Fradique Mendes, o “algo nuevo que mirar”
Abstract
Carlos Fradique Mendes is a fictional character whose journey very much follows that of Eça de Queirós’ during various moments of his career between 1869 and 1900. The Correspondence of Fradique Mendes is the result of this mirroring. Although it has not been published as a book by the author, it nonetheless offers a way of understanding the world that dominated the late nineteenth century. The article seeks to demonstrate how Eça used Fradique to lay out his expectations for the century that was about to begin.
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Fradique Mendes, o“algo nuevo que mirar” Roberto Loureiro Universidade de Coimbra Foi nas páginas da edição de 29 de agosto de 1869 da Revolução de Setembro que Carlos Fradique Mendes estreou asua poesia. Os leitores descobriram que tratava-se de um poeta satânico que vivia em Paris. Em Oprimeiro Fradique Mendes, Joel Serrão considera que, para Eça de Queirós, Antero de Quental eBatalha Reis, Lisboa era acapital de um reino estagnado. Para três jovens recém-saídos de Coimbra ecobertos de aspirações políticas, literárias efilosóficas, ocenário Regenerador lisboeta era deplorável. Serrão diz que os três “procuravam, ede caminho se procuravam, como étimbre da natureza de seres inquietamente jovens”1. Batalha Reis conta em Antero de Quental: In Memoriam oestado de espírito deles na altura: pensando na apathia chineza dos lisboetas, immobilisados, durante annos, na contemplação eno cinzelar de meia ideia, velha, indecisa, em segunda mão, eem mau uso,— pensámos em supprir uma das muitas lacunas lamentaveis creando ao menos. Um poeta satanico. Foi assim que appareceu Carlos Fradique Mendes2. Desejando obter orespeito junto aos “imitativos publicistas”, otrio entendeu ser necessário criar uma escola que fosse admirada algures no estrangeiro. Assim surgiram os Satânicos do Norte, grupo que teria Fradique como expoente. No dia já referido, ARevolução de Setembro apresentou quatro poemas: “Serenata de Satã às Estrelas”, escrito por Eça, “AVelhinha”, por Batalha Reis e, por fim, “Soneto” e“Fragmentos da Guitarra de Satã”, compostos por Antero3. Como introdução aos poemas, uma breve apresentação do autor: Habitando Paris durante muitos anos, conheceu oSr. Fradique Mendes pessoalmente aCarlos Baudelaire, Leconte de Lisle, Banville eatodos os poetas da nova geração francesa. Oseu espírito, em parte cultivado por esta escola, éentre nós orepresentante dos satanistas do Norte. [...] Esta tendência do 1 Serrão 1985, p.11. 2 Reis 1896, p.461. 3 Matos 1988, p.276. OPEN ACCESS
108 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA exuberante subjectivismo artístico que pela quebra das derradeiras peias do formulismo eda tradição clássica se espraia libérrimo atéàlicença, espontâneo epessoal, atéao individualismo exagerado, para oque concorre especialmente ocaótico da concepção filosófica, social eestética dos tempos...4. Osatanismo de Fradique tem origens na crise filosófico-religiosa que atingiu Antero em 1863. Nas Odes modernas, ele afirma ser obardo de um “deus encoberto”, uma maneira de eliminar os laços que ounia aos valores católicos tradicionais que lhe foram incutidos no ambiente familiar, como em quase toda asociedade portuguesa de então. Antero éda primeira geração que conscientemente abdicou desses valores, apesar de educado dentro desses preceitos, pois mantinha em seu íntimo um sentimento místico ereligioso que não conseguira eliminar totalmente. Esse tumulto interno olevou areconhecer que “Anatureza em mim éconservadora: só oespírito éque érevolucionário”5. Em 1870, Batalhas Reis eEça produziram Omistério da estrada de Sintra, obra composta com algum romantismo (oenigma policial) ede satanismo decadentista (Fradique Mendes “reaparecido”). No ano seguinte, Eça proferiu asua conferência “Orealismo como nova expressão da arte”. Na juventude, esse movimento representa as idas evindas de um jovem autor àprocura do seu caminho, eque deseja expressar ideias econvicções próprias; na maturidade, aexperiência formula uma nova visão de mundo eestabelece um autor comprometido com odiálogo questionador dos valores edos temas de um século de mudanças políticas ecientíficas, mas ainda preso adogmas religiosos efilosóficos. Carlos Reis afirma em Eça de Queirós: consul de Portugal àParis que 1888 foi um ano crucial para aliteratura queirosiana. Neste ano Eça publicou os dois volumes de Os Maias e, nas páginas d’ORepórter, ressurgiu este personagem único na sua extensa galeria: Carlos Fradique Mendes. Com ele, oautor orquestrou oprojeto mais ambicioso emais conseguido da sua carreira. Fradique não éum mero personagem. Houve um esforço de construção de uma personalidade que antevê aheteronímia pessoana. Fradique encarna oenaltecimento àoriginalidade embrulhado pelo dandismo. Joel Serrão define opersonagem como “um representative-man das inquietações do tempo europeu que era oseu”6. Eça faz referências àtoilette de Fradique em várias passagens como um dos instrumentos que oindividualiza em relação aos demais. Em uma carta escrita ao seu alfaiate em Lisboa, E. Sturmm, Fradique “escreve” sobre aindumentária eainfluência do vestuário sobre opensar. Define como banal asobrecasaca produzida pelo alfaiate para todos os clientes, earelaciona ao que há de pior na sociedade portuguesa— afigura do conselheiro: “asua tesoura está assim mesquinhamente aparando aoriginalidade do País! Você corta, em cada casaco, amortalha de um temperamento”7. Aconcepção literária do segundo Fradique éconsiderada por Carlos Reis como elitista eanti-realista. Nas palavras de Eça, “aarte éum resumo da Natureza feito 4 Apud Serrão 1985, p.257. 5 Ibidem. 6 Ibidem 1985, p.163. 7 Queirós s/d, p.47. OPEN ACCESS
RObERTO LOUREIRO 109 pela imaginação”8. Sua personalidade émarcada por posições ideológicas eculturais distantes de outras criações de Eça de Queirós edo próprio autor. Seu caráter écontrário ao Eça realista-naturalista, daí ointervalo de cerca de dezoito anos entre as aparições n’Omistério da estrada de Sintra eapublicação de sua correspondência. Reis chama aatenção para aautonomia de Fradique em relação ao seu criador epara ofato de não ser visto como personagem de ficção, oque oaproxima “do estatuto eda linguagem da heteronímia”9, apesar de ser claro para qualquer leitor razoavelmente íntimo da obra queirosiana que os textos de Fradique foram escritos por Eça, oque não éocaso de um heterônimo epor isso foi utilizado acima overbo “aproximar”: para estabelecer aposição de Fradique em relação àheteronímia. Luís Viana Filho reproduz trecho de uma carta de Eça para amulher, D. Emília, em que ele não esconde oentusiasmo pelo sucesso do seu personagem eregistra que em Lisboa as mulheres estavam encantadas com Fradique eque osucesso da personagem/personalidade era gritante nos cafés, lojas, teatros eesquinas: “Opior éque se crê geralmente que Fradique existiu, eéele, não eu, que recebe estas simpatias gerais”10. Essa autonomia ideológica faz com que acriatura tenha pensamento próprio eaisso Carlos Reis chama de fradiquismo eentende otermo como um dos ismos que abundaram na cultura europeia do final dos oitocentos. Por isso, Fradique seria uma estratégia de abastecer de autonomia alguém que não pode ser considerado um personagem de ficção. Isabel Marnoto levanta ahipótese de que, sendo Eça de Queirós um grande escritor, teria ele vislumbrado “alguns sinais de fogo que iriam marcar oúltimo século do milênio?”11. Ela acredita que há vários sinais marcantes do século XX encontrados na personalidade de Fradique: oculto da efemeridade, apreferência pela Forma em detrimento da Ideia, oapelo visual, aconstante passagem entre culturas, ogosto pela multiplicidade, uma intensa necessidade de percorrer omundo, afugacidade da vida, abusca pela informação epelo conhecimento. Oséculo XIX foi um tempo de estímulos intensos, sensações descartáveis esentimentos efêmeros. Isabel Pires de Lima registra ainda que Fradique tem uma aguda consciência do caráter perecível de todo ato humano, inclusive oamor. No estudo “Acorrespondência de Fradique Mendes: obrilho do efêmero”, Isabel Marnoto lembra que as diversas alusões aflores contidas na obra eas reflexões sobre abrevidade da vida confirmam oentendimento de transitoriedade presente no pensamento fradiquista. Carlos Fradique Mendes édivertido. Seja pela ironia, pelas provocações, exageros, posturas, ambiguidades ou caprichos. Assim são as suas cartas. Ele escreve aengenheiros, alfaiates, membros dos Vencidos da Vida eda Geração de 70, àmadrinha eàClara. Esta merece quatro cartas que vão da aproximação ao desenlace de um romance. Charles Bazerman diz que pelo enunciado podemos identificar as intenções do emissor desde que amensagem seja compreendida corretamente. Fradique esfor8 Queirós 2014, p.151. 9 Reis 2000, p.93. 10 Apud Viana Filho 1984, p.273. 11 Marnoto 2000, p.111. OPEN ACCESS
110 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA ça-se para ser compreendido eas cartas começam da seguinte maneira: na primeira ele atrata por “minha adorada amiga”; na segunda Clara échamada de “meu amor”; aterceira começa com “minha muito amada Clara”; eaúltima anuncia oadeus de Fradique com “minha amiga”. Nesta carta, ele se despede de Clara justificando ofim do romance devido àefemeridade da vida ede tudo oque aenvolve. Fradique parte para uma longa viagem com afinalidade de terminar uma relação que “não deveria nunca ser maculada por uma agonia tormentosa elenta”12, porque a“lei do universal desaparecimento efim das cousas”13 em breve iria exercer asua força. Para ele, esse amor deveria morrer enquanto fosse viçoso enão por obra de recriminações, amargor, impaciências, arrependimentos esaciedade; fala ainda em paixão elealdade, mas écerto que vai acabar. Assim, ofradiquismo éaconfiguração do diálogo de um autor com oseu tempo. Um tempo de enormes transformações, avanços erecuos no campo da política, nas relações sociais, na ciência, na filosofia ena literatura. Um tempo em que um observador agudo como Eça de Queirós percebeu ser abase de uma nova ordem para asociedade do século seguinte evia esses acontecimentos finisseculares com opessimismo natural de quem vive determinada época eapresenta dificuldades para reconhecer os avanços testemunhados por si próprio. Este movimento retrospectivo énatural nos finais de século. Reavaliar atrajetória para descobrir novos caminhos éum processo recorrente na vida dos homens. Eça concluiu que oque seu país mais precisava naquela altura era olhar para si próprio para descobrir que somente Portugal poderia levar Portugal ao lugar que lhe cabia no mundo. De fato, Fradique acompanhou as evoluções promovidas por Eça na sua literatura desde jovem, mas não épossível esquecer que ele éamaterialização de um projeto literário recriado por um autor que, em sua maturidade artística, achou de realizar uma síntese das suas ideias frente aum século ainda preso ao nacionalismo romântico eauma igreja que, apesar de ver diminuído oseu poder, ainda mantinha considerável influência na mentalidade do seu tempo. Não deixa de ser presumível reconhecer Carlos Fradique Mendes como personificação dos Vencidos da Vida. Isabel Pires de Lima, no artigo “Vencidismo edandismo ou oheroísmo decadente de Carlos Fradique Mendes” (1993), diz que oautor das “Lapidárias” “éuma espécie de “personagem-síntese”, “personagem-símbolo”, “personagem-aspiração” dos Vencidos da Vida”14. Realmente, Fradique encarna diversas facetas das personalidades dos componentes do renomado “grupo jantante”. Assim, este personagem pode também ser visto como um porta-voz dos “Onze do Bragança”, um grupo de homens de espírito que frequentemente enxergamos nas páginas d’ACorrespondência de Fradique Mendes. Aconvicção da Geração de 70 na necessidade de refundir Portugal como um todo, bem como aconstatação dos Vencidos de que haviam falhado na vida, passava por conclusões como oentendimento da decadência de um país atrelado ao passado, de uma sociedade deitada sobre os triunfos pretéritos ede uma mentalidade “conse12 Querós 2014, p.325. 13 Ibidem. 14 Lima 1993, pp.29–30. OPEN ACCESS
RObERTO LOUREIRO 111 lheira”. Neste panorama, não vale apena escrever, compor e/ou analisar. Assim, só restava aFradique peregrinar pelos continentes epelas filosofias; eaos Vencidos, jantar no Bragança. Na introdução biográfica do editor das cartas de Fradique Mendes, oleitor se familiariza com opersonagem apartir da formação intelectual, das convicções edos posicionamentos do intrépido açoriano diante dos valores edas grandes questões que dominavam asociedade europeia eportuguesa no final do século XIX; sobretudo, segundo Carlos Reis, no que diz respeito ao “seu posicionamento ideológico em relação aPortugal, àsua cultura eàsua evolução histórica recente”15. Fradique vê oliberalismo, que trouxe ademocratização eonivelamento de comportamentos como oresponsável pela degeneração dos costumes em Portugal; assim como os “politiquetes”, que deram cabo do “Portugal vernáculo”. Énesta primeira parte d’Acorrespondência que Eça traça apersonalidade de Fradique, manifestada por um incisivo livre-pensar, pela peregrinação entre continentes, pelo incessante culto do exótico, pelo dandismo exuberante, pelo horror àbanalidade burguesa. Tudo em Fradique ésuperlativo eplural. Aríete da Modernidade emergente, Carlos Fradique Mendes está “ideologicamente distante do naturalismo, orientado para um esteticismo tipicamente finissecular”16, que sinaliza arelação entre Eça eamodernidade. Educado por um padre, um coronel francês eum conterrâneo de Kant, Eça demonstra que, pelos preceptores que oorientaram, Fradique seria tudo, menos um homem trivial. Fradique éum super-homem oitocentista. Domina vários idiomas, percorre continentes, luta em guerras remotas, ama ese faz amado por mulheres exóticas, conhece os grandes vultos da literatura, tem uma inteligência superior eoriginal. Em Portugal, Eça reconheceu que oliberalismo não mudara drasticamente os rumos do país eque tanto históricos quanto regeneradores não promoveriam mudanças drásticas. Assim, Portugal mantinha-se preso ao passado histórico; asociedade refém de opiniões obsoletas; aigreja se esforçando para manter oatraso eauniversidade empenhada em eliminar qualquer sopro de rebeldia. Tudo isso associado auma geração de autores mansos eimitativos. Asituação era tão gritante para ele que, na carta-prefácio em que autoriza apublicação de uma nova edição de Omistério da estrada de Sintra, Eça diz que aquela éuma obra com todos os erros que um autor não deveria cometer, mas que pela audácia com que foi escrita poderia servir de inspiração ànova geração de escritores eterminava dizendo que “aos vinte anos épreciso que alguém seja estroina, nem sempre talvez para que omundo progrida, mas ao menos para que omundo se agite”17. Claro está que esse não éoEça de garras àmostra do padre Amaro ou do Basílio, mas um autor ciente das dificuldades edas possibilidades que eram oferecidas no seu tempo. Fradique estudou na Universidade de Coimbra ena Sorbonne antes de viver em Paris, onde tornou-se célebre como filósofo de boulevard. António Sardinha em 15 Reis 2000, p.26. 16 Ibidem, p.28. 17 Queirós s/d, p.9. OPEN ACCESS
112 SVĚT LITERATURY / O MUNDO DA LITERATURA “Oespólio de Fradique”, ensaio contido em Eça de Queirós “In Memoriam”, diz que havia nele uma “inteligência excessiva euma compulsão pela análise”. Para Álvaro Lins, Fradique aproveitou oque havia de melhor em seu século: as peripécias, as excentricidades, atoilette, amodulação entre paixão esaciedade nos sentimentos, apaixão por tudo oque era exótico eainda “aimprovisação esuperficialidade do conhecimento ecultura, aligeireza, odiletantismo, aféna natureza, na ciência ena razão e, sobretudo aausência de fé”18. Com essa proposta, Eça de Queirós sugere que ohomem do século que se aproximava, sobretudo em Portugal, deveria ter uma postura independente em relação atudo que ocerca euma nova forma de enxergar omundo, para que mudasse opanorama do século que então terminava. Um século em que ohomem ainda permaneceu preso aos dogmas religiosos, às convenções sociais antigas esubmetido auma tradição ultrapassada que já não fazia sentido para aGeração de 70. Oeditor d’ACorrespondência de Fradique Mendes conta-nos sobre Juan Ponce de Léon que, cansado do marasmo, partira em viagem marítima para reencontrar uma novidade na paisagem. Novidade encontrada no Mundo Novo, mais especificamente na Flórida, oque provocou no conquistador oseguinte comentário: “Gracias te sean, mi S. Juan bendito, que hémirado algo nuevo!”19. Ao ler “As Lapidárias”, onarrador d’ACorrespondência, exclamou: “Graças te sejam dadas, meu Fradique bendito, que na minha velha língua hémirado algo nuevo!”20, e, já na finalização da introdução àcorrespondência, onarrador assim justifica as razões para aedição da prosa epistolar de Fradique Mendes: “Nos tempos incertos eamargos que vão Portugueses destes não podem ficar para sempre esquecidos, longe, sob amudez de um mármore. Por isso eu orevelo aos meus concidadãos— como uma consolação euma esperança”21. BIBLIOGRAFIA 18 Lins 1939, p.181. 19 Queirós 2014, p.82 20 Ibidem, p.84. 21 Ibidem, p.197. Bazerman, Charles. Gêneros textuais, tipificação einteração. São Paulo: Cortez, 2005. Lima, Isabel Pires de. “Fradique eodandismo.” In MATOS, A. Campos (ed.) Suplemento ao Dicionário de Eça de Queiroz. Lisboa: Caminho, 2000. Lima, Isabel Pires de. “Vencidismo edandismo ou oheroísmo decadente de Carlos Fradique Mendes.” Revista da Universidade de Aveiro / Letras, n.os 6, 7, 8. Aveiro: Universidade de Aveiro, 1993. Lins, Álvaro. História literária de Eça de Queirós. Rio de Janeiro: JoséOlympio, 1939. Marnoto, Isabel. “Acorrespondência de Fradique Mendes: obrilho do efêmero.” In Matos, A. Campos (ed.). Dicionário de Eça de Queirós. Lisboa: Caminho, 1988. Matos, A. Campos (ed.) Suplemento ao Dicionário de Eça de Queiroz. Lisboa: Caminho, 2000. Moura, Helena Cidade. “Nota final.” In QUEIROZ, Eça de. Acorrespondência de Fradique Mendes. Lisboa: Livros do Brasil, 2002. Queirós, Eça de. ACorrespondência de Fradique Mendes. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2014. OPEN ACCESS
RObERTO LOUREIRO 113 Queirós, Eça de. Cartas inéditas de Fradique Mendes emais páginas esquecidas. Porto: Livraria Lello &Irmão Editores, s/d. Queirós, Eça de. Ocrime do padre Amaro. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2000. Queirós, Eça de. Oprimo Basílio. Livros do Brasil, 2000. Queirós, Eça— Ortigão, Ramalho. Omistério da estrada de Sintra. Porto: Lello &Irmão Editores, s/d. Real, Miguel. Oúltimo Eça. Lisboa: Quidnovi, 2006. Reis, Carlos. Eça de Queirós: consul de Portugal àParis (1888–1900). Paris: Centre Culturel Calouste Gulbenkian, 1997. Reis, Carlos. Oessencial sobre Eça de Queirós. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2000. Reis, Jaime Batalha. “Annos de Lisboa (Algumas lembranças)”. In Sampaio, Alberto et al. Anthero de Quental: In Memoriam. Porto: Mathieu Lugan Editor, 1896. Sardinha, António. “Oespólio de Fradique.” In Amaral, Eloy do— Martha, M. Cardoso: Eça de Queiroz: In Memoriam. Coimbra: Atlântida Livraria Editora, 1947. Sequeira, Gustavo de Matos. Fradique Mendes, símbolo dos “Vencidos da Vida”. Lisboa: s/n., 1942. Serrão, Joel. Oprimeiro Fradique Mendes. Lisboa: Livros Horizonte, 1985. Simões, Maria João. “Eça eFradique: as cartas eos seus temas.” Queirosiana, n.o2. Tormes: Fundação Eça de Queirós, 1992. Viana Filho, Luís. Avida de Eça de Queirós. Rio de Janeiro: Nova Fronteira 1984 (2ª ed.). FRADIQUE MENDES, THE “ALGO NUEVO QUE MIRAR” Carlos Fradique Mendes is afictional character whose journey very much follows that of Eça de Queirós’ during various moments of his career between 1869 and 1900. The Correspondence of Fradique Mendes is the result of this mirroring. Although it has not been published as abook by the author, it nonetheless offers away of understanding the world that dominated the late nineteenth century. The article seeks to demonstrate how Eça used Fradique to lay out his expectations for the century that was about to begin. KEY WORDS / PALAVRAS-CHAVE: Eça de Queirós; Fradique Mendes; Modernity. Eça de Queirós, Fradique Mendes, modernidade. Endereço profissional: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Endereço eletrónico: [email protected] OPEN ACCESS