
superficie
aédia
por
axplora9om
era
inferior
a
1/3
da
raqistada
ea
Bspanha.
Essas características faziam de Galiza o paradigma das zonas minifundistas
dentro
da
agricultura espanhola, sendo a
situa~m
comparável unicamente com a
existente nas províncias da Comisa Cantábrica. No
aapa
7 • 1 pode ver-se a
superficie média
por
explora~m
que se registava em 1962 nas diferentes
províncias do Estado. As cifras aí representadas refirem-se
ao
total
de
explora~ns
censadas, incluídos os montes públicos e comunais, e portanto
carecem da precisom que seria desejável. Pero, ainda assi, o mapa é suficiente
para
ilustrar a heterogeneidade espacial que neste aspeito existia dentro
da
agricultura espanhola, e a
posi~m
relativa que o agro galego ocupava nesse
contexto.
MAPA
7.1.
SUPERFICIE MEDIA DAS EXPLORACONS
NAS DIFERENTES PROVINCIAS ESPANHOLAS
1961
D l6mos •
to
llfJ
O
De10a20Be
834
b.
A
relacom
com a
estrutura
das
existente
nos
estados
membros
10
Ampliando o ámbito geográfico desta análise comparada, trataremos agora
de
aclarar como se situava a estrutura das
explora~ns
galega no contexto da
Europa Ocidental; e mais concretamente, em
compara~m
coma
existente nos
estados membros da CEE-10. Para isto, sem embargo, necessitamos fazer
umhas precisons prévias sobre os dados estatísticos.
Nos
quadros
7.14
e
7.15
reproduzimos as cifras referidas a estrutura
dimensional das
explora~ns
vigente em cada um desses 1 O estados (e no
conjunto da CEE-10), em 1960 ou umha data próxima. Estes dados estám
tomados das estatísticas elaboradas polo EUROSTAT utilizando umhas
defini~ns
uniformes, polo que a homogeneidade entre as cifras dos diferentes
países parece assegurada.
De
afondar mais no tema, esta última
afinna~om
necessitaria algumha
matiza~m,
posto que a fonte primária da que procedem as
cifras som estatísticas nacionais, elaboradas com diferentes metodologias e
defmi~ns,
e a
homogeneiza~m
dos resultados só foi efectuada a posteriori138.
Por
este motivo, podem subsistir deficiéncias na sua comparabilidade139. Pero
isto tem para nós um interesse e umha releváncia mui secundários.
Muito mais importantes, e de maior repercusom aos nossos efeitos, som as
dificuldades que encontramos ao tratar de comparar os dados anteriores com os
oferecidos para Galiza ( ou para o conjunto do Estado) polo Censo agrário de
1962. Estes problemas derivam-se de dous aspeitos:
i.
As diferéncias no conceito de
explora~m
agrária. Nas cifras correspondentes
a CEE-1 O
só
estám contabilizadas as
explora~ns
com umha SA U igual ou
superior a 1 he; mentres que nos dados do Censo agrário
de
1962 que
vinhemos utilizando, figuram registadas como
explora~ns
todas
aquel~
com umha superficie total maior ou igual a 0,1 he.
138
A recolhida
de
info~m
sobre a estrutum das
explo~ns,
baBeada
numba
metodologia e
defuri~ns
oomuns para todos os estados membros,
nom
se iniciou
na
até
1966/67, data
de
realizayom
do
primeiro "Inquérito oomunitário sobre a estrutura das
explo~ons
agrárias"'.
139
Sobre isto consultar
por
exemplo:
-F
ANF
ANI,
Roberto, "Política agraria, evolución estructural y productiva en los países y
regiones
de
la
CEE:
1962-1975.
",Agricultura
y
Sociedad,
no.
4,
julho-setembro 1977, pp. 9-59;
em
especial, pag. 18.
835
ii. O diferente conceito de superfície. Nas estatísticas comunitárias as cifras
sobre o tamanho das
explora~ns
refirem-se a SA U. Os dados do Censo
agrário
de
1962, em cámbio, estám referidos a superfície total das unidades
de
produ~m
(incluíndo pois, ademais da SAU, as terras a monte e as
superficies improdutivas integradas nas
explora~ns).
O primeiro dos problemas pode subsanar-se em boa medida, excluíndo das
cifras galegas as
explora~ns
com superfície total inferior a 1 he. Isto foi o que
fixemos; e assi, nas cifras que empregamos para esta
compara~om
essas
unidades estám excluidas (ver estas cifras nos quadros 7.14 e 7 .15).
O segundo problema, em cámbio, é insalvável, posto que no Censo agrário
de 1962 a única
classifica~m
das
explora~ns
por tamanhos que se realizou foi
a referida a sua superficie
total140.
Portanto, devemos ter presente que nas cifras
,que irnos comparar a dimensom das
explora~ns
na CEE-1 O refire-se a
SA
U,
mentres que para Galiza os dados correspondem a superficie total das unidades
deprodu~m.
Iniciaremos a
exposi~m
examinando as características que apresentava a
estrutura dimensional das
explora~ns
nesse conjunto de países da Europa
Ocidental a principios dos 60. Depois trataremos de aclarar qual era a
posi~m,
a
situa~m
relativa, da agricultura galega nesse contexto.
Referindo-nos
já
a CEE-10, hai que sinalar de entrada que a estrutura das
explora~ns
nom era nem muito menos uniforme dentro deste conjunto
geográfico, senom que diferia notavelmente de uns países a outros
(ver
quadros
7
.14
e
7.15;
a
qr,fico
7.
s).
De
todos modos, havia uns
tra~os
gerais que eram comuns a maior parte destes países, e que podemos
considerar como as características deftnitórias da estrutura das
explora~ns
"europeia" em 1960. Estes
tra~s
eram:
i.
O grande peso das
explora~ns
médias, aquelas com umha SAU
de
10-50
hes. Estas unidades constituiam de feito a categoría predominante
na
maior
parte dos países, representando entre o 25% e o 50%
das
explora~ns,
e
ocupando do 50% ao 75% da SAU.
n. O elevado peso numérico que tinham ainda na maior parte dos casos
as
explora~ns
de pequena dimensom (menores de 10 hes). A sua importáncia
produtiva era modesta, ocupando em geral menos do 30% da SAU; pero
numericamente as pequenas
explora~ns
eram maioritárias em vários países,
e em todos eles suponhiam mais do 40% do total.
140
Isto :mantivo-se
no
Censo
de
1972.
~
a partir
do
Censo agrário
de
1982,
no
que
se
seguemjá
em
grande medida as
recomen~ns
da CEE, qwmdo nas estatísticas
espanholas
com~
a publicar-se dados sobre a
distribu~m
das
explo~ns
em
ñm~m
da
sua SAU.
836
ili.
Por
último, a importáncia
das
explora~ns
maiores de 50 hes diferia muito
de uns estados a outros, se bem em geral estas ocupavam umha
propor~m
significativa da SAU (do
10%
ao 30% ).
A essas características gerais escapavam trés estados, cujas estruturas
apareciam como excepcionais ou "atípicas" no contexto da CEE-10:
por
um
lado o Reino Unido, onde o predomínio correspondia
as
explora~ns
maiores de
50
hes (estas cubriam os 2/3 da S A U), e a SA U média por
explora~
m era
muito maior que no resto de países (32,03 hes , frente a 11,21 hes no conjunto
da CEE-1
O);
no extremo oposto estava Grécia, que registava um predomínio
abrumador das pequenas e mui pequenas
explora~ns
(o 95% do total eram
menores de 10 hes), e um tamanho médio das
explora~ns
mui reduzido (4,03
hes); e o outro caso "atípico" era Itália, país no que a estrutura das
explora~ns
apresentava umha imagem dual ou bipolar, similar em certo sentido a existente
em Espanha, considerada
globalmente141.
Os 7 estados restantes som os que podemos considerar como o núcleo
básico e representativo da estrutura
das
explora~ns
"europeia", estando esta
definida em 1960 polos
tra~os
gerais antes citados. Matizando algo mais, dentro
deste conjunto haveria que diferenciar dous grupos:
l.
No
primeiro estavam Holanda, Bélgica e a R.F. de Alemanha. Aqui a
estrutura das
explora~ns,
ainda que baseada nas
explora~ns
médias,
registava um claro predomínio numérico
das
unidades de pequena
dimensom, mentres que a preséncia das maiores de 50 hes
era
mui
reduzida. O tamanho médio situava-se nestes trés países em tomo as 8/1 O
hes (ver gráfico 7.5)
2.
Fran~,
Irlanda e Dinamarca formavam o segundo grupo, no que também
podia ser incluído Luxemburgo. Mantendo-se o papel central das
explora~ns
médias, estes países diferenciavam-se dos anteriores em que o
peso
~s
pequenas
explora~ns
era muito menor, e em cámbio adquiriam
notável releváncia as de grande dimensom. Como conseqüéncia disso, a
SAU média por
explora~m
elevava-se aqui a 16/18 hes (ver gráfico 7.5).
Ternos assi perfilada a realidade vigente a princípios dos 60 na CEE-10.
Situando-a nesse contexto, como podemos caracterizar a estrutura dimensional
das
explora~ns
que existia na agricultura galega ? .
U mha primeira resposta obtemo-la fixando-nos no tamanho médio das
explora~ns
(ver quadro 7.15 e gráfico 7.5)
..
Com os dados que aqui utilizamos
141
O carácter singular ou atípico da estrutum italiana no contexto da CEE é algo
resaltado
por
exemplo no trabalho:
-F
ANF ANI, Roberto, "Política agraria, evolución estructural
...
",
op
• e i t . , pp. 18
e ss.
837
para Galiza14l, resulta umha superficie média por
explora~m
em 1962 de 5,12
hes. Esta cifra suponhia menos
da
metade
da
dimensom média das
explora~ns
na CEE-1
O,
e era mui inferior a registada na prática totalidade desses países.
Unicamente Grécia apresentava umha
situa~m
comparável a galega, com umha
cifra que mesmo era ligeiramente inferior (4,03 hes/
explora~m).
A conclusom geral nom oferece, pois, nengumha dúvida:
contemplada
no
ámbito
da
Buropa
ocidental,
a
super~icie
das
explora9ons
era
em
Galiza
mui
reduzida.
Gráfico 7.5.
SUPERFICIE MEDIA DAS EXPLORAGONS
1960
35
CClt'PARAGOM
GALIZA - PAISES DA
CEE-10
JO
-
25
ui
1&.1
r:
I:
20
1&.1
-
~
15
.....
::l
<1(
.,
10
RU
IRL F O L H
RFA
B IT
GR
CEE-10
GA
S'CA SAU
Agora bem, em rigor isso era ainda mais acentuado do que indicam essas
cifras; porque nelas comparamos a SAU/
explora~m
na CEE-10 com a
Superficie total/
explora~m
em Galiza, e portanto sobreestimamos o tamanho
relativo
das
unidades no nosso agro.
142 Estes refirem-se, lembremos,
as
explo~ns
individuais de superficie > = 1 he
(ver as notas explicativas ao quadro 7.14).
838
Para precisar mais a
situa~m,
podemos servir-nos dos dados que oferece o
Censo agrário de 1962 sobre a
distribu~m
da superficie total
das
explora~ns
por aproveitamentos. Assi, excluíndo as terras a monte e improdutivas,
obtem-se umha SAU/
explora~m
em
Galiza de 2,11 hes
14
3.
Esta cifra nom é
tampouco estritamente comparável com as da CEE-1
O,
constituindo neste caso
umha
estima~
m por
defectot44.
Deixando umha certa marge de erro, podemos estimar que, em termos
homogéneos com as cifras comunitárias (isto é, referido
as
unidades com umha
SAU > = 1 he), a dimensom média era em Galiza de umhas 3,0 ou 3,5 hes de
SAU por
explora~m.
Cifra esta que representava aproximadamente 1/3 do
tamanho das
explora~ns
na CEE-10
ou
em países como Holanda e a R.F. de
Alemanha, e ao redor de 1/5
do
registado em países corno
Fran~
ou Irlanda.
Dos estados aí considerados,
s6
em Grécia a
situa~m
era neste aspeito
cornparável a galega.
Como é óbvio, isso correspondía-se corn
um
peso relativo muito maior no
nosso agro das pequenas
explora~ns,
menores de
10
hes, e sobretodo daquelas
de tamanho inferior a 5 hes. Nom nos irnos deter a comentar estes dados, que
podern ver-se no quadro 7.14. Sem embargo, hai
um
feíto que pode observar-se
aí e que merece ser destacado para completar a análise. Antes vimos que em
cornpara~m
com o conjunto da agricultura espanhola, a principal diferéncia
radicava na prática inexisténcia
ern
Galiza
das
grandes
explora~ns.
Pois bem,
nom sucede o rnesmo
ea
relacrom
i.
CBB-10; a
diverq6ncia
mais
importante
neste
caso
consistia
no
peso
muito
menor
que
no
nosso
aqro
tinham
as
exploracrons
m6dias.
1
43
Isso é o que resulta
da
divisom: (superficie lavrada
+prados,
no
conjunto
de
explo~ns
de
1-100 hes)/ número de
explo~ns
de 1-100 hes.
1 44 O motivo é que para o cálculo dessa cifra estám contabi1izadas
explo~ns
com
umha
SAU inferior a 1
he
(ainda que a sua superficie total supera essa cifra); e isso tende
a rebaixar a média.
Por
outro lado,
nom
é exacto, para principios da década dos 60, excluir totalmente as
terras a monte
da
SAU, dado o aproveitamento agrário de que estas tetras eram objecto.
839
Quadro
7.14.
Distribu9om
das
explora9ons
e
da
superficie
por
classes
de
tamanho.
Compara9om
entre
Galiza
e
os
estados
membros
da
CEE-10
(1).
1960
(2).
Tamanho
SAU
1-5
hes.
5-10
10-20
20-50
>=
50
hes.
TOTAL
(explora9ons
ALEMANHA
(R.
F.)
Número
de
exp.
44,6%
24,8%
20,7%
8,8%
1,2%
100,0%
SAU
12,5%
19,2%
30,9%
27,1%
10,3%
100,0%
FRANCA
Número
de
exp.
26,2%
21,2%
26,7%
20,5%
5,5%
100,0%
SAU
4,2%
9,2%
22,5%
36,2%
27,9%
100,0%
e
1000
hes.)
(
1385250)
(
12935)
(
1773500)
(
30162)
(2756336)
(18660)
Tamanho
SAU
1-5
hes.
5-10
10-20
20-50
>=
50
hes.
TOTAL
(explora9ons
HOLANDA
Número
de
exp.
38,1%
27,0%
23,4%
10,6%
0,9%
100,0%
SAU
9,8%
20,0%
32,8%
30,7%
6,7%
100,0%
BELGICA
Número
de
exp.
48,5%
26,5%
17,7%
6,2%
1,1%
100,0%
SAU
15,8%
23,0%
29,7%
21,3%
10,2%
100,0%
ITALIA
Número
de
exp.
SAU
68,2%
19,1%
8,3%
3,2%
1,2%
100,0%
25,0%
19,8%
17,0%
14,2%
24,0%
100,0%
LUXEMBURGO
Número
de
exp.
31,5%
18,4%
26,4%
21,9%
1,8%
100,0%
SAU
6,1%
10,1%
28,7%
46,7%
8,4%
100,0%
e
1000
hes.)
(230312)
(
2283)
(
198706)
(1635)
(10358)
(139)
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
Tamanho
Número Número
Número
SAU
de
exp.
SAU
de
exp.
SAU
de
exp.
SAV
---------- --------- -------- -------- -------- -------- --------
1-5
hes.
29,5%
2,4%
20,4%
3,~%
18,0%
3,5%
5-10
13,2%
3,0%
23,6%
10,3%
28,1%
12,8%
10-20
16,3%
7,4%
30,0%
24,8%
28,2%
25,3%
20-50
22,4%
22,7% 20,7%
36,3%
22,6%
40,7%
>=
50
hes.
18,7%
64,5%
5,3%
25,0%
3,3%
17,9%
TOTAL
100,0%
100,0%
100,0% 100,0%
100,0%
100,0%
(explora9ons
e
1000
hes.)
(443100)
(14191)
(278500)
(4760)
(193700)
(3050)
840
Quadro
7.14.
(continuac;:om)
GRECIA
CEE-10
Tamanho Número Número
SAU
de
exp.
SAU
de
exp.
SAU
---------- --------- ---------- --------- ----------
1-5
hes.
75,0% 46,8% 49,5% 11,3%
5-10
19,7% 32,3% 21,0% 13,4%
10-20
4,4% 14,1% 16,3% 20,4%
20-50
0,8% 5,2% 10,1% 27,0%
>= 50
hes.
0,1% 1,6% 3,1% 27,9%
TOTAL
100,0% 100,0%
100,0%
100,0%
(explorac;:ons
e
1000
hes.)
(877600)
(3541)
(8147000)
(91356)
GALIZA
Tamanho
(Superf.
Número
Superf.
total)
de
exp.
total
---------- -------- ----------
1-5
hes.
67,5% 32,3%
5-10
20,6% 28,2%
10-20
9,5% 25,1%
20-50
2,3% 12,2%
>= 50
hes.
0,2% 2,3%
TOTAL
100,0%
100,0%
(explorac;:ons
e
1000
hes.)
(274230)
(1403)
(1)
-os
dados
para
os
estados
membros
da
CEE-10
refirem-se
as
explorac;:ons
com umha
SAU
>=1
he.
. O
tamanho
das
explorac;:ons
e
as
cifras
de
superficie
estám
referidos
a
SAU.
-As
cifras
correspondentes
a
Galiza
que
oferecemos
aqui
refirem-se
as
explorac;:ons
censadas
em
1962
com umha
superficie
total
>=1
he.
(e
inferior
a
lOO
hes.,
já
que
seguimos
excluindos
aos
montes
públicos
e
comunais).
Hai
que
ter
em
conta
que
nas
cifras
galegas
tanto
o
tamanho
das
explorac;:ons
como
os
dados
de
superficie
estám
referidos
a
superficie
total
(incluindo
o
monte
baixo
e
arvorado
e
as
terras
improdutivas
integradas
nestas
unidades
de
produc;:om).
(2)
As
cifras
galegas
correspondem
a
1962;
as
de
Franc;:a a
1963;
as
de
Holanda
e
Bélgica
a
1959;
e
as
de
Itália
e
Grécia
a
1961.
Fonte:
-Para
os
estados
membros
da
CEE-10:
EUROSTAT,
Annuaire
de
statistique
agricole
1979-1982.,
Office
des
publications
officielles
des
Communautés
européennes,
Luxemburgo,
1984,
pp.
56-57
Elaborac;:om
pr6pria.
-Para
Galiza:
INE,
Censo
agrario
de
1962;
elaborac;:om
pr6pria
dacordo
com o
procedimento
que
se
indica
na
nota
explictiva
a
este
quadro.
841
Quadro
7.15.
Superficie
média
por
explora~om;
compara~om
entre
Galiza
e
os
estados
membros
da
CEE-10.
1960
(1)
Dados
para
os
estados
da
CEE-10.
SAU/exp.
(
2)
-Reino
Unido
32,03
hes.
-Irlanda
17,09
"
-Fran~a
17,01
"
-Dinamarca
15,75
"
-Luxemburgo
13,44
"
-Holanda
9,91
"
-Al
emanha
(R.
F.
)
9,34
"
-Bélgica
8,23
"
-Itália
6,77
"
-Grécia
4,03
"
CEE-10
11,21
"
-Galiza:
Sup.total
1
exp.(3)
5,12
hes.
-Galiza:
SAU
1
exp.(4)
2,11
"
(1}
Ver
a
nota
2
ao
quadro
anterior.
(2)
É a
SAU
explora9om
que
resulta
das
cifras
do
quadro
anterior.
(3)
Esta
é a
superficie
total
por
explora9om
que
resulta
dos
dados
que
figuram
no
quadro
anterior.
(4)
Cifra
estimada
a
partir
dos
dados
sobre
a
utiliza9om
da
terra
que
oferece
o
Censo
agrário
de
1962.
Concretamente
essa
cifra
resulta
do
quociente:
(Sup.
lavrada
+
Prados
das
explora~ons
censadas
de
1-100
hes.)
1
Número
de
explora~ons
de
1-100
hes.
Fonte:
elabora~om
pr6pria
a
partir
do
quadro
anterior,
excepto
a
última
cifra
que
foi
obtida
segundo
se
explica
na
nota
4.
2.1.4.
As
diverqéncias
espaciais
dentro
da
aqricultura
qaleqa.
I.Anilise
da
estrutura
dimensional
das
explora9ons
por
provincias.
Nas páginas anteriores eremos ter aclarado suficientemente as características
da estrutura das
explora~ns
existente em Galiza a princípios dos anos 60. O
tamanho, a superficie, das
explora~ns
individuais era aqui, como vimos, mui
reduzido; tanto se o consideramos no contexto espanhol, como no ámbito mais
amplo da Europa Ocidental. E existiam, ao mesmo tempo, grandes
espa~s
de
montes públicos e comunais, que ocupavam ao redor de 1/3 do território.
A realidade, sem embargo, distava de ser uniforme dentro da geografía
galega.
Por
um lado, diferia muito de umhas comarcas a outras a importáncia
dos montes comuns, a
propor~m
da superfície total que estes ocupavam. E
842
polo outro, ligado
em
boa parte ao anterior, havia também grandes divergéncias
na dimensom, a superfície, das
explora~ons
individuais.
A
continua~m
imo-nos referir a essas diferéncias espaciais; analisando em
primeiro lugar a
situa~om
por províncias, e depois (no epígrafe seguinte) os
dados a nível municipal. Em ambos casos, examinamos primeiro o peso dos
montes comuns; para centrar-nos logo na estrutura dimensional das
explora~ns
individuais. A
informa~m
empírica utilizada procede toda, ao igual que para o
conjunto de
Galiza.,
dos resultados
do
Censo agrário de 1962.
Sem mais preámbulos, iniciamos
já
o estudo dos dados a nível provincial.
a.
A
superficie
ocupada
polos
montes
públicos
e
comunais.
Neste
aspeito,
a
propor9oa
da
superficie
_
que
ocupavaa
os
aontes
coauns,
havia
ea
1962
ua
forte
contraste
entre
as
4
provincias
qaleqas,
centrado
sobretodo
nuaha
oposi9oa
entre
as
duas
provincias
septentrionais
e
as
duas
aeridionais.
Podemos comprovar isso no
quadro
7.16
e no
gráfico
7.
6,
onde
figuram as cifras que se obtenhem identificando com montes comuns as
explora~ns
censadas de tamanho igual ou superior a 100 hes. Dacordo com
estas cifras, o peso dos montes comuns era bastante reduzido na província de A
Corunha, ocupando aqui só o 18,4% da superfície total censada. Na de Lugo
essa
propor~m,
ainda que claramente superior (33,7% da superficie censada),
estava também por baixo da média galega (que era, lembremos, o 39,5%). Em
contraposi~m
com isso, nas duas províncias meridionais os montes comuns
cubriam a metade ou mais das terras censadas em 1962: o 49,3% em
Pontevedra, e o 60,3% em Ourense (ver gráfico 7.6).
Essas cifras, como
já
sinalamos para o conjunto de
Galiza.,
sobreestimam
ligeiramente a superficie real dos montes comuns; pero constituem, também a
nível províncial, umha boa
aproxima~m.
Fazendo uns cálculos mais precisos,
obtemos que a percentagem da superfície censada que correspondía aos montes
públicos e comunais se situava
em
1962 nas seguintes cifras: o 17,8% na
província de A Corunha, 30,4% em Lugo, 51,3% em Ourense, e 45,2% em
843
Pontevedra 1 45. Como vemos,
os
valores reduzem-se algo a respeito dos que
recolhemos no quadro 7.16 e no gráfico 7.6; pero
as
diferéncias entre as
províncias mantenhem-se
sem
varia~ns
significativas.
Resumindo, portanto:
as
terras de propriedade pública ou colectiva
ocupavam nas duas províncias meridionais umha parte mui elevada (ao redor da
metade) do território; em contraste com
as
duas septentrionais, e sobretodo A
Corunha, onde a importáncia desses
espa~s
era muito menor.
Gráfico 7.
6.
SUP. DOS MONTES
COMUNS/
S.
TOTAL
CENSADA
POR
PROVINCIAS.
CENSO
AGRARIO
1962
100X
4(
90X
e
<
1/)
z
BOX
laJ
u
...J
< 70X
....
e
....
o.:
60X
::l
1/)
.......
50
X
1/)
g 40X
u
1/)
30X
laJ
!Z
~
20"
a.:
;:)
10X
1/)
o"
·A
Corunha Pontevedro
145 Estas cifras
som
as que resultam tendo
em
conta os dados mais precisos sobre a
superficie das
explo~ns
públicas e comunais que oferece o Censo agrário
de
1972.
Em
concreto o procedimento para a sua
obten~m
foi o seguinte: 1) Calculamos a partir
dos
resultados
do
Censo
de
1972 a
rel~m
que
em
cada provincia existe entre a superficie das
explo~ns
públicas e comunais, e a superficie das
explo~ns
censadas maiores
de
100
hes.
2)
E aplicamos o quociente assi obtido para cada provincia a cifra inicial que
para
1962 oferecemos
no
quadro 7.16.
844
Quadro
7.16.
Propor~om
da
superficie
censada
que
corresponde
aos
montes
públicos
e
comunais
{explora~ons
>=
100
hes.).
Dados
por
provincias.
Censo
agrário
de
1962
(as
cifras
absolutas
em
hectares)
A
Corunha
Lugo
Ourense
Pontevedra
---------- -------- ---------- -----------
a.
Total
superficie
censada
..
579316
834006
661254
349422
b.
Sup.
censada
nas
explor.
>=
100
hes.
(montes
comuns)
106778
280841
398268
172373
Propor~om
da
sup.
censada
que
corresponde
aos
montes
comuns
(b/a)
(%)
..•..•••.
18,4%
33,7%
60,2%
49,3%
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elabora~om
pr6pria.
Esse contraste, que encontramos entre umhas e outras províncias a
princípios da década de 1960, era
um
fenómeno bastante recente, posto que
tinha a sua origem em
mudan~
registadas ao longo dos 60 ou
70
anos
precedentes. Como expuxemos na
introdu~m
histórica, foi nesse período
relativamente próximo quando
se
produziu o reparto de muitos dos montes
comuns, que até entom se conservaram indivisos em toda a geografia galega. E,
como também apontamos alí, esses repartos afectárom fundamentalmente a
metade septentrional de Galiza, a situada
ao
norte de umha linha
"desembocadura do
Ulha--D~m--Pedrafita";
sendo em cámbio mui escassos
na metade meridional. Deste modo, configurou-se umha neta
diferencia~m
entre essas duas metades do território galego;
diferencia~m
que se reflecte
claramente nos dados a nível provincial, ainda que as fronteiras provinciais nom
coincidem exactamente com aquela linha divisória.
Visto desde a perspectiva das
explora~ns
agrárias individuais, o reparto
dos montes comuns,
a1í
onde tivo lugar, deu lugar a umha
amplia~m
considerável da superficie total destas
explora~ns,
mediante a
incorpora~m
de
importantes extensons de monte particular.
Assi, as cifras que antes comentamos, referidas a superficie ocupada polos
montes comuns nas diversas províncias em 1962, tenhem também a sua leitura
desde este outro ponto de vista. Deste modo, podemos dizer que na província de
A Corunha as
explora~ns
individuais repartiam-se mais do
80%
do território, e
na de Lugo ao redor do 70%146; incluíndo essa superficie em ambos casos umha
propor~m
elevada de monte particular. Nas províncias de Ourense e
Pontevedra, em cámbio, o
espa~
distribuido entre
as
explora~ns
individuais
146
Essas percentagens som o que resta deduz:indo a exten.som correspondente aos
montes comuns (17,8% na primeim provincia, e 30,4% na segunda).
845
estava limitado a tam s6 o 50%/55% do território; correspondendo-se isto
coma
escassez de monte particular, incorporado a superficie destas
explora~ns
147
.
Irnos ver de imediato que isso tinha importantes
implica~ns
sobre a
estrutura dimensional das
explora~ns
configurada numhas e outras províncias.
b.
o
número
e
superficie
das
exploracons
aqrárias
Cindividuaisl.
A estrutura dimensional das
explora~ns
apresentava também grandes
divergéncias provinciais, que se reflectem claramente
já
no seu tamanho méd.io,
na
superficie méd.ial
explora~m
(ver
quadro
7.17
e
qrifico
7.
7).
A dimensom mais elevada registava-se na província de Lugo, com umha
méd.ia
de
6,07 hes/
explora~m;
a
continua~m
situava-se A Corunha com 3,71 hes,
Ourense com 2,80 hes; e
por
último Pontevedra, onde a extensom méd.ia das
explora~ns
individuais era de s6
1,
64
hes148.
Quadro
7.17.
Superficie
total
por
explora9om
nas
4
provincias
galegas.
Média
que
resulta
tomando
a
totalidade
das
explora9ons
censadas,
e
superficie
média
das
explora9ons
agrárias
"propriamente
ditas".
Censo
agrário
de
1962
SUPERFICIE/
EXPLORACOM
(hes.)
A
Corunha
Lugo
OUrense
Pontevedra
-Total
de
unidades
censadas
-Explora9ons
agrárias
(excluidos
montes
comuns)
4,55
3,71
9,13
7,02
6,07
2,8
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elabora9om
pr6pria.
147
Oferecemos mais adiante a
demost~m
empírica dessas
a~ns
(referidas
ao
diferente
peso
do
monte particular, e a
rel~m
que isso tem
com
as diferencias
na
extensom total das
explo~ns).
3,23
1,64
148
Aparte dessas cifras, referidas
as
explo~ns
individuais,
no
quadro
7.17
oferecemos também a dimensom média que
se
obtém
em
cada província para a totalidade
de
explo~ns
censadas (é dizer, incluíndo as maiores de 100 hes). O motivo
polo
que
apresentamos estas outras cifras é para ponher
de
mmifesto o erro
ou
imprecisom
que
se
comete ao calcular deste modo (sem excluir os montes comuns) o tamanho médio das
explo~ons,
como
&m
a prática totalidade dos autores ao analisar os resultados dos
Censos agrários.
846
. 847
Gráfico 7. 7.
SUPERFICIE POR EXPLORAGOM
(HES.)
1962
(
EXPLORAc;oNS
''PROPRIN'IENTE
OIT
AS")
10~--------------------------------------------~
9
8
-
..
• 7
S:.
-
_,
6
e
....
o
....
5
""
~
12
4
~
J
en
2
A Corunho lugo Pontevecro
Vemos aí que,
dentro
do
panorama
minifundista
que
caracterizava
qlobalmente
i
aqricultura
qaleqa,
as
diferéncias
provinciais
eram
de
umha
maqnitude
considerável.
Tomando
os
dous
casos
extremos,
a
superficie
média
das
explora9ons
na
provincia
de
Luqo
era
quase
4
vezas
superior
i.
que
se
reqistava
na
de
Pontevedra.
Dado que em cada provincia estám incluidas comarcas com estruturas · de "
explora~ns
mui diferentes, fai-se dificil estabelecer
um
quadro interpretativo ou
explicativo dessas divergéncias provínciais. Nom obstante, sendo mui
esquemáticos, podemos afirmar que existía umha doble divisom ou
oposi~m;
cada umha
das
quais respondía a
um
tipo de factores distinto:
-Em primeiro lugar, havia umha
oposi9oa
entre
provincias
septentrionais
e
provincias
meridionais,
sendo
a
superficie
por
explora9om
claramente
superior
nas
duas
priaeiras
(6,07
hes
em
Lugo e 3,71 em A Corunha; frente a
2,80 em Ourense e 1,64
em
Pontevedra).
Bata
oposi9om
ou
contraste
tinha
a
sua
oriqem
principalmente
no reparto
ou nom dos montes comuns; ou, o que é o mesmo,
na
diferente
importáncia
do
monte
particular
numhas
e
outras
provincias.
Assi, por exemplo, o feito de que na provincia de Lugo a
superficie/
explora~m
fora muito maior que na de Ourense, devia-se
principalmente a que na primeira essa superfície incluia umha elevada
propor~m
de monte apropriado individualmente, mentres que na segunda a
releváncia
do
monte particular era muito menor. E o mesmo podemos dizer
da provincia de A Corunha
em
rela~m
a de Pontevedra.
-Cruzando-se com a anterior divisom norte/ sul, existia também umha
oposic;om
entra
provincias
ocidentais
e
provincias
orientais;
ou, empregando a terminología habitual, entre provincias
costeiras e províncias interiores, correspondendo a estas últimas
um
tamanho das
explora~ns
maior. Assi, dentro
das
províncias septentrionais,
a dimensom média
das
explora~ns
era maior
em
Lugo que
em
A Corunha;
e igual sucedía com Ourense frente a Pontevedra.
Este segundo contraste
explicava-se
ou
correspondia-se
esencialmente
com
as
diferéncias
que
apresentavam
as
densidades
deaogrificas
na
agricultura
(densidades
que
eram
maiores
nas
duas
provincias
ocidentais).
Reiteramos de novo que esse quadro interpretativo é sumamente
esquemático, e necessitaria de algumhas
matiza~ns.
Pero, ainda assi, eremos
que tem grande utilidade; porque serve para ordenar as ideias básicas, sobre as
diferéncias espaciais
no
tamanho
das
explora~ns
e
os
seus factores explicativos.
Irnos examinar agora de forma
mais
detalhada
as
características da estrutura
dimensional das
explora~ns
nas
4 províncias, e o contido das diferéncias
existentes entre elas. Para isto baseamo-nos nos dados sobre a
distribu~om
das
explora~ons
e da superfície censada por classes de tamanho; dados estes que
figuram no
quadro
7
.18,
e estám representados nos
grificos
7.
8 e
7.
9.
Quadro
7.18.
Distribu~om
(em
%)
das
explora~ons
e
da
superficie
censada
por
classes
de
tamanho
das
explora~ons.,
Dados
por
provincias
1962
A
CORUNHA
LUGO
---------------------- ----------------------
Tamanho
Número
Sup.
total
Número
.
total
(sup.
total)
de
explor.
(hes.
)
de
explor.
(hes.
)
---------- ----------- ---------- ----------- ----------
< 1
he.
35,3%
3,7%
18,6%
1,2%
1-5
40,6%
27,4%
38,9%
17,9%
5-10
15,2%
28,6%
23,6%
27,5%
10-20
7,2%
26,1%
14,7%
33,2%
20-50
1,6%
12,0%
4,0%
17,9%
50-100
hes.
0,1%
2,3%
0,2%
2,1%
TOTAL (
1)
100,0% 100,0% 100,0%
100,0%
(127.317)
(472.538)
(91.198)
(553.165)
848
OURENSE
PONTEVEDRA
---------------------- ----------------------
Tamanho
Número
Sup.
total
Número
Sup.
total
(sup.
total)
de
explor.
(hes.
)
de
explor.
(hes.
)
---------- ----------- ---------- ----------- ----------
< 1
he.
29,0%
5,4%
52,9%
13,6%
1-5
57,2%
49,8%
40,8%
52,7%
5-10
10,9%
26,8%
5,0%
21,0%
10-20
2,3%
11,1%
1,1%
8,8%
20-50
0,4%
3,8%
0,2%
3,1%
50-100
hes.
0,1%
3,2%
0,0%
0,7%
TOTAL
(
1)
100,0% 100,0%
100,0%
100,0%
(93.855)
(262.986)
(108.150}
(177.049)
(1)
Excluidas
as
explora9ons
censadas
de
superficie
>=
100
hes.
(que
identificamos
com
montes
públicos
e
comunais).
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
España
1962;
e
elabora9om
pr6pria.
Gráfico 7.
8.
DISTRIBUCOM DAS EXPLORACONS
POR
TAMANHO
DADOS
POR
PROVINCIAS. 1962
o
....
50X
<
>
0::
l¡J
....
~
<
40X
o
<
u
I:
I&J JOX
~
o
O'
<
~
20X
..J
~
&aJ
l¡J
o
10X
M
< 1 he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
hes.
CLASSES
DE
TAMANHO~UP.
TOT.
EM
HES.)
rz:zJ
C
ISSJ
lU
I?Z2J
OUR
~
PO
849
u S E
lE
T N
DADOS
POR
PROVINCIAS.
1962
< 1
he.
1-5
5-10
10-20
20-50
50-100
hes.
T
AMANHO
DAS EXPLORACONS
(EM
HEs.J_
rzzl C
ISS]
LU
f?Z.Z:I
~
~
PO
Com~os
com as duas
provincias
aeridionais.
A estrutura das
exploracons apresentava nestas duas provincias (Ourense e Pontevedra) umha
série de
tra~os
comuns, e que as oponhiam em conjunto as duas septentrionais.
Estes traeos eram:
-0
forte
predoainio
nestas
provincias
das
explorac;ons
de
taaanho
inferior
a s
has.
Este predominio era mui acusado
em termos numéricos, e também se dava (em menor medida) do
.ponto.
de
vista da superficie ocupada. Assi, em Ourense o conjunto das exploracons
menores de 5 hes suponhiam o 86,2% do total e ocupavam o 55,2% da
superficie total; e em Pontevedra o seu predominio era ainda mais forte:
93,7% do total de exploracons, e 66,3% da superficie.
cámbio, era a
superior
a
10
has;
e
ea
concreto,
tinhaa
escassa
iaportincia
as
axplorac;ons
aédias,
o
850
hes.
Estas últimas suponhiam unicamente o 2,7% das
explora~ns
em
Ourense e o 1,3% em Pontevedra, ocupando o 14,9% e o 11,9%,
respectivamente, da superfície.
Sobre a base desses
tra~s
comuns, as estruturas de umha e outra província
diferenciavam-se num ponto: a
propor~m
muito maior de
explora~ons
de
superficie inferior a 1 he em Pontevedra, onde estas unidades eram de feito a
categoria predominante em número. Em Ourense, ao contrário, o estrato
predominante, tanto em número como em superficie, era o de 1-5 hes (ver
quadro 7.18 e gráficos 7.8 e 7.9).
Comparado com as duas províncias anteriores, a
estrutura
dimensional
das
exploraqons
era
mui
diferente
na
de
Luqo.
As diferéncias consistiam concretamente em:
-0
peso
mui
to
menor
que
nesta
provincia
tinham
as
exploraqons
de
superficie
inferior
a S
hes.
Em número
suponhiam ainda o 57,5% do total, pero unicamente ocupavam o 19,
1%
da
superficie total.
-Isso iba acompanhado de umha
propor~m
mais elevada de
explora~ns
de 5-
10 hes (23,6%, frente ao 5%/10% em Pontevedra e Ourense); se bem a
percentagem da superficie total ocupada por estas
explora~ns
era similar
que nestas outras províncias.
-0
menor peso que em Lugo tinham as unidades inferiores a 5 hes,
correspondía-se sobretodo com umha
preséncia
mui
importante
das
exploraqons
médias,
que
constituiam
de
feito
aqui
o
estrato
predominante
em
termos
de
superficie.
Em concreto, as
explora~ns
de 10-50 hes, representavam nesta província o
18,7% do total, e repartiam-se o 51,1% das terras. Dentro delas destacavam
pola sua importáncia quantitativa as de 10-20 hes: 14,7% das
explora~ns,
e 33,2 da superficie.
Estes mesmos
tra~s
gerais davam-se também, ainda que matizados, na
outra província septentrional, A Corunha. Assi, em
rela~m
as
províncias
meridionais, a estrutura dimensional das
explora~ns
caracterizava-se também
aqui por: um menor peso relativo das unidades de tamanho inferior a 5 hes; e a
importáncia considerável, sobretodo em termos da superficie ocupada, que
tinham as
explora~ns
médias (ver quadro 7.18 e gráficos 7. 8 e 7 .9). A
principal diferéncia desta província a respeito da de Lugo, e o que fazia que nela
o tamanho médio das
explora~ns
fora muito menor, era a preséncia
de
um
estrato muito mais numeroso de unidades menores de 1 he, devido ao peso que
aqui tinham as áreas litorais. Portanto, a similitude entre a estrutura das
explora~ns
nas duas províncias septentrionais, era mais clara ainda se
excluímos da de A Corunha as suas comarcas costeiras.
851
em a
U..EtJLLVI.&.L
..
,
......
" galega,
um
acusado nas duas províncias
meridionais. estrato fundamental era aqui o das
explora~ns
1-5 hes; e
ademais, eram numerosas as
micro-explora~ons
a 1
As duas províncias septentrionais, em cámbio, e concretamente as comarcas
interiores destas províncias, apresentavam umha estrutura muito menos
minifundista. Aquí tinham
um
peso mui importante as
explora~ns
de
10-50
hes, que, ao menos pola sua superficie total, podemos considerar de um
tamanho assimilável ao das
explora~ns
médias que dominavam na estrutura
agrária da CEE.
Em rigor, isto último necessita umha importante
matiza~m.
Porque essas
explora~ns
de 10-50 hes, e também as de 5-10 hes, incluiam umha elevada
propor~m
de monte particular; de tal modo que a SAU da que disponhiam era
muito menor do que sugire a cifra da sua superficie total 149 • Em conseqüéncia, a
maior dimensom das
explora~ns
na metade septentrional de Galiza era em parte
ficticia, se consideramos nom a sua extensom total senom a sua superfície
agrária.
Pero, apesar de todo, isso
si
tinha releváncia com vistas ao futuro. Porque
umha grande parte dessas terras de monte particular eram susceptíveis de ser
roturadas, sobretodo para a
produ~m
de pastos. E portanto, aquelas
explora~ns,
concentradas na metade norte de Galiza, estavam potenciamente
e m
condi~ons
de expandir muito a sua
SA
U, roturando parte do inculto
integrado nelas.
Na
metade meridional, em cámbio, a
situa~m
era mui diferente. A
superfície total das
explora~ons
incluia aqui umha parte relativamente reduzida
de monte particular; polo que, considerado em termos de SA
U, e referindo-nos
a
situa~m
existente em 1962, devemos matizar as
afirma~ons
sobre o seu
menor tamanho. Pero, com vistas ao futuro, isso implicava que as possibilidades
de
amplia~om
da SAU/
explora~m,
eram nesta
area
do agro galego
mui,
limitadas (ao nom dispór os agricultores de extensons importantes de monte
particular, e nom ser possível a
rotura~m
do abundante monte comum existente
no entorno, dada a sua
situa~m
jurídica). Em conseqüéncia, as
explora~ns
individuais encontravam-se aqui constrenhidas no seu estreito
espa~
agrário.
149 Ver a málise
dados que aportamos.
comuns
e os
provmc1as. E depois as divergéncias na estrutura das
explora~ns
individuais.
Pois bem, se contemplamos conjuntamente ambos componentes (montes comuns
e
explora~ns
individuais),
podiaa
distinquir-se
na
aqricultura
qaleqa
dous
"modelos"
ou
tipos
de
estruturas
fundiárias
(ver
quadro
7.19):
A.
Por
umha parte, o
"aodelo"
da
Galiza
septentrional,
que se
caracterizava por:
-0
peso relativamente reduzido dos montes comuns na superficie total.
-A importáncia do monte particular, integrado na superficie das
explora~ons
individuais.
-E, vinculado e m grande medida ao anterior, a preséncia considerável que
aqui tinham as
explora~ns
maiores de 5 hes, e em concreto as
explora~ns
médias (de 10-50 hes).
B. Frente a isso, na
Galiza
meridional
os
tra~s
definitórios eram:
-Os montes comuns continuavam ocupando umha
propor~m
mui elevada
do território.
-As superficies de monte particular eram relativamente escassas.
-E, ligado ao anterior, na estrutura das
explora~ns
predominavam de
forma abrumadora as unidades de pequena e mui pequena dimensom,
sendo mui reduzida a preséncia das
explora~ns
médias.
Em
poucas palavras, nesta parte da geografía galega mantinha-se
em
linhas
gerais, a princípios da década de 1960, a "estrutura dual" que no Antigo
Regime caracterizava a todo o território (pequenas
explora~ons
que se
repartem um estreito
espa~
agrário, e grandes extensons de monte comum
que ocupam a maior parte da superficie).
Quadro
7.19.
Importáncia
dos
montes
comuns e
estrutura
das
explora9ons
A
CORUNHA
LUGO
OURENSE
por
provincias;
o
contraste
entre
as
provincias
'
septentrionais
e
as
meridionais
de
Galiza.
1962
Superficie
dos
montes
comuns 1
Superf.
total
censada
(1)
-------------
18,4%
33,7%
60,2%
Sup.
monte
particular
1
Sup.
total
censada
(2)
-----------
53,3%
38,1%
16,7%
%
de
Sup.
ocupada
por
explor.
explor.
de
10-50
hes/
>=
5
hes.
Sup.
total
censada
---------- -------------
24,1%
31,1%
42,5%
33,9%
13,7%
5,9%
PONTEVEDRA
49,3% 26,0% 6,3% 6,1%
(1)
Montes
comuns =
exploracons
censadas
de
superficie
iqual
ou
superior
a
100
hes.
{2)
Superficies
de
monte
("Tierras
pobladas
con
especies
arbóreas
forestales"
e
"Tierras
pobladas
con
especies
espontáneas
no
arbóreas)
nas
explora~ons
menores
de
100
hes.
Fonte:
INE,
Censo
agrario
de
Espafta
1962;
e
elabora9om
própria.
853
.
854
2.1.s.
As
diverqéncias
espaciais
dentro
da
aqricultura
qaleqa.
II.
A
estrutura
dimensional
das
explora9ons
a
nivel
municipal.
Para conhecer com maior detalhe e precisom os contrastes espaciais
peñtlados nos párrafos anteriores, irnos examinar agora os dados sobre a
estrutura das
explora~ns
a nível municipal. A seqüéncia que seguiremos na
análise é a mesma que para as cifras por províncias. Assi, em primeiro lugar,
veremos qual era a
propor~m
da superficie total censada que ocupavam os
montes comuns. Ou, fazendo a leitura "em negativo" dessas cifras, qué
propor~m
da superficie total "queda va" para as
explora~ns
individuais, nas
diferentes áreas da geografia galega. Umha vez visto isso, referiremo-nos
já
ao
tamanho, a estrutura dimensional, destas
explora~ns
individuais.
Como base empírica desta análise elaboramos umha série de mapas, nos que
aparecem cartografiados os resultados a nível municipal do Censo agrário de
1962.
a.
A
percentaqem
da
superficie
ocupada
polos
montes
comuns.
Adoptamos aqui a hipótese simplificadora utilizada em
toda
a
exposi~m
anterior, identificando com montes comuns as
explora~ns
censadas de tamanho
igual ou superior a 100 hes. Assi, para cada concelho calculamos a
propor~m
que representava em 1962 a superficie dessas
explora~ns
sobre a superficie
total censada. Os valores deste índice estám cartografiados no
mapa
7 • 2 .
Compre advertir que, sendo maior o nível de
desagrega~m
espacial dos
dados, som maiores também os riscos de imprecisons derivadas da citada
hipótese simplificadora; e portanto, nom devemos atribuir
as
cifras umha total
exactitude. Em todo caso, a imagem que nos oferece esse mapa pode considerar-
se como mui aproximada a realidadetso.
150 Ao longo da
e:xposi~m
anterior suministramos abundante evidéncia empírica
que demostrava a validez em termos gerais dessa
identifi~m:
montes comuns =
explo~ns
de tamanho igual ou superior a 100 hes.
Desde outro ponto de vista, podemos tomar como elemento de contraste as estatísticas
existentes na actualidade sobre os montes classificados como "vizinhais em
m.ao
comum
..
nos diferentes municípios de Galiza. Pois bem, a
distribu~m
espacial destes montes
coincide de forma bastante aproximada com a que nós obtemos no
mapa
7 .2, avalando
portanto a sua validez.
e m
% nos os montes e comunais
ocupavam em 1962 menos do
5%
da superfície censada, correspondendo isto na
maior casos (concretamente em desses 59 a umha
auséncia total deste tipo de
espa~s.
Em 74 municípios (o 23,7%), a
percentagem da superfície cuberta polos montes comuns situava-se entre o 5% e
o 25%. Noutros
81
(o 26,0%) essa cifra estava entre o 25% e o 50%. E por
último, havia 75 concelhos (o 24,0%) onde esses montes ocupavam do 50% ao
75% das terras censadas; e
23
(o 7,4%) nos que a
propor~m
superava o 75%.
A
plasma~m
desses dados no plano geográfico confirma o que
já
ternos
sinalado: a existéncia de umha neta
oposi~m
entre a metade septentrional e a
metade meridional de Galiza,
separadas
ambas por umha linha imaginária que
iba da desembocadura do Ulha a
D~m,
de
D~m
a Parado do Sil, e
de
aqui a
Pedrafita. Havia, nom obstante, algumhas comarcas que nom encaixavam nessa
divisom inicial; e, por outro lado, dentro de cada umha dessas duas metades
existia, a sua vez, umha gradac;om interna no que respeita ao peso concreto dos
montes comuns (ver mapa 7.2).
-Nos concelhos situados ao norte da citada linha, os montes comuns ocupavam
na imensa maioria dos casos menos do 25% da superficie censada; o que
Sobre a superficie actual dos montes vizinhais
por
concelhos ver:
-MANGAS
NAVAS,
José
Manuel,
La
propiedad
de
la
tierra
en
España:
los
Patrimonios
Públicos
..
, Instituto
de
Estudios
Agrarios, Pesqueros y Alimentarios, Madrid, 1984,
pp.
141-146.
Hai
que
sinalar, isso si, que as nossas cifras sobre a superficie total dos montes
comuns
em
1962
som
notavelmente superiores
as
que resultam
para
os montes
hoje
classificados como vizinhais. Isto deve-se
em
parte a que nessas cifras
de
1962 figuram,
como
já
apontamos
no
texto, umhas 100.000 hes que
nom
correspondiam a montes
públicos e comunais. E o resto
da
diferencia (umhas
200.000
hes), explica-se
porque
as
cifras
nom
correspondem exactamente ao mesmo (nos montes públicos e comunais
registados
polos
Censos agrários estám incluidos
esp~s
diferentes dos montes vizinhais;
e
também
montes
como
ternos
em
conta esta última
vari~m.
significa, noutras palavras, que nesta área as
explora~ns
individuais
repartiam-se em geral
mais
do
75%
do território. Aqui figurava, por
um
lado, a quase totalidade da província de A Corunha, onde estes montes
estavam completamente ausentes,
ou
tinham umha preséncia insignificante
(menos do
5%
das terras censadas
em
1962). E, polo outro, o interior da
província de Lugo, que registava
um
peso reduzido destes
espa~s,
pero
sem
que a sua
desapari~m
fora completa: na grande maioria dos concelhos
desta área geográfica os montes comuns cubriam do
5%
ao 25% da
superficie censada.
Como
exce~ns
a essa imagem, encontramos algumhas comarcas nesta
metade septentrional,
nas
que esses montes conservavam
um
elevado peso
quantitativo.
Os
casos mais relevantes eram: a península do
Barban~,
e a
zona central das montanhas orientais de Lugo ( concelhos de Fonsagrada,
Návia de Suama, Cervantes); zonas onde ocupavam do 50% ao 75% do
território.
-Ao sul daquela linha os montes públicos e comunais tinham em geral umha
preséncia mui importante, cubrindo na maior parte dos concelhos mais da
metade da superficie censada.
Em
concreto isto era assi numha ampla franja
que
se
extendía em forma de U por toda esta metade meridional, e que
incluía: a prática totalidade da província de Pontevedra, com a
ex~m
do
seu quadrante nordeste
(A
Estrada, Silheda, Lalim
...
); os concelhos
ocidentais da província de Ourense (serras de Suído e Aviom), o sudoeste e
toda a metade oriental desta província; e, por último, essa franja
prolongava-se polo leste até a zona das montanhas orientais na província de
Lugo. Dentro desse conjunto geográfico hai que destacar algumhas áreas,
nas quais a parte do território ocupada polos montes comuns superava o
75%, quedando portanto reduzidas
as
explora~ns
individuais a menos do
25% do
espa~.
Isto correspondía-se na maior parte dos casos com
comarcas mui montanhosas: serras de Suído e A viom, serras de Queixa e
Sam Mamede, serrado Caurel. .. (ver mapa 7.2).
Como
exce~m
relativa, dentro desse panorama da Galiza meridional, estava
umha ampla zona que se extendía polo centro da província de Ourense,
desde as terras de A Peroxa e Vilamarim no límite com Lugo, até A Limia,
e que chegava polo leste a Maceda. Aquí os montes públicos e comunais
cubriam em todos os concelhos menos
do
50% das terras censadas em
1962, e nalguns deles menos do 25%.
856
%DA
SUPERFICIE TOTAL CENSADA ESTÁ
OCUPADA
POLOS
MONTES
PÚBLICOS E COMIJNAIS
(EXPLORAf;ONS CENSADAS
~lOO
Hes) 1962
D
MeoouloS~
O
EuaeS%e2S%
Eutm
SO%
e 75%
•
15%
e
:mail
MAPA
7.3.
SUPERFICIE
MEDIA
DAS
EXPLORAt;ON
AGRARIAS
"PROPIAMENTE DITAS" (EXPLORACONS CENSADAS
DE
T.AMA1iO INF.ERIOR A 100 Hes)
1962
D <
1&
D
~~
<2&
<41:1e
<lle
•
~ID§
conhecemos as galega
..
:~~~~.~
..
,..,.,A
......
....,
...
L....,
total ocupavam os e que parte
território se distribuia entre as
explora~ons
individuais, irnos analisar agora a
estrutura dimensional por municípios destas
explora~ns.
Para isto tomamos os dados oferecidos polo Censo agrário de 1962,
excluíndo, tanto das cifras de
explora~ns
como das de superfície, as unidades
de
tamanho igual ou superior a 100
hes15
2 • As cifras resultantes (referidas as
explora~ns
com terras menores de 100 hes), estám representadas num total de 6
mapas:
-0
mapa
7 •
3,
no que figura a superficie média dessas
explora~ons
em
cada concelho.
-E os
mapas
7 • 4 a 7 •
8,
onde aparece a percentagem que suponhem
sobre o total de
explora~ns
as unidades das diferentes classes de tamanho. Aqui
distinguimos em concreto 5 classes de tamanho, elaborando para cada umha
delas o mapa correspondente: menores de 1 he, 1-5 hes, 5-10 hes, 10-20 hes, e
maiores ou iguais a 20 hes.
Na
exposi~m
trataremos em primeiro lugar de fixar as ideias esenciais,
para entrar depois num exame algo mais detalhado da estrutura das
explora~ns
nas diferentes áreas de Galiza.
Observando o mapa 7.3 podemos ver que, no que respeita ao tamanho das
explora~ns,
a agricultura galega aparecía em 1962 dividida em duas grandes
metades, separadas por umha linha que,
com~do
polo oeste, iba: de Fisterra
a Forcarei, de aqui seguia a Vilamarim e A Peroxa, continuava depois seguindo
o curso do rio Sil até Castro Caldelas, e por último remontava em
direc~m
nordeste até Pedrafita.
-A
zona.situada
ao
norte
dessa
linha
caracterizava-se
por
que
o
tamanho
médio
das
exploraqons
individuais
era
aqui
em
qeral
superior
a 4
hes.
As únicas
exce~ns
estavam representadas polas áreas litorais da província de Corunha
( concelhos costeiros da comarca de Bergantinhos e do Extremo
Norocidental, e Marinhas),
2e4
152
Assimesmo, ao
flXemOS
DaS
por
11"111"n,Vf'11111!"UU:!
e
para
o conjunto
de
as
explo~ns
menores hes (já que estas som
censawtlS
em
1962,
pero
nom
nos Censos agrários seguintes).
858
explora~ns
era em praticamente todos· os municípios maior de 4 hes, sendo
o mais freqüente que o
seu
valor estivera entre 4 e 8 hes.
-Frente a isso,
na
zona
que
quedava
ao
sul
daquela
linha,
ainda que existiam divergéncias notáveis entre umhas comarcas e outras no
que respeita a
situa~m
concreta, o
tamanho
médio
das
explora9ons
era
em
quase
todos
os
concelhos
inferior
a 4
hes.
Globalmente,
pois,
no
referido
i
estrutura
das
explora9ons,
encontramos
Wllha
ruptura
entre
a
matada
septentrional
e a
metade
meridional
do
aqro
qaleqo,
estando
marcada
esta
ruptura
polo
límite
das
4
hes
de
superficie
por
explora9om.
Agora bem, se examinamos conjuntamente este mapa 7.3 e o mapa 7.2, ao
que nos referimos antes, podemos comprovar a estreita
rela~m
existente entre
eles. Isto é, a estreita
rela~m
entre: o tamanho das
explora~ns
individuais nas
diversas áreas de Galiza, e a
propor~m
da superfície total que ocupavam essas
explora~ons
em cada umha das áreas. Assi, a metade septentrional que
acabamos de delimitar, onde o tamanho médio
das
explora~ns
era em geral
superior a 4 hes, corresponde-se de modo bastante aproximado
coma
zona na
que estas
explora~ons
se
repartiam mais
do
75%
da superficie total; ou, noutras
palavras, com aquela zona em que os montes públicos e comunais ocupavam
menos do 25% do território. E, de forma simétrica, a metade meridional, com
umha dimensom média
das
explora~ns
individuais inferior em geral a 4 hes,
correspondia-~e
com o conjunto geográfico
no
que os montes comuns
ocupavam, para a maioria das comarcas, mais do
50%
da superficie, estando
pois distribuído entre aquelas
explora~ns
menos do
50%
do território.
Isso indica-nos que a citada ruptura entre
as
duas metades da geografía
galega, no referido ao tamanho das
explora~ns
individuais, tinha a sua origem
na maior ou menor intensidade
alcan~da
polo processo de
individualiza~m
dos
montes comuns; ou, o que vem sendo equivalente, aquela ruptura estava ligada
a maior ou menor importáncia das superficies de monte particular.
Na
zona
septentrional a superficie das
explora~ns
incluía umha parte importante de
monte apropriado individualmente. Na metade meridional, em cámbio, o monte
particular tinha umha preséncia muito menor; sendo esta a causa de que a
superfície total média das
explora~ns
nom superara em quase nengum
município
as
4 hes. E isto iba acompanhado de
um
peso mui elevado dos montes
públicos e comunais.
Esse factor ao que acabamos referir-nos, a maior ou menor importáncia do
monte particular, explicava a ruptura entre as duas metades de Galiza, com a
dimensom das 4 hes como límite ou fronteira. Sem embargo, os contrastes
espaciais na estrutura das
explora~ns
nom se limitavam a essa divisom. Dentro
859
de cada umha dessas grandes zonas havia, a
sua
vez, diferéncias importantes no
tamanho das unidades de
produ~m,
de umhas comarcas a outras. Estas
diferéncias tinham a sua origem basicamente
nas
disparidades existentes nas
densidades demográficas agrárias, disparidades ligadas
a:
1)
o grau variável de
intensidade do sistema agrário;
2)
e a preséncia importante da pluriactividade
das famílias agrárias nalgumhas comarcas.
Irnos sinalar pois, com algo mais
de
detalhe,
as
características da estrutura
das
explora~ons
e
as
suas
varia~ns
dentro de cada umha daquelas grandes
zonas.
-A
metade
septentrional
Cao
norte
da
linha
Fisterra-
Forcarei-Vilamarim-castro
Caldelas-Pedrafita).
-Aqui hai que citar
em
primeiro lugar
as
áreas
costeiras de Bergantinhos,
As
Marinhas e o Extremo Norocidental. Estas constituíam, como
já
apontamos,
um subconjunto específico dentro desta zona, apresentando umhas
explora~ns
de menor dimensom que no resto. Concretamente, o tatnanho
médio destas unidades situava-se aqui: nalguns concelhos (os do litoral da
comarca de Bergantinhos e
do
Extremo Norocidental) entre 2 e 4 hes; e
noutros (os do Golfo Artabro) entre 1 e 2 hes. Só em dous municípios
(A
Corunha e Fene) a superficie média descendía por baixo de 1 he.
Excluídas essas
areas
do
litoral da província de A Corunha, e algum
concelho da Marinha luguesa, no resto desta metade septentrional a
dimensom média das
explora~ns
era em todas as comarcas superior a 4
hes. O que se correspondía com
um
peso importante das unidades de 5-10
hes, e também das
explora~ns
médias, de 10-20 hes e maiores de 20 hes
(ver mapas 7.6 a 7.8).
-Dentro dessa ampla zona destacavam algumhas
areas
concretas, nas que a
superficie média por
explora~m
superava
as
8 hes, e que eram aquelas
onde
as
unidades maiores de 1 O hes
alcan~vam
maior importáncia. Figura,
aquí basicamente umha franja que se extendía polas montanhas
septentrionais, desde A Capela e Monfero até Muras, e continuava polo
norte da Terra Chá (Abadim,
Pastori~)
e a parte oriental da Meseta de
Lugo (Poi, Castroverde), até
as
estriba~ns
das montanhas orientais (ver
mapa 7.3). Compre advertir, de todos modos, que na prática totalidade
destes municípios, a superfície por
explora~m
situava-se entre 8 e 12 hes.
Unicamente no de Muras o tamanho médio era claramente superior a essa
cifra (em concreto, 18,20 hes).
-Deixando aparte essas áreas,
nas
demais comarcas desta zona, que eram a
grande maioria, a dimensom média das
explo~ns
individuais estava no
intervalo de 4-8 hes. Esta era a
situa~m
no Extremo Ocidental e em todo o
860
.
861
interior da província de A Corunha, na imensa maioria dos concelhos da de
Lugo, e no nordeste da província de Pontevedra (Lalim, A Golada,
Rodeiro).
-A
metade
meridional.
O
tra~
que definia globalmente a estrutura das
explora~ons
nesta zona era
o forte predomínio numérico das unidades de superfície inferior a 5 hes, e a
preséncia relativamente reduzida das
explora~ns
de 5-1 O hes, e das maiores de
10 hes (ver mapas
7.6
a 7.8). Como resultado disso, o tamanho médio por
explora~om
estava em quase todos os municípios por baixo das 4 hes.
Porém, examinando a
situa~m
concreta, apareciam claramente
diferenciadas dentro desse conjunto duas subáreas:
-Por um lado a subárea ocidental, que incluía toda a franja litoral das Rias
Baixas, o Baixo Minho, prolongando-se polo interior da província de
Pontevedra e polas comarcas vitícolas dos Ribeiros de Avia e Ourense
( quadrante norocidental desta província). Esta era a zona de Galiza com um
minifundismo mais acusado; caracterizando-se polo predomínio numérico
das
explora~ns
menores de 1 he, e por umha dimensom média destas
unidades inferior sempre as 2 hes. Esses
tra~s
apareciam de um modo
especialmente agudo nos concelhos situados nas rias de Pontevedra e Vigo,
onde esse tamanho médio estava por baixo de 1 he, um valor nom registado
em nengumha outra parte do território galego (ver mapa 7.3).
-Por outro lado estava a subárea oriental, que comprendía o resto da província
de
Ourense ( excluído o seu quadrante noroeste). A dimensom média das
explora~ns
era aquí superior a zona anterior, situando-se na maioria das
comarcas entre 2 e 4 hes. Isto correspondía-se com um peso muito menor
das
micro-explora~ns
de menos de 1 he, umha importáncia maior das
unidades de 1-5 hes (que eram aqui o estrato predominante), e também a
preséncia significativa da categoria de 5-1 O hes (praticamente ausente na
subárea oriental).
Dentro desta zona destacavam alguns grupos de concelhos, localizados
basicamente nas comarcas montanhosas do Extremo Sudorienta!, nos quais
o tamanho médio
das
explora~ns
individuais superava as 4 hes. Estes
municípios constituiam umha
exce~m
a
correla~m
que apontamos antes,
entre peso dos montes comuns e dimensom das
explora~ns,
e a
regularidade estatística alí sinalada; posto que aqui os montes públicos e
comunais ocupavam mais do 50% do território, e, apesar disso, a superfície
média
das
unidades de
produ~m
individuais era relativamente elevada. A
explica~m
hai que busca-la nas suas densidades demográficas
especialmente baixas.
MAPA
7A
%QUE
SUPONHEM
AS
LORA(;ONS
DE SUPERFICIE INFERIOR A 1
He
1962
D
......
dolS%
D Eldre 15% e
lS%
Eldre
lS%
e
40
%
:Bmre
40%
e
6S
%
•
6S%email
MAPA7.5.
%QUE
SUPONBEMAS
EXPLORACONS
DE
1-
5
1962
o
~~aJos.,
25"
J J
Baáe25%e40%
• 6S%emrda
862
MAPA7.6.
%QUE
SUPONHEM AS
EXPLORA~ONS
DE
5-
10
Bes
1962
D
~doS%
O
BaimS%e1S%
Euire
1S%e2S%
1 •
2S%emlis
MAPA
7.7.
%QUE
SUPONHEM AS
EXPWRA~ONS
DE
10
-lO
Hes
1962
D
Maadol%
O
Bmml%eS%
Badre
S%
e
15%
863
%QUE
SUPONBEM
AS EXPLORAf;ONS
DE
SUPERFICIE
;¡t
20 Hes
1962
o
~clol"
864
2.2.
A DISTRIBUQOM
DA
PROPRIEDADE
DA
TERRA
(1950/1959).
As características esenciais que apresenta a
distribu~m
da propriedade da
terra na agricultura galega no período recente, e concretamente as suas
características a meiados deste século, som sobradamente conhecidas: elevado
grau
de
divisom, predomínio abrumador dos pequenos e mui pequenos
proprietários. Todos as referéncias que podemos encontrar sobre o tema nas
décadas centrais do século, coincidem em destacar esse
tra~
básico, sobretodo
quando se efectua a
compara~m
como
resto do Estado; Galiza aparecia neste
contexto como o exemplo extremo de
fragmenta~m
da propriedade rústica153.
Agora bem, sendo isso certo, o ponher o acento exclusivamente nessa
característica tem dado lugar a umha imagem estereotipada, que nom
s6
é
excessivamente simplista, senom também inexacta.
De
feito, os poucos autores
que se tenhem parado a efectuar umha análise mais pausada
da
questom matizam
notavelmente essa imagem, ponhendo
de
manifesto:
por
um lado que, apesar do
predomínio da pequena propriedade, os medianos e mesmo grandes
proprietários tinham aqui umha preséncia nada desdenhável; e,
por
outro lado,
que essa estrutura da propriedade, ao igual que sucedia para as
explora~ns,
amostrava dentro da geografia galega fortes divergéncias de umhas comarcas a
outras15 4 •
A
continua~
m irnos tratar de conhecer, com a maior precisom possível, a
distribu~om
da
propriedade da terra existente em Galiza ao redor
de
1950/1960,
153
Ver
por
exemplo os dados e os comentários oferecidos
no
estudo:
-CONSEJO ECONOMICO SINDICAL NACIONAL. Ponencia no. 2. Desarrollo
agrícola,
Si
tuaci6n
actual
de
la
agricultura.,
Madrid, 1957,
capítulo X: "La propiedad y
la
empresa agraria."
154
Esses dous feitos, preséncia relativamente importante da mediana e grande
propriedade (particular), e existéncia de fortes contrastes espaciais,
som
destacados
na
sua
referencia ao tema
por
Abel Bouhier. Ver:
-BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp. 1117-1133.
Podemos citar também aqui a Jesús García Femández, que afirma concretamente:
"
....
la.
propiedad
absentista,
e
incluso
la.
gran
propiedad
a
escala
regional,
no
ha
desaparecido.
(
•••
)
La
burgues1a
urbana
que
en
el
transcurso
del
siglo
pasado
invirtió
dinero
en
tierras
sigue
teniendo
en
la
tierra
una
fuente
de
ingresos."
(GARCIA
FERNANDEZ,
Jesús,
Organización
del
espacio
....
~
cit.,
pag. 169).
865
valendo-nos para isto da
informa~m
estatística disponível. Assimesmo,
examinaremos a
rela~om
entre essa
distribu~m
da propriedade e a estrutura das
explora~ns.
Com~os
a
exposi~m
referindo-nos
as
fontes disponíveis para este
estudo, e aclarando as características das cifras concretas que utilizaremos.
2.2.1.
Precisons
sobre
os
dados
estatisticos
empreqados
na
análise.
As
características
e
liaita9ons
do
"Catastro
de
Rústica",
coao
fonte
para
o
estudo
da
propriedade
da
terra.
As principais fontes disponíveis para conhecer a estrutura da propriedade da
terra em Espanha nos séculos XIX e XX,
somas
estatísticas de carácter fiscal,
realizadas em concreto para servir de base a
exa~m
da "Contribución
Territorial Rústica". Estas fontes som, por orde cronológica: os
"amillaramientos", e o "Catastro de rústica". Existe m o u tras fontes que podem
ser utilizadas para o estudo de determinados tipos de propriedades,
ou
para
profundizar em aspeitos específicos; pero só os "amillaramientos" primeiro e o
Catastro depois, oferecem um inventário completo da propriedade rústica e da
sua
distribu~m155.
Os "amillaramientos" fórom os documentos estatísticos elaborados
inicialmente para servir de base a
determina~
m e o cobro da "Contribución
Territorial Rústica", imposto este que naceu da reforma tributária de 1845. A
característica mais destacada desses documentos, e também a principal origem
das
suas deficiéncias, era que a
informa~m
procedía das
declara~ns
juradas
dos proprietários, sem que existira umha
comprova~m
e um refrendo
cartográfico e planimétrico dessa
informa~m
litera1156.
155 Umha panorámica das fontes existentes para o estudo da propriedade
da
terra
em
Espanha ao longo dos trés últimos séculos, e o tipo
de
info~m
que podemos obter
em
cada
umha
delas, pode encontrar-se
no
trabalho:
-MATA OLMO,
Rafael/
ROMERO GONZALEZ, "Fuentes para el estudio
de
la
propiedad agraria
en
España (siglos
xvm-XX).
Balance provisional y análisis crítico.
IV'
Agricultura
y
Sociedad,
no. 49, outubro-dezembro 1988, pp. 209-293.
156
Sobre as características e as
limi~ns
dos "amillaramientos • consultar
por
exemplo:
-MATA OLMO,
Rafael/
ROMERO GONZALEZ, Jwm, "Fuentes para
el
estudio
...
",
op.
cit.,
pp. 231-246.
866
No plano jurídico-formal, o sistema dos "amillaramientos" estivo vigente
até 1906, data na que se implantou em Espanha o sistema do "Catastro
Parcelario", disponhendo a
realiza~
m deste Catastro como base para a
exa~m
da "Contribución Territorial Rústica". Na prática, sem embargo, a
elabora~m
efectiva do Catastro vai ser um processo longo e que passa
por
numerosas
vicissitudes; de tal forma que hai que agardar até bem entrado o século actual,
para que esses lavores estejam completados numha parte significativa do
território
espanhol157.
A conseqüéncia disso, aos nossos efeitos, é que durante
muitas décadas (podemos dizer que até 1940 aproximadamente), a
informa~om
disponível sobre a
distribu~m
da propriedade da terra continuou sendo, para a
maior parte do território do Estado, a procedente dos "amillaramientos".
No caso concreto de Galiza, a
realiza~m
do Catastro foi especialmente
tardia, posto que os trabalhos nom
se
itriciárom
atP.
a década de 1950, quando
já
estavam finalizados na maior parte das regions espanholas158. Hai que agardar
assi a finais dessa década, para contar com dados catastrais para a maior parte
(que nom a totalidade) dos municípios galegos. Até esta data (finais dos anos
15
7
Somjá
numerosos os estudos publicados sobre a
evolu~om
histórica do Catastro
em
Espanha, e as diferentes fases polas que passou a sua
elabo~a~om.
Ao respeito pode
consultar-se o resumo do tema e a
recopil~m
bibliográfica que se oferece
no
trabalho:
-PRO RUIZ, Juan, "Materiales para el estudio de
la
cuestión catastral
en
España:
el
siglo
XX.",
Aqr
icul
tura
y
Sociedad,
no. 46,
janeiro-mar~
1988, pp. 323-382.
Ver também:
-FERNANDEZ
NA
V ARRETE, Donato, "La evolución histórica de
la
Contribución
Territorial Rústica.",
Aqricul
tura
y
Sociedad,
no. 8, pp. 183-209.
-MORELL
I MESTRE, Antonio 1 ORTIZ CASAS, Joaquín, "Situación del Catastro de
Rústica
en
España y propuesta para su reforma.",
Revista
de
Estudios
Agro-Sociales,
no. 130,
janeiro-~
1985, pp. 137-155.
158
Ver:
TELLEZ
DE
LA
VEGA, Angel, "El Catastro Rústico
en
Galicia. ",
Catastro,
no.
4,
abril1990,
pp. 45-50.
Isso comprova-se examinando os dados sobre o estado dos trabalhos nos anos 40, que
figuram nas memórias publicadas, tanto polo "Servicio de Catastro
de
la
Riqueza
Rústica", como polo "Instituto Geográfico y Catastral". Consultar
por
exemplo:
-PRESIDENCIA
DEL
GOBffiRNO. DIRECCION GENERAL
DEL
INSTITUTO
GEOORAFICO Y CATASTRAL,
Memoria
referente
a
los
trabajos
realizados
en
el
año
1942
..
, Madrid, 1943.
-MINISTERIO
DE
AGRICULTURA. INSTITUTO
DE
ESTUDIOS AGRO-SOCIALES,
El
parcelamiento
de
la
propiedad
rústica
en
España.
, Madrid, 1952 (aqui oferecem-se os dados referidos a superficie catastrada
nas diferentes provincias do Estado
em
1945).
867
. 868
50),
a única
documenta~m
disponível sobre a
distribu~om
da
propriedade
rústica seguiu sen
do
aqui a dos "amillaramientos".
Depois dessas
observa~ns
de
carácter geral, podemos passar
já
a apresentar
os
dados concretos que utilizaremos na análise. As principais cifras, nas que
basearemos
em
eséncia a nossa
exposi~m,
procedem do Catastro
de
Rústica e
refirem-se
ao
31-12-1959. Ademais,
de
forma complementária, empregaremos
também outros dados corresponden tes a umha data anterior, oferecidos
por
umha
fonte mui pouco utilizada: a "Estadística
de
propietarios
de
fmcas rústicas
de
España", elaborada nos anos 1947-1951. As cifras desta fonte
para
as
províncias galegas procedem
de
umha recopila9om
da
informa90m dos
"amillaramientos".
A
continua~om
irnos fazer umhas breves precisons sobre as características e
o
grau
de
fiabilidade
de
umhas e outras cifras.
a.
Os
dados
do
Catastro
de
rústica;
caracteristicas
aerais.
Precisons
sobre
as
cifras
concretas
que
utilizamos
na
análise.
O Catastro
de
rústica constitue
em
Espanha
"la
fuente
actual
por
excelencia
para
el
estudio
de
la
estructura
de
la
propiedad
agraria.
"159. Sendo
os
seus dados
os
empregados
habitualmente nas
investiga~ns
sobre o tema. Válidas e fiáveis
em
termos
gerais, estas cifras apresentam sem embargo umha série
de
deficiéncias, que
compre
ter presentes ao proceder a sua análise. Estas limita9ons
ou
deficiéncias
do
Catastro tenhem sido sinaladas repetidamente160, e a sua origem está
principalmente
em
dous feitos:
por
um lado, o carácter fiscal, e
nom
jurídico,
deste registo estatístico
da
propriedade rústica; e polo outro, a
ado~m
do
município
como
unidade
de
recolhida e
organiza~m
da
informa9Qm.
159
MATA
OLMO,
Rafael/
ROMERO
GONZALEZ,
Juan,
op.
cit.,
pag.
251.
160
Ver
por
exemplo:
-MALEFAJaS,Edw~,Reforma
agraria
y
revoluci6n
campesina
en
la
España
de
siglo
XX.,
4a. edición revisada,
Ed.
Ariel, Barcelona,
1980,
pp.
457-463.
-LOPEZ
ONTIVEROS,
A.,
"Notas
sobre el
Catastro
actual como fuente geográfica.",
Estudios
Geográficos,
no. 122,
1971,
pp.
119-143.
-MATA OLMO,
Rafael/
ROMERO
GONZALEZ,
Juan,
op.
cit.,
pp. 261-263.
Concretamente, referindo-nos aos dados que aqui
nos
interessam
(o
número e
superficie das propriedades),
som
trés as deficiéncias mais importantes das cifras
catastrais:
i.
Em primeiro lugar, tomando
as
palavras de E. Malefakis:
" ......
el
Catastro
considera
cada
municipio
como
una
unidad
aislada
y
autosuficiente,
y
registra
la
propiedad
por
municipios..
Así
ocurre
que
si
un
individuo
posee
tierras
en
varios
municipios,
se
ve
registrado
como
«propietario»
tantas
veces
como
municipios
distintos
haya
que
contengan
tierras
de
su
propiedad
..
'
11
61
Em conseqüéncia,
os
dados
catastrais
referidos a umha escala
superior ao município
multiplicam
artificialmente
a
cifra
de
proprietirios,
e
exaqeram
o
qrau
de
divisom
real
da
propriedada
da
tarra.
A magnitude deste sesgo é maior quanto
mais dispersas estejam as parcelas de um mesmo proprietário, e quanto
menor seja a extensom dos concelhos.
869
ü. Outro factor contribue também a que no Catastro apareza sobreestimado o
grau de divisom da propriedade da terra, e concretamente a que figure aí
inflado o número de propriedades de menor dimensom. A fmalidade fiscal
deste registo, unido ao feito de que as propriedades mui pequenas (medida a
dimensom pola base imponível) estám exentas
do
pago da
contribu~m,
fam
que sejam freqüentes as
fragmenta~ns
ficticias de propriedades. É dizer,
que nas
declara~ns
aparezam divididas entre diferentes proprietários
(membros da mesma familia), terras que em realidade formam um único
património.
ili.
Por último, umha terceira deficiéncia dos dados catastrais deriva-se da falta
de
actualiza~m
da
informa~m.
A isto contribue tanto a escassa
colabora~m
dos interessados, a hora de declarar as
varia~ns
produzidas,
como a lentitude do processo administrativo e de
incorpora~m
das
modifica~ns16l.
42.
161 Sobre este problema, consultar:
-MORELL I MESTRE, Antonio 1 ORTIZ CASAS, Joaquín, "Situación del Catastro de
Rústica
en
España y propuesta para su reforma.", op..
ci
t . , pag. 146.
Em resumo, pois, os dados do Catastro inflam a cifra de proprietários,
sobreestimando a diviso m da propriedade da terra; e por outro lado, es ses dados
"envelheeem"
como
passo do tempo, devido a sua falta de
actualiza~om.
Ademais, a hora de utilizar essa fonte com fins estatísticos existe outro
problema, este de orde prática: nem o "Instituto Geográfico Nacional", nem o
"Servicio de Catastro de Rústica" publicam com regularidade dados elaborados
para as diferentes escalas geográficas (municipal, provincial,
...
). Neste ponto,
unicamente contamos com algumha
recopila~m
· da
informa~om
catastral
efectuada para datas
concretas163.
-Precisons
sobre
os
dados
concretos
que
imos
utilizar
na
análise.
As cifras que irnos empregar no nosso estudo procedem justamente de umha
recopila~m
desse tipo, referida a superfície que estava catastrada a 31-12-1959,
e que foi publicada em
1960164.
Sobre a sua qualidade, hai que sinalar que estes
dados nom
está.m
afectados de forma significativa pola terceira das deficiéncias
antes apontadas (a falta de
actualiza~m),
posto que a
realiza~m
do Catastro
em Galiza produziu-se, como dixemos, na década dos 50. Podemos considerar,
163
Esta
a~om
necessita ser matizada para os anos mais recentes. A partir da
segunda metade da década dos 80, o "Centro de Gestión Catastral y Cooperación
Tributaria"
com~u
a publicar com carácter anual as cifras básicas
do
Catastro rústico
por
provincias e Comunidades Autónomas. Os resultados publicados limitam-se,
nom
obstante, aos dados globais: número total de titulares catastrais, e superficie catastrada.
Polo que
nom
podemos conhecer a evolur;om do número de propriedades
por
grupos de
tamanho, e a distribur;om que estas apresentam
na
actualidade.
1 64 Ver: GARCIA-BADELL Y
ABAD
lA, Gabriel,
"La
distribución·
de·
la
propiedad
agrícola de España
en
las diferentes categorías de fincas.",
Revista
de
Estudios
Agro-Sociales,
no. 30,
janeiro-~
1960, pp. 7-32 + quadros
e gráficos.
Que
tenham.os conhecimento, esses som os únicos resultados publicados sobre a
distribur;om da propriedade da terra nas 4 provincias galegas. As recopilar;ons publicadas
nas décadas anteriores para o conjunto do Estado,
em
Memórias dos organismos
encargados do Catastro,
nom
incluem
info~m
referida a Galiza. E para datas
posteriores,
só
existe umba publicar;om de 1964
na
que figuram os dados correspondentes
a provincia de Pontevedra:
-MINISTERIO
DE
AGRICULTURA. DIRECCION GENERAL
DE
AGRICULTURA,
Mapas
provinciales
de
suelos..
Pontevedra.,
Madrid, 1964,
Apéndice4.
870
pois, que as cifras reflectem bastante bem a
distribu~m
da propriedade
existente aqui a meiados/ fmais desta década.
Essas cifras necessitam, sem embargo, um ajuste ou
corr~m;
devido a
que para umha parte dos municípios galegos o Catastro nom fora ainda realizado
a fmais
de
1959, e portanto a sua superfície nom está incluída nos dados.
Concretamente, nessa data faltava por catastrar o 10% aproximadamente do
território de Galiza, que correspondía a
19
dos 93 concelhos da província de
Ourense, e 26 dos
61
que formavam a de Pontevedra (nas províncias de A
Corunha e Lugo os trabalhos si estavam finalizados).
Por
esta razom, parecen-
nos conveniente efectuar umha
corr~m
dos resultados publicados, estimando
as cifras para a totalidade do território galego. O procedimento que seguimos
está exposto no "Anexo metodológico no. 2 ao capítulo VII".
.
Por
outro lado, nesses resultados publicados aparece o número de
propriedades de cada classe de tamanho, pero nom a superfície ocupada polas
propriedades de cada estrato dimensional. Com o fim de cubrir este vazio, ainda
que só seja de modo aproximado, efectuamos também umha
estima~om
dessa
distribu~m
da superfície. O método que utilizamos aparece descrito no "Anexo
metodológico" antes citado.
As cifras que se obtenhem para as 4 províncias galegas, umha vez feítos
esses cálculos, figuram nos
quadros
A.
7 • 2 e
A.
7 • 3 do Anexo estatístico.
b.A
"Estadistica
de
propietarios
de
fincas
rústicas
de
Espafia"
de
1947-1951.
Como adiantamos antes, utilizaremos os dados desta fonte
só
com carácter
complementário.
Por
esta razom, e para nom sobrecargar em excesso o texto,
levamos a um Anexo 1
65
as
aclara~ns
sobre as suas características e grau
de
fiabilidade. Aqui limitamo-nos a sinalar de forma telegráfica os pontos
esenciais:
-Estas cifras procedem de umha
recopila~
m o u
investiga~m
estatística
realizada polo "Instituto Nacional de Estadística", recolhendo-se a
informa~om
por
municípios.
-Ainda que este ponto nom está suficientemente precisado nas
explica~ns
a
esta fonte, todo indica que os dados para cada concelho fórom obtidos: a
partir do Catastro,
a1i
onde este estava elaborado; ou bem, onde isso nom se
produzira, a partir dos "amillaramientos". Para Gali.za podemos pois
165 Trata-se
em
concreto do "Anexo metodológico no. 1 ao capítulo
Vll".
871
considerar esta estatística como umha
recopila~om
da
informa~om
dos
"amillaramientos".
-Essa procedéncia das cifras fai que
nom
podamos atribuir-lhes umha grande
precisom. Sem embargo, si constituem umha
aproxima~om
aceptável a
realidade.
Umha vez feitas essas
aclara~ns,
entramos
já
no
exame dos dados,
no
exame da estrutura da propriedade da terra existente
em
Galiza em 1950/1960.
2.2.2.
A
distribu9om
da
propriedade
da
terra
no
conjunto
de
Galiza
em
1950/1960.
872
a.As
cifras
do
Catastro
de
rústica
(1959).
No
quadro
7 • 2 o oferecemos os dados sobre a
distribu~m
da
propriedade da terra em Galiza a 31-12-1959, que
se
obtenhem do Catastro de
rústica. Por um lado, figura aí o número de proprietários classificados segundo
a extensom da superfície possuída; e, polo outro, a
estima~m
da superfície
ocupada polas diferentes categorias ou grupos de propriedades. Estes dados
estám representados também nos
qráficos
7.10
e 7
.11.
É oportuno precisar que no Catastro estám registadas todas as superficies
rústicas, qualquer que seja a
condi~m
jurídica do
seu
proprietário. Portanto,
nas cifras que aí reproduzimos figuram nom só as terras de propriedade privada
individual ou societária, senom também aquelas de propriedade pública e
colectiva. Em termos gerais, cabe pensar que a linha divisória entre umhas e
outras unidades que estabelecemos ao falar das
explora~ns,
era também válida
aquí, nos dados referidos
as
propriedades. É dizer, que as propriedades maiores,
de 100 hes eram na sua imensa maioria montes públicos e comunais, mentres
que as situadas por baixo desse umbral correspondiam na sua prática totalidade a
propriedades particulares. Sem embargo, neste caso
nom
é possível contrastar a
precisom dessa hipótese. Por esta razom, examinamos conjuntamente a
totalidade das propriedades, sem proceder a separar de entrada os dous tipos de
unidades.
Com~os
polos dados globais. Dacordo com essas cifras do Catastro
corregidas, a
superficie
rústica
de
Galiza
estava
distribuida
a
finais
de
1959
entre
perto
de
1.200.000
proprietários
(exactamente 1.192.170),
cada
um
dos
quais
possuia
umha
extensom
midia
de
2 1 36
hes
(ver quadro 7.20).
Este índice sintético ilustra
já
o elevado grau de divisom que aqui apresentava a
propriedade da terra. A título comparativo, podemos sinalar que no conjunto do
Estado a superficie média por proprietário era, segundo a mesma fonte, de 7,14
hes166;
é dizer, trés vezes superior a cifra galega.
A imagem de umha propriedade da terra extraordinariamente dividida no
nosso agro, aparece de forma mui acusada se examinamos o
número
de
propriedades
por
classes
de
taaanho.
Aqui encontramo-nos com
um predomínio abrumador, nom
já
das pequenas propriedades ( entendendo por
isto todas as menores de
10
hes), senom das ·que A.Bouhier denomina
"ultra-pequenas" propriedades, de tamanho inferior a 1 he (ver quadro 7.20 e
gráfico 7 .10).
Assi, do total de propriedades, o 70,0%, umhas 835.000 em cifras
absolutas, eram menores de 1 he. E, ademais, a maioria dessas unidades nom
alcan~vam
as 0,5 hes. Concretamente, estavam por baixo deste límite umhas
654.000, que suponhiam o 54,8% do total.
As propriedades situadas no intervalo de 1-5 hes, que podemos catalogar de
"mui pequenas"167, eram também numerosas: umhas 261.000, representando o
21,9% do total. Em conjunto, mais do 90% dos proprietários (o 91,9%
exactamente) possuíam umha extensom inferior a 5 hes.
873
Vemos, pois, que existía um predomínio numérico aplastante da
propriedade de mui pequena dimensom. Hai que ter em conta, é certo, que os
dados do Catastro tendem a exagerar a divisom da propriedade rústica, polas
razons que explicamos mais atrás: a
fragmenta~m
artificial
das
terras
de
um
mesmo proprietário, quando estas se repartem vários municipios; e a divisom
ficticia de propriedades
como
fim de quedar exentos do pago da
contribu~m
territorial rústica. Isto, sem embargo, nom afecta a validez da imagem geral e
da
conclusom principal que se desprende
das
cifras: o forte predominio
da
mui
pequena propriedade.
Agora bem, umha vez sentada
essa
característica principal, compre destacar
também o número considerável de unidades que existiam tanto no intervalo de
5-10 hes como no de 10-50 hes. As propriedades de 5-10 hes eram umhas
58.000; e a cifra de propriedades médias, de 10-50 hes, superava as 36.000 (ver
quadro 7.20 e gráfico 7.10).
166
Ve:r:
GARCIA-BADELL Y ABADIA, Gabriel,
111
La
distribución
de
la
propiedad
167
Para a
atibu~m
destes qualificativos, tomamos aqui as mesmas pautas
ou
límites
seguidos
no
caso
das
explo~ns,
e que ooincidem também com os adoptados
por
Abel
Bouhler (ver: BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp. 1117-1133).
Quadro
7.20.
Distribucom
da
propriedade
da
terra
por
classes
de
tamanho.
Número
de
proprietários
e
estimacom
da
superficie
possuida
polos
proprietários
de
cada
categoria.
Galiza
1959
-NUMERO
DE
PROPRIETARIOS.
Tamanho
da
propriedade
Número
de
Distribucom
(hes.)
proprietários.
em
percentagem.
----------- ------------------ ---------------
<
0,5
hes.
653854
0,5-1
he.
180818
1-5
261054
5-10
58257
10-50
36328
50-100
1189
>=100
hes.
670
TOTAL
1192170
-SUPERFICIE
POSSUIDA
(Estimacom).
Tamanho
da
propriedade
(hes.)
<
0,5
hes.
0,5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>=100
hes.
TOTAL
-Superficie
média
por
proprietário
Fonte:
Superficie
(hes.
)
130771
126572
522110
407798
653903
83203
884820
2809177
2,36
hes.
-Número
de
proprietários:
*GARCIA-BADELL Y ABADIA,
Gabriel,
agricola
de
España
en
las
54,8%
15,2%
21,9%
4,9%
3,0%
0,1%
0,1%
100,0%
Distribucom
em
percentagem.
4,7%
4,5%
18,6%
14,5%
23,3%
3,0%
31,5%
100,0%
"La
distribución
de
la
propiedad
diferentes
categorias
de
fincas.",
Revista
de
Estudios
Estado
no.
3.
~qro-~oc:¿a,~E~s,
no.
30,
1960,
*Elaboracom
própria.
-Superficie:
Cifras
estimadas.
Ver
os
quadros
A.7.2.
e
A.7.3.
no
Anexo
estatistico,
e
as
explicacons
sobre
os
cálculos
realizados
que
oferecemos
no
".Anexo
metodológico
no.
2
ao
capitulo
VII".
874
.
875
Gráfico 7.10.
No.
DE PROPRI T ARIOS POR T AMANHOS.
GAUZA
1959
<
0,5
hes.
0,5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>=100
hes.
TAMANHO
DA
PROPRIEDADE
(hes.)
Essa preséncia importante da mediana propriedade aparecia oscurecida, ao
analisar os dados em termos relativos, polo grande número de mui pequenas
unidades (assi,
as
de 5-10 hes representavam
só
o 4,9% do total, e as de 10-50
hes unicamente o 3
,O%).
E isso explica a escassa
aten~m
que habitualmente
se
tem prestado a esse feito. Sem embargo, como acabamos de ver, um exame
mais pausado das cifras pom claramente de manifesto a relativa importáncia que
tinham as propriedades médias (em cifras absolutas).
Por encima
das
50
hes de tamanho
si
que o número de propriedades era
já
mui pequeno, ainda que nom totalmente despreciável: havia em concreto 1.189
no intervalo de 50-100 hes, e 670 que superavam as 100 hes de extensom.
Compre apontar, isso si, que dentro deste último grupo figuravam
135
propriedades de dimensom superior
as
1.000 hes, e delas
23
superavam as 5.000
hes 1 68.
Os comentários anteriores referiam-se
as
cifras de propriedades por classes
de tamanho. Se examinamos a
superficie
ocupada
polos
168
Ver
as cifras mais desagregadas
por
classes
de
tamanho, que oferecemos
no
quadro
A.7.2
do Anexo estatístico.
876
diferentes
qrupos
ou
cateqorias,
podemos comprovar que a
situa~m
era desde este ponto de vista mui diferente. Isto ve-se de forma
imediata no gráfico 7.11, no que representamos
as
duas
distribu~ns
em termos
percentuais (a do número de propriedades, e a da superficie ocupada por elas).
Gráfico 7 .11.
ESTRUTURA DA PROPRIEDADE DA TERRA.
GAUZA
1959
!!:!
50X
u
~
1&.1
~
1/) 40X
e
e
IIJ
.,
º
JOX
Ir
<
...
IIJ
~
~
20~
Q.
1/)
o
o
10'l
M
<
0,5
hes.
0,5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>=100
hes.
T
AMANHO
DA PROPRIEDADE
(hes.)
IZZJ
No.DE PROPRIETARIOS
~
SUPERFICIE POSSUIDA
Lembramos que este segundo tipo de cifras
(as
referidas a
distribu~m
da
superficie), procedem de umha
estima~m;
e portanto, nom podemos
atribuir-lhes a mesma precisom que aos dados sobre o número de proprietários.
Pero, ainda deixando umha marge de erro,
as
conclusons nom oferecem
dúvidas:
i..
primeiro lugar, as propriedades de tamanho superior a 100 hes, que em
número eram 670, o 0,1% do total, ocupavam segundo os nossos cálculos
umhas 885.000 hes, o 31,5% da superficie imponível no Catastro (ver
gráfico 7.11 e quadro 7.20). Este feito nom require, a estas alturas
da
exposi~m,
maiores
aclara~ns.
A imensa maioria dessas grandes
propriedades correspondem-se com montes públicos ou comunais; e mais
concretamente com montes vizinhais em
mao
comum, ainda que muitos
deles apareceram declarados
no
Catastro como património dos concelhos 1 69.
Excluídas essas extensons, quedava pois em maos de proprietários particulares
algo menos do
70%
da superfície imponível; em números redondos ao redor
de 2.000.000 de hes. Fixemo-nos agora na
distribu~om
desta superficie
entre os diferentes grupos (ver gráfico 7.11 e quadro 7
.20).
ü. Observamos
aí
que
as
propriedades de tamanho inferior a 1 he, que
em
número eram o
70%
do
total, ocupavam unicamente o 9,2% da superfície
imponível. E o conjunto das menores de 5 hes, o 91,9% do total,
repartiam-se
s6
o 27,8% das terras.
Ainda a risco de ser reiterativos, é necessário chamar a
aten~m
sobre estes
dados. Porque o que nos indicam é que,
se
os
proprietários mui pequenos
eram absolutamente predominantes
em
número, estavam longe de se-lo no
que se refire a
ocupa~m
do território; posto que unicamente possuiam
(deixando umha marge de erro) o 25%-30% das terras.
ili.
No seguinte intervalo,
as
propriedades (ainda pequenas) de 5-10 hes, que
eram o
5%
do total, ocupavam umha parte significativa
da
superficie: o
14,5%.
iv. E muito mais importante ainda era o peso territorial das propriedades
médias. Estas, as de 10-50 hes, repartiam-se umhas 650.000 hes, o que
suponhia o 23,3% da superficie total.
v. Por último, a preséncia da grande propriedade particular era em cámbio
bastante pequena, ainda que maior do que ocorria para as grandes
explora~ns,
segundo vimos no seu momento. Concretamente, as
propriedades de 50-100 hes, em maos de particulares na sua imensa
maioria, ocupavam umhas 80.000-85.000 hes, o 3,0% do total. Se a isto
169 Abel Bouhler oferece algumha precisom sobre o carácter dessas grandes
propriedades, maiores de 100 hes, baseando-se para isto numha cala dos documentos
catastrais. Dacordo com as suas
observ~ns,
a prática totalidade das unidades maiores
de
500
hes que figuram no Catastro som montes públicos e comunais.
Por
baixo deste
umbral isso seguía sendo certo pero com matizes: "
......
parmi
propriétaires
de
100
a
250,
et
meme
de
250
a
500
ha
figurent
d'
assez
nombreux
particuliers
..
" (BOUHIER,
Abel,
op.
cit.,
pag. 1119)
De
todos modos, esta
ma~m
nom afecta substmlcialmente aos dados sobre a
superficie ocupada polas propriedades públicas e comunais; posto que das 885.000 hes
correspondentes ao conjunto de propriedades maiores de 100 hes, as de 100 a
500
hes
ocupavam menos de 100.000 (ver o quadro A.7 .3 do Anexo estatístico).
877
sumamos as propriedades particulares maiores
de
100 hest70, pode
estimar-se
em
120.000-150.000 a superficie total das grandes propriedades
em
maos de particulares.
b.
Os
dados
oferecidos
cola
"Estadistica
de
propietarios
de
fincas
rüsticas
de
Espafia"
de
1947-
1951.
Como
já
indicamos, as cifras que esta estatística oferece para Galiza
procedem dos "amillaramientos", posto que
na
data e m que foi realizada
no
m se
iniciara
a.inda
aqui a
elabora~m
do Catastro. Apesar disso, e das graiides
deficiéncias que se atribuem habitualmente aos "amillaramientos",
os
dados
parecem ter umha fiabilidade mais que aceptávei17t. !mo-nos servir pois destes
dados
para
completar a imagem obtida das cifras catastrais.
Nos
quadros
de
resultados
da
"Estadística de propietarios
de
fmcas rústicas"
diferenciam-se trés tipos de superfícies: "cultivada em regadío", "cultivada
em
secano", e "montes e pastos"; oferecendo, a nível provincial, a
distribu~m
da
propriedade
de
cada um desses tipos
de
terrast7l. Aqui figura,
por
um
lado, a
cifra
de
proprietários classificados segundo a extensom possuída; e, polo outro,
a
distribu~m
da
superficie entre as diferentes categorias
ou
grupos
de
proprietários. Os dados que resultam para o conjunto
de
Galiza reproduzimo-los
nos
quadros
7 •
21
a
7.
2
4.
Fazemos a
continua~m
um
breve recorrido
por
estas cifras, comentando os aspeitos mais relevantes que
aí
se observam.
Com~do
polas cifras globais, o número total
de
proprietários
de
fmcas
rústicas
em
Galiza a finais
da
década dos
40
era, dacordo com esta fonte,
de
856.300.
Daí
resultava umha extensom média
por
proprietário entre
3,40
e
3,10
hes, segundo contabilicemos ou nom nos dados
de
superficie os terreos
improdutivost73 (ver quadro 7.21).
170
Ver
a nota anterior.
171
Ao menos isto é o que se desprende da
comp~m
dos seus resultados oom os
do
Catastro; entre wnhas e outras cifras existe umha coeréncia mais que aceptável.
172
Nom
aparece
em
cámbio nos resultados publicados a estrutura
da
propriedade
referida l superficie total; polo que
nom
é possível
um
contraste totalmente preciso oom
os
dados
do
Catastro.
173
O que
na
estatística se denomina "Otras superficies".
878
Vemos, pois, que o número de proprietários é aqui inferior num 25%
aproximadamente aos registados polo Catastro umha década depois; e,
correlativamente, o tamanho médio da propriedade é superior num 25%-30%.
Esta divergéncia, com ser importante, nom resulta excessiva, se ternos
em
conta
a diferente procedéncia da
informa~m.
E em parte pode explicar-se polo
período que média entre a recolhida de uns e outros dados, período durante o
qual a cifra
de
proprietários entre os que se divide a superficie rústica de Galiza,
aumentou com toda seguridade174.
Feita essa
aclara~m,
nos quadros 7.22 a 7.24 pode ver-se a
distribu~m
da
propriedade para os trés tipos de superficies diferenciados nesta estatística
(cultivada em regadío, cultivada em secano, montes e pastos).
i.
Observamos em primeiro lugar que, do total de proprietários antes sinalado
(856.300), os que possuiam terras cultivadas em regadío eram uns 336.000,
correspondendo a cada um deles umha média de 0,41 hes. Neste tipo de
superficies predominavam de forma abrumadora as propriedades menores
de
1 he, que constituiam o 95% do total e repartiam-se as 3/4 partes das
terras (ver quadro 7.22).
Portanto, as superfícies de cultivo em regadío,
de
umha extensom
globalmente reduzida em Galiza, si registavam um extraordinário grau de
divisom
da
sua propriedade.
ü. Essa divisom era menos intensa, ainda que também muí forte, no
caso
da
superfície cultivada em secano, que ocupava umha parte muito maior do
território galego. Concretamente, as 560.000 hes deste tipo de terras
estavam repartidas entre uns 675.000 proprietários, o que significa que 8
de
cada
1 O proprietários de fincas rústicas possuiam algumha finca
de
cultivo
em
secano; e extensom média por cada um deles era de 0,83 hes.
Numericamente, predominavam também aqui os proprietários com menos
de
1 he, pero a superfície distribuía-se a partes iguais entre esse grupo e o dos
que tinham 1-5 hes. Em cámbio, eram mui poucos os proprietários com
mais
de
5 hes
de
terras cultivadas em secano (ver quadro 7.23).
ili.
Por
último ternos as superficies de monte e pastos, que, segundo esta
estatística, ocupavam a finais da década dos 40 mais dos 2/3 do território
galego. A
distribu~m
da
sua propriedade apresentava a primeira vista um
grau de divisom muito menor que nos casos anteriores; pero isto necessitava
ser matizado.
174
Mais adiante, na terceira parte da
investig~m,
referimo-nos aos factores que
oondicionam a
evolu~m
no tempo do grau de divisom da propriedade da terra. Aí
podením encontrar-se os argumentos em que nos baseamos para fazer essa
a~m
oom
rel~m
as
tendéncias na décadas dos 50.
879
Em total, as superfícies de monte e pastos repartiam-se entre uns 685.000
proprietários, cada
um
dos quais possuia umha média de 2,86 hes (ver
quadro 7.24). Agora bem, a estrutura da propriedade destas terras oferecia
umha imagem dual ou bipolar; na que destacavam os 2. 617 proprietários
com extensons superiores a 50 hes, e que sumavam
um
total de 895.000 hes
de monte e pastos, o 45,7% da cifra global. Resulta evidente que o que aqui
apareee registado
som
fundamentalmente montes públicos e comunais, ainda
que também figurem grandes propriedades florestais de particulares. Ao
respeito, pareee-nos digno de destacar a similitude dessa cifra, oferecida
pola "Estadística de propietarios de fincas rústicas",
comas
que obtinhamos
no Censo agrário de
1962
e
no
Catastro de rústica. Isto, na nossa opiniom,
avala a validez
em
termos gerais da estatística que estamos comentando.
Excluíndo essas
grn11des
propriedades,
as
que quedavan1 enun em eséncia
as superficies de monte e pastos de propriedade particular. E
para
estas o
grau de divisom nom era mui diferente do que víamos para as terras
cultivadas em secano. Assi: numericamente eram abrumadora maioria os
proprietários que tinham menos de 2 hes de monte e pastos, pero no reparto
da superfície era similar a ocupada polas propriedades de 2-5 hes. Em
cámbio, os proprietários com mais de 5 hes (e menos de 50) deste tipo de
terras eram mui poucos, e possuiam também umha parte reduzida da
superficie (ver quadro 7.24).
Em definitiva, pois, esta estatística referida a finais dos anos 40, permite
precisar qual era a
distribu~m
da propriedade da terra para os diferentes tipos
de superficies, completando deste modo o que vimos antes a partir das cifras,
mais fiáveis, do Catastro. Como
principais
conclusons
podemos
retar
que:1)
a
divisom
da
propriedade
era
especialmente
aquda
nas
terras
de
aproveitamento
mais
intensivo
(as
de
cultivo
em
reqadio);
2)
nom
havia,
em
cámbio,
diferéncias
substanciais
neste
aspeito
entre
a
superficie
cultivada
ea
secano
e
os
montes
e
pastos
de
propriedade
particular.
880
Quadro
7.21.
Superficie
total,
número
de
proprietários
de
terras,
e
superficie
média
por
proprietário.
Galiza
1950
-Superficie
(miles
de
hes.)
-Cultivada
em
regadio
........
.
-Cultivada
em
secano
........
.
-Montes
e
pastos
..........
.
-"Otras
superficies"
...•.......
-Total
-Número
de
proprietários
(miles)
....•....
-Superficie
média
por
proprietário
(hes.)
................
.
Fonte:
INSTITUTO
NACIONAL
DE
ESTADISTICA,
137,4
561,1
1959,3
257,6
2915,4
856,3
3,40
Estadistica
de
propietarios
de
fincas
rústicas
de
España.
Cuaderno
cuarto:
Res~~enes
globales
y
generales
rectificados
de
las
50
provincias.,
INE,
Madrid,
1951.
Elaboracom
pr6pria.
Quadro
7.22.
Superficie
de
cultivo
em
regadio;
distribucom
dos
proprietários
e
da
superficie
por
categorias
de
tamanho
da
propriedade.
Galiza
1950
Tamanho
(1)
< 1
he.
1-2
hes
2-5
hes.
>= 5
hes.
TOTAL
Superficie
média
CIFRAS
ABSOLUTAS
(2)
Número
de
propriet.
318768
12999
4120
127
336014
Superficie
(hes.)
104248
20078
11866
1361
137553
por
proprietário
(hes.)......
0,41
(1)
Refire-se
a
de
cultivo
em
proprietário.
PERCENTAGENS
Número
de
propriet.
94,9%
3,9%
1,2%
0,0%
100,0%
Superficie
75,8%
14,6%
8,6%
1,0%
100,0%
que
possue
cada
(2)
Número
de
proprietários
com
superficie
de
cultivo
em
regadio,
e
superficie
de
cultivo
em
regadio
possuida
polos
de
cada
categoria.
Fonte:
ver
anterior.
881
Quadro
7.23.
Superficie
de
cultivo
em
secano;
distribu~om
dos
proprietários
e
da
superficie
por
categorias
de
tamanho
da
propriedade.
Galiza
1950
Tamanho
(1)
< 1
he.
1-2
hes
2-5
hes.
5-10
hes.
>=
10
hes.
TOTAL
Superficie
média
CIFRAS
ABSOLUTAS
(2)
Número
de
propriet.
523373
94299
52532
2698
809
673711
Superficie
(hes.)
248978
130285
149387
18365
14062
561077
por
proprietário
{hes.)......
0,83
PERCENTAGENS
Número
de
propriet.
77,7%
14,0%
7,8%
0,4%
0,1%
100,0%
Superficie
44,4%
23,2%
26,6%
3,3%
2,5%
100,0%
(1)
Refire-se
a
superficie
de
cultivo
em
secano
que
possue
cada
proprietário.
(2)
Número
de
proprietários
com
terras
de
cultivo
em
secano;
e
superficie
de
cultivo
em
secano
possuida
polos
de
cada
categoria.
Fonte:
ver
quadro
7.21.
Quadro
7.24.
Superficie
de
monte
e
pastos;
distribu~om
dos
proprie-
-tários
e
da
superficie
por
categorias
de
tamanho
da
·propriedade.
Galiza
1950
CIFRAS
ABSOLUTAS
(2)
PERCENTAGENS
---------------------- ---------------------
Número
de
Superficie
Número
de
Superficie
Tamanho
(
1)
propriet.
(hes.)
propriet.
--------- ---------- ---------- ---------- ----------
< 2
hes.
555250
465234
81,0%
23,7%
2-5
hes.
104223
361874
15,2%
18,5%
5-10
hes.
17522
129920
2,6%
6,6%
10-50
hes.
6084
107060
0,9%
5,5%
>==
50
hes.
2617
895182
0,4%
45,7%
TOTAL
685696
1959270
100,0%
100,0%
Superficie
média
por
proprietário
(hes.)......
2,86
(1)
Refire-se
a
superficie
de
monte
e
pastos
que
possue
cada
proprietário.
(2)
Número
de
proprietários
de
terras
de
monte
e
pastos;
e
superficie
de
monte
e
pastos
possuida
polos
de
cada
categoria.
Fonte:
ver
quadro
7.21.
882
2. 2.
3.
As
di
verqincias
espaciais
dentro
de
Galiza;
a
estrutura
da
propriedade
da
terra
por
provincias
(1959).
Ao igual que sucedia para a estrutura dimensional das
explora~ons,
a
distribu~om
da propriedade da terra diferia também notavelmente entre
as
províncias galegas. O regime de pequena propriedade, que em conjunto
caracterizava a Galiza,
nom
era algo
uniforme?
senom que apresentava
importantes matizes e
grada~ns
espaciais; e estes reflectiam-se claramente nos
dados por províncias. Irnos examinar aqui a magnitude e o contido destes
contrastes, baseando-nos
nas
cifras
do
Catastro de rústica para finais de 1959 175 •
Um primeiro indicador, ainda que imperfecto, da
situa~m,
constitue-o a
dimensom média da propriedade
em
cada província. Aqui observam-se
já
nitidamente
as
fortes divergéncias existentes. Assi, esta dimensom
alcan~va
em
Lugo as 4,62 hes, o doble da média galega; mentres que
em
Pontevedra, a
província com umha propriedade
mais
dividida, a superficie média por
proprietário era
só
de 1,37 hes
(ver
quadro
7
.25).
Quedavam com
valores intermédios, e próximos a média galega,
as
outras duas províncias: A
Corunha {2,09 hes) e Ourense {2,17 hes).
Quadro
7.25.
Superficie
imponivel,
número
total
de
proprietários
de
terras,
e
superficie
média
por
proprietário.
Cifras
para
as
4
provincias
qalegas
1950.
A
Corunha
Lugo
OUrense
Pontevedra
---------- --------- --------- ---------
-Superficie
imponivel
(hes.)
.
746190
945067
692894
425026
-Número
total
de
proprietários
357455
204651
319840
310224
-superficie
média
por
proprietário
(hes.)
.........
2,09
4,62
2,17
Fonte:
GARCIA-BADELL Y ABADIA,
Gabriel,
"La
distribución
de
la
propiedad
aqricola
de
Espafia
en
las
diferentes
categorias
de
fincas.",
op.
cit.
1,37
Elabora~om
pr6pria
{corregindo
a
cifra
total
de
superficie
e
de
nas
de
OUrense
e
Pontevedra).
175 Para nom sobrecargar em excesso a
exposi~m,
prescindimos de aruilisar os
dados
por
provincias oferecidos pola outm fonte vista anteriormente, a "Estadística de
propietarios de fincas rústicas" de 1947-51. Estes dados podem encontrar-se nos
quadros
A.7.4
a
A.7.7
do
Anexo
estatístico.
883
. 884
Essas cifras constituem
um
primeiro índice dos contrastes provínciais. Pero
um indicador, como dixemos, imperfecto; porque aí estám contabilizadas
conjuntamente as terras de propriedade particular e as grandes unidades de
titularidade pública ou colectiva. Para obter umha imagem mais precisa e
detalhada da realidade, devemos fixar-nos na
distribu~om
das propriedades e da
superfície por classes de tamanho e m cada província
(ver
quadro
7 • 2
6,
e
gráficos
7.12
e
7.13)
176.
Observando estes dados, comprova-se que as diferéncias na estrutura da
propriedade tinham
um
notável paralelismo com as que antes vimos na estrutura
das
explora~ns.
Feito este que reflecte algo que depois analisaremos polo
miudo: a correspondéncia que
em
termos gerais existia a meiados de século no
agro galego, entre propriedade e
explora~m.
Assi,
as
duas
provincias
aeridionais
eram
as
que
reqistavam
umha
aaior
divisom
da
propriadada
da
tarra,
com um predomínio mais acusado dos patrimónios de mui reduzida extensom; e
isto acompanhava-se de
um
forte peso, em termos da superficie ocupada, das
propriedades maiores de 100 hes, é dizer, dos montes públicos e comunais.
Nestas duas províncias, Ourense e Pontevedra, a
distribu~m
da propriedade
rústica vinha definida por trés características esenciais (ver quadro 7 .26, e
gráficos 7.12 e 7.13):
i. O marcado predomínio numérico das propriedades de tamanho inferior a 1
he, que constituiam em ambos casos o 75%-80% do total. Estas, ademais,
correspondiam na sua grande maioria a unidades menores de 0,5 hes (mais
do
60%
do total das propriedades nas duas províncias).
ü.
A segunda característica era a elevada
propor~om
da superfície total que
ocupavam as propriedades maiores de 100 hes.
As
cifras concretas que
figuram no quadro 7.20 e o gráfico 7.13 devem tomar-se com reservas,
já
que, como ternos insistido, trata-se de
estima~ons;
e, ao ser reduzido o
número de unidades neste grupo, a marge de erro é maior. Pero, ainda assi,
os dados nom deixam lugar a dúvidas sobre o
peso,
destas propriedades nas
duas províncias. Como tampouco existem dúvidas sobre o tipo de unidades
aí registadas: montes vizinhais na sua imensa maioria.
ili.
Por
último, tinham umha importáncia bastante reduzida nestas províncias as
propriedades de 5-10 hes, e sobretodo as de 10-50 hes. Referindo-nos em
concreto a este segundo grupo, as propriedades médias suponhiam
unicamente o 0,5% do total em Ourense, e o 1,3% em Pontevedra; e
ocupavam, respectivamente, o 4,2% e o 16,7% da superfície.
176 Aí figura a
distribu~m
em
termos percentuais; as cifras absolutas
reproduzimo-Ias nos quadros A.
7.2
e A. 7.3 do Anexo estatístico.
Quadro
7.26.
Estrutura
da
propriedade
da
terra
nas
4
provincias
galegas.
Distribu9om
percentual
dos
proprietários
e
da
superficie
por
classes
de
tamanho
da
propriedade.
1959.
-DISTRIBUCOM
DOS
PROPRIETARIOS
POR
TAMANHO
DA
PROPRIEDADE.
Tamanho
da
propriedade
(hes.)
A
Corunha
Lugo
OUrense
Pontevedra
----------- ----------- --------- --------- ---------
<
0,5
hes.
56,3%
28,5%
63,9%
61,2%
0,5-1
he.
12,9%
18,5% 12,5%
18,4%
1-5
21,4%
32,6%
20,6%
16,7%
5-10
5,0%
12,4%
2,4%
2,3%
10-50
4,2%
7,7%
0,5%
1,3%
50-100
0,2%
0,1%
0,1% 0,1%
>=
100
hes.
0,1%
0,1% 0,0%
0,0%
TOTAL
100,0%
100,0% 100,0%
100,0%
(357.455)
(204.651) (319.840)
(310.224)
-DISTRIBUCOM
DA
SUPERFICIE
ENTRE
AS
PROPRIEDADES
DOS
DIFERENTES
TAMANHOS.
(Cifras
estimadas)
Tamanho
da
propriedade
{hes.)
A
Corunha
Lugo
OUrense
Pontevedra
----------- ----------- --------- --------- ---------
<
0,5
hes.
5,4%
1,2%
5,9%
8,9%
0,5-1
he.
4,3%
2,8%
4,0%
9,4%
1-5
20,5%
14,1%
19,1%
24,4%
5-10
16,9%
18,9%
7,7%
11,8%
10-50
36,0%
30,2%
4,2%
16,7%
50-100
5,7%
1,7%
1,7%
2,9%
>=lOO
hes.
11,2%
31,1%
57,4%
26,0%
TOTAL
100,0% 100,0%
100,0%
100,0%
(Total
hes
• )
(746.190)
(945.067)
(692.894)
{425.026)
Fonte:
idem
quadro
7.20.
885
886
Gráfico 7.12.
PROPRIET ARIOS DE TERRAS POR T AMANHOS.
DADOS
POR
PROVINCIAS
1959
<
0,5
hes.
0,5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>•
100
hes.
rz::zJ
e T
AMANHO
DA
PROPRIEDADE
(hes.)
ISSJ
LU
l?'i'ZI
OloR
~
PO
Gráfico 7.13.
SUPERF. POR
CATEGORIAS
DE
PROPRIEDADE
DADOS
POR
PROVINCIAS
1959
<
0,5
hes.
0.5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>•100
hes.
TAMANiQ DA PROPRIEDADE (hes.)
rz::zJ
e
ISSJ
LU
l?'i'ZI
OlR
~
PO
Comparado com isso, a
estrutura
da
propriedade
rústica
existente
nas
duas
provincias
septentrionais
apresentava
diferéncias significativas (ver quadro 7.20, e gráficos 7.12 e 7 .13):
i.
Nestas províncias, e sobretodo na de A Corunha, era muito menor a parte da
superficie ocupada polas grandes unidades de propriedade pública ou
colectiva, como se recolhe nas cifras referidas as propriedades maiores de
100 hes.
ü. As grandes propriedades particulares, em cámbio, dentro de um peso global
reduzido, tinham aqui umha preséncia muito mais importante que nas duas
províncias meridionais; destacando de novo neste aspeito A Corunha. Sobre
isto chama
aten~m
A. Bouhier, baseando-se numha cala da
informa~m
do
Catastro por municípiost77. Nos dados a nível provincial que estamos
manejando esse feito reflecte-se também: no número comparativamente
elevado de propriedades de 50-100 hes e de 100-250 hes que som registadas
na província de A
Corunha178;
mentres estavam praticamente ausentes aqui
as unidades maiores de 500 hes.
ili.
A diferéncia quantitativamente mais relevante nom se referia, sem
embargo,
as
grandes propriedades particulares, senom
as
propriedades
médias (de 10-50 hes), e
as
de 5-10 hes. A importáncia destas duas
categorias de propriedades era mui superior nas províncias septentrionais.
Assi, sumando os dous grupos, as propriedades de 5 a 50 hes representavam
o 20,1% do total em Lugo, e o 9,2% em A Corunha, frente ao 3%-3,5%
nas províncias de Ourense e Pontevedra; e essas propriedades ocupavam nas
duas primeiras províncias ao redor do 50% da superficie total, frente ao
10%-25 nas duas meridionais.
iv. O anterior correspondia-se com um peso muito menor nestas duas
províncias, e sobretodo em Lugo, das propriedades de tamanho inferior a 1
he. No médio ficavam as (mui pequenas) propriedades de 1-5 hes, as quais,
ainda que com matizes, apresentavam um peso bastante uniforme nas 4
províncias.
Em
definitiva, pois,
reencontramos
na
estrutura
da
propriedade
o 11
corte
estrutural
18
entre
a
aetade
septentrional
e a
aetade
aeridional
de
Galiza,
que
viamos
ao
analisar
o
taaanho
das
exploraqons.
corte
ou
178
Assi, nesta provincia estavam 608 das 1189 propriedades de 50-100 hes
contabilizadas
no
conjunto
de
Galiza
em
1959; e 186 das 319 de 100-250 hes. Ver as
cifras detaJbadas reproduzidas nos quadros A.
7.2
e A.
7.3
do Anexo estatístico.
887
. 888
ruptura
marcado
polo
limite
das
5
hes
de
dimensom.
Nas
duas
provincias
meridionais
predominava
de
:forma
abrumadora
a
mui
pequena
propriedade,
sendo
reduzida
a
importincia
das
propriedades
particulares
maiores
de
5
hes.
Nas
duas
septentrionais,
em
cámhio,
as
propriedades
de
s-10
hes,
e
as
de
10-so
hes
tinham
umha
qrande
relevincia,
ocupando
em
conjunto
o
SO%
(aproximadamente)
da
superficie
total.
Até aqui a análise da
situa~m
por províncias. Para a estrutura da
propriedade da terra nom disponhemos de dados a nível municipal recopilados
sistematicamente, polo que
nom
é possível oferecer umha
representa~m
cartográfica sobre essa estrutura, como a realizada para as
explora~ns
17
9.
E,
portanto, nom podemos
ta.mpouco
efectuar aqui
um
estudo sistemático da
situa~m
por concelhos.
De
todos modos,
si
contamos com umha
descri~om
detalhada sobre o
particular, efectuada por Abel Bouhier, que se baseou para isto numha ampla
cala nos documentos catastrais a nível municipaltso. Obviamente nom irnos
repetir aqui a sua
exposi~m.
Aos nossos efeitos abonda com sinalar a principal
conclusom que se desprende dessa
descri~m:
as divergéncias que existiam entre
umhas e outras comarcas no referido ao tamanho
das
propriedades,
correspondiam-se de forma bastante estreita com as que vimos mais atrás para a
estrutura dimensional
das
explora~ns.
2 • 2 • 4 •
As
relac;ons
entre
propriedades
e
explorac;ons;
uns
primeiros
dados
sobre
este
tema.
V árias vezes aludimos
já
ao paralelismo ou correspondéncia que, em termos
gerais, existia e m Galiza a princípios dos 60, entre a estrutura das
explora~ns
e
a
distribu~m
da propriedade da terra. E vimos em concreto como isso se
179 Isto
só
seria factível para a prov:íncia de Pontevedra, si contamos
com
dados publicados sobre a
distribu~m
da propriedade rústica nos diversos municípios a
principios
da
década dos 60. Ver:
-MINISTERIO
DE
AGRICULTURA. DIRECCION GENERAL AGRICULTURA,
Mapas
provinciales
de
suelos.
Pontevedra.
op.
cit.,
Apéndice
4.
180 Ver: BOUHIER, Abel,
op.
cit.,
pp. 1117-1133.
manifestava claramente no plano espaciaL Agora é o momento de analisar com
maior detenimento essa questom: as
rela~ns
entre propriedades e
explora~ns.
Com o fim de oferecer umha primeira
aproxima~m
ao tema, irnos
comparar a
continua~om
as cifras de propriedades e de
explora~ons
por
grupos
de
tamanho que vimos anteriormente. Isto é, para a
distribu~om
da propriedade
tomamos os dados do Catastro de rústica referidos a 31-12-1959; e
para
as
explora~ns
os dados do Censo agrário de 1962.
No
apartado seguinte completaremos e precisaremos o estudo das
rela~ns
que existiam entre propriedade e
explora~m,
examinando os regimes de
tenéncia da terra.
Para
com~,
no
quadro
7 • 2 7 ternos reproduzidas as cifras relativas ao
número total e a superficie média
das
propriedades e das
explora~ns
em Galiza
em
1959/1962. M podemos ver que: i) o número de
explora~ons
censadas em
1962 (421.000 em cifras redondas), era aproximadamente 1/3
da
cifra de
propriedades existentes polas mesmas datas (1.192.000);
ü)
e,
em
correspondéncia com isso, a superficie média por
explora~m
(5,75 hes), era
2,4
vezes superior a extensom média
por
proprietário (2,36 hes).
Quadro
7.27.
Compara9om
entre
a
dimensom
média
da
propriedade
e
da
explora9om.
Galiza
1959/1962
Propriedades
(1959)
-Número
total
de
unidades
•••••••
1192170
-Superficie
média
(hes.
) . . . . • . •
2,
36
Explora9ons
(1962)
421292
5,75
Fonte:
elabora9om
pr6pria
a
partir
das
cifras
do
Catastro
de
rústica
e
do
Censo
agrário
de
1962,
respectivamente.
Ver
quadros
7.5
e
7.20.
Portanto, a primeira conclusom a destacar é que a
di
viso•
da
terra
do
ponto
de
vista
das
unidades
de
produqoa,
coa
ser
aui
forte,
era
auito
menos
intensa
que
a
que
se
reqistava
na
propriedade.
Das
cifras
do
quadro
anterior
deriva-se
que
cada
exploraqoa
aqr,ria
estava
constituida,
por
termo
aédio,
pola
aqrupaqoa
das
terras
de
2,
8
propriet,rios
diferentes;
resultando
assi
ua
taaanho
889
aédio
das
unidades
de
produ9o•
2,
4
vezas
superior
ao
das
propriedadestst.
Essa conclusom, que se obtém para o conjunto de Galiza a partir dos dados
estatísticos globais, aparece confirmada em estudos referidos a zonas
determinadas do nosso agro, e baseados
em
informa~om
de procedéncia
diferente. Em concreto, podemos citar aqui o estudo realizado a princípios da
década dos 60 para duas parróquias do partido judicial de Negreira, na província
de A Corunha, utilizando como base empírica os dados das "Bases de
Concentración Parcelaria" e inquéritos directos sobre o terreo 1
8l.
Dacordo com
os seus resultados, as
244
hes de
SA
U que formavam a zona investigada,
estavam divididas entre
328
proprietários, cada
um
dos quais possuia umha
média de 0,74 hes. Pola sua parte, o número de
explora~ns
era de 104 e o
seu
taman_ho
médio de 2,35 hes; portanto, cada
explora~m
agrupava por termo
médio as terras de 3 proprietários
diferentes183.
Os próprios autores
do
estudo precisam algo mais no texto a imagem geral
que se desprende dessas cifras:
"La
explotación
agrícola
(
...
)
está
constituida,
por
lo
general,
por
tierras
de
diferentes
procedencias
que
suelen
ser
las
del
propio
empresario,
su
cónyuge
y
la
de
otros
familiares
que
viven
en
su
domicilio
o
residen
en
América.
Por
término
medio
esta
explotación
comprende
las
tierras
pertenecientes
a
cuatro
o
cinco
propietarios
diferentes.
Tan
sólo
el
181 Este feíto nom era específico de Galiza. Tanto no conjunto do Estado como nas
diferentes regions espanholas, dava-se a mesma
si~m
(menor cifra e maior tamanho
médio das
explo~ns,
comparado
comas
propriedades); ainda que a
rel~m
concreta
entre umhas e outras cifras variava entre diferentes áreas.
Sobre isto consultar a análise que se oferece no trabalho:
-GARCIA
DE
OTEYZA, Luis,
Estudio
sobre
el
tamaño
de
la
propiedad
y
de
la
eXPlotación
en
la
Cuenca
del
Duero.,
S.N.C.P.O.R., Madrid, 1963, pp. 37-43.
182
O trabalho ao que nos referimos
é:
-GARCIA
DE
OTEYZA, Luis/ BUENO GOMEZ, Miguel/ CRUZ CONDE, Fernando,
EXPlotaciones
agrarias
familiares.
Contribución
a
su
estudio
en
la
provincia
de
La
Coruña.,
S.N.C.P.O.R.,
Madrid, 1963
UD
Ver: GARCIA DE OTEYZA, Luis/ BUENO GOMEZ, Miguel/ CRUZ
CONDE, Fernando,
op.
cit.
, pp. 28 e ss.
890
15
por
100
de
las
explotaciones
estudiadas
de
Cabanas
y
el
22
por
100
de
las
de
Barcala
pertenecen
exclusivamente
a
propietarios
que
son
a
su
vez
empresarios;
las
explotaciones
en
donde
se
da
este
fenómeno
son
en
general
explotaciones
marginales
o
«part-time».
" 1
84
Com isso ternos perfilada umha primeira visom global, sobre os vínculos
que ex.istiam na agricultura galega entre propriedade e
explora~m.
Voltando
aos dados estatísticos para o conjunto de Galiza, irnos examinar agora a
rela~m
entre o número de propriedades e de
explora~ons
nas diferentes classes de
tamanho; e também a
rela~m
entre a superfície ocupada polas propriedades e
explora~ns
dos diversos grupos. Para facilitar esta
compara~om
elaboramos o
quadro
7.28
e
os
qrificos
7.14
e
7.15,
onde
figunun
conjuntamente umhas e outras cifras.
Em primeiro lugar, hai que apontar que a superfície total inscrita no Censo
agrário de 1962 era inferior em quase 400.000 hes a superfície imponível no
Catastro de rústica (ver quadro 7.28). Este feito tem um significado em si
mesmo; porque nos indica que umha parte das propriedades catastradas nom
estavam integradas em
explora~ns
agrárias, no sentido amplo em que as define
o Censo agrário. Ou, noutras palavras, aquelas 400.000 hes correspondem a
propriedades que estavam totalmente desvinculadas da
produ~m
agrária.
Aí
figuravam com toda probabilidade muitas micro-propriedades abandonadas, e
também grandes extensons florestais de propriedade particular185.
Em qualquer caso, essa diferéncia entre a superfície total imponível e a
censada em 1962, deve ter-se presente ao comparar as cifras por classes de
tamanho.
Passando a esta
compara~m,
observamos que o número de propriedades
era superio! ao de
explora~ns
em todas as categorias de dimensom, com a
única
ex~m,
pouco significativa, do grupo de mais de'·1oo hes. E o mesmo
sucedia para a superfície ocupada polas propriedades e
explora~ns
de
cada
tamanho: em todos os intervalos, exceptuando o das unidades maiores de 100
hes, a superficie das propriedades superava a ocupada polas
explora~ns
do
mesmo tamanho. Agora bem, sendo isso certo, observa-se também que a
magnitude das diferéncias, a
rela~m
entre o número de
explora~ns
e o de
184
b.
d
I
1.
em, pag. 33.
185
Consultar ao respeito a
descri~m
sobre a
ut~m
da terra
nas
grandes
propriedades particulares,
que
realiza A. Bouhier baseando-se nos documentos catastrais.
(BOUHIER,
Abel,
op.
cit.,
pp. 1119-1121)
891
propriedades, variava muito de umhas a outras categorias ou grupos (ver quadro
7.28 e gráficos 7.14 e 7.15).
Quadro
7.28.
Comparacom
entre
a
estrutura
da
propriedade
da
terra
e a
estrutura
das
exploracons
agrárias.
Galiza
1959/1962
-COMPARACOM
ENTRE
O
NUMERO
DE
PROPRIEDADES E
DE
EXPLORACONS
POR
TAMANHOS
A B
Tamanho
Número
de
Número
de
(hes.
)
propriedades
exploracons
A-B
B/A
(%)
---------- ------------- ------------ ---------- ---------
<
0,5
hes.
653854
85174
568680
13,0%
0,5-1
he.
180818
61116
119702
33,8%
1-5
261054
184957
76097
70,9%
5-10
58257
56549
1708
97,1%
10-50
36328
32224
4104
88,7%
50-100
1189
500
689
42,1%
>=100
hes.
670
772
-102
115,2%
TOTAL
1192170
421292
770878
35,3%
-COMPARACOM
ENTRE
A
SUPERFICIE
OCUPADA
POLAS
PROPRIEDADES E AS
EXPLORACONS
DE
CADA
TAMANHO.
A B
Superficie
das
Superficie
das
Tamanho
propriedades
explorac;ons
(hes.
)
(hes.)
(hes.)
A-B
B/A
(%}
----------- ------------- -------------- ---------- ---------
<
0,5
hes.
130771
19964
110807
15,3%
0,5-1
he.
126572
42481
84091
33,6%
1-5
522110
452826
69284
86,7%
5-10
407798
395033
12765
96,9%
10-50
653903
523305
130598
80,0%
50-100
83203
32109
51094
38,6%
>=100
hes.
884820
958260
-73440
108,3%
TOTAL
2809177
2424007
385170
86,3%
Fonte:
elaboracom
pr6pria
a
partir
das
cifras
do
Catastro
de
rústica
e
do
Censo
de
1962.
Ver
quadros
7.5
e
7.20.
892
893
Gráfico 7.14.
No. DE PROPRIEDADES E
DE
EXPLORAGONS
GAUZA
1959/1962
700
~
600
e:
~
..J
500
~
.....
.....
e
400
w-
..
tn•
w=
e~
41(
300
e
w
~
a:::
200
a..
.....
o
i
100
o <
0.5
hes.
0.5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-1
00
>•1
00
hes.
rzzJ
PROPRIEDADES
T
AMANHO
(he.IJ_
122Zt
EXPLORACONS
Gráfico 7.15.
SUPERF. OCUPADA
POLAS
PROPR. E EXPLOR.
1,000
GAL~A
1959/1962
~
0,900
(/)
~
0,800
u
<
o
<
0,700
u
w
o
.
0,600
~-
wJ
0.500
a:!;.
f
0,400
fl)
~
0,300
~
0.200
.....
~
(/)
0,100
0,000
<
0,5
hes.
0.5-1
he.
1-5
5-10
10-50
50-100
>•100
hes.
rzzJ T
AMAN-tO
DAS
PROPR.
E
EXPLOR.
(em
hes.)
PROPRIEDADES
r?}ZI EXPlORAc;oNS
. 894
A maior diferéncia registava-se
nas
categorias de tamanho mais reduzido.
Assi, o número de
explora~ns
menores de 0,5 hes suponhla
s6
o 13% do
número de propriedades dessa mesma dimensom; em termos absolutos esta
última cifra superava a primeira em quase 690.000 unidades.
A medida que ascendemos na escala a diferéncia reduzia-se, tanto em
termos absolutos como relativos. Oeste modo, a cifra de
explora~ns
de
0,5-1
he representava o
34%
da de propriedades desse tamanho; e no intervalo de
1-5
hes essa
rela~m
elevava-se ao 71%. Chegando-se a categoria de 5-1 O hes, onde
o número de
explora~ns
era praticamente idéntico ao de propriedades; e a de
10-50 hes, onde ambas cifras estavam também mui próximas (o quociente era
no primeiro grupo o 97%, e neste segundo o 88%).
Por último, no intervalo de 50-100 hes o número de
explora~ons
(e também
a superñcie que ocupavam) voltava ser mui inferior ao das propriedades desse
tamanho (o 42,1% destas propriedades e o 38,6% da sua superficie); ainda que
as cifras absolutas eram aqui pequenast86.
Trataremos a
continua~m
de interpretar o significado dessas cifras.
-A primeira conclusom que podemos extraer dos dados é que a
varia~m
esencial que se produzia em Galiza, ao passar
das
propriedades
as
explora~ns,
consistia numha
concentra~m
( ou
agrupa~m)
da superficie (que se manifestava
no tamanho médio mui superior
das
unidades de
produ~m);
e essa
concentra~m
afectava fundamentalmente as propriedades de menor tamanho.
Estas propriedades de dimensom inferior a 1 he, em mui poucos casos
constituiam a base de umha
explora~m
desse mesmo tamanho; segundo as
cifras do quadro 7.28, isso
s6
ocorria para o
13%
dos patrimónios menores de
0,5 hes, e o 34% dos de 0,5 a 1 hes. O resto, a imensa maioria, estavam
agrupados com outras propriedades numha mesma unidade de
produ~m.
Nuns
casos a uniom dava-se com outros patrimónios também mui pequenos, formando
assi umha
explora~m
algo maior pero ainda por baixo de 1 he. Noutros muitos
casos essas "ultra-pequenas" propriedades constituiam um complemento de
propriedades de maior tamanho, estando assi integradas em
explora~ns
de
1-5
hes, de 5-10 hes ou mesmo de 10-50
hest87.
Em correspondéncia com o anterior, podemos afrrmar que a grande maioria
dos proprietários de extensons inferiores a 1 he, nom eram agricultores-titulares
1 86 Deixamos de lado nos nestes comentários a categoria de tamanbo superior a 100
hes, onde
nom
tem muito interesse, nem significado, aruilisar as
rel~ns
entre
propriedade e e:xplorac;om, dado o tipo de propriedades que aí figumm.
187 Mais adiante, ao examinar os regimes de tenéncia da terra nas explorac;ons dos
diferentes grupos, veremos dados que avalam esta
a~m.
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