Full text
Universi dade de Santia go de Co mpostela
Facultade de Ciencias da Educ ación
Depar ta ment o de Te orí a da Educa ció n, His tor ia da Edu caci ón e Peda goxí a Soci al
T ESE DE D OUTORAMENTO
A PRENDIZAGEM C OOPERATIVA E O PTIMIZAÇÃO DA
I NTERVENÇÃO P EDAGÓGICA NO E NSINO B ÁSICO – 1º
C ICLO EM P ORTUGAL
S ÓNIA M ARIA DOS S ANTOS P ERES M OREI RA
D IR E CT ORA
P ROF ESSOR A D OUTO RA M ARIA DE L M AR L ORENZO M OLEDO
2011
iii
María do Mar Lorenzo Moledo, Profesora Titular do Departamento de Teoría da
Educación, Historia da Educación e Pedagoxía Social da Universidade de Santiago
de Compostela, informa moi favorablemente do traballo realizado pola doutoranda
Dna. Sonia Maria dos Santos Peres Moreira e fai constar que reúne todos os
requisitos e condicións para a súa presentación e defensa pública.
O que asino en Santiago de Compostela, a 1 de Junho de 2011.
_______________________________
Asdo. Profa. Dra. María d el Mar Lorenzo Moledo
D EP ARTAM EN TO DE T EORÍ A DA E DUCACIÓN ,
H ISTORIA DA E DUCACIÓN E P EDA GOX ÍA S OCIAL
Fac ulta de de Ci e nc ia s da Educ aci ón
Campus Universi tario S ur 15782
San tiag o d e Com poste la
v
A O L UÍS …
… UM MARIDO EXEMPLAR EM TODOS OS MOMENT OS PARTI LHADO S .
À J OANA E AO T IAGO …
… OS PRÍ NCIPES DO NOSSO LAR .
vii
O trabalho realizado por dois é sempre mais proveitoso. Se um
cair, o outro levanta-o; se estiver sozinho ao cair, ver- se -á em
grande dificuldade. E também, numa noite fria, se dois dormirem
juntos, poderão aquecer-se um ao outro, mas como poderá
aquecer-se aquele que dorme só? Duas pessoas podem resistir
melhor a um ataque do que uma só. Com quantos mais fios for
entrançada uma corda, tanto mais sólida será.
Ecles iast es 4: 9 - 12
ix
A GRADECIMENT OS
Gostaria de agradecer publicamente todo o apoio concedido pelas pessoas que
tornaram exequível este trabalho:
• Em primeiro lugar agradeço a Deus pelo dom gratuito que me deu de nunca
desistir dos meus sonhos;
• À Professora Doutora Maria del Mar Lorenzo Moledo, pelo facto de ter sido
a minha orientadora científica. Muito obrigada pela confiança que depositou
em mim e pelos muitos e-mails acumulados de tesouros profundamente
cooperativos;
• Ao Luís, meu marido, agradeço eternamente as injecções de reforço positivo
para que, diante dos obstáculos naturais que um trabalho desta natureza
implica, eu não viesse a desanimar. À Joana, minha princesa, agradeço a
paciência que teve que cultivar nos momentos em que estive ausente. Ao
Tiago, meu conde, o carinho nas palavras quando me perguntava: “já
acabaste a Tese ?”;
• Aos meus pais, avós e irmãos agradeço o apoio logístico inestimável que
permitiu tantas vezes a continuidade do trabalho para desoras e os domingos
de trabalho sossegado, sobrando a confusão para os outros;
• Ao Dr. Grangeia, Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de
Escolas de Oliveira do Douro, pela autorização concedida para a realização
desta investigação nas escolas envolvidas;
• Às professor as Luísa Castro (Coordenadora da EB1 do Outeiro) e Ana Maria
Carvalho (Coordenadora da EB1 da Formigosa) que prontamente aceitaram o
xvii
Í NDICE
I NTRODUÇÃO 1 !
Apres ent ação do Tema 3 !
Obje cti vos 5 !
Met od ol og ia d e Traba l ho 6 !
Estru tura do Trabal ho 6
1ª Parte
Fundamentos Teóricos da Aprendizagem Cooperativa
Capítulo 1
C OMPONENTES E F INALIDA DES DA A PREN DIZAGEM C OOPERATIVA 15 !
1.1 ! Introdução 17 !
1.2 ! O q ue é a Apren diz age m Coo per ati va 17 !
1.3 ! Formação de Gru pos em Aprendiz agem Cooper ativa 22 !
1.4 ! Obj ect ivo s do Trab alh o em Gr upo Coopera ti vo 35 !
1.5 ! Funções dos Alu nos nos Grupos Cooperativos 39 !
1.6 ! Compon ente s Esse ncia is da Apre ndiz agem Coope rat iva 47 !
1.7 ! As Est rutu ras de Apre ndiz agem: A Aprend iza gem Cooper ati va 55 !
1.8 ! Dif ere nças en tre a Apren diz agem Tradi ci onal e a Apren diz agem Coope rati va 64 !
1.9 ! Est ratég ias d e Utili zação da Aprendizagem Cooperativa: o Perfil do Professor 69 !
1.10 ! A Ap rendi zagem Coo pera tiv a e as Te cnol ogi as de Inf ormaçã o e Comun ica ção 80 !
1.11 ! Apre ndiz agem Coope rat iva e Educ ação Interc ult ural 94 !
1.12 ! Inconvenientes e M it os s obre a Aprendizagem Cooperativa 115 !
1.13 ! Res umo 123
xviii
Capítulo 2
A S P ERSPECTIVAS T EÓRICAS DA A PRENDIZAGEM C OOPERATIVA 125 !
2.1 ! Introdução 127 !
2.2 ! Brev e Abor dagem Histó rica da Aprend izage m Coope rati va 127 !
2.3 ! Teor ias que S ustent am a Aprendiz agem Cooperati va 131 !
Perspect iva Motivaci onal 132 !
Perspect iva Cogniti va 135 !
Outr as Per spe cti vas 148 !
2.4 ! Efei tos da Aprend izage m Coope rati va a Nív el Cognit ivo e Não Cog niti vo 152 !
Rendi mento Esco lar 154 !
Mot iv aç ão E sc ol ar 157 !
Habi li dade s S oci ais 162 !
Cria tiv idade 169 !
2.5 ! Res umo 175
Capítulo 3
A NÁLISE DAS P RINCIP AIS T ÉCNICAS DE A PRENDIZAGEM C OOPERATIVA 177 !
3.1 ! Introdução 179 !
3.2 ! Jigsaw 180 !
3.3 ! Teams Games Tour naments (TGT) 184 !
3.4 ! Student s Teams and Achie vement Div isions (STAD ) 186 !
3.5 ! Jigsa w II 190 !
3.6 ! Grou p I nves ti gat ion (GI) 192 !
3.7 ! Cir cles of Lea rning ou Learni ng Toge ther (LT) 194 !
3.8 ! CO - OP C O - OP 196 !
3.9 ! Scri pted Coope ratio n (SC) 199 !
3.10 ! Team As sist ed I ndivi duali zati on (TAI) 200 !
3.11 ! Small Group Learni ng and Teaching in Mathemat ics 203 !
3.12 ! Apre ndiz agem Co opera ti va Individualizada para o Ensino das Matemáticas
(MA CIM ) 205 !
3.13 ! Coope rati ve Int egrat ed Readi ng an d Compo sit ion (CIRC) 207 !
3.14 ! Instrução Comp lexa 208 !
3.15 ! Compar ação da s Pr inc ipa is Téc nica s d e Ap rendi zagem Coo pera ti va 212 !
3.16 ! Res umo 221
xix
Capítulo 4
A A PRENDIZAGEM C OOPERATIVA NA A CTUALIDADE E DUCATI VA P ORTUGUESA 223 !
4.1 ! Introdução 225 !
4.2 ! A Ap rendi zagem Coo pera tiv a n a Po lí ti ca Educat iv a Po rtug uesa 225 !
A Apr endi zagem Co oper ati va: u ma Compe tên ci a T ran sve rs al Ess enc ia l do Cur rí cul o
Naci onal d o En si no B ási co 226 !
Princí pios Orient adores da Acção Pedagógic a no 1º Cicl o do Ensino Bás ico e sua Relação
com a Aprendizagem Cooperativa 229 !
4.3 ! A Co nst rução de uma Esc ola Coop erat iva 231 !
O Cen ári o Actu al da Esc ola 231 !
Escola Cooper ati va: uma Exper iênc ia d e Suce sso em Port ugal 236 !
4.4 ! Importância do MEM no Contexto Ed ucativo Portugu ês: Implicações para a
Apren diza gem Cooper ati va 245 !
Mode l o Ped ag óg ic o do MEM 246 !
4.5 ! Apre ndiz agem Coope rat iva : o Es tado da Arte e m Por tuga l 250 !
4.6 ! Res umo 264
2ª Parte
Jigsaw no 1º Ciclo do Ensino Básico: Desenho e Avaliação de um
Programa de Intervenção Pedagógica
Capítulo 5
A I NTRODUÇÃO DO JIGSAW NO 1º C ICLO D O E NSINO B ÁSI CO : M ETODOLOGIA DO
E STUDO 269 !
5.1 ! Introdução 271 !
5.2 ! Plano de Trabalho 271 !
5.3 ! Formulaç ão do Proble ma 274 !
5.4 ! Obj ect ivo s da Inv est ig ação 275 !
Obje cti vo Gera l 275 !
Obje cti vos Es pecí fi cos 275 !
5.5 ! Hip óte ses d e T raba lho 276 !
Hipó tes e Ge ral 276 !
Hipó tes es Int er médi as 276 !
xx
5.6 ! Var iáv eis d e Es tu do 277 !
5.7 ! Des enho de Inv est igaç ão 277 !
5.8 ! Popula ção e Amostra 280 !
Selecçã o dos Sujeit os da Amostra 280 !
Desc riç ão da Amost ra de Pro fes sor es 283 !
Desc riç ão da Amost ra de Alu nos 284 !
5.9 ! Instrumentos 289 !
Instrume ntos de Ava liação das Va riáveis Depen dentes 289 !
Outr os Ins tr ument os 298 !
5.10 ! Apl ica ção dos In str umento s a o Gr upo Exper imen tal e ao de Control o 299 !
5.11 ! Fiabi lida de dos Inst rumentos 305 !
5.12 ! Res umo 306
Capítulo 6
O D ESENHO DE UM P ROGRAMA DE I NTERVENÇÃO P EDAGÓGICA B ASE ADO NA
T ÉCNICA J IGSAW DE A RONSON 309 !
6.1 ! Introdução 311 !
6.2 ! Plani fic ação da Técni ca Jigs aw na Aula do 4º Ano de Esco laridade do Ensi no
Básic o 3 11 !
Obje cti vos do Pr ogra ma 314 !
Requi sit os Especí fi cos de Disc ent es e Docen tes 315 !
Formação do s Gr upos Puz zl e e Construção dos Materiais Didácticos 315 !
Tempo de Imple mentaçã o do Progr ama Jigsaw 318 !
Funções do Docente no Pr ograma 320 !
6.3 ! Plani fic ação da s Ses sões Aplic adas e m Context o de Sala de au la 323 !
Planif icação /Desenv olviment o das Sessões (Sessã o 1) 325 !
Trabal ho no grupo de especiali stas 327 !
Trabal ho no grup o ini cial ou de b ase (grupo puzzle) 328 !
Refl exão/ Avali a ção 328 !
6.4 ! Formação dos Profes sores na Té cnica Puzzle de Aronson 359 !
6.5 ! Res umo 364
xxi
Capítulo 7
A VALIAÇÃO DO P ROGRAMA DE I NTE RVENÇÃO 367 !
7.1 ! Introdução 369 !
7.2 ! Aval ia ção Quant it ati va dos Resu lta dos do Prog rama 370 !
Anál ise De scr it iva da s Va ri ávei s Depe ndentes (Pr é - Teste ) 371 !
Anál ise Co mpara ti va ent re o Grupo Exp eri ment al e o d e Co ntr olo na Fa se de Pré - Teste 382 !
Anál ise Co mpara ti va: Pr é - Test e versus Pós - Teste 400 !
Anál ise Co mpara ti va ent re o Grupo Exp eri ment al e o d e Co ntr olo na Fa se de Pós - Teste 421 !
7.3 ! Aval i ação Qualitativa dos Resultados do Programa 437 !
Anál ise da s Entr evi st as aos Pr ofe ssor es 437 !
Anál ise do s Dados da Fa se de Impl ement açã o d o P rogr ama 449 !
Anál ise do s Quest io nári os aos Al unos 462 !
7.4 ! Res umo 466
C ONCLUSÕES E R ECOMENDAÇÕES 471 !
B IBLIOG RAFIA 501 !
A NEXOS 519 !
1
I NTRODUÇÃO
3
Apres entaç ão d o Tema
Neste início de século, em que se preconizam grandes mudanças na sociedade e na
escola, urge cada vez mais a necessidade de realizar investigações que possam de
alguma forma contribuir para uma reflexão crítica, construtiva e colectiva dos
profissionais da educação com vista à reconfiguração da actuação pedagógica da sua
profissão. A urgência em melhorar o fraco rendimento escolar dos alunos, assim
como fomentar as suas habilidades sociais, a sua motivação pelo estudo e a sua
criatividade, é uma necessidade reconhecida desde há muito tempo, em muitos
países, no campo da educação. Procurar alternativas que ajudem a motivar o aluno na
sua formação é uma tarefa premente na actualidade, o que poderá ser conseguido
através da aplicação da Aprendizagem Cooperativa, sem no entanto, querer cair num
optimismo ingénuo pois não é possível um progresso sustentável sem a motivação e
o esforço permanente por parte dos profissionais directamente implicados e
interessados no progresso da educação, que se quer cada vez mais democrática e
participativa.
Promove-se, deste modo, mais um desafio aos professores no sentido de
encontrarem, por si, as melhores soluções para os alunos reais que são os seus. Neste
sentido, aprender a cooperar com os outros no próprio acto de aprender, é assumir a
nossa própria condição comunitária, onde cada um não é sozinho, onde cada S er
Humano é Ser-Com-os-Outros. É necessário proporcionar aos professores que
aprendem a ensinar e se sentem atrás, e não à frente, da sua secretária, uma visão
prática e realista do que é o ensino na actualidade, valorizando não somente as
competências cognitivas mas também as não cognitivas.
Fazer da Aprendizagem Cooperativa uma alternativa pedagógica integrada como
actividade do dia-a-dia implica sentir-se atraído, pelos seus conceitos-chave que vão
desde o trabalho em equipa, a igualdade de estatuto entre os membros do grupo, a
partilha, a escuta, a envolvência, a negociação, a heterogeneidade, à familiarização
com as aprendizagens activas, com pesquisa e discussão. Adquirir uma nova cultura
de sala de aula, fazendo da cooperação uma forte aliada na prática educativa é um
desafio que vale a pena tentar, pois é uma forma de actuar pedagogicamente válida
10
grupo experimental e o de controlo, relativamente aos seus níveis de Motivação
Escolar, Habilidades Sociais, Criatividade e Rendimento Escolar, mas referente à
fase posterior à implementação do Programa.
A análise qualitativa dos dados centra- se em três momentos. O primeiro, diz respeito
à análise das entrevistas aos Professores responsáveis pelo grupo experimental e pelo
de controlo, realizadas antes da aplicação dos instrumentos de avaliação das
variáveis dependentes. O segundo momento consiste na análise da avaliação contínua
feita pelos professores durante os encontros semanais, que tiveram lugar ao longo da
implementação do Programa. Finalmente, no terceiro momento apresentamos uma
análise dos questionários administrados aos alunos do grupo ex perimental no final da
implementação do Programa, com o intuito de recolher a sua opinião acerca das
aulas ministra das com base na técnica de Aprendiza gem Cooperativa Jigsaw de
Aronson.
Por último apresentamos as conclusões reflexivas acerca deste trabalho de
investigação, do significado da Aprendizagem Cooperativa para a realidade actual do
ensino, assim como também fazemos referência às dificuldades que surgem quando
se leva a cabo uma investigação desta natureza. Sugerimos algumas recomendações
nomeadamente a necessidade de se passar a formação para dentro da profissão
docente. Há que pensar a Formação Contínua de Professores numa lógica global que
tenha em conta as novas exigências da função docente onde passem a estar incluídos
Programas de Intervenção Pedagógica que dêem resposta às necessidades de
formação relacionadas não só com os alunos (aprendizagem a todos níveis,
motivação, aproveitamento escolar, cri atividade, desenvolvimento das habilidades
sociais,....) mas também com os professores (actualização e desenvolvimento de
novos estilos de ensino mais cooperativos, dinâmicos e inovadores). Assumir uma
nova visão da profissão passa pela necessidade de incorporar na vida das escolas
práticas pedagógicas reais de Aprendizagem Cooperativa que se tornarão possíveis
quando os professores tiverem acesso a Programas de formação e de intervenção
direccionados nesta linha didáctica de metodologias activas de ensino-aprendizagem.
De facto, cooperar para aprender, supõe que previamente tanto professores como
alunos aprendem a cooperar. Face aos tempos que correm solicitamos uma especial
11
atenção para a cooperação inevitável entre todos os intervenientes do processo
educativo, onde desta forma é possível oferecer uma resposta ajustada de maneira
integral e inclusiva a cada aluno.
Neste trabalho apresenta-se uma investigação pedagógica que constituiu o suporte
fundamental para a investigação que realizámos nos últimos seis anos, originando
uma investigação mais abrangente de cariz quase-experimental, na qual tivemos
oportunidade de recorrer à Aprendizagem Cooperativa, especificamente à Técnica
Puzzle de Aronson em contexto de sala de aula, culminando na produção escrita de
uma Tese de Doutoramento. Esta dissertação pressupõe naturalmente a confirmação
do compromisso aceite inicialmente no momento da escolha do tema para a
investigação, tema esse pertinente e que acreditamos que de alguma forma contribuiu
para o avanço da investigação em educação em Portugal e a um nível de ensino
muito particular que é o Ensino Básico – 1º Ciclo.
A escolha deste tema surgiu da necessidade sentida de querer conhecer e
experimentar uma diferente proposta de actuação pedagógica, com o objectivo de
trazer para o contexto educativo português uma forma de estar diferente partilh ada
através de uma metodologia de ensino mais inovadora e interactiva que desperta nos
alunos a sua motivação escolar, potencia as suas habilidades sociais, melhora o seu
rendimento escolar e promove a sua criatividade.
Outra motivação que esteve na base da eleição deste tema prendeu- se ainda à
vontade de querer divulgar e dar formação em Aprendizagem Cooperativa a um
maior número de docentes possível e interessados em mudar as suas práticas
pedagógicas. Sendo assim, a estrutura deste trabalho culmina com o início da
realização de mais uma etapa motivadora que ocorreu no final deste percurso de
investigação através da apresentação de uma proposta ao Centro de Formação de
Professores Gaia Nascente ( em Vila Nova de Gaia) que a viu com bons olhos e
orientou o processo de candidatura para a realização de um curso de formação nesta
área. A proposta de candidatura foi dirigida ao Conselho Científico-Pedagógico da
Formação Contínua de Professores (na cidade de Braga) e cuja resposta veio
favorável neste sentido e com o início previsto para a sua realização a partir do Ano
Lectivo 2011/2012.
13
1ª Parte
Fundamentos Teóricos da Aprendizagem
Cooperativa
15
Capítul o 1
C OMPONENTES E F INALIDADE S DA
A PRENDIZAGEM C OOPERA TIV A
17
1.1 Introdução
Neste capítulo abordamos o conceito de Aprendizagem Cooperativa, partilhamos a
forma como se constituem grupos de trabalho em Aprendizagem Cooperativa,
clarificamos os objectivos do trabalho de grupo e apresentamos as funções dos
alunos nos grupos cooperativos. De seguida, apresentamos os componentes
essenciais da Aprendizagem Cooperativa e abordamos igualmente as estruturas de
Aprendizagem Cooperativa. Estabelecemos as diferenças entre a Aprendizagem
Tradicional realizada a nível individual e a Aprendizagem Cooperativa que ocorre
em grupo, apontando-se também algumas estratégias de utilização da Aprendizagem
Cooperativa, tendo em conta o comportamento do professor. Destacamos ainda a
relevância da Aprendizagem Cooperativa no processo de ensino-aprendizagem,
dando-se particular destaque às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Damos a conhecer a existência de certos mitos acerca da Aprendizagem Cooperativa
que é necessário desmistificar. Por último, apresentamos a visibilidade que a
Aprendizagem Cooperativa assume enquadrada numa perspectiva de educação
intercultural.
1.2 O qu e é a Aprend izag em Coo pera tiv a
A Aprendizagem Cooperativa é um modelo de ensino que vai para além da ajuda aos
alunos na aprendizagem de conteúdos e competências escolares considerando
importantes metas e objectivos sociais e de relações humanas. Trata-se duma
metodologia educativa inovadora, com o potencial necessário para mudar as práticas
pedagógicas nas escolas do Ensino Básico e Secundário. Baseia-se num enfoque
construtivista que faz da tutoria de pares o seu eixo fundamental (Santos Rego,
Lorenzo Moledo & Priegue Caamaño, 2009). Visa alcançar objectivos educacionais
que vão para além da aprendizagem académica, nomeadamente a aceitação entre
grupos, as competências sociais e de grupo, e o comportamento cooperativo. Assim,
a Aprendizagem Cooperativa, para além das vantagens cognitivas e académicas que
18
apresenta, está estreitamente ligada ao desenvolvimento sócio-afectivo dos alunos
(Santos Rego, 1999c).
Esta metodologia de ensino apresenta-se como uma possível solução pedagógica
perante as necessidades da sociedade contemporânea e o próprio paradigma
dominante no ensino. De uma forma genérica, Lobato Fraile (1998, p. 23) define
Aprendizagem Cooperativa como “un movimiento basado, por un lado, en un
conjunto de principios teóricos y una modalidad de organización de los grupos,
según los cuales los/as estudiantes deben trabajar para conseguir resultados más
significativos para todos/as. Y por otro, en estudios e investigaciones experimentales
que, confrontando los resultados obtenidos aplicando las tres modalidades
didácticas (cooperativa, competitiva e individual), se proponen lograr un aumento
motivacional, un mejoramiento del clima del aula y un desarrollo de las habilidades
sociales” .
Através desta metodologia, os alunos estão em pequenos grupos e todos têm a
possibilidade de participar e trabalhar j untos numa actividade estruturada, que lhes
permite claramente perceber e desenvolver os objectivos que se pretendem explorar.
As situações de Aprendizagem Cooperativa são aquelas em que o aluno só consegue
alcançar os seus objectivos quando o resto dos membros do grupo também consegue
os seus (Santos Rego, 1999c).
É uma metodologia servida por um conjunto de técnicas específicas a utilizar em
situações educativas em vários níveis de escolaridade, acompanhadas por diversos
materiais de estudo como por exemplo: textos, cartões puzzle , fichas de trabalho,
guiões, que requerem tempo para os preparar. Ess as técnicas têm sido aplicadas em
contexto de sala de aula, apresentando resultados promotores de sucesso escolar. O
Centro de Educação Infantil e Primária Colegio Santiago Apóstol (Valência) é um
exemplo actual de trabalho pedagógico em equipa coordenado por García Lópe z e
Francisco Amat (2009). Neste Programa de intervenção são utilizadas várias técnicas
e materiais revelando ser possível transformar um centro escolar numa escola
cooperativa, como veremos mais adiante. A Aprendizagem Cooperativa apresenta
como um dos principais objectivos contribuir para o melhoramento do rendimento
19
escolar dos alunos, mas que só será possível se de facto trabalharem em grupo, se
forem capazes de tirar proveito das vantagens que o trabalho em grupo propicia.
Contudo, é importante sublinhar que não são poucas as vezes em que se verifica uma
exagerada preocupação pelo rendimento escolar dos alunos em prejuízo de outras
vertentes igualmente essenciais para o seu processo de formação harmonioso. A este
propósito, León del Barco, Gozalo Delgado, Felipe Castaño, Gómez Carroza e Latas
Pérez (2005, p. 13) enfatizam “a la excesiva preocupación por la productividad y
rendimiento del aprendizaje cooperativo en detrimento de otras consecuencias del
mismo, como la relativización de los puntos de vista, el desarrollo social, la
integración, la adquisición de habilidades sociales, el desarrollo de motivación
intrínseca…” . Deste modo, torna-se necessário que o professor esteja atento a fim de
não mergulhar neste terreno desagradavelmente arriscado, tendo sempre em mente
que a Aprendizagem Cooperativa “é un cambio de comportamiento en un sujeto
como consecuencia de la interacción con otros, en una tarea educativa que requiere
aunar esfuerzos” ( idem , p. 14).
Através da Aprendizagem Cooperativa, os alunos aprendem ainda a resolver os seus
conflitos e juntos formam uma equipa coesa que os ajuda não só a desenvolver as
suas habilidades sociais mas também a obter melhores resultados nos seus estudos. O
objectivo é ensinar e aprender a viver juntos através da i nteracção. Segundo Bessa e
Fontaine (2002, p. 37), “esta alternativa pedagógica, ao valorizar o papel dos pares
no processo ensino-aprendizagem, a promoção das competências sociais e a
satisfação de objectivos individuais em quadros sociais de interdependência e
reciprocidades, f ornece uma resposta clara e adequada aos desafios pós-modernos”.
Referem que a Aprendizagem Cooperativa se caracteriza pela divisão da turma em
pequenos grupos constituídos de forma a existir uma heterogeneidade de
competências no seu interior, permitindo assim que os alunos desenvolvam
actividades conjuntas.
Na perspectiva de Fontes e Freixo (2004), na Aprendizagem Cooperativa há primeiro
a partilha entre todos os elementos do grupo cooperativo e depois com toda a turma,
procurando-se diminuir assim a competição que actualmente a escola fomenta e
desenvolve e que tem conduzido a um enfraquecimento de valores sociais colectivos.
26
diferentes elementos de um grupo de alto rendimento é tal que Johnson,
Johnson e Holubec (1999, p. 18) citam Ken Hoepner, da equipa de Burlington
Northern, que a este propósito refere que não só confiam uns nos outros, não
só se respeitam mutuamente, mas cada um interessa-se muito mais com os
demais membros do grupo. Se vêem que algum está a passar um mau
momento não vacilam em oferecer-lhe ajuda. Contudo, os grupos de alto
rendimento são muitos raros pois a maioria dos grupos não chega a atingir
este nível de desempenho e rendimento.
Neste seguimento, para quem des eja implementar a Aprendizagem Cooperativa nas
suas aulas, a constituição dos grupos de trabalho é um aspecto primordial. Assim, o
grande grupo-turma deverá ser dividido em pequenos grupos, desenvolvendo os seus
elementos um sentimento de pertença a esse grupo, designado por “espírito de
grupo”. Para que se desenvolva o “espírito de grupo” é necessário que os elementos
do grupo se conheçam minimamente, e isto torna-se possível através de actividades
específicas que o professor organizará e realizará com os alunos. Durante as aulas de
Aprendizagem Cooperativa, os professores vão ajudar os alunos a fazer as transições
para os seus pequenos grupos, ajudá-los a gerir o seu trabalho e ensinar-lhes
importantes competências sociais e de grupo. A orientação do professor numa aula
de Aprendizagem Cooperativa altera o s eu papel de actor principal numa peça, para o
de coreógrafo de uma actividade de pequenos grupos.
Em Aprendizagem Cooperativa, uma situação efectiva de trabalho de grupo ocorre
quando se cria a possibilidade de cada elemento do pequeno grupo participar numa
tarefa designada para si, esperando-se que realize essa tarefa sem a supervisão
imediata e directa do professor. Para que o trabalho fique concluído os alunos
precisam uns dos outros para o completar. Neste processo de interacção, os alunos
apresentam necessariamente um comportamento implicativo, participativo e activo.
De acordo com esta perspectiva de formação de grupos em Aprendizagem
Cooperativa, Lobato Fraile (1998, p. 24) refere que “el aprendizaje cooperativo en
grupos pequeños es un enfoque interactivo de organización del trabajo en el aula
según el cual los alumnos aprenden unos de otros así como de su profesor y del
entorno. Los alumnos que trabajan en un marco cooperativo unen sus ideas y sus
27
fuerzas para aprender de manera más eficaz. La experiencia de haber contribuído de
manera útil a los esfuerzos del grupo, refuerza los sentimientos de competencia y
confianza en los mismos alumnos” .
Quanto à formação dos grupos propriamente dita, esta variará de acordo com os
objectivos que os professores estabelecerem para as suas aulas. Tem havido alguma
investigação que pode orientar a formação dos grupos ou equipas de alunos. Na sua
maioria, aponta para as vantagens de grupos seleccionados pelos professores de
forma a garantir uma boa combinação de géneros, etnias e aptidões. Contudo,
existem três possibilidades de os constituir. Primeiramente, estes podem ser
formados ao acaso, o que poderá ocorrer nos primeiros dias de aulas quando há
necessidade de fortalecer o espírito de grupo ou ainda, pontualmente, quando os
alunos já estão familiarizados com as estratégias utilizadas em Aprendizagem
Cooperativa. Distribuir os alunos ao acaso é a maneira mais fácil de o fazer, contudo,
também é aquela que nos parece menos indicada para garantir a heterogeneidade dos
grupos de Aprendizagem Cooperativa. A segunda possibilidade de constituição dos
grupos tem a ver com o facto de serem os próprios alunos a fazer a escolha. Ao
aceitar esta possibilidade, o professor corre o risco de ter perante si grupos de amigos
e não propriamente grupos de trabalho cujo objectivo principal é a aprendizagem.
Contudo, esta situação poderá ocorrer se for por um período curto de tempo. Por
último, os grupos podem ainda ser f ormados pela escolha do professor. Este deve
estar consciente de que algumas características da constituição dos grupos podem ter
de ser sacrificadas, de maneira a satisfazer outras. Mas quando o docente já conhece
os seus alunos em termos de estrutura pessoal e das próprias capacidades intelectuais,
a nível de habilidade e de competência, a nível de aptidão e de desempenho dos
alunos, esta é sem dúvida a possibilidade mais indicada para a constituição de grupos
que funcionem de forma equilibrada privilegiando a heterogeneidade. De acordo com
esta característica, Ovejero (1990, p. 177) refere que “conviene que sean
heterogéneos, pues el pensamiento más elaborado, una mayor frecuencia tanto en
dar como en recibir explicaciones y una perspectiva más amplia en las discusione s
son más frecuentes en los grupos heterogéneos, lo qual lleva a una profunda
comprensión del material, a una mejor calidad del razonamiento y a una más
precisa retención a largo plazo” .
28
Johnson e Johnson (1999b) e Johnson, Johnson e Holubec (1999), consideram que
existem três tipos de grupos de Aprendizagem Cooperativa: grupos formais de
aprendizagem cooperativa, grupos informais de aprendizagem cooperativa e grupos
cooperativos de base. Clarke, Wideman e Eadie (1992) referem mais dois grupos de
aprendizagem, os grupos de aprendizagem combinados e os grupos de aprendizagem
representativos:
1. Grupos formais de Aprendizagem Cooperativa: este tipo de grupo de
aprendizagem pode ter a duração de uma aula a várias semanas de aulas ou
mesmo permanecer durante um ano e está adequado a qualquer conteúdo ou
tarefa. Nestes grupos os alunos envolvem-se activamente nas tarefas
intelectuais de organizar o material necessário à realização da tarefa,
explorando-o, resumindo-o, integrando-o nas estruturas conceptuais já
existentes. O professor ao utilizar grupos formais de Aprendizagem
Cooperativa deve ter em conta os seguintes requisitos:
a. Definir os objectivos para a aula;
b. Organizar a actividade (tamanho do grupo, modo de formação dos
grupos, distribuição de papéis, organização da aula e distribuição
materiais necessários para a realização da tarefa);
c. Explicar a tarefa e a estrutura cooperativa;
d. Supervisionar a aprendizagem dos alunos e intervir nos grupos
quando for necessário para melhorar o desempenho do grupo;
e. Avaliar a aprendizagem dos alunos e avaliar o desempenho do grupo.
2. Grupos informais de Aprendizagem Cooperativa: nestes grupos de
aprendizagem os alunos interactuam só durante alguns momentos tendo, por
isso, os grupos uma duração curta que pode variar entre breves minutos e
uma aula. São grupos que podem ser utilizados durante uma actividade
directa nomeadamente em explicações, demonstrações ou ainda quando se
visualiza um filme com o objectivo de captar a atenção dos alunos sobre o
29
conteúdo que se está a tratar, evitando assim a dispersão dos alunos. Estes
grupos, para além de envolverem activamente os alunos na compreensão do
que se está aprendendo, proporcionam ao professor tempo para que este se
reorganize, tire as suas notas, circule pela aula para ouvir os comentários dos
alunos e assim verificar se estes estão a compreender as explicações e a
integrar os conceitos nas estruturas conceptuais já existentes durante as
actividades de aprendizagem directa.
3. Grupos de base de Aprendizagem Cooperativa: são grupos heterogéneos
sempre com a mesma constituição e de longa duração (duram pelo menos um
ano). O objectivo principal destes grupos de aprendizagem é fazer com que
todos os elementos do grupo se ajudem mutuamente, s e apoiem na realização
das tarefas propostas aumentando a motivação para que a eficácia do trabalho
de grupo seja cada vez maior, e assim permitir que se estabeleçam relações
pessoais e de trabalho a longo prazo. Há dois tipos de grupos cooperativos de
base: os grupos de base da aula e os grupos de base da escola.
a. Grupos de base da aula . O grupo deve ter uma identidade. Todos os
elementos do grupo devem conhecer-se trocando informação sobre as
suas actividades pessoais para se encontrarem fora do horário escolar.
Todos os elementos contribuem activamente para o resultado do
grupo, esforçam-se por manter relações de trabalho eficazes com os
restantes, realizam todas as actividades e ajudam cada elemento
individualmente verificando a aprendizagem individual e grupal.
Demonstram acordo com o trabalho realizado pelo grupo fazendo um
contrato semanal.
b. Grupos de base da escola . Estes grupos devem manter-se unidos pelo
menos durante um ano, o ideal seria durante o ciclo de ensino. Estes
grupos formam-se no início do ano e os horários devem organizar- se
de modo a que todos os membros do grupo possam assistir juntos ao
maior número de actividades. Os grupos reúnem-se no início e no
final de cada dia ou semana, com a finalidade de partilharem o que
aprenderam e como o poderão aplicar em futuras tarefas ou
30
act ividades. Estes grupos podem ainda definir objectivos para a
semana de trabalho e avaliar que tipo de ajuda podem dar dentro do
grupo a cada um dos elementos, bem como definir objectivos para o
fim -de-semana. Devem ainda desenvolver esforços e responsabili zar -
se na execução das tarefas de modo a alcançar o êxito da escola.
Avaliam o seu progresso académico e discutem o modo como podem
superar as dificuldades.
Clarke et al. (1992) consideram que estes grupos são extremamente
importantes já que a heterogeneidade que eles apresentam (étnica, género,
atitudes e antecedentes dos alunos) conferem ao grupo perspectivas e talentos
diferentes. Deste modo os alunos adquirem gradualmente uma compreensão,
uma estima e respeito pelos que são diferentes de si. Estes grupos de base
promovem o desenvolvimento social e pessoal, pois permite que os alunos
adquiram um sentimento de partilha, aumente o respeito por si e pelos outros,
ajudando-os a resolver conflitos e a contribuir para o bem-estar dos seus
colegas originando mesmo novas amizades. Também no domínio cognitivo
estes grupos desempenham um papel importante, já que oferecem aos alunos
a possibilidade de articular a sua aprendizagem, de receber um feedback dos
seus pares e partilhar a informação e os conhecimentos. Como estes grupos
são de longa duração, oferecem aos alunos um quadro ideal para a
aprendizagem das competências cooperativas. Ao proporcionar a reflexão e a
definição de novos objectivos, o nível de confiança aumenta no seio do grupo
e os alunos aprendem a estar uns com os outros apoiando-se mutuamente e
desenvolvendo esforços para trabalhar de uma maneira mais eficaz.
4. Grupos de aprendizagem combinados: estes grupos formam-se pela
associação de dois ou mais grupos que combinam e planificam o seu trabalho
em co njunto. As combinações podem ser aleatórias ou basear-se na
proximidade dos grupos. No entanto, podem igualmente assentar numa
comunidade de interesses ou pontos de vista. A decisão de combinar grupos
pode ser tomada pelos alunos ou determinada pelo professor.
31
Os grupos podem ser consultados ao longo da fase de planificação inicial
para definir um problema, elaborar questões de pesquisa, discutir métodos de
trabalho, estabelecer critérios de sucesso ou considerar a forma da
apresentação. Os grupos podem encontrar-se no decurso da tarefa para
comparar o trabalho, partilhar competências e produzir uma base de dados
colectiva. Os encontros dos grupos combinados são habitualmente breves e
assentam numa sub-tarefa no contexto de uma tarefa mais elaborada. No
final, cada grupo faz a apresentação do resultado de seu trabalho, evitando
assim o tédio das sequências de apresentações por pequenos grupos.
5. Grupos de aprendizagem representativos : estes grupos são compostos por um
membro de cada grupo de base, podendo os representantes de cada grupo
serem nomeados pelo professor ou indicados pelo grupo. Este tipo de grupo
permite a discussão do trabalho de cada grupo no seio da turma. Cada
representante do grupo de base participa num encontro semanal para informar
o professor do percurso dos membros do seu grupo. Estas sessões permitem
ao professor comunicar com todos os grupos por intermédio do seu
representante. O professor aproveita igualmente esta ocasião para ensinar
habilidades ou competências organizacionais aos representantes dos grupos
que, por sua vez, as ensinam aos seus colegas de grupos de base.
Os membros do grupo representativo podem reunir-se dentro ou fora da sala
de aula. Discutem problemas comuns e partilham ideias e recursos
apresentam soluções. Após a reunião, os representantes de cada grupo de base
devem informar todos os elementos do seu grupo das decisões tomadas e das
conclusões tiradas.
Sales Ciges (2006) refere que quando se trabalha em grupos cooperativos existe
necessariamente uma ajuda mútua entre os membros do grupo requerendo tempo
para solucionar problemas e conflitos que surgem e que proporcionam aprendizagens
aos alunos. Estas aprendizagens ocorrem em sessões específicas onde se trabalha
atitudes, habilidades sociais, e destrezas que são necessárias ao trabalho cooperativo.
Planifica-se o trabalho, estabelecem-se normas de funcionamento e faz-se a gestão de
conflitos. Nas actividades de Aprendizagem Cooperativa o professor assume um
32
papel de aconselhamento e de seguimento do trabalho de cada grupo fazendo
sugestões acerca de como proceder ou encontrar informação.
A mesma autora (2006, p. 210) refere que os trabalhos em grupos cooperativos são
essencialmente de três tipos:
• Actividades da aula: trata-se de tarefas breves com objectivos muito
definidos. Não duram mais que uma sessão criando-se grupos esporádicos (de
constituição aleatória). Terminadas as actividades da aula, os grupos
dissolvem- se.
• Práticas em grupo: trata-se de actividades complexas de análises de casos,
resolução de problemas e dúvidas, e desenvolvimento de respostas criativas
que requerem várias sessões de trabalho dentro e fora da aula, em tutorias
grupais. Nestes caso, os grupos formados voluntariamente são mais estáveis o
que implica uma organização interna prévia, com normas de funcionamento e
papéis determinados entre os seus membros.
• Grupos de investigação: trata-se de actividades voluntárias de investigação
sobre temas concretos da matéria. O critério da formação dos grupos é o
interesse pelo tema e o número de elementos não deve exceder os quatro
elementos para não dificultar o seu funcionamento e a sua organização. As
tarefas realizam-se sempre fora da aula e o papel do professor é de
acompanhamento no horário tutorial.
Estes três tipos de agrupamentos cooperativos permitem aos alunos trabalhar com
diferentes colegas e organizar-se seguindo diferentes critérios, estratégias e
objectivos.
Relativamente à dimensão do grupo, convém que esta seja reduzida pois se se quer
que o grupo funcione é necessário que todos os elementos se olhem mutuamente, o
que Johnson e Johnson (1999b) designam por interacção prom ocional face-a-face ,
como veremos mais adian te . Assim, na Aprendizagem Cooperativa pode-se trabalhar
tanto em pares, como em tríades, como ainda em grupos de quatro ou seis elementos.
O tamanho do grupo depende dos objectivos que se pretendem alcançar, do tempo
33
que for definido para realizar a tarefa, depende também da complexidade da própria
tarefa, da experiência que os alunos têm em trabalhos de grupo, da sua idade e dos
materiais que se vão utilizar ( idem ).
Existem outros aspectos fundamentais a ter em consideração ainda em relação à sua
dimensão. Por um lado, quanto mais reduzido for o grupo, mais rapidamente se
podem identificar a suas dificuldades, fortalecer a coesão, promover a avaliação, a
responsabilização individual, e mais difícil se torna que alguns dos elementos não
trabalhem. Por outro lado, quanto maior for o grupo, mais difícil é a participação de
cada membro e torna-se também mais difícil chegar a um consenso. No fundo, é a
própria tarefa que ajuda a decidir qual o tamanho mais adequado para o grupo.
Kagan (1989, cit in Freitas & Freitas, 2002, p. 41) considera que a participação
activa, base da Aprendizagem Cooperativa, é melhor conseguida quando se formam
grupos de quatro elementos (ver Figura 2), argumentando que:
- Muitas vezes em vários métodos promove-se o trabalho em pares dentro do
grupo;
- Em grupos de 3 elementos muitas vezes só interagem 2 elementos
marginalizando-se um deles;
- Num grupo de 4 elementos será possível encontrar diferenças de
desenvolvimento que potenciam maior progresso baseado na interacção.
(Fonte: Ka gan, 1989, p. 6, cit in Freit as & Fr eitas , 2002, p. 41)
Figura 2 – Nº po ssí vel de pa res e m gr up o s de 3 e 4 elementos
1
2
3
1
2
3
4
5
6
34
A disposição ideal de uma aula quando se pretende usar a Aprendizagem
Cooperativa deve privilegiar o uso de mobiliário leve que seja fácil de transportar de
um lugar para outro. As mesas devem ser redondas não só para que os membros que
constituem o grupo se possam sentar em círculo e consigam comunicar de forma
eficaz, mas também para que o docente consiga aceder a cada grupo mais facilmente.
Segundo Ovejero (1990, p. 178) “c olocar a los grupos en mesas rectangulares
constituye un error, muy frecuente por outra parte, pues no permite el contacto
ocular entre todos los miembros del grupo y porque no todos están en igualdad de
«estatus físico»” .
Quanto à durabilidade do grupo, depende muito se os alunos estão ou não
familiarizados com a Aprendizagem Cooperativa. É fundamental que os alunos
interiorizem logo desde o início que não haverá grupos fixos, duradouros, uma vez
que acabam por surgir conflitos naturais que só prejudicarão a aprendizagem.
Contudo, é importante referir que numa fase inicial de adaptação a esta nova
metodologia, é proveitoso que os grupos tenham uma experiência relativamente
prolongada. No caso de turmas que quase diariamente dediquem algum tempo ao
trabalho de grupo em Aprendizagem Cooperativa poder- se -á apontar um período
suficiente de mês e meio a dois meses, para depois se rodarem os elementos dos
grupos (Freitas & Freitas, 2002). Na perspectiva de Ovejero (1990, p. 178), em geral
será conveniente que “(…) los grupos permanezcan con los mismos miembros
durante un curso entero o, al menos, durante un trimestre” .
Na realidade, é necessário possibilitar o tempo necessário ao grupo de aprendizagem
para que este consiga alcançar o nível e a qualidade de funcionamento que se
expressará na construção e transformação do seu conhecimento, na identidade
individual e grupal não somente a nível cognitivo mas também nas dimensões
emocional e social. A este respeito Lobato Fraile (1998, p. 17) enfatiza que “el nível
y la calidad del funcionamiento de un grupo de aprendizaje se miden sobre su
capacidad de constituirse como sujetos de construcción y transformación de
conocimientos y de identificación de los individuos, y del propio grupo, evitando
todo aquello que reduzca al grupo a mero instrumento de producción o a un gheto
estéril en rendimiento” .
35
Assim sendo, desfazer um grupo de trabalho que revela dificuldades no seu
funcionamento é contraproducente, pois não permite que os alunos aprendam as
competências necessárias à resolução de problemas, podendo mesmo surgir a ideia
errada de que quando surge um conflito o melhor caminho é a desistência da
resolução desse conflito. A resolução de um conflito dentro do grupo com o
empenho de todos os elementos aumenta a coesão e a maturidade do grupo (Johnson
& Johnson, 1999b).
A este propósito, Putnam (1997, cit in Freitas & Freitas, 2002, p. 42) refere que “os
alunos num grupo devem permanecer juntos o tempo suficiente para que o grupo
ganhe identidade”. Em qualquer caso, não será desejável manter os grupos durante
um período demasiado longo pois a primeira finalidade da Aprendizagem
Cooperativa é aproximar, criar oportunidades de compreender diferentes pontos de
vista dependendo, como é óbvio, das competências de cooperação adquiridas.
1.4 Obje cti vos do Traba lho em Gr upo Coo perat ivo
Num modelo de Aprendizagem Cooperativa, o trabalho de grupo é uma estratégia
eficaz para se poderem alcançar alguns objectivos tanto de carácter social como
intelectual (Lobato Fraile, 1998).
No que diz respeito aos objectivos de ordem social estão implícitas as relações
interpessoais. Este facto é possível verificar através de várias investigações
realizadas em ciências sociais em que, os elementos constituintes de grupos
cooperativos são mais susceptíveis à f ormação de laços de amizade e exercem mais
influência uns em relação aos outros, do que os alunos que se encontram inseridos
em grupos de trabalho do método tradicional onde se constata a presença forte de
competição entre os membros. A este respeito Ovejero (1990) evidencia que o
trabalho de grupo proporciona mais atracção interpessoal entre os alunos e possib ilita
o surgimento de atitudes mais positivas entre alunos e alunas com diferenças visíveis.
42
- Facilitador de comunicação : coordena toda a actividade do grupo, assegura
que todos compreendem as instruções, orienta a elaboração de todo o plano
de trabalho e estimula a participação de todos os elementos do grupo;
- Legislador / Inovador: propõe normas para o funcionamento do grupo ou
para a avaliação do processo grupal;
- Observador/Comentador : regista o desempenho de cada um dos elementos
do grupo para a execução da tarefa, anota e apresenta os progressos
realizados pelo grupo.
- Seguidor : segue o grupo passivamente, aceita as ideias dos outros e serve de
auditório nas discussões e decisões;
- Verificador : regista as respostas do grupo e arquiva todo o material que o
grupo produziu;
- Intermediário : solicita, quando necessário, ajuda ao professor para a
resolução de situações mais difíceis.
B) Categoria 2 - Funções que favorecem o desenvolvimento das tarefa e projectos de
grupos : permitem que o grupo programe e desempenhe com maior eficácia as
suas tarefas.
- O Iniciador/Impulsionador : sugere ou propõe novas ideias, novos enfoques,
objectivos e também soluções face às dificuldades e obstáculos;
- O Procurador de Informações : pede esclarecimentos sobre os factos para
obter informações autorizadas;
- O Procurador de Opiniões : pergunta pelos valores que estão em jogo e traz
as sugestões que se fazem;
- O Opinante : expressa a sua opinião f ace a uma sugestão alternativa
mantendo-se firme relativamente aos valores que devem guiar o grupo;
43
- O Informador : contribui para f azer generalizações dignas de crédito ou
descreve a sua própria experiência em relação ao problema que possa surgir
no grupo;
- O Elaborador : explica as sugestões através de exemplos já desenvolvidos e
prevê como irá funcionar uma proposta ou sugestão;
- O Coordenador/Mediador : mostra a relação entre as diferentes opiniões e
sugestões e coordena as diferentes actividades, está atento à interacção entre
os diferentes elementos do grupo, procura harmonizar os conflitos que
possam surgir, mantém a comunicação entre todos os elementos do grupo;
- O Orientador : define a posição do grupo face aos seus objectivos e
questiona a sua direcção se acredita que há equívocos;
- O Registador : anota as sugestões, regista as discussões e as conclusões, é a
memória do grupo;
- O Controlador : controla o tempo e lembra os prazos para a realização das
tarefas propostas, faz a previsão do tempo necessário para a execução de cada
etapa do trabalho e controla o ruído e o tom de voz;
- - O Estimulador/Dinamizador : encoraja à intervenção e à decisão de todos
os elementos do grupo, estimula a participação e promove a integração de
todos os elementos do grupo encorajando comportamentos pos itivos.
Estimula a que todos façam mais e melhor;
- O Avaliador Crítico: mede o desempenho de cada elemento do grupo na
execução das diferentes tarefas, pergunta se a sugestão dada é “prática”, é
“lógica”. Faz a avaliação do trabalho realizado pelo grupo.
C) Categoria 3 - Funções que servem de obstáculo ao mantimento e às tarefas do
grupo : ocorrem quando as actuações dos membros do grupo se realizam apenas
para satisfazer as suas próprias necessidades, ou seja, são realizadas em função
de si próprios e não em função do grupo. Estas funções apresentam-se como um
obstáculo à coesão grupal. Salientam-se as seguintes:
44
- O Agressor : actua de muitas maneiras: rebaixando os outros, atacando o
grupo com piadas ofensivas ou com inveja evidente.
- O Bloqueador : é negativo e adverso (contraditório), opõe -se sem razão e
tende a reatar problemas que o grupo já tinha solucionado ou evitado.
- O Confessado : utiliza o grupo para como auditório para expressar
sentimentos ou ideias pessoais que nada têm a ver com o grupo.
- O Interessante : procura chamar a atenção vangloriando-se ou assumindo
posturas excêntric as ou ainda lutando para nunca ficar numa situação de
inferioridade;
- O Descomprometido : faz um alarido pela sua falta de integração no grupo,
de forma cínica, com piadas pesadas, indiferença,…
- O Dominador : procura dominar ou manipular o grupo ou alguns dos seus
membros com adulação ou impondo-se como “superior”, ou
interrompendo,…
- O Procurador de ajuda : procura atrair a compreensão dos outros mostrando
insegurança ou desacreditando-se a si próprio sem razão.
Cada elemento do grupo desempenha, logicamente vários papéis segundo a sua
maturidade, as suas actividades, as suas circunstâncias e as suas próprias capacidades
e as do grupo. Mas também cada membro tem os seus próprios problemas ou
obstáculos em relação a esses papéis.
Johnson, Johnson e Holubec (1999) consideram que se podem atribuir outros papéis,
nomeadamente no que diz respeito à gestão dos recursos, bem como no domínio
cognitivo que se deve reflectir na análise crítica do trabalho final do grupo, tendo por
base a análise, a síntese e a avaliação do produto final.
Estes autores defendem ainda, que deverá ocorrer uma preparação prévia para os
papéis a desempenhar. Os alunos deverão c omeçar por trabalhar juntos algumas
vezes sem lhes ser atribuído qualquer papel, e à medida que forem adquirindo
45
competências cooperativas, os papéis vão sendo gradualmente introduzidos. Deverá
ser o professor a decidir quem, numa determinada actividade, vai desempenhar
determinado papel. O facto de os papéis serem rotativos evitará protestos por parte
dos alunos e assim permite que todos os elementos do grupo desempenhem o maior
número de vezes o mesmo papel. Este princípio de rotatividade permite que os
diferentes papéis vão sendo interiorizados ao longo do tempo e o professor poderá
conjugar papéis de diferentes categorias e elevar o seu grau de dificuldade.
Cohen (1994a) refere que esta caracterização dos papéis não deve confundir-se com
a divisão de trabalho decorrente do trabalho em si, não deve ser considerada de
forma rígida, não só porque é necessariamente discutida com os alunos, mas também
porque pode e deve adaptar-se às características das actividades. Os diferentes
aspectos de que se reveste cada uma das funções a desempenhar deverão ser do
conhecimento de todos (ver Quadro 1) onde conste o papel a desempenhar por cada
elemento e as tarefas que ele tem que desempenhar, sendo aconselhável a discussão
dos diversos papéis no grupo com os alunos e, por exemplo, criar com eles uma lista
de verificação que lhes permita uma análise mais objectiva (Johnson, Johnson &
Holubec, 1999).
Na mesma perspectiva encontra- se Lobato Fraile (1998) quando refere que cada
elemento pode desempenhar mais do que um papel dependendo das actividades, das
capacidades e do treino que o grupo tem neste domínio. Considera que existem
papéis que têm um poder mais simbólico enquanto outros têm um poder mais
funcional.
46
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Papéis dentr o do grupo
Cate gori a 1
Obser vad or/ Coment ado r
- Regista e anot a o s f acto s d esempe nhados co m o
desempenho de cada um;
- Aprese nta as su as obs erva çõe s e os pr ogr ess os
realizados pe lo grupo.
Facil itado r de Comunic ação
- Lê e re corda as inst ruções for necid as;
- Estimula a pa rti cipaçã o de todos os elemen tos do
grupo.
Conci lia dor
- Encoraja e f elic ita o trabalho de to dos os eleme ntos;
- Previne conf lit os.
Verif icado r
- Certif ica - se que o trabalho está a ser elaborado;
- Regista as re spos tas e arqui va todo o mater ial .
Cate gori a 2
Controlador
- Lembra os prazo s;
- Control a o te mpo pa ra a realização das tarefa s;
- Control a o ruí do e o tom de voz.
Coordenador/Mediador
- Coordena as dive rsa s op ini ões;
- Coordena as dif eren tes act ivi dades .
Gest or de rec urs os/ Aval iad or
- Recolhe mate ria l q ue p ossa ser vir de apoi o à re ali zaçã o
da taref a;
- Pede esclar eciment o sobre fact os par a a s ua melhor
compreensão;
- Avali a a pr est açã o d o g rupo pa ra a real ização da s
tarefas.
Regist ador/ Est imulad or
- Anota as sug est ões ;
- Regista as di scus sões e deci sões .
- Estimula a pa rti cipaçã o de todos os elementos;
- Encoraja a i nter venção de t odos;
- Promove a int egraçã o de t odos os ele mentos.
(Fonte: Rib eiro, 2006, p. 56)
Quadr o 1 - Ficha di stri buída ao grupo
47
1.6 Compone ntes Ess enci ais da Aprendiz agem
Cooper ati va
A Aprendizagem Cooperativa baseia-se em cinco componentes, princípios ou
características que não actuam isoladamente e justificam o seu sucesso: a
interdependência positiva, a interacção estimulante face-a-face, a responsabilidade
pessoal pela aprendizagem, treino de competências sociais (ou uso apropriado de
habilidades interpessoais) e avaliação/reflexão do processo do trabalho de grupo.
(Fonte: John son, Johnso n & Holu bec, 1999, p. 22)
Figura 3 – Component es e ssenciais da A prendizagem C oope rativa
Sem dúvida que um dos aspectos mais significativos da Aprendizagem Cooperativa
passa pela aceitação, por parte de todos os elementos do grupo, de que só podem
atingir os seus próprios objectivos se os restantes membros atingirem os deles,
verificando-se assim uma interdependência positiva.
A Interdependência positiva ocorre quando os elementos do grupo, para
conseguirem realizar com êxito uma tarefa, coordenam os seus esforços de tal forma
que partilham os seus recursos, apoiam-se mutuamente e celebram juntos os seus
êxitos, uma vez que não os alcançam uns sem os outros. Deste modo, todos os
elementos do grupo têm tarefas destinadas e são responsáveis por elas e entendem
que se falharem não são eles que falham mas sim o grupo.
Na perspectiva de Kagan (1989, cit in Freitas & Freitas, 2002, p. 26) e de Johnson e
Johnson (1999b), existem cinco modalidades de interdependência positiva principais :
interdependência de finalidades , de recompensas, de tarefas , de recursos e de papéis.
Int er de pen dên ci a
Pos i tiva
Respons abilida de
I ndivi dua l
Int er acç ão
fa ce -a- fa ce
Re la ç ões
In t er p e s s o a i s
Ava lia ç ã o
do Gr up o
48
Para além destas cinco modalidades de interdependência positiva, Johnson e Johnson
(1999b, p. 118) acrescentam mais quatro tipos: a interdependência positiva de
identidade , a interdependência ambiental , a interdependência positiva da fantasia e a
interdependência positiva em relação ao inimigo externo .
A primeira modalidade (interdependência de finalidades ) ocorre quando todos os
membros do grupo trabalham para alcançar um objectivo comum, que poderá ser
algo de muito concreto como a elaboração de um cartaz ou uma apresentação de um
tema aos colegas. Pode também ocorrer quando os membros do grupo desejam
demonstrar um melhor desempenho em alguma competência ou ainda almejam ter
em conjunto muito boas classificações num teste.
No que diz respeito à segunda modalidade, a atribuição de recompensas ou a
celebração de um êxito alcançado pelos grupos de trabalho cooperativo constitui um
incentivo, aumenta o entusiasmo e a autoconfiança de cada um e do grupo
aumentando a motivação para novas aprendizagens. Embora seja discutível o valor
da atribuição de recompensas, no que diz respeito a este segundo tipo de
interdependência existem várias modalidades:
• A classificação de cada elemento do grupo ser a média da classificação obtida
por todos os elementos do mesmo ;
• Conceder à equipa que obtiver melhores resultados certos privilégios, como
por exemplo receber certificados;
• Toda a turma receber a recompensa de irem realizar um passeio se as
diferentes equipas atingirem um determinado nível de competência.
Relativamente à terceira modalidade (interdependência de tarefas ), esta surge
quando se pretende realizar alguma tarefa em que não são suficientes apenas duas
mãos e por isso torna-se imprescindível a participação de todos. A interdependência
de tarefas ocorre quando os alunos de um mesmo grupo se organizam para
concretizarem uma tarefa que lhes foi atribuída. Assim, o tema de um grupo é
dividido em subtemas, levando uns elementos do grupo a realizarem um tipo de
49
pesquisa e os outros a fazerem outra. Esta forma de interdependência verifica- se
claramente na técnica GI (Grupos de Investigação).
A interdependência de tarefas está de certa maneira ligada com a quarta modalidade,
a interdependência de recursos . A interdependência positiva de recursos verifica- se
quando cada membro do grupo apenas possui uma parte dos recursos, da informação
e dos materiais indispensáveis para a concretização de uma tarefa ou para a
aprendizagem de um tema ou unidade de ensino. Para que o grupo consiga alcançar o
seu objectivo, os diferentes elementos têm de partilhar com os demais todo o
mater ial que possuem. De uma forma exemplificativa, isto quer dizer que quando o
grupo vai estruturar o seu trabalho necessita não só distribuir as tarefas mas também
de organizar os próprios recursos . Assim, se o grupo tem que realizar um trabalho
sobre um tema específico, alguns alunos ficam responsáveis por obter a informação
por diferentes vias (vídeo, música, entrevistas, publicidade, etc.). É importante referir
que as informações recolhidas poderão variar dependendo do número de elementos
que constitui o grupo.
A quinta e última modalidade (interdependência de papéis ) surge quando cada
elemento do grupo tem um papel que está dependente dos outros. O conjunto de
papéis que cada um assume proporciona o bom funcionamento do grupo. Estes
papéis ou funções diferentes podem ser alternados pelos elementos e variam de
acordo com as tarefas e objectivos do grupo. No entanto, há papéis que existem
sempre, como por exemplo: ficar responsável por arranjar o espaço do grupo, pelos
materiais, por tomar notas, por ser encorajador, dinamizador ou ainda coordenador.
Na sexta modalidade (interdependência de identidade ), o grupo estabelece uma
identidade conjunta através de um estandarte, de um nome, de uma canção ou de um
lema.
Já na sétima modalidade (interdependência ambiental ), os elementos que constituem
o grupo estão de alguma forma unidos pelo espaço físico, quer dizer, trabalham
juntos numa zona determinada.
50
Na oitava modalidade (interdependência positiva da fantasia ), o grupo terá de
realizar uma tarefa que imaginária segundo a qual os elementos se encontram numa
situação de vida ou morte (por exemplo naufrágio) e devem colaborar para
sobreviver.
Na última modalidade (interdependência positiva em relação ao inimigo externo ),
cada grupo compete com os restantes. Os membros de cada grupo sentem- se
interdependentes na sua luta para vencer os outros e ganhar a competição.
A Interacção promocional face-a-face (ou interacção estimulante frente-a-frente) é
muito importante na Aprendizagem Cooperativa, pois existe um conjunto de
actividades cognitivas e dinâmicas interpessoais que só ocorrem quando os
estudantes interagem entre si nas actividades e com o uso de material partilhado,
permitindo deste modo o desenvolvimento da auto-estima e das habilidades sociais.
Segundo Johnson e Johnson (1999b, p. 185), “a interacção promocional face-a- face
existe quando os indivíduos encorajam e facilitam os esforços de cada um para
realizar as tarefas de modo a alcançarem os obj ectivos do grupo”. Para que haja uma
efectiva interacção promocional face-a-face (ou seja, facilidade em interagir) é
fundamental desenvolver o espírito de grupo (através de actividades específicas),
promover a interdependência positiva, assegurar a interacção através da ajuda
efectiva que cada elemento do grupo presta aos outros e ainda a criação de um bom
clima de trabalho onde esteja presente um nível de motivação elevada, conhecimento
e aceitação de todos os elementos que constituem o grupo.
Na responsabilidade pessoal pela aprendizagem requer-se a existência de u ma
avaliação do avanço pessoal, pois o objectivo principal do trabalho de grupo é que
cada elemento apreenda o máximo possível. Por isso, independentemente do trabalho
de grupo ser avaliado, é necessário existir uma avaliação individual, a qual vai sendo
feita tanto pelo indivíduo como pelo grupo. Desta forma, o grupo pode conhecer
quem necessita de mais apoio para completar as actividades e evitar que uns
descansem com o trabalho dos outros. É lançado um apelo à responsabilidade mútua,
tornando todos os participantes responsáveis pelo seu próprio processo de
aprendizagem, uma vez que “cada elemento sabe que as suas falhas podem contribuir
para que o grupo obtenha piores resultados e se existe espírito de grupo cada um
51
procurará dar o seu melhor e ajudar os outros a darem também o seu melhor” (F reitas
& Freitas, 2002, p. 30).
Para assegurar que cada sujeito seja valorizado convenientemente é necessário:
• Formar pequenos grupos heterogéneos e auxiliá-los no sentido de se evitar
esforços redundantes por parte dos seus membros;
• Proporcionar feedback quer a nível individual como a nível grupal, colocando
para isso questões orais, ou solicitando ao acaso a demonstração de certas
competências aos elementos do grupo;
• Observar sistematicamente o trabalho dos grupos e avaliar o esforço realizado
por cada membro para a contribuição do trabalho do seu grupo;
• Assegurar que cada membro seja responsável pelo resultado final, existindo
no grupo o papel de verificador da aprendizagem, o qual deve colocar
perguntas aos colegas de grupo para que cada membro possa demonstrar se
de facto compreendeu e aprendeu, se é capaz de explicar as respostas, …
O propósito dos grupos de Aprendizagem Cooperativa é permitir que cada aluno
cresça de uma maneira legítima. Os estudantes que aprendem juntos são
individualmente muito mais competentes dos que os que aprendem individualmente
(Grupo de Interesse em Aprendizagem Cooperativa [GIAC], 2005).
Relativamente ao treino de competências sociais ou uso apropriado de
habilidades interpessoais , embora haja pessoas que tenham características pessoais
que facilitem ou dificultem o saber estar em grupo, o certo é que é necessário haver
uma aprendizagem de competência s apropriados para a Aprendizagem Cooperativa,
que dizem respeito ao treino específico de determinadas tarefas cooperativas. De
facto, os alunos têm de s er motivados e ensinados para trabalhar em grupo e tal como
precisam de aprender os conteúdos académicos, também necessitam de aprender as
competências sociais, em especial as que estão ligadas ao trabalho em pequeno
grupo. Há, portanto, dois grandes tipos de habilidades a aprender: as habilidades
pessoais e as interpessoais. No que concerne às primeiras, os alunos têm necessidade
58
escrito individual, na realização de um teste, e por isso, nesses momentos, a
dimensão sócio-afectiva de aprendizagem não está presente. O aluno procura o seu
próprio benefício, independentemente dos outros. A típica aprendizagem
individualista é apresentada por Johnson e Johnson (1985b, 1987, cit in Santos Rego,
1991b, p. 124) como “aquela em que os alunos trabalham solitariamente, ao seu
próprio ritmo e com os seus próprios materiais sem interagirem uns com os outros e
cujas principais características alicerçam-se no máximo de desempenho e com
indiferença emocional face aos êxitos ou fracassos dos colegas”.
Na perspectiva de Santos Rego (1999c, p. 307) esta estrutura deve ocupar 15% do
tempo da aula: “ estamos na estructura de meta individualizada cando se xulga o
alumno estrictamente en función do seu único desempeño e o dos demais non
embaza ou cambia en nada a sua valoración” .
(Fonte: A rends, 2008, p. 149 )
Figura 4 - Estrut ura de met a i ndivi duali sta
A estrutura de meta competitiva está presente quando os alunos percebem que só
podem alcançar o seu objectivo se os outros alunos não o conseguirem. Nesta
estrutura, a interdependência é negativa pois, apesar de diferentes alunos possuírem
objectivos idênticos, o esforço de cada um deles para os alcançar vai no sentido de
alcançar um benefício pessoal, para si próprios, em detrimento dos restantes
elementos envolvidos. Esta estrutura apropria-se, por exemplo, nos momentos em
que se realizam jogos.
A estrutura de meta competitiva deve ocupar 15% do tempo da aula e de acordo com
a sua perspectiva, “ queiramos ou non, habemos de ter `gañadores´ e `perdedores´,
por dicilo sen recato nin sofisticatión académica. A razón estriba inequivocamente
59
na comparación social e os xuízos de capacidade que implican”, segundo Santos
Rego (1999c, p. 307).
(Fonte: Are nds, 2008, p. 149 )
Figura 5 - Estrut ura de met a competitiva
A estrutura de meta cooperativa acontece quando os alunos compreendem que
apenas podem alcançar o seu objectivo se os outros alunos com quem estão a
trabalhar também o atingirem. Desta forma, estamos perante uma interdependência
positiva pois diferentes alunos orientam os seus esforços no sentido de atingirem
objectivos comuns, e dessa maneira, contribuírem quer para o seu sucesso, quer para
o dos outros elementos. Neste sentido, “ un alumno puede conseguir su meta sólo si
los demás miembros del grupo obtienen la suya; lo que propicia es la búsqueda de
resultados beneficiosos para todos los que están cooperativamente comprometidos
/implicados en una actividad” (Santos Rego, 1990, pp. 59-60).
Com base nas inúmeras investigações realizadas, as estruturas de aprendizagem de
tipo cooperativo revelam-se como sendo as mais pedagogicamente válidas e
enriquecedoras, cognitiva e afectivamente falando, e como as mais efectivas em
relação à optimização dos resultados de aprendizagem dos alunos, nível de s atisfação
experimentado e estratégias de intervenção docente recomendadas. Contudo, a
estruturação cooperativa das tarefas e actividades de aprendizagem em muitas
escolas não supera 15%-17% do horário escolar (Santos Rego, 1990).
De acordo com o mesmo autor, a estrutura da meta cooperativa deve ocupar cerca de
70% do tempo da aula. “ Esta estrutura é moito más edificante xa que xunta
determinados aspectos sociomorais implicados, destácase un compoñente de
equilibrio e desenvolvemento cognitivo-afectivo, sen o cal a maduración do suxeito
pode situarse nun permanente arredamento. É dicir, a clave ven dada pola actuación
global do grupo, independentemente, claro está, da respons abilidade individual que
60
compete a cada um dos seus membros. Son, en calquera caso, as condicións normais
do proceso educativo e a formación do profesor aspectos de imposible esquecemento
na modulación da dinámica pedagóxica concreta” (Santos Rego, 1990, pp. 59-60).
(Fonte: Are nds, 2008, p. 149 )
Figura 6 - Estrut ura de met a coo perat iva
Estando de acordo com a perspectiva anterior, e ao recorrermos a maior parte do
tempo da aula à estrutura de meta cooperativa, torna-se possível a todos os alunos
que estão cooperativamente implicados numa actividade pedagógica, poder atingir
resultados de sucesso a vários níveis da sua formação enquanto seres humanos.
Assim, as estruturas de meta acabam por estar estreitamente relacionadas com os
resultados motivacionais nas aulas.
Ainda no seguimento das estruturas de meta, Santos Rego (1990) apresenta três
sistemas motivacionais identificados pela professora Carole Ames e sua equipa de
investigação (Universidade de Illinois em Urbana - Champaign) (ver Figura 7):
1. Sistema motivacional com base na habilidade ou aptidão e centrado numa
estrutura de meta competitiva, onde o discente se compara sempre com o
outro e se questiona: “Tenho capacidade suficiente?”;
2. Sistema motivacional com base no domínio da tarefa, centrado numa
estrutura de meta individualista, egocêntrica, e onde o discente se interroga:
“Será que me esforcei o necessário? Como posso fazer isto?”;
3. Sistema motivacional com base na responsabilidade moral, centrado numa
estrutura de meta cooperativa, onde é visível a ajuda mútua, a solidariedade e
a aceitação. Está presente a convergência e a valorização de esforços
(desempenho grupal) e neste sistema motivacional os discentes reflectem do
seguinte modo: Temos feito e estamos a fazer tudo o que é necessário?
61
(Fonte: San tos Rego, 19 90, p. 61)
Figura 7 - Influênc ia da estrutura de m eta sobre a m otivação
Quando falamos em estrutura de recompensas, referimo-nos à forma como se
organiza a distribuição das recompensas aos alunos, em função dos desempenhos.
León del Barco et al. (2005) definem estrutura de recompensa como a maneira de
distribuir reforços positivos externos: elogios, reconhecimentos verbais, objectos,
pontos, certificados… entre os membros do grupo. O uso de estruturas de
recompensa varia de acordo com a estrutura de ensino-aprendizagem que cada
docente elege para trabalhar no seu espaço de sala de aula.
Neste sentido as recompensas dadas dentro da sala de aula também podem ser
divididas em categorias, da mesma forma que a estrutura da meta apresentada
anteriormente. Assim, a estrutura da recompensa pode ser alta, média ou baixa. No
caso de ser uma estrutura de recompensa alta (estrutura de recompensa cooperativa)
existem incentivos à cooperação e distribuem-se reforços externos entre os membros
do grupo baseados no rendimento de cada aluno. A estrutura da recompensa requer
uma aprendizagem interdependente e valoriza tanto o esforço do grupo, como o
esforço individual. Assim, quando estamos diante de uma estrutura cooperativa de
ensino-aprendizagem, as recompensas individuais são proporcionais ao desempenho
do grupo como um todo. Neste sentido, os sistemas de recompensa são orientados
para o grupo assim como para o indivíduo. Estes reforços são por exemplo estar no
E STRUTU RA'DE ' M ETA '
• C OOP E RAT IVA !
• C OMPE TIT IVA !
• I NDIV IDU ALIS TA !
S IST EMA ' M OTIVA CION AL '
•
D E! R ESPONS ABI L IDA DE! M OR AL !
• C ENT RADO!N AS!APTI DÕ ES !
• D OMÍN IO !
F ACT OR ES' S ITUA CIONAI S '
• N OR MAS! SOC IAIS !
•
R ESULT ADO !DE!GR UPO !
• C ON SIS TÊNCIA !
• R ESULT ADO ! IN D I VIDUAL !
F ACT OR ES' D ISP OS I CIO NA IS '
• A PTI D Õ E S !
• E SF ORÇO !
A FE CTO '
• P ÚB LIC O 9P RIVA DO !
•
S ATI S FAÇ ÃO 9O RGULH O !
• V ERGO NHA 9C UL PA !
62
quadro de honra, receber diplomas... Quando se trata de uma estrutura de
recompensa média os reforços externos dão-se em função do rendimento do grupo
(estrutura de recompensa competitiva). Na estrutura competitiva é certo que as
recompensas são hierarquizadas: a recompensa máxima, atribuída a um aluno,
corresponde a uma menor, atribuída a outro. Quando não existe recompensa por
haver cooperação estamos perante uma estrutura de recompensa baixa (estrutura de
recompensa individualista).
Por último, a estrutura de tarefa compreende a forma como as aulas são organizadas
e o tipo de trabalho que é pedido aos alunos. Assim, a estrutura da tarefa requer que
os alunos, organizados em pequenos grupos, trabalhem em conjunto numa tarefa
comum e são encorajados a coordenar os s eus esforços para concluírem a tarefa.
Quando o grupo é bem sucedido porque esteve presente a cooperação de todos os
alunos, estamos perante uma estrutura de tarefa de interdependência positiva.
Assim sendo, a estrutura da tarefa também pode ser alta ou baixa. Consegue-se uma
estrutura de tarefa alta quando dentro das tarefas do grupo há uma especialização de
cada membro, e também quando se designam papéis ou funções interdependentes aos
elementos do grupo. A estrutura da tarefa é baixa quando o material de aprendizagem
referente ao tema que está a ser trabalhado não é dividido em partes pelos respectivos
participantes.
Slavin (1983, cit in Bessa & Fontaine, 2002, p. 33) divide as estruturas de tarefas
utilizadas em Aprendizagem Cooperativa em duas categorias: especialização de
tarefas e tarefas de grupo . No caso da especialização de tarefas , cada elemento do
grupo é responsável por uma parte do trabalho de grupo, enquanto nas tarefas de
grupo , a actividade do grupo é toda realizada em conjunto.
Independentemente da controvérsia entre os efeitos da utilização de cada um dos
tipos de estruturas da Aprendizagem Cooperativa e a importância dos benefícios que
cada uma proporcione ao nível da melhoria do sucesso escolar, há um elemento
consensual e comum a todas elas que é a interdependência. Independência quer ao
nível da meta (de objectivos), quer ao nível das recompensas ou das tarefas.
63
Focamo-nos nas palavras de Kagan et al. (1985, cit in Ovejero, 1990, p. 204) quando
valoriza a questão de enquanto professores necessitarmos de preparar os nossos
alunos não para serem rigidamente cooperativos, competitivos ou individualistas mas
para os ensinarmos a ser adaptativamente flexíveis, para serem capazes de
reconhecer uma ampla gama de situações sociais e os tipos de condutas e estruturas
adaptadas a cada uma: “ Hay situaciones en las que la cooperación es una estrategia
adaptativa; y hay incluso otras situaciones en las que es más exitoso un enfoque
individualista. Incluyendo dentro del aula una variedad de estructuras de tarea y de
recompensa, los profesores podrán preparar a sus estudiantes para reconocer un
más amplio rango de contingencias ambientales y para ser capaces de ajustar su
conducta en consecuencia”.
Por isso, quando se pensa em implementar técnicas de Aprendizagem Cooperativa
convém com biná-las com certas doses de aprendizagem competitiva ou
individualista, pois sabe-se que as t rês formas de estruturar a aula têm as suas
vantagens para diferentes objectivos (Ovejero, 1990). A este respeito estamos de
acordo com Johnson e Johnson (1987a, cit in Ovejero, 1990, pp. 166-167) quando
afirmam: “Nosotros no estamos contra la competición (aunque la literatura y la
investigación existente sobre la competición están dañando su reputación). Estamos
contra la competición inapropiada; y la mayor parte de la competiciónen clase es
inapropiada... Creemos que las tres estructuras de meta deberían ser utilizadas y
que los estudiantes necesitan aprender como funcionan en las tres. Los estudiantes
deberían ser capaces de competir com placer, de trabajar individualmente en una
tarea hasta completarla, y cooperar eficazmente con otros para solucionar
problemas. Tal vez lo más importante sea que los estudiantes conozcan cuándo
competir, cuándo trabajar individualmente y cuándo cooperar. Lo que más se
necesita en las aulas es planificar cuidadosamente una estructura de meta
cooperativa, que debería convertirse en el marco en el que tenga lugar la
competición y el trabajo individual”.
64
1.8 Dif erenç as entr e a Apren diza gem Tr adic iona l e a
Aprend izag em Coop erat iva
Se se pretende captar a globalidade da situação educativa é necessário ter em
consideração que o ensino e a aprendizagem são dois processos inter-relacionados e
que por isso não se podem separar (Doménech Betoret, Traver Martí, Moliner García
& Sales Ciges , 2006). De uma forma genérica, pode-se afirmar que na situação
escolar actual, a organização do processo ensino-aprendizagem se baseia no grupo-
turma, onde o professor é o protagonista. Este dirige-se para o grande grupo mas os
alunos apreendem as mensagens individualmente, forçando a que a sua
aprendizagem seja individualizada.
Através desta estratégia de ensino, os alunos perdem a motivação e revelam dúvidas
sobre a sua capacidade de aprender, uma vez que o único suporte que têm são eles
próprios. Através deste método de aprendizagem tradicional, ainda muito utilizado
por alguns docentes do 1º Ciclo, protege-se a criança da acção do grupo, quando por
exemplo o professor ao sentá-la mais perto de si para lhe proporcionar “um ensino
mais individualizado”, sem se aperceber que ao fornecer tarefas diferentes,
simplificadas ou menos extensas, está a discriminar a criança, a isolá-la e a retirar-lhe
a possibilidade de ver a sua contribuição para o produto do grupo. Sem mencionar o
efeito devastador que tal estratégia pode ter a nível afectivo: o que pode sentir
alguém que é publicamente rotulado de inferior por outra pessoa que representa a
autoridade e o saber?
Na verdade, existem variáveis que podem dificultar o processo de ensino-
aprendizagem. Doménech Betoret et al. (2006, p. 475) referem que “ la percepción
que tienen los profesores de los elementos obstaculizadores variará en función de las
creencias que éstos sostengan sobre la enseñanza y el aprendizaje. Así, para
aquellos profesores que tengan unas creencias más tradicionales sobre la enseñanza
y el aprendizaje (centradas en el profesor y en el producto), los elementos percibidos
como obstaculizadores de su conducta docente serán distintos de los considerados
por aquellos que tengan una concepción más innovadora (centrada en el alumno, en
65
el proceso o en la interacción profesor-alumno), ya que dichas actitudes implican
formas de «hacer» diferentes” .
Alguns autores têm- se debruçado sobre as concepções dos professores acerca do
processo de ensino-aprendizagem, agrupando-os em quatro paradigmas clássicos de
instrução: o paradigma tradicional (enfoque centrado no professor), o paradigma
conductista (enfoque centrado no produto), o paradigma cognitivo (enfoque centrado
no aluno) e o paradigma humanista (enfoque centrado no processo) (Doménech
Betoret, 1999a, 1999b, 2004, cit in Doménech Betoret et al. , 2006, p. 476). Estes
paradigmas permitem fazer uma leitura mais clara e operativa sobre o perfil das
crenças psicopedagógicas de cada docente que acabarão por se reflectir na sua
prática pedagógica.
Es tamos de acordo com Ribeiro (2006) quando relembra que, frente aos tradicionais
cenários, a aprendizagem continua em muitos contextos educativos a ser uma
actividade solitária e individual, em que cada aluno se encontra sozinho perante a
tarefa, sob olhar atento do professor, próprios de uma cultura autoritária e pouco
solidária na apropriação do saber. É neste contexto que a nova cultura de
aprendizagem propõe que esta seja também uma actividade s ocial, e não apenas uma
actividade individual e particular. A cultura individualista, ainda hoje vigente nas
nossas escolas dá ênfase a uma aprendizagem individual e competitiva, já que nela o
êxito de cada aluno é relativo ou depende do fracasso dos outros. No entanto, tudo
poderá ser dif erente se, em vez de se colocar o aluno consecutivamente na situação
de aprender sozinho lhe dermos a possibilidade de poder aprender integrado num
grupo, respeitando obviamente os seus princípios e as suas regras, utilizando-se desta
forma a Aprendizagem Cooperativa.
Lobato Fraile (1998, p. 23) estabelece um paralelismo entre a Aprendizagem
Cooperativa e a Aprendizagem Tradicional dizendo que “podemos entender el
Aprendizaje Cooperativo como un método de conducción del aula que pone en juego
en el aprendizaje los resortes de los/as estudiantes. Desde este punto de vista, se
distingue de los métodos tradicionales que se apoyan en la calidad y extensión del
conocimiento de la materia del professorado” .
66
Existem algumas diferenças significativas entre um grupo de trabalho em situação de
Aprendizagem Cooperativa e o grupo de trabalho tradicional. O trabalho de grupo
efectuado de maneira tradicional comporta certas dificuldades típicas, a mais
frequente é a presença de alunos “mandriões” e dos “escravos do trabalho”. Os
primeiros não contribuem para o avanço das aprendizagens deixando os outros
realizar as tarefas, enquanto os segundos fazem tudo, impedindo os restantes de
contribuir. A fim de evitar estas dificuldades, a Aprendizagem Cooperativa assenta
na responsabilidade individual, elemento que torna a contribuição de cada aluno
necessária para o bom desempenho do grupo. Contudo, torna-se importante referir
que em determinados casos poderão haver grupos de trabalho em situação mais
tradicional que apresentem algumas características da Aprendizagem Cooperativa.
Para melhor percepção dessas diferenças, apresenta-se de seguida o Quadro 2.
Grupo s em A pren diz age m Coo per ati va
Grupo s de Trab alh o Tradi cional
Interdepen dência positiva .
Não há int er depe ndênc ia .
Respon sabi lid ade indi vid ual.
Não há res pons abi li dade i ndi vid ual .
Apli caç ão de compe tên cia s coope rat iv as.
As c ompet ênc ias c oope rat iva s podem se r
espontaneamente exercidas.
Hete rog enei dad e.
Homoge nei dade .
Lider ança parti lhada .
Há u m l íde r d esi gna do.
Respon sabi lid ade mútua par til hada .
As r esp onsa bil idades nã o s ão nece ssa ri ament e
partil hadas.
Contr ibui ção de todo s os el ement os para o
êxito do grupo.
O êx it o d o g rupo , por vez es, d epen de da
contribuição de um ou de al guns elementos.
Preocupaçã o com a aprendi zagem dos
outros el ementos do gr upo.
Ausên cia de pr eoc upaç ão com a
aprendizagem dos outros elementos do grupo.
Ênfase na tare fa e també m na s ua
manu ten ção .
Ênfase na tare fa.
Ensino direct o de habil idades s ociais.
É ass umida a exi stên cia de ha bili dades
sociais, pelo que se ignora o seu ensino.
O pr ofe sso r o bser va e int er vém.
O pr ofe sso r i gno ra o f unc ion ament o d o g rupo .
Quand o o bser va fá - lo de fo rma es porádic a. O
desenvolvimento do tr abalho faz - se
normalmente fora da sala de aula .
O gr upo aco mpanh a a su a p rod uti vid ade.
O gr upo não ac ompan ha a s ua pro duti vidade .
O gr upo ava li a o s eu func ion ament o e
propõe object ivos par a o melhorar .
O gr upo não av ali a de for ma s is temá ti ca o s eu
funcionam ento.
(Fonte: Freitas & Freitas, 2002 , p. 37)
Quadr o 2 – Grupos em Apre ndiz age m Coop era ti v a versus Grupo s e m Tr abal ho Tra dic ion al .
67
Na verdade poderemos dizer que o que distingue um grupo de Aprendizagem
Cooperativa de um grupo de trabalho tradicional é essencialmente a constituição de
pequenos grupos heterogéneos, a organização das tarefas e das actividades, a
distribuição das tarefas, a implicação de todos os participantes e o grau de controlo
mútuo e as exigências mútuas (GIAC, 2005).
Para tornar mais clarividente as principais diferenças entre o método de
aprendizagem tradicional e o Método de Aprendizagem Cooperativa, apresenta -se no
Quadro 3 um resumo de cada um dos métodos, de acordo com Santamaría (2006).
Apren diza gem Tradi ci onal
Apren diza gem Cooper ati va
Não exi ste r ela ção entre os obj ect iv os que
cada um dos alunos procura at i ngir, as
meta s são i nde pen dent es en tr e si.
Estabe lecem - se metas que são benéficas
não só par a o própr io aluno mas para os
demais membros da e quipa.
O al uno pe rce be que par a p oder a lca nçar
os seus objectivos isso de pende da sua
capacidade e esforço, de um pouco de sort e
e da própria di ficuldade da taref a.
A eq uip a d eve tr aba lha r j unt a até qu e t odos
os membros do gr upo tenham entendi do e
realizado a activid ade com sucesso.
Exist e uma motiva ção e xtrí nseca, co m
meta s ori entad as par a obt er va lo riz açã o
social e recompe nsas externas.
Procura - se maximizar a aprend izagem
individ ual ma s ao m esmo te mpo a
aprendizagem dos outros.
Os a lun os pode m ac abar p or des envol ver
uma percepção pes simista das suas
próprias capacidades de intel igência.
Os f ra cass os são as sumi dos como falhas do
grupo, e não como li mitações pess oais das
capacidades de um estudante.
Aval iam - se os estudantes através de provas
baseadas em cr itéri os onde cada aluno
trabalha nos seu s textos o u nou tros
mate ri ai s, de f orma i ndi vi dua l e p or isso
ignorando os demais.
Aval ia - se o rendimento acadé mico dos
partici pantes bem como as relações
afectivas que se estabelecem entre todos.
A co muni caçã o n a sala de aula entre os
colegas é desvalori zada e muitas vezes t em
como consequência a aplicação de um
castigo.
Basei a - se nas relações de comunicação
respeitando - se as opiniões dos outros.
Transf orma - se num sistema competitivo e
autoritário produzindo uma estratificação
social mesmo den tro da sala de aula .
É um s iste ma que valo riza aspe ctos como a
socialização, a a quisi ção de competênci as
sociais, o controlo dos impulsos
agressivos, rel atividade dos pontos de
vista, o incr emento das aspi rações e o
rendime nto escolar.
(Fonte: San tamaría, 200 6 )
Quadr o 3 – Aprendi zag em Tr adi ci onal versus Apre ndiz age m Coop era ti va
74
De acordo com as razões apresentadas podemos comprovar que é possível ao
docente alterar a estrutura de uma aula tradicional e criar uma nova estrutura de
Aprendizagem Cooperativa, basta por exemplo, começar por dar mais ênfase aos
aspectos emocionais dentro da sala de aula.
A este respeito Gusmão (2008) apresenta uma investigação acerca do papel que pode
de se mpenhar o professor tendo em conta a influência das emoções no processo
ensino-aprendizagem da Matemática. Enfatiza a importância de serem lembrados os
aspectos emocionais no desenvolvimento do currículo e na formação dos professores
uma vez que as emoções estão presentes nos processos de raciocínio e a razão e a
emoção são indissociáveis. As emoções tanto podem ajudar o aluno a superar
obstáculos como também serem fonte desses mesmos obstáculos na aprendizagem.
García López e Francisco Amat (2009) partilham um exemplo actual de trabalho
pedagógico em equipa levado a cabo no Colégio Santiago Apóstol (Valência) onde
os professores, dentro das suas funções, aprenderam a utilizar várias técnicas e
materiais revelando ser possível transformar um centro escolar Infantil e Primário
numa escola cooperativa.
Nesta escola privada (mas gerida com orçamento público), caracterizada por
problemas de indisciplina, por falta de respeito face à diversidade e onde a
autoridade dos professores é posta em causa e até reforçada pelas famílias dos alunos
(famílias ausentes e quase maioritariamente de etnia cigana), os autores coordenaram
um programa de intervenção onde foi possível conseguir algumas mudanças
importantes. A intervenção centrou- se n a sensibilização para a Aprendizagem
Cooperativa e no trabalho em equipa por parte dos professores; na capacidade de
estarem aptos para aplicar as técnicas de Aprendizagem cooperativa eficazmente nas
suas aulas; na planificação dos docentes baseada numa estrutura cooperativa dirigida
a alunos socialmente desfavorecidos; na intervenção directa com os professores e por
sua vez destes com os seus alunos. De facto, apesar das condições de trabalho serem
terríveis, os professores aprenderam a trabalhar em equipa e acreditaram na
possibilidade de ocorrer uma transformação que passou pela mudança das suas
metodologias de ensino.
75
Neste centro escolar desenvolveram-se aspectos de ordem cognitiva, afectiva e
relacional nos 150 alunos proporcionando-lhes a possibilidade de terem um papel
mais protagonista na sua educação. Simultaneamente foi possível promover o
trabalho de equipa entre os professores envolvidos e as famílias directamente
implicadas. A transformação do Colegio Santiago Apóstol numa escola cooperativa
foi pos sível graças ao enorme esforço realizado pelas pessoas que nele se
envolveram (profissionais da educação, alunos e respectivas famílias) no sentido de
melhorar as relações interpessoais. Através deste programa de intervenção tornou- se
possível comprovar que é praticável encontrar diferentes formas de entender a
escola. A transformação passou a ter como principal objectivo educativo não só a
preocupação de transmitir conhecimentos curriculares mas também a principal tarefa
de educar para a vida onde as emoções e as relações interpessoais são inevitáveis.
É indiscutivelmente reconhecida a tomada de consciência no seio da classe docente,
no âmbito da necessidade crescente de melhorar o rendimento escolar dos alunos
assim como promover o melhoramento das suas habilidades sociais, da s ua
criatividade e de elevar os seus níveis de motivação. Contudo, se se pretende viver
transformações efectivas a nível educativo, não se poderá f icar apenas pela fase do
reconhecimento uma vez que hoje em dia se requer do professor uma actualização
permanente na acção de ensinar. Tal como refere Santos Rego (1991a, p. 317) “urge
retomar un discurso pedagógico consistentemente comprometido con la cooperación
como medio de aprendizaje, de motivación y de desarrollo humano en su acepción
más amplia” .
Através da Aprendizagem Cooperativa é possível estruturar o trabalho lectivo
apostando numa diferente actuação pedagógica dos docentes, que se repercutirá no
próprio processo de ensino-aprendizagem tornando-se mais participativo e
cooperativo. Segundo o mesmo autor, a escola é um local propício para desenvolver
relações pessoais enriquecedoras. Neste espaço educativo é possível promover
intercâmbios entre os colegas através do diálogo, dos jogos, da comunicação e do
trabalho cooperativo.
Contudo, é importante enfatizar que o processo de organizar os alunos em grupos e
de os ensinar a trabalhar cooperativamente não é tarefa fácil. É necessário que os
76
professores utilizem estratégias simples, mas importantes, de forma a se realizarem
transições suaves e progressivas aumentando gradualmente a complexidade e a
duração das actividades do grupo, de modo a que os alunos se habituem a esta nova
estratégia de actuação pedagógica.
Para que a Aprendizagem Cooperativa funcione, os professores podem precisar de
ensinar uma variedade de competências sociais e de grupo. Se, por um lado, os
docentes têm que aprender a implementar esta metodologia, por outro, devem
estabelecer e articular exercícios que gradualmente permitam desenvolver nos alunos
competências para trabalhar em grupos cooperativos.
Ainda que as competências a adquirir sejam diferentes de acordo com as tarefas a
realizar, Lobato Fraile (1998) considera que em qualquer actividade cooperativa se
devem desenvolver os seguintes objectivos:
• Favorecer um clima de confiança e respeito em que os alunos s e sintam
suficientemente seguros para correr o risco de aprender e praticar novas
competências;
• Permitir que cada aluno se sinta valorizado como membro do grupo;
• Favorecer a eficácia da aprendizagem dos conteúdos académicos através da
interacção social.
O professor quando treina os seus alunos para a aquisição de competências
cooperativas deve fazê-lo segundo duas perspectivas:
1. Treino de competências que preparam os membros do grupo para realizar a
tarefa proposta: controlar o tempo, distribuir as tarefas, apresentar questões,
pedir esclarecimentos,…;
2. Treino de competências que permitem desenvolver as relações interpessoais e
a capacidade de o grupo trabalhar cooperativamente, como por exempl o,
expressar apoio, mediar conflitos, expressar sentimentos, reduzir tensões,
demonstrar apreço pelos colegas.
77
Contudo, é importante referirmos que para se construir uma aula cooperativa existem
alguns pressupostos sem os quais será impossível criar clima de cooperação,
nomeadamente: “se os alunos não forem encorajados, em momentos formais e
informais, a reflectirem conjuntamente sobre o seu próprio comportamento e o dos
colegas; se não for criado o sentido de interdependência no grupo de modo a que
cada um sinta a responsabilidade de apoiar membros menos competentes, se as
competências de cooperação não forem ensinadas e se as propostas de trabalho não
implicarem esforço conjunto” (Johnson, Johnson, Holubec & Roy, 1984, p. 44).
Neste seguimento, é necessário que professores e alunos se familiarizem
gradualmente com o trabalho de grupo cooperativo de modo a estabelecer entre eles
uma relação de confiança. Se o sucesso se obtém instantaneamente, os professores e
alunos devem ter consciência e reconhecer que podem ocorrer momentos de maiores
dificuldades na sua aplicação.
O que acontece normalmente é que os alunos não trabalham em grupo ou se o fazem
têm experiências ineficazes, por isso, na maior parte das vezes, mostram-s e cépticos
e oferecem resistência a esta nova estratégia. Cabe ao professor preparar
minuciosamente, planificar com detalhe as actividades que vai desenvolver de modo
a proporcionar ao aluno a prática de experiências cooperativas (Clarke et al., 1992).
Um dos desafios que se coloca à escola é também proporcionar aos seus alunos, o
desenvolvimento de competências e atitudes que permitam a sua intervenção e
transformação na sociedade de que fazem parte. A Aprendizagem Cooperativa sendo
uma metodologia de ensino inovadora baseada na interacção social, e que consiste na
estruturação dos objectivos de modo a que a organização da aula crie pautas de
socialização positivas face às pautas clássicas do tipo competitivo, apresenta-se como
uma alternativa eficaz ao ensino tradicional baseado fundamentalmente em for mas
de aprendizagem individual e/ou competitiva (Díaz-Aguado, 2000).
É neste contexto que consideramos importante a implementação da Aprendizagem
Cooperativa na sala de aula para o desenvolvimento de atitudes cooperativas, com
vista a aprendizagens significativas de conteúdos científicos ao mesmo tempo que
estimula o desenvolvimento de competências sociais.
78
Seguindo a perspectiva de Lara Villanueva (2005), a Aprendizagem Cooperativa
recorre a três aspectos como modo de intervenção na realidade educativa, que são os
seguintes:
1. Aspecto do processamento da informação que tem como finalidade o
desenvolvimento intelectual dos sujeitos uma vez que se centram nas funções
de recepção, interpretação, representação, resposta e utilização dos estímulos
do meio;
2. Aspectos pessoais que tem como finalidade o desenvolvimento da
personalidade única do sujeito e configuram a sua estrutura em torno do
incremento da autoconsciência que supõe para o aluno o protagonismo do seu
próprio processo formativo;
3. Aspectos sociais ou de interacção social que tem a finalidade de desenvolver
indivíduos como membros da sociedade.
Na realidade, a investigação que tem vindo a ser produzida no domínio da
Aprendizagem Cooperativa tem demonstrado claramente as vantagens da utilização
desta metodologia inovadora (em benefício do próprio aluno) na medida em que
funciona como um modelo de aprendizagem da cidadania democrática, sendo a
heterogeneidade e o trabalho entre pares apresentados como formas privilegiadas de
reduzir preconceitos e estereótipos, uma vez que proporcionam não só o
conhecimento do outro nas suas diferenças e semelhanças, mas também na
experimentação de um percurso e na construção de um projecto comum. Exercer a
cidadania implica a participação efectiva do indivíduo na produção e usufruto de
valores, no direito de falar e de ser ouvido. Implica também participar, interferindo
criativamente na construção de uma sociedade mais justa e livre. A escola, em
qualquer nível de ensino não se pode alhear desta realidade. Para assumir este repto,
segundo algumas vozes do mundo da educação, é necessário introduzir mudanças na
maneira tradicional de dirigir as aulas.
De acordo com esta tomada de consciência sobre a necessidade de se valorizar cada
vez mais uma educação sustentada em valores partilhados e na preparação dos alunos
79
para a vida como cidadãos activos numa sociedade democrática, onde s e procura
conciliar diversidade e igualdade, Traver Martí e García López (2006) realizaram
uma investigação em que pretenderam demonstrar que a solidariedade como atitude e
valor, fazem parte da competência, a que designam de “compromisso ético”
necessário para a formação de cidadãos numa sociedade que se deseja democrática e
justa. Essa dita competência (se não tiver sido desenvolvida anteriormente) pode
ad quirir-se na formação universitária mediante a Aprendizagem Cooperativa, mais
especificamente utilizando a Técnica Puzzle de Arons on (TPA). Segundo estes
autores, a TPA tem mostrado a sua eficácia para se educar em atitudes, para
promover atitudes positivas em relação à escola, ao estudo e aos colegas, e
particularmente para o ensino-aprendizagem da atitude de solidariedade entre os
alunos. O desenvolvimento da competência “compromisso ético” ocorre através das
suas componentes fundamentais: pautas e formas de comportamento cooperativo
(aprender a estar) e formas de organização e interacção cooperativas (aprender a ser).
Os alunos aprendem a ser solidários mediante a realização de acções cooperativas.
Neste sentido, s ó com a participação de todos os alunos é possível conseguir alcançar
os objectivos desejados a todos os níveis (entre eles, melhoramento do rendimento
académico, desenvolvimento de atitudes de solidariedade e integração social dos
alunos).
Contudo, não se pode esperar ingenuamente que este “compromisso ético” ocorra de
um momento para o outro e com todos os alunos em simultâneo. A este respeito os
mesmos autores sublinham que “por m edio de la utilización de la TPA no se logra
que el alumnado sea totalmente solidario, pero ayuda a crear las bases para que
este aprendizaje surja cuando el trabajo dé sus frutos. Al principio, las acciones de
los alumnos poco solidarios responden más a la orientación de una moral basada en
el interés personal y en la búsqueda de beneficios individuales pero, el trabajo de
otros aspectos permite derivar, progresivamente, hacia una moral basada en el
interés social con tendencia al universal. Es así como comenzamos a entender
verdaderamente un proyecto colectivo, de todos y todas, con finalidades
compartidas” ( idem , p. 8).
80
É no seguimento desta crescente actuação pedagógica que se potenciam atitudes
solidárias entre os alunos, reforçando a atenção à diversidade. Através da
Aprendizagem Cooperativa torna-se possível estabelecer laços solidários entre os
alunos para avançar num projecto de trabalho que comporta as diferenças étnicas,
religiosas, culturais. Na verdade, atender à solidariedade passa por valorizar a
diversidade e o respeito pelas diferenças individuais. A Aprendizagem Cooperativa,
a educação em atitudes e valores e a solidariedade convertem-se assim em eixos
fundamentais a partir dos quais é possível fundamentar experiências educativas de
ensino-aprendizagem de elevado grau de relações interpessoais.
Em suma, os professores que adquiram um novo perfil através da implementação de
aulas baseadas na Aprendizagem Cooperativa, de acordo com Lobato Fraile (1998)
usufruirão das seguintes vantagens:
1. Realizar um programa equilibrado que responda simultaneamente a
objectivos de desenvolvimento escolar, pessoal e social, on de se promove
uma aprendizagem activa, propicia-se o crescimento da auto-estima, o
melhoramento das relações interpessoais e o clima da aula dando resposta à
diversidade existente nas turmas;
2. Promover a flexibilidade e criatividade na sua função docente
desempenhando principalmente papéis de facilitadores, observadores,
incentivadores e mediadores.
1.10 A Aprendiz agem Cooper ativ a e as Tecnologias de
Informação e Com unicação
Vivemos num mundo onde o impacto das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC) afecta todas as vertentes da nos sa vida, onde a ciência e a
tecnologia geram grandes alterações e inovações a uma velocidade vertiginosa,
acabando por representar no universo multimédia interactivo um enorme potencial
81
técnico para o desenvolvimento de aplicações e recursos pedagógicos (Guitert &
Giménez, 2000).
Contudo, os professores críticos das tecnologias, que assumem uma perspectiva mais
tradicional sobre o ensino e sobre a disposição do mobiliário nas salas de aula,
(recusando-se por vezes a adequar o espaç o ao uso de novas tecnologias) afirmam
que os computadores e a internet isolam os alunos uns dos outros e dos seus
professores, e por isso estes docentes encontram poucas vantagens na utilização
destas tecnologias. Se reflectirmos sobre este aspecto tão actual apercebemo-nos de
que o papel das TIC está sob o controlo do professor. Se os docentes pedirem aos
alunos para trabalharem sozinhos, eles tenderão a isolar-se. Mas, se os professores
sugerirem aos alunos para trabalharem e aprenderem em conjunto, a tecnologia pode
efectivamente melhorar a interacção e a cooperação entre os alunos superando as
barreiras físicas entre os estudantes.
Na perspectiva de Arends (2008), a utilização dos computadores e da internet, que
são altamente interactivos e construtivistas, funciona melhor em contextos onde os
alunos trabalham e aprendem em pequenos grupos e onde os professores servem de
facilitadores das interrogações dos alunos. Tal como ocorre em qualquer aula que
proporcione aprendizagem cooperativa, aquelas que integram tecnologias têm de ser
estruturadas para interdependência de tarefas. Os docentes também têm de ajudar os
alunos a desenvolver competências sociais para trabalhar em equipa de forma eficaz.
À medida que a Aprendizagem Cooperativa se torna cada vez mais utilizada na sala
de aula, também vai servindo de catalisador para uma utilização mais alargada de
computadores e tecnologias de telecomunicações. E é nesta perspectiva que se torna
possível melhorar a Aprendizagem Cooperativa entre os alunos através da utilização
das TIC proporcionando-lhes oportunidades para aprendizagens cognitivas enquanto
interagem e trabalham em conjunto.
O sistema educativo necessita de estar cada vez mais sintonizado com estas
tecnologias pois exercem a função de disseminadoras de conhecimento, liberando
alunos e professores das limitações de tempo e espaço, enriquecendo o ensino com
recursos de multimédia permitindo aprendizagens em grupo, ou seja, aprendizagens
82
realizadas de forma cooperativa. A este respeito Guitert e Giménez (2000, pp. 113-
114) afirmam que “ciertamente la evolución de las redes telemáticas nos ofrecen la
oportunidad de poder trabajar con una gran variedad de personas, a veces lejanas a
nivel espacio-temporal. Este entorno tecnológico plantea realizar un tratamiento
óptimo y eficaz de la gran cantidad de información que internet proporciona. Así
mismo, demanda establecer nuevos criterios de elaboración y tratamiento de dicha
información y crear nuevas pautas de comunicación e interacción de cara al siglo
XXI ”.
Vejamos como se torna possível realizar aprendizagens baseadas nos princípios do
trabalho cooperativo utilizando as TIC. Para se trabalhar de forma cooperativa é
necessário que haja interacção e comunicação frequente e rápida entre os membros
que constituem cada grupo de trabalho (Guitert & Giménez, 2000). A troca de
informação deve ser tratada de forma crítica e construtiva. Ao iniciar o trabalho de
grupo é ainda necessário clarificar que formas de comunicação e de intercâmbio da
informação são os mais adequados em cada momento da elaboração do projecto, em
função da tarefa que se está a realizar:
1. Correio electrónico : permite elaborar a informação que se recebe, investir
mais tempo e portanto, tratá-la com mais profundidade;
2. Chats : facilita estabelecer processos de comunicação ágeis chegando- se a
acordos de forma rápida e pontual;
3. Documentos partilhados : permite trabalhar a informação de forma mais
elaborada, reflexiva e com maior detalhe;
4. Encontros virtuais : torna-se possível estabelecer encontros de forma fixa e
periódica para promover a confiança dos elementos do grupo, para designar o
trabalho entre os membros e acompanhar o seguimento da evolução do
trabalho.
A comunicação e a interacção são também alcançadas quando os membros partilham
toda a informação e têm em consideração as sugestões novas que vão surgindo ao
longo do trabalho cooperativo, sendo sempre valorizada a capacidade que o grupo
83
tem de chegar a um consenso, que levará ao êxito do grupo. A responsabilidade
individual é também uma característica imprescindível durante o processo pois o
êxito do trabalho depende da participação de todos os elementos que constituem o
grupo. Trabalhar e aprender cooperativamente utilizando as Tecnologias de
Informação e Comunicação passa também por fomentar as habilidades de grupo
(aprender a negociar, esperar pela sua vez, saber falar em grupo, partilhar
materiais,....), passa por conseguir uma interdependência positiva, onde o êxito do
grupo depende do trabalho de coordenação que os elementos do grupo consigam
fazer. Enviar mensagens que ajudem a valorizar o trabalho que cada um dos
elementos desenvolve é também apoiar o grupo de forma cooperativa e favorecer
uma tarefa de implicação conjunta.
É igualmente necessário que os alunos sejam capazes de avaliar o processo do
trabalho do grupo. Se, por exemplo, existe um elemento no grupo que não cumpre as
regras do trabalho acordadas e os p razos de tempo marcados entre todos, não
comunica nem colabora durante um mês no desenvolvimento do projecto, torna- se
necessário que os próprios col egas de grupo decidam convidá-lo a abandonar o
grupo. É essencial tomar este tipo de atitude uma vez que está a ser alterado o ritmo
de trabalho do grupo por incumprimento de acordos dificultando o êxito académico
do próprio grupo.
Seguem-se ainda alguns exemplos de trabalho cooperativo utilizando as Tecnologias
de Informação e Comunicação:
• Criar exposições de multimédia ou hipermédia. Numa investigação em grupo,
equipas de alunos podem desenvolver uma exposição multimédia e
hipermédia para apresentar os resultados do seu trabalho e para explicar o seu
tópico aos outros;
• Conceber um jornal digital. Utilizando uma ferramenta de publicação, os
alunos podem trabalhar em conjunto para escrever e publicar um jornal de
turma ou de escola;
90
Como plataforma escolar visa satisfazer três componentes básicas dos processos de
ensino-aprendizagem: uma componente educativa, uma componente lúdica e uma
componente social.
Componente Educativa
Na sua componente educativa, a plataforma permite a criação individual ou
cooperativa de trabalhos (combinações de textos com desenhos, imagens e outros
recursos usados em grupos de alunos). Os trabalhos digitais realizados ficam
armazenados de forma centralizada podendo ser consultados através da internet, se
na posse das devidas credenciais de acesso. Como qualquer trabalho de um aluno,
estes podem ser enviados aos professores para serem corrigidos, revistos e avaliados
por parte do professor, e eventualmente serem posteriormente expostos nos espaços
internos à turma, escola, ou mesmo publicamente fora da escola, conforme as
autorizações obtidas pelos envolvidos: professores titulares de turma, coordenador de
escola e encarregados de educação.
Em última análise, o objectivo desta componente da plataforma é disponibilizar a
toda a comunidade educativa funcionalidades que permitam integrar da forma mais
natural possível as práticas de ensino-aprendizagem com a utilização das TIC,
permitindo assim a experimentação de novas abordagens, mais motivadoras, mais
interactivas, mais cooperativas e mais divertidas, em que o ensino informal, a
autonomia e a criatividade podem ser significativamente potenciados com todas as
vantagens educativas daqui decorrentes.
Componente Lúdica
A componente lúdica visa disponibilizar sob a forma de diferentes tipos de recursos
multimédia, diversos conteúdos e ferramentas que permitam às crianças despertar a
sua curiosidade e aprenderem de forma mais informal, divertida e em grupo,
aprendizagens imprescindíveis na ampliação das competências dos alunos e na sua
motivação para aprender sempre mais.
91
Tipos importantes de recursos pedagógicos a disponibilizar neste contexto são os
novos media digitais, incluindo jogos educativos, livros digitais, vídeos e aplicações
interactivas.
Componente Social
Hoje em dia o software social ( wikis , blogs , plataformas de colaboração, instant
messaging , social tagging , etc .) tem vindo a assumir uma importância muito especial
na interacção e socialização das pessoas via web . Contudo, a utilização recomendada
deste tipo de software implica cuidados especiais para evitar os seus problemas
potenciais em termos de perda de privacidade e segurança, cuidados que nem todos
ainda conhecem e praticam. Dada a enorme popularidade e proliferação deste tipo de
software, a sua apetência começa cada vez mais cedo, em idades mais precoces,
chegando hoje já aos níveis das crianças do ensino básico.
Esta componente tem como objectivo principal educar para a correcta utilização de
software social, complementando as anteriores e promovendo a aprendizagem em
grupo, através da colaboração, da partilha e da comunicação informal das crianças
com os seus colegas de turma e de escola, os seus amigos, professores e pais. A
Plataforma Escolinhas disponibiliza diversas funcionalidades de software social,
seguras, especialmente adaptadas para o ambiente escolar e crianças na faixa dos 6
aos 12 anos, ferramentas estas criteriosamente ancoradas nas relações sociais típicas
existentes na escola tradicional, tais como: os colegas da turma, colegas da escola, os
amigos, os encarregados de educação e os professores.
Concretamente, disponibiliza-se um sistema simples, fechado e seguro de troca de
mensagens em tempo real ( instant messaging ou chat ), mensagens de correio
electrónico (tipo e -mail), mensagens curtas ( micro -blogging ), que permitem uma
maior aproximação e cooperação entre todos na comunidade educativ a.
Adicionalmente, permite-se a cada aluno a disponibilização do seu perfil, sujeito à
validação dos respectivos encarregados de educação, onde o aluno poderá partilhar
alguma informação pessoal (desporto e actividades preferidas, diário, agenda, blog,
cal endário, etc.), no sentido de fomentar as relações interpessoais no seio escolar e
92
encontrar afinidades desconhecidas entre colegas. O efeito “Serendipity” desperta a
curiosidade e a vontade de saber mais, promovendo a aprendizagem informal.
Em suma, nesta componente pretende-se disponibilizar um ambiente Web 2.0/3.0 ,
adaptado às crianças, permitindo-lhes disponibilizar conteúdos e partilhar
informações de forma segura e ancorada na escola real e tradicional.
Professores e Coordenadores de Escola
Para além de todas as funcionalidades disponibilizadas aos alunos, os professores
podem também gerir os seus espaços dentro das s uas turmas, subscrever notificações
sobre a actividade dos alunos, supervisionar, rever e avaliar os trabalhos digitais dos
alunos, publicar trabalhos no espaço exterior exclusivo para as suas turmas, e enviar
mensagens a alunos e encarregados de educação. De uma forma simplificada, a
plataforma disponibiliza todas as funcionalidades essenciais para que os professores
e coordenadores possam gerir e monitorizar a actividade das suas turmas e escolas.
Dada a centralidade da plataforma, esta poderá originar um directório de recursos
disponíveis para ensino básico, devidamente classificados com base nos programas
educativos oficiais, para o qual todos os interessados podem contribuir de forma
dinâmica, cooperativa e colectiva.
Encarregados de Educação
Aos encarregados de educação são disponibilizadas igualmente funcionalidades de
supervisão e monitorização dos trabalhos e actividade dos seus educ andos, podendo
assim, de forma não intrusiva, manter-se a par de tudo e facultar as respectivas
autorizações sempre que necessárias. Estas funcionalidades indirectamente
permitirão contribuir para uma gradual redução de eventual alheamento na
comunicação entre pais, alunos e professores e promover também a literacia digital
dos encarregados de educação.
Ainda no contexto educativo português, existe um outro Programa Tecnológico de
nome e.escola que surgiu em Junho de 2007. O governo delineou um plano para
concretizar uma nova ambição: todos os alunos e professores beneficiários do
93
Programa e.escola , poderem adquirir um computador portátil com ligação de Banda
Larga.
Assim sendo, em todo o país e em apenas dois anos, mais de 1 milhão de pessoas
aderiram ao Programa e.escola . Este foi o maior reconhecimento obtido por este
projecto. Agora todos os alunos do 1º ao 12º ano, todos os alunos com necessidades
especiais, todos os professores do ensino pré-escolar, básico e secundário e todos os
adultos em f ormação nas Novas Oportunidades podem ter computador, que pode ser
totalmente gratuito ou ter um custo muito reduzido.
A escola EB1 de Várzea de Abrunhais, perto de Lamego (no interior do país) após a
sua adesão ao Programa e.escola é um exemplo de sucesso de criatividade e
inovação tecnológica chamando a atenção da empresa multinacional Microsoft . A
escola recebeu um prémio em 2009 que a colocou entre as escolas tecnologicamente
mais inovadoras do mundo, tendo sido convidada a integrar a rede de escolas
inovadoras, a nível mundial. Foi precisamente com o blog que a janela da pequena
escola de Várzea de Abrunhais se abriu ao mundo. Tudo porque à medida que os
alunos faziam trabalhos a professora ensinava-os a colocarem-nos na página virtual,
para poderem ser partilhados e apreciados por quem quisesse. Os resultados das
novas práticas não tardaram a sentir-se. O entusiasmo revelado pelas 12 crianças,
entre os 7 e os 9 anos, depressa alastrou às restantes 22, distribuídas pelas salas dos
3° e 4° anos, e até ao jardim de infância.
Através do enorme impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação é de
facto possível promover a Aprendizagem Cooperativa, por um lado, à volta dos
computadores , favorecendo a interacção face-a-face, a discussão, enfim, a
aprendizagem e, por outro, através dos computadores , graças ao potencial da
internet, onde o computador se torna o meio de interagir à distância (correio
electrónico, videoconferência, chats, blogs ).
Torna-se então fundamental que os professores adquiram cada vez mais abertura para
adoptar ferramentas tecnológicas nas salas de aula e nos demais espaços
pedagógicos, propiciando aos alunos actividades flexíveis, abrangentes nos seus
objectivos e conteúdos, nas quais estes se encaixem segundo seus interesses,
94
inclinações, habilidades para que encontrem soluções, sugiram alternativas,
aprendam a pensar e a serem agentes transformadores numa era totalmente
globalizada.
1.11 Apre ndiza gem Co opera tiva e Educaç ão Int ercultural
As origens do discurso que preconizam o direito de todos à educação remontam a
1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde as nações do mundo
abraçaram o princípio de que todos têm o direito à educação. No entanto, o princípio
orientador do sistema educativo português consagrado na Constituição da República
(1970) e posteriormente na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), expresso pela
igualdade de oportunidades de acesso ao sucesso escolar, ainda está longe de ser
cumprido. Para tal, tem contribuído a morosidade do processo de contacto e partilha
entre diferentes culturas, no sentido de promover o pluralismo cultural, progredir no
respeito pelos direitos humanos e no direito à própria identidade. A nossa sociedade
vive mudanças extremamente rápidas e intensas que exigem inovações educativas
que acompanhem essa celeridade. A Educação Intercultural costuma
apropriadamente fazer referência a essas inovações. Entre os objectivos mais
frequentemente reconhecidos realçam-se: o lutar contra a exclusão e adaptar a
educação à diversidade dos alunos, garantindo igualdade de oportunidades na
aquisição das competências necessárias para a sua integração activa num mundo cada
vez mais complexo (Díaz-Aguado, 2000).
Esta perspectiva da interculturalidade vista como um meio para melhorar o respeito
pelos direitos humanos (e não como um fim em si mesma), pode permitir resolver
alguns conflitos que por vezes surgem nas escolas, se não ficar apenas limitada à
incorporação de conteúdos sobre outras culturas diferentes da maioritária, ou seja a
sua aplicação mais habitual. Segundo Díaz-Aguado (2000, p. 15), “é necessário
adaptar o ensino à diversidade dos alunos compatibilizando a igualdade de
oportunidades com o direito à própria identidade cultural”. Ass im se ndo, o objectivo
primordial da Educação Intercultural é unir a diversidade e a igualdade de trato, a
95
integração sócio-afectiva e promover a ajuda na resolução do conflitos. O propósito
da Educação Intercultural deverá ser ensinar e aprender a viver juntos. O diálogo
intercultural deve estar presente nas escolas baseando-s e na conscientização da
diversidade humana e no respeito pela mesma.
O fenómeno da globalização, que tem diluído as fronteiras territoriais e contribuído
para a entrada de alunos provenientes de países estrangeiros reforça a necessidade
não só de respeitar a multiculturalidade mas sobretudo de estimular as relações
interpessoais com as pessoas de diversas culturas. Em alguns países da União
Europeia, o peso da imigração chega a ser superior ao da emigração como acontece
em Espanha, mais concretamente na região da Galiza. Neste contexto não é de
estranhar que Santos Rego e Lorenzo Moledo (2008) refiram que a imigração acaba
por representar um novo desafio para a rede do ensino de um país historicamente
acostumado a lidar mais com fluxos de saída e menos com os de entrada. O número
de alunos estrangeiros em Espanha (vindos na maioria dos casos da Colômbia,
Argentina, Venezuela e Uruguai) tem crescido nos últimos anos. Esta nova realidade
ma is social do que educativa acaba por afectar indiscutivelmente a escola e a quem
mais directamente protagoniza o processo ensino-aprendizagem.
Numa investigação realizada no Instituto de Ciências da Educação da Universidade
de Santiago de Compostela (USC) com uma amostra de 310 professores do ensino
secundário da Galiza verificou-se que 80% dos professores (a maioria) carecem de
formação em educação intercultural e entre os 20% que receberam formação nesta
área fizeram-no através de centros de formação e recursos (11,1%) ou mesmo na
Universidade (4,2%). Este estudo chama inclusivamente a atenção para o facto de
que a maioria dos professores que carece de formação considera que a Educação
Intercultural se identifica com cursos de educação especial (48,5%) ou que consiste
em ensinar a língua e a cultura das minorias (43,8%) (Santos Rego & Lorenzo
Moledo, 2003).
Segundo os autores do estudo, estes dados não são de estranhar uma vez que na
formação inicial de professores verifica-se uma ausência de matérias espec íficas em
Educação Intercultural nos planos de estudos dos cursos ligados ao ensino. Se
consultarmos o estudo de García López (2003) verificamos que a investigadora,
96
depois de analisar 155 planos de estudo de estabelecimentos de ensino superior
ligados à educação chegou à conclusão de que a escassa presença da pedagogia
intercultural no currículo oficial dos professores que leccionam no sistema educativo
pode fazer com que a diversidade cultural nas escolas se torne mais fonte de
problemas em vez de se tornar cada vez mais numa de riqueza educativa.
Outra questão para a qual (Nieto & Santos Rego, 2003b) advertem é a escassez do
trabalho real efectuado, apesar da crescente atenção prestada à necessidade de uma
preparação intercultural dos docentes. Há que reconhecer a pouquíssima formação
que está a ocorrer a este nível. Segundo os mesmos autores, a acção dos professores
assemelha-se a “voluntários dispostos” e são precisamente aqueles que se
disponibilizam que menos necessitam de preparação.
Também Portugal, país de emigrantes e de imigrantes, é hoje uma sociedade
multicultural e por isso deve ser um país intercultural. À semelhança do que ocorreu
e ocorre em muitos outros países, é na institucionalização do direito de todos à
educação escolar e à igualdade de oportunidades de acesso e de êxitos educativos,
onde se enraízam as medidas e as acções que pretendem responder positivamente à
multiculturalidade (Leite, 2005).
A Educação Intercultural neste país surgiu nos finais dos anos 80, mas é no início da
década de 90, com o então Ministro da Educação Roberto Carneiro, que se lançam as
linhas orientadoras desta vertente educativa. Estes são os primeiros passos no sentido
de pretender contribuir com soluções para os novos desafios que a diversidade
cultural implica, resultantes do fenómeno da imigração e s imultaneamente apresentar
novas atitudes perante problemas da escolarização relativas às minorias étnicas em
Portugal (Pacheco, 2005).
Isto significa que o processo de integração de imigrantes (nomeadamente dos países
africanos de língua oficial portuguesa, brasileiros e dos países de leste) e das
minorias étnicas (ciganos) na sociedade de acolhimento depende de duas vontades
singulares: as do povo que acolhe, e a dos cidadãos que chegam. Sem a perfeita
compreensão deste processo de duas vias estaremos sempre a escamotear uma parte
da realidade. Por isso, é de fundamental importância para o Governo que, a par do
97
trabalho que tem sido desenvolvido no acolhimento dos imigrantes, se trabalhe
também com a população de acolhimento no sentido de criar um espírito positivo
sobre este novo fenómeno e de cimentar a convicção de que todos temos a ganhar
com as novas trocas sociais, económicas e culturais da sociedade portuguesa
contemporânea.
Neste contexto, é preciso reformular os sistemas educativos por f orma a responder às
necessidades pluralistas e diversificadas, assim como, investir na formação de
professores neste âmbito. Estes confrontam- se co m uma população escolar
diversificada, heterogénea, sob múltiplos aspectos: sexual, social, étnica, linguística e
de nacionalidade. As minorias étnicas mais representadas nas escolas são os ex-
emigrantes da Europa, cujo movimento de regresso se iniciou por volta dos anos 70 e
dos portugueses de África - da 2ª geração. Esta nova realidade social levou à
necessidade de repensar as práticas profissionais docentes que eram apenas dirigidas
a alunos pertencentes a um padrão de cultura média definido como estudante branco,
católico, do meio urbana pertencente à classe média (Leite, 2005).
Foi nos anos 90 do século XX que em Portugal, as questões da multiculturalidade
passaram a estar incluídas na agenda dos debates e das políticas de intervenção
escolar.
Pacheco (2005) apresenta algumas iniciativas que têm sido tomadas em Portugal para
a integração destas minorias na sociedade portuguesa:
• Em 1991, o Secretariado Coordenador de programas de Educação
Intercultural promoveu programas e acções cujo objectivo se centrava na
educação para os valores da convivência, da tolerância, do diálogo e da
solidariedade entre diferentes povos, etnias e culturas. O Projecto de
Educação Intercultural, da responsabilidade do Secretariado Entre-Culturas
onde participaram escolas do 1º, 2º, e 3º C iclo s, surgiu em 1993-1994 e tem
como objectivo: “promover a igualdade no acesso aos benefícios da
educação, a valorização das diferentes culturas e legitimação do direito à
diferença” (Rocha-Trindade, 1995, cit in Pacheco, 2005, p. 1).
98
• Em 1993 fundam-se várias organizações que têm trabalhado neste âmbito: a
Associação de Professores para a Educação Intercultural, a Escola na
Dimensão Intercultural (PEDI), o Movimento SOS-Racismo e a O IKOS
movimento internacional de solidariedade entre os povos que tem efectuado
programas de animação social, colóquios, espectáculos musicais, etc.,
promovendo e desenvolvendo a aceitação, a compreensão e a interacção de
diferentes culturas.
• Ao nível da formação de professores, as formações pós-graduadas das
Universidades e Escolas Superiores dos Institutos Politécnicos têm reflectido
a necessidade desta exigência. Neste capítulo destaca-se o Mestrado em
Relações Interculturais da Universidade Aberta 1991-92 – actividade
considerada pioneira em Portugal. O centro de Estudos das Migrações e das
Relações Interculturais (CEMRI) 1990, da mesma Universidade, merece
igualmente destaque pelo seu trabalho.
• O gabinete de Integração Escolar e de Apoio Social na Universidade do
Porto, procura resolver questões relacionadas com a Educação Intercultural.
É evidente neste contexto, que a Europa, em geral, e Portugal, em particular, têm a
consciência da sua característica intercultural, distanciando-se da existência de uma
“monocultura”. Apesar dos esforços realizados, no sentido de integração desta nova
população escolar, as políticas de integração estão ainda longe de satisfazer as
necessidades actuais. A escola deve ter a consciência desta realidade e ser capaz de a
transformar para servir, da melhor forma, toda a comunidade.
Na escola de hoje não pode deixar de estar presente a dimensão social do acto
educativo, e se com a educação pretendemos caminhar para o desenvolvimento da
justiça social é necessário que as respostas educativas à multiculturalidade sejam
positivas. É necessário que o currículo incorpore a diversidade existente e que os
professores reconheçam as especificidades dos alunos, lhes concedam importância e
partam para a construção de um conhecimento científico e desenvolvimento da
formação pessoal e social possibilitando a cada aluno surgir entre a multidão e
tornar-se pessoa (Leite, 2005).
99
Segundo Bizarro (2009, p. 143), “a escola portuguesa da actualidade é, à semelhança
do que acontece com outros países, uma escola marcada pela pluralidade cultural,
pela co-presença de diversidades de vária ordem (origem socioeconómica dos que a
povoam, factores geracionais, ideologias, crenças e valores distintos, multiplicidade
étnica, questões de género, expectativas, percepções do mundo, de Si e da própria
Escola, entre outros aspectos, sem esquecermos, ainda, as diferentes metodologias de
ensino e as práticas diversificadas de aprendizagem que nela se observam, as quais
também ajudam a caracterizar quer a pessoa-professor, quer a pessoa-aluno)”.
Neste entendimento, e segundo a mesma autora, torna-se importante agir através de
projectos educativos de escola e de turma em conformidade com estes princípios, até
porque mesmo sob a capa de uma suposta homogeneidade (etária, ou cor da pele, por
exemplo), os alunos, professores e auxiliares de acção educativa todos estão
marcados por traços de heterogeneidade. Tendo em conta os contextos de que
partem, os projectos educativos deverão nos dias de hoje desmoronar obstáculos que
prejudicam a aproximação do Eu ao Outro e vice-versa, e muito provavelmente
reinterpretar o currículo, indo de encontro às necessidades dos principais
destinatários da educação de forma a torná-los iguais em direitos e em dignidade.
Araújo e Pe reira (2004) concebem a escola como um espaço privilegiado no qual a
construção de identidades deverá respeitar as diferenças étnicas, oferecer condições
para que os indivíduos de origem minoritária possam competir em igualdade de
condições, e proporcionar uma aprendizagem de práticas associativas.
Os mesmos autores consta tam que a crescente diversidade étnica em Portugal
“tornou-se num desafio para todos: para aqueles que se deslocam dos seus países de
origem, para os dos países que os recebem, a classe política, e para aqueles que
procuram compreender, dar sentido e oferecer soluções para este fenómeno social,
mais especificamente os cientistas sociais” ( idem , 2004, p. 14).
Deste modo, ao estarmos perante a heterogeneidade despoletada pelos desafios da
sociedade multicultural que caracteriza a escola das sociedades contemporâneas, o
professor que nela exerce as suas funções de forma responsável e consciente, elege a
Aprendizagem Cooperativa como método de ensino revelando necessariamente um
106
parece ser o desenvolvimento de programas de formação dos professores. Este
investimento na formação passará a funcionar como uma ferramenta-chave de forma
de ultrapassar as dificuldades observadas. Estes programas deverão ser
simultaneamente teórico-práticos, nos quais se facilite à aquisição de recursos
eficazes para adaptar a educação à diversidade dos alunos e a cooperação entre
professores. Naturalmente, para se poder pôr em prática estas condições é necessário
que o professor também tenha disponibilidade para mudar substancialmente o seu
papel tradicional no ensino, pelo de alguém disponível para facilitar o processo de
construção de conhecimentos e de valores que os próprios alunos, em cooperação
com os seus colegas. Na verdade, constata-se que existem diferenças muito
significativas no tipo de interacção que os professores estabelecem na aula com
alunos pertencentes a grupos minoritários. Segundo Brophy e Good (1974, cit in
Díaz -Aguado, 2000, p. 24), existem três estilos de atenção à diversidade dos alunos:
• O estilo pró-activo , onde se enquadra o professor que consegue adaptar o
ensino à diversidade;
• O estilo reactivo onde se enquadra o professor que se limitam a reagir às
diferenças existentes entre os alunos (o laissez-faire );
• O estilo sobre-reactivo ou discriminatório.
O professor que elege a Aprendizagem Cooperativa como metodologia de ensino
adaptará obviamente o estilo pró-activo, e preferirá claramente estratégias de
oposição à discriminação como forma de lidar com a diversidade na medida em
reflecte sobre as desigualdades da sociedade em que se insere, em vez de as reflectir
e reproduzir. Como tal, privilegia estratégias de autonomia e cooperação nas
aprendizagens e nas relações entre parceiros trabalhando as diferenças individuais
existentes no meio escolar. Possibilita tanto aos alunos de diferentes heranças étnicas
como aos alunos que apresentem incapacidades, a oportunidade de participarem
totalmente na vida da escola e desenvolverem uma melhor compreensão uns dos
outros. A oportunidade mais importante inerente à Aprendizagem Cooperativa é sem
dúvida, a possibilidade de os alunos com necessidades educativas especiais e de
diferentes origens trabalharem juntos em grupos cooperativos e em projectos
107
especiais. O professor estabelece pois uma ligação forte entre a Aprendizagem
Cooperativa e a interculturalidade. E para que esta articulação se torne uma realidade
é necessário que o docente ceda aos alunos parte do controlo que habitualmente
exerce sobre a actividade académica, e que estes últimos estejam organizados em
equipas heterogéneas de aprendizagem de forma a activar a construção do
conhecimento e a favorecer a máxima distribuição do protagonismo e das
oportunidades académicas.
A educação Intercultural é, segundo Díaz-Aguado (2000), a forma ideal para
concretizar este tipo de inovações, para além de constituir um meio para melhorar o
respeito pelos direitos humanos, nomeadament e na coordenação entre o respeito
intercultural e o sexismo. Contrariamente, o professor sem consciência intercultural
tem frequentemente a propensão para impedir essa heterogeneidade forçando a sua
homogeneização. Impõe comportamentos, que assume como universais gerando uma
inevitável resistência, activa ou passiva, por parte do aluno. Renuncia a ideia de que
é preciso fazer o luto do “aluno médio” e o luto da homogeneidade. O profess or
monocultural (Stoer, 1993) vê a diferença ou diversidade cultural como um deficit
que é preciso compensar e a heterogeneidade como um obstáculo, reconhece as
diferenças culturais mas não as conhece, centra-se nas diferenças e não nas
semelhanças. Neste entendimento, ao se valorizar mais uma cultura, em detrimento
das outras, corre-se o grave risco de se direccionar a prática pedagógica para uma
educação monocultural, fundamentada num assimilacionismo e numa
homogeneização cultural, sendo um impeditivo para o desenvolvimento societal. A
escola não pode continuar a aparecer desenhada numa matriz homogénea onde um
aluno diferente é assumido como um problema, daí a urgente necessidade de haver
uma viragem profunda no contexto escolar.
Nesta linha de pensamento, segundo Cochito (2004, p. 15), o professor que “ sem
reflexão, sem meios de aumentar o conhecimento sobre a realidade que o rodeia,
preso a estratégias ineficazes que não lhe permitem de forma realista e exequível
optimizar a comunicação, (…) facilmente se esgotará em tentativas mais ou menos
infrutíferas em ‘gerir’ a sala de aula ”. De acordo com esta perspectiva, é
perfeitamente constatável que o carácter transmissivo, reprodutor, normativo e
108
produtor do tipo de ensino até agora dominante, se revela completamente obsoleto
face aos desafios que se colocam à escola e ao professor contemporâneo.
Santos Rego (1991a, p. 319) é da opinião que “cada profesor debe calibrar las
posibilidades de viabilizar modelos y métodos cooperativos, así como su oportuna
dosificación y presencia en la planificación y realización de tareas de aprendizaje” .
Este processo deverá ser assumido a partir do momento em que os docentes,
enquanto agentes de ensino, reconheçam e valorizem as diferenças, implicando- se
nesse processo de cooperação e de difusão cultural dos diversos grupos sociais. O
espírito cooperativo diz respeito ao exercício de relações democráticas, igualitárias,
solidárias e equitativas. Porém, não podemos deixar de reconhecer que a sua prática
se dá em condições concretas do capitalismo e que a aplicação da Aprendizagem
Cooperativa está inserida numa sociedade eminentemente competitiva e desigual.
Contudo, é possível e urgente difundir o espírito cooperativo numa sociedade como
esta, de forma a promover uma educação que favoreça o desenvolvimento de pessoas
participativas, solidárias e responsáveis com o mundo que as cerca.
Numa escola onde todos são diferentes, é fundamental que o professor adquira
flexibilidade de forma a poder proporcionar o êxito e a mudança. Até porque os
alunos serão os primeiros a perceber com bastante exactidão qual o estilo de cada
professor perante a diversidade e que quando têm contacto com professores
empenhados na tolerância são capazes de detectar e rejeitar o racismo e a
discriminação noutros professores (Díaz-Aguado, 2000). De facto, trabalhar na
escola multicultural requer por parte do professor a aquisição de uma nova postura
pedagógica e implica, segundo Ouellet (1991) disponibilidade da sua parte para no
que diz respeito aos conceitos fundamentais :
• Aprofundar conhecimentos sobre cultura, etnicidade e identidade no contexto
da modernidade e da “pós-modernidade”;
• Explorar a génese e evolução do conceito de cidadania democrática;
• Compreender a necessidade de ultrapassar o relativismo cultural;
109
• Identificar os obstáculos às relações interculturais: preconceito, discriminação
e racismo;
• Compreender a dinâmica da exclusão social e da marginalização, o ciclo
vicioso de culpabilização-vitimização e desocultar os obstáculos à igualdade
de oportunidades.
No que concerne à comunicação/empatia :
• Aprender a conhecer-se a si próprio, tomar consciência do próprio estilo de
comunicação e reconhecer os obstáculos à comunicação intercultural;
• Asseg urar-se de que existe comunicação com o outro, reconhecendo que falar
a mesma língua não é, por si, condição suficiente;
• Ter consciência de como o outro pode percepcionar o nosso comportamento;
• Dar atenção e compreender os efeitos da comunicação não verbal;
• Desenvolver competências de bom comunicador: escolher a mensagem em
função do interlocutor, apresentar a mensagem estruturada e organizada,
aprender a usar a voz e a entoação, estar atento ao impacto da mensagem.
A nível da relação pedagógica :
• Dar tempo para o estabelecimento da comunicação; respeitar o ritmo e o
estilo de aprendizagem do outro;
• Manifestar e desenvolver nos seus alunos competências sociais através da
prática do dia-a-dia: saber ouvir, saber participar, resolver conflitos, etc.
• Construir um clima cooperativo de sala de aula, por oposição ao
individualista ou competitivo;
• Apreciar o trabalho e o esforço do outro sabendo evitar que esse feedback
seja interpretado como controlo e, logo, desencadeador de dependência;
110
• Encorajar o sentimento de auto- eficácia.
No que diz respeito às práticas pedagógicas :
• Aumentar o nível de autonomia dos alunos, reconhecendo-lhes iniciativa e
responsabilidade, capacidade de reflectir e organizara sua própria
aprendizagem;
• Estabelecer relações de cooperação;
• Incentivar a participação dos alunos;
• Investigar e promover uma “cultura” de investigação;
• Auto-avaliar a sua acção, incentivar práticas de auto-avaliação junto dos
alunos e criar as metodologias e instrumentos adequados para o fazer.
Encontramos aqui mencionadas algumas considerações importantes para o professor
que deseja alcançar outro tipo de atitude, o que logicamente não significa que se irá
transformar num professor perfeito, mas especialmente num docente disponível para
reflectir de uma forma crítica e construtiva, com poder investigativo e sobretudo,
capaz de motivar e de se auto-motivar. Existem também algumas condições
necessárias para diminuir a distância entre os objectivos da Educação Intercultural e
a sua prática, nomeadamente a alteração de conteúdos e materiais pedagógicos e a
própria opção pela inovação educativa, baseada na Aprendizagem Cooperativa. Esta
metodologia de ensino-aprendizagem sustentada num modelo de interacção
educativa vai ao encontro da diversidade dos alunos, onde todos poderão ter um nível
de protagonismo desejável, assumindo um papel mais activo na construção do seu
conhecimento. Outra condição imprescindível é garantir o respeito pelos direitos
humanos através da resolução de conflitos inerentes à aplicação da educação
Intercultural. É de facto muito importante que os alunos aprendam a enfrentar e
resolver os seus conflitos e a experimentar a heterogeneidade como algo positivo
(negociando interesses diverge ntes) de forma a adquirir complexas competências
socioemocionais (Díaz-Aguado, 2000).
111
Ao apostar numa escola para todos através da igualdade de oportunidades, poder- se - á
estar a garantir o acesso a uma escolaridade mas não o seu sucesso. Decorre daí a
necessidade de atender às diferenças académic as e culturais de cada aluno,
possibilitando um enriquecimento mútuo. O Ano Internacional da Tolerância (1995)
por iniciativa da Conferência Geral da UNESCO promoveu o slogan “todos
diferentes, todos iguais”, no entanto, apercebemo-nos que o racismo continua a
vivenciar-se em algumas escolas portuguesas, pois ainda não se verificou uma
verdadeira aposta na Educação Intercultural como garantia de respeito, tolerância e
enriquecimento mútuos. Não basta apostar numa escola multicultural no sentido de
haver apenas a verificação da presença de culturas diversas em determinado meio e
da procura de compreensão das especificidades de cada uma, baseado no “culto
romântico da diferença” ou “paternalismo”. Se nos situarmos apenas na
compreensão, baseada na simples aceitação da diferença, não conseguiremos de
forma alguma romper com uma atitude de assimilação.
Uma escola intercultural passa não só pelo reconhecimento da diferença mas
percorre um longo caminho de forma a alcançar o conhecimento destas
especificidades, pelo envolvimento de todos através de formação de equipas de
professores em processos de construção de mudanças que respondam à diversidade
sócio-cultural das comunidades escolares. Reconhecer uma situação é importante,
porém, fazer algo para a ultrapassar é mais importante ainda. De facto, na
perspectiva de García López e Sales Ciges (1998), a formação de atitudes e valores é
um dos objectivos básicos e irrenunciável da Educação Intercultural, que poderá ser
explorado através de programas pedagógicos de intervenção utilizando como
metodologia inovadora a Aprendizagem Cooperativa. O s programas de formação de
atitudes interculturais (programas em educação intercultural) pretendem a introdução
progressiva da perspectiva intercultural em todos os componentes do currículo, de
forma a que a diversidade cultural seja considerada não como um problema, mas
como uma expressão de riqueza da espécie humana havendo comunicação e
entendimento intercultural. Portanto, “el modelo intercultural que proponemos
puede entenderse como un modelo educativo que propicia el enriquecimiento
cultural de los ciudadanos, partiendo del reconocimiento y respeto a la diversidad, a
través del intercambio y el diálogo, en la participación activa y crítica para el
112
desarrollo de una sociedad democrática basada en la igualdad, la tolerancia y la
solidaridad” (García López & Sales Ciges, 1998, p. 175).
Vários Programas pedagógicos de intervenção onde se utilizam diferentes técnicas de
Aprendizagem Cooperativa têm sido desenvolvidos com o objectivo de promover a
convivência enriquecedora com pessoas de outras culturas, dentro de um modelo
educativo intercultural que pretende eliminar atitudes racistas e xenófobas
enaltecendo a igualdade de oportunidades e o respeito pela diferença. Esta riqueza
torna-se possível porque se enfatiza o conhecimento e o respeito pelas diferentes
culturas através das várias actividades realizadas nestes Programas. García López e
Sales Ciges (1998) desenvolveram um Programa pedagógico de formação de atitudes
interculturais, durante três meses que foi aplicado por uma docente de Educação
Básica (1º Ciclo), utilizando três técnicas de Aprendizagem Cooperativa: técnica
Puzzle de Aronson, Grupos de Investigação (GI) e Teams Games Tournaments
(TGT). Após a intervenção do Programa verificou-se uma melhoria significativa nas
atitudes, produzindo os efeitos desejados nomeadamente na convivência escolar e
aprendizagem de outras culturas, no respeito pela dif erença cultural face aos alunos
da cultura árabe.
Santos Rego e sua equipa (2003b) desenharam e avaliaram um Programa de
intervenção pedagógica intercultural na Galiza, devido ao elevado número de
imigrantes. Apresentam os efeitos da utilização da técnica Jigsaw de Aronson num
grupo de professores em aulas com heterogeneidade étnico-cultural. Utilizaram um
desenho quase-experimental para dois grupos, com pré-teste e pós-teste. Os
resultados corroboram a utilidade da inclusão desta técnica na formação inicial e na
formação contínua dos professores, tendo em conta as vantagens decorrentes da
experiência, nomeadamente a nível da satisfação dos professores relativamente ao
programa de formação que frequentaram e ao nível do fortalecimento dos vínculos
sociais dos alunos culturalmente diversificados.
Ao investir de forma responsável na implementação deste tipo de Programas, a
esco la contribui significativamente para que os grupos mais afastados do poder
também possam usufruir dos bens da sociedade. A escola desempenha um papel
fundamental na divulgação de culturas, uma vez que é um espaço aberto a todos,
113
estando atenta à diversidade cultural e social. Ao adquirir os saberes que socialmente
lhe são transmitidos, a escola cria condições para promover um “bilinguismo
cultural” na medida em que, preservando as raízes culturais próprias dos alunos,
permite que todos tenham não só ace sso mas também respeito pela diversidade
cultural.
A escola é pois um dos lugares educativos propícios para dar cumprimento a
objectivos valiosos que passam por estruturar uma aprendizagem interactiva e
cooperativa. Mas para que esta estruturação possa ocorrer é necessário surgir um
conceito renovado de escola onde haja um impulso para uma visão da mesma como
um sistema social que é mais amplo que as suas partes interrelacionadas (programas,
materiais, currículos, estratégias de intervenção docente, etc.) e como um sistema
cultural onde existem valores, normas e significados compartilhados (Santos Rego,
2003a).
A promoção da interacção cooperativa na escola está associada à realização de
aprendizagens com outros despoletando muito mais satisfação do que a execução
individual muito presente na escola tradicional.
Santos Rego (2003a), baseado em vários estudos de campo (Santos Rego, 1990 e
Slavin, 1985a, 1981, cit in Santos Rego, 2003a, p. 82) enumera algumas técnicas de
Aprendizagem Cooperativa como es tratégia facilitadora de resolução de conflitos
interétnicos e impulsionadores da convivência e do êxito educativo para todos os
alunos. Ao se constituírem grupos de aprendizagem heterogéneos a todos os níveis,
cada estudante responsabiliza-se não só pela sua aprendizagem mas também pela dos
outros membros do grupo, e os efeitos são de tal modo positivos que os alunos
acabam por conviver fora do período das aulas.
Segundo o mesmo autor, “los espacios cooperativos crean comunidades de ayuda en
el estu dio y en la indagación, donde los discentes se ven a si mismos con
responsabilidades específicas en los planos individual y grupal, independientemente
de raza, edad, clase o género. Y los profesores no sólo tienen que modelar esa
“conducta y disposición atentivas” (entrenándoles en habilidades de colaboración y
114
comunicación), sino también estimular la ayuda mútua en otros muchos escenarios
educativos y sociales” (2003a, p. 87).
A par da crescente motivação derivada da partilha da realização de metas
académicas, todos os alunos assumem um papel activo na turma tornando- se
participantes com igualdade de oportunidades no processo de aprendizagem e no
acesso aos recursos escolares/educativos, independentemente da sua posição
académica ou da sua condição étnica /s ócio-cultural. A estrutura da organização das
actividades educativas desenvolvem-se no sentido da responsabilidade social
melhorando as relações de amizade entre os alunos e diminuindo os prejuízos
étnicos. A Aprendizagem Cooperativa como via de educação intercultural tem
realmente sentido quando os alunos se tornam arquitectos dos assuntos que os
afectam, facilitando os sentimentos de controlo e de autonomia, além de encorajar
para uma atitude de consenso e de tolerância entre os meios culturalmente diversos
(Santos Rego, 2003a). Para a escola trata-se de uma excelente oportunidade
formativa proveniente da riqueza da diversidade humana e cultural do mundo e da
sociedade em que todos vivemos.
Em síntese, apelamos à necessidade de assumir definitivamente o grande projecto de
Educação Intercultural que necessariamente deve ser preservado e divulgada.
Relembramos ainda que falar de Educação Intercultural não é sinónimo de dar voz a
minorias como forma de atenuar ou adiar o conflito enquanto “aprendem” a integrar-
se. Educação intercultural não é considerar a diferença como uma falha que o lesado
deve ter interesse em suprir... Falar em educação intercultural é participar, em plena
igualdade de oportunidades e direitos na construção de uma sociedade que assenta na
diversidade, que une e enriquece a grande família humana deixando a escola de ser
definitivamente só para alguns.
11 5
1.12 Inconvenientes e Mitos sobre a Aprendizagem
Cooper ati va
Apesar das claras vantagens em utilizar o método de Aprendizagem Cooperativa
como prática pedagógica do nosso dia-a-dia, existem riscos que têm de ser evitados
afim de não se comprometerem as potencialidades desta metodologia de inovação
educativa. Slavin (1999) refere que se a Aprendizagem Cooperativa não for utilizada
da forma adequada pode surgir o inconveniente de alguns alunos esforçarem-se por
fazer o trabalho todo enquanto outros não o fazem e ainda tentam tirar proveito dessa
situação porque o grupo progride com ou sem as suas contribuições. Por vezes,
também acontece que os alunos c onsiderados menos capazes nas aprendizagens são
ignorados pelos colegas mais participativos. Nestes dois casos, o docente necessita
de planear e controlar cuidadosamente as interacções do grupo para que estas não se
tornem um obstáculo à aprendizagem e não venham a deteriorar em vez de melhorar
as relações interpessoais na turma.
Ovejero (1990) apresenta algumas razões pelas quais a Aprendizagem Cooperativa
ainda não é prática comum entre os professores. Em primeiro lugar, tem- se
acreditado que as relações interpessoais que os alunos estabelecem dentro da aula
perturbam o rendimento escolar. Em segundo lugar, continua-se a confiar que a
melhor forma de motivar os alunos é promover a competição mútua para ver quem é
o melhor. Em terceiro lugar, as investigações realizadas nos EUA na década de 80
têm -se centrado mais no valor que as interacções entre iguais têm para a socialização
do comportamento e personalidade descuidando os seus efeitos a nível da
aprendizagem intelectual e do conhecimento, ao contrário do que tem ocorrido na
Europa. Em quarto lugar, a Aprendizagem Cooperativa tem sido pouco utilizada
provavelmente pela sua eficácia estar pouco difundida.
Arends (2008) refere que em certas comunidades escolares, por exemplo, os
professores podem encontrar grande resistência à ideia de estruturas de recompensa
cooperativas. Existem por um lado, pais e membros da comunidade que valorizam o
esforço independente e acreditam que essas normas devem ser enfatizadas nas
escolas, para preparar os jovens para o mundo dos adultos caracterizado pela
122
Primaria , os autores apresentaram o processo no sentido de converterem um
problema tradicional, numa actividade realizada em trabalho cooperativo na sala,
mediante a divisão da tarefa e das informações, o que predispõe a um trabalho
baseado na técnica Jigsaw , em que a interdependência dos alunos é indispensável.
Referimos, por último, uma experiência realizada com estudantes de 3º de ESO por
Gavilán Bouzas (2002a) onde se comparam os modelos de resolução de problemas
de uma aula tradicional com uma aula cooperativa, cujas principais conclusões se
descrevem nas linhas seguintes:
- Nas classes tradicionais, os alunos assumiam um papel passivo e silencioso.
Não desenvolviam a expressividade, a defesa de ideias, nem a possibilidade
de falar em público. As interacções verbais ocorriam entre profess or-alunos
mas não entre estudantes sem a intervenção do professor. Verificou-se uma
escassa motivação tanto na atitude dentro da sala de aula como falta de
dedicação fora del a;
- Nas classes cooperativas, os alunos assumiam um papel protagonista, tanto
no que se refere à sua aprendizagem como à gestão do trabalho de grupo. O
docente apenas ass umia o papel principal no início da aula. Entre eles ocorria
uma interdependência positiva que os levou a desenvolver uma dupla
responsabilidade: sobre a sua própria aprendizagem e a aprendizagem dos
elementos que integram o grupo. Os alunos assumiam situações de tutoria, o
que implicou a preparação e reorganização de conhecimentos no sentido de
estar preparado para ensinar algo a alguém. As explicações dadas e recebidas
promoveram nos alunos um elevado grau de motivação.
Em suma, podemos assumir que a existência de determinados mitos em relação à
Aprendizagem Cooperativa não têm fundamento uma vez que o trabalho cooperativo
para além de favorecer atitudes e valores de socialização (os alunos revelam mais
confiança em si mesmos e melhoram as relações a nível grupal) permite aos alunos
sentirem-se mais confortáveis e confiantes em relação às matérias escolares
acabando também por se tornar visível na sua autoestima.
123
Contudo, a aplicação desta metodologia inovadora de ensino não soluciona todos os
problemas do f oro escolar, mas dota docentes e discentes de estratégias para
interagirem verdadeiramente, promovendo uma aprendizagem mais significativa e
uma melhor socialização. Através dos inúmeros estudos realizados, a Aprendizagem
Cooperativa apresenta-se como altamente eficaz nas variáveis escolares, tanto
cognitivas como não cognitivas. E é neste sentido que concordamos com Ovejero
(1990) quando refere que para maximizar tais efeitos positivos é necessário que os
professores estejam realmente motivados para utilizar estas novas técnicas e que os
métodos utilizados possuam certos requisitos mínimos (como a interacção face-a-
face, a interdependência positiva, a responsabilidade individual e utilização de
habilidades interpessoais e grupais).
1.13 Resu mo
Para quem toma contacto com a Aprendizagem Cooperativa necessita forçosamente
de saber em que consiste esta metodologia e como são constituídos os grupos de
trabalho cooperativo numa aula. Assim, neste primeiro capítulo, depois de serem
explorados em primeiro lugar, os aspectos acima mencionados, tivemos a
preocupação de clarificar os objectivos do trabalho de grupo bem como evidenciar as
funções que os alunos desempenham dentro dos grupos cooperativos de forma a
todos saberem como poderão contribuir para uma aprendizagem individual e grupal.
Na realidade, os alunos cooperam porque percebem as vantagens de compartilhar o
que sabem e intuitivamente adoptam uma visão social do processo de aprendizagem.
Outro dos pontos a que demos particular relevância neste capítulo diz respeito às
cinco componentes da Aprendizagem Cooperativa que são fundamentais para que se
estabeleça o processo cooperativo: a interdependência positiva de forma que os
alunos sintam que ninguém terá sucesso, a não ser que todos tenham sucesso; a
interacção estimulante face-a-face, a responsabilidade pessoal pela aprendizagem,
treino de competências sociais e a avaliação/reflexão do processo do trabalho de
grupo. Todas estas componentes devem ser trabalhadas sempre de forma articulada.
124
Ainda neste primeiro capítulo identificámos as três estruturas de aprendizagem :
competitiva, individualista e cooperativa bem como as vantagens inerentes quando se
trabalha com cada uma delas, partindo do pressuposto que cada estrutura tem o seu
lugar e, quando se usa de maneira apropriada, as três formam um todo.
Pensámos ainda ser estritamente necessário revelar as diferenças entre a
Aprendizagem Tradicional e a Aprendizagem Cooperativa, apontando-se algumas
estratégias de utilização da Aprendizagem Cooperativa, tendo em conta as funções e
o comportamento do professor. Referimos também a relevância da Aprendizagem
Cooperativa no processo de ensino-aprendizagem, dando-se particular destaque às
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) não perdendo a oportunidade de
mostrar alguns exemplos de como se trabalha de forma cooperativa tendo por aliada
esta ferramenta pedagógica.
De seguida, evidenciámos a visibilidade que a Aprendizagem Cooperativa tem ao
estar enquadrada numa perspectiva de educação intercultural. Hoje em dia o mundo
deve assumir as transformações culturais importantes na cultura de cada sociedade
concebendo essas evoluções com momentos de enriquecimento que só se tornam
possíveis através da diversidade cultural. O caminho da educação intercultural aliado
à Aprendizagem Cooperativa facilita a relação entre indivíduos, grupos e povos de
diferentes culturas e promove esse encontro, que de outra maneira não seria
exequível. A educação, nunca é demais repeti-lo, ou é intercultural ou não é
democrática. Mas também se pode acrescentar que a educação ou é consciente e
deliberadamente cooperativa ou não será intercultural e, portanto, democrática.
A aprendizagem Cooperativa também não tende a ser espontânea e fácil. Espontâneo
e fácil é um ensino individualista e elitista, unidireccional e reprodutivo, de que
tantos parecem ter saudades. Quanto menos se reflecte e planifica uma actividade
pedagógica menos ela é participada e cooperativa, menos intercultural, formativa e
democrática. Menos forma cidadãos responsáveis e participantes.
Por último, demos a conhecer a existência de certos mitos ou inconvenientes
apontados à Aprendizagem Cooperativa e que cada vez mais se torna necessário
desmistificar.
125
Capítul o 2
A S P ERSPECTIV AS T EÓRICA S DA
A PRENDIZAGEM C OOPERA TIV A
127
2.1 Introdução
Neste capítulo abordamos, num primeiro momento, os princípios históricos que estão
na base do sistema de ideias que alicerçam a fundamentação teórica da
Aprendizagem Cooperativa. Efectivamente, torna-se fundamental buscar nos
princípios que outorgam identidade à Aprendizagem Cooperativa os referenciais que
podem sustentar a construção de um projecto educacional cooperativo. Este sistema
de ideias é de facto consistente, rico e diversificado uma vez que recebeu contributos
de vários grupos de teorias explicativas, entre eles destacam- se as teorias
motivacionais e as teorias cognitivas cujo contributo se reflecte no enriquecimento
teórico e reforço da aplicação prática da Aprendizagem Cooperativa. Por último,
apresentamos os principais efeitos da Aprendizagem Cooperativa a nível cognitivo e
não cognitivo.
2.2 Breve Abordag em Hist órica da Apr endiza gem
Cooper ati va
A possibilidade de agrupar os alunos propondo que desta maneira trabalhem nas
aulas, de forma a desenvolverem aprendizagens mais significativas e enriquecedoras,
deve ser perspectivada sob o ponto de vista de uma “redescoberta”, como escreveu
Lawrence Finkel no prefácio de um dos livros pioneiros sobre a Aprendizagem
Cooperativa (Johnson, Johnson , Holubec & Roy, 1984), uma vez que a
Aprendizagem Cooperativa não é uma estratégia nova de ensino-aprendizagem. A
Aprendizagem Cooperativa tem por assim dizer uma larga história e provavelmente
um longo futuro.
Ovejero (1990) refere que Commenius, pedagogo do século XVII, acreditava que os
alunos quando tinham de ensinar os colegas tiravam desse acto benefícios
semelhantes aos que teriam se eles fossem ensinados por professores.
128
Para John Dewey (2002), o conceito de educação incluía a questão de que a sala de
aula deveria espelhar a sociedade como um todo e ser um laboratório para a
aprendizagem da vida real. A pedagogia de Dewey exigia aos professores que
criassem um ambiente de aprendizagem caracterizado por procedimentos
democráticos e por processos científicos. A sua responsabilidade principal era a de
motivarem os alunos a questionar acerca dos problemas sociais e interpessoais
importantes. A actuação pedagógica específica da sala de aula descrita por Dewey (e
seus seguidores) já enfatizava a organização dos alunos em pequenos grupos de
resolução de problemas, que procuravam a suas próprias respostas, aprendendo os
princípios democráticos através da interacção diária de uns com os outros.
Contudo, o movimento que está na base da Aprendizagem Cooperativa desenvolveu-
se, sobretudo, a partir dos anos setenta (Johnson & Johnson, 1999a; Sharan, 1990;
Slavin, 1989) tendo a sua origem nos Estados Unidos da América.
Até então, a escola e o seu modo de trabalho pedagógico dominante obedeceram aos
interesses de uma sociedade industrial e capitalista. O desenvolvimento acelerado do
princípio de mercado e da industrialização proporcionou condições favoráveis a um
tipo de ensino que se adequava especialmente às necessidade s das organizações
industriais tendo como objectivo principal preparar os alunos (desde a sua infância)
mais p ara o mercado de trabalho do que propriamente para o exercício da sua
condição enquanto cidadãos.
Contudo, foi nos EUA, onde o nível de competição sempre se apresentou muito
elevado em todos os sectores da vida pública, que alguns investigadores iniciaram
bastante cedo, estudos sobre a realidade da cooperação e da competição nas escolas
revelando aspectos pertinentes que resultaram dessas investigações. Assim, é já nos
finais do século XIX, que uma das maiores figuras da educação desse país alertara
para o facto da importância da partilha das aprendizagens, com o objectivo da escola
poder tornar-se diferente, mais ligada à vida em sociedade: “A instituição escolar tem
assim a possibilidade de associar-se à vida, de tornar-se uma segunda morada da
criança, onde ela aprende através da experiência directa, em vez de ser apenas um
local onde decora lições, tendo em vista, numa perspectiva algo abstracta e remota
uma hipotética vivência futura” (Dewey, 2002, p. 26).
129
Na perspectiva de Marrow (1969), o primeiro grande estudo sobre a influência do
trabalho de grupo com crianças em escolas, deveu-se a Kurt Lewin e aos seus
discípulos Lippit e White, na Universidade de Iowa, no final da década de trinta de
1900. De acordo com essa investigação, as crianças que trabalharam num grupo
cooperativo, com um líder democrático, apresentaram melhores resultados escolares
do que crianças integradas em grupos sem líderes ou com líderes autocráticos.
Neste ambiente de trabalhos de investigação sobre a Aprendizagem Cooperativa, em
me ados da década de sessenta, outros investigadores estimulados por estes e outros
contributos, iniciaram um trabalho mais sistemático de formação originando um
corpo alicerçado de conhecimentos que constituiu o fundamento (a base) da
Aprendizagem Cooperativa. Na realidade, deixou-se de lado a ideia de usar
esporadicamente grupos limitados no tempo para fins específicos, para assumir uma
nova postura que considerava a Aprendizagem Cooperativa como um conjunto de
técnicas a utilizar consistentemente nas aulas e que tem vindo a revolucionar o
pensamento e as práticas educacionais (Slavin, 1996, cit in Bessa & Fontaine, 2002 ,
p . 49). Efectivamente, convém referir que só desde há cerca de quarenta anos a esta
parte é que esta estratégia de ensino-aprendizagem recebeu o devido mérito face às
críticas que simultaneamente iam surgindo às limitações do ensino dominante. A
investigação sobre Aprendizagem Cooperativa que se tem desenvolvido desde os
anos 70 e tem incidido sobre as várias abordagens e metodologias aplicad as em
diversos contextos socioculturais tem demonstrado largamente as vantagens de
aprender em cooperação. Resultados académicos mais elevados, maior compreensão
dos conteúdos, competências sociais mais desenvolvidas, diminuição do estereótipo e
preconceito em relação à diferença são algumas das dimensões em que a
Aprendizagem Cooperativa, usada de forma consciente e continuada, se revelou
superior a outros métodos de ensino.
Assim, nos Estados Unidos da América, por volta dos anos setenta, destacaram- se
in icialmente como impulsionadores dessa nova ideia não só os irmãos David e Roger
Johnson da Universidade de Minnesota, e Robert Slavin, da Universidade de Johns
Hopkins, mas ainda Elliot Aronson da Universidade da Califórnia (Santa Cruz),
Elizabeth Cohen da Universidade da Califórnia (Stanford), Spencer Kagan da
130
Universidade da Califórnia (Riverside), Noreen Webb da Universidade da Califórnia
(Los Angeles) e em Israel Shlomo Sharan da Universidade de Telavive.
Nas investigações realizadas nos anos setenta aplicaram-se técnicas de
Aprendizagem Cooperativa em diferentes conteúdos curriculares (por exemplo: a
leitura e a linguagem,) e áreas disciplinares como a Matemática, Estudos Sociais,
Ciências Naturais, Psicologia, Educação Física, actividades artísticas, onde as tarefas
implicavam a aquisição de conceitos, retenção e memória, solução de problemas
especiais, juízos e predições, execução motora... (León del Barco et al., 2005).
Já na década de oitenta as investigações efectuadas basearam-se em comparar
situações cooperativas, competitivas e individualistas como ainda estabelecer
paralelismos entre diferentes técnicas cooperativas como por exemplo Students
Teams and Achievement Divisions (STAD), Teams Games Tournaments (TGT) e
Team Assisted Individualization (TAI). Ainda nesta década vários autores
consideraram que a Aprendizagem Cooperativa seria uma das linhas de investigação
central na área da psicologia Social e da educação para os anos vindouros (Ovejero,
1990).
Nos primeiros anos da década de noventa, a preocupação central dos investigadores
incidiu nos factores que determinam a eficácia da Aprendizagem Cooperativa
centrando-se no processo interactivo e nas características individuais.
Nos últimos anos desta década até ao momento actual, as investigações sobre a
Aprendizagem Cooperativa centram-se novamente nos resultados e nas
consequências da Aprendizagem Cooperativa sobre as variáveis académicas,
afectivas e sociais. De facto, na sociedade actual, dominada pelos serviços de
informação e pela competitividade (por vezes inapropriada) é necessário introduzir
no desenvolvimento e na aprendizagem dos conteúdos, competências cooperativas de
socialização que permitam a construção do conhecimento cognitivo e não cognitivo
tendo por base o princípio “aprender a aprender”.
131
2.3 Teori as qu e Sust entam a Aprendizagem Cooperativa
As teorias são suportes explicativos de como funcionam as coisas e neste sentido, a
teoria orienta e melhora a prática. Na concepção e planificação de qualquer ambiente
estimulante de aprendizagem, é importante identificarmos as teorias que o sustenta,
uma vez que este ambiente deve ser pensado segundo a teoria sobre como o aluno
aprende, como se apropria e constrói seu conhecimento. Seguindo esta linha de
pensamento, várias teorias têm contribuído para o entendimento da Aprendizagem
Cooperativa e têm em comum o facto de assumirem que os sujeitos são agentes
activos na busca e construção de conhecimento, dentro de um contexto significativo.
Historicamente, teóricos como Piaget, Vygotsky, entre outros, já definiram,
defenderam e demonstraram que a cooperação é um importante dinamizador da
aprendizagem. Piaget define cooperação como operar em comum, ou seja, cooperar.
Para Vygotsky, o trabalho colectivo propicia a ZDP – Zona de Desenvolvimento
Próximo ou Proximal – caracterizada pela distância entre o nível de desenvolvimento
real (conhecimento já consolidado pelo indivíduo – autonomia) e o nível de
desenvolvimento potencial (conhecimento que irá ser construído com a ajuda do
outro – em cooperação).
De i gual modo, muitos profissionais da educação, têm investigado e experimentado
diversas propostas provenientes de distintas perspectivas teóricas. Naturalmente, no
seio destes investigadores essencialmente direccionados para a Psicologia Social e
Psicologia da Educação, acabou por surgir um conjunto de perspectivas teóricas a
partir dos estudos realizados, que acabaram por dar origem a dois grandes grupos de
teorias explicativas: as teorias motivacionais e as teorias cognitivas .
É de todo pertinente salientarmos que ambas as perspectivas enunciadas, embora
divirjam em alguns aspectos, estão fundamentadas quer teórica, quer empiricamente
e acabam por se complementar e é nessa complementaridade e nas formas como se
relacionam que devem ser reflectidas de maneira a se tornarem úteis na tarefa
pedagógica de cada professor.
234
encarregados de educação, associação de pais e membros da comunidade não
assentar em relações de cooperação. De facto, a Aprendizagem Cooperativa constitui
uma hipótese e um contributo credível que devemos considerar seriamente. A prová-
lo está o sucesso que esta estratégia alternativa de ensino-aprendizagem tem obtido
noutros países.
No cerne desta realidade, surge a crescente indispensabilidade de melhorar a
divulgação da Aprendizagem Cooperativa no sentido de ser mais utilizada no
contexto actual de ensino, o que poderá proporcionar a sua afirmação efectiva como
novo paradigma educacional.
Contudo, é deveras sabido que a cultura dominante de escola não se situa na tradição
da cooperação, onde todos trabalham conjuntamente para o mesmo fim, e onde da
discussão aberta e do conflito positivo se ultrapassam barreiras e inseguranças que
tantas vezes se transformam em pedras de tropeço dos alunos para toda a vida. Não
se pode assumir a cooperação, quer a nível de sala de aula quer seja a nível de escola,
como um processo fácil e exequível de um momento para o outro. A Aprendizagem
Cooperativa implica experimentar, ultrapassar barreiras, enfrentar críticas vagas e até
mesmo, em determinadas situações, incompreensão por parte de outros profissionais
que apresentam uma aversão à mudança. Neste sentido, implica da parte de quem se
quer apropriar deste metodologia uma boa dose de persistência para ultrapassar as
forças resistentes à transformação e à introdução de novas metodologias mais activas
e responsabilizadoras, resistências essas muitas vezes protagonizadas pelos próprios
alunos, para quem o refúgio do manual escolar e a previsibilidade da sala de aula
oferece uma falsa segurança. De acordo com esta perspectiva, García López e
Francisco Amat (2009) relatam como foi possível ter a dose de persistência
necessária para transformar uma escola de nível de ensino pré-escolar (Infantil) e 1º
Ciclo do Ensino Básico (Primária) numa escola cooperativa. Esta transformação
ocorreu através de um programa de intervenção que envolveu todos os intervenientes
no processo educativo (professores, auxiliares de acção educativa, alunos e
respectivas famílias) dos 150 alunos socialmente desfavorecidos que frequentam esta
escola. Na verdade trabalhar pedagogicamente com base na Aprendizagem
Cooperativa implica por parte de todos os elementos que estão envolvidos um
235
enorme esforço para melhorar as relações interpessoais de forma a ultrapassar os
problemas de indisciplina, de etnia e de falta de respeito dos próprios familiares em
relação à escola. Apesar das condições de trabalho não serem as melhores, a equipa
envolvida neste programa de intervenção mostrou-se decida em ultrapassar todas as
barreiras e forças resistentes conseguindo melhorar não só os aspectos cognitivo,
afectivo e relacional entre os alunos mas também aperfeiçoar o trabalho em grupo
dos próprios docentes promovendo simultaneamente o aumento da implicação das
famílias destes alunos.
A Aprendizagem Cooperativa tem de ser necessariamente assumida como um
projecto de reforma educativa e no que concerne especificamente ao nível do Ensino
Básico – 1º Ciclo, “la escuela ha de proporcionar un medio rico en relaciones
personales, promoviendo intercambios entre los compañeros de ambos sexos a
través del juego, del diálogo y de la comunicación, del trabajo cooperativo y en
común. En el grupo de sus iguales, bajo la dirección y con el apoyo del profesor, los
niños aprenderán a confrontar sus puntos de vista, a aceptar sus diferencias, a
ayudarse mutuamente y a ser solidarios, a trabajar en proyetos comunes, a darse sus
propias normas y a cumplir los compr omisos colectivamente adoptados. Todo ello es
básico para la convivencia democrática y contribuye a desarrollar tanto el sentido
de la tolerancia como el sentido crítico” (Projecto MEC, 1987, cit in Santos Rego,
1991a, p. 315).
O desafio de transformar uma escola organizada em pequenos grupos, que
dificilmente se articulam e muitas vezes se definem por oposição mútua, numa escola
em que professores, pais e alunos se sentam a uma mesma mesa e encontram formas
de colaborar no dia-a-dia mantém-se em vigor. É nesta visão perspectivada numa
filosofia de escola cooperativa que se criam oportunidades para a afirmação de um
novo paradigma educacional representado pela Aprendizagem Cooperativa.
Nesta sequência, partilhamos um exemplo de vivo a funcionar em Portugal, na
pequena localidade de Vila das Aves, desde 1976. Este projecto inovador foi
idealizado e coordenado até 2005 por José Francisco Pacheco, professor do Ensino
Básico – 1º Ciclo, especialista em Música e em Leitura e Escrita, mestre em Ciências
236
da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade
do Porto.
Escola Cooperativa: uma Experiência de Sucesso em Portugal
A Escola da Ponte é uma instituição pública, localizada a norte de Portugal, em Vila
das Aves, e é a única no país que tem autonomia para escolher o corpo docente. É um
modelo de escola baseado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e
a solidariedade.
Esta Escola surgiu do desejo de se fazer uma escola que respeitasse as diferenças
individuais e tratasse os alunos com amor, não havendo espaço para a falsa crença de
que a pedagogia é a arte de ensinar tudo a todos como se fossem um s ó. A Escola da
Ponte notabiliza-se desde a sua inauguração por um projecto educativo inovador,
baseado na autonomia dos estudantes, em que o sonho de fugir do modelo tradicional
de escola se tornou realidade.
Os alunos frequentam a escola gratuitamente e os professores (designados de
orientadores educativos) são todos contratados pelo Ministério da Educação. Entre
estes profissionais incluem-se as psicólogas e o presidente da Comissão Instaladora,
que não realizam aquilo que tradicionalmente se considera ser o trabalho de
professor. Nenhum dos orientadores educativos tem qualquer redução de horário.
No início de cada ano lectivo, todos os encarregados de educação (pais ou quem
assume esse papel) participam do encontro de apresentação do Plano Anual. Ao
longo do ano lectivo, os projectos são avaliados mensalmente, com o contributo dos
encarregados de educação. Em Portugal, a Associação de Pais da Escola da Ponte é
uma referência a nível nacional.
Ao longo destes anos, um colectivo de professores, com os alunos e os pais,
desenvolveu um projecto educativo ímpar, reconhecido a nível nacional e
internacional pela sua singularidade e riqueza pedagógicas. Esse reconhecimento
traduziu-se, a nível institucional, pela conversão da Escola da Ponte, em Agosto de
2001, numa Escola Básica Integrada, alargando-se o âmbito do projecto a um
237
percurso escolar, integrado e coerente, de nove anos (do 1º ao 9º ano de
escolaridade). Assim sendo, a Escola da Ponte (Escola Básica Integrada com Jardim
de Infância de Aves - S. Tomé de Negrelos) recebe alunos desde o 1º até ao 9º ano –
terminal do Ensino Básico. No pólo das Aves estão localizados o 1º e 2º Ciclos. O 3º
Ciclo encontra-se a funcionar em S. Tiago de Candoso – Guimarães, nas instalações
do Instituto de Sezim. A Escola da Ponte tem, no ano lectivo 2009/2010, cerca de
220 alunos a frequentá- la.
José Francisco Pacheco 6 numa Intervenção feita no I Encontro “Escola, Currículo e
Formação de Identidades” organizado pelo núcleo ECFI do CIIE - Centro de
Investigação e Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Universidade do Porto, em 24-25 de Novembro de 2005, refere que
vinte e cinco por cento dos alunos que chegam à Ponte são violentos e fazem- se
acompanhar de diagnósticos psiquiátricos e psicológicos pouco aprazíveis. “As
instituições de inserção social que acolhem crianças e jovens órfãos encaminham-nos
para as escolas públicas. Normalmente eles acabam isolados no fundo da classe e,
posteriormente, são conduzidos para esta escola. No primeiro dia, chegam aos
pontapés, gritando, insultando, atirando pedras. Algum tempo depois desistem de ser
maus, como dizem, e admitem uma das duas hipóteses: ser bom ou ser bom”.
Com efeito, a Escola da Ponte tem-se afirmado como uma “escola diferente” em que
a originalidade das soluções passa por não haver “anos de escolaridade” nem
“turmas”, passa pelos espaços serem “polivalentes” e os professores não se
queixarem da falta de condições para “dar o programa” combinando o efectivo
sucesso escolar e educativo das crianças com o envolvimento das famílias.
O modo original de organizar o trabalho escolar dos alunos tem a sua contrapartida
num modo, igualmente original, de organizar o trabalho dos professores. É
particularmente entusiasmante a maneira como, nesta escola, se reequacionou a
6 Educador portuguê s e coordena dor da Escola da Ponte desde 1976 até à sua aposentação .
Nota bil izou - se por um projecto educativo inovador basea do na autonomia dos estudantes. É autor de
vários l ivros e a rtigos sobr e Educação.
238
articulação entre trabalho individual e colectivo. Os orientadores educativos da Ponte
reúnem-se em vários momentos. Normalmente, todas as quartas-feiras, existe uma
reunião geral (Conselho de Projecto), uma de Núcleo (Iniciação, Consolidação e
Aprofundamento) e de Dimensão (Lógico-Matemática, Naturalista, Linguística,
Identitária e Artística). Nem sempre as reuniões de quarta-feira são suficientes e por
isso torna-se necessário que os orientadores educativos se reúnam noutros momentos.
As crianças e os adolescentes que estudam na Ponte definem quais são suas áreas de
interesse, desenvolvem projectos de pesquisa e organizam o seu trabalho pedagógico
em grupos de investigação ( Group Investigation – GI). A aprendizagem é feita
através da formação de pequenos grupos com interesse comum por um assunto que
se reúnem com um orientador educativo e estabelecem um programa de trabalho de
15 dias. Este dá orientação sobre o que os alunos deverão pesquisar e os locais onde
pesquisar, incluído com bastante afluência o recurso à Internet. Ao final deste tempo
reúnem-se novamente e os alunos fazem a sua própria avaliação sobre aquilo que
aprenderam. Se o que aprenderam foi adequado, esse grupo dissolve-se e forma- se
um novo grupo para estudar outro assunto. É importante referir que há também
es tudos individuais, depois que posteriormente são compartilhados com os colegas.
Nas paredes é também possível encontrar dois tipos de avisos. “Tenho necessidade
de ajuda em...” ou então, a frase: “Posso ajudar em...”. Qualquer criança que esteja
com dificuldades em determinado assunto coloca ali o tema em que está a ter
dificuldades e escreve o seu nome. Um outro colega, vendo o pedido, vai ajudá-la. E
qualquer criança que se ache em condições de ajudar em algum tema coloca ali o
assunto em que se julga competente e o seu nome. É assim, que se vai formando uma
rede de relações de ajuda.
Na Escola da Ponte não se verifica qualquer tipo de competição, nem entre os
grupos, nem entre os elementos de cada grupo, residindo a sua essência no facto de
combinar a Aprendizagem Cooperativa com a aprendizagem individualizada. Desta
forma, vários alunos podem estar a trabalhar o mesmo conteúdo, no entanto, cada um
adopta um programa específico para a concretização do seu trabalho, verificando- se
assim o desenvolvimento de programas personalizados para cada elemento do grupo.
Dentro dos grupos de trabalho, todos têm a responsabilidade de se ajudarem uns aos
239
outros no sentido de todos alcançarem os seus objectivos. Nesta perspectiva de
trabalho aplica-se a técnica de Aprendizagem Cooperativa TAI ( Team Assisted
Individualization) .
A aprendizagem e o ensino são um empreendimento comunitário, uma expressão de
solidariedade. As crianças que sabem ensinam as crianças que não sabem. Iss o não é
excepção. É a rotina do dia-a-dia. Mais que aprender saberes, as crianças estão a
aprender valores. A ética perpassa silenciosamente, sem explicações, as relações
estabelecem-se nos espaços educativos designados por área. Neste sentido, não há
salas de aula, e sim lugares onde cada aluno procura pessoas, ferramentas e soluções,
testa seus conhecimentos e convive com os outros. Assim, por exemplo na área de
humanística, estuda-se H istória e Geografia; no pavilhão das ciências fica o material
sobre Matemática; e o espaço central abriga a Educação Artística e a Tecnológica.
Quando um determinado aluno pensa que esgotou nos diferentes espaços educativos
todos os instrumentos que tem ao seu dispor para estudar um determinado assunto
(biblioteca, computador, colegas, etc. ), e mesmo assim ainda não conseguiu
compreender um determinado ponto, recorre ao prof essor. O aluno escreve então o
seu nome, a data e tema em estudo numa f olha específica onde se encontra escrito:
“Eu preciso de ajuda”. Depois, o profess or dirige-se ao aluno (ou alunos) com a
dificuldade e tenta esclarecê-lo no que os alunos costumam chamar de “aula directa”.
Nesta Escola os alunos são tratados como crianças que aprendem a ser pessoas, com
base na construção da sua progressiva autonomia para gerir tempos e espaços,
planear actividades, gerir a informação, participar na sua avaliação, exercer os
direitos de cidadania. Naturalmente, este modelo de escola vai de encontro aos
pressupostos enunciados por Lobato Fraile (1998, p. 11) quando partilha a ideia de
que “la escuela debe llegar a ser ocasión para el desarrollo del pensamiento crítico,
la experiencia de grupo, la definición de la propia identidad, la reflexión y
experimentación de valores como la democracia, la participación, la solidaridad,
etc ” .
Na Ponte tem vindo a ser construída uma resposta pedagogicamente coerente, e
eficaz para lidar com a heterogeneidade do público escolar. É exemplar o modo
240
como, nesta escola, são integrados e resolvidos os problemas dos chamados “alunos
difíceis” ou com “necessidades especiais”. Assim, os alunos formam grupos
heterogéneos, e não estão classificados por turmas, nem anos de escolaridade, não há
lugares fixos, nem salas de aula e a escola encontra-se numa área aberta. Não há um
professor encarregado de um grupo, em vez disso, todos os alunos trabalham com
todos os professores. Devido à filosofia de educação inclusiva, a escola da Ponte tem
alguns alunos mais velhos do que a idade prevista para os respectivos anos de
escolaridade que frequentam.
Todos os alunos são especiais e por isso não há alunos rotulados de “alunos com
necessidades educativas especiais” . Isto não é apenas uma forma de contornar a
questão com as crianças que apresentam necessidades educativas especiais uma vez
que quem trabalha neste estabelecimento de ensino tenta o melhor p ossível que cada
aluno receba da escola o tipo de apoio de que necessita.
Os professores vão dando o apoio que é considerado mais adequado, sem fazer
discriminação relativamente a cada aluno. Todos os professores são professores de
todos os alunos. “Todos diferentes, todos iguais, todos com o apoio de que
necessitam”, refere inúmeras vezes, o criador deste projecto.
Os alunos não são avaliados pelo método tradicional, uma vez que não há testes . A
avaliação na Ponte é feita em primeiro lugar, através da observação. Esta é uma das
formas de avaliação que permite aos docentes avaliar melhor os alunos em termos de
valores e atitudes tornando-os mais solidários, responsáveis e autónomos.
Efectivamente, enquanto os alunos ainda não sabem ler e escrever com correcção, a
avaliação é realizada em grande parte através da observação informal do trabalho
produzido pelos alunos. À medida que os alunos começam a ser mais autónomos e
começam a elaborar o seu plano diário (onde planificam o trabalho para esse dia e,
responsavelmente, se comprometem a cumprir determinados objectivos), a avaliação
passa a ser efectuada de várias formas: através de uma conversa, um exercício
escrito, a resolução de um problema, etc. Tudo depende do objectivo em questão.
Existem ainda outros momentos excelentes de avaliação como por exemplo: o
241
comportamento na sala, as apresentações dos trabalhos, a Assembleia de Escola, os
Debates, …
Outro aspecto relevante nesta escola diz respeito à auto-avaliação dos alunos.
Sempre que consideram que dominam um determinado ponto do programa
escrevem-no numa folha cujo cabeçalho diz: “Eu já sei” . Depois, um professor que
domine um pouco melhor a área a que diz respeito o objectivo dirige-se ao aluno e
faz uma avaliação “mais formal”. Por outro lado, tenta-se sempre que os objectivos
anteriores também sejam avaliados de f orma que a avaliação seja um processo
contínuo.
Uma das inúmeras dúvidas sempre levantadas em encontros de professores,
seminários, congressos ou mesmo via internet é a seguinte: Depois dos alunos saírem
da escola da Ponte revelam dificuldades em acompanhar o “ensino tradicional”?
Como resposta a esta questão, os orientadores educativos alegam que é o ensino
tradicional que tem dificuldade em acompanhar estas crianças e que os alunos que
saem da Escola da Ponte e rumam a outras escolas têm apresentado sempre, em
média, melhores classificações do que os colegas de outras escolas. Também não
acreditam que as classificações sejam a melhor forma de avaliar os alunos, porém
são os únicos dados que dispõem quando os alunos vêm transferidos de outras
escolas, e de qualquer modo, estes dados também são os mais relevantes para as
escolas tradicionalistas.
O Relatório sobre a Escola da Ponte
Seguindo esta linha de pensamento, talvez seja oportuno dar-mos a conhecer as
conclusões mais relevantes apresentadas por uma equipa de avaliadores externos que
em Agosto de 2003 sob a forma de Relatório 7 , mais especificamente, no ponto 5
(Conclusões e recomendações), apresenta pontes f ortes e pontos fracos a identificar
na Escola da Ponte. Vejamos:
7 Relat óri o da Comiss ão de Aval iaçã o Ext erna do Pr ojec to F azer a Po nte (Agost o de 2003) .
242
Pontos fortes:
• A filosofia subjacente ao Projecto “Fazer a Ponte”, caracterizada por
princípios de desenvolvimento da autonomia e da cooperação entre alunos,
com a finalidade de educar para e na cidadania e de efectivo envolvimento de
todos os intervenientes na acção educativa (pais, professores e alunos);
• A realização de uma integração curricular, desenvolvida de acordo com os
princípios de um ensino e uma aprendizagem cooperativos;
• A existência de um conjunto de docentes altamente motivados e empenhados
no processo de acompanhamento dos alunos na respectiva aprendizagem;
• A presença de um acentuado espírito de grupo e de identificação com o
Projecto por parte de docentes e alunos;
• A preocupação da Escola da Ponte em constituir-s e como escola inclusiva,
em termos sociais, culturais e de intervenção junto de alunos co m
necessidades educativas especiais;
• A diversidade de modos de actividade pedagógica (trabalho individual, em
pequeno grupo, participação em actividades colectivas, ensino mútuo e
ensino directo);
• A adequada articulação entre objectivos e actividades correspondentes às
diversas áreas curriculares;
• A ligação entre a escola e a família, implicando a participação activa desta na
aprendizagem dos alunos;
• A qualidade dos materiais de aprendizagem, nomeadamente do equipamento
informático (hardware e software).
24 3
Pontos fracos:
• O número excessivo de alunos para a dimensão das instalações;
• A inadequação e insuficiência das instalações, principalmente a ausência de
um ginásio e de laboratórios para permitir um ensino experimental;
• A ausência de um Serviço de Psicologia e Orientação, para intervir em
situações de apoio a crianças com necessidades educativas especiais ou com
problemas de natureza emocional.
Apesar de estarmos na era da escola do século XXI, para entender o sistema de
ensino da Escola da Ponte é preciso esquecer quase tudo o que sabemos
relativamente às concepções de ensino-aprendizagem tradicionalmente apreendidas e
situarmo-nos na perspectiva do Movimento da Escola Moderna (MEM).
Através da investigação que temos vindo a realizar podemos concluir que a Escola da
Ponte é um estabelecimento de ensino onde os professores claramente se identificam
com a Aprendizagem Cooperativa, recorrendo sobretudo à aplicação das técnicas GI
e TAI.
Se o aluno necessita de desenvolver competências que lhe permitam aprender a saber
decidir, cooperar, pensar globalmente e agir localmente, ou seja, aprender a ser um
cidadão consciente, é de f acto lamentável que dado o estado actual do ensino em
geral, as pessoas não se queiram aperceber que na realidade, os métodos actuais (já
tão obsoletos) e continuamente praticados são demasiadamente carecidos para
continuarem a ser aplicados quando existem outras alternativas educativas, baseadas
na Aprendizagem Cooperativa e com resultados já comprovados, como o exemplo
concreto a ser praticado na Escola da Ponte. À semelhança deste estabelecimento de
ensino, provavelmente existem outras escolas, outros países que, através dos seus
professores aceitam o desafio de aplicarem programas pedagógicos de intervenção
específica em Aprendizagem Cooperativa, nomeadamente em Espanha com o apoio
dos centros de formação contínua de professores e dos centros de investigação das
universidades ; em França, com o cooperação do Instituto Cooperativo da Escola
Moderna (ICEM) e em Itália pelo Movimento Cooperação Educativa (MCE).
250
Angra do Heroísmo (nos Açores) e Funchal (na Madeira), através dos quais,
desenvolve anualmente para os seus associados um vasto plano de formação que se
concretiza em acções sistemáticas como os Sábados Pedagógicos Mensais; os
Grupos de Trabalho Cooperativo; as oficinas, estágios e projectos acreditados pelo
Conselho Científico da Formação Contínua; os encontros nacionais de especialidade
e de aprofundamento pedagógico e o congresso anual, realizado em Julho, com a
participação de algumas centenas de professores de todos os níveis de ensino, para
apresentação de relatos de práticas profissionais e reflexão sobre os grandes temas do
ensino e da formação.
4.5 Apre n dizagem Coope rativa: o Estado da A rte em
Portugal
Apesar da Aprendizagem Cooperativa apresentar credibilidade científica visível nos
inúmeros estudos de investigação em educação realizados há mais de trinta anos, só
muito recentemente começa a ser utilizada em Portugal. Nesta secção apresentamos
uma revisão dos trabalhos publicados nesta área, que têm sido realizados em Portugal
nos últimos anos.
Freitas e Freitas (2002) fornecem no seu trabalho algumas bases teóricas que
justificam a Aprendizagem Cooperativa. Numa parte mais pragmática apresentam
exemplos de actividades inerentes às técnicas de Aprendizagem Cooperativa, planos
de ensino ou de aula e projectos, com o intuito de poder motivar os professores a
adoptarem a Aprendizagem Cooperativa nas suas estratégias de ensino-
aprendizagem.
Na obra de Bessa e Fontaine (2002), os autores procuram em primeiro lugar divulgar
a Aprendizagem Cooperativa, enquanto prática lectiva adequada à sociedade pós-
moderna. De seguida, apresentam e distinguem as diferentes técnicas (métodos) da
Aprendizagem Cooperativa. Por último, exploram os processos que permitem
explicar alguns dos benefícios da Aprendizagem Cooperativa sobre os resultados
251
escolares e sobre um conjunto de variáveis cognitivo-motivacionais, habitualmente
associadas à realização escolar.
Fontes e Freixo (2004) conduziram um trabalho de investigação com o objectivo de
promover o sucesso dos alunos nas suas aprendizagens, assumindo que alguns dos
modelos de aprendizagem implementados há décadas se encontravam já esgotados.
Sustentam teoricamente o seu estudo na teoria socioconstrutivista de Vygotsky, pois
consideram ser uma revolução na aprendizagem procurar ligar o campo da Psicologia
da aprendizagem com o campo da Sociologia, abrindo assim novas perspectivas aos
professores.
Ao longo deste trabalho, é possível tomar contacto não só com a teoria de Vygotsky,
como com os princípios, objectivos e actividades subjacentes à Aprendizagem
Cooperativa, que se suporta teoricamente neste autor. Por último, apresentam uma
experiência pedagógica inovadora, bem sucedida, com uma turma do Ensino Básico
(3º Ciclo), mais especificamente, com alunos do 8º ano de escolaridade. Neste estudo
de intervenção na prática pedagógica aplicaram-se algumas técnicas de
Aprendizagem Cooperativa, nomeadamente a técnica STAD (7 aulas), a técnica CO-
OP CO- OP (7 aulas) e a técnica de Controvérsia Académica (3 aulas).
A análise conjunta dos dados permitiu-lhes concluir que houve progresso quer ao
nível do desempenho individual de cada aluno, quer ao nível das aprendizagens
atitudinais dentro de cada grupo de trabalho cooperativo, quer ainda ao nível das
aprendizagens cognitivas avaliadas em vários momentos da intervenção pedagógica.
Essa melhoria foi também visível no desempenho global dos grupos, que no final do
estudo que se traduziu numa turma mais empenhada, motivada, interessada e
participativa.
Couvaneiro (2004) pretende evidenciar o papel de cooperação no desenvolvimento
das pessoas e das organizações, onde os princípios e as práticas cooperativas
contribuem para a interestruturação pessoal, para o incentivo à parti cipação dos
sujeitos enquanto actores sociais.
252
Neste sentido, a autora refere que “a importância concedida às pessoas e às
organizações vai ter uma incidência a todos os níveis: local, regional e internacional.
O desenvolvimento das comunidades e das pessoas é obra comum e repercute-se no
desenvolvimento pessoal, através das estruturas sociais. Para defender e propagar os
valores e princípios que os fundam, para consolidar e melhorar as condições de vida
dos seus membros, para resistir e reforçar as suas posições num ambiente económico
e ideológico hostil, as cooperativas locais ou sectoriais vão tecer entre si relações de
intercooperação” (Couvaneiro, 2004, p. 43).
Na sua apresentação de sistema cooperativo refere que as pessoas se tornam
cooperadoras por necessidade e descobrem novas razões através das práticas,
nomeadamente, as relações com os outros membros e os parceiros sociais.
A mes ma autora afirma que “a escola, que é, devido à sua função, um espaço de
aprendizagem, ocupa um lugar importante no exercício das práticas relacionais de
cooperação e de competição, resultante de uma filosofia específica, que influencia os
métodos e as estratégias que aí são utilizados. Estas primeiras aprendizagens vão
contribuir para determi nar orientações e escolhas pessoais, que terão, como
consequência, uma maior ou menor participação nas práticas sociais” (Couvaneiro,
2004, p. 9).
O objectivo principal da sua investigação foi estudar os efeitos das práticas
organizacionais nos processos de personalização/socialização. O sujeito, enquanto
actor s ocial, produz acções que interferem no meio e o modificam. Este processo
sujeito-meio é acompanhado por efeitos de reciprocidade. Os modelos de
organização podem contribuir para tornar mais fáceis ou mais difíceis estes processos
de personalização/socialização.
A pesquisa foi efectuada a partir de uma amostra de 160 s ujeitos pertencentes ao
sector público e ao sector cooperativo. Partiu-se do princípio que os graus de adesão
e de envolvimento nas instituições cooperativas vão produzir nos seus membros uma
autonomia e uma abertura social maiores. As práticas cooperativas, no caso desta
organização, vão interferir directamente no processo de transformação pessoal e
social. Os resultados desta pesquisa obtidos através de um inquérito, permitiram
253
concluir que existe uma influência evidente do modelo de organização cooperativo
sobre a adesão dos seus membros aos princípios e valores próprios deste tipo de
organização, nomeadamente a liberdade, a responsabilidade, a solidariedade.
Em suma, Couvaneiro (2004, p. 178) enfatiza que “as práticas cooperativas, o
movimento associativo, e os modelos escolares cooperativos contribuem para uma
tomada de consciência do eu que se constrói ao longo de toda a vida, nas relações
com os outros, tendo como referência a s ociedade onde se inserem, e contribuem
igualmente para elaborar um modelo social no qual as representações e o sentimento
de pertença são regulados pelos valores e pelos princípios da cooperação, à
semelhança da solidariedade e da recusa da competição”.
Ribeiro (2006) desenvolveu um trabalho de investigação cujo objectivo geral foi
implementar uma prática pedagógica i novadora, baseada na teoria s ocioconstrutivista
de Vygotsky e nos princípios da Aprendizagem Cooperativa que desenvolvesse nos
alunos algumas competências atitudinais e cognitivas definidas pelo Ministério da
Educação.
Para atingir este objectivo, seleccionou uma amostra constituída por uma turma do 9º
ano de escolaridade (3º Ciclo do Ensino Básico) de uma escola EB2,3/S. A
investigação, na disciplina de Ciências Naturais, iniciou-se com um estudo de pré-
intervenção, com o objectivo de desenvolver algumas rotinas nos alunos e que
ocorreu durante alguns meses. A intervenção peda gógica teve lugar no final do
segundo período do ano lectivo 2004/2005. Os conteúdos trabalhados foram o
Sistema Excretor e o Sistema Reprodutor.
As técnicas de Aprendizagem Cooperativa seleccionadas foram a STAD (que
decorreu durante 4 aulas), a actividade CO-OP CO- OP (igualmente durante 4 aulas)
e a actividade Controvérsia Académica (que decorreu durante 2 aulas).
No final da intervenção pedagógica, e tendo em conta o conjunto de todos os dados
recolhidos, foi possível retirar três conclusões principais:
1. O desenvolvimento de competências atitudinais e de competências
cognitivas definidas para a disciplina;
254
2. O melhor desempenho a nível atitudinal e cognitivo após a intervenção
pedagógica;
3. O desenvolvimento da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de muitos
alunos.
Nas linhas seguintes, descrevemos de forma mais pormenorizada cada uma das
conclusões agregadas nos três pontos anteriores.
1. Desenvolvimento das competências atitudinais.
a. Ao longo da intervenção pedagógica verificou-se uma progressão no
desempenho atitudinal da maioria dos alunos. Este facto torna- se
perceptível quando foram comparados os dados recolhidos nas
diferentes actividades implementadas na sala de aula;
b. Cada grupo de trabalho cooperativo ao longo da intervenção
pedagógica manifestou uma evolução nas aprendizagens atitudinais
que se prendeu desenvolver, responsabilidade, cooperação e
autonomia. Contudo, os alunos revelaram maiores dificuldades na
atitude autonomia;
c. A heterogeneidade dos grupos cooperativos tornou-se um elemento
facilitador da aprendizagem uma vez que, no final da intervenção,
cada grupo se apresentava mais homogéneo relativamente às
competências definidas;
d. Os alunos mostraram-se, em geral, satisfeitos com a experiência
cooperativa em grupos heterogéneos para realizar as tarefas propostas;
e. A maioria dos alunos considerou que esta nova estratégia lhes serviu
para aprender a trabalhar em grupo, sendo muito positivo o esforço
que desenvolveram para que o grupo funcionasse;
255
f. No grupo de trabalho cooperativo houve espaço para a empatia, para a
consciência crítica partilhas das próprias limitações e inseguranças
promovendo-se a cooperação;
g. A Aprendizagem Cooperativa na sala de aula não foi um factor
limitante para o cumprimento do programa, permitindo um ensino
mais individualizado para atender os mais fracos, para acompanhar os
mais avançados, para avaliar a todos de forma contínua e
personalizada.
2. Desenvolvimento das competências cognitivas.
No domínio cognitivo os alunos foram avaliados através da realização de 3
fichas de controlo de aprendizagem realizadas ao longo da intervenção
pedagógica e na prova global. Através da análise dos dados recolhidos
conclui- se:
a. Todos os alunos, com excepção de um, subiram quantitativamente os
resultados obtidos quando comparados com os resultados sem
intervenção pedagógica;
b. Os alunos que revelaram maiores dificuldades, e por isso, com
resultados mais baixos foram aqueles obtiveram uma maior subida
nos resultados quantitativos após a intervenção pedagógica;
c. Análise comparativa no final do ano lectivo, dos resultados obtidos na
disciplina de Ciências Naturais, em que se obteve 100% de sucesso, e
o aproveitamento obtido nas diferentes disciplinas leva a
investigadora a concluir que há uma grande discrepância já que 44,5%
dos alunos foram retidos. Este facto, segundo Ribeiro (2006) pode ser
um indicador do sucesso da implementação desta estratégia na sala de
aula.
256
O cruzamento dos dados relativos ao desempenho atitudinal e cognitivo dos
alunos conduziu a investigadora a outra conclusões:
• O desenvolvimento das competências atitudinais na sala de aula não
constitui obstáculo ao desenvolvimento de aprendizagem cognitiva,
uma vez que a classificação numérica dos alunos melhorou;
• Em todos os alunos, mas em especial nos alunos com aproveitamento
escolar mais baixo, pode-se observar algumas aprendizagens
cognitivas mais enriquecedoras, que não se dariam numa situação de
aprendizagem tradicional ou que só seriam possíveis nos alunos com
maiores capacidades cognitivas;
• Os alunos com melhor desempenho cognitivo são também, em geral,
os que apresentam melhor desempenho atitudinal, o que a leva a
concluir que estas duas competências estão relacionadas.
3. Desenvolvimento da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de muitos
alunos.
a. Os dados mostram o papel importante que tem a ZDP no domínio
cognitivo e atitudinal. A aprendizagem dos alunos vai, sendo assim
construída mediante um processo de relação dentro do grupo em que
cada elemento funciona como o par mais capaz. Deste modo, as
potencialidades do aluno são transformadas em situações que activam
neles esquemas processuais cognitivos e comportamentais que
permitem ao aluno obter níveis mais elevados de rendimento;
b. Os dados mostram também como a Aprendizagem Cooperativa se
apresenta como uma boa estratégia para implementar na sala de aula,
um meio f echado entre regras autoritárias e dogmáticas de um ensino
tradicional que progressivamente vai levando a cotas elevadas o
insucesso dos alunos, a apatia e desmotivação.
257
Por último, Ribeiro refere que o desenvolvimento deste estudo leva a considerar
algumas sugestões para outras investigações, que poderão contribuir, em certa
medida, para o enriquecimento do seu próprio estudo, e entre elas destaca:
• Um estudo alargado que envolva todas as turmas do mesmo ano de
escolaridade;
• Um estudo que envolva turmas desde o 7º até ao 9º ano de escolaridade;
• Um estudo em que todo o conselho de turma estivesse envolvido na
implementação desta nova estratégia;
• Um estudo realizado com turma controlo;
• Investigações que envolvam a formação de professores nesta área, e avaliação
dessa formação ao nível da prática pedagógica dos professores.
Araújo (2006) apresenta um estudo de caso que se enquadra no campo da didáctica
da Língua Estrangeira (Inglês) e reflecte um percurso profissional no qual se
exploraram práticas de leitura extensiva, numa turma de 6º ano de escolaridade 8 na
Escola EB 2.3 de António Feijó, em Ponte de Lima, no ano lectivo de 2003/2004. O
estudo representa ainda uma experiência de auto-supervisão, na qual a investigação-
acção surge como estratégia de articulação de uma auto-formação reflexiva da
professora-investigadora com uma pedagogia para a autonomia centrada no aluno.
Os seus objectivos foram os seguintes:
1. Motivar os alunos para a leitura como prática comunicativa;
2. Promover mecanismos de auto-regulação dos processos de compreensão
textual;
8 Corre sponde ao nível de Ensino Bási co (2º cicl o) com alunos de idades compre endi da s en tre 10 - 12
anos de escolaridade.
258
3. Promover mecanismos de auto-regulação da aprendizagem cooperativa, no
âmbito da leitura extensiva;
4. Promover processos de auto-supervisão pedagógica.
A primeira fase da experiência correspondeu ao diagnóstico e consciencialização de
representações e práticas dos alunos relativas à leitura e trabalho cooperativo, após a
qual se seguiu uma intervenção didáctica no âmbito da leitura extensiva, com ênfase
na auto-regulação da leitura e do trabalho cooperativo, culminando na avaliação do
impacto da experiência.
O estudo de caso é de natureza interpretativa e envolveu a análise quantitativa e
qualitativa de informação recolhida em diversas f ontes: fichas de auto-regulação da
aprendizagem, registos reflexivos, questionários e entrevista. Os instrumentos de
investigação cumpriram também objectivos pedagógicos, como é típico na
investigação- acção em contexto de sala de aula.
Os resultados confirmam a possibilidade de desenvolver estratégias de leitura e de
trabalho cooperativo, revelando que a leitura extensiva pode representar uma fonte
de desenvolvimento de competências de comunicação e de aprendizagem. A
articulação entre a auto-supervisão e a didáctica da Língua Estrangeira,
nomeadamente através da investigação-acção, constituiu um processo de
desenvolvimento profissional para a professora na medida em que permitiu
questionar e reconstruir teorias e práticas pedagógicas. Num plano mais geral, o
estudo possibilitou uma reflexão aprofundada sobre o ensino e sobre o papel da
reflexividade profissional na sua transformação.
Moreira (2006) realizou um trabalho no qual descreve o grau de conhecimento e de
opinião formada acerca do Método de Aprendizagem Cooperativa, com base numa
amostra constituída por 50 Professores do Ensino Básico – 1º Ciclo, do Agrupamento
Vertical de Canelas – Vila Nova de Gaia. No mesmo estudo, realizou também um
levantamento do tipo de metodologias de ensino-aprendizagem utilizadas por esses
professores, nomeadamente em relação à aplicação de algumas das técnicas
cooperativas nas suas aulas.
259
Como instrumento de recolha de dados, adoptou o inquérito por questionário, por se
tratar de uma forma eficiente de recolher informação a um grande número de
indivíduos, pela sua flexibilidade no sentido da variedade de informação que permite
recolher e por ser relativamente fácil de ministrar.
Face à análise efectuada, a mesma autora constatou que a maioria desses docentes
são da opinião que a Aprendizagem Cooperativa é essencialmente uma metodologia
activa no processo de ensino-aprendizagem e consideram que o critério mais
relevante na escolha da(s) metodologia(s) de ensino que elegem para a sua prática
pedagógica é sentir em -se seguros com a metodologia.
Relativamente ao método de ensino preferido, Moreira (2006) refere que apenas 4%
dos professores preferem um método adequado à sua maneira de ser e só 2%
valorizam um método de ensino transmissivo. A maior parte dos docentes (73%)
elegeu um método de ensino que responda às necessidades efectivas dos alunos, e
18% disseram prefer ir um método “activo”. No que diz respeito ao papel na sala de
aula, a maioria dos professores assume um pouco de todos os papéis (director ou
gestor; facilitador ou encorajador; aprendente que faz parte integrante da
comunidade) na planificação e aplicação do plano de aula.
Há, contudo, uma questão que a autora considera pertinente colocar: se a maior parte
dos professores dizem preferir metodologias activas que respondam às necessidades
efectivas dos alunos, porque motivo menos de metade (4 3%) disseram recorrer ao
trabalho em grupo nas suas aulas? Provavelmente, segundo Moreira (2006), devido à
persistente confusão entre grupos de trabalho tradicional e grupos de trabalho
cooperativo.
Aprendizagem Cooperativa não se pode confundir com o tradicional “trabalho de
grupo” onde o professor apenas junta os alunos, mesmo em mesa redonda e lhe diz
para realiz ar em uma tarefa sem ter em conta necessidades específica s de organização
e a motivação para que o trabalho funcione, gerando quase sempre a possibilidade de
haver quem trabalhe e se esforce e quem se aproveite desse trabalho esf orçado.
Efectivamente, a Aprendizagem Cooperativa pouco tem a ver com o trabalho de
grupo tal como ele costuma ser utilizado em muitas situações das escolas
267
2ª Parte
Jigsaw no 1º Ciclo do Ensino Básico:
Desenho e Avaliação de um Programa de
Intervenção Pedagógica
269
Capítul o 5
A I NTRODUÇÃO DO JIGSA W NO 1º C ICLO
DO E NSINO B ÁSICO : M ET ODOLOGIA DO
E STUDO
271
5.1 Introdução
Neste capítulo, o propósito fundamental é apresentarmos a parte empírica da
investigação que realizámos. Para isso expomos o plano de trabalho que se seguiu
constituído por nove etapas, a formulação do problema de investigação e os
objectivos do estudo (objectivo geral e específicos). Seguidamente encontram- se
formuladas as hipóteses de trabalho (hipótese geral e intermédias) que guiaram a
investigação. São ainda apresentadas as variáveis em estudo : variável independente
(VI) Programa de Intervenção pedagógica baseado na “ técnica puzzle de Aronson” e
as variáveis dependentes (VD ), que são especificamente o Rendimento Escolar, a
Motivação, a Criatividade e as Habilidades Sociais dos alunos. Na continuação deste
capítulo encontra- se e o desenho metodológico pelo qual optámos para validar as
hipóteses desta investigação (desenho quase-experimental). Posteriormente
apresentamos a selecção da amostra (112 alunos do Ensino Básico – 1º Ciclo e seis
docentes também do mesmo nível de ensino) e fazemos a sua descrição. De seguida
fazemos a descrição dos instrumentos de avaliação das variáveis dependentes e como
decorreu a sua aplicação no grupo experimental e no de controlo. Por último,
mostramos os resultados da estimação de fiabilidade interna Alfa ( α ) de Cronbach
relativamente aos instrumentos de avaliação aplicados evidenciando que a mesma é
suficiente para conceder um suporte estrutural ao Programa.
5.2 Plano de Trabal ho
Em primeiro lugar, torna- se importante realçar que esta investigação se apresenta
como um projecto piloto em Portugal, onde obrigatoriamente foi necessário
construirmos um “Programa de Intervenção pedagógica baseado na Técnica Pu zzle
de Aronson (também conhecida por técnica Jigsaw )” especificamente planificado
para alunos do 4º ano de escolaridade do ensino Básico, com idades compreendidas
entre os 8 a 10 anos de idade, que veio a ser aplicado no grupo experimental. A través
deste Programa pretendemos, de forma geral, mostrar que é possível dinamizar aulas
no 1º Ciclo com a técnica Jigsaw conseguindo melhorar o rendimento escolar dos
272
alunos, potenciar o desenvolvimento das suas habilidades sociais bem como os seus
níveis de motivação e de criatividade. Pretendemos ainda possibilitar uma diferente
actuação pedagógica dos professores que nele participaram.
Para tornar exequível este Programa e podermos tirar conclusões após a sua
aplicação f oi necessário seleccionar uma amostra de alunos do 1º Ciclo e eleger
instrumentos de avaliação que medissem as variáveis dependentes (Rendimento
Escolar, Motivação Escolar, Habilidades Sociais e Criatividade) que foram aplicados
nas fases de pré-teste e pós- te ste nas três turmas do grupo experimental e n as três
turmas do grupo de controlo.
Não obstante, para podermos dar início a esta investigação realizada em dois
estabelecimentos de ensino pertencentes ao mesmo Agrupamento de Escolas, foi
ainda necessário realizar alguns contactos oficiais que se traduziram num pedido de
autorização formal às autoridades educativas, nomeadamente ao Presidente do
Conselho Executivo do Agrupamento Escolas de Oliveira do Douro – Vila Nova de
Gaia – Portugal (ver Anexo I) e posteriormente às Coordenadoras das duas escolas
(EB1 do Outeiro e EB1 da Formigosa) onde se realizou este estudo (ver Anexo II e
Anexo III).
Após o deferimento dos pedidos de autorização acima mencionados, apresentámos o
proje cto aos encarregados de educação dos alunos que participar am na investigação,
correspondendo especificamente a seis turmas de alunos matriculados no 4º ano de
escolaridade, para que estes também pudessem autorizar a sua participação
garantindo-se anonimato, ética, rigor e seriedade científica no tratamento de todos os
dados (ver Anexo IV).
No mês de Maio de 2008 realizámos uma entrevista estruturada (ver Anexo V) aos
seis docentes responsáveis pelos seis grupos no sentido de procurar saber, por um
lado, se o perfil d estes professor es poderia ou não interferir nos resultados do estudo
e, por outro lado, avaliar a sua forma de actuar, de ver o ensino, a importância que
dão à criatividade, à própria postura que assumem na sala de aula, a metodologia de
ensino-aprendizagem que empregam, ou seja, como concebem a educação.
273
Ainda no mesmo mês, mais precisamente na última semana, realizámos uma reunião
com os seis docentes participantes nesta investigação. Esta reunião teve como
principal objectivo fazer uma breve apresentação de cada um dos instrumentos de
avaliação a ser utilizados nas fases de pré e de pós-teste, testando esses mesmos
instrumentos no grupo de trabalho constituído pelos seis docentes e que viriam ser
aplicados aos alunos nas fases de pré e pós- teste.
A partir do momento em que se realizaram os contactos of iciais e se obtiveram as
autorizações dos encarregados de educação, demos início (em Junho de 2008) à
primeira fase da implementação do Programa correspondente à aplicação dos pré-
testes às seis turmas envolvidas, três que constituíram o grupo experimenta l e as
outras três, o grupo de controlo. É ainda importante referir que nesta fase de pré- teste
os alunos envolvidos encontravam-se no final do terceiro ano de escolaridade, com
idades compreendidas entre os 8 e os 9 anos.
Posteriormente, planificámos uma sessão de formação para as três docentes titulares
das turmas de 4º ano que representariam o grupo experimental e que viriam a
implementar o Programa de Intervenção baseado na Técnica Puzzle de Aronson.
Assim, no dia 10 de Setembro de 2008 decorreu a sessão de formação com as
respectivas professoras.
Uma vez concluída a implementação do Programa de Intervenção baseado na
Técnic a Puzzle de Aronson, é de esperar que se produzam diferenças significativ as
nas variáveis dependentes do grupo experimental. Contudo, para se poder tirar as
devidas conclusõ es , no final da implementação do Programa examinámos através da
análise estatística dos dados se houve ou não mudanças produzidas ao nível da
motivação escolar dos alunos, do seu rendimento escolar, no desenvolvimento das
suas habilidades sociais e da sua criatividade.
Em suma, desenhámos um plano de trabalho consubstanciado em várias etapas que a
seguir se enumeram:
• Realização dos contactos oficiais, com a colocação do pedido de autorização
formal às autoridades educativas para a implementação do Programa;
274
• Selecção da amostra e definição dos instrumentos que permit ir am avaliar as
variáveis dependente s neste estudo;
• Realiza ção de uma entrevista estruturada aos seis docentes responsáveis pelos
seis grupos de trabalho;
• Realização de uma reunião com os mesmos docentes, com o objectivo de
fazer uma breve apresentação de cada um dos instrumentos de avaliação a
aplicar nas fases de pré- teste e de pós- teste;
• Desenho do “Programa de Intervenção baseado na Técnica Jigsaw ”;
• Aplicação dos instrumentos de avaliação das variáveis dependente s antes d a
realização do programa de intervenção (fase de pré- teste );
• Planifica ção de uma Sessão de Formação destinada aos docentes responsáveis
pela implementação da técnica Jigsaw em contexto de sala de aula;
• Implementa ção do Programa de Intervenção baseado na técnica Jigsaw ;
• Avaliação dos resultados obtidos após a aplicação do Programa, através da
aplicação dos instrumentos de avaliação das variáveis dependentes (fase de
pós- teste ).
5.3 Formulaçã o do Pro blema
Neste início de século, em que se preconizam grandes mudanças na sociedade e na
escola, urge cada vez mais a premente necessidade de realizar investigações que
possam de alguma forma contribuir para uma reflexão crítica, construtiva e colectiva
dos profissionais da educação com vista à reconfiguração da actuação pedagógica da
sua profissão. Quando se deseja iniciar a implementação da Aprendizagem
Cooperativa existem vários aspectos que devem ser equacionados pelos profissionais
da educação através da formulação de perguntas de carácter prático e reflexivo.
275
As sim, pretendemos situar agora o tema principal que abordamos nesta investigação
através da formulação do problema que pode ser apresentada da seguinte forma:
Em que medida a Aprendizagem Cooperativa contribui para a optimização da
intervenção pedagógica no Ensino Básico – 1º Ciclo, favorecendo o rendimento
escolar, as habilidades sociais e os níveis de motivação e de criatividade dos
alunos?
5.4 Obje cti vos da Investi gação
Objectivo Geral
O presente trabalho de investigação tem como objectivo geral avaliar a contribuição
do Método de Aprendizagem Cooperativa na optimização da intervenção pedagógica
dos docentes do Ensino Básico – 1º Ciclo, melhorando o rendimento escolar, as
habilidades sociais e os níveis de motivação e de criatividade dos alunos.
O bjectivos E specíficos
Podemos enunciar como objectivos específicos os seguintes:
• Potenciar o rendimento escolar, as habilidades sociais, e os níveis de
motivação e de criatividade dos alunos;
• Dirigir e implementar um Programa de Intervenção baseado na técnica
Jigsaw.
• Proporcionar aos docentes envolvidos no grupo experimental uma mudança
de paradigma no processo de ensino-aprendizagem, dentro do espaço de sala
de aula, através da implementação da técnica elegida;
• Formar os professores na utilização da Aprendizagem Cooperativa através da
técnica Jigsaw .
282
( Centro 2 ) estavam disponíveis duas turmas. Apesar de entendermos ser preferíve l
distribuir de forma equilibrada 11 pelos dois centros as turmas do grupo experimental
e de controlo, optámos por estabelecer três turmas do grupo experimental e uma de
controlo no Centro 1 e d ua s turmas do grupo de controlo no Centro 2 . Esta opção
prendeu-se com limitações logísticas da nossa parte, enquanto investigadoras,
nomeadamente no acompanhamento pessoal e regular dos docentes que participaram
no grupo experimental, que se materializou na entrega de todos os materiais
didácticos inerentes à implementação da técnica Jigsaw , no esclarecimento de
dúvidas que foram surgindo, na reali zação de encontros semanais e na dose de
motivação necessária no decorrer das aulas baseadas na técnica Jigsaw .
Neste estudo em concreto, o objectivo principal não é mostrar que os resultados
decorrentes da implementação do Programa de Intervenção aplicado neste grupo de
alunos se podem generalizar aos restantes alunos de Vila Nova de Gaia. Ness e caso,
o método de amostragem teria de garantir que os indivíduos seleccionados, quer no
que diz respeito ao número de alunos, ao número de professores, e às próprias
escolas, fossem representativos da população.
Na Tabela 1, apresentamos o número de alunos que participaram neste estudo, assim
como as frequências relativas, em função do grupo e da turma.
Tabela 1 – Aluno s p or Grup o e Tur ma
N
%
Grupo
Experi mental
65
58,0
Contr olo
47
42,0
Turma
Experi mental 1
22
19,6
Experi mental 2
24
21,4
Experi mental 3
19
17,0
Contr olo 1
13
11,6
Contr olo 2
13
11,6
Contr olo 3
21
18,8
11 Isto é, do is grupos experimentais e dois de controlo no Centr o 1 , e u m e xperime ntal e outro de
controlo no Cent ro 2 .
283
Em relação ao grupo a pertencem, 58% (N=65) dos alunos fazem parte do grupo
experimental e 42% (N=47) do grupo de controlo. Quanto à sua distribuição pelas
turmas que participaram neste trabalho, 19,6% fazem parte da turma experimental 1
( Exp_1 ), 21,4% da turma experimental 2 ( Exp_2 ), 17,0% da turma experimental 3
( Exp_3 ), 11,6% da turma de controlo 1 ( Con_1 ), 11,6% da turma de controlo 2
( Con_2 ) e 18,8% da turma de controlo 3 ( Con_3 ).
Descrição da Amostra de Professores
Apresentamos agora uma descrição sumária dos professores que participaram neste
estudo, através das frequências absolutas (N) e relativas (%) em função do género,
idade, tempo de serviço, categoria profissional e habilitação académica (Tabela 2).
Note-se que os professores do Ensino Básico – 1º Ciclo trabalham em regime de
monodocência, isto é, a sua carga horária lectiva é totalmente preenchida por uma
única turma de alunos. Por essa razão, um mesmo professor terá de estar associado
ou a um grupo experimental ou a um grupo de controlo.
Tabela 2 – Caract eri zaçã o do s Pr ofe ssor es
N
%
Géner o
Feminino
4
66,7
Mas cu li no
2
33,3
Idade
Entre 30 e 39 anos
3
50,0
Entre 4 0 e 4 9 anos
1
16,7
50 ou mais anos
2
33,3
Tempo de Servi ço
Men os de 1 0 anos
1
16,7
Entre 10 e 19 anos
3
50,0
Entre 20 e 29 anos
1
16,7
30 ou mais anos
1
16,7
Categ ori a Pr ofi ssio nal
Profess or de Quad ro de Zona Pedagógica
3
50,0
Profess or de Quad ro de Esco la
1
16,7
Profess or Tit ular
2
33,3
Habi li taç ão Acadé mica
Licenc iatu ra
6
100
Quatro dos professores são do género feminino e dois são do género masculino. Três
deles têm entre 30 e 39 anos de idade, um tem entre 40 e 49 anos e dois têm 50 ou
mais anos de idade. Relativamente ao tempo de serviço, um dos professores tem
284
menos de 10 anos de serviço, três têm entre 10 e 19 anos, um tem entre 20 e 29 anos
e outro 30 ou mais anos de serviço. No que diz respeito à categoria prof issional, três
são professores do quadro de zona pedagógica (QZP 12 ), um é professor do quadro de
escola (QE 13 ) e dois são professores titulares (PT 14 ).
Descrição da Amostra de Alunos
De seguida (ver Tabela 3), apresentamos uma descrição sumária dos alunos que
participaram neste estudo, através das frequências absolutas e relativas em função do
género, idade, número de matrículas, necessidades educativas especiais, dificuldades
de aprendizagem e professor de apoio.
Tabela 3 – Caract eri zaçã o do s Al unos
N
%
Géner o
Feminino
71
63,4
Mas cu li no
41
36,6
Idade
8 anos
42
37,5
9 anos
66
58,9
10 anos
4
3,6
Nº de matr ícu las
3
106
94,6
4
6
5,4
Neces si dade s E duca ti vas
Especi ais
Sim
1
0,9
Não
111
99,1
Dif icu lda des de
Apre ndiz age m
Sim
19
17,0
Não
93
83,0
Profess or de apoio
Sim
7
6,3
Não
105
93,8
12 À dat a da r eal iza ção d este est udo, o QZP cor res pondi a a u ma cat egor ia p rofi ssi onal dos p rofe ssor es,
afectos a uma região geográfica (Zona Pedagógic a), na qual se enco ntravam co locados.
13 O QE corresp ondi a a uma categor ia profi ssi onal em que o profes sor já se encontr ava efect ivo numa
Escola .
14 O PT corresp onde actualmente à cate goria mais elevada que um profes sor (do ensin o não superior)
pode atingi r.
285
Nesta investigação participaram 71 raparigas (63,4%) e 41 rapazes (36,6%).
Relativamente à idade, 42 dos participantes (37,5%) têm 8 anos, 66 (58,9%) têm 9
anos e 4 (3,6%) têm 10 anos.
O número de matrículas traduz o número de anos que o aluno frequenta a escola. A
maior parte dos alunos (94,6%) tem 3 matrículas e 5,3% têm 4 matrículas (o que
corresponde a um total de 6 alunos que já passaram por uma retenção). Apenas um
dos alunos apresenta necessidades educativas especiais, sendo alunos que
maioritariamente não apresentam dificuldades de aprendizagem. Finalmente, cerca
de 6,3% dos alunos beneficiam de um professor de apoio. Esse apoio individualizado
ocorre uma vez por semana, e tem a duração de uma hor a.
Os dados referentes ao agregado familiar dos alunos são apresentados na Tabela 4,
dado que se trata de uma variável em que podiam ser assinaladas simultaneamente
várias alternativas de resposta.
De acordo com esta tabela, a mãe é um elemento presente no agregado familiar de
95,5% dos alunos, o pai no de 82,1%, e os irmãos no de 60,7%. Os avós estão
presentes no agregado familiar de 6,3% dos alunos e 7,1% indicaram outros
elementos no seu agregado familiar.
Tabela 4 – Caract eri zaçã o do s Al unos: Agr egad o fa mili ar
Respos tas
% de alunos
N
%
Agre gado famili ar
Pai
92
32,6%
82,1%
Mãe
107
37,9%
95,5%
Irmãos
68
24,1%
60,7%
Avós
7
2,5%
6,3%
Outr os
8
2,8%
7,1%
Total
282
100 %
251,8%
Apresentamos a continuação de uma descrição sumária dos alunos que participaram
nesta investigação, relativamente ao género, idade, número de matrículas,
necessidades educativas especiais, dificuldades de aprendizagem e professor de
apoio, em cada uma das seis turmas. Essa descrição permite avaliar o nível de
homogeneidade dos alunos que constituem cada uma das seis turmas.
286
Em cada turma, o número de alunos do género feminino é superior ao de alunos do
género masculino. A única excepção ocorre na turma Exp_1 , onde esse número é o
mesmo. A turma Con_2 é aquela onde o “desequilíbrio” é mais acentuado, com cerca
de 77% raparigas e 23% rapazes.
Gráf ico 1 – Géner o dos a l unos por turma
Relativamente à idade, em cada turma, a maior parte dos alunos tem 9 anos de idade.
Nas turmas Exp_1 , Exp_2 e Con_3 a taxa de alunos com 8 anos de idade é superior a
40%. Em cada uma das turmas Exp_1 , Exp_3 , Con_1 e Con_2 , há um aluno com 10
anos de idade.
Gráf ico 2 – Idade dos alu nos por turma
287
Dos seis alunos que já sofreram uma retenção (e que têm por isso 4 matrículas), um
está na turma Exp_1 , outro na turma Exp_2 , dois estão turma Exp_3 e dois na turma
Con_1 .
Gráf ico 3 – Nº de matr ícu las d os alu nos por t urma
O único aluno com necessidades educativas especiais está na turma Con_1 .
Gráf ico 4 – Alun os com nec essidades educativas especi ais por t urma
Os alunos sinalizados com dificuldades de aprendizagem estão distribuídos de forma
mais ou menos homogénea, com três ou quatro indivíduos por turma, com excepção
da turma Ex p_1 , que tem apenas um indivíduo nessas condições. Em termos
relativos, as turmas Con_1 e Con_2 apresentam, respectivamente, taxas de 30,8% e
288
de 23,1% de alunos com dificuldades de aprendizagem, enquanto nas restantes
turmas essa taxa é sempre inferior a 19%.
Gráf ico 5 – Alun os co m di fi cul dad es de aprend iz age m por t urma
Dos 7 alunos que beneficiam de professor de apoio, um está na turma Exp_1 , três na
Con_1 , dois na Con_2 e um na Con_3 .
Gráf ico 6 – Alun os com Profess or de apoio por turma
289
5.9 Instrumentos
Instrumentos de Avaliação das Variáveis Dependent es
N esta secção descrevemos os instrumentos utilizados para avaliar as variáveis
dependentes (Rendimento Escolar, Criatividade, Habilidades Sociais e Motivação
Escolar) antes e depois da aplicação do Programa de Intervenção baseados na
Técnica Puzzle de Aronson.
Avaliação do Rendimento Escolar
O Rendimento Escolar é uma expressão tradicionalmente utilizada n a literatura
educacional para referência ao resultado positivo ou negativo obtido pelos alunos, no
que se refere à avaliação de desempenho académico durante o seu percurso escolar.
Para a avaliação do Rendimento Escolar empregamos dois documentos fornecido s
pelo Ministério da Educação Português: o “Registo de Avaliação Trimestral do
Aluno” (ver Anexo VI) e o “Registo de Avaliação Trimestral da Turma” (ver Anexo
VII). Estes registos de avaliação sumativa, oficiais e de carácter obrigatório 15 , foram
preenchidos pelos docentes que participaram no estudo, nas fases de pré- teste e de
pós- teste utilizando a informação recolhida no âmbito da avaliação formativa.
Os resultados das avaliações ao rendimento académico poderão oscilar entre o
Insuficiente, Suficiente, Bom e Muito Bom aproveitamento escolar. Assim sendo,
cada docente deverá usar a máxima prudência e rigor quando tratar de avaliar os seus
alunos, mais concretamente no que se refere às percentagens atribuídas e aos itens
correspondentes em cada nível de rendimento escolar afim de evitar ocorrências
desajustadas na sua avaliação. No nível Insuficiente (0% a 49%), o aluno não
desenvolve parte das competências gerais e específicas da área curricular em
15 Os cr ité rio s de aval ia ção foram decret ados pel o M ini sté rio da Edu caçã o (De cret o lei nº 6/20 01
rectificado no decreto lei nº 209/2 002 e Desp acho Norma tiv o 50 /200 5).
290
questão. Revela falta de conhecimentos e tem claras dificuldades na expressão oral e
escrita. Utiliza muito pouco vocabulário específico da disciplina e nem sempre
realiza os trabalhos de casa. Distrai-se com facilidade e por vezes perturba o
ambiente de trabalho na sala de aula. Participa pouco nas aulas e nem sempre
mantém o caderno diário actualizado. Revela pouca capacidade de adaptação a novas
situações e nem sempre é pontu al.
No nível Suficiente (ou satisfatório ) (50% a 74%), o aluno desenvolve parte
significativa das competências gerais e específicas da área curricular em questão.
Revela alguns conhecimentos e participa oralmente quando é solicitado pelo
professor. Utiliza ocasionalmente vocabulário específico da disciplina e normalmente
mostra interesse pelos assuntos tratados. Faz regularmente os trabalhos de casa e
geralmente está atento. Participa regularmente nas aulas e possui o caderno diário
organizado. Revela capacidade de adaptação a novas situações, mostra alguma
criatividade e iniciativa e normalmente é assíduo e pontu al.
No nível Bom (75% a 89%), o aluno desenvolve grande parte das competências
gerais e especí fic as da área curricular em causa. Exprime-se com clareza oralmente e
por escrito. Revela bons conhecimentos. Utiliza vocabulário específico da disciplina
com alguma correcção e mostra interesse pelos assuntos tratados na aula. É um aluno
atento e disciplinado. Faz quase sempre os trabalhos de casa. Participa várias vezes
nas aulas e possui o caderno diário bem organizado. Adapta-se com facilidade a
novas situações, mostra atitudes de perseverança, é criativo e tem iniciativa. É
assíduo e pontual.
No nível Muito Bom (90% a 100%) o aluno desenvolve todas as competências gerais
e específicas da área curricular em causa. Exprime -se com clareza oralmente e por
escrito. Aprofunda conhecimentos por iniciativa própria. M anifesta curiosidade e
desejo de saber. Utiliza vocabulário específico da disciplina com grande correcção e
mostra muito interesse pelos assuntos tratados na aula. É um aluno atento e
disciplinado e faz intervenções adequadas. Realiza sempre os t rabalhos de casa.
Participa várias vezes nas aulas e possui o caderno diário muito bem organizado.
Adapta-se com facilidade a novas situações revelando autonomia e empenho próprio.
Manifesta sempre atitudes de perseverança, é criativo e crítico. É assíduo e pontual.
291
O Registo de Avaliação Trimestral do Aluno
O Registo de Avaliação Trimestral do Aluno é composto por quatro partes
claramente diferenciadas.
A primeira é formada por um cabeçalho, com os dados de identificação do aluno que
foram transformados num código atribuído a cada um dos participantes. É també m
referido o número de presenças e de faltas dadas no período por cada aluno.
Na segunda parte incluem- se as áreas curriculares disciplinares, nomeadamente:
Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio e as áreas de expressão (Físico-
Motora, Dramática, Musical e Plástica). A avaliação sumativa interna destas áreas
exprime-se de forma qualitativa através da designação de Insuficiente , Suficiente ,
Bom e Muito Bom . Em cada uma destas áreas existe ainda um espaço destinado a
observações, onde cada docente apresenta uma avaliação descritiva acerca dos
conteúdos programáticos trabalhados especificamente nesse período, deixando ainda
algumas informações sobre o desempenho do aluno face a esses conteúdos:
- Na área curricular disciplinar de Língua Portuguesa analisa-se a comunicação
oral e a comunicação escrita. No âmbito da comunicação oral é avaliada a
compreensão, a correcção, o vocabulário, a leitura e a interpretação; e na
escrita avalia- se a ortografia, a aquisição da escrita, o vocabulário, a produção
de textos e o funcionamento da língua.
- Na área curricular disciplinar de Matemática avaliam-se os grandes blocos
que integram os conteúdos, nomeadamente: números e operações (números e
numeração, cálculo mental, técnicas de cálculo), espaço e forma (geometria)
medidas e grandezas (unidades de medida) e resolução de problemas.
- Na área curricular disciplinar de Estudo do Meio é avaliada a compreensão
do meio social e do meio físico, a capacidade de pesquisa e de recolha, e a
participação em experiênc ias e a aquisição de conhecimentos.
- Nas áreas das expressões evidencia-se essencialmente a participação, a
expressividade e o desempenho nos conteúdos desenvolvidos no período.
298
conhecer as orientações motivacionais dos alunos na tentativa de futuramente se
estabelecer um currículo mais apropriado uma vez que, uma das grandes queixas
apontadas por esses profissionais é a falta de motivação dos alunos para as
actividades propostas e desenvolvidas pelas escolas.
Outro s Instrumentos
Entrevista aos Professores
Antes da aplicação dos instrumentos de avaliação das variáveis dependentes
utilizámos outro instrumento de avaliação direccionado aos professores. Assim
sendo, realizámos uma entrevista estruturada aos seis docentes responsáveis pelos
grupo experimental e de controlo (ver Anexo V).
As primeiras sete perguntas foram formuladas com base nas quatro variávei s
dependentes em estudo. Deste modo, a pergunta 1 ( “De uma forma global, como
avalia o rendimento escolar dos alunos da sua turma?” ) e a pergunta 2 ( “Com o
justifica essa avaliação?” ) centraram-se especificamente no Rendimento Escolar. A
pergunta 3 ( “Considera os seus alunos criativos?” ) e a pergunta 4 ( “Em que medida
considera que a criatividade e os resultados dos alunos têm a ver com a
participação dos pais na escola?” ) incidiram sobre a Criatividade. A pergunta 5
( “Existe falta de motivação na sua sala de aula?” ) e a pergunta 6 ( “Os alunos
gostam de frequentar a escola, apresentam gosto pelas tarefas, vínculo com as
actividades, persistência, brio no que fazem? Ou, pelo contrário, não gostam de vir à
escola?” ) direccionaram-se para a Motivação Escolar ; e a pergunta 7 ( “Como é que
os alunos se relacionam uns com os outros? Como é a sua convivência, aceitação
dos outros, popularidade, amigos, se são cívicos,…” ) centrou-se nas Habilidades
Sociais.
As restantes questões foram formuladas no sentido de apurar em que medida o perfil
destes professores poderia ou não interferir nos resultados do estudo, nomeadamente
no que diz respeito à organização habitual do espaço de sala de aula (pergunta 8), às
metodologias de ensino-aprendizagem que empregam (pergunta 9), à importância
299
que atribuem à interacção dos alunos (pergunta 10) e ao seu papel na sala de aula
(pergunta 11), ou seja, relativamente à forma como concebem e se posicionam no
processo educativo.
Questionário aos Alunos
No final da implementação do Programação de Intervenção, administrámos 16 um
questionário aos alunos pertencentes ao grupo experimental, no sentido de saber a
sua opinião relativamente às aulas ministradas durante o mesmo.
Este questionário é composto por duas partes (ver Anexo XII). A primeira, contém os
dados de identificação do aluno: código do aluno (já atribuído no início da
investigação a cada um dos participantes), idade e sexo. A segunda, é constituída por
quatro questões de resposta aberta, relativamente às quais os alunos emitiram a sua
opinião:
1. Preferiste as aulas com a técnica Jigsaw ou as aulas da forma habitual?
2. Explica as razões da tua preferência.
3. O que é que mais gostaste nas aulas Jigsaw?
4. O que é que menos gostaste nas sessões do Programa Jigsaw?
5.10 Apli caçã o do s In stru mentos ao Grupo Experimental e
ao de Contr olo
Antes da aplicação dos instrumentos, realizámos na última semana do mês de Maio
de 2008, uma reunião com os seis docentes titu lar es das turmas que representaram o
grupo experimental e o de controlo. Esta reunião teve como principal objectivo fazer
16 Estes quest ionári os f oram apl icados pelo s prof essore s resp onsávei s por cada uma das turmas .
300
uma breve apresentação de cada um dos instrumentos de avaliação a ser utilizados
nas fases de pré e de pós-teste, testando esses mesmos instrumentos no grupo de
trabalho constituído pelos seis docentes e que vieram a ser aplicados aos alunos nas
fases de pré e pós- teste.
Obtidas as autorizações oficiais iniciámos em Junho de 2008, a aplicação dos
instrumentos de avaliação das variáveis dependentes ao grupo experimental e ao de
controlo. Contudo, antes de se dar início à aplicação do primeiro instrumento,
explicámos aos alunos que a partir daquele momento passariam a fazer parte de um
projecto de investigação, assumindo eles mesmos um lugar de destaque no projecto.
De seguida, comunicámos que cada aluno iria receber um código identificativo, uma
vez que todas as informações obtidas seriam sigilosas e por isso mesmo cada um
poderia estar à vontade para dar as suas repostas em todas as tarefas inerentes ao
projecto. Assim, cada discente teve oportunidade de aprender a registar o seu código,
que foi construído com base na 1ª letra do 1º nome: (exemplo: P), 1ª letra do 2º
nome: (exemplo: M), 1ª letra do último nome: (exemplo: G) e o Sexo: (exemplo:
Masculino). Código do aluno: (exemplo: PMGM).
Aos alunos foi várias vezes reforçada a informação de que em todos os trabalhos
realizados neste projecto colocariam sempre o seu código e não o nome, de forma a
se poder manter a confidencialidade dos dados. É de salientar que os alunos
apreciaram imenso esta simples mas diferente tarefa de colocação de um código
pessoal nos seus trabalhos.
O primeiro instrumento de avaliação a ser administrado pelos docentes aos alunos
das respectivas turmas foi o da Criatividade. Contudo, é importante uma vez mais
evidenciar que antes da sua aplicação, os docentes responsáveis pela s seis turmas
(três do grupo experimental e três de controlo) receberam as informações necessárias
para se proporcionar uma boa administração do instrumento. Foi ainda deixado num
envelope um guião de orientação para cada docente (ver Anexo X).
Em cada um dos momentos da aplicação de testes de Criatividade, quer no pré-t este
quer no pós-teste, optámos por aplicar o teste duas vezes a cada indivíduo com duas
palavras retiradas de contextos diversos. O resultado do teste de Criatividade
301
corresponde ao valor médio obtido pelo indivíduo para as duas palavras em causa. A
razão desta opção foi tornar o teste mais fiável e não depender apenas de uma única
aplicação (palavra).
Na primeira aplicação do teste de Criatividade o professor solicitou aos alunos que
enumerassem todas as utilizações possíveis que se podem dar a um livro (objecto
inerente ao ambiente escolar). Os alunos tiveram cerca de vinte minutos para
registarem as suas ideias numa folha de papel. Terminada a tarefa, a folha onde foi
aplicado este instrumento permaneceu no lugar de cada aluno para o caso de
quererem acrescentar mais alguma ideia se posteriormente pudesse surgir no decorrer
da aula uma vez que nem sempre as melhores ideias surgem nos primeiros minutos.
No final da aula, o instrumento foi recolhido e guardado pelo docente. Passa dos dois
dias, os docentes realizaram a segunda aplicação do teste da avaliação da
Criatividade. Assim, foi novamente solicitado aos alunos que enumerassem todas as
utilizações possíveis que se podem dar a uma vassoura (objecto de ambiente
familiar), seguindo o mesmo processo de operacionalização utilizado para o objecto
anterior, escolhido para representar o ambiente escolar dois dias antes na primeira
aplicação.
No final da primeira semana de Junho de 2008, deu-se por concluída a avaliação da
Criatividade, correspondente ao primeiro instrumento de avaliação aplicado na fase
de pré- teste.
Na segunda semana de Junho de 2008 foi administrado o segundo instrumento de
avaliação ao grupo experimental e ao de controlo, que correspondeu ao teste de
Motivação Escolar. A cada docente entregámos um envelope com os respectivos
testes para a sua turma. No que concerne à variável dependente Motivação Escolar,
foram os próprios alunos que preencheram um questionário acerca de si mesmos,
após a explicação realizada pelo docente titular de turma. Neste sentido, o docente da
respectiva turma distribuiu o teste de Motivação Escolar por cada aluno e fez a
leitura em voz alta. De seguida, o cabeçalho do instrumento foi preenchido
individualmente por cada aluno, tal como ocorreu como o instrumento de avaliação
anterior, tendo novamente cada um dos discentes colocado o seu próprio código no
teste d a escala de Motivação Escolar. Terminada a tarefa, o docente fez a recolha e
302
colocou os respectivos testes de escala de Motivação Escolar no envelope
correspondente. No final da segunda semana de Junho de 2008, demos por terminada
a avaliação da Motivação Escolar, que constitui mais um instrumento de avaliação
que do pré- teste .
Na terceira semana do mês de Junho de 2008 entregámos o terceiro instrumento de
avaliação correspondente à avaliação das Habilidades Sociais, questionário que foi
preenchido exclusivamente pelo docente responsável por cada uma das turmas dos
respectivos grupos experimental e de controlo em relação a cada um dos seus alunos.
A data acordada e agendada com os seis docentes para a entrega deste instrumento
foi a terceira semana do mês de Julho, após o encerramento das reuniões de trabalho
referentes à avaliação final do Rendimento Escolar dos alunos que será referida de
imediato.
Durante a última semana do mês de Junho e a primeira do mês de Julho de 2008, os
docentes estiveram envolvidos em reuniões de avaliações consecutivas
correspondentes ao final do terceiro período de aulas e simultaneamente ao término
do ano lectivo de 2007/2008. Como resultado destas reuniões obteve- se a avaliação
do Rendimento Escolar (quarto instrumento de avaliação do pré-teste) através do
“Registo de Avaliação Trimestral do Aluno” do “Registo de Avaliação Trimestral da
Turma”. No final da primeira semana do mês de Julho de 2008, demos por concluída
a avaliação do Rendimento Escolar correspondente ao quarto instrumento de
avaliação que constitui o pré-teste. Contudo, gostaríamos de realçar que nem todos
os dados da avaliação do Rendimento Escolar foram imediatamente disponibilizados,
o mesmo não aconteceu com os dois instrumentos de avaliação anteriores
(Criatividade e Motivação Escolar) que dependiam directamente da execução dos
alunos, e portanto ficaram imediatamente disponíveis. Os alunos revelaram gosto em
realizar as tarefas inerentes a estes dois instrumentos de avaliação e de uma forma
geral não demonstraram dificuldades no preenchimento dos mesmos. No caso do
instrumento da avaliação do Rendimento Escolar foram indispensáveis alguns
encontros com os docentes para conseguir reunir todos os dados necessários. No que
concerne à entrega do instrumento de avaliação correspondente à avaliação das
Habilidades Sociais, a data foi cumprida na fase de pré- teste.
303
No final de Julho de 2008, deu-se por concluída a fase de pré-teste, data em que
foram entregues os últimos dos instrumentos ainda em falta, nomeadamente o
instrumentos de avaliação do Rendimento Escolar.
No dia 10 de Setembro de 2008 realizámos a sessão de formação com as três
docentes titulares das turmas de 4º ano que representaram o grupo experimental e por
iss o implementaram o Programa Jigsaw, que decorreu no período de 22 de Setembro
a 14 de Novembro de 2008.
Concluído o período de implementação do Programa Jigsaw nas três turmas que
constituíram o grupo experimental, iniciou- se na primeira semana de Dezembro de
2008 a fase do pós- teste com os seis grupos de investigação, seguindo- se a mesma
ordem utilizada na fase do pré-teste. Assim, no dia 2 de Dezembro de 2008, cada
aluno relembrou o seu código pessoal e de seguida registou-o no primeiro
instrumento de avaliação (a Criatividade) que foi administrado pelos docentes aos
alunos das respectivas turmas. À semelhança do que ocorreu na fase de pré-teste, este
instrumento foi aplicado duas vezes a cada aluno, com um intervalo de dois dias
entre cada aplicação. Na primeira, f oi solicitado aos alunos que enumerassem todas
as utilizações possíveis que se podem dar a uma régua (objecto inerente ao ambiente
escolar) e, na segunda, as que se podem dar a uma toalha de rosto (objecto de
ambiente familiar). O processo de operacionalização deste instrumento foi em tudo
id êntico ao da fase de pré-teste. No final da primeira semana de Dezembro de 2008,
deu-se por concluída a avaliação da Criatividade, que correspondeu ao primeiro
instrumento de avaliação administrado na fase do pós- teste.
Na segunda semana de Dezembro de 2008 foi administrado o teste de Motivação
Escolar ao grupo experimental e ao de controlo. A cada docente foi novamente
entregue um envelope com os respectivos testes para a s ua turma, tendo-se seguido
os procedimentos de aplicação idênticos aos da fase de pré - teste. No final dessa
semana, deu-se por terminada a avaliação da Motivação Escolar, que correspondeu
ao segundo instrumento de avaliação aplicado na fase de pós- teste.
Na terceira semana do mês de Dezembro de 2008 foi entregue o terceiro instrumento,
para a avaliação das Habilidades Sociais. A data acordada e agendada com os seis
304
docentes para a devolução deste instrumento foi a primeira semana do mês de Janeiro
de 2009, após o encerramento das reuniões de trabalho referentes à avaliação do
Rendimento Escolar dos alunos, referente ao primeiro período de aulas do ano
lectivo 2008/2009, que será referida de imediato.
A avaliação do Rendimento Escolar (quarto instrumento de avaliação do pré-teste)
foi obtida através do “Registo de Avaliação Trimestral do Aluno” do “Registo de
Avaliação Trimestral da Turma” já mencionados anteriormente na descrição dos
instrumentos de avaliação das variáveis dependentes e na fase de pré- teste . Assim
sendo, no final da primeira semana do mês de Janeiro de 2009, demos por concluída
a avaliação do Rendimento Escolar, correspondente ao quarto instrumento de
avaliação que constitui o pós- teste.
Nesta fase , todos os dados dos quatro instrumentos de avaliação referentes às três
turmas do grupo experimental e a uma do grupo de controlo (todas pertencentes à
Escola EB1 do Outeiro) foram imediatamente disponibilizados, o que já não
aconteceu com as restantes turmas do grupo de controlo (ambas da Escola EB1 da
Formigosa) uma vez que neste estabelecimento de ensino se deu início a um período
de obras de remodelação do edifício, tendo por isso de ser encerrada durante algumas
semanas. Devido a esta ocorrência, os últimos instrumentos de avaliação
(Habilidades Sociais e Rendimento Escolar) foram entregues mais tarde,
concretamente na primeira semana de Fevereiro de 2009, ultrapassando um mês a
data prevista e acordada inicialmente. Só nesta data foi possível dar por concluída a
fase de pós- teste.
Posteriormente, os dados obtidos foram recol hidos e analisados estatisticamente,
tendo em vista a realização do diagnóstico do grupo experimental e do grupo de
controlo. Estes quatro instrumentos forneceram-nos medidas de avaliação das
variáveis dependentes em estudo.
305
5.11 Fiabil idade do s I nst rumentos
N est a secção apresentamos os resultados da estimação de fiabilidade interna Alfa ( α )
de Cronbach realizada para os instrumentos que avaliam a Motivação Escolar
(distinguindo-se também as s ubescalas de Motivação Intrínseca e de Motivação
Extrínseca), as Habilidades Sociais (distinguindo-se as subescalas de Autocontrolo,
Cooperação e Assertividade) e a Criatividade (distinguindo- se a s subescalas de
Originalidade, Fluência, Flexibilidade e Elaboração). O Rendimento Escolar é obtido
através dos Registos de Avaliação dos alunos, que são documentos oficiais do
Ministério da Educação, razão pela qual não os indicamos.
A Tabela 5 contém o resumo desses resultados, remetendo-se para anexo (ver Anexo
XVII) a a presentação dos resultados detalhados da análise de fiabilidade i nterna
realizada para cada instrumento e respectivas subescalas, no qual também
apresentamos os valores das “correlações item-total” , isto é, as correlações entre os
valores atribuídos a cada item e o valor total para o conjunto de itens. Assumindo - se
que cada item deve contribuir para a formação da variável que se pretende medir,
estatisticamente significa que deve existir uma correlação relativamente forte (de 0,4
a 0,7) entre cada item e o total. Apresentamos também as tabelas com a opção
“Cronbach’s Alpha if Item Deleted” , que permite avaliar quais os itens que melhor
contribuem para a fiabilidade interna de cada questionário. Em cada linha da tabela,
o valor de alfa é calculado com base em todos os itens do questionário com excepção
do item dessa linha.
O instrumento aplicado para a avaliação das Habilidades Sociais apresenta uma
fiabilidade interna excelente 17 , tanto na fase do pré-teste como na do pós -teste. O
instrumento aplicado para a avaliação da Motivação Escolar apresenta uma
fiabilidade interna razoável na fase do pré -teste, e fraca na fase do pós-teste. O
in strumento utilizado para a avaliação da Criatividade tem uma f iabilidade interna
17 De acordo com Hill e Hil l (2003, p . 1 49), co nsiderou - se o seguinte critério de avaliação do índice
de fiabili dade interna de uma escala: superior a 0,9 – Excelent e ; de 0 ,8 a 0,9 – Bom ; d e 0,7 a 0,8 –
Razoável ; de 0,6 a 0,7 – Fraco e inferior a 0,6 – Inaceitável .
306
razoável no pré- teste e boa no pós-teste. De uma maneira geral, pode considerar- se
que a fiabilidade interna dos instrumentos aplicados é suficiente para conceder um
suporte estrutural ao Programa.
Tabela 5 – Fiabil idade inter na dos inst rumentos (Alfa de Cro nbach)
Alfa de Cr onbach
Número
de itens
Pré - teste
Pós - teste
Mot iv aç ão E sc ol ar
0,730
0,62 8
20
Mot iv aç ão I nt rí nsec a
0,652
0,622
10
Mot iv aç ão E xt rí ns ec a
0,725
0,608
10
Habi li dade s S oci ais
0,952
0,959
30
Auto cont rol o
0,884
0,924
10
Cooper ação
0,951
0,949
10
Asse rti vidade
0,900
0,888
10
Cria tiv idade
0,771
0,825
8
Uma vez constatada a fiabilidade dos instrumentos utilizados, apresentaremos a
análise e interpretação dos resultados derivados do estudo descritivo da amostra,
dando-se particular atenção aos resultados obtidos no grupo experimental.
5.12 Resu mo
O objectivo principal deste capítulo foi apresentar a parte empírica da investigação
que realizámos. Começámos por partilhar o plano de trabalho desenvolvido e
organizado através de etapas. Neste seguimento formulámos o problema de
investigação e traçámos como objectivo geral avaliar a contribuição do Método de
Aprendizagem Cooperativa na optimização da intervenção pedagógica dos docentes
do Ensino Básico – 1º Ciclo, melhorando o rendimento escolar, as habilidades sociais
e os níveis de motivação e de criatividade dos alunos.
Foi igualmente importante f ormularmos as hipóteses de trabalho e o desenho
metodológico pelo qual optámos para validar as hipóteses de trabalho que guiaram
esta investigação (desenho quase-experimental). A escolha das variáveis em estudo
recaiu sobre o Programa de Intervenção pedagógica baseado na “técnica puzzle de
Aronson” como variável independente (VI). O rendimento escolar, a motivação, a
307
criatividade e as habilidades sociais dos alunos foram as variáveis dependentes (VD)
consideradas neste estudo. A selecção da amostra (112 alunos do Ensino Básico – 1º
Ciclo e 6 docentes também do mesmo nível de ensino) e a sua descrição é também
um ponto importante que salientamos neste capítulo. Os instrumentos de avaliação
das variáveis dependentes são igualmente descritos, assim como também fazemos a
descrição de como decorreu a sua aplicação aos grupos experimental e de controlo.
Por último, mostramos os resultados da estimação de fiabilidade interna Alfa ( α ) de
Cronbach no que concerne aos instrumentos de avaliação aplicados comprovando
que a fiabilidade dos instrumentos é suficiente para conceder um suporte estrutural
ao Programa.
314
Em primeiro lugar, ao se idealizar e concretizar a planificação da técnica Jigsaw foi
necessário obtermos autorizações das entidades oficiais, nomeadamente do Senhor
Presidente do Conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Douro
(Vila Nova de Gaia – Portugal), das Coordenadoras de Estabelecimento de Ensino
em causa (Escola EB1 do Outeiro e Escola EB1 da Formigosa) e dos respectivos
Encarregados de Educação dos alunos envolvidos nesta investigação.
Em segundo lugar, foi indispensável realizarmos uma reunião de esclarecimento com
os docentes envolvidos na investigação (três responsáveis pela s turmas do grupo
experimental e outras três pelas do grupo de controlo) acerca da utilização dos
instrumentos de avaliação (previamente escolhidos e adaptados) a aplicar nas fases
do pré-teste e pós- teste.
Em terceiro lugar tornou-se imprescindível dedicarmos tempo à planificação das
sessões que iriam ser realizadas em contexto de sal a de aula, à organização do tempo
da implementação de cada sessão e da própria duração de todo o Programa, à
construção de materiais didácticos a utilizar em cada sessão e à alteração da
disposição do mobiliário da sala de aula.
Por último, foi ainda indispensável desenharmos e realizarmos um plano de
formação para os docentes implicados directamente no grupo experimental deste
Programa de inovação educativa, plano esse constituído por uma sessão de formação
e por sessões de acompanhamento e partilha do trabalho realizado (denominados por
encontros semanais) até ao final da implementação da Técnica Jigsaw de Aronson.
Objectivos do Programa
O Programa de Intervenção teve os seguintes objectivos:
§ Formar as docentes implicadas, na técnica de Aprendizagem Cooperativa
Jigsaw ;
§ Proporcionar aos docentes uma alternativa ao ensino tradicional de forma a
optimizar a intervenção pedagógica no Ensino Básico – 1º Ciclo;
315
§ Promover uma mudança de paradigma no processo de ensino-aprendizagem
dentro do espaço de sala de aula através da implementação da técnica Jigsaw ;
§ Melhorar o sucesso académico dos alunos, nomeadamente ao nível dos
conteúdos curriculares de aprendizagem;
§ Potenciar nos alunos o domínio das habilidades sociais e de negociação;
§ Promover junto dos alunos a melhoria dos níveis de motivação;
§ Potenciar e valorizar a criatividade dos alunos envolvidos;
§ Optimizar a aula, especialmente a interacção aluno-aluno e aluno-professor.
Requisitos Específicos de D iscentes e D ocentes
Neste tipo de Programa de intervenção pedagógica é particularmente adequado o uso
do texto como principal recurso. Deste modo, os alunos que participaram já
possuíam competências básicas de leitura. Quantos aos temas a serem explorados,
embora tenha tido sucesso com os mais diversos, adequa-se melhor aos que utilizam
textos narrativos que possam ser divididos em partes separadas coerentemente, e por
isso sem perderem sentido, para serem distribuídos pelos elementos que constituem o
grupo. Cada membro do grupo tem que possuir uma parte indispensável para o
conjunto e assim se formar o puzzle com os cartões recortados irregularmente, de
forma a se obter o sucesso pretendido.
Para levar a cabo este Programa de Intervenção foi imprescindível que os docentes
que nele participam tivessem formação e acompanhamento neste Programa de
inovação educativa. Esta situação foi devidamente salvaguardada através de um
plano de formação para os professores responsáveis pelo grupo experimental.
Formação dos G rupos P uzzle e C onstrução dos M ateriais D idácticos
Antes de se implementar a técnica Jigsaw de Aronson nas salas de aula de 4º ano de
escolaridade foi necessário constituir os grupos puzzle . Esta tarefa foi realizada por
cada docente. Sendo cada turma constituída por 24 alunos, formaram- se seis grupos
puzzle , cada um constituído por quatro elementos. Relembrámos aos três professores
316
participantes que a constituição dos grupos deve valorizar predominantemente a
heterogeneidade dos seus elementos quanto ao sexo, à idade, à etnia, ao rendimento
escolar, à motivação e à criatividade.
Mas p ara que se tornasse exequível a implementação do Programa Jigsaw de
Aronson na Escola EB1 do Outeiro, foi necessário primeiramente construirmos os
materiais didácticos correspondentes às sessões já planificadas. Estes materiai s –
denominados cartões puzzle (ou Jigsaw ) – são peças/cartões irregulares de quatro
cores, de tamanho 6 por 9 centímetros, feitas em cartolina. O conteúdo de cada
sessão foi dividido em quatro partes, de acordo com o mesmo número das cores dos
cartões de cada conjunto de cartões puzzle . Em cada cartão está descrito cada um dos
quatro fragmentos da unidade temática da sessão, de forma acessível e adaptada aos
alunos que frequentam o 4º ano de escolaridade. Assim, em cada conjunto de quatro
cartões puzzle encontra-se a matéria de cada sessão.
Estando concluídas as planificações das respectivas sessões, assim como o material
didáctico para cada aula do Programa, os cartões Jigsaw foram produzidos em série
para que as três turmas que representar am o grupo experimental (cada uma delas com
seis grupos puzzle ) tivessem os respectivos cartões e pudessem trabalhar
simultaneamente, cada turma na sua sala de aula, sem estarem dependentes dos
materiais e dos ritmos de trabalho uns dos outros. Assim, f oram impressos nas
respectivas cartolinas 1296 cartões com as unidades temáticas correspondentes a
dezoito sessões do Programa mas que se traduziram em vinte. É importante referir
que os cartões utilizados na sessão 1 foram os mesmos da sessão 2 e o mesmo se
passou nas sessões 15 e 16. Estas duas situações estão previstas nas sessões de
planificação apresentadas e assim se j ustifica a existência de 18 conjuntos de cartões
para as 20 sessões.
Terminada a impressão, plastificámos to das as cartolinas, recortámos as respectivas
peças que foram organizadas em puzzles e colocadas em seis envelopes que
correspondem aos seis grupos puzzle existentes em cada grupo experimental. Para
cada sessão foi necessário recortar 24 cartões Jigsaw por turma, o que representa 72
cartões para as três turmas do grupo experimental, por cada sessão.
317
Apesar do material didáctico estar concluído antes do início da implementação do
Programa, optámos por fazer a distribuição semanal do mesmo pelas docentes, nos
dias agendados para os encontros semanais. Convém salientarmos que estes
encontros semanais foram quase todos realizados à sexta-feira para que as docentes
tivessem o tempo necessário durante o fim-de-semana para se familiarizarem com os
cartões das sessões correspondentes à semana seguinte. Os dois últimos encontros
semanais extraordinários 18 , por incompatibilidade de horários foram realizados à
segunda- feir a (27 de Outubro e 17 Novembro de 2008), sem no entanto, pôr em risco
a preparação didáctica e curricular das docentes envolvidas, uma vez que a
distribuição dos cartões Jigsaw já tinha sido efectuado nas sessões anteriores.
Assim, no final da sessão de formação realizada no dia 10 de Setembro de 2008, foi
entregue o material didáctico para as primeiras 5 sessões. Nesta mesma ses são de
formação proporcionámos o espaço e tempo necessários para que as professoras
responsáveis pela implementação do Programa Jigsaw pudessem manusear os
respectivos cartões.
Antes de se dar início à implementação do Programa, as três docentes titulares das
turmas que constituíram o grupo experimental, tiveram oportunidade de simular a 1ª
sessão do Programa, como se verá mais adiante.
Ainda em relação ao material didáctico é importante evidenciarmos que este é
sempre dividido em tantas partes quanto o número de elementos que tem cada grupo.
Contudo, se alguma das professor as verificar a ausência de alunos deverá ajustar a
entrega de material certificando-se que todos os elementos dos grupos recebem os
mesmos fragmentos didácticos. Os cartões serão assim distribuídos pela docente e
não escolhidos pelos alunos para ser possível alunos com diferentes perfis terem o
mesmo cartão. A quantidade de informação e consequentemente de cartões deve ser
adequada à idade dos alunos, à dif iculdade dos assuntos e ao grau de familiaridade
dos alunos com esta técnica.
18 Estes d ois encontro s não est avam contemplado s no pla no de re uniões agendado no in ício da
implem entaçã o do Pro grama .
318
Assim , depois de cada aluno receber uma parte do tema juntar- se -á aos elementos
dos restantes grupos que também receberam o mesmo conteúdo f ormando um novo
grupo, o grupo de especialistas , onde deverão ler, preparar e estudar a sua parte com
o resto do grupo. No caso de haver alunos com dificuldades de leitura pode um, mais
competente, ler alto. É também possível a informação ser dada não só através de
textos, mas também acompanhada de gráficos ou figuras. Por último, cada aluno
voltará ao seu grupo inicial ou de base ( grupo puz zle ) e ensinará ao resto da equipa
aquilo que aprendeu no grupo de especialistas. Entre todos procurarão clarificar o
grande tema, tirar possíveis dúvidas, perguntar, explicar, com o objectivo de todos
aprenderem e dominarem o tema na sua globalidade.
Tempo de I mplementação do Programa Jigsaw
O tempo de implementação previsto para cada sessão é de aproximadamente uma
hora, apesar de haver sempre espaço para alguma flexibilidade, uma vez que se trata
de gerir relações humanas num contexto totalmente diferente.
Contudo, é fundamental que cada docente e cada grupo de alunos se organizem o
melhor possível em termos de gestão do tempo de implementação de cada sessão.
Assim, a distribuição do tempo é sempre feita em função da planificação das sessões,
tendo em conta a seguinte linha orientadora:
• Introdução ao tema ( 10 minutos ): a docente expõe de forma clara o trabalho a
realizar. Esta introdução pode ser realizada com o apoio do programa da
escola virtual da Porto Editora, que consiste na apresentação do tema através
de aulas interactivas, acessíveis pela Internet a partir do quadro interactivo
projectando essa mesma introdução através de animações, vídeos e
interactividades. A professora dirá que a matéria da aula está d ividida em
quatro partes. Cada aluno receberá uma parte mas no fim todos saberão a
matéria das quatro peças do puzzle . O domínio da unidade temática
dependerá das explicações dadas pelos colegas de grupo. O professor avisa
ainda que no final da aula fará questões aos alunos que poderão não coincidir
com a parte em que são especialistas;
319
• Formação dos grupos puzzle ( 5 minutos ): o docente organiza os alunos em
grupos de 4 elementos;
• Leitura silenciosa ( 5 minutos ): os alunos de cada grupo puzzle fazem a leitura
silenciosa da matéria que consta na sua peça do puzzle ;
• Grupos de especialistas ( 15 a 20 minutos ): organização dos alunos em grupos
de especialistas (onde todos os elementos de cada grupo têm uma peça
idêntica do puz zle ). Nesse grupo, repet em a leitura em conjunto, estu d am
todos o mesmo conteúdo programático e registam as ideias principais para
depois as ensinarem (partilharem) no grupo puzzle ;
• Regresso ao Grupo puzzle ( 10 a 15 minutos ): todos os alunos regressam ao
grupo puzzle (grupo inicial), onde partilha m os diferentes conteúdos que cada
um aprendeu no grupo de especialistas e a seguir fazem o sumário (ou
resumo) dos quatro cartões no caderno diário ou em folhas de trabalho;
• Questões ( 5 a 10 minutos ): período em que a professora coloca as suas
questões;
• No final da sessão, cada grupo puzzle entregará à professora um resumo da
unidade temática para posteriormente a docente fazer a sua avaliação.
Nesta investigação, a implementação das 20 sessões decorreu diariamente. O tempo
de implementação acabou por s e estender num período de 8 semanas de aulas (de 22
de Setembro a 14 de Novembro de 2008), demorando mais tempo do que aquele que
inicialmente estava planeado. Esta situação deveu- se ao facto de se tratar de uma
técnica completamente nova para os intervenientes. É ainda importante realçarmos
que em Aprendizagem Cooperativa é necessário dar tempo para o estabelecimento da
comunicação respeitando o ritmo e o estilo de aprendizagem do outro.
Em resumo, as principais características da Técnica Puzzle de Aronson que foram
valorizadas no trabalho realizado, são as que se indicam no Quadro 16.
320
Escol arid ade - alvo
4º Ano do Ensino Bási co (1º C iclo).
Número de alu nos por grupo
puzzle
Quat ro al unos .
Número de alu nos po r grupo
de especial istas
Seis alunos.
Áreas C urr iculare s
disci plinare s e nã o -
disci plinare s
Estudo do Meio, Língua Port uguesa , For mação Cívica ,
Estudo Acompanha do, desde que a in formaçã o pro venha
da leit ura de textos.
Estru t uras - chave
Estru turas da meta e da tar efa.
Estru tura da meta
É média - alta isto porque os participantes só podem
conseguir o seu object ivos se os r estantes elementos do
grupo também o cons eguirem.
Estru tura da tare fa
É mais alt a do que a estr utura da meta porque se divide
um tema em subtemas ou fragmentos e cada al uno
especializa - se numa parte que explica aos restantes
elementos do grupo inicial .
Tipo de taref a
Especi aliz ação da t aref a.
Estru tura da recompe nsa
É bai xa po rque não e xist em recompe nsas pela
cooperação.
Interdepend ência dos alunos
Conseg ue - se uma grande interdependência entre os
alunos devido às est ruturas da tar efa e da meta.
Respo nsab il idad e d os alunos
É al ta, motiv ada pe las estr utur as da ta refa e da meta .
Tipo de avaliação
Optá mos por fazer uma avali ação das apr endizagens de
forma individu al (nas provas de avaliação formativa e nos
momen tos d e i nt erv enç ão pes so al) e u ma a val ia ção gr upa l
através de tr abalhos de grupo, nomeadamente resumos
e/ou sumários entregues por cada grupo puz zle no fi nal de
cada sessão. A nota final é a média da avaliação grupal e
da avali ação indivi dual.
Igualdade de op ortunidades
de contr ibuir para a
pontuação grupal
Não exi ste i gual oport uni dad e d e c ont rib uir pa ra a
pontuação do grupo uma ve z que não há recompensas
nem incentivos pela c ooperação do gr upo baseadas em
aprendizagens individuais.
Quadr o 17 – Caract erí sti cas da téc nica Jigsaw no grupo experimenta l
Funções do D ocente no Programa
Nesta secção expomos as funções específicas das docentes participantes na
implementação deste Programa de Intervenção, nomeadamen te no que concerne à
planificação das sessões, à disposição física do mobiliário, à realização do
acompanhamento dos grupos e à avaliação do processo e dos resultados.
321
Planificar a Aula e Fazer a Disposição do Mobiliário
Uma vez que as aulas e os materiais didácticos já estavam planificados para as 20
sessões do Programa, as professoras responsáveis pelo grupo experimental não
necessitaram de dividir cada unidade temática em fragmentos de igual extensão e
dificuldade. Apenas explicaram aos alunos o objectivo desta técnica e formaram
grupos puzzle de quatro elementos heterogéneos quanto ao sexo, à etnia, ao
rendimento escolar, à motivação, à criatividade e às habilidades sociais.
Cada docente alterou a disposição do mobiliário da sala de aula asse gurando-se de
que os grupos tinham reunidas as condições necessárias para o seu bom
funcionamento, nomeadamente a proximidade física. O ideal teria sido trabalhar e m
mesas circulares para facilitar o trabalho em equipa. Contudo, não foi possível
utilizar este tipo de mesas devido à sua inexistência no estabelecimento de ensino
onde decorreu a Implementação do Programa.
Assim, para cada grupo puzzle , as professoras juntaram duas mesas pequenas
rectangulares que formaram uma só mesa quadrangular, conforme se ilustra na
figura . Cada sala ficou disposta com seis mesas quadrangulares (ver Figura 10).
Figura 10 – Disp osi ção dos seis grupos puzzle .
Houve ainda quatro áreas específicas da sala onde foi colocada uma cartolina da cor
correspondente a cada grupo de especialistas , isto para que cada elemento dos seis
grupos puzzle soubesse para onde se deveria dirigir no momento da formação do
novo grupo ( grupo de especialistas ) composto por seis elementos, com cartões da
mesma cor (ver Figura 11).
322
Figura 11 – Disp osi ção dos quat ro grupos de especialistas .
Cada docente ficou ainda com a responsabilidade de distribuir o material (pequenos
cartões coloridos e irregulares com as partes constituintes de cada tema) e de manter
o funcionamento desta disposição do mobiliário até ao final do Programa.
Realizar o Acompanhamento dos Grupos
Enquanto os alunos realizaram o seu trabalho juntos, cad a docente participante
assumiu a função de circular pelos grupos para supervisionar sistematicamente a
interacção entre todos os elementos. Para lhe facilitar a tarefa utilizou uma grelha de
observação (ver Anexo XI). Foi assim diagnosticando as dificuldades ou problemas
que pudessem surgir nos grupos e sempre que necessário intervinha para ajudar na
execução, para que todos alcançassem os objectivos propostos e ligados à sua tarefa.
A professora tinha ainda a função de motivar os alunos para que todos particip assem
proporcionando oportunidades para que estes fizessem perguntas. Deveria ainda
incentivá-los a que solic itassem a ajuda necessária e util izassem de maneira
adequada as habilidades comunicativas e grupais. A docente tinha ainda a função
preciosa de ajudar a superar conflitos, tirar dúvidas que não podem ser resolvidas por
nenhum dos elementos do grupo e trazer informações novas.
Fazer a Avaliação do Processo e dos R es ultados
Coube a cada professora a função de avaliar o progresso escolar dos seus alunos e o
seu empenho nas relações interpessoais e grupais. Assim, no final da unidade
temática, a professora responsável por cada turma que constitui cada grupo
experimental foi verificando se o s alunos tinham aprendido bem através da
pontuação obtida não só nas provas de avaliação formativa e nos momentos de
intervenção pessoal (Avaliação individual) m as também nos trabalhos realizados em
323
grupo, nomeadamente em apresentações orais feitas pelos grupos Jigsaw, nos
resumos e/ou sumários entregues por cada grupo puzzle no final de cada sessão
(Avaliação grupal). A nota final correspondeu à média da avaliação grupal e a
avaliação individual. Cada professora, foi sensibilizada para ter sempre em
consideração a opinião dos seus alunos, e por isso sempre que possível, questioná-los
acerca de todo o Programa, de como se sentiam em termos académicos, ou mesmo
terem oportunidade de partilhar possíveis problemas e/ou obstáculos que pudessem
surgir no decorrer das aulas ao lo ngo da aplicação da técnica.
6.3 Planif icação das Se ssõe s Aplicadas em Contexto de
Sala de aula
A planificação das sessões para a implementação da técnica Jigsaw foi realizada
tendo em conta o plano curricular do 4º ano de escolaridade do Ensino Básico. Uma
vez que nas aulas dadas através desta técnica de Aprendizagem Cooperativa, a
informação é adquirida através da leitura de textos, foram privilegiadas as áreas
curriculares de Estudo do Meio, Língua Portuguesa, Formação Cívica e Estudo
Acompanhado, adaptando os conteúdos ao material didáctico construído. As três
professoras responsáveis pelas turmas que constituíram o grupo experimental
receberam os temas planificados em 20 sessões bem como os respectivos materiais já
prontos a aplicar.
Como todas as sessões apresentam a mesma estrutura (variando apenas nos seus
conteúdos) optámos por expor de forma descritiva apenas a planificação da sessão nº
1. Na s sessões seguintes apresentam- se as áreas curriculares (disciplinares e não
disciplinares), os objectivos/competências essenciais, os temas/conteúdos e os
recursos materiais a utilizar, omitindo-se a planificação/desenvolvimento da sessão, o
trabalho no grupo de especialistas e o trabalho no grupo inicial ou de base (grupo
puzzle ). Far - se -á referência à reflexão/avaliação, sempre que esta traga algum
elemento novo em relação ao exposto na sessão nº 1.
330
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Elaborar um cartaz ligado ao tema desenvolvido em Formação cívica,
utilizando técnicas de desenho, recorte, colagem e pintura (E.E.P.);
§ Desenvolver o sentido estético (E.E.P.).
Temas/Conteúdos:
§ Formação Cívica: Educação para a cidadania. Os Direitos da Criança.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
§ Expressão e Educação Plástica: Exploração de técnicas diversas de expressão.
Material:
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas para cada conjunto
de direitos (os mesmos cartões que foram utilizados na Sessão nº 1 );
§ Material de consulta e de estudo realizado na aula anterior;
§ Folhetos e revistas com crianças;
§ Cartolinas, tesouras, colas, lápis, marcadores, etc.
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
331
S ESSÃO N º 3
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares : Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Identificar a função de protecção da pele (E.M);
§ Descobrir a existência das duas camadas da pele (E.M);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre a pele (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta de si mesmo. O seu corpo. A pele.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virt ual: “Os bons amigos - um
poema enigmático – a pele”;
§ Ficha de auto-avaliação realizada em grupo;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas da pele.
332
Figura 13 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 3
Reflexão/Avaliação:
Colocar os alunos em silêncio a “ falarem para dentro” sobre próprio dia e a
transmitirem em voz alta o que pensaram durante o silêncio. Os alunos farão algumas
reflexões em comum s obre como decorreu o trabalho e em que medida aplicaram as
habilidades sociais. A professora pode também incluir uma ficha de avaliação e/ou
consolidação sobre os conteúdos, se assim o desejar. Neste caso em concreto, os
alunos realizaram a ficha de auto-avaliação (ver Anexo XIII, p. 545).
S ESSÃO N º 4
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Reconhecer a existência dos músculos (E.M.);
§ Reconhecer a sua função (movimento, suporte...) (E.M.);
§ Observar em representações dos músculos humanos (E.M.);
§ Dese nvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
Funçã o da pele
Derme
Epi d erme
C ont inu ação da de rme
333
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre os músculos (E.A).
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “Os bons amigos – a aula de
Educação Física – os músculos”;
§ Filme (documentário) sobre os músculos;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas dos músculos.
Figura 14 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 4
Reflexão/Avaliação: idêntica à da s essão nº 1, tendo-se optado neste caso específico
por colocar os alunos a realizar um pequeno texto escrito e individual sobre aquilo
que mais valorizaram no momento destinado ao diálogo.
Os múscul os
Funçã o dos mú sculos
Lig aç ão dos músc ul o s ao s o ssos
Duas espé cies d e mús culos
334
S ESSÃO N º 5
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Reconhecer a existência dos ossos (E.M);
§ Reconhecer a sua função (suporte e protecção) (E.M.);
§ Observar em representações do corpo humano (E.M);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre os ossos (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta de si mesmo. O seu corpo. Os ossos.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Esqueleto de tamanho real;
335
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “Os bons amigos – Lili e o
caracol – os ossos”;
§ Ficha de auto-avaliação realizada em grupo;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas dos ossos.
Figura 15 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 5
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1, tendo-se incluído a tarefa dos alunos
realizarem a ficha de consolidação da matéri a dada (ver Anexo XIV, página 547).
S ESSÃO N º 6
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Reconhecer a existência e a função do aparelho locomotor (E.M.);
§ Observar em representações do corpo humano (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
Funçõe s dos ossos: sup orte
e p rot e cç ão
Ossos do tro nco e
art i cu la çõ e s
Ossos dos memb ros
sup erio res e in fe r io res
Ossos do cr ânio
336
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o aparelho locomotor (E.A.).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta de si mesmo. O seu corpo. Aparelho
locomotor.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas do aparelho
locomotor.
Figura 16 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 6
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
Os ossos , suas funç ões e
pri nc ip ai s co m pon entes do
es q ue le t o
Múscu los
Pel e: fu n ç õe s e c am ad a s
que pos s ui
Cui dado s a ter co m o
ap a rel h o lo c o mo tor
337
S ESSÃO N º 7
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Identificar alguns cuidados a ter com a exposição ao sol (E.M.);
§ Conhecer algumas regras de primeiros socorros a ter em conta em casos de
queimaduras solares, fracturas e distensões. (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta de si mesmo. A segurança do seu corpo.
Primeiros Socorros.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
338
Material:
§ Documentação fornecida pelo Centro de Saúde para a realização dos
trabalhos (folhetos de sensibilização com imagens sugestivas);
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “Os bons amigos – Um dia
na praia – cuidado com o corpo”;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas da segurança do seu
corpo.
Figura 17 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 7
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1, tendo-se optado por colocar os alunos
de cada grupo puzzle a elaborar um cartaz utilizando o texto escrito, o desenho e o
recorte de gravuras. Foi fornecido o material necessário para a elaboração deste
trabalho reflexivo. Cada grupo puzzle fez a apresentação do seu trabalho para o
grande grupo (grupo-turma), tendo os trabalhos sido afixados na sala e na escola e
posteriormente avaliados pela professora.
S ESSÃO N º 8
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P.)
e Expressão e Educação Dramática (E.E.D.).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Re gra s de 1ºs so cor ro s a
te r em c o nta em c aso d e
di stensõe s.
Cui dado s a ter co m o so l .
Re gra s de 1ºs socor r os a t er em
co nt a em c as o d e qu e im ad u ras
sol ares .
Re gra s de 1ºs socor r os a t e r
em c o nt a em cas o d e
fract uras.
339
Objectivos/Competências essenciais:
§ Conhecer e aplicar algumas regras de prevenção de incêndios (nas habitações,
nos locais públicos e nas florestas) (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A);
§ Expressar a sua sensibilidade e desenvolver o seu imaginário (E.E.D.);
§ Dramatizar situações imaginadas a partir de um tema (E.E.D.).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta de si mesmo. A segurança do seu corpo.
Prevenção de incêndios.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
§ Expressão e Educação Dramática: Jogos dramáticos. Linguagem verbal e
gestual.
Material:
§ Notícias sobre fogos;
§ Documentação fornecida pela Corporação dos Bombeiros para a realização
dos trabalhos (folhetos de sensibilização com imagens sugestivas);
346
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado do
meio local.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Natureza –
Folhas do céu e D. Sol – História da minha localidade”;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas da instituição local
a ser estudada (Instituições Religiosas).
Figura 22 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 12
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1, tendo a aula finalizado com os
momentos de reflexão e avaliação, muito idênticos aos das duas sessões anteriores.
Igreja Paroquial .
Igreja Adventista d o 7º
Dia.
Horário de fu n cioname nto
da Ig rej a Adven ti st a do
Sétimo D ia e os serv iç os
que pr esta à co m uni d ad e .
Horário de fu n cioname nto da
Igreja Paroquial e servi ç os
que pr esta à c omuni da de .
347
S ESSÃO N º 13
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essencia is:
§ Pesquisar sobre o passado de uma instituição local: Centro de Saúde (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado do
meio local.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Natureza –
Folhas do céu e D. Sol – História da minha localidade”;
348
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas da instituição local
a ser estudada (Centro de Saúde).
Figura 23 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 13
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1, tendo a aula finalizado com os
momentos de reflexão e avaliação acerca da temática explorada (Centro de Saúde).
No final da exploração das quatro instituições locais, cada grupo puzzle fica
responsável por uma instituição local e apresenta o tema noutras turmas da escola. A
apresentação dos temas pode ser rotativa pelos grupos puzzle uma vez que todos os
elementos que os constituem dominam globalmente cada tema.
S ESSÃO N º 14
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Conhecer personagens e factos da história nacional com relevância para o
meio local (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
Mat er ial l ogí stic o exi st en t e
no Centro de Sa úde .
Ser v iços p restados à
co m u nidade e hor ár io de
at e ndi m e n to.
Número de funci onários
públ icos q ue tr aba lha m n o
Ce ntro de Sa úde e nú m er o de
ut ent es inscr it o s no C e ntro.
Ce ntr o de Saú de de Olivei ra
do Douro.
349
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado
nacional.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Natureza –
Folhas do céu e D. Sol – História da minha localidade”;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas das personagens e
factos da história nacional com relevância para o meio local.
Figura 24 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 14
Povo s que habitar am nesta
lo c a lid a de . O sig nifi cado de c art a
de fo ral e o nome dos reis que
co nc eder a m forai s a lo c al idad e s na
fregue sia.
Zon a s de int er e ss e
hi stóri co da lo calid ade.
Activi dades económic a s que
ca r ac te riz am a fr eg u e sia .
Fig u ra s il ustres da
lo c a lid a de .
350
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1, tendo a aula finalizado com os
momentos de reflexão e avaliação da professora que se traduziu num parecer geral de
como decorreu a aula e ainda na colocação de perguntas directas aos alunos que
tinham a ver com as abordagens trabalhadas na sessão.
S ESSÃO N º 15
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Continuar a conhecer personagens e factos da história nacional com
relevância para o meio local. (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado
nacional.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
351
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Natureza –
Folhas do céu e D. Sol - História da minha localidade”;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas das personagens e
factos da história nacional com relevância para o meio local.
Figura 25 – Cart ões Jigsaw : Sessão 15
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
S ESSÃO N º 16
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E:M.), Língua Portuguesa (L.P.)
e Expressão e Educação Plástica (E.E.P.).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Conhecer personagens e factos da história nacional com relevância para o
meio local. (E.M);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
Fig u ra s il ustres da
lo c a lid a d e.
P ovos que habi taram ne sta
lo c a lid a de - o s i gni fic ado de c ar ta
de fo ral e o nome dos reis que
co nc eder a m fora is a lo c al ida de s na
fregue sia.
Activi dades económic as
qu e ca r ac te riz am a
fregue sia.
Zon a s de in te resse
hi stóri co da lo calid ade.
352
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Elaborar um álbum ligado ao tema desenvolvido em Estudo do Meio,
utilizando técnicas de desenho, recorte, colagem e pintura (E.E.P.);
§ Desenvolver o sentido estético (E.E.P.).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado
nacional.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
§ Expressão e Educação Plástica: Exploração de técnicas diversas de expressão.
Material:
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas das personagens e
factos da história nacional com relevância para o meio local (os mesmos
cartões que foram utilizados na Sessão 15 );
§ Material de consulta e de estudo realizado na aula anterior;
§ Folhetos históricos e culturais;
§ Cartolinas, tesouras, colas, lápis, marcadores, etc.
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
353
S ESSÃO N º 17
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Conhecer os povos que habitaram a Península Ibérica (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Estudo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O passado do
nacional.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Nature za - uma
história de encantar – Formação de Portugal”;
§ Mapa territorial desta época específica sempre presente no quadro virtual;
354
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas relacionados com
povos que habitaram a Península Ibérica.
Figura 26 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 17
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
S ESSÃO N º 18
Áreas curriculares disciplinares: Estudo do Meio (E.M.), Língua Portuguesa (L.P).
Áreas curriculares não-disciplinares: Estudo Acompanhado (E.A.).
Objectivos/Competências essenciais:
§ Conhecer factos históricos relacionados com a formação de Portugal (E.M.);
§ Desenvolver competências de comunicação oral e escrita (L.P.);
§ Identificar as ideias principais de um texto (L.P.);
§ Organizar ideias (L.P.);
§ Procurar dar explicações claras (L.P.);
§ Pedir explicações quando não se compreende (L.P.);
§ Escrever individualmente e em grupo (L.P.);
§ Sumariar ideias (L.P.);
§ Ajudar os colegas a compreender um texto (E.A.);
§ Promover de forma cooperativa o sucesso pessoal e educativo (E.A.);
O que é a História e o tipo de
fontes históri c as (ora is e
doc ument ai s).
Con quist a à Pení nsula
Ibéric a feita pelo p ovo
romano.
Situaçã o g eográfica de
Portuga l ( pa rte ocidental da
Eur op a, na Pe ní nsu la Ibé r ica ) .
Re su mo da hi stória do
povo Lus it ano.
355
§ Pôr em prática a igualdade no acesso ao saber (E.A.);
§ Construir material de consulta e de estudo sobre o tema desta sessão (E.A).
Temas/Conteúdos:
§ Est udo do Meio: À descoberta dos outros e das instituições. O pass ado do
nacional.
§ Língua Portuguesa: Comunicação oral e Comunicação escrita.
§ Estudo Acompanhado: Aquisição de métodos de estudo. Autonomia na
realização das aprendizagens.
Material:
§ Unidade temática do programa da escola virtual: “O país da Natureza - uma
história de encantar – Formação de Portugal”;
§ Mapa territorial desta época específica sempre presente no quadro virtual;
§ Cartões de uma determinada cor para os quatro subtemas relacionados com a
formação de Portugal.
Figura 27 – Cartõ es Jigsaw : Sessão 18
Reflexão/Avaliação: idêntica à da sessão nº 1.
Influên cia do povo
muç ulm ano na Pe nínsu la.
Con tin uaç ão da his tóri a da
formaçã o d o Condado
Portuc alense, poster iormente
de nomina do rei no de Po r tu cal e.
Con quist as m uç ulm ana s e m
rela ção à Pen ín s u la e a s
ex c ep ç õe s oc o rr id as .
Iníci o da histó ria da
f ormaç ão do Con dado
Portuc alense.
362
tempo previsto para a implementação do Programa há sempre espaço para alguma
flexibilidade, uma vez que se trata de gerir relações humanas num formato bastante
diferente do habitual. Ainda como reposta à questão levantada, referiu- se que cada
turma poderá apresentar ritmos de trabalho distintos e por isso haverão turmas que
possivelmente precisarão de mais tempo de implementação do que outras,
ultrapassando assim um pouco o tempo que é sugerido. No entanto, o importante é
que no final de cada dia, a sessão tenha sido implementada, independentemente de
ter utilizado menos ou mais tempo de realização. Se no dia seguinte houver
necessidade de repetir a mesma sessão pelo facto dos conteúdos não terem ficado
bem alicerçados também haverá flexibilidade para isso. É ainda necessário
evidenciar que a cada docente entregámos um guião com o tempo proposto e a tarefa
correspondente a esse tempo.
Outro ponto que possibilitou um debate pertinente foi a questão da avaliação dos
alunos. No momento inicial uma das docentes manifestou a sua opinião referindo que
não lhe parecia muito justo dar uma única pontuação global a todos os membros do
grupo pois este tipo de recompensa podia, a seu ver, desmotivar os alunos.
As restantes docentes, pelo contrário, manifestaram a sua opinião dizendo que o
facto de haver avaliação grupal beneficia mais o aluno, uma vez que se proporciona a
possibilidade de haver mais elementos de avaliação para eles , tornando- se mais justa
para cada um. Na verdade, este mito acerca da pontuação global exposto por uma das
professoras acabou por se diluir no decorrer das sessões integradas no Programa de
Intervenção baseado na técnica puzzle de Aronson.
No decorrer do espaço destinado à colocação de questões ou de sugestões, as
docentes comentaram ainda que através desta metodologia, os alunos
necessariamente têm que se tornar mais responsáveis uma vez que cada um tem um
conteúdo diferente da matéria e só esse aluno poderá partilhá-lo com os restantes
elementos que constituem o grupo Jigsaw . Reforçaram ainda a ideia de que todos os
alunos terão de realizar o resumo da matéria no final da aula e entregá-lo à
professora. Para além dessa responsabilidade, referimos que deverão ainda entregar
um resumo por grupo e que cada grupo terá um representante por semana. No final
363
da implementação do Programa todos os alunos da turma terão assumido essa
responsabilidade grupal.
A última pergunta levantada prendeu-se à questão da introdução que cada docente
fará antes dos grupos iniciarem o seu trabalho. Em r esposta a esta questão
reforçámos a ideia já apresentada no início da sessão. A introdução ao tema é feita
pela docente que expõe de forma clara o trabalho a realizar. A profess ora dirá qual é
a matéria específica para aquela aula de forma sucinta. Para que esta situação ocorra,
cada professora necessitará de ler muito bem os cartões correspondentes à aula
prevista. Referirá ainda que o tema da aula está dividido em quatro partes. Cada
aluno receberá uma parte mas no fim da sessão todos saberão a matéria das quatro
peças do puzzle . A professora dirá o que constará em cada cartão de uma forma
introdutória, e por isso muito breve. Só assim se torna possível que cada aluno
descubra e aprenda por si e em grupo. Para cada tema, as docentes podem recorrer
aos próprios cartões Jigsaw , às introduções já preparadas no programa da escola
virtual existente no estabelecimento de ensino onde pertencem as turmas que
constituem o grupo experimental, ou ainda recorrer ao manual escolar adoptado pelo
Agrupamento de escolas ao qual pertencem estes alunos. Todas as unidades
temáticas do programa da escola virtual correspondentes às 20 sessões foram
ta mbém entregues nesta sessão de formação.
Reforçámos também a ideia de que cada docente deverá enfatizar que o domínio da
unidade temática dependerá das explicações dadas pelos colegas de grupo. Avisará
ainda que no final da aula lançará questões aos alunos que poderão não coincidir com
a parte em que são especialistas, daí a importância de todos os alunos dominarem o
tema da aula na sua globalidade.
No final desta sessão entregámos o material didáctico para as primeiras 5 sessões.
Ficou também marcado um horário de realização de quatro sessões de partilha e
esclarecimentos no final de cada semana de implementação do Programa Jigsaw .
Estes quatro encontros ficaram agendados para os dias 26 de Setembro, 3, 10 e 17 de
Outubro de 2008, mas que acabaram por se estender até dia 17 de Novembro de
2008.
364
As docentes revelaram interesse e empenho ao longo de toda a sess ão de formação
referindo que aceitaram este desafio não só pelo benefício que irá trazer aos seus
alunos, nomeadamente nas áreas da criatividade, motivação, habilidades sociais e
rendimento escolar, mas sobretudo pelo facto de também sentirem necessidade de
aprender novas metodologias de ensino-aprendizagem. Verificámos assim a
possibilidade de haver uma aprendizagem conjunta e cooperativa na imple me ntação
deste Programa de Intervenção.
6.5 Resu mo
Uma das tarefas principais no trabalho de planificação, inserida no âmbito do
Programa de Intervenção Pedagógica levado a cabo nesta investigação, em três
turmas do Ensino Básico 1º Ciclo de 4º ano de escolaridade, foi a eleição da técnica
de Aprendizagem Cooperativa que iríamos utilizar. Esta tarefa foi complexa uma vez
que todas as técn icas têm como principal objectivo promover e facilitar as relações
interpessoais fazendo com que todos os elementos que constituem os grupos de
trabalho se sintam responsabilizados pelo seu sucesso e pelo sucesso dos outros.
Uma vez concluída esta tarefa e tendo em conta a faixa etária dos alunos, os
conteúdos programáticos que pretendíamos explorar, o objectivo de promover a
interdependência positiva, as habilidades sociais e aumentar os níveis de motivação,
a escolha recaiu na técnica Jigsaw . De seguida clarificámos os objectivos do
Programa, entre os quais realçamos a oportunidade de por um lado, f ormar as
docentes implicadas na técnica de Aprendizagem Cooperativa Jigsaw e
proporcionar-lhes uma alternativa ao ensino tradicional de forma a optimizar a
intervenção pedagógica no Ensino Básico – 1º Ciclo, e por outro lado, valorizar a
criatividade dos alunos envolvidos, potenciar-lhes o domínio das habilidades sociais,
a melhoria dos seus níveis de motivação e o seu sucesso académico.
Relativamente à estratégia de implementação do Programa, foi primeiramente
necessário planificar as vinte sessões previstas (tendo em conta as principais
características da técnica Jigsaw de Aronson) assim como também construir todo o
365
material didáctico indispensável para cada uma delas. Este material (os cartões
Puzzle ) foi produzido a triplicar, uma vez que tivemos tr ês turmas no grupo
experimental a trabalhar diariamente com o Programa de Intervenção Pedagógica,
sendo que duas turmas trabalharam no horário da tarde e a outra turma no horário da
manhã. A distribuição dos cartões foi feita semanalmente nos dias correspondentes
aos encontros semanais que funcionaram como sessões de acompanhamento.
A questão do tempo de implementação das sessões foi também uma preocupação
visível no desenho deste Programa. Assim, tivemos por objectivo implementar
diariamente as sessões previstas a que atribuímos 1 hora de duração para cada sessão.
Este percurso acabou por se alongar quer no tempo diário, quer ainda no próprio
período de implementação de todas as aulas planificadas com base nesta técnica de
Aprendizagem Cooperativa, devido ao facto de ser uma estratégia de actuação nova
para todos os participantes.
Ao expormos todos os aspectos inerentes às funções das docentes participantes na
implementação do Programa de Intervenção Pedagógica, desde a recepção das
planificações das sessões aplicadas em contexto de sala de aula (previamente
realizadas pelas investigadoras), à disposição física do mobiliário, à realização do
acompanhamento dos grupos e à avaliação do processo e dos resultados,
considerámos igualmente relevante descrevermos o plano de formação para os
professores do Ensino Básico do 1º Ciclo frequentada pelas docentes directamente
implicadas nas turmas do grupo experimental desta investigação. Este plano de
formação incluiu uma sessão de formação antes de iniciar a implementação das aulas
através da técnica Puzzle de Aronson no grupo experimental, como ainda seis
reuniões de acompanhamento, reflexão e partilha acerca do trabalho realizado
denominados por encontros semanais.
367
Capítul o 7
A V ALIAÇÃO DO P ROGRAMA DE
I NTER VENÇÃO
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